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Reservado

RESERVADO

Num mundo que se assemelha a um gigante estacionamento

Onde há vagas demarcadas, ou não

Mas não temos lugar reservado, personalizado

E nem sempre há vagas ou espaço para todos

Gostamos mesmo é de estacionar nossos corações no mesmo lugar

Naquele espacinho onde nos cabe direitinho

Onde o sol aquece, mas não queima

Onde o silêncio aconchega e acalenta

Onde há sombra de uma boa cobertura sem esfriar

Onde estamos protegidos de tempestades e granizos

Onde não há qualquer dificuldade de manobras, sem medos

Onde nos encaixamos de olhos fechados sem erros

Com a certeza e prazer de ter chegado em casa…

Encontrar ocupada essa “vaga” não reservada, mas sempre utilizada

Com cones de proteção ou placas de estacionamento proibido

Ou sequer desconfiar que ela não esteja mais disponível para nós

É, no mínimo, angustiante…

Desejo de colocar uma placa de uso cativo com letras garrafais nas vagas que “ocupo”

RESERVADO!

Sujeito a reboque!

Alda M S Santos

Termodinâmica

TERMODINÂMICA
O olhar não se vê, calcula-se, o sorriso, brincalhão
Caminhos percorridos… conhecem-se?
Buscam um no outro, mesmo sem perceber
A parte humana com toque “divino” que lhes falta
Doam um ao outro por termodinâmica
Até o que nem imaginam possuir
Principalmente o que não sabem possuir
Os silêncios partilhados cheiram ora a paz, ora a conflito
O brilho dos olhares ou a sombra deles denuncia tudo
O encanto dos sorrisos cega os céticos
As lágrimas satisfazem os invejosos
As brincadeiras alegram o ambiente
O toque das mãos dá cor à vida
Sinestesicamente…
Os abraços divididos selam a paz, perdoam defeitos
Do outro, mas principalmente de si mesmos
Humanos, falhos, tentando acertar sempre
A fé num propósito divino para tudo que há preenche vazios
As lágrimas despertadas ou enxugadas os tornam mais humanos
Conviver, viver com, viver para
Para si, para o outro, para amar
E as almas viverão para sempre
Até mesmo quando duvidarem disso…
Alda M S Santos
 

 

 

Ilha deserta

ILHA DESERTA!

Estar numa ilha, ser uma ilha, desejar uma ilha…

Ilha sempre desperta o romantismo em nós

Ilha levanta questões de sobrevivência

Ilha nos leva à doce e confusa adolescência

Ao romantismo e sonhos exacerbados

“Quem você levaria para uma ilha deserta”?

E sempre pensávamos naquele nosso amor platônico

Muito longe, tanto ele quanto nós, da Brooke Shields e Christopher Atkins

Da venerada, ilusória e reprisada Lagoa Azul

Mas “Ilha” sempre terá para nós essa visão nostálgica

De náufragos em busca de algo, de alguém, de pureza, de amor

Ainda que seja a busca de nós mesmos

O quanto nos afastamos dos sonhos da Lagoa Azul?

Ainda gostaríamos de ir com alguém para uma Ilha deserta?

Quem levaríamos hoje para a Lagoa Azul?

Não vale levar e deixar lá!

Amadurecer não implica necessariamente em não acreditar em paraísos!

Amadurecer é tornar nossa ilha um paraíso, deserto ou habitado!

Alda M S Santos

Gosto assim…

GOSTO ASSIM…

Gosto de olhos que tocam docemente com carinho

Quando a autoconfiança inala a frieza ácida da tristeza e da dúvida

Gosto de silêncios com sabor adocicado de mel

Ou de palavras que apaguem o calor destrutivo do fel

Gosto de pessoas letradas em ler o brilho molhado que vaza nos olhos

Quando eles estão embaçados pelo vapor amargo das decepções

Gosto do perfume doce, macio e inebriante dos abraços, da proteção amorosa que aquece

Que anestesiam qualquer grito perturbador e confuso que se cala na alma

Gosto de quem ouve o não-dito nas palavras, não acusa, acolhe

De quem lê e entende o que não está escrito em letras

De quem fala por sorrisos, compreende os não sorrisos da distância

Gosto de sentir vibrar na pele o som do amor que arrepia,

Que nasce nos pequenos desejos feito cachoeira na serra

E cresce, alimentado e protegido pelas matas ciliares do cuidado

Desce feito rio manso e cada vez mais caudaloso

Abastecido pelas águas poderosas da reciprocidade

Segue seu curso certeiro, sem guias, rumo ao mar

Exalando perfume suave de alfazema em suas cores quentes de fim de tarde

E, na imensidão do oceano, se mistura, mesmo escondido, vive e se faz infinito e eterno

Alda M S Santos

Ser namorados

SER NAMORADOS

Ser namorados é encontrar felicidade no sorriso do outro

É chorar e sofrer perante a dor do outro

É encontrar calor num corpo que não é seu

É deixar o coração bater noutro peito e não morrer

É buscar alegria e satisfação fora de si mesmo

Ser namorados é descobrir que o mundo gira melhor

Quando se faz translação emocionalmente, e não só rotação todo o tempo

É curtir cada estação advinda daí

E sentir prazer na tontura que provoca

Ser namorados é entregar para o outro sua tetra-chave

E confiar que ele saberá usá-la para te salvar

Te “levar”, sem te roubar

Te ter, sem te prender

Te permitir ser o que é, e ainda assim te amar

Ser namorados é sentir-se, paradoxalmente, forte quando se é fraco

É encher-se na mesma medida em que se esvazia, se doa e confia

É abrir mão do que te faz bem, mas que talvez possa fazer mal ao outro

Ser namorados é fazer amor, é ser amor, é doar amor

É fazer da vida um grande, eterno e emocionante primeiro encontro…

Alda M S Santos

Fake news, fake peoples

FAKE NEWS, FAKE PEOPLES

Querem nos “treinar” para identificar facilmente as maléficas fake news!

Melhor seria se pudéssemos identificar melhor as fake peoples.

Como as fake news, que utilizam certos artifícios para parecerem verdadeiras,

As fake peoples também têm inúmeros artifícios para cativarem fãs e conquistarem seguidores.

Uma “estampa” atrativa, mas à base de tecidos podres,

Uma capa colorida e bonita, mas de conteúdo duvidoso,

Um sorriso “sedutor”, mas que não chega aos olhos,

Palavras treinadas e ensaiadas para parecerem o anjo salvador que caiu do céu,

Prestabilidade excessiva e “afinidades” forjadas para ludibriar pessoas de boa fé…

E, com certeza, essas pessoas falsas são as maiores criadoras das fake news.

Quando soubermos identificá-las, usando nosso faro, intuição

Nosso sexto sentido, ficando imunes a elas,

Melhor identificaríamos as fake news!

Ou seja, mais importante que identificar notícias falsas, num mundo quase sempre falso

Onde ser autêntico é quase ser um ET,

É identificar olhares, sorrisos, expressões, palavras e atitudes falsas…

Alda M S Santos

#fakenews

Portas trancadas

PORTAS TRANCADAS

Portas trancadas só fecham-nos dentro de nós mesmos

Se for alguém do mal, arromba

Não conseguimos impedir…

Se for alguém do bem, abre pelo carinho

Não queremos impedir…

E quem quiser sair

Sairá do mesmo modo que entrou, à nossa revelia

Não podemos impedir…

Alda M S Santos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Qual sua responsabilidade na atual situação em que você se encontra?

Essencial nos perguntarmos isso antes das acusações de praxe.

O outro não teve paciência, o chefe não pagou o devido, a igreja não ajudou, os filhos exigiram demais,

O cônjuge não foi compreensivo, os médicos não fizeram o diagnóstico correto…

Ou ainda a vida foi “madrasta”, os amigos desapareceram, as leis não foram justas, o país é corrupto, Deus não existe…

Responder a essa pergunta com coragem e sinceridade exige maturidade, ainda que no silêncio de nossos corações.

Amei o bastante, me dediquei o suficiente, segui as regras, obedeci as leis, confiei,

Fui paciente com as diferenças, respeitei o outro, cuidei da saúde, acreditei que podia fazer melhor?

Qualquer situação que nos aconteça de sucesso ou derrota, temos responsabilidade, não sozinhos, mas temos.

E a única em que podemos agir e mudar é a que nos cabe.

Sempre há algo que podemos mudar para melhorar e eliminar o mal que sofremos ou causamos.

Atribuir responsabilidade aos outros e fugir da nossa só nos levará a cair nos mesmos erros, reclamar dos mesmos insucessos e infelicidades.

Viver não é fácil, acertar sempre não existe,

Mas a tentativa constante de sucesso sem nos fazer mal leva ao aprendizado

Transitar por caminhos conhecidos ajuda muito

Aceitar novos caminhos ou olhá-los com novo olhar é essencial

Somos feitos disso tudo: culpas, responsabilidades, fracassos e sucessos

Só não vale parar…

Alda M S Santos

Má índole, oportunismo?

MÁ ÍNDOLE, OPORTUNISMO?

Chupim, Engana-tico-tico, Negrinho, os nomes são vários

A má índole é a mesma, se é que podemos atribuir essa “falha” a seres irracionais

O Chupim na época da reprodução, não constrói seu ninho

Aguarda o tico-tico fazer o seu com todo cuidado

E num momento em que ele se ausenta do ninho

Vai lá e bota seu ovo entre os ovos do tico-tico que estão sendo chocados

Tico-tico volta, não nota a diferença, alimenta e cria o Negrinho que nasce primeiro

Em detrimento de seus próprios filhotes que morrem de inanição

Pude ver isso no sítio! Até entre plantas e animais podemos encontrar aproveitadores e parasitas

A má índole e oportunismo, a falha de caráter atribuída aos humanos encontrada nos irracionais

Como muitos humanos, racionais, agem apenas querendo usufruir de um “ninho” pronto

Sem querer se dar ao trabalho de construir ou conquistar suas próprias coisas

Vivem de subtrair dos outros o que quer que seja

E quantos tico-ticos enganados por aí…

Qual deles tem menos “consciência” do que faz: humano ou pássaro?

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Colecionadores

COLECIONADORES

Somos grandes colecionadores nessa empreitada chamada vida

E de tudo pode-se colecionar…

Há os colecionadores já conhecidos de selos, moedas, figurinhas, sapinhos e elefantes…

Outros colecionam orquídeas, livros, poemas, músicas, álbuns diversos

Carros, jogos, dinheiro, imóveis…

Cada coleção diz muito do colecionador

Há quem colecione sorrisos, alegrias, amizades, quem as cultive

Há colecionadores de namoros, casamentos, relacionamentos de “amor”

Há quem colecione sonhos, conquistas, verdades, falácias, mágoas, perdas, decepções, sofridas e causadas

Há os que colecionam inimigos ou admiradores, bombas de egos murchos ou lustradores de inflados

Há quem colecione “sins” e há quem colecione “nãos”

Há quem colecione o simples, o fácil, o prazeroso, o disponível e encantável

Há quem colecione a eterna busca pelo proibido e inalcançável, doa a quem doer

Há quem colecione vitórias, derrotas, lágrimas, erros, aprendizados, arrependimentos

Há quem se perca em meio a tantas coleções vazias, ocas e infrutíferas

Buscar no silêncio das intenções os motivos de cada “coleção”

Investigar no fundo desse “baú” quais carências tais coleções visam suprir

Pode ser um modo sábio de melhorar, valorizar e diversificar nossas “coleções”

Gerando autoconhecimento, minimizando as falhas que todos temos, enriquecendo nossas vidas e dos que nos cercam…

Que temos colecionado? O que de importante e valioso temos de verdadeiramente nosso?

Alda M S Santos

Terminou, mas não acabou…

TERMINOU, MAS NÃO ACABOU…

Aquela vida que se jogou do alto de uma passarela no asfalto lá embaixo

Deixa a sensação aos que ficam de que há algo inacabado

Terminou, mas não acabou…

Não era a hora, foi interrompida por força das circunstâncias que desconhecemos

Aquele relacionamento feliz, mas que andava pisando em ovos, lutando contra medos, culpas, fragilidades e inseguranças

Terminou, mas não acabou…

Não acaba quando o amor permanece, a saudade ainda machuca, a ausência fere e dói

Quando não é dado um fim pacífico dentro de si

Aquele ser que se levanta todos os dias, sem brilho, sem alegria, sem norte

Que não encontra razões para estar vivo, cujos olhos opacos não dizem nada além de “cansado de viver”

Ainda não terminou, mas está se acabando…

Exceto o que deu fim a si mesmo lançando-se pelas dores e amarguras ao asfalto

E que continua apenas na mente dos que ficaram e nada puderam fazer,

Os demais não se acabaram, ainda que pareçam finalizados

Não estão mortos, a vida existe lá dentro

Camuflada em meio à penumbra da solidão

E precisa de luz para ser de novo despertada,

Esse suicídio lento pode e deve ser interrompido

Deixar correr as águas desse rio para a imensidão do mar

Retirar as amarras, as cordas do pescoço, desfazer os nós

Criar laços de amor e vida…

Alda M S Santos

Coisificando

COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável! 
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos

Chama acesa

CHAMA ACESA

A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida

Ela que garante nosso prazer de viver

Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…

Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus

Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda

Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.

Passar a vida buscando combustível do outro,

“Furtando” combustível, oxigênio alheio,

Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros

Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa

Não faz uma chama bonita e duradoura!

Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se

Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!

Que encontremos nossa luz!

Alda M S Santos

O que ganhamos e o que perdemos

O QUE GANHAMOS E O QUE PERDEMOS

Livros, filmes, poemas e canções

Grandes clássicos da literatura ou da música

A lamentar o amor que se doou a quem não mereceu, não valorizou

Amores pagos com sangue ou sofrimento

Ou aqueles vividos da abnegação, da proteção ao outro

As tragédias são muitas,

Os contos de fada também…

Pode ser triste e doloroso

Mas, pior que amar quem não soube corresponder

É não ter amado o bastante quem mereceu, precisou e foi digno

Amor existe mesmo para ser doado…

Quem ama sempre perde menos! Sempre!

E amor de verdade nunca se apagará, nunca!

Lágrimas e sorrisos, saudades e dores

São apenas efeitos colaterais

São “apenas mais uma de amor”

“O que eu ganho e o que eu perco

Ninguém precisa saber…”

Canta, sabiamente, Lulu Santos

Alda M S Santos

Minando

MINANDO

Algumas coisas têm o dom de nos minar as forças

De sugar nossas energias, de nos deixar no caos:

Dores físicas nos tiram o foco, o raciocínio,

Sustos nos atropelam, nos lançam fora de órbita,

Sorrisos excessivos nos mantêm na “alegria” forçada,

Lágrimas intensas ou represadas nos deixam secos, apagados,

Dores da alma são capazes de nos lançar no fundo do poço.

Mas, tudo isso, se bem trabalhado e respeitando o tempo de cada um,

Pode ser extremamente benéfico e trazer nova luz e alento.

Afinal, somos baldes nessa vida: um eterno descer e subir de poços.

Alda M S Santos

Pesos

PESOS

O que pesa mais:

Uma cabeça cheia de pensamentos e ideias,

Ou um coração recheado de sentimentos e esperanças?

O que pesa mais?

A razão que tudo entende, aceita, se conforma,

Ou um coração que ama, sofre, mas agradece?

Leve ou pesado, fácil ou difícil

Tudo sempre irá depender

Das forças de cada um…

Alda M S Santos

Aprendizados

APRENDIZADOS

Entre as coisas mais difíceis que existem

Estão saber a hora de ouvir, de falar e de se calar.

Quase tudo na vida envolve esses três atos,

Para ajudar a nós mesmos ou para ajudar os outros.

Depois disso decidido, ainda há o melhor meio de fazê-lo.

Aí é aguardar os resultados, as consequências.

Mas fazer aquilo que acredita certo,

Confiar na própria consciência,

Ainda que os resultados não sejam os melhores,

Que seja criticado ou incompreendido,

É, sem dúvida, o melhor meio de agir.

O menor dos saldos ainda é valioso: o aprendizado

Alda M S Santos

Casa cheia

CASA CHEIA

Casa cheia é sempre bom

Lotação total, nos divertimos, sorrimos

Interagimos, distraímos

Quase não nos notamos, perdidos em meio a tudo e todos.

Em “casa cheia” acabamos escondidos de nós mesmos,

E quando todos se vão,

Em meio à nostálgica solidão, nos vazios de uma “casa cheia”,

Podemos nos reencontrar

Ou ao menos tentar fazê-lo,

E ser felizes, ou não…

Alda M S Santos

Confusão

CONFUSÃO

Emoções em ebulição

Dúvidas em questão

Angústias na contramão

Silêncios sem razão

Atitudes sem reflexão

Geram vidas em confusão!

Faz-se necessário, equilíbrio sem senão!

Alda M S Santos

Toques que entocam

TOQUES QUE ENTOCAM

Magia do toque que toca fundo

Sequer precisa usar a pele

Usa as palavras ternas que arrepiam

O olhar sincero e amigo que enternece

Os ouvidos que acolhem e atraem

A disposição para colher com amor nossas dores

E transformá-las em motivo de prazer e alegria.

Toques que tocam a alma

São toques que entocam nossos corações

E não deixam ir embora!

Alda M S Santos

Deixar-se amar

DEIXAR-SE AMAR

Que aprende-se a amar, todos sabemos

Mas aprende-se também a deixar-se amar

Ambas as ações se conectam, se interligam

Quem não sabe amar, não sabe aproveitar o amor que recebe

Amor bem dado e amor bem recebido se multiplicam

Aprende-se a receber amor, doando amor

E aprende-se a doar amor, amando, na prática.

Não há manuais ou receitas, talvez algumas experiências.

Ambas as vozes do amor são ativas

Não existe passividade no amor

Amor passivo é vida inativa!

Alda M S Santos

Um milhão de amigos pra quê?

UM MILHÃO DE AMIGOS PRA QUÊ?

Roberto e Erasmo quiseram ter um milhão de amigos

Se tiveram eu não sei.

Verdadeiros? Tampouco!

Sou mais simples, não me importo com a quantidade

Quero poucos, porém verdadeiros

Com os quais possa interagir, confiar, abraçar

Sorrir e chorar junto!

Assim, canto mais forte, cantamos mais forte!

Mas não dispenso um lindo verso, entre tantos, da canção:

“Quero levar o meu canto amigo

A qualquer amigo que precisar…”

Assim, eu canto, e nos encantamos!

Alda M S Santos

Até onde a vista alcança

ATÉ ONDE A VISTA ALCANÇA

Longe, muito longe podemos ver

Até onde a vista alcança…

Céu, terra, montanhas e mares

Até onde a vista alcança podemos ver!

Vales, rios, Lua e estrelas,

E o que não vemos podemos imaginar…

Perto, muito perto nem sempre conseguimos ver

Em nós mesmos, nos outros

Perto, muito perto, quanto mais perto

Menos conseguimos enxergar, entender, aceitar…

Mal, mal imaginar!

Pessoas, sentimentos, desejos, dores e amores

Perto, muito perto

Nem sempre a vista alcança!

Alda M S Santos

Espaço e conteúdo

ESPAÇO E CONTEÚDO

Viver é estar sempre em busca de plenitude!

Muitas vezes somos muito espaço para pouco conteúdo

Tantas outras somos muito conteúdo para pouco espaço

Ambas insatisfatórias!

Por isso buscamos o outro

Neles fazemos essa troca

Essa transferência espaço/conteúdo em busca de equilíbrio!

Alda M S Santos

Tristeza

TRISTEZA

Tristeza vem naqueles momentos 

Nos quais percebemos que a vida pode ser, às vezes, 

Como algumas cacimbas,

Por mais fundo que se dê, 

Não são capazes de produzir água,

Estaremos sempre com sede!

Alda M S Santos 

Fogueiras

FOGUEIRAS

Nesse mundo tem gente de todo tipo mesmo. 

Felizmente!

Existem aqueles que:

– jogam lenha na fogueira, querem tudo potencializar, 

– jogam água na fogueira, querem a tudo amenizar,

 – querem apenas desfrutar de seu calor, sem medo de se queimar,

– podem até tentar, mas não têm “cacife” pra brincar com fogo.

E, assim, entre corajosos, covardes, oportunistas e imaturos, 

Ora um pouco de um, ora um pouco do outro,

Vamos levando a vida e dela extraindo o melhor. 

Pois fogo pode ser destruição, mas pode ser energia, ser vida, ser calor do amor. 

Alda M S Santos

Veja

VEJA

Veja no andar vacilante, ou excessivamente confiante, não apenas uma fraqueza física ou emocional, 

Mas o peso de uma história linda que desconhece.

Veja na beleza exterior tão à flor da pele e gritante, não uma pessoa que deseja mostrar-se superior,

Mas alguém carente e receoso de se mostrar interiormente.

Veja nos sorrisos constantes e claros, não só uma pessoa que parece feliz,

Mas alguém que precise estar alegre para não se afogar nas tristezas.

Veja na seriedade e olhar triste, não apenas alguém introspectivo ou inseguro,

Mas alguém que se esconde com medo de se machucar nos tombos da vida.

Veja no modo de ser tão aparente e “ofensivo”, não o desejo de ser “mais” na visão do outro, 

Mas a necessidade meio distorcida de ser alguém “além” para si mesmo.

Veja em cada modo de ser, não apenas algo tão diferente do que você é,

Mas alguém que, como você, procura manter sua essência, sua originalidade, num mundo de falsificações. 

Alda M S Santos 

Engasgados

ENGASGADOS
Pior que ser engasgado pelo que se ouve,
Por aquilo que vem de fora e não engolimos,
É ficar entalado com o que não se fala,
Aquilo que vem de dentro e não dizemos,
Sempre cerceados…sufocados. 
Alda M S Santos

Floração

FLORAÇÃO

Todo bom jardineiro conhece suas flores e plantas. 

Sabe que há aquelas que florescem sempre,

 E que há aquelas que secam e parecem morrer,

Perdem todas as suas folhas e flores…

Se não tivesse paciência,

Se entregasse os pontos, se arrancasse o “mal” pela raiz, 

Não haveria tantas flores!

Se o jardineiro Maior desistisse de um ipê que parecesse morrer,

Não nos deslumbraríamos diante de um Ipê Amarelo!

Quantas vezes parecemos estar secos, abandonados, 

Sequer lágrimas nos irrigam mais?

Mas nosso jardineiro está atento,

E cuida bem de nós… 

Mesmo que seja com uma ou outra florzinha amarela “temporona”,

Um ou outro amigo que nos manda,

Para não desanimarmos,

Antes da verdadeira florada, cada vez mais linda! 

Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES

Nossa vida é um grande jogo de encaixes.

Passamos toda ela nessa “brincadeira”.

Tentamos encaixar pessoas em nossas vidas.

Nos esforçamos para nos encaixarmos nas vidas dos outros.

Toda criança sabe, desde cedo, que não adianta forçar uma peça no local em que ela não cabe.

A peça ou o jogo podem sair danificados.

A diferença é que umas desistem, partem para outro jogo ou outras peças.

Outras perdem a paciência e destroem o jogo todo.

E outras, continuam a insistir em peças difíceis, até conseguir encaixá-las, de algum modo.

A peça pode ter se “deformado” ou o jogo ter obtido nova cara, mas foi montado. 

As crianças crescem e os jogos mudam pouco de figura! 

Jogadores, idem. 

Alda M S Santos

Raízes

RAÍZES

As folhas podem cair

Os galhos se quebrar, 

Flores rarearem, 

Mas se as raízes forem fortes, 

Cedo ou tarde os frutos aparecem…

E trazem de volta a alegria.

Alda M S Santos

Criança

CRIANÇA
O bom em ser criança

É que a idade delas nunca importa

Tá liberado rir ou chorar

Amar e demonstrar

Qualquer erro é engraçadinho

E a sinceridade nunca é punida.

Se quiserem, basta estender os bracinhos

Ou fazer um meigo beicinho,

Que um delicioso colinho as acolhe…

Soubessem disso antes, jamais quereriam crescer.

Essa é a falha irremediável da infância,

Com a qual sofremos até hoje…

Alda M S Santos

Há-braços

HÁ-BRAÇOS

Há-braços! Tem que haver, mas não só eles.

Tem gente que pensa que abraços são só braços!

Não é qualquer um que sabe abraçar!

Alguns abraços não passam de aperto de mão.

Aliás, muitos apertos de mão são mais sinceros.

Abraçar é enlaçar devagar, encostar, segurar um tempo

Normalmente acompanhado de palavras doces.

Tanto que não dá para abraçar qualquer um.

É preciso certa intimidade!

Mas se o abraço for mesmo perfeito,

Que conecta corpo e mente,

Daqueles que enlaçam os fios da alma,

Que se não curam, ao menos amenizam qualquer mal,

Palavras tornam-se dispensáveis…

Há-braços que parecem ter lábios, são melhores que beijos. 

Há-braços que parecem ter colo, tanto que acalentam.

Todos precisamos e merecemos um abraço assim.

Todos podemos dar um abraço assim.

Alda M S Santos

Laços

LAÇOS

Em qualquer circunstância, 

Duas linhas não se cruzam por acaso. 

É preciso cuidar de nossos relacionamentos 

De amor, de amizade, cuidar de nossos corações, 

Desfazer nós, criar mais laços, 

Montar essa bela trilha que nos cabe todos os dias…

Alda M S Santos

Nunca se esgota

NUNCA SE ESGOTA

Melhores são aqueles amigos,

Novos ou antigos,

Com os quais nunca nos esgotamos

Sempre há algo a fazer, a dizer

A contar, a pedir, a doar, a confidenciar…

Risos, sorrisos, gargalhadas,

Abraços, beijos, café e queijo.

E aquela saudade e desejo constante

De estar sempre juntos,

Mesmo havendo lágrimas, atritos e pendengas,

Cada encontro é sempre único, especial,

Pois possui a liga mais forte do mundo: o amor.

Alda M S Santos

Eternidades

ETERNIDADES
“Até que a morte nos separe”, “Love you forever”,
“Você vai estar para sempre dentro do meu coração”,
“E cada verso meu será, pra te dizer que eu sempre vou te amar, por toda a minha vida.”
“Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar”…
São tantas as promessas de eternidade! Tantas!
Basta ligar o rádio e ouvir algumas canções.
Ou ouvir algumas histórias por aí…
Mas elas se esvaem na fumaça do fogo, ou do gelo, que as consome.
Mudemos a sintonia do rádio para um canal de notícias,
E perceberemos como terminam muitos amores eternos.
Ou nas próprias canções:
“Você jogou fora o amor que eu te dei, os sonhos que sonhei,”
“Saiu sem dar razão, ficou na solidão, alguém que só te deu valor,”
“Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar que amores vêm e vão”…
Valem para qualquer tipo de amor ou amizade.
Amizades e amores verdadeiros não precisam de juras, promessas,
Palavras são lindas, mas são apenas palavras!
Atitudes é que são eternas e conquistam o amor dia-a-dia.
Alda M S Santos

Cristal quebrado

CRISTAL QUEBRADO

Caiu, espatifou-se no chão, separou-se em mil cacos

E o encanto se desfez!

O que estava suspenso, prossegue

A terra volta a girar, pássaros a voar, flores a crescer…

Assim acontece nos contos de fada,

Onde a vida está suspensa pela magia retida num frasco de vidro.

No mundo real magias e encantos também existem:

Na nossa mente que acredita que tudo é possível

Que insiste, determinada, em algo que parece inalcançável

Nas nossas pernas que caminham sempre em frente,

Apesar das dores adquiridas no cansaço

Advindo de tantos descaminhos

Nos corações que toleram a rejeição, a ingratidão,

Que se doam mesmo sem reciprocidade.

Na alma que sempre busca sintonia em outras almas

Em meio a um mundo barulhento e turvo.

Porém, algo em nós retém o encanto, a magia

E eles não podem se perder…

É preciso descobrir e proteger o cristal que os mantém

Uma palavra mal proferida, um vento mais forte,

Um descuido qualquer pode jogá-lo ao chão

O cristal se quebra, a magia se perde, o encanto se vai…

Mente, pernas, coração e alma nunca mais serão os mesmos.

Independente da cola que se use para restaurar o cristal quebrado.

Cristal quebrado e coração partido nunca mais serão os mesmos.

Alda M S Santos

Chapéu de tolo

CHAPÉU DE TOLO

Decepções…

Não temos como fugir delas.

Ouvimos que a decepção é nossa,

Que o outro não é responsável por nos decepcionar,

Nós é que esperamos demais deles…

Isso não diminui em nada aquela insatisfação e tristeza que sentimos.

Ninguém vive sem criar expectativas,

Sem acreditar no outro.

Quanto mais próximas as pessoas,

Quanto mais gostamos delas, mais expectativas criamos.

Portanto, maior risco de tombo, de decepção.

Colocamos o chapéu de tolos, desfilamos por aí cabisbaixos até a próxima.

Uma decepção também não precisa eliminar a pessoa de circulação.

Todos podemos errar, ter fraquezas, decepcionar alguém.

A outra alternativa é não acreditar, não aprofundar.

Viver boiando na superfície, não mergulhar. 

Sem amor, sem expectativas, sem decepções,

Sem vida! 

Muito obrigada! Continuarei a usar o chapéu de tola por aí, como palhacinha.

Quem nunca usou que atire a primeira piada! 

Alda M S Santos

Medida do amor

MEDIDA DO AMOR

Há como medir um sentimento? 

Qual parâmetro usar?

O nosso? De algum conhecido? De Deus? 

Para o parâmetro divino perderemos sempre. 

Não chegamos a tal grau de desprendimento.

É maior o amor que está junto todos os dias?

Ou aquele que ama de longe, cuida, ajuda?

O que aguenta os arranca-rabos diários?

Ou o que se mantém mesmo na distância sem o prazer do convívio?

É maior o que dá carinho, conforto, apoio?

Ou o que briga, cobra, puxa as orelhas?

Cada coração é único! 

Tamanhos, capacidades e intensidades variadas.

O maior é o que dá tudo de si, repleto, que preenche, de longe ou de perto…

E sobrevive em meio às tempestades.

Ainda que seja mandado embora, que seja apagado, que chore

É teimoso e insistente.

Ouvirá desaforos e atrevimentos e seguirá firme.

Isso é amor grande e verdadeiro.

Esse não morre.

Talvez um dia se aproxime umas centenas de quilômetros do amor divino.

Alda M S Santos  

Ame, do seu jeito, mas ame.

AME, DO SEU JEITO, MAS AME!

“Vou te ensinar a amar”, pensamos, superiores, ou ouvimos, meio tristonhos.

Existe um modo único e certo de amar?

Crer nisso já é meio caminho perdido.

Tudo bem, algumas características são inerentes a todo modo de amar.

Querer o bem do outro, cuidar, incentivar, desejar, preocupar-se, colocá-lo como prioridade…

Porém, algumas características são bem individuais.

Há amor expansivo, que extravasa, carregado de carinhos e mimos.

Há amor meio possessivo, ciumento, controlador, cuidadoso. 

Há amor carente, que cobra, que liga, que pede, que chora. 

Há amor sensual, que aquece, que dá prazer, que satisfaz.

Há amor contido, calado, introspectivo, tipo “não tô nem aí”.

Há amor incondicional, acima de todas as qualidades e defeitos, é “superior”.

As pessoas são diferentes entre si, portanto, o amor que sentem será sempre diferenciado.

Cobrar do outro um amor igual ao nosso é minimizá-lo.

Porém, precisamos perceber o que o outro “precisa” e tentar nos aproximar disso.

Amor é complementaridade. Quem ama quer ser feliz fazendo o outro feliz. Isso é parte de sua felicidade. 

Aceitar as diferenças implica em aceitar os modos diferentes de amar.

O que nos torna humanos mais completos é o amor. 

Sendo assim, ame, do seu jeito, mas não deixe de amar. 

Alda M S Santos

Ele sabe

ELE SABE

Ele sempre sabe, percebe…

O corte mínimo de cabelo

O vestido leve e novo

Ganhos ou perdas de peso insignificantes

A fragrância diferente de perfume

A cor do batom ou das unhas 

O andar firme ou vacilante

A tristeza atrás do sorriso

O humor num simples olhar 

A impaciência máxima num suspiro

Um longo discurso disfarçado em monossílabos

Os textos contidos nos contextos

O desejo de amar

A ânsia de ser amada

A vida no olhar brilhante ou opaco

O sim no não, o não no talvez…

Entende seus silêncios

Absorve e trata seus gritos

Quando não percebe

Se não entende,

Abraça…

Aí sente tudo,percebe tudo…

Ele sabe! 

Ele é o amor!

Alda M S Santos

Incompatibilidades

INCOMPATIBILIDADES

Todos queremos fugir de incompatibilidades

Mas elas estão sempre a nos cercar…

Mal estar sem remédio

Choro sem ombro amigo

Gripe sem cama quente

Trabalho sem dinheiro

Filme sem amor

Doença sem cura

Portas sem chaves

Amigos sem risadas

Janelas sem sol

Noites sem estrelas

Sucesso sem esforço

Chuva sem cabelos molhados

Pássaros sem canto

Crianças sem alegria 

Sonhos sem realização

Sexo sem tesão

Amor sem reciprocidade…

Vida sem vontade…

Se se resolve esse último

Para todos os outros há saída 

Desejo de viver torna tudo compatível! 

Alda M S Santos

Despedidas

DESPEDIDAS

Quase sempre a porta de entrada é a mesma da saída.

Por que ela sempre nos parece diferente? 

Cumprimentamos no mesmo lugar que nos despedimos.

Por que nunca é a mesma coisa? 

A entrada quase sempre carrega maior expectativa, alegria, ansiedade… 

O desconhecido apresenta possibilidades…

A saída traz consigo o peso da despedida, do adeus, da dúvida do retorno, da esperança…

O agora conhecido, quase sempre amado, gera saudades.

É diferente porque nós estamos diferentes! 

Quer seja a porta de uma casa, do trabalho, de um sítio, de um coração… 

O sentimento de alegria ou angústia é o mesmo. 

Estaremos melhores em algumas coisas, talvez piores em outras.

Deixaremos também melhorias, talvez alguns estragos.

A esperança de todos nós é que ao nos despedirmos, se necessário for, que deixemos o lugar melhor que encontramos. 

Que saiamos de lá seres humanos mais íntegros, mais completos, mais felizes, mesmo se houver feridas…

E que possamos voltar um dia!

Alda M S Santos 

Porteiras entreabertas

PORTEIRAS ENTREABERTAS

Somos porteiras, vemos porteiras

Tantas fechadas, trancadas, passadas à chave.

Outras abertas, entreabertas…

Umas atraentes, ainda que fechadas

Outras repulsivas, mesmo arreganhadas. 

Convidativas são as entreabertas

Insinuam, sem mostrar

Conquistam, sem nada dizer

Encantam, sem querer

Falam tudo, no silêncio…

“Entre para tomarmos um café!”

Passamos por todas elas, 

Vemos flores a enfeitá-las,

Ou cães a guardá-las

Ignoramos e entramos, 

Ou seguimos em frente. 

Nós também pareceremos fechadas, arreganhadas ou entreabertas, 

Alguns passarão direto por nós,

Outros deixaremos entrar. 

Vários já entraram, se assentaram, tomaram seus lugares.

Em tantas entramos e batemos um

bom papo. 

Que possamos ser e encontrar

Muitas porteiras entreabertas e convidativas por aí,

Que preencham positivamente nosso viver…

Alda M S Santos

Estoque de amor

ESTOQUE DE AMOR

Nosso organismo é perfeito. Mantemos um estoque de reserva. 

O que vem em excesso em alimentação, após metabolismo e geração de energia, acumulamos em forma de gordura para períodos de vacas magras. Precisou, o corpo libera a energia reservada automaticamente. 

Mas, e quanto ao nosso coração, nossas emoções, nossa alma? 

Temos conseguido, após usar e usufruir, estocar, reservar sorrisos, carinho, atenção, amor, companheirismo, doces palavras, beijos e abraços? 

Se analisarmos que um alimento, após metabolizado, é descartado, e que o bem estar advindo de um abraço não se perde, deveria ser mais fácil usar esses que aqueles. 

Mas não é o que acontece! 

A diferença é que o estoque emocional precisa ser buscado conscientemente. Momentos bons vividos, que ficam gravados em nossa alma, podem e devem ser acionados. 

Nos momentos em que o coração doer, a tristeza e apatia quiserem fazer morada em nós, busquemos em nossa alma um estoque de sorrisos, carinhos, amor e doçura. 

A alma é mais sábia que nosso organismo. Nada descarta. Mas precisamos buscar.

Que saibamos também abastecê-la de sentimentos maravilhosos! 

Somente assim estaremos salvos quando o período for de balanço e reconstrução. 

Alda M S Santos 

De repente é amor… E é pra sempre

DE REPENTE É AMOR… E É PRA SEMPRE!

Tantos buscam por ele

Outros tantos dele fogem

Por ele muitos sofrem

Sem ele ninguém vive! 

Esse é o amor, inerente ao viver!

Pode ser leve e suave como uma brisa

Forte e barulhento como uma tempestade

Mas sempre visível!

Pode chegar pelo olhar que demora um segundo a mais

O abraço que não quer se soltar

As palavras que saem como torrentes

O sorriso que ofusca pelo brilho

O silêncio que tanto diz…

Quando se assusta ele tomou posse. 

Acomete crianças inocentes, jovens afoitos, adultos atarefados, idosos descrentes…

Com 5, 15, 25, 45 ou 70, não importa! Ele não tem preferências…

Entre pais e filhos, irmãos, amigos, homem e mulher…

De repente, é amor…

Se é amor, é pra sempre! 

Ele nos fará sofrer, chorar, nos magoar, tentar nos esconder.

Mas, sobretudo, nos fará sorrir, nos alegrar, vibrar, ajudar, acalentar, nos compadecer, acreditar que tudo é possível. 

De repente, é amor… E é pra sempre. 

Por isso, sou forte, tudo enfrento, tudo supero…

E percebo qual o propósito de Deus para minha vida, para todas as vidas: aprender a viver o amor, seja ele qual for! 

Alda M S Santos

Ainda não sei

AINDA NÃO SEI…
Ainda não sei…
Sou apenas um ser errante perdido nessa galáxia. Talvez fosse perfeita noutra dimensão.
Ainda não sei …
Se inferior ou superior a esta. Sei apenas que tantas vezes me sinto perdida por aqui.
Ainda não sei…
Sobra-me algo? Falta-me algo? Sei apenas que minha “kriptonita” não vale de nada por aqui, exceto como arma contra mim mesma.
Ainda não sei…
Tantas diferenças com meus iguais, tantas semelhanças com meus desiguais!
Onde está o “erro”?
Ainda não sei…
Igualo-me a eles? Peço que se igualem a mim?
Ainda não sei…
Precisamos ser iguais?
Sei apenas que não saber, dói! Angustia!
Mas sei de uma coisa importante: sendo ou não daqui, é aqui que estou.
Enquanto estiver por aqui, darei o melhor de mim. E tentarei obter o melhor dos outros.
Alda M S Santos

Quando olho pra você

QUANDO OLHO PRA VOCÊ
Quando olho pra você, enxergo a tristeza além do sorriso de capa de revista.
Quando olho para você, além dos passos trôpegos, caminhar vacilante, enxergo um objetivo, um destino.
Quando olho pra você, enxergo o que a alma diz em silêncio, não apenas o que a boca fala desenfreadamente.
Quando olho pra você, vejo além de um corpo com imperfeições, enxergo um coração que sabe amar.
Quando olho pra você, não vejo apenas um ser humano qualquer, procuro ver uma obra de Deus!
O que vês quando olhas para mim?
Sou apenas uma obra do Criador que busca melhorar a cada dia.
Simplesmente.
Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar “

“SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR”
Quantas vezes na vida nos entristecemos, choramos, lamentamos um amor ofertado e não devidamente recebido, valorizado ou correspondido? Isso nos acontece desde a infância, quando nosso amigo preferido escolhe brincar com outro e ficamos emburrados.
Aprendemos? Não. Apenas aprimoramos o modo de lidar com a dor e a frustração para que não nos derrube.
Disfarçamos, buscamos outros interesses, olhamos para frente, tentamos ignorar aquela angústia lá no fundo de nós e partir para outra.
Por isso tantas pessoas mudam, tornam-se amargas, fechadas, desconfiadas, inseguras, resistentes ao amor e às demonstrações de carinho e afeto. É a autoproteção.
Outras, porém, permanecem do mesmo jeito. Amam, se entregam, demonstram carinho, são sinceras, sensíveis.
Não importam os envolvidos no ato de amar: entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre casal.
Até podem sofrer por um tempo, mas percebem, sabiamente, que quem ama nunca perde. O amor é sublime, soberano, mágico. Quem o sente é privilegiado. Quem não soube receber é que ficou no prejuízo.
Nunca lamentemos por amar! A vida sem amor é vazia e seca. Não tem cor nem brilho. Amor é bumerangue! Amor se autoabastece. Quem não ama não sabe acolher o amor que bate à sua porta.
“Só tem amor quem sabe amar”!
Alda M S Santos

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