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Anjos existem

ANJOS EXISTEM

Eu acredito em anjos

Creio que estamos cercados por eles

Basta um pouquinho de atenção para notarmos

Não têm asas ou auréolas

Mas têm braços, abraços, sorrisos, ternura

São aqueles que nos estimulam com uma palavra

Nos acolhem com um sorriso

Nos aquecem num abraço

Nos amparam com toda leveza

Secam nossas lágrimas num toque de pureza

Nos aplaudem num verso

Nos corrigem no reverso

Dizem sim, dizem não, sem embromação

Nos amam num simples olhar

Anjos estão em todo lugar

Enviados para nossa proteção

Deixam saudades quando resolvem voar…

Somos também anjos para alguém

Nosso papel aqui é ser e fazer o bem…

Como Ele nos ensinou…

Alda M S Santos

Se ele bate em harmonia…

SE ELE BATE EM HARMONIA…

Aprender a ouvir o próprio coração

Tudo que de melhor possa haver fica ali

Está lá guardado, “batendo” todo o tempo

Como em código morse para decifrarmos

É através dele que Deus fala conosco

Através dele sabemos quando estamos no caminho certo

Se não dói, se está leve, se fica em harmonia com o outro

Se não há culpas, medos ou traumas

Se ao menos conseguimos ouvi-lo bater em paz

Está tudo na direção correta

É Deus dizendo para seguir em frente…

Alda M S Santos

Muito ou pouco?

MUITO OU POUCO?

É muito dinheiro nas mãos de poucos, pouco nas mãos de muitos

São muitos necessitados para tão poucos doadores

É muita estrada para tão poucos caminhantes

É muito cordão para tão pouca pérola

É muito futuro para tão pouca esperança

É muita destruição para tão pouca reconstrução

São muitos corações para tão pouco amor

É muito tanto faz para o amor de verdade

São muitos finais para poucos recomeços

É muita falação para tão pouca ação

É muita “razão” para tão pouco coração

É muito “irmão”, para tão pouco dar-se as mãos

É muita indiferença diante do que realmente faz a diferença…

Alda M S Santos

Deixe as águas rolarem

DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM

Deixe as águas caírem e rolarem

Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos

Águas represadas por muito tempo

Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem

Águas paradas causam tragédias e destruição

E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda

Torna-se um furacão perigoso e assustador

Deixe as águas rolarem

Elas sempre lavam o que está sujo

Elas sabem e encontram o caminho a seguir…

Alda M S Santos

As folhas que perdemos

AS FOLHAS QUE PERDEMOS

Uma grande e frondosa árvore

Quantas folhas produziu, quantas flores e frutos gerou

Quantas folhas secaram, caíram, “perderam-se”?

Mas a cada folha seca que caiu

A cada estação ou jornada que enfrentou

Ela engrossou tronco, aumentou galhos

Fortaleceu e aprofundou raiz

Tornou-se mais copada e bela, mais resistente às intempéries

Não controlamos as folhas ou frutos que perdemos

Mas, como acontece com as árvores,

Onde folhas, flores e frutos

Caem aos seus pés, viram húmus e as nutrem através do solo

O mesmo se dá conosco…

Cada folha perdida, chorada, sentida ou não

Nos fortalece, firma nossa emoção

Nutre nossa alma e nos abastece de amor…

Na verdade, nenhuma folha se perde

Nunca!

Quanto mais folhas e frutos “perdemos”

Deixamos cair, irem “embora”

Mais fortes nos tornamos…

Somos árvores!

Alda M S Santos

Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Descartáveis

DESCARTÁVEIS

Num mundo onde prevalece a lei do menor esforço

Onde se opta pelo que dá menos trabalho

Os descartáveis estão em alta

Copos, pratos, papéis, objetos diversos

Usou, não precisa lavar, descarta-se, joga fora

Nessa mesma onda, nessa avalanche descartável

Estão sentimentos, emoções, pessoas, relações

Se exige um pouco mais de atenção

Se cobra reflexão, valorização, tempo, reciprocidade

Ah, dá muito trabalho!

Deixa pra lá, passa a vez…

A fila anda!

Amizades, famílias, dons, aptidões, fé

Joga-se fora lares e o que tem dentro dele

Joga-se fora familiares

Reutilizar, renovar, para quê?

Joga fora e compra-se um novo

Pega, toma ou empresta de alguém!

Tudo que exige atenção, dedicação, cuidado diário

É perda de tempo…

E vamos nos enchendo de lixos descartáveis

Entupidos, pesados, cansados, doentes…

Mais vale uma taça de cristal que se lava a cada uso

Um amor que se irriga e se renova todo dia a cada beijo

Que a troca desenfreada para obter algo novo

Tudo de bom nesse mundo é o que nos empenhamos para ser duradouro

Para se eternizar em nós…

Alda M S Santos

Quando apreciamos a solidão

QUANDO APRECIAMOS A SOLIDÃO

Um longo caminho a se percorrer

Como seres sociais que somos, sempre buscando companhia

Até gostar verdadeiramente da solidão

Não de estar só, pois isso nunca iremos gostar

Mas de estarmos conosco mesmos e apreciar isso

Não na fuga para um filme, um livro, um jogo

Mas bater um papo com nosso ser de ontem, de anteontem

Colocá-los frente a frente com o eu de hoje

Sem desviar os olhos no espelho, com vergonhas escancaradas e encaradas

Fazer as pazes com nossas escolhas, erros e acertos

Uma troca de autocompreensão e perdão

Para podermos nos ver amanhã, no futuro

Sem medos, ansiedades ou arrependimentos

Na certeza que demos nosso melhor como ser humano

E essa consciência só é possível na solidão, no autoconhecimento

Quando nos sentamos com a criança, o jovem e adulto que fomos, e somos

Pois todas elas ainda estão em nós

Só assim estaremos aptos a ter boas companhias…

Alda M S Santos

De frente

DE FRENTE

Encarar a vida de frente

Mesmo que ela não seja sempre

Como uma tarde na praia, ao sol poente

E tantas vezes a brisa não seja tão gostosa

Daquelas que balançam nossos cabelos

Ou arrepiam suavemente nossa pele

Mas a ventania nos arraste para caminhos esburacados

E jogue areia em nossos olhos

Dificultando o ver, o prosseguir

Encarar a vida de frente

Não ignorando os percalços e entraves

Mas nos reabastecendo sempre

De amor, de sorrisos, abraços e beijos

Ainda que nas lembranças e esperança

De uma tarde na praia ao sol poente…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Quando você deixa de ser você

QUANDO VOCÊ DEIXA DE SER VOCÊ

Um dia te levam uma moeda, você deixa

Era apenas uma moeda…

Noutro levam um objeto, sua bolsa, esvaziam seus bolsos

Não faz mal, você conquista outros

Tiram um direito, mais outro, substituem por deveres

E você vai cumprindo todos eles fielmente

Logo estão levando outros valores

Suas ideias, sua liberdade, seu sorriso, seus sonhos, sua essência

Seus ideais estão perdidos nesse mundo nublado

Não há mais brilho ou cor, você está opaco

Você sente um vazio, um desconforto

Não se reconhece no espelho

Não consegue reagir…

Mas segue acreditando que é por uma boa causa

“Para melhorar tem que piorar”-dizem

A quota de sacrifícios é de todos- propagam

Levam pouco a pouco até sua história

E te convencem que você sempre esteve enganado

Apagam tudo que um dia você foi

Quando percebe estão esvaziando sua alma

E a preenchendo com aquilo que eles querem

Com aquilo que não é você

Então, você deixa de ser você

Quando isso acontece você já morreu

Você tornou-se apenas um deles

Apenas uma cópia que caminha na multidão…

Reaja! Não deixe te roubarem de você!

Alda M S Santos

Parceira da felicidade

PARCEIRA DA FELICIDADE

A mentira se veste e reveste

Se cobre, se enfeita e se recobre

Brilhos, sons, manhas e artimanhas

Faz de tudo para parecer bela e envolvente

Precisa tapar aquilo que no fundo é bem feio e assustador

Verdade não precisa de vestimentas ou artifícios

Apresenta-se nua e crua, não se envergonha

Preferir estar “vestido” à nudez nem sempre é por pudor

Pode ser por ser tão feio que prefira estar “encoberto”

Mesmo que possa machucar, a verdade é cheia de carinho

Não precisa se cobrir ou disfarçar

Ser verdadeiro já é por si só cheio de beleza

O encanto está em ser real, autêntico

A boniteza está na clareza, na transparência

A maravilha está na naturalidade

Verdade traz alegria, cedo ou tarde

Simplicidade e verdade são parceiras da felicidade…

Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA

Onda que chega, pesada, crescente

Forte, carregada de opiniões e palpites

Cega, radical, violenta, destrutiva

Daquelas com as quais não compactuamos

E querem nos arrastar consigo

Contra nossa vontade ou desejo

Naquela avalanche de negativismo

Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente

Ou, simplesmente, deixar-nos levar

Não desperdiçar energia

Ver até onde dá pra ir sem nos ferir

E escolher o melhor momento para sair fora

Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados

Encontrar o ponto essencial

Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência

Aquele que nos torna humanos

Uma hora toda onda passa e se desfaz…

Alda M S Santos

Fazendo a diferença

FAZENDO A DIFERENÇA

Fazer a diferença na vida de alguém

Levar a paz, a alegria, o bem

Sonhos de todos nós ao amanhecer

Ao ver o sol despontando no horizonte

E fazer uma oração a Ele

Usar aquilo que temos de bom

Material, sim, mas principalmente emocional

Para tornar a vida de alguém melhor

Ser a palavra de afeto que alguém carece

O abraço que ampara na fragilidade

A liga que une pessoas, que harmoniza famílias

O sorriso que perdoa e acolhe os necessitados

Fora de nossas casas, mas especialmente dentro delas

Fazer a diferença na vida de quem vive conosco

Cônjuge, filhos, pais, irmãos, familiares

Eles não estão nas nossas vidas por acaso

São presentes que Deus nos enviou

Para que possamos neles tocar e fazer a diferença

Sermos por eles tocados e ser melhores a cada dia

Fazer a diferença no mundo começa em nossos lares

Fazendo a diferença em nossa família!

Alda M S Santos

Lições infantis?

LIÇÕES INFANTIS?

Se bagunçar, arrume, deixe melhor que encontrou

Se não pode ou não sabe arrumar, não mexa

Ande, se correr poderá cair

Não pegue o que não é seu, nem tudo é coletivo

Não derrube o “castelo” de seu irmão, construa o seu

Não fale com estranhos, nem todos são amigos

Confie sempre na sua família, ela sempre estará contigo

Não procure briga, mas não apanhe

Aprenda com seus erros para não repetí-los

Se cair, levante, engula o choro, receba um carinho e siga

Nem toda porta aberta te cabe, não entre sem ser convidado

Respeite o espaço do outro, cultive o seu

Seja grato!

Lições infantis?

Talvez retomar essas lições

Nos salve de nossos próprios atropelos

De atropelar nosso irmão

Nos salve uns dos outros…

Lições infantis?

Alda M S Santos

Seja sorriso

SEJA SORRISO

Tímido, contido, amarelado ou disfarçado

Aberto, rasgado, gargalhado ou meio acabrunhado

Sempre iluminado!

Dê à vida seu melhor sorriso

É mais difícil magoar quem sorri

É mais difícil desnudar quem se veste de sorriso

É mais difícil derrubar quem carrega a leveza de um sorriso

É mais difícil humilhar quem traz a força de saber sorrir

É mais difícil enganar quem faz do sorriso sua verdade

É mais difícil apagar o brilho de quem traz um sorriso nos olhos

É mais fácil confiar em quem traz a alma expressa no sorrir

Até as lágrimas cessam nos olhos de quem sorri

É impossível não sorrir

Para aquele que nos presenteia com um lindo sorriso

Seja vida, seja um vencedor, seja amor

Seja verdade, seja sorriso!

Alda M S Santos

Que inteligência é essa?

QUE INTELIGÊNCIA É ESSA?

Que inteligência é essa

Que produz máquinas e armas de destruição

Mas que não cura um câncer, um mal do coração?

Que inteligência é essa

Que num simples acionar de um botão

Pode lançar um míssel nuclear e nos reduzir a pó

Mas deixa morrer de fome um irmão?

Que inteligência é essa

Que nos leva à guerra, ao terreno do outro, por insanas disputas emocionais ou materiais

Mas não enxerga a vida que míngua bem nos seus quintais?

Que inteligência é essa

Que viaja em naves e foguetes pelo longínquo campo do espaço sideral

Mas não acha o caminho da paz e do amor dentro de si, de seu tão próximo campo emocional?

Que inteligência é essa?

Alda M S Santos

Isso é amor

ISSO É AMOR

Os teus passos eu acompanho

Perto ou longe sempre está comigo

Suas vitórias me alegram, me orgulham

Quando acerta eu aplaudo

Quando erra, sofro, oriento

Quando cai, te estendo a mão

Quando se machuca, eu choro

O que te fere, me fere

Se dói em você, dói em mim

O que te engrandece, me engrandece

Se você se perde, te aponto o caminho

Mas quando é você que me fere, magoa

Sou eu que me sinto perdida, sem rumo

Pois, ao me afastar de ti, quebra-se a reciprocidade

E preciso buscar outro caminho até você

Isso é amor, todo tipo de amor!

Assim amamos em Ágape, Philia, Eros, Storge

Assim amo vocês!

Alda M S Santos

Somos de Deus?

SOMOS DE DEUS?

João, Maria, José, quem é de Deus?

Somos de Deus por pertencer à religião A, B ou C?

Por frequentarmos templos de pedra regularmente?

Deixamos de sê-lo quando não somos adeptos de nenhuma religião?

De Deus somos quando agimos pelo bem, sem ferir ninguém!

Ou ao menos termos sempre esse propósito

De agir sempre em favor do outro, evitando abusos de todo tipo

Tanto mal se tem feito em “nome de Deus”

Ou se escondendo atrás Dele

Ou abusando da confiança e fragilidade dos fiéis

Ou passando-se por amigo que entra e leva o que o outro tem de mais precioso

Tanta “guerra santa” que Ele desconhece, não avaliza

Santo só teve um por aqui

E, quando voltar, certamente não irá a templos e igrejas

Ele irá às almas e corações em sintonia e afinidade com o SEU

Os bons e fiéis corações, mesmo falhos, às vezes, esses são de Deus!

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA

Uma vida de teimosias, de bater de pé, de insistências

Um joelho esfolado que cicatriza

Um braço fraturado que se cola

Um coração partido que não se emenda

Teimosias…

Uma lágrima que escorre junto a um sorriso que ilumina

Tal qual arco-íris pós tempestade

Um corpo alquebrado que se refresca num rio caudaloso

Que se renova num abraço carinhoso

Teimosias…

Uma mente conturbada em curto-circuito

Uma alma repleta e, paradoxalmente, ainda cheia de espaço

Um ser humano pensado e criado para não desistir

Quando tudo parecer ruir

Teimosias…

Amor: a maior teimosia do mundo

Mas a única capaz de ainda garantir o viver…

Alda M S Santos

The winner takes it all

THE WINNER TAKES IT ALL

“O vencedor leva tudo

E o perdedor fica menor, tem que cair”

Diz, romanticamente, ABBA

E vencedores aqui são aqueles capazes de acionar um botão

Mergulhar na máquina do tempo

E voltar…voltar…

E, jovens novamente, sentir intensamente a mesma emoção

A música, a alegria, o coração acelerado

A louca vontade de amar, de viver, de dançar

Ser e fazer parte desse universo, dessa energia

Rejuvenescer…

”The winner takes it all”

Vencer ou perder?

“E os deuses podem jogar os dados e alguém querido ser perdido aqui”

Tudo uma questão de tempo ou lugar

Destino?

Vencer é voltar sem se perder

É valorizar o antes sem perder o agora

Ora vencendo, ora perdendo

Sempre levando algo…

E hoje vencemos!

Alda M S Santos

Muitas moradas

MUITAS MORADAS

“Há muitas moradas na casa de Meu Pai”

Nossos corações são uma casa de muitas moradas

Neles cabem os mais diversos moradores

Em diferentes graus de necessidade e profundidade

Em diversos níveis e capacidade de ensinamento e aprendizado

Nem sempre sabemos ou conseguimos controlar quem chega e quem se vai

Apenas tentamos organizá-los melhor, mais confortavelmente

Distribuindo melhor cada espaço

Evitando que alguns tomem posse de tudo

Estamos aprendendo a lidar com nossos inquilinos e proprietários

Aceitando tranquilamente os donos cativos por usucapião

E enfrentando as dores do eterno entra e sai

Apenas Ele sabe lidar bem com Seus moradores

Há perfeição, sabedoria e amor bastantes

Talvez um dia a gente aprenda melhor a morar e ser boa morada…

Alda M S Santos

Quimeras

QUIMERAS

Quiséramos ter estendido mais nossa infância

Ter congelado amigos dentro da gente

Do jeitinho que eram

Para nunca mais deixá-los partir

Quimeras…

Quiséramos ter curtido mais nossa adolescência

Sem tantos desejos de crescer

De ser independente, de acelerar o tempo

Apenas abraçar nossos “amigos para sempre”

Sermos apenas jovens desabrochando

Quimeras…

Quiséramos ter nos dedicado mais a nossos amores

Atendido mais nossos familiares

Prolongado sorrisos e abraços

Ter feito mais amor com a vida

Podido ser mais que simples adultos preocupados

Tendo sido mais leves em brancas e suaves nuvens de paz

Quimeras…

Quiséramos ter sido mais nós mesmos

Atendido mais nossas próprias vontades

Sem invadir as vontades e espaços dos outros

Cuidado melhor do que realmente importa

Sem contudo sermos egoístas,

Porque, afinal, sem desconsiderar tudo que conquistamos

E que faz parte de nós também

O que temos de real e verdadeiro, sempre

Somos nós mesmos…

Quimeras…

Meras quimeras…

Mas quiséramos…

Alda M S Santos

Relaxe: nada está sob controle

RELAXE: NADA ESTÁ SOB CONTROLE

Relaxe, se fie, confie

Nada está sob controle

Siga o curso, se não há outro recurso

Nada é tão certo, tão previsível

Desça com a correnteza, deixe-se levar

Contorne, retorne, descanse, desvie

Passe por cima se não for machucar

Abrace-se à natureza, faça qualquer proeza

Relaxe: nada está sob controle

Liberte-se de toda tensão

Passe por caminhos obscuros

Enfrente a luz, o brilho

As companhias e a solidão

A única certeza que temos

É que esse rio segue seu curso

Mesmo à nossa revelia

E nos leva, querendo ou não

Portanto, relaxe, siga em paz

Confie! Nada está sob controle…

E que isso seja bom!

Alda M S Santos

Aura multicor

AURA MULTICOR

Enquanto a massa é cinzenta,

A aura é multicor, arco-íris, brilhante

Cabe à massa cinzenta fazer o papel tirano, rabugento

A alma, pela aura, faz o papel da alegria, do contentamento

A razão é quase sempre cinzenta e sisuda

A emoção é colorida e, muitas vezes, alegre, absurda

Nosso bem estar necessita da organização do cinza

Mas precisa também do encanto vibrante das cores,

Não podemos abrir mão do tom cinza, neutro,

É ele que possibilita às cores sua existência

É a tela receptiva na qual pintamos nosso mundo

Uma vida mesclada de cinzas, negros, cores, brancos e encantos

Fazer um bonito colorido nem sempre é tão simples

Mas é o que dá prazer ao viver…

Alda M S Santos

Joga no chão

JOGA NO CHÃO

Tão velha, caindo aos pedaços

Paredes de adobe, ainda fortes

Telhado gasto, em ruínas, madeiras de sustentação abaladas

Assoalho rangendo, janelas caídas

Uma casa centenária, morada de muitos

Lar de uma família, muitas histórias

Quem vê de fora não nota as marcas que ela deixou nele

“Não compensa reformar, desperdício”

“Joga no chão e faz outra”

Mas ele não quer, afirma que ela está boa

Só refazer aqui, consertar ali…

Como jogar no chão uma história?

Seria o mesmo que jogar por terra o coração que está ali

Como se ao conservar a casa de pé

Estivesse conservando o amor que ali viveu

Respeitando a história que ainda vive dentro dele

Bom seria se não precisasse se preocupar com capital financeiro

Se o capital emocional fosse o bastante para mantê-la de pé

Conservá-la inteira, segura e habitável

Como o amor e o respeito pelos que ali viveram e se foram

E permanece inalterado dentro de si…

Ruínas… será?

Por dentro dele está tudo inteiro

Até que ponto o que está inteiro nele

Depende da sustentação dessa “casa velha”?

Ou o amor à sua história e aos antepassados que ali viveram

Depende exclusivamente de seu coração amoroso?

Alda M S Santos

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Curas homeopáticas

CURAS HOMEOPÁTICAS

A natureza tem poderes curativos

Não apenas os que vêm das plantas medicinais, que brotam do chão

Natureza tem poderes curativos da emoção

Aqueles que trazem paz, acalmam o coração

Em doses homeopáticas e constantes

Atingem pontos importantes na alma

Via tato, visão, olfato, paladar, audição

Paulatinamente despertando a nossa reação

Nos salvam até de nós mesmos

Quando não enxergamos mais saída

E nos tornamos nós mesmos nossos maiores adversários…

Natureza desperta em nós o que é essencial

E que, por vezes, fica escondido em meio a tanta coisa artificial…

Alda M S Santos

Pierrô, Arlequim ou Colombina?

PIERRÔ, ARLEQUIM OU COLOMBINA?

“Pierrô apaixonado que vivia só cantando…”

Vai Carnaval, vem Carnaval

E sempre serão encontrados

Pierrôs apaixonados, cantando ou chorando

Arlequins preguiçosos e malandros

Colombinas encantadoras, confusas e disputadas

Amores e desamores de teor teatral

Cenários tragicômicos, amores frustrados

Uma “peça” a nos pregar peças

Personagens que atravessam a linha do espaço e do tempo

Gênero, cultura, classes sociais

Histórias e releituras da mesma sátira social

O circo, o palhaço, a arte, a plateia

A vida imitando a arte

Ou a arte imitando a vida?

Rótulos quebrados ou reforçados

Amor não é só flor, é cego, é também dor

Palhaço não é só sorrisos ou alegrias

Cantar não imuniza contra qualquer dor

E, com toda certeza, Carnaval ou não

Vez ou outra, em algum momento da vida,

Não estamos a salvo, seremos tomados por um Pierrô, Arlequim ou Colombina

Independente se somos homem ou mulher

Palhaços somos, cantando ou chorando…

Alda M S Santos

Gerenciando emoções

GERENCIANDO EMOÇÕES
Controlar o que sai, manter reservas
Repor gastos, ficar sempre no azul
Manter a balança financeira positiva
Equilibrando ônus e bônus
Isso é gerenciar bem a vida econômica
Mais importante que isso
É saber gerenciar nossas emoções
Não depositar em nós qualquer “valor”
Escolher bem nossas prioridades de retiradas
Ser seletivo com emoções que causem grandes déficits
A curto ou longo prazo
Aquelas que oneram nosso corpo e mente
Dar prioridade para emoções boas
Que preencham bem nossos vazios
Que nossos sorrisos ou lágrimas de giro sejam especiais
Que não causem danos aos outros
Que gerem lucros e dividendos
E não nos levem a abrir falência emocional
Que nosso gerenciamento das emoções seja tão bom
Que mantenha nossa alma sempre ativa
Sujeita sempre a bons investimentos
Isso é ser um bom gerente de si mesmo
Esse diploma buscamos todos…

Alda M S Santos

Se o rio seca…

SE O RIO SECA…

Fortalecer nossas asas para um voo livre e leve

Alimentar a brasa que nos aquece e revitaliza

Valorizar os ombros em que nossas cabeças repousam

Amaciar o colo onde acalmamos nossas angústias

Cultivar o que gera a sombra fresca onde nos livramos do cansaço

Manter acesos os motivos de nossos sorrisos

Nunca perder a fé que nos torna mais humanos

Cuidar bem de nossas matas ciliares

Porque quando o rio seca em torno da gente

Nunca mais volta a ser corrente…

Alda M S Santos

Aproveite o orvalho

APROVEITE O ORVALHO

Mesmo nas noites mais secas e escuras

Nas mais frias e longas

O orvalho é produzido e depositado

Belo, natural, encantador, motivador

Quando tudo parecer secar e morrer

Quando tudo for noite fria, assustadora

Com seus barulhos ensurdecedores do silêncio

Aproveite o orvalho

E nova alvorada há de despontar na serra

Mais linda e iluminada que antes

Despertando e trazendo de volta vidas adormecidas

Com mais cores, brilho, beleza e perfume…

Alda M S Santos

E as lágrimas secaram…

E AS LÁGRIMAS SECARAM…

Sentada num canto ela dizia que já sofreu demais

Tanto chorou, e chorou, que hoje,

Por maior que fosse a dor, não tinha o alívio das lágrimas

Secaram todas, afirmava

Décadas e décadas vividas, evidenciadas em cada ruga

No corpo frágil que parecia muito leve

Para carregar tamanho peso…

Que será que carrega a pesar tanto?

Algo que fez, que deixou de fazer, ou permitiu que fizessem consigo?

Males que causou aos outros, a si mesma, arrependimentos,

Sonhos que não viveu, impediu que outros vivessem

Caminhos que não trilhou, portas que arrombou

Lições que não aprendeu ou não ensinou

Ou saudades, alegrias perdidas, não mais vividas?

Observo os mais velhos, e considero a sabedoria da natureza

Ao ir limitando a memória dos idosos

Um modo de poupar energia

E aliviar um pouco o sofrimento daquilo que não tem mais jeito,

Pois lágrimas e sorrisos, ambos podem fazer bem ou mal

Dependendo do modo que se olhe para eles,

E da expectativa que se tenha pela frente…

Alda M S Santos

Esquecer ou lembrar?

ESQUECER OU LEMBRAR?

Você já se esqueceu?

A vida continuou, não parou

Ao menos não parou para todo mundo

Mas para aqueles que sofreram a perda de alguém

Dor, angústia, lágrimas, revolta, tristeza, medos

Às vezes precisamos esquecer

Para seguir vivendo…

Noutras, exatamente ao contrário,

Precisamos lembrar de quem partiu e vive em nós

Para não nos sentir morrendo…

Uns precisam de 30 dias, meses ou anos para esquecer

Outros se lembrarão e serão lembrados

Mesmo que passe uma vida inteira

Algo sempre estará rompido em quem perdeu alguém

Que representou no mínimo 50% de seu viver

Esquecer ou se lembrar continuamente

São modos similares de ativar novamente a válvula da vida…

Alda M S Santos

Jogo da vida

JOGO DA VIDA

Tal qual bola branca no bilhar

Que sofre o golpe inicial do taco

E lança todas as demais bolas

Num bate e rebate

Num vai e volta frenético

Umas sempre interferindo na trajetória das outras

Rumo à caçapa ou fugindo dela

Por menor que seja o movimento

Cada “tacada” nossa atinge muitas outras vidas

Somos bolas e tacos nessa grande sinuca

Ora tacando, ora sendo tacados

Desviando ou caindo nas caçapas da vida

Não existe movimento “inocente”

Calculado ou não, planejado ou descuidado

Até a inércia é um movimento que afeta todo o jogo…

Alda M S Santos

Baixa imunidade

BAIXA IMUNIDADE

Se a imunidade corporal baixa

Aparecem as doenças oportunistas

Influenza, resfriados, alergias, e as mais variadas infecções

O corpo fica entregue, custa a reagir

Se a imunidade emocional baixa

A autoestima cai, o amor-próprio míngua, a autoconfiança se esvai

A saúde emocional corre risco

A alma fica fragilizada

Surgem os (des)humanos oportunistas

Para o corpo, vitaminas, fortificantes e movimento

Para a alma, carinho, proteção, amizade

E o movimento do amor…

Esses são os remédios para baixa imunidade

Deles não abro mão …

Alda M S Santos

Louca-molhada

LOUCA-MOLHADA

Quero poder caminhar na chuva, me encharcar

Trocar fluidos com ela

Me embriagar, entorpecê-la

Louca?

Louca-varrida, louca-molhada, louca-feliz ou infeliz

Louca-menina, louca-mulher, louca de alma infantil

Simplesmente, louca!

Quero correr debaixo do temporal

Chutar água, abrir os braços, cantar, sorrir, chorar

Afastar todo o mal

Pedir e oferecer o perdão, a gratidão

Que a água leve, que a água traga

A vida que nasce e renasce em cada gota

Quero me inundar

Sem guarda-chuvas, sem proteção

Protegida pela emoção de viver

E de sonhar

E quem sabe num ponto qualquer te encontrar?

Alda M S Santos

Até a vida anoitecer…

ATÉ A VIDA ANOITECER…

Há quem nos sugue

O vigor, a energia, a força

Há quem nos abasteça

De coragem, esperança e fé

Há quem nos dê, há quem nos tire

Há quem nos leve de nós mesmos

Há quem nos ajude a nos encontrar

Há quem fique, há quem se vá

Mas o que quer que façam conosco

Só o fazem com nosso aval

Assim dizem os sábios mais evoluídos

Que se mantêm intactos dentro de si mesmos

Meros mortais seguem a sugar e a abastecer

A serem sugados e abastecidos

Até a vida anoitecer…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA

Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes

Um quarto quentinho, macio e acolhedor

Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo

Uma rede na varanda com uma vista da Serra

Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira

Um gramado para brincar, dançar, se exercitar

Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…

Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia

Mas para um lar todos têm o mesmo desejo

Que seja amoroso, pacífico, harmonioso

E isso independe da casa em que se mora

Depende muito de com quem se mora

E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos

Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado

Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado

Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado

Ao modo como cada pessoa presente ali

Lida com a bagunça que traz dentro de si

E com a bagunça que o outro traz consigo

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Se quebrar…

SE QUEBRAR…

E se quebrar?

Se quebrar, pode até se lamentar

Mas logo pegue, cole, conserte, refaça

Jogue fora o que puder ferir

Substitua o que não servir mais

Recupere o que é essencial

Retire devagar e com carinho o que estiver inteiro

A essência sempre permanece intacta

O dano pode estar apenas na superfície, no invólucro

O conteúdo profundo é blindado pelo amor

Não importa o tempo de existência

Mesmo que pareça quebrado

O que é profundo e verdadeiro atravessa décadas

E permanece guardado misturado às areias do tempo

Protegido nas perfumadas gavetas secretas de nossa alma

Registrado tal qual marca de ferro quente na pele

Quebrou? E daí?

Aproveite a oportunidade para renovar o viver…

Alda M S Santos

Respeitando limites

RESPEITANDO LIMITES

Nem estacionada e nem correndo

Sigo a vida no ritmo que me satisfaz

Com aqueles que mereci para estarem nessa jornada comigo

Junto daqueles que me conquistaram com amor e carinho

Dia e noite, faça chuva ou faça sol

Nas tempestades ou nas bonanças, caminhamos

Se estaciono, enferrujo, atrofio

Se corro, posso me contundir, machucar, ferir

E ser obrigada a parar antes do fim

Quero seguir caminhando, sempre em frente

Mãos dadas, objetivos comuns, almas afins

Respeitando os limites físicos

Mas também os intelectuais, os emocionais

A mente, o coração, a alma também têm ritmo próprio

E cada qual sabe bem aquele que lhe cabe

E faz feliz…

Sigo caminhando…

Alda M S Santos

Mexidos e remexidos

MEXIDOS E REMEXIDOS

Sabe aqueles dias que nos sentimos um suco remexido

Daqueles que estavam “descansados”

Com o conteúdo sólido, denso, depositado no fundo

E o que é leve dando cor, leveza e sabor

Misturado, à mostra ou na superfície, facilitando a vida?

Aí vem algo e balança tudo

E o que “pesa” mistura-se novamente

Como vento que levanta a poeira assentada

Lança as folhas para todos os lados

Derruba galhos, agita lagos, lagoas e mares

Novo trabalho de descanso e repouso é exigido

Para a vida seguir leve, colorida e saborosa

Ainda que o pesado que repousa lá no fundo

Seja aquilo que dá vida e sustentação a todo o resto…

Alda M S Santos

Eu acredito

EU ACREDITO

Eu acredito num amanhã colorido e brilhante

Mesmo que o hoje esteja cinzento e fosco

Eu acredito no poder apaziguador de um sorriso

Mesmo que ele esteja embaçado pelas lágrimas da guerra

Eu acredito na capacidade de aprendizado e renovação

Mesmo que as lições sejam duras e cortem fundo

Eu acredito no milagre curativo de um abraço, de um colo

Mesmo que o individualismo tente se impor como a nova lei

Eu acredito no poder da união, da família, da compaixão

Mesmo que os laços tantas vezes pareçam nós

Eu acredito num mundo novo de amor e paz

Mesmo que ele traga consigo, marcado a ferro, as cicatrizes do sobrevivente

Porque quem sou eu para perder as esperanças

Se somos feitos “a sua imagem e semelhança”

E Ele ainda crê em nós?

“A esperança é o sonho das pessoas acordadas”, disse Aristóteles

E ainda estou acordada

Acredito e sonho…

Alda M S Santos- Serra da Moeda MG

Que haja vida em nós

QUE HAJA VIDA EM NÓS

Tantas vidas valiosas se perdendo todos os dias

Levadas de modos tão estúpidos e cruéis

Nos tiram o chão, o ar, nos deixam à mercê do acaso

Fazem-nos crer que não valemos grande coisa

Que não temos controle de nada

Somos um grão de areia nessa imensa galáxia

Que podemos simplesmente sair para trabalhar e não voltar

Sem sequer poder nos despedir, nos desculpar

Dar um último abraço ou beijo

Ou fazer uma bela declaração de amor

Com palavras, com uma delicadeza, um olhar ou um aceno

Mas será que há mesmo acaso?

Qual nossa responsabilidade sobre nossas vidas

E sobre as vidas dos que nos são caros

Ou que são caros para os outros?

Quero crer que um propósito há nisso tudo

Que ainda podemos seguir, abraçar, amar, viver

Porque no dia em que não acreditarmos mais nisso

A vida já terá se acabado em nós

Com ou sem tragédias

E isso é pior que morrer…

Que a fé e o amor prevaleçam

Que os aprendizados aconteçam

Que as mágoas arrefeçam

E que sempre haja vida em nós para recomeçar

Quantas vezes forem necessárias…

Alda M S Santos

Foto Serra da Moeda – MG

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Somos gratos quando alguém caminha conosco

É bom ter mãos entrelaçadas, desejos comuns

Mesmo que nem sempre o outro esteja todo o tempo conosco

Mas que, de onde estiver, esteja a nos dar a mão

O apoio, a confiança, a proteção

As pegadas podem não estar impressas ao nosso lado

Mas as sentimos marcadas em nós como digitais

Não como fiscais ou cerceadores da liberdade

Mas como segurança, porto seguro, refúgio

É bom poder estar acompanhados nessa marcha

Por alguém que se faça tão presente em nós

Que mesmo quando ali não estiver

Seja notado por todos

Mas, principalmente, sentido por nós

Qualquer caminho torna-se prazeroso

Se temos conosco bons caminhantes…

Alda M S Santos

Quase um século

QUASE UM SÉCULO

Minhas lembranças mais remotas e saudosas

Vêm do cheirinho da casa dela

De sua comida no fogão a lenha

Do quintal gigante e da água do poço

Completa hoje 96 anos a minha avó Dudu

Com uma descendência grande de 44 pessoas

Mas não tão longa quanto suas histórias

E o carinho e amor contido, quase nunca declarado, por cada um dos seus

No interior das Minas Gerais, Guanhães, em especial

Ela cumpre dignamente sua passagem por aqui

Casos a contar, lutas, vitórias, derrotas, sobrevivência

Seis filhos, dezenove netos, dezoito bisnetos, uma tataraneta

Cada qual seguindo seu caminho, sua trajetória

Tão pequenina, miúda, cabeça boa, frágil

Um abraço parece que irá quebrá-la

Frágil? Que nada!

Poucos chegam a quase um século de vida

Tão bem quanto ela

Quem a vê tão magrinha e meio encurvada

Se engana ao pensar que é dependente

Sequer a imagina se virando sozinha com suas necessidades básicas

Se perguntada, diz que não está valendo nada

Que já era e não passa de hoje

Mas não quer seguir ninguém, gosta de seu cantinho

Seu ninho, mesmo fisicamente vazio

Quem a pode criticar?

A vida é assim mesmo: ora carregamos, ora somos carregados

Mas enquanto aguentamos, andamos por nossas próprias pernas

Que Deus dê a ela muita saúde, tranquilidade, resignação

E dignidade para vencer seu caminho junto aos seus

Felicidade, Dindinha! Te amo!

Alda M S Santos

Preste atenção

PRESTE ATENÇÃO

Olhe para o que te falta, busque

Mas veja aquilo que você tem de verdadeiramente seu

Olhe devagar, absorva o positivo, o divino

Preste atenção!

Inspire fundo, sinta o perfume doce da paz

Mesmo que precise inspirar muitas vezes

Sinta-se vivo! Preste atenção!

Olhe no seu entorno

Natureza viva, ar puro, brisa suave, calor humano

Entregue-se! Delicie-se!

Veja quem te estende a mão, quem te cuida

Quem te abraça, te acolhe, te ama

Quem reza por você, pensa em você

Quem sempre te coloca como prioridade

Preste atenção!

Veja com um novo olhar tudo aquilo que está dentro de você

Demore-se um pouco nesse olhar, tenha calma

Preste atenção! Sinta-se!

Ainda que seja apenas você mesmo

Olhe! Veja de verdade! Preste atenção!

E valorize! Valorize-se!

Onde você se encontra, também se encontra Deus

A vida é aquilo que fazemos dela…

Alda M S Santos

Ritmo da vida

RITMO DA VIDA

Havia um burburinho por ali

No entorno ouvia gargalhadas de algumas pessoas

Numa mesa algumas mulheres sorriam contando casos

Na outra um casal se falava com os olhos e as mãos

Um grupo de homens assistia ao futebol num canto

A música que se ouvia vinha de uma pequena banda ao vivo

Um senhor sério conversava com duas mulheres bem mais jovens

Os três pareciam isolados em si mesmos

Garçons e garçonetes frenéticos procuravam atender a todos

Numa mesa, virada para a rua, estava uma mulher olhando a Lua

Bonita, vestida de si mesma, parecia esperar alguém

Olhava o relógio todo o tempo e enxugava os olhos

Chamou o garçom, entregou a ele um guardanapo onde escreveu algo

Ele se encaminhou e entregou a mensagem ao violeiro da banda

Ele ruborizou, saiu de lá, foi até a mulher

E saíram dançando entre as mesas sob aplausos

Um guardanapo caiu no chão

Havia uma marca de beijo de batom, lágrimas e um “vamos dançar”?

Seguiram dançando ao ritmo que a vida impunha

Quantas histórias haviam ali?

A vida é assim, ela impõe o ritmo

Mas somos nós que escolhemos se, como

Quando e com quem dançar…

Alda M S Santos

Deixe-se seduzir

DEIXE-SE SEDUZIR

Ela vem cheia de charme

Luz, brilho, cantos e encantos

Sedutora, tira você para dançar

Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão

Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas

Faz que vai, volta, te abraça

Você a segue no sol ou na chuva

Dia ou noite, cedo ou tarde

Anda sobre águas, mergulha, vai longe

Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo

Mas ela não deixa você se abater

Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia

É soberana, poderosa, instintiva

E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo

Quer venha nua ou coberta de riquezas

Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz

E você se entrega…

Ela é a vida, que nunca desiste de você

Não desista dela

Deixe-se seduzir…

Alda M S Santos

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