Busca

Tag

Sonhos

Foi assim…

FOI ASSIM…

Eu tinha tanto medo que sequer me mexia

O peito gritava em silêncio

As lágrimas escorriam ininterruptas

Tinha cuidado para elas não fazerem barulho

E chamar a atenção daquele que me prendeu ali

Recolhi-me em mim mesma e rezei

Pedi a Deus para me tirar dali bem rápido

Pois a ansiedade me consumia, apavorava

Se possível que me levasse para minha vida de antes

Ou logo para perto Dele, se merecesse

Não tinha medo de morrer

Tinha medo de deixar sozinhos aqueles que amava

Que sofreriam com minha ausência

Minha cabeça sangrava, meu corpo doía apertado ali

Com hematomas e violência sofrida

Minha mente tentava manter-se alerta a qualquer barulho

Meu coração parecia a ponto de explodir,

Minha alma morria aos poucos por dentro

E o carro sacolejava…

Perdi a consciência e acordei com o porta-malas sendo aberto

Fui retirada dali vestida de nuvem, flutuando

Levada pelas mãos por aquele que me sequestrou, também vestido de nuvem

Anjo, tornado demônio, anjo de novo “Fui convocado para te buscar” – ele justificou sorrindo em resposta ao meu olhar questionador

Num espaço paradisíaco e inimaginável

Vi todos aqueles que amei me esperando “Só faltava você”! E vieram flutuando me abraçar…

Chorei, sorri, morri, vivi…

Foi assim…

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Delírios

DELÍRIOS

Em poucos minutos, flashs de imagens nos invadem

Dolorosas, sofridas, assustadoras

Amedrontam a alma da gente

Em poucos minutos, flashs de imagens nos invadem

Carinhosas, ternas, quentes, apaixonadas

Encantam a alma da gente

Acendem e apagam, chegam e se vão

Alternam-se desejos e delírios, bons e ruins

Mas deixam um rastro iluminado de esperança no caminho

Fazendo bater mais forte o coração…

Alda M S Santos

Há esperança

HÁ ESPERANÇA

Há esperança, ah, esperança…

Aquela que vai, voa, se perde, volta

Flutua e pousa insegura em sua mão

Ah, esperança…

De asas leves, voo verdejante

Machucada, temerosa, insistente

Repousa em sua alma, batendo asas no ritmo de seu coração

Há esperança!

Voa na brisa suave, deixa-se levar nos vendavais

Ou apenas se recolhe num canto…

Espera, paciente, que alguém nela espere

Como toda esperança será a última a morrer

Ah, esperança…

Há esperança?

Alda M S Santos

Reservado

RESERVADO

Num mundo que se assemelha a um gigante estacionamento

Onde há vagas demarcadas, ou não

Mas não temos lugar reservado, personalizado

E nem sempre há vagas ou espaço para todos

Gostamos mesmo é de estacionar nossos corações no mesmo lugar

Naquele espacinho onde nos cabe direitinho

Onde o sol aquece, mas não queima

Onde o silêncio aconchega e acalenta

Onde há sombra de uma boa cobertura sem esfriar

Onde estamos protegidos de tempestades e granizos

Onde não há qualquer dificuldade de manobras, sem medos

Onde nos encaixamos de olhos fechados sem erros

Com a certeza e prazer de ter chegado em casa…

Encontrar ocupada essa “vaga” não reservada, mas sempre utilizada

Com cones de proteção ou placas de estacionamento proibido

Ou sequer desconfiar que ela não esteja mais disponível para nós

É, no mínimo, angustiante…

Desejo de colocar uma placa de uso cativo com letras garrafais nas vagas que “ocupo”

RESERVADO!

Sujeito a reboque!

Alda M S Santos

Alma livre

ALMA LIVRE

Ela é uma poetisa que hoje mora num lar de idosos

Extremamente educada, delicada e gentil

Idade já avançada, mente alerta, olhar “invasor“, observador

Como só os poetas de alma podem ser

Ela me olhava conversar com um idoso de longe sentada em sua cadeira

Apoiada no andador, o corpo não mais acompanha a agilidade da mente e dos sentimentos

Olhava por cima dos óculos todos os demais em roda

Interagindo com a música como podiam

Cantando, dançando, ouvindo, fazendo parte…

Cheguei até ela, fiz um carinho do qual fui correspondida

Perguntei pelos poemas, se ainda escrevia aquelas preciosidades que já declamou para nós outras vezes

“Ah, não! Não tenho mais cabeça e memória para isso, faltam palavras”

“Mas para escrever poemas não precisa memória, precisa sensibilidade e sentimentos que a senhora tem de sobra ”- retruquei

Ela deu um lindo sorriso, fez-me um carinho no rosto

“Que linda e gentil você é! Estava vendo como era atenciosa com aquele senhor.”

“Ele é uma ‘peça’, gosta de conversar. Falava das filhas”- completei

“Mas não são todos que têm paciência com ele! E seu blog, ainda escreve?”

Essa foi a pergunta de quem disse não ter a mente boa…

Falei sobre o blog pra ela há tempos…

Uma alma delicada de poeta naquele corpo frágil, num lar para idosos

Será que se sente presa ali, no próprio corpo, naquele lar, ou a alma é livre?

Não tive coragem de perguntar, mas acho que ela percebeu o que eu sentia/temia

Sorriu e me beijou o rosto, agradeceu a presença

Não tem como não pensarmos no nosso próprio futuro…

Cada Carinhólogo certamente se faz essa pergunta!

Alda M S Santos

#carinhologos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Nublado

NUBLADO

Quero um dia inteirinho de chuva

Daqueles cujo céu fique totalmente encoberto

Chuvinha constante, ora fininha, ora mais intensa

Daqueles que nos “autorizem” a ficar o dia todo sob as cobertas

Sem precisar justificar, sem precisar de um porquê

A nostalgia e introspecção comuns desses dias nos liberam para tal

Eles são, por si só, a razão do recolhimento

Sentindo o friozinho úmido lá de fora, as gotas da chuva escorrendo na janela

Cheirinho de terra molhada, flores agradecidas, pessoas correndo

Escondendo-se sob as marquises, dividindo guarda-chuvas

Umas felizes, outras praguejando, esbravejando

Os abraços molhados, os encontros, os reencontros

O amor, a saudade de infância que sempre fica no ar…

Crianças sempre amam, andam nas enxurradas, nada temem

Adoro observar as pessoas em dias assim

O cinza molhado ativa as cores ou ausência delas nas pessoas

Os cães sequer saem das casinhas

O bem-te-vi por certo também está em “casa”

Um pijama macio, uma meia velha, cabelos revoltos, uma xícara de chá

Um livro, um filme ou uma música

Uma história para escrever…

Sei lá…

Dias nublados e chuvosos são dias muito produtivos

Ainda que o produto seja apenas interno e invisível aos olhos de fora…

Alda M S Santos

Estou viva!

ESTOU VIVA!

Estou no perfume doce e inebriante da flor

Também nos espinhos que a protegem e nos causam dor

Estou no calor escaldante do sol a brilhar

Também na chuva fria que cai fininha sem cessar

Estou na paz e inocência do sorriso infantil

Também na ternura do olhar de um idoso senil

Estou no beijo de um casal apaixonado

Também na saudade de um amor do passado

Estou na brisa suave que acalma, refresca, arrepia a pele e os cabelos balançam

Também nos ventos fortes dos vendavais que assustam e tudo bagunçam

Estou nos acordes suaves da empolgante canção

Também nos corpos grudados que dançam sensuais pelo salão

Estou na claridade da lua cheia ao anoitecer

Também na nebulosidade de um dia em que o sol esqueceu de nascer

Estou na finalização que nos traz todo entardecer

Também na esperança que renasce verdejante em cada alvorecer

Estou no amor vivido, na dor cortante, frustrante

E na vida que se renova no silêncio de paz dos amantes

Estou viva, sou a poesia

E, vez ou outra, me transmuto em versos, em poemas, em magia…

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Em pergaminho, uma vida

EM PERGAMINHO, UMA VIDA

Num pergaminho de pontas queimadas e amareladas

Escreveu em versos simples e singelos sua vida num poema

Na contramão da era digital, online, devastadora

Uma vida tão sonhada, desejada e não realizada

Foi escrita a pena, a duras penas, regada a lágrimas

Enrolada, amarrada em laço e numa garrafa colocada

Lançou ao oceano aqueles sonhos para a posteridade

Quem sabe quem a encontrasse não se inspirasse

E fizesse daquele poema meloso, piegas e fictício

Uma linda poesia da vida real…

Alda M S Santos

Inalcançáveis

INALCANÇÁVEIS

Sabe aquele ditado “ver com os olhos e lamber com a testa”?

Uma gaivota voa alto no céu, um barco navega longe no mar

E eu aqui a sonhar…

Nossa vida é muito dividida entre o querer e o poder

Entre o querer, desejar, e ficar apenas na vontade…

Entre o querer e o medo de se arriscar, se aventurar…

Há coisas possíveis e fáceis, coisas difíceis, mas possíveis,

As quase impossíveis e as inalcançáveis!

É como ter perto de nós um oceano convidativo e não saber nadar

Uma árvore frondosa e ter medo de escalar

Um céu gigantesco a explorar e não confiar nas próprias asas!

Mas isso não elimina o desejo de nadar, escalar, voar…

E continuamos a ver com os olhos e lamber com a testa…

Alda M S Santos

Nos braços de Morfeu

NOS BRAÇOS DE MORFEU

Deitou-se à beira mar num fim de tarde de outono

O Sol se punha belo e multicor no horizonte

As ondas vinham leves e mornas sob seus pés, puxando a areia

Um céu de azul profundo, gaivotas a voar

As crianças brincavam felizes, despreocupadas

Olhos querendo fechar, embalados pelos sons e cheiro de maresia inebriantes

Não posso dormir- pensou! Perigoso!

Entregou-se aos braços de Morfeu, sem perceber

Noite alta, despertou sem ar, quase se afogando

Queria nadar de volta à praia, tudo escuro como breu, nada via

Sensação claustrofóbica terrível

Água por todos os lados em círculos, pedia ajuda, ninguém ouvia

Nadava e sentia-se afundar, ouvia barulhos de gente

Procurava por seus entes queridos, gritava e a voz não saía

Chamava por seus amigos e familiares e…nada, ninguém a socorria

Sentia-se afundar, olhos ardendo do sal do mar e das lágrimas

As forças minavam, faltava oxigênio, pensou em Deus…

Os olhos se abriram, clarearam, a areia da praia apareceu, nadou de volta

Esgotada, entregue, chorou, agradeceu…

Alda M S Santos

A culpa é dos contos de fadas

A CULPA É DOS CONTOS DE FADAS

Um príncipe, uma princesa, um casamento real

E os olhos de todo o mundo concentram-se em Londres

Todos querem conhecer e acompanhar essa história

Uma plebeia moderna, estrangeira, afro-americana, divorciada

Cuja história de vida foge aos padrões da nobreza

Conquistou o sorriso, o olhar e o amor do príncipe tão cobiçado

O coração da rainha, as graças da família real e todos os seus súditos

Tanto protocolo, tanto luxo, tantos sonhos são sacudidos

Imagens invadem nossas mentes adormecidas

Berço onde os contos de fadas da infância foram acalentados

E uma leve nostalgia ou forte dose de realidade toma conta de nós

Uns, mais “reais” que a família real, concentram-se em seus borralhos

Outros, ousam sonhar com o “felizes para sempre” de um príncipe e uma princesa…

E cada qual olha para o que tem de “real”, verdadeiro, amoroso

Construído dia a dia na labuta familiar de príncipes e princesas “reais”

Agradece ou continua a sonhar com o lindo, forte e amoroso príncipe no cavalo branco

Talvez numa Ferrari, um olhar de puro amor, gentilezas de gentleman

Ainda que o sapatinho de cristal não caiba em nossos pés calejados pelas estradas sinuosas percorridas

E anseiem com o “felizes para sempre” de um amor perfeito e sem esforço …

A culpa é dos contos de fadas “escritos nas estrelas” que brilham no céu das nossas almas infantis…

Alda M S Santos

Sonhos…

SONHOS…

Sonhos…tão nossos, só nossos…

Sonhos “presos” no âmbito do in(consciente)

Estão protegidos em sua irrealidade

Trancados atrás das telas frias da impossibilidade

A partir do momento que ousam ser compartilhados

Cruzam uma fronteira perigosa e audaciosa

Passam a correr dois riscos:

Tornar-se reais, ainda que diferentes do sonhado

Transformando-se em realidades lindas, leves e doces como voo de beija-flor

Ou morrerem, em pesadelos escabrosos, sufocados pela grossa nuvem de poeira do mundo real

De um modo ou de outro deixam de ser sonhos

Daí tantos humanos cautelosos preferirem manter sonhos como sonhos

Guardadinhos na mente, na alma, no coração, protegidos…

Alda M S Santos

Utopia

UTOPIA

Quando o coração deseja alcançar a todos

Fazer com que aqueles a sua volta se deem bem

Ainda que seus braços não sejam tão longos ou acolhedores

As palavras não sejam doces ou duras o suficiente

O exemplo não seja entendido como bastante…

Até que ponto “respondemos” pelas ações do outro

Se, algumas vezes, mal damos conta de responder pelas nossas?

É utópico!

Mas de utopia também se vive

Quando não se deixa levar pela amargura

E insiste, acredita e luta por um mundo melhor

Ainda que no pequeno círculo de convivências

Respeitando as diferenças individuais

Valorizando as semelhanças…

E aprendendo que todos temos nossos limites

Se quisermos salvar o “mundo”

Por menor que seja a parte dele a ser mudada

Precisamos, primeiro, estar bem conosco mesmos

Para alcançarmos o impossível, até mesmo utópico

É necessário começar pelo possível…

Alda M S Santos

Da minha janela

DA MINHA JANELA

Da minha janela para fora vejo um quadro bonito

Harmonia das cores, dos tons, dos sons

Verdes e marrons, amarelos e vermelhos, azuis e roxos que se completam

Tudo se mistura, tudo tem seu lugar

Sem perder a beleza da unidade ou o encanto do todo

Latidos, piados, cantos, balidos

Sem disputas, há espaço para todos, sintonia total

Da minha janela para dentro vejo um ateliê confuso

Cores misturadas, pincéis jogados, tons e sons dissonantes, viola desafinada

Alegrias e tristezas, dúvidas e certezas se debatem

Vermelhos e azuis, brancos e pretos, rosas e alaranjados disputando espaço

Sorrisos, lágrimas, diálogos e silêncios “interagindo”

Ora o branco pacífico, ora o vermelho flamejante

Reflexões e decepções, alegrias e amores tomam o espaço: o meu espaço interior

Tentando encaixar o que recebo de fora, as “contribuições” externas

Mesmo que pareçam peças avulsas, cores difíceis, desarmônicas

Ali realizo a minha obra diária

Na tela branca de minha alma pinto meu quadro multicor

A arte linda, difícil e nem sempre compreendida

A arte da existência …

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Olhar opaco

OLHAR OPACO

Encontraram-se muito tempo depois

Num espaço além-terra, fora da galáxia

Abraçaram-se longamente, sem nada dizer

Palavras desnecessárias, supérfluas, troca de calor

Encontro de corpos onde já havia afinidade de almas, intimidade de ideias

Sabiam de que barro foram feitos todos os humanos

Nem a troca de olhares era possível, córneas opacas, cegas

“Não posso mais te ver, mas posso te sentir”

“Sinto seu cheiro, ouço sua voz, o carinho que sempre me dedicou”

“Não preciso dos olhos para saber que é você, amor inigualável que recebi”

“Não chore! O amor tem muitos meios de se fazer marcante, presente”

O abraço longo, saudoso, de outra vida comprovava tudo

Em sonhos…

Alda M S Santos

Para viver é preciso sonhar

PRA VIVER É PRECISO SONHAR

Não há vida sem sonhos, há apenas a seca sobrevivência

Pra manter-se vivo de verdade, vibrante, é preciso sonhar

Mas há que se ter equilíbrio, saber dosar a água e o fubá

Um sonho sozinho não se sustenta por muito tempo

Desfaz-se feito nuvens negras em dias de verão

Tampouco a dura realidade se mantém íntegra sem a liga dos sonhos

Quem vive sem sonhos amarga duras realidades

Quem vive só de sonhos amarga dolorosas decepções

Até mesmo um sonho precisa de umas pitadas de realidade, vez ou outra

Para temperar a vida,

Para poder sobreviver…

Alda M S Santos

Hipoteticamente

HIPOTETICAMENTE

Hipoteticamente, poderíamos ser proprietários de uma indústria internacional com milhares de funcionários

Mas preferiria exercer com amor e tranquilamente a profissão que escolhi

Hipoteticamente, poderíamos viajar e conhecer o mundo inteiro

Mas me contentaria em viver num lugar que gostasse e conhecer poucos outros que me fizessem feliz

Hipoteticamente, poderíamos conquistar todos os amores do mundo

Mas preferiria um único, só meu, verdadeiro, real, que me tivesse como alguém especial

Hipoteticamente, poderíamos ter milhares de amigos a nos saudar todos os dias

Mas preferiria apenas alguns que de perto me abraçassem e me acariciassem com palavras, com o olhar

Ou de longe pensassem em mim com carinho e me dedicassem orações sinceras

Hipoteticamente, poderíamos viver com familiares numa mansão luxuosa no primeiro mundo

Mas me bastaria uma casinha simples no meu país com uma família amorosa e presente

Hipoteticamente, poderíamos ajudar e fazer o bem a milhares de pessoas

Mas ficaria feliz se conseguisse ajudar aos mais próximos e não prejudicasse a vida de ninguém

Hipoteticamente…deixemos pra lá

Sonhar é bom, mas fazer da realidade nosso sonho mais lindo é carícia na alma.

Alda M S Santos

Moradas

MORADAS

Posso querer viajar o mundo inteiro

Encontrar várias pousadas

Instalar-me em palácios ou palacetes

Cabanas ou choupanas

No alto da montanha ou no pé da serra

Sozinha ou acompanhada

Mas a melhor morada

Onde preciso me encaixar perfeitamente

É dentro de mim mesma…

Sem espaços vazios, sem sobras, sem apertos

Só assim caberei em qualquer lugar,

Serei capaz de dar pouso para outro alguém

E ser feliz…

Alda M S Santos

Terapia e florais

TERAPIA E FLORAIS

Meio a contragosto ela observava os peixinhos, respiração acelerada

Aguardando um terapeuta que ouviu mais que falou:

“Você precisa se permitir vivenciar isso, sofrer, chorar”

“Tente não resolver tudo sozinha”

“Você não precisa ser forte todo o tempo”

“Entenda que isso não é real, que passou, que você está bem”

“Segundo Freud, sonhos e pesadelos são modos de se trabalhar no inconsciente o que incomoda no consciente”

“O tempo irá diminuir a intensidade dos pesadelos se trabalhar isso em você”

Ela saiu de lá com uma receita de florais

Para amenizar ansiedade, culpas, medos, traumas, melhorar a qualidade do sono

E um pouco incrédula da eficácia

Mas disposta a tentar amenizar pesadelos massacrantes…

Ocupar corpo e mente e afastar qualquer mal…

Alda M S Santos

E a vida segue…

E A VIDA SEGUE…

Dia: sol, luz, insegurança, amor, coragem, expectativas,

Vida que segue…na leveza ou peso do que somos

Noite: escuridão, medos, perseguições, ameaças, desconfianças, acusações…

Morte que tudo interrompe…na leveza ou peso do que carregamos

Sonhos e pesadelos…

Tudo cinzento e cruel!

Alegrias que fortalecem

No brilho do amor e amizade

Lágrimas que lavam a alma

Força que renasce da coragem e fé

E a vida segue…

Na linha tênue que a separa da morte!

Alda M S Santos

Se eu faltar pra você…

SE EU FALTAR PRA VOCÊ…

Se eu faltar pra você, quanto tempo sofrerá por mim?

Ficará revoltado, achando que a vida foi injusta, que merecia mais?

Será daqueles que mergulham em histórias e mais histórias pra esquecer minha partida?

Escreverá um livro contando nossa história para relembrar, não me apagar da sua mente?

Sentirá falta do quanto te amei, de minha companhia diária, do quanto nos fizemos bem?

Ou será do tipo que procuraria exatamente por quem disse que nunca faria, por pura rebeldia?

Seria capaz de me responsabilizar pelo que não foi culpa minha?

Saberia ser agradecido a Deus pela vida que compartilhamos, ou revoltado pelo fim?

Seguirá em frente, amará outra mulher logo, pois acostumou-se a uma vida de amor?

Não sei o que você faria…

Soubesse com antecedência da minha partida poderia até levar você…

Mas não seria justo! Você tem direito à sua vida!

Afirmo apenas que levaria você comigo para sempre:

No coração e na alma para qualquer dimensão…

Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO
Em sonhos, encontrei-me com uma amiga
Que há muitos anos não via
Parecíamos, fisicamente, diferentes uma para a outra
Mas nossa essência e carinho não haviam mudado
Amigas de segredos, de intimidades, de adolescência
De primeiro “amor”, de descobertas, de medos e planos
E a conversa fluiu tão natural que parecia não ter havido distância
Cada qual com sua vida, sua família, uns planos realizados
Outros que ficaram apenas na vontade, decepções
Mágoas, vitórias e conquistas, novos planos…
Aquela história dividida debaixo de um pé de amora
E que quase sempre a gente chora…
Tudo na verdade se resume aos nossos sonhos, sempre.
E pensamos em quanto tempo tínhamos ainda pela frente.
Sensação maravilhosa reencontrar alguém que foi especial
Que fez parte de um capítulo importante de nossa história
E que ficou guardadinho lá no fundo aguardando
As voltas da vida e os propósitos de Deus!
Saudades! Amei rever você, ainda que em sonhos…
Alda M S Santos

Constelação

CONSTELAÇÃO

Tudo ainda parecia muito real dentro dela

Deitada na rede lá fora, encolhida, rosto banhado em lágrimas

Rezava, tomava um copo d’água e tentava afastar aquilo da mente

Pesadelos não são reais, repetia para si mesma sem parar

São apenas sua mente tentando trabalhar o que te faz mal, insistia ela

Na tentativa de neutralizar aquela imagem ruim.

Sabia que precisaria de tempo para voltar à realidade

Entender que pessoas que a amavam não seriam capazes daquilo.

Tentava identificar as constelações no céu

Eram tantas e tantas estrelas…

E como quando criança, queria acreditar que uma delas, apenas uma

Era alguém querido que lá de cima olhava por ela

E a protegia de todo mal.

Aos poucos ia se acalmando, despedia daquela estrela

Que de repente parecia brilhar mais que todas,

E voltava para dentro para dormir…

Alda M S Santos

Por aí, noutra dimensão…

POR AÍ, NOUTRA DIMENSÃO…
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ele a tocou de leve, fez um carinho no rosto, uma brisa suave na pele.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos

Free day

FREE DAY

E se pudéssemos reviver um dia das nossas vidas

Exatamente como foi. Apenas um. Saberíamos escolher?

E se pudéssemos, ao contrário, apagar totalmente

Um dia de nossas vidas. Seria difícil?

E se pudéssemos rever ou reencontrar alguém

Que partiu de nossas vidas, por morte ou descuido

Bater um longo papo, deixar as lágrimas rolarem

Ou simplesmente abraçar longamente?

Entre quantas pessoas teríamos que escolher?

E se pudéssemos ter um dia livre, um free day

Em que fosse possível fazer tudo que desse vontade

Sem que ninguém fosse magoado, culpado ou punido

O que faríamos? Um dia seria o suficiente?

E se pudéssemos?

Nosso mundo seria um paraíso ou uma barbárie?

Nossas vidas são feitas de momentos que se vão…

Alda M S Santos

Sonho que sonhei

SONHO QUE SONHEI

Um sonho dos mais antigos: ser bailarina!

Desde pequerrucha sonhava com tudo que envolvia a dança

Particularmente o balé.

As músicas, o figurino, a leveza das bailarinas

Sempre foram um mundo mágico e encantado para mim.

Sonho não realizado, mas a fantasia permanece…

Vez ou outra ainda faço de conta que sou bailarina

Acho que teria tentado “realizar” esse sonho numa filha,

Se tivesse tido uma, ao invés de filhos.

Mas o gosto pela dança é constante, pulsante.

Desde então, muitos outros sonhos vieram,

Aqueles que dependem de nós, dos outros, das circunstâncias

Uns realizados, alguns em partes, outros não.

Mas a fantasia não pode morrer

Ela que dá sentido ao viver.

Uma vida repleta de sonhos pelos quais lutar

É sempre uma vida rica!

Alda M S Santos

No travesseiro

NO TRAVESSEIRO

Estacionamos nossa mente ao colocar a cabeça no travesseiro.

Será mesmo?

A quantas anda nossa mente nesse momento tão nosso?

Revive o dia que passou? Alegra-se, lamenta?

Planeja o dia seguinte com esperança e fé?

Dá umas voltas no passado? Sente saudades, quer retornar?

Quem entra, quem sai, quem fica nela?

Temos controle? Conseguimos mudar o canal,

Selecionar momentos, pessoas, sentimentos que queremos?

Ou ela é bandoleira e fica onde quer, livre,

Até se desligar por superaquecimento ou exaustão?

Alda M S Santos

Lágrimas não fazem barulho

LÁGRIMAS NÃO FAZEM BARULHO

Tudo estava muito escuro, respirar era difícil

Tanto pelo exíguo espaço quanto pelo medo

Cheiro de álcool, cigarro, barulhos ao longe

Curvas perigosas, risadas mais ainda

Vou me encolhendo, abraçando os joelhos,

Tentando passar despercebida.

Lágrimas não fazem barulho, exceto dentro da gente.

Uma oração que não consegue ser verbalizada

Um pedido de socorro que não sai, por mais que se tente.

E as lágrimas aumentam… A velocidade diminui.

O porta-malas se abre, duas imagens conhecidas me encaram,

Maldosas, cruéis, dispostas a tudo.

Tentam me levar dali, fico imóvel.

Fecho os olhos, tento gritar, a voz não sai

Aguardo o inevitável.

Silêncio total!

Devagar e amedrontada, abro os olhos

A oração apenas pensada, o pedido mudo de socorro

Foram atendidos, não havia mais ninguém ali.

Chorei convulsivamente num agradecimento também mudo,

E, chorando, acordei…

Na certeza de que mais uma vez, entre tantas, fora salva!

Alda M S Santos

Era apenas um pesadelo?

ERA APENAS UM PESADELO?

“Você não tem medo, você já é grande”!

Falam-nos nossas pequenas crianças

Que em nós buscam auxílio para seus medos

Do escuro, dos monstros debaixo da cama, do lobo mau

Dos animais peçonhentos, das pessoas estranhas,

De perderem o amor dos pais, de serem esquecidas na escola…

Mas enganam-se muito ao pensar que não temos medo!

Quiséramos não tê-los!

E nossos medos são muito reais!

E nem sempre buscamos ajuda!

Medos de ordem física ou emocional, social ou financeira.

Elas não sabem, mas também temos nossos escuros,

Nossos lobos maus, nossos estranhos peçonhentos,

Também tememos perder alguém,

E temos também nossos monstros,

Tanto dentro quanto fora de nós,

E são também assustadores, quase invencíveis.

Queríamos que se afastassem ao acendermos a luz,

Ao chamarmos um super-herói,

Ou ao recebermos um abraço de “era apenas um pesadelo, estou aqui”.

Alda M S Santos

Sonhos e pesadelos

SONHOS E PESADELOS

Se os sonhos e pesadelos existem para resolvermos algo no inconsciente

Que o consciente não dá conta de resolver

Sou uma pessoa muito mal resolvida, de consciente problemático.

Se por outro lado, existem para acelerar algumas soluções

Eu não deveria ter qualquer pendência!

Entre sonhos espetaculares e dignos de se tornarem reais,

E pesadelos escabrosos, de tirar o sono e deixar uma sensação ruim o dia todo,

Transitando da consciência à inconsciência, do real ao imaginário,

Pintando o rosto, sorrindo ou chorando,

Feliz ou sofrendo,

Vou vivendo…

Alda M S Santos

Não somos o bastante!

NÃO SOMOS O BASTANTE!

Nós não somos o bastante.

Nunca seremos!

Nem para nós mesmos, nem para o outro!

Ainda que estejamos no topo do mundo!

Tampouco encontraremos alguém que seja o bastante para nós!

Simples: o ser humano é incompleto!

Essa incompletude faz parte de sua essência.

Mas isso não o impede de tentar,

E de sofrer com isso.

Essa busca desenfreada para se sentir inteiro

Também faz parte da essência humana.

Alda M S Santos

E se…

E SE…

E se pudéssemos escolher

Entre o poder e o dever

Entre o ficar e o partir?

E se pudéssemos escolher

Entre o parar e o andar

Entre o chorar e o sorrir?

E se pudéssemos escolher

Entre estar só ou acompanhado

Entre viver ou deixar-se viver,

Ativo ou passivo, autor ou personagem?

E se pudéssemos escolher?

Sempre podemos, mas a cada escolha, uma renúncia

A cada renúncia, uma possível dor…

Alda M S Santos

Espaço e conteúdo

ESPAÇO E CONTEÚDO

Viver é estar sempre em busca de plenitude!

Muitas vezes somos muito espaço para pouco conteúdo

Tantas outras somos muito conteúdo para pouco espaço

Ambas insatisfatórias!

Por isso buscamos o outro

Neles fazemos essa troca

Essa transferência espaço/conteúdo em busca de equilíbrio!

Alda M S Santos

Bagagem de mão

BAGAGEM DE MÃO

Na viagem para dentro de nós mesmos

A saudade vai na bagagem de mão

Livre e fácil acesso

Junto ao chocolate e um batom

Enquanto estes alimentam e embelezam o corpo

Aquela “satisfaz” e encanta a alma! 

Alda M S Santos

Gota de Sabedoria

GOTA DE SABEDORIA? 

Buscar sempre aquilo que se quer

Assim que estiver claro o que se quer

E a possibilidade de se obter

Tentar a satisfação com meras substituições

Levam a perda de tempo, de energia e muitas frustrações! 

Alda M S Santos

Veja

VEJA

Veja no andar vacilante, ou excessivamente confiante, não apenas uma fraqueza física ou emocional, 

Mas o peso de uma história linda que desconhece.

Veja na beleza exterior tão à flor da pele e gritante, não uma pessoa que deseja mostrar-se superior,

Mas alguém carente e receoso de se mostrar interiormente.

Veja nos sorrisos constantes e claros, não só uma pessoa que parece feliz,

Mas alguém que precise estar alegre para não se afogar nas tristezas.

Veja na seriedade e olhar triste, não apenas alguém introspectivo ou inseguro,

Mas alguém que se esconde com medo de se machucar nos tombos da vida.

Veja no modo de ser tão aparente e “ofensivo”, não o desejo de ser “mais” na visão do outro, 

Mas a necessidade meio distorcida de ser alguém “além” para si mesmo.

Veja em cada modo de ser, não apenas algo tão diferente do que você é,

Mas alguém que, como você, procura manter sua essência, sua originalidade, num mundo de falsificações. 

Alda M S Santos 

Parou de bater? 

PAROU DE BATER?

Quando nosso coração para de bater por alguns segundos,

É para avisar que ali está a razão

Pela qual ele bateu até então,

Pela qual baterá de maneira melodiosa e terna para sempre, 

Ou pela qual pode vir a parar de vez…

Alda M S Santos

Se um dia eu me perder

SE UM DIA EU ME PERDER

Se um dia eu me perder 

Procure-me onde haja muito verde, muita mata, ar puro,

Se um dia eu me perder

Procure-me onde as águas sejam límpidas a refletir o céu,

Se um dia eu me perder

Procure-me num roseiral, em meio às borboletas azuis,

Se um dia eu me perder

Procure-me na alegria inocente de um grupo de crianças,

Se um dia eu me perder

Procure-me nos grãos de areia da praia ao pôr do sol,

Se um dia eu me perder,

E ainda assim não me encontrar,

Não busque em mim, olhe dentro de você, 

Se me procuras, é porque me amou,

Se me amou de verdade, eu também te amei,

Certamente uma parte bonita de mim estará gravada em você, 

Uma parte grande de você estará presa em mim, 

E poderá levar-me a me encontrar…em você, em mim,

Comigo, com você! 

Se um dia eu me perder de mim…

Alda M S Santos

Indo…

INDO…
Indo…

Sem saber para onde, sem saber o porquê

Apenas aquela vontade louca de seguir

Sempre em frente, sem retornos ou marcha à ré

Indo…

Cabelos ao sabor do vento, música que embriaga,

E uma estrada que parece pouca

Para a distância que se quer percorrer

Indo…

Olhos à frente, mãos distraídas, óculos escuros

Que escondem as lágrimas claras que insistem

Em descer e se alojar no peito que sobe e desce…

Indo…

Sem saber o caminho, sem conhecer o destino

Sempre em frente, engolindo quilômetros e soluços,

Construindo a própria estrada, abrindo espaços,

Na certeza que chegará onde deveria estar

Desde sempre…

Indo…

Alda M S Santos

Nossas caixas

NOSSAS CAIXAS

Construímos caixas ao longo de nossas vidas

E as deixamos guardadas em nós.

Umas ficam na mente, outras no coração, outras na alma.

Há pessoas que encaixamos facilmente nas caixas rígidas da mente,

Se não cabem, descartamos.

Outras, vão direto para a caixa do coração, mais maleáveis.

Às vezes deixam umas partes para o lado de fora,

Mas se a caixa não se mexe, ou se a pessoa não flexibiliza, 

Não cabem, não encaixam, vão embora, lamentavelmente. 

Agora, há aquelas pessoas que ficam,

E ajudam a construir uma caixa própria na alma.

Caixas da alma são construídas em conjunto, são personalizadas, 

Essas encontram morada eterna,

Uma caixa-ninho que aquece e protege

E que faz bem à morada e morador. 

Alda M S Santos 

Na madrugada

NA MADRUGADA

Na madrugada, todos dormem!

Silêncio, escuridão, solidão, 

Descanso, sono, sonhos…

Mentes que revivem, que criam,

Inconscientes que processam, que trabalham,

Situações-problemas a resolver, traumas a superar,

Medos a enfrentar, dores a curar, 

Amigos tornando-se inaceitáveis inimigos.

Desafetos a amenizar, afetos a valorizar,

Dúvidas a esclarecer.

Pesadelos: a mente que trabalha solitária…

Logo, algo de lindo irá brotar! 

Alda M S Santos

Amadurecer

AMADURECER

Envelhecer é sentir que o tempo que resta é pouco

Para o tamanho dos sonhos que se quer realizar.

Amadurecer é sonhar todos os sonhos possíveis,

E notar que o tempo se faz ao realizar cada um deles…

Alda M S Santos

Faz de conta

FAZ DE CONTA

A arte de fazer de conta é essencial 

As crianças, sabiamente, enfrentam o real através dela

Caracterizar-se, lançar-se a uma época, 

Obter asas para alçar voos,

“Ser” outro alguém, vez ou outra,

É uma maneira eficaz e inteligente de tornar possível, o impossível

De fazer tolerável, aquilo que é doloroso…

De extrair forças do que parece frágil.

Alda M S Santos

Aniversários

ANIVERSÁRIOS

Quando somos meninas, tudo que queremos é ter 14, 18, 20 anos…

Realizarmos tudo que queremos, grandes sonhos, grandes projetos.

Conquistamos o mundo, conquistamos a admiração dos outros, alçamos voos altos, realizamos nossos sonhos.

 Um pouco mais para a frente, percebemos que o mais valioso é conquistarmos a nós mesmos,

Mantermos nossa própria admiração, nosso próprio respeito, nossa essência.

O mais interessante é que, mantendo isso, conquistamos o amor de quem, verdadeiramente, vale a pena.

Percebemos que o melhor e mais valioso voo é que nos mantém próximos de quem amamos e não nos afasta de nós mesmos.

E, isso, ninguém nunca poderá nos tirar. 

Alda M S Santos

Esperança

ESPERANÇA
Esperança: motiva ou paralisa?
Instiga, encoraja, estimula, impele
Ou abate, esmorece, deprime, limita?
Dizem que é a última que morre.
Esgotadas as possibilidades, ela morre?
Ou quando morre, mata também as possibilidades?
Tudo vai depender dos aliados que a esperança amealha.
Ela sozinha é paralisante, único foco, coloca viseiras
Nada mais permite que se veja ou faça.
Mas se ela se une à força, à determinação,
A uma razão equilibrada com o coração,
Tem muitas chances de ser estimulante,
E levar à conquista do objetivo.
Esperança é inerente aos seres humanos de qualquer idade.
Uma pessoa sem esperanças é uma pessoa sem sonhos…
Uma pessoa sem sonhos…
É uma pessoa sem vida!
Alda M S Santos

Oásis

OÁSIS 

Para os caminhantes do deserto

A simples “alucinação” com o oásis

Mantém ativo o fio da vida, 

Até que se torne real! 

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: