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Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

Alma livre

ALMA LIVRE

Ela é uma poetisa que hoje mora num lar de idosos

Extremamente educada, delicada e gentil

Idade já avançada, mente alerta, olhar “invasor“, observador

Como só os poetas de alma podem ser

Ela me olhava conversar com um idoso de longe sentada em sua cadeira

Apoiada no andador, o corpo não mais acompanha a agilidade da mente e dos sentimentos

Olhava por cima dos óculos todos os demais em roda

Interagindo com a música como podiam

Cantando, dançando, ouvindo, fazendo parte…

Cheguei até ela, fiz um carinho do qual fui correspondida

Perguntei pelos poemas, se ainda escrevia aquelas preciosidades que já declamou para nós outras vezes

“Ah, não! Não tenho mais cabeça e memória para isso, faltam palavras”

“Mas para escrever poemas não precisa memória, precisa sensibilidade e sentimentos que a senhora tem de sobra ”- retruquei

Ela deu um lindo sorriso, fez-me um carinho no rosto

“Que linda e gentil você é! Estava vendo como era atenciosa com aquele senhor.”

“Ele é uma ‘peça’, gosta de conversar. Falava das filhas”- completei

“Mas não são todos que têm paciência com ele! E seu blog, ainda escreve?”

Essa foi a pergunta de quem disse não ter a mente boa…

Falei sobre o blog pra ela há tempos…

Uma alma delicada de poeta naquele corpo frágil, num lar para idosos

Será que se sente presa ali, no próprio corpo, naquele lar, ou a alma é livre?

Não tive coragem de perguntar, mas acho que ela percebeu o que eu sentia/temia

Sorriu e me beijou o rosto, agradeceu a presença

Não tem como não pensarmos no nosso próprio futuro…

Cada Carinhólogo certamente se faz essa pergunta!

Alda M S Santos

#carinhologos

Umbigo enterrado

UMBIGO ENTERRADO

Diz-se de um lugar que a gente gosta muito

Que nosso umbigo foi ali enterrado

Que não conseguimos nos afastar

Meu umbigo foi repartido e enterrado em vários lugares que amo

E esse é um deles: a escola que completa 30 anos de existência

Dos quais fiz parte de 26 deles…

Aqui fiz do meu trabalho, do meu ganha-pão, a minha alegria

Aqui me diverti, eduquei, fiz amizades maravilhosas

Deixei marcas, fui marcada por crianças e adultos especiais

Meu umbigo está aqui!

Parabéns EMVAM, na pessoa de professores, funcionários, alunos e pais…

Alda M S Santos

Não vai embora

NÃO VAI EMBORA

Não vai embora quem fincou em nós suas raízes de bondade

Não vai embora quem nos fez sorrir, nos permitiu servir

Não vai embora quem nos demonstrou amor na simplicidade

Não vai embora quem nos ensinou que gratidão é da vida o pão

Não vai embora o amor que é partilha, que irradia, que aquece

Não vai embora quem, sem perceber, ajudou a curar nossas feridas

E, acreditando ser ajudado, nos fez ser cada dia melhores

Não vai embora quem amou sem qualquer garantia, gratuitamente

Pois assim que deve ser todo amor: gratuito e incondicional

Até pode ir, mas sua luz é tão forte, que será presença constante em nós

Até pode ir, mas não vai só, leva parte de nós consigo, pra sempre

E deixa-nos com muitos vácuos, mas repletos de amor e saudade…

Alda M S Santos

#carinhologos

Uma brisa leve

UMA BRISA LEVE

Saudade só é boa quando a lembrança não dói mais

Quando traz alegria e não tristeza

Quando fazemos as pazes com quem ou o que foi embora

Quando a partida do outro ou de um tempo bom

Nos irriga de alegria, de gratidão, faz-nos bem por ter existido

Enquanto alimentarmos raiva, tristeza, revolta ou decepção

A saudade será como um desastre ambiental dentro de nós

Daquele tipo que percebemos a chegada

Mas não temos forças para evitar…

Saudade não pode ser uma tempestade destruidora

Saudade deve ser como uma brisa leve e suave

A balançar nossos cabelos, aquecer nossos corações

Arrepiar de prazer nossa pele, iluminar nosso sorriso de amor

Fazer brilhar nos olhos o reflexo de uma alma em paz…

Alda M S Santos

Queria voltar àquele tempo

QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO

Queria voltar àquele tempo

Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos

Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão

Tempo de sentimentos puros e perfeitos…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais

Estavam do outro lado da cerca de bambu

A apenas um abraço de distância

Tempo de amigos leais…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amores eram mais verdadeiros

Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão

Tempo de amores mais parceiros…

Queria voltar àquele tempo

Onde as músicas eram pura poesia

Dançantes ou não, tocavam corpo e alma

Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…

Queria voltar àquele tempo

Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver

Sem precisar recorrer a antidepressivos

Tempo de magia, encanto e prazer…

Queria voltar àquele tempo,

E me sentir plenamente reviver…

Alda M S Santos

Saudade é bichinho intrometido

SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

Mesmo que você o afaste firmemente

Ele costuma achar buraquinhos ou brechas

E ali se acomodar…

Se é num livro, ele torna-se personagem

Se for num filme, ele faz parte da cena

Num poema é a rima que falta

Numa canção é a harmonia da melodia

No sorriso é a dor camuflada

Nas lágrimas é o alívio desejado

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E ali se acomodar…

Nas companhias, às vezes é a ausência

Nas ausências faz-se presença

No jardim é o mais suave perfume

No barulho é o silêncio dolorido,

No silêncio é o grito contido,

Saudade é bichinho meio intrometido

Sempre acha um lugarzinho para entrar

E como borboleta, ali se aboletar…

Cansado de tanto se impor,

Esse bichinho de nome saudade

Nas orações torna-se pedido

De ali ficar e morar para sempre…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

Reflexos de uma vida

REFLEXOS DE UMA VIDA

Diante do espelho um olhar a encara

Lança-lhe uma pergunta silenciosa: quem é você?

Finge não ver, disfarça, não devolve o olhar

-Psiu! Onde está a juventude e alegria que moravam aí outro dia?

Ajeita o cabelo que cai nos olhos, alisa uma ruga aqui, outra ali

-Posso ver aí dentro! O tempo passa independente de você!

Passa um protetor solar, um batom, coloca os brincos.

– Olhe para dentro de você! Não precisa correr tanto!Vai chegar!

Ela encara aquele olhar que vai se umedecendo aos poucos.

Respira fundo, olha lá dentro daqueles olhos brilhantes…

Quase em 3D, atinge a alma que reflete de volta.

Os olhos captam sua resposta silenciosa e se entendem.

Ela ensaia um sorriso, uma piscadela, lança um beijo,

E sai correndo a cuidar da vida…

Da dela, daqueles que se importam com ela

Da dos outros, daqueles que dela precisam…

Alda M S Santos

Dor da ausência

DOR DA AUSÊNCIA

Ela queria um novo CD do meu aniversário

Gosta muito de cantar, tocar, voz linda, muito afinada

É deficiente visual, percepção auditiva muito apurada

“Sabe, tia Alda, cantar manda a tristeza embora, alegra a alma”!

Isso mesmo, tem toda razão!- digo admirada.

“Quando a gente tem a dor da ausência, da saudade, cantar cura!”

E a gente ainda pensa que criança não sabe o que diz!

Nem precisa ser afinadinho, não, basta cantar!

Se quiser chorar, chore! Não tem problema, lava tudo!

Muita umidade a gente corrige com humildade

Mudando de posição, girando, pedindo ajuda…

Alda M S Santos

Naquela rua

NAQUELA RUA

Parado na esquina estava aquele mesmo carro

Que tantas vezes por ali passou, leve, carregando alegria

Agora pesava muito, semblante carregado

Não descia, apenas olhava, esperava, triste,

Que alguém saísse por aquela porta com o mesmo sorriso

A dizer que nada mudou, que o amor era o mesmo

Que nada existia, nem de dentro de si mesmos ou dos outros,

Que pudesse impedir de ficarem juntos.

Aquela casa conhecida, sempre convidativa e amável

Parecia estranha, a dizer que nada mais havia ali de importante.

Isso não era certo! Então porque doía tanto?

Agora todo mundo passava e olhava, menos quem interessava

Enquanto isso não acontecia, entre nascer e pôr de sol,

Esperava, olhava e chorava…

Quem sabe um dia deixaria de doer ou de se importar?

Alda M S Santos

Um anjo

UM ANJO 

A estação parecia abandonada, não passava nenhum trem

Vários passageiros iam para um lado ou para o outro

Nenhuma bagagem, uns se despediam

Ela estava triste num canto, aguardava

Alguém se aproximou dela

Não parecia um passageiro qualquer

Pareceu reconhecê-lo, mas não se lembrava de onde

Ninguém ali conversava, apenas se olhavam

Abraçavam, choravam, se entendiam

Ele disse “você já pode ir”, apontou para um lado 

 “Não estou pronta, não me despedi”- falou ela em silêncio 

“Já está 50% do lado de lá, vá”

Deu a mão a ela e foram andando, ela se equilibrando no trilho do trem

Quando olhou para trás viu que ele tinha asas, era um anjo

Seu olhar dizia “não posso ir com você” 

Chorando, ela seguiu para um destino com letreiro nas nuvens:

SAUDADE!

Alda M S Santos

O quanto dói o que mais dói?

O QUANTO DÓI O QUE MAIS DÓI?

Dor de dente, cólicas renais, parto, coluna,

Enxaquecas, ressacas, crises de abstinência, nervo ciático,

Luto, amor, saudade, solidão, compaixão, ingratidão…

São tantas a doer!

Dores são bem democráticas

Quase sempre distribuídas a todos

O grau de cada uma e o que fazemos delas

É o que nos difere uns dos outros.

Tantas pessoas sorridentes por aí

Com dores que uns julgam pouca coisa

E outros sequer pensariam em suportar.

Qual a dor que mais dói?

Aquela que sabemos que também dói no outro,

Ou a que sabemos suportar sozinhos?

A dor que mais dói é certamente a que sentimos no momento.

O quanto cada dor dói, só quem a sente é capaz de dizer.

Nunca subestimar a dor ou sofrimento do outro,

Não potencializar a nossa, tampouco fingir que não existe,

São bons modos de encarar esse mal comum a todos.

Uma injeção de amor também seria o ideal!

Alda M S Santos

Saudade não tem idade

SAUDADE NÃO TEM IDADE

Abraço sempre restaura energia

Traz carinho verdadeiro, calor que acalma

Se vier acompanhado de

“Fico com muitas saudades de você todo dia”,

É capaz de trazer alento, alegria

E percebemos que a saudade é sentimento que já nasce desde as fraldas

Não tem idade!

E com ela viveremos a vida toda

Mas sempre irá doer,

Sempre dará vontade de chorar,

Ainda que a gente sorria…

Alda M S Santos

Quarto vazio

QUARTO VAZIO

Um quarto vazio a mais na casa

Um espaço “desocupado” na alma

Daqueles desocupados que ocupam muito espaço

E que parecem estar mais cheios que os demais.

Um quarto vazio a mais na casa

Um quarto vazio dentro de mim

Olho para ele, fecho a porta, prefiro não ver.

Dói menos.

Olho novamente, sou atraída,

Abro a porta, entro, sento na cama,

Relembro, sorrio, é bom, saudades…

E choro. Dói também.

Qualquer espaço vazio é muito ocupado

Preenchido por inúmeras lembranças.

Tatuadas na alma da gente

No quarto vazio dentro de nosso coração.

Alda M S Santos

Janela de madeira 

JANELA DE MADEIRA

Na rua, uma casa simples

Na casa simples, uma janela de madeira,

Debruçada na janela de madeira, 

Uma pessoa a olhar a rua,

Onde passam muitas pessoas,

Quase todas queridas e aparentadas,

Que cumprimentam com um aceno, algumas palavras,

Muitas vezes, entram para tomar uma xícara de café recém-coado,

Comer uma bolacha ou uma quitanda.

E a vida transcorre simples, tranquila, feliz…

Até que alguém se vai…

E as saudades passam a apertar o peito de quem se foi, 

E a entristecer os olhos de quem ficou, 

A olhar pela janela de madeira…

Alda M S Santos

Quando a saudade bater 

QUANDO A SAUDADE BATER

Quando a saudade bater, não se deixe abater!

Busque consolo naquela foto bonita e de sorriso feliz.

Quando a saudade bater, 

Busque abrigo nas lembranças de uma boa prosa.

Quando a saudade bater,

Busque acolhimento na memória daquele abraço quente e macio.

Quando a saudade bater, 

Busque aquela refeição saborosa que partilharam

Quando a saudade bater,

Busque ouvir a música que os marcou. 

Quando a saudade bater, faça tudo isso…

Mas quando a saudade bater,

Pra não se abater,

Bom mesmo é ouvir a voz, sentir o cheiro,

Admirar o sorriso, abraçar apertado, tocar as mãos,

Conversar muito, afastar qualquer mal estar, 

Sorrir junto, estar junto…

Há coisas que só a presença 

É capaz de resolver…

Vamos lá?

Alda M S Santos

Saudade dolorida

SAUDADE DOLORIDA

Saudade dolorida, tão redundante!

Acaso existe saudade que não doa?

Há saudade energizante, saudade paralisante,

Saudade que tem pretensões de alegrar,

Suspiros, nostalgias, lágrimas…

Saudade do que não houve,

Tantas vezes nítida, outras nebulosa…

Mas saudade que não cause dores, não há!

Remetem a algo que não mais temos…

A algo que gostaríamos de resgatar.

A pior delas é a saudade de nós mesmos,

Aqueles que fomos outrora e não mais somos,

Não mais nos identificamos em nosso modo de ser,

De fazer, de agir, de querer, de se querer…

Olho em meus olhos, exploro-os, busco-me,

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Correndo com a Lua

CORRENDO COM A LUA
Saudade de correr atrás da Lua, ela lá, eu cá,
Rua acima, rua abaixo, virar a esquina, voltar
Numa disputa para ver quem é o vencedor.
E ela sempre à frente…
Um bando de crianças sorridentes!
Energia pura, suadas e livres,
Livres de preocupações e ansiedades.
Objetivo único: aproveitar antes de a mãe as chamar para dentro.
Esse desejo deveria tornar-se uma constante, um mantra,
Aproveitar antes de sermos chamados para casa.
Alda M S Santos

No rancho raso

NO RANCHO RASO

Não precisa ser fundo, basta ser rancho,

Tampouco pra lá do fim do mundo, pode ser logo ali.

Não precisa haver dor ou saudade,

Mas se houver, que sejam passageiras.

Que a natureza seja sempre fiel companheira,

Pássaros, árvores, bichos, gente,

Mantenham sempre a harmonia.

Nem precisam ser abundantes,

Mas que a beleza e o amor,

Da Lua e dos companheiros,

Não sejam por esmola.

Com ou sem segredos,

Com ou sem viola,

Que a cantoria e a alegria sejam constantes,

Nesse rancho raso no meio do mundo.

Alda M S Santos

Saudade é…

Saudade é …

Quando a alma vai para onde quer 

E deixa o corpo para trás. 
Alda M S Santos

Dores na simplicidade e no luxo

 DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO

Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.

Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.

Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.

Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.

Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.

No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.

No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.

Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.

O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?

São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!

Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.

Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.

Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.

Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.

O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.

Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.

Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:

“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”

Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.

Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Lugares incríveis 

LUGARES INCRÍVEIS

Lugares especiais, incríveis, espaços preciosos em nossas vidas…

Quero um para me acomodar e ficar quietinha! 

Quais são? O que os define?

O luxo, a simplicidade, a localização, a beleza, a emoção que despertam? 

A casa da vovó com seu cheirinho de quitandas?

O quintal de um amigo de infância? 

O banco da pracinha, debaixo da árvore frondosa, onde tivemos um beijo roubado?  

A rua onde brincamos de esconde-esconde?

Os corredores do prédio onde trabalhamos ou estudamos a maior parte dos nossos dias e fizemos valiosas amizades?

A rede onde namoramos? 

O lar onde criamos nossos filhos? 

Uma cachoeira, uma praia, um sítio onde passamos férias?

O que os torna especiais são os momentos neles vividos! 

Não é o tamanho, localização ou beleza.

Os sons, cheiros e sabores que deixaram impressos em nossa alma que os tornam únicos.

Basta fechar os olhos que poderemos acessá-los. 

Porém, o melhor lugar de todos, o mais incrível e especial, onde sempre gostaremos de estar, mesmo apertadinhos, é no coração daqueles que amamos. 

Esse é o melhor lugar para morar, não de favor, mas por direito adquirido pelo amor, em qualquer época da vida!

Devaneios? Não! Todos merecemos!

Alda M S Santos

Por quem choras?

POR QUEM CHORAS?

Por quem choras? Parece óbvio! Por mim, por minha dor, minha mágoa, minha decepção…Choro porque fui ferida, atingida, machucada.

Quem causa tais sofrimentos que nos levam às lágrimas?

Um filho que adoece, sofre ou demonstra ingratidão?

Um amigo que não liga, não questiona nossa tristeza, não nos sorri ou abraça?

Um cônjuge distraído, sem afeto ou carinho?

Os pais que não reconhecem nosso esforço?

Um irmão que não é próximo o bastante?

Um amor que não corresponde aos nossos anseios?

Qualquer um pode nos fazer sorrir. O sorriso é simples, espontâneo e natural. É democrático. Despertado por qualquer um e distribuído a todos, sem discriminação.

Já as lágrimas são seletivas. Somente quem nos atinge fundo a emoção é capaz de fazê-las cair.

Sorrir é maravilhoso, mas as lágrimas nos mostram a profundidade de nossas emoções e sentimentos mais acertadamente. Por mais dolorosas que sejam, evidenciam a intensidade do nosso viver.

Uma fugidinha ao passado nos mostrará que os momentos de lágrimas foram os mais intensos.

Se quisermos saber quais são ou foram as pessoas mais importantes de nossas vidas, basta lembrarmos daquelas pelas quais vertemos lágrimas.

O mais importante é que se elas são realmente essenciais em nossas vidas, as lágrimas vertidas por elas são produtivas, mas os sorrisos são puro êxtase!

Aproveitemos ambos quando se apresentarem.

Alda M S Santos

Desejos

DESEJOS
Quero o silêncio, não qualquer silêncio, mas aquele que traz reflexões.
Quero amigos, não colegas, amigos que me ouçam, sorriam e chorem comigo,
Que puxem-me as orelhas, mas que me aceitem como sou.
Quero ser amiga, solidária, pra toda hora, necessária, valorizada.
Quero solidão, propícia e oportuna, que possibilite o crescimento.
Quero companhias alegres, tristes, fortes ou frágeis, mas autênticas.
Quero saudade! Pode até doer um pouquinho, mas que me alegre o coração e me instigue a buscar algo.
Quero trabalho, que eu produza, mas me divirta acima de tudo.
Quero o amor, não qualquer amor, mas aquele que tenha muito carinho, respeito e reciprocidade.
Quero paz! Aquela que vem com o silêncio, a solidão, os amigos, o trabalho, a saudade, o amor e… Deus.
Quero Deus comigo sempre.
Quero e, querendo, eu posso!
Alda M S Santos

Quando tive saudades

QUANDO TIVE SAUDADES

Quando tive saudades, teu canto ficou mais harmônico e doce…
Quando tive saudades, teu cheiro foi mais forte e inebriante…
Quando tive saudades, teu gosto foi mais saboroso e suave.
Quando tive saudades, teu toque foi mais aveludado e macio.
Quando tive saudades, a beleza que emanas foi mais encantadora…
Quando tive saudades, com sentidos potencializados,
Eu a matei!
Alda M S Santos

Heranças

HERANÇAS
Que essa vida passa bem rápido, todos já sabemos. Quer tenhamos feito, ou não, bom uso desse presente, ele se vai.
Sem papo mórbido ou tenebroso, o que gostaríamos de deixar aqui quando formos chamados para o outro lado?
Recursos financeiros todos gostaríamos de receber, de deixar, é verdade. Mas eles acabam, se esvaem. E são apenas recursos. Não nos representam.
Tantos exemplos temos tido do quanto a vida é fugaz. A morte não ceifa a vida apenas dos enfermos.
Se fôssemos levados agora, o que estaremos deixando de mais valioso? Independente de termos ficado por aqui 20, 30, 50 ou 70 anos, o que ficará de nós nos outros?
Sei de mim que gostaria de deixar lembranças. De preferência, boas.
Quero que ao menos uma pessoa se lembre que a tratei com carinho e compaixão. Quer sejam familiares, amigos ou desconhecidos.
Que outra se lembre que lhe dei atenção, dei colo, chorei junto, sorri, aconselhei.
Que lembrem-se de ajuda material também, pois aqui somos matéria.
Que quem eu feri de alguma maneira possa lembrar-se que me desculpei, que soube me redimir.
Que quem me magoou não se sinta mal com minha partida, pois terá a certeza do meu perdão.
Que alguns seres humanos possam sentir-me viva em seu coração, pois fiz morada ali, por uns tempos, ou pela vida toda.
Que quem se lembrar de mim possa dizer: ela não foi perfeita, mas soube se doar o máximo que podia! E aproveitou a vida!
Que possam mais se alegrar por mim que chorar.
Que nossa vida valha uma boa herança!
Alda M S Santos

Quando o amor não é o bastante

QUANDO O AMOR NÃO É O BASTANTE

Quando vemos tantas pessoas que amam e, ainda assim, sofrem, podemos chegar a uma difícil conclusão: o amor é supervalorizado.

Vejamos uma mãe que luta dia após dia por um filho dependente químico, que o ama, acredita, investe, recomeça incansavelmente e, ainda assim, ele retorna ao vício, maltrata-a, maltrata-se. O amor dela se mantém, porém, nem sempre alcança seu objetivo.

O amor de um filho pelos pais que o ignoram, que não assumiram a função tão sublime recebida de Deus, deixando-os crescer à própria sorte. Mesmo assim, tantos filhos tentam, pelo amor, tirar os pais de vidas desregradas e infelizes.

Uma esposa que, independente dos adjetivos que receba de todos, insiste no amor ao marido que em nada a dignifica, que trai, que ofende física e psicologicamente, que não a completa, ou em nada ajuda relacionado aos filhos, ao lar ou à família.

Uma pessoa que trabalhe num asilo, que dedique seus dias a dar amor, atenção, carinho, e só vê simples rasgos de brilho naqueles olhos cansados e nebulosos pela tristeza do abandono.

Finalmente, talvez o maior de todos, alguém que ame outro alguém, romanticamente, e espera que esse amor seja o bastante para fazê-los estar juntos, porém, não é o que acontece. Muitas vezes não há reciprocidade, noutras há empecilhos diversos que impedem a aproximação. Tantas vezes o momento não é o adequado, ou a distância, a saúde, as famílias, o trabalho…

Certo é que o que mais vemos, até mais que amores plenos, são amores frustrados. Será que isso acontece porque supervalorizamos o amor, ou porque esperamos que ele faça milagres?

Avaliando essas situações chego a três conclusões.

Primeiro, o amor não poderia resolver tudo sozinho. Não salva um filho das drogas, os pais da infelicidade, os idosos do abandono, a esposa amargurada ou os amantes frustrados.

Segundo, o amor faz, sim, muitos milagres. O filho drogado, os pais desregrados, os idosos abandonados, os amantes, todos estariam muito piores se não fosse o amor que recebem, sentem ou distribuem.

E terceiro, quem recebe amor é privilegiado, mas quem é capaz de senti-lo ou doá-lo é quem sai no lucro, verdadeiramente. Pode até não obter grandes resultados, pois depende de vários sentimentos que estão no outro, dos quais não tem controle, mas impede que a situação do outro seja ainda pior.

Há também muitos que se salvaram com o amor recebido; pais, filhos, cônjuges, idosos, amantes. O amor é incansável!

Jesus sempre pregou o amor acima de tudo. Sempre sofreu e deu o máximo do amor por nós: Sua Vida.

O amor que se doa sempre retorna em dobro. Coração que ama está sempre cheio, vivo, vibrante, ainda que seja de lágrimas ou saudades.

Supervalorizar o amor pode parecer ingênuo, porém, subestimar sua força e seu poder certamente não é muito inteligente!

Alda M S Santos

Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Afinidades 

Fuga

Dorme que passa

Sabe quando a gente quer algo, insiste, chora, pede, reza e, nada? Uns até brigam, chantageiam, causam confusões, deprimem. Lembro- me da infância, quando expressávamos alguma vontade mirabolante, para o olhar adulto, ou, simplesmente, uma vontade de brincar na rua e nossos pais diziam, “dorme que passa”. E não é que passava mesmo? Tudo era tão simples! Mesmo que tivéssemos ido dormir chorando, ao amanhecer nem lembrávamos mais.

Não sei se era a cama, a confiança, o carinho recebido. Talvez outros desejos tomassem a frente, ou os “problemas” e desejos fossem mais simples mesmo. Fato é que quase tudo se resolvia depois de uma noite de sono.

Mas a gente cresce. Os desejos e vontades tornam-se grandes também. Tentamos alcançá-los, refletimos, lutamos, buscamos ajuda, rezamos. Muitas vezes, conseguimos, substituímos ou desistimos. E ficamos bem.

O problema se dá quando a vontade insiste, o desejo de obter algo é forte. Pode ser qualquer coisa, material, profissional, pessoal, emocional, não importa. Muitas vezes, insignificante para o outro, mas fundamental para nós. Gostaríamos de ter à mão a eficácia da receita de nossos pais. Dormir e, ao acordar, tudo ter passado.

Tudo isso faz um pouco de sentido. O sono descansa o corpo, acalma a mente, apazigua a alma. Pode não resolver os problemas, tornar reais os sonhos ou realizar os desejos, mas nos torna mais aptos a nos encarar sem eles ou mais fortes para correr atrás do desejado.

Quando estivermos “down”, vamos dormir? Pode ser que passe!

Alda M S Santos

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