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Degustação

DEGUSTAÇÃO

Numa analogia com um grande restaurante

A vida teria uma quantidade diversa de clientes

Glutões, famintos, anoréxicos, bulímicos

Aqueles que comem de tudo sem critério ou medida

Os que não ingerem quase nada por medo de peso extra

Os que engolem de tudo desenfreadamente e logo vomitam, descartam

Aqueles cujo organismo não dá conta de processar muito bem o alimento

Os que querem apenas variedade, sem qualidade

Os que ficam pegando rebarbas dos pratos alheios

Os que preferem somente a degustação, não pagam o preço do “prato”

Passam fome…

E aqueles sábios e experientes que sabem o que querem

Buscam exatamente o que precisam para se alimentar

Não se encantam mais só pela apresentação ou aroma do prato

Buscam prazer e valor nutritivo num prato que seja seu

Que tenham plantado ou pescado

Querem alimento para o corpo e para a alma

Estão sempre bem alimentados

Sabem que degustação por degustação não traz satisfação…

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Se quebrar…

SE QUEBRAR…

E se quebrar?

Se quebrar, pode até se lamentar

Mas logo pegue, cole, conserte, refaça

Jogue fora o que puder ferir

Substitua o que não servir mais

Recupere o que é essencial

Retire devagar e com carinho o que estiver inteiro

A essência sempre permanece intacta

O dano pode estar apenas na superfície, no invólucro

O conteúdo profundo é blindado pelo amor

Não importa o tempo de existência

Mesmo que pareça quebrado

O que é profundo e verdadeiro atravessa décadas

E permanece guardado misturado às areias do tempo

Protegido nas perfumadas gavetas secretas de nossa alma

Registrado tal qual marca de ferro quente na pele

Quebrou? E daí?

Aproveite a oportunidade para renovar o viver…

Alda M S Santos

Next!

NEXT!

A vida, muitas vezes, parece com aqueles cadastros online

Onde há lacunas obrigatórias a serem preenchidas

Não adianta ignorar, fingir que não viu

Recusar-se a cumprir a tarefa

Não há como prosseguir!

Sempre aparecerão os erros que impedem “a próxima página”

Ou os resolvemos, ou empacamos ali

São “problemas” cuja solução são a senha para o próximo passo

São erros(!) cujo alerta sinaliza que há algo impedindo a passagem

Que é preciso voltar atrás, corrigir, consertar, preencher

Ou, simplesmente, ficar ali estacionado

Não é vergonha pedir ajuda

Há erros e lacunas que não resolvemos sozinhos

Vergonha é repetir o mesmo erro até ser bloqueado

Next! Em frente! Enfrente!

Alda M S Santos

Que haja vida em nós

QUE HAJA VIDA EM NÓS

Tantas vidas valiosas se perdendo todos os dias

Levadas de modos tão estúpidos e cruéis

Nos tiram o chão, o ar, nos deixam à mercê do acaso

Fazem-nos crer que não valemos grande coisa

Que não temos controle de nada

Somos um grão de areia nessa imensa galáxia

Que podemos simplesmente sair para trabalhar e não voltar

Sem sequer poder nos despedir, nos desculpar

Dar um último abraço ou beijo

Ou fazer uma bela declaração de amor

Com palavras, com uma delicadeza, um olhar ou um aceno

Mas será que há mesmo acaso?

Qual nossa responsabilidade sobre nossas vidas

E sobre as vidas dos que nos são caros

Ou que são caros para os outros?

Quero crer que um propósito há nisso tudo

Que ainda podemos seguir, abraçar, amar, viver

Porque no dia em que não acreditarmos mais nisso

A vida já terá se acabado em nós

Com ou sem tragédias

E isso é pior que morrer…

Que a fé e o amor prevaleçam

Que os aprendizados aconteçam

Que as mágoas arrefeçam

E que sempre haja vida em nós para recomeçar

Quantas vezes forem necessárias…

Alda M S Santos

Foto Serra da Moeda – MG

Ritmo da vida

RITMO DA VIDA

Havia um burburinho por ali

No entorno ouvia gargalhadas de algumas pessoas

Numa mesa algumas mulheres sorriam contando casos

Na outra um casal se falava com os olhos e as mãos

Um grupo de homens assistia ao futebol num canto

A música que se ouvia vinha de uma pequena banda ao vivo

Um senhor sério conversava com duas mulheres bem mais jovens

Os três pareciam isolados em si mesmos

Garçons e garçonetes frenéticos procuravam atender a todos

Numa mesa, virada para a rua, estava uma mulher olhando a Lua

Bonita, vestida de si mesma, parecia esperar alguém

Olhava o relógio todo o tempo e enxugava os olhos

Chamou o garçom, entregou a ele um guardanapo onde escreveu algo

Ele se encaminhou e entregou a mensagem ao violeiro da banda

Ele ruborizou, saiu de lá, foi até a mulher

E saíram dançando entre as mesas sob aplausos

Um guardanapo caiu no chão

Havia uma marca de beijo de batom, lágrimas e um “vamos dançar”?

Seguiram dançando ao ritmo que a vida impunha

Quantas histórias haviam ali?

A vida é assim, ela impõe o ritmo

Mas somos nós que escolhemos se, como

Quando e com quem dançar…

Alda M S Santos

Deixe-se seduzir

DEIXE-SE SEDUZIR

Ela vem cheia de charme

Luz, brilho, cantos e encantos

Sedutora, tira você para dançar

Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão

Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas

Faz que vai, volta, te abraça

Você a segue no sol ou na chuva

Dia ou noite, cedo ou tarde

Anda sobre águas, mergulha, vai longe

Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo

Mas ela não deixa você se abater

Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia

É soberana, poderosa, instintiva

E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo

Quer venha nua ou coberta de riquezas

Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz

E você se entrega…

Ela é a vida, que nunca desiste de você

Não desista dela

Deixe-se seduzir…

Alda M S Santos

Porteira fechada

PORTEIRA FECHADA

A vida nos é dada de porteira fechada

Como propriedades negociadas com tudo que carregam porteira para dentro

Recebemos ao nascer um pacote pronto, sem escolhas

Mas não precisa ser assim para sempre

Aos poucos vamos “negociando” o que ela nos deu

Fazendo trocas, descartes, novas aquisições

Vamos fazendo valer nossas escolhas, desejos

Descobrindo o que nossa “terra” produz melhor

Ou aquilo que ela não é boa em cultivar

Adubando o que cresce, enriquece, matando pragas

E dando a essa “propriedade” chamada vida

Que é só nossa, querendo ou não

A nossa cara, nossas características

Tudo que temos ou somos é resultado de nosso trabalho

Na propriedade que recebemos a princípio

Há alguns anos ou décadas…

A porteira veio fechada

Abri-la e fazê-la crescer cabe a cada um de nós…

Alda M S Santos

Perdendo vida

PERDENDO VIDA

Perder documentos, óculos, carteira, chaves

Num bolso, na bolsa, no transporte público ou na rua

Talvez se recupere, talvez não

E a vida continua…

Mas perder ideias, sonhos, ideais, pessoas, sentimentos

Escondidos num coração ou numa alma

Que não se mostra para o mundo

Que teme a dor, a rejeição, o sofrimento

É muito mais danoso, é perder o rumo, é perder vida

E talvez de modo irreversível

Todo cuidado é pouco com o que deixamos se perder de nós por aí …

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudar causa medo, insegurança

Expectativa, dores, desalento, esperança…

Mas não mudar pode ser muito pior

Quando tudo a nossa volta muda

Permanecer estático e agarrado ao passado

É deixar a derrota chegar sem lutar

Ninguém vive totalmente no presente

Dizem que vivemos 40% apenas no presente

O restante ficamos entre a saudade do passado e expectativas do futuro

E buscar esse equilíbrio é que é saudável

Mas nem sempre é fácil

Uns crescem, se vão, se viram sozinhos

Outros não mais precisam de nós ou nunca precisaram

Precisamos reaprender a viver dia a dia

A lidar com (des)amor,(in)gratidão, (in)felicidade

Concentrando um pouco mais em nós mesmos

Pois até pra seguir em frente e ajudar

Precisamos estar bem…

Alda M S Santos

Isso é se eternizar…

ISSO É SE ETERNIZAR…

Pode ser que um dia nosso nome esteja gravado por aí

Pode ser que esteja escrito noutros lugares

Além da pedra de nossa lápide

Pode estar gravado nos documentos de filhos e netos

Nas escrituras de imóveis, nos registros de bens diversos

Pode estar gravado em letras garrafais e douradas

Dando nome a uma empresa importante

Ou a uma rua, escola, viaduto ou teatro

Pode estar impresso nos diários da vida de alguém

Na capa de um livro, na porta de uma sala ou consultório

Mas se não estiver gravado feito tatuagem nos corações daqueles que ficaram

Que fizeram parte de nossas vidas

Que amamos, que nos amaram

Marcado como digital firmada dia a dia nas delicadezas

Nenhuma gravação em letras douradas terá valia

E nossa passagem por aqui estará apagada para sempre

Pode ser que eu esteja gravada em vocês

Com as letras suaves da doçura e do amor

E vocês certamente estarão gravados em mim

E seremos eternos a cada vez que a lembrança de nosso nome

De nosso sorriso, abraço ou carinho

Fizer pulsar mais forte um coração

Isso é se eternizar…

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

A alma chora e agradece

A ALMA CHORA E AGRADECE

Fadigado o corpo luta para sobreviver à lama

Esgotada a alma chora

Chora por aqueles que se foram

Chora pelo descaso, pela insignificância da vida

Chora por si mesma…

Ao redor tudo é destruição

Quanto ouro vale uma vida?

Mais especificamente, quantas vidas são necessárias

Para pagar pela mineração?

Fundão, Feijão, decepção, repetição

Não foi aprendida a lição?

E a alma estremece, quase desiste, chora

E se entrega, agradecida, nos braços daquele que a acolhe

Uma alma que entende outra alma

Corações em sintonia, dor, alegria

E a alma chora, agradece…

Alda M S Santos

Construindo história

CONSTRUINDO HISTÓRIA

Tudo tem história, tudo produz história

Algumas admiradas, escritas, lidas por todos

Retratam crescimento, luta, coragem, sobrevivência

Vontade de reviver, sentir os mesmos aromas, ouvir os mesmos sons

Outras que nos envergonham, nos fazem querer pedir perdão

Apagar, deletar da memória, dos registros oficiais ou não

Voltar lá atrás e consertar um momento, uma página, um capítulo

Que poderia ter produzido vidas diferentes a muitas pessoas

Uma humanidade menos desumana

Aí percebemos que a história já construída não permite muito

À história passada só nos cabe isso: aprender com ela

Quer tenha sido boa ou não, deixado saudades ou decepção

Possibilita apenas muito aprendizado para a história que será lida ou admirada amanhã

Aquelas que hoje escrevemos

Que ainda estão em processo de construção dentro da gente

Somos como uma cidade histórica

Carregamos em nós um passado bonito e de lutas

Mas a cidade não para, assim como nós

E não serve apenas para admiração

A história continua…que valha a pena ser lida!

Alda M S Santos

Quero a verdade

QUERO A VERDADE

Quero toda e qualquer verdade

Aquela que é escondida atrás de um sorriso

Ou disfarçada num olhar fosco e vago

Quero a verdade que tentamos deletar da memória

Que possa magoar ou nos ferir fundo

Vinda num silêncio tenso ou num grito angustiado

Quero a verdade doce que traz alegrias ou esperanças

Capaz de curar qualquer dor

Quero a verdade amenizada nos eufemismos

Ou revestida e clareada nas metáforas

Quero a verdade que ficou perdida nos buracos do caminho

Aquela que foi acovardada nos medos e decepções

Quero a verdade que nos move, que dá o brilho ao olhar

Aquela que nos impulsiona sempre para frente

A despeito de qualquer entrave, obstáculo ou subterfúgio

Quero a verdade mesmo que cause vergonha, traumas ou culpas

Aquela que soterramos nos escombros de nós mesmos

Quero a verdade sempre, ofereço a verdade sempre

Mesmo que ela termine com um “perdoe-me”, “te amo”, “tenho orgulho de você”

A verdade deve ser sempre a liga de todo tipo de relação saudável

De amizade, de trabalho, de amor

Quero a verdade sempre!

Alda M S Santos

Lavando a alma

LAVANDO A ALMA

No Sol que irradia e aquece a pele

Nas pedras que massageiam e acariciam os pés

Na água da cachoeira que refresca e limpa corpo e mente

Na chuva que inunda e fecunda ideias

Na Lua que cresce, diminui, some e volta, nunca desiste

Nas estrelas que brilham na escuridão do firmamento

No som do silêncio que desperta saudades

No carinho e cuidado daqueles que me cercam

Que precisam de mim, que deles necessito

Em tudo lavo minha alma, pouco a pouco

Pois a alma precisa de um sabonete especial chamado amor

E ele só encontramos naquilo que Ele criou…

Lavando minha alma sigo buscando a paz…

Alda M S Santos

Meu tempo

MEU TEMPO

Meu tempo já não é mais o mesmo

Menos ansiedade ou afobação

Um leque maior de opções, sem tanta obrigação

Correria só por lazer ou diversão

O número de coisas a adquirir importa cada vez menos

É preferível despertar emoções saudáveis e bons sentimentos

Já aceito melhor a qualidade em detrimento da quantidade

Aprecio novos lugares, mas sei bem que “com quem” vale mais do que “onde”

Já não tenho tempo a perder remoendo raivas, ciúmes

Sofrendo culpas, me martirizando pelo que não tenho controle

Sei que dar soco em ponta de faca só fere a mim mesma

Prefiro me encontrar nos sorrisos, nos abraços

No carinho sincero, no amor declarado mesmo no silêncio

Assumo o produto de minhas escolhas, erros e acertos

Para o bem ou para o mal

Aceito melhor os tempos das outras pessoas diferentes de mim

Valorizo o amor que se apresenta

Não cobro, não peço, não imploro nada

Doar o que temos é o melhor modo de conquistar o que precisamos

Estou aprendendo que nadar contra a corrente suga a energia

Mas não é pior que seguir um curso indesejado e indefinido

Que quase sempre não leva a lugar algum …

Meu tempo não é mais o mesmo

Mas ainda estou aprendendo a lidar com ele

Qualquer hora dessas eu consigo

E atinjo todas essas metas!

Alda M S Santos

Minha idade não permite

MINHA IDADE NÃO PERMITE

A única coisa que a idade não permite

Seja ela pouca ou muita, iniciando ou já avançada

Masculina ou feminina, é a infelicidade

Se a felicidade pede, não é a idade que deverá impedir

Se a felicidade pede, não é o olhar maldoso do outro que irá impedir

Se a felicidade pede e não fere a consciência

Se a felicidade pede e não está retirando nada de ninguém

Se a felicidade pede e não põe em risco a felicidade do outro

Não é a idade que poderá impedir

Corpo e mente devem estar em uníssono, em sintonia

Para ouvir o que a alma precisa realmente para ser feliz

E não abrir mão da felicidade por preconceitos próprios ou alheios

A idade, seja ela qual for, não só permite

A idade pede, exige que façamos o que nos faz bem

A idade apenas nos mostra que o tempo tá passando veloz

E cabe a nós fazê-lo correr o mais prazerosamente possível

Para nós e para os outros

Enquanto há vida…

Minha idade não me permite ser infeliz!

Alda M S Santos

Sabedoria da areia

SABEDORIA DA AREIA

Viver a sabedoria da areia

Absorver o que é bom, que cabe em si

Deixar de fora, na superfície, o que não dilui, não flui

Aceitar sobre si diferentes tipos de vida

Ser apoio, refrescância, acolhimento, calor

Viver a sabedoria da areia

Deixar-se moldar pelas ondas

Parecer desabar, desfazer-se e persistir

Na certeza de que nada é eterno

Nem a tormenta, nem a calmaria…

Alda M S Santos

As tochas estão acesas

AS TOCHAS ESTÃO ACESAS

“Bruxas” expulsas de algum “paraíso”

Julgadas e condenadas à fogueira

Onde ardiam a queimar o ”mal”

Junto dos livros subversivos, e todo seu material

Conhecimento sempre foi problema

Para quem, sem argumentos, precisa de fantoches

É mais fácil dobrar um povo alienado

Que aceite se curvar, ser manipulado

Proíbem uma fala, um jeito de ser, uma expressão

Logo será um livro, um jeito de trabalhar, uma profissão

Quando assustarmos já estará acesa a “fogueira”

Na qual arderão os conhecimentos das “bruxas” de plantão

As tochas estão acesas…

Alda M S Santos

Ao sabor do vento

AO SABOR DO VENTO

Um barco, uma âncora, uma bandeira a balançar

Seus olhos observam, sua alma voa

Ao sabor do vento navegam no oceano

Leva para lá e traz de volta para cá

E nesse constante remexer, nessa brisa refrescante

Ora é paz, calmaria, ora é tempestade, inconstância

Tenta encontrar seu lugar, se encaixar

Ser barco, ser âncora, ser vento, ser pouso…

Joga água salgada no rosto, aquece-se ao sol

Tenta lavar e aquecer também a alma

E o barco balança, a âncora repousa

O porto está longe e a bandeira balança ao sabor do vento

Fecha os olhos e, como ela, solta-se, entrega-se, deixa-se levar…

Alda M S Santos

Gosto de gente

GOSTO DE GENTE

Gosto de gente

De barulho de gente silenciosa

De silêncio de gente barulhenta

De ter gente por perto

Ainda que não interaja com elas

Gosto de observar, de aprender com o que vejo

Gente me inspira, me faz refletir, me atrai

Gosto de gente que acerta, que erra

Sobretudo que aprende com os erros, que se desculpa

Gosto de gente malucona, fora dos padrões

Gosto de conversar com gente de verdade

Gente que é real, instável ou insegura

Gente imperfeita como eu, meio fora de órbita

Mas conectada em outras “gentes”

Gosto de imaginar uma história para cada um que vejo

Tenho até vontade de confrontar dados

Ou seja, gosto de gente que não se envergonha de ser gente

Gosto de gente que se comunica com o olhar

Gosto de imaginar o que o olhar diz

Gosto de gente que não passa por cima de gente em hipótese alguma

Gosto de gente que respeita gente, que dá as mãos

Gosto de um pouco de solidão também

De caminhar sozinha à beira-mar ou no meio do mato

E ruminar tudo que vejo e sinto

Assim fica mais fácil lidar com gente que mora dentro da gente

Inclusive as muitas de nós…

Gosto de gente!

Alda M S Santos

Precisamos nos armar de amor

PRECISAMOS NOS ARMAR DE AMOR

Já estamos armados!

Fomos aos poucos sendo armados com a navalha da intolerância

Temos posse do sentimento de superioridade de todo tipo

Portamos conosco o veneno social e fatal do preconceito

Carregamos no bolso sem trancas ou cuidados a revolta e angústia contra males sofridos

Nossa aptidão para uso e manuseio está determinada pela pontaria

Exames psicológicos atestam nossa normalidade e direito à “defesa”

Tudo isso junto torna as armas de fogo apenas detalhes letais

Facas, espadas, revólveres e quaisquer outras armas

São apenas instrumentos do motor da intolerância que já trazemos licenciados em nós

Tendo esse motor uma pedra, um pau, uma garrafa

Até mesmo nosso corpo são armas letais

Com o motor do preconceito e da superioridade liberados

A diferença entre a posse e o porte de armas é circunstancial

Fica a cargo da raiva ou humor que você carrega no momento

De quem tiver atravessado seu caminho

Em casa, no trânsito, no trabalho, nas relações “amorosas” ou sociais

Já estamos armados!

Se quisermos mudar algo precisamos nos armar de amor…

Alda M S Santos

Fronteiras

FRONTEIRAS

Do lado de lá ou do lado de cá

Uma linha invisível a separar

Fronteiras a nos impor limites

A nos deixar de lados diferentes do front

Tal qual a linha no horizonte

A dividir o que é céu e o que é mar

Do lado de lá ou do lado de cá

Aquele traço suave quase apagado a separar

O amarelo fosco do entardecer e o cinza chumbo do anoitecer

As águas doces de um rio que se encontram com o sal do mar

A terra seca da chuva prata que a inunda

Do lado de lá ou do lado de cá

Nem sempre enxergamos a linha tênue a separar

O que é efêmero do que é eterno

O que é certo do que parece certo

O que é bom do que é ruim

O que é verdade ou o que é saudade

O que é nosso do que pensamos que fosse

O que é amor do que são só palavras

Do lado de lá ou do lado de cá

A fronteira a dividir esse front

Não é enxergada nem na luz nem na escuridão

Mas é sentida a cada passo

Em cada grito ou silêncio de dor ou alegria

Em cada pegada deixada nas areias dessa estrada chamada vida…

Alda M S Santos

Meu barquinho

MEU BARQUINHO

Bom mesmo é navegar

Com a força dos braços nos remos

Com as velas empurradas pelos ventos

Ou motores fortes a rasgar as águas

O que vale é navegar…

Desbravar nossos mares escuros

Irrigar nossa esperança de novas descobertas

Cuidando para evitar naufrágios

E, se acontecer, saber sobreviver, resistir e seguir

O que vale é navegar

Mas encontrar um porto seguro para descansar

Repor as energias e agradecer

É tão importante quanto…

Sigo navegando e atracando

Com meu pequeno barquinho

Ora sendo apoio, ora buscando apoio…

O que vale é seguir o curso…

Alda M S Santos

Aparências, nada mais…

APARÊNCIAS, NADA MAIS…

Não é porque parece sujo que não limpa

Ou limpo que não esteja sujo

Não é porque sorri que esteja sempre feliz

Ou chorando que seja um infeliz

Não é porque está vestido que tem pudores

Ou nu que seja despudorado

Não é porque seja tão belo e brilhante por fora

Que também o seja por dentro, lá pode estar fosco

Não é porque grite que tenha muito a dizer

Ou silencie que não esteja sufocando algo

Não é porque caminhe por caminhos diferentes

Que tenha mudado a rota original da própria vida

Não é porque desanime ou tantas vezes queira desistir

Que não seja grato ao amor e à vida…

Aparências, nada mais…

Apenas um bom olhar percebe o que vai dentro

Além da superfície!

Alda M S Santos

Esperas

ESPERAS

Vida de esperas incessantes

Esperamos por algo, por um lugar, por alguém

As horas e minutos contados vão se esgotando

Os sonhos se realizando, outros sendo minados

Vida de esperas boas ou vãs

Vida de esperas incessantes…

Esperas por um momento, que dura poucos minutos

Que valem todo o existir

Vida de esperas incessantes…

Mal uma se realiza, outra já toma seu lugar

São motivadoras, motores do existir

Quanto mais depender de nós mesmos

Mais felizes e realizados seremos

Vida de esperas incessantes

Esperando…

Enquanto isso, vivendo…

Alda M S Santos

Misturados

MISTURADOS

A capacidade de misturar

Pernas, pés, braços, corpos, ideias, corações

E manter-se individual, separado

A habilidade de caminhar junto

Ainda que por caminhos diferentes

E se encontrar no mesmo ponto

O jeitinho especial de ser duo

Sem perder a unidade

A perícia de estar dentro, mesmo estando longe

O prazer de voar juntos

Cada qual com suas asas

A satisfação de escolher a quais elos quer estar atado

Sem perder os próprios movimentos

Sem mudar a própria essência, sem ferir a alma

Potencializando a habilidade e a coragem de voar

Preservando a liberdade de viver e amar…

Alda M S Santos

Verão

VERÃO

Verão que tudo é luz, é calor

Energia que emana do interior

Do ar, da terra, do alto, do ser…

Verão que não é uma simples estação a viver

É rosa desabrochada, perfume, encanto, diversão

É amor em cores, multicores, alegria, brilho em profusão

É inspiração que instiga a alma, o coração

É o produto do longo hibernar do inverno, é emoção

É leveza, é brisa, é descanso, é preguiça, é união

Verão é viagem além-mar, logo ali

Ou mesmo na imaginação

Verão é só riso, sorriso, é gratidão!

Alda M S Santos

Abalando muralhas

ABALANDO MURALHAS

Aquelas tempestades que vêm e derrubam tudo

As que todos tememos e olhamos com desconfiança

Enxergando nelas apenas destruição e tragédias

Podem ser exatamente o que precisamos para recomeçar

Há muros que construímos ao redor de nós

Realidades que carregamos como verdades absolutas

Construídas sobre rochas aparentemente fortes

Que só uma boa tempestade para abalar suas estruturas

Mostrar sua real fragilidade e inconsequência

E nos permitir reconstruir, recomeçar

Mas há algumas construções que nenhuma tempestade derruba

São verdadeiras, reais, fortes, divinas

Construídas sobre a rocha do amor…

Muitas muralhas algumas tempestades conseguem derrubar e permitem reconstrução

Outras, é preciso cuidado, só com amor é possível derrubar

Pois carregam consigo estruturas que nos sustentam por inteiro

E que precisam ser resguardadas

Pois são impossíveis de serem reconstruídas…

Alda M S Santos

Teias sociais e familiares

TEIAS SOCIAIS E FAMILIARES

Tecemos nossas relações familiares e sociais

Como uma grande teia, um emaranhado no qual transitamos bem

Conhecemos os cantos e recantos, os nós, os laços, os embaraços

As linhas paralelas, aquelas que nunca se cruzam

As vias mais frágeis, as mais resistentes

Mas, como numa teia, qualquer anormalidade

Um inseto distraído, intruso que chega movimenta toda a sua estrutura

A aranha tem trabalho para proteger seu espaço de invasores

Tecer novamente o que foi danificado

Temos trabalho para reconstruir nossas relações social e familiar

Quando elas sofrem qualquer dano ou perda: interna ou externa

Mas só nós podemos fazê-lo

Fomos nós que, como aranhas, as construímos

Nós, como aranhas, conhecemos cada ponto como ninguém

E logo nova teia estará pronta

Mais forte e ainda mais resistente!

Alda M S Santos

Nadando em águas profundas

NADANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

O que leva um exímio nadador a se afogar

Não é a inabilidade, imperícia ou falta de treino

O que leva alguém a se afogar é a escassez ou o excesso de confiança em si mesmo

É a inércia perante as águas bravias que causa pavor

Falta-lhe a tranquilidade para lembrar o que possui

Tentar relaxar, mover-se ritmadamente e respirar devagar

Ou é o excesso de confiança que o faz se aventurar onde é perigoso e não mais conseguir voltar…

Quando nos afogamos mergulhados em problemas e tristezas

Advindos de mares profundos nos quais mergulhamos

Levados pelas circunstâncias ou por vontade própria

Quase sempre são por esses dois motivos:

Excesso ou falta de autoconfiança e coragem

Ambos podem ser danosos para o nadador e para quem tentar salvá-lo…

Que nossas águas sejam claras, que saibamos mergulhar e nadar bem…

Alda M S Santos

Retrospectiva

RETROSPECTIVA

Em retrospectiva analiso os últimos 365 dias

O que se destacou nesse ano que merece ser relembrado

As alegrias vividas, os sofrimentos superados

Outros jogados para um cantinho escuro

A força que surgiu de onde parecia ser só fragilidade

Os sorrisos que brotaram em meio a decepções

As lágrimas, os apertos e medos, mudanças e renovações

Quantas vezes fui salva do mal ou da morte sem saber

Quantas outras fui salva da vida por escolher

A quantos pude salvar, levar amor, compaixão

Ou apenas um pouco de alegria, um pedaço de pão

O quanto pude construir para mim, para os outros

Causei algum mal, destruí algo, derrubei muros, construí pontes?

Como água, soube desviar de obstáculos ou entrei onde não devia?

A bagagem que hoje carrego pesa mais que antes

Ou tem mais levezas, menos traumas ou culpas?

Uma coisa é certa: não desisti

Que posso levar para o próximo ano?

Quem estará comigo?

Independente de quem ou do que estiver comigo

Sei que Ele estará, não me desampara nunca

Nele está minha gratidão, minha fé, minha coragem

Que venha 2019!

Que seja feliz para todos nós!

Alda M S Santos

Fechado para balanço

FECHADO PARA BALANÇO

Tempo de balanço, de averiguar saldos

Entradas e saídas, déficits e superávits

Faturamento, prejuízos, reposições e trocas

Todo bom negócio realiza para equilibrar a balança comercial

Todo bom ser humano precisa para equilíbrio da balança emocional

Tempo de levantamento de dados na mente

Os excessos ou faltas que causaram curtos-circuitos

Hora de sondar o coração

Aquelas batidas aceleradas ou quase paradas

Verificar o que gerou ganho para a alma

Remanejar o que não possibilitou crescimento

Manter e aumentar o estoque do que fez bem

Descartar só em último caso

Pois tudo que fez parte de nós sempre há como reaproveitar

E portas abertas novamente

Seguindo corajosamente no sinal verde,

Brecando sabiamente no vermelho

E muita, muita atenção ao amarelo

A vida que está em nós precisa girar…

O amor precisa fluir, sem destruir …

Alda M S Santos

É possível?

É POSSÍVEL?

Para mudar algo, fazer diferente

Alcançar objetivos, bater metas

Melhorar, crescer, evoluir

Vencer, não ao outro, mas nossas próprias batalhas

Transformar divergências em convergências

Alguns princípios básicos devem ser obedecidos

Novas estratégias se impõem:

Aumentamos a intensidade da luta

Mudamos as armas ou as táticas

Ou trocamos os objetivos…

Só assim é possível um resultado diferente

Em qualquer esfera da vida

Que a sabedoria e o amor estejam presentes…

Alda M S Santos

Somos presente!

SOMOS PRESENTE!

O passado não muda, não volta

Todos sabemos!

Independente se foi florido ou esburacado

Se fomos felizes ou nem tanto

Se queremos esquecer ou voltar, reviver

Tanto faz! Ficou lá atrás!

Mas o modo de olhar para ele

Aquilo que ele deixou em nós, reciclado

A maneira que interfere no hoje

O jeito de nos mover ou de nos paralisar

As expectativas frustradas ou não que cria para o futuro

A maneira que o trabalhamos em nós faz toda diferença

No presente que abrimos todas as manhãs

No futuro que vislumbramos e aguardamos em expectativa a cada anoitecer

Nosso presente fica melhor e nosso futuro mais interessante

Quando fazemos as pazes com nosso passado

Não o esquecemos, não o ignoramos

Aprendemos com ele e somos gratos àquilo que nos tornou

Mas o deixamos onde deve ficar: guardado lá atrás

Somos presente!

Há sempre barcos indo, barcos chegando

Barco não nasceu para ficar atracado no porto.

Alda M S Santos

Cargas extras

CARGAS EXTRAS

Carrego comigo muitas coisas, bagageiro cheio

Ora leves e bonitas como borboletas no jardim, difíceis de seguir

Ora pesadas e dolorosas como pesadelos quase “subterrâneos”, difíceis de escapar

Carrego comigo muitas coisas

Uma vontade de sempre sorrir, ser e fazer feliz

Também, às vezes, um desejo de me recolher, acalmar e nada fazer, aguardar

Carrego comigo muitas coisas

Um desejo de me banhar nas águas que brotam de fontes inesgotáveis de ânimo e fé

Ou de me deixar ficar nas emoções áridas quando a fonte seca

Carrego comigo muitas coisas

Alegrias e esperança com o realizado e o porvir

Tristeza, mágoa e decepção com investimentos vãos

Carrego comigo muitas coisas

A satisfação e orgulho com bênçãos buscadas e alcançadas

A culpa, desculpa e trauma por erros e falsas expectativas

Carrego comigo muitas coisas

A incansável responsabilidade de buscar a felicidade a todo custo

E a constante necessidade de cuidar da felicidade dos outros, daqueles que me são caros

Entre cargas ora leves, ora pesadas

Embarco nessa viagem com bagagem extra

Procurando não sofrer muito quando alguma precisar ficar para trás…

Alda M S Santos

Sozinhos

SOZINHOS

Medo inexplicável e insondável todos temos da solidão

Já que em momentos cruciais do existir estamos sós

Viemos para esse mundo, abrimos os olhos, vemos a luz, choramos …

Por mais gente que esteja ao nosso redor nesse momento

Chegamos sós…

E passamos a vida em busca de companhia, de afinidades

De um modo de afastar a solidão…

Será que temos a consciência que o momento da solidão voltará

Que será difícil, doloroso?

E que ter alguém ao longo do caminho poderia amenizar isso?

Na hora de partir, de voltar para o lugar de onde viemos

No momento em que fecharemos os olhos para esse mundo

Teremos apenas a solidão de companheira, iremos sós

Voltaremos também sozinhos

Para um lugar que mesmo imaginado, até sonhado

É, ainda assim, desconhecido…

Quanto mais amigos ficarmos dessa companheira, a solidão

Menos sozinhos estaremos…

Ser amigo da solidão, é não perder-se de si mesmo…

Alda M S Santos

Defeitos

DEFEITOS

Aqueles dias que só conseguimos enxergar nossos defeitos

Sequer temos vontade de sair do quarto

Cabelos rebeldes, rugas, dores aqui e ali

Olhos úmidos, ausência de brilho no sorriso

O espelho diz verdades desagradáveis…

Uma avaliação mais profunda mostra sensações ruins

Tristeza com ingratidões, ciúmes, mágoas, desesperança

Saudades de tempos idos, de tempos não vindos

Melhor voltar para a cama e cobrir-se toda

Na expectativa de esconder o que dói

Dormir, talvez sonhar com um “amanhecer” melhor

Buscar lá dentro, bem lá no fundo

O equilíbrio da balança entre qualidades e defeitos

Aquela coragem que sempre faz tudo seguir, sempre em frente

A autoestima necessária para nos tornar melhor para os outros

Mas, especialmente, para nos fazer melhor para nós mesmos

Uma atitude de bondade e compaixão deve começar pelo mais próximo:

Nós mesmos!

Alda M S Santos

Trocas imperceptíveis

TROCAS IMPERCEPTÍVEIS

Tantas trocas quase imperceptíveis

Gentilezas por sorrisos, grosserias por afastamento

Doação por gratidão, negligência por saturação

Respeito por admiração, superioridade por antipatia

Sinceridade por empatia, abraços por beijos, doces por queijos

Interesse por aproximação, desrespeito por violência, mentira por desconfiança

Atenção por carinho, ingratidão por inimizades

Descuidos por tanto faz…

A vida nos devolve aquilo que oferecemos

Muitas vezes sequer percebemos

Atraímos o que emitimos

A reciprocidade advém da sintonia de pensamentos e ações

Sintonia é coisa de alma…

Alda M S Santos

Seja ímpar!

SEJA ÍMPAR!

Seja maluco, louco

Mas daqueles que encontram alegria na própria insanidade

Seja saudável, cuide de si

Mas ajude a cuidar dos outros

Seja sincero, seja honesto

Mas nunca use isso como desculpa para grosserias

Seja curioso, interessado, gentil

Mas cuidado ao se intrometer na vida de alguém

Seja infantil, seja criança, volte a ser pequeno

Mas seja grande na pureza e inocência

Seja intenso, alegre ou triste

Mas seja profundo, não aceite superficialidade no que é essencial

Seja contido, introspectivo

Mas não deixe de transmitir o que pensa ou sente

Seja luz, seja brilho, seja cor

Mas respeite quando tudo for sombra

Seja romântico, seja até mesmo piegas

Mas não seja frio ou indiferente

Seja original, seja único, seja ímpar

Mas respeite o modo ímpar de ser dos outros

Seja a esperança de um mundo melhor que começa em você!

Alda M S Santos

Amor desperdiçado?

AMOR DESPERDIÇADO?

“Tanto amei a quem não foi digno de amor”

“Tanto fiz e me dediquei a quem não valia tal grandeza”

“Joguei pérolas aos porcos”

Quantas vezes nos sentimos assim?

Lamentamos o amor, a amizade, o carinho doado

A quem não soube aproveitar

A quem fez pouco caso do recebido

A quem não valorizou atitudes de desprendimento ou sacrifício

A quem não foi leal à entrega e bondade

A quem traiu nossa confiança e dedicação

Será que realmente perdemos por doar?

Olhemos para Ele!

Será que se arrepende de tanto amor doado a quem não fez por merecer?

Temos sido dignos de tamanha grandeza e pureza de amor?

Quem somos nós para reclamar amor doado, não valorizado?

Uma coisa é certa: quem doa amor nunca perde

Nunca!

Quem não sabe receber tem muito a aprender…

Alda M S Santos

Nos lugares errados

NOS LUGARES ERRADOS

Muitas vezes encontramos entre os loucos mais saúde mental e alegria

Que entre os tidos como normais, sem qualquer anomalia

Muitas vezes notamos mais carinho num abraço entre amigos saudosos

Que entre irmãos de sangue e familiares, tantas vezes maldosos

Muitas vezes há mais amor e cuidado na distância

Que entre aqueles que caminham lado a lado sem se dar importância

Muitas vezes há mais vida num leito hospitalar

Que entre aqueles que a desperdiçam entre brigas e lamúrias no lar

Muitas vezes há mais sinceridade num sorriso doloroso que acolhe

Que numa lágrima que se pretende solidária, mas se recolhe

Muitas vezes nota-se mais a presença de Deus entre pagãos e ateus a trabalhar

Que entre religiosos de joelhos diante de um altar

Muitas vezes há mais paz num grito de liberdade para o mundo

Que num silêncio que fere a alma, corta fundo

As coisas estão mesmo nos lugares errados

Ou somos nós que não sabemos procurar?

Alda M S Santos

Qual seu oásis?

QUAL SEU OÁSIS?

Qual seu oásis?

Aquele repouso tão sonhado e desejado

Pós longas caminhadas sedentas no deserto?

Qual seu oásis?

Pós lábios ressequidos, pele castigada pelo sol escaldante

Tempestades de areia furiosas maltratando os olhos

Qual seu oásis?

Pós calor intenso do dia a derreter seus miolos

O frio noturno a quase roubar sua sanidade?

Qual seu oásis?

Pós solidão, abandono, sensação de estar perdido, sem rumo?

Qual seu oásis?

Aquele que reduz seu cansaço com um olhar

Que molha seus lábios num beijo

Devolve a sanidade, a sensação de fazer parte num abraço

Lembra que você é importante, que não está só

Irriga sua alma de alegria, esperança, mesmo que temporária?

Qual seu oásis?

Todo deserto precisa de oásis

Toda vida carece de refrigérios…

Qual seu refrigério?

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Super-heróis

SUPER-HERÓIS

Um é de aranha, outro é de ferro

A questão é ser herói, super-herói

Uma pantera negra, um humano que se agiganta e se transmuta de raiva…

Um modo de se achar pouco, menos

Ou, ao contrário, perceber-se capaz de ser mais?

Fuga, covardia, alienação ou coragem?

Covardia por imaginar um mundo em que apenas heróis teriam vez

Ou coragem por colocar ali suas angústias, limitações e sonhos?

Entre fantasia e realidade, em quartetos ou duetos, viveu 95 anos

E fez menos amarga, mais feliz, a vida de muitos admiradores e fãs

Quem nunca sonhou em ser um super-herói

Ou ser salvo por um?

Quem nunca valeu-se dessa fantasia em momentos difíceis

Que se enrole na própria teia

Que tenha um coração doce num corpo de ferro

Que seja atingido por raios cósmicos, destruído pela kriptonita

Ou que fique verde de raiva…

O melhor disso tudo é saber que mesmo sem super poderes especiais

De ultra força, visão de longo alcance, capacidades extras

Sem Marvel ou DC

Somos nossos próprios heróis!

RIP STAN LEE

Alda M S Santos

Fazer o bem, viver o bem

FAZER O BEM, VIVER O BEM

“Uma pessoa do bem, que ajuda a tantos não merece passar por isso”

Fala contínua pós-tragédias, particularmente quando atingem indivíduos “do bem”

Fazer o bem não livra ninguém de ser atingido pelo mal

É um modo caridoso de ser e de viver

Uma maneira de ser generoso consigo mesmo através dos outros

Uma vida tentando ser fiel a seus princípios

Que, infelizmente, não imuniza contra as maldades existentes por aí

Mas torna seus autores mais fortes e resistentes para enfrentá-las

Num mundo de cabeça para baixo

Ser bondoso, ético e correto, o que deveria ser visto como natural

É encarado com incredulidade.

Espanto com o mal deveria ser geral, independente de quem atinja…

Cercarmo-nos do bem, fazer o bem

Tornar mais equilibrada a luta do bem contra o mal

É na verdade uma maneira de tentar neutralizar o negativo existente por aí

Que sabemos que tem sempre muitos adeptos

Infelizmente…

Alda M S Santos

Heranças

HERANÇAS

Trazemos conosco muitas heranças

Que vêm passadas de geração para geração

Pais, avós, bisavós, tios, primos…

A cada dia notamos em nós algo de algum dos nossos ascendentes

Ou algo nosso nos nossos descendentes

Algumas características que amamos, necessárias

Que nos orgulhamos por possuir, por passar para frente

Outras como um apêndice inútil a ocupar espaço

E outras que até pagaríamos para devolver, por machucar, envergonhar

Heranças genéticas, físicas e mentais

Heranças emocionais, de personalidade

Heranças materiais, bens ou dívidas

Mas somos muito além do que herdamos

Nada vem tão fechado, imutável, inerte

Sobre o que herdamos podemos agir, transformar, melhorar

Ou piorar, dependendo do que fizermos

Personalidade não mudamos, mas podemos aprimorar

Características físicas podemos aprender a valorizar

Dívidas podemos pagar ou arrolar

Bens materiais podemos multiplicar ou conservar

E a capacidade de amar e evoluir é pessoal e individual

Sempre pode ser aprendida e aprimorada

E, quem sabe, a herança que deixarmos

Possa ser cada vez melhor?

Alda M S Santos

Perdas

PERDAS

De tudo que é passível de perdas

Quase nada se dá de uma vez, de supetão

Normalmente é perda gradativa, gradual

E podemos perceber se prestarmos a devida atenção…

O emprego, a lucidez, o lazer, a faculdade

A destreza, a saúde, a alegria, a agilidade

A confiança, a consciência, a fé, um amor ou uma amizade…

Tudo, tudo que se perde, que se vai, emite sinais

Quando precisa de uma injeção de ânimo, de dedicação

Quando já não está tão perto ou tão forte como se imaginava

Quando urge um sofro para manter o calor

Quando para manter vivo necessita mais cuidado e proteção…

Tudo que é passível de perdas

Emite luz de alerta, pisca-pisca ou holofote

No observar e no agir diário está a diferença entre sair vitorioso ou derrotado…

Alda M S Santos

Farol de bondade

FAROL DE BONDADE

Em meio a tantos caminhos confusos, trilhos quebrados, vagões desconectados

Sempre aparecerá uma placa, uma bússola, um sinal indicando a direção

Em meio a tantas dúvidas e inquietações

Sempre haverá um alguém a dizer boas e sábias palavras, estimulando a reflexão

Em meio a tantas exclusões, preconceitos e mania de superioridade

Sempre surgirá um abraço acolhedor, fraterno, irmão

Em meio a tanto desamor e individualismo

Sempre haverá alguém a nos amar acima de tudo, ser o anjo protetor do nosso coração

Em meio a tantos túneis escuros e repletos de maldade

Sempre haverá um farol de bondade e esperança, ainda que na contramão

Para todos aqueles que, de enxergar o lado bom da vida, não abrem mão…

Alda M S Santos

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