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Caminhos

Pisa fundo

PISA FUNDO

No volante, vidros abertos, cabelos ao vento

Ela pisa fundo…

Uma música após a outra atiçando a vida

Tocando as emoções superficiais ou profundas

Ela pisa fundo, quer ir longe

Encontrar algo perdido, resgatar alegrias e esperanças

Não quer sumir, não quer ir embora

Quer deixar o que for ruim para trás

Quer, paradoxalmente, um caminho que a traga de volta

Por isso ela pisa fundo…

O movimento, a estrada, o vento, a música, a solidão

Tudo leva a reflexões e pensamentos

Uma solidão consigo mesma não é solidão

É encontro… e dos bons…

Alda M S Santos

Vamos brindar?

VAMOS BRINDAR?

Vamos brindar aos sins que recebemos na vida

Aqueles que nos abriram portas, iluminaram nossos caminhos

Elevaram nossa autoestima, nossa fé em nós mesmos

Facilitaram nossas conquistas e nos permitiram alegrias…

Vamos brindar?

Vamos brindar também aos nãos que nos foram ofertados

Aqueles que nem sempre entendemos no momento

Tristes, amargos, cortantes, frustrantes, maldosos

Que interromperam nossa caminhada, esburacaram nosso trajeto, nos deixaram ali por uns tempos

Que tantas vezes nos revoltaram, contra os quais nos rebelamos e batemos de frente

Mas que, mesmo dolorosos, nos fizeram crescer…

Vamos brindar?

Mais que os sins, os sobreviventes dos nãos são mais fortes

Não são derrubados por qualquer ventania ou tempestade

As perdas e as quedas são, cedo ou tarde, impulsos para se levantarem

Sabem o momento de lutar e o momento de recuar

Ou, simplesmente, quando é necessário aguardar ou quando não dá para fazer nada…

Sobreviventes dos nãos aprenderam a extrair deles o que é útil e passível de evolução

E seguir tentando ignorar o que não faz bem…

Aos sins e aos nãos da vida que sempre existiram e sempre existirão

Vamos brindar?

Tim, tim!

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

Se um vem de lá e outro vai de cá

É no meio do caminho que irão se encontrar

Polarizações nefastas impossibilitam o dar-se as mãos

Extremos radicais impedem o abraço gostoso

Para o encontro de paz ser possível

É preciso que ambos se disponham a caminhar

Saltar obstáculos, deixar malas pesadas para trás

E seguir em busca do mesmo objetivo

O equilíbrio que impede a queda

Nunca está nos polos ou extremos nefastos

É no meio do caminho que os melhores abraços selam a paz…

Alda M S Santos

Tô indo…

TÔ INDO…

– Como você está?

– Tô indo…

– Indo? Pra onde? Como?

– Seguindo em frente, no caminho que se apresenta.

Quem pergunta nem sempre quer saber

Quem responde nem sempre quer responder…

Outras vezes quem pergunta sabe bem a resposta

Quer apenas confirmação do imaginado

Quem responde prefere não abrir porteira de problemas,

Não quer incomodar…

“Tô indo“ muitas vezes é resignação

Aceitação do equilíbrio necessário entre escolhas e consequências

Entre vitórias e derrotas, lágrimas e sorrisos

“Tô indo” pode ser demonstração de luta e força

De não entrega, de resistência à tristeza dos dias nublados

Por saber que o sol tem força para surgir entre nuvens

Aquecer, deixar nascer e crescer brotos de esperança e paz…

“Tô indo, e você?”

Alda M S Santos

A Lua mudou

A LUA MUDOU

A coluna dói mais quando a Lua muda de fase

Se o tempo esfria, aquela dor crônica nas articulações piora

Se o joelho incomoda já sabe que vem chuva

A Lua Cheia inspira os amantes

A maré baixa causa indisposição

A natureza dando sinais no corpo

Ou o corpo buscando justificativa para suas alegrias e mazelas?

Chuva, dias nublados, Sol, Lua, estrelas

Belezas, dores e amores inspiram poetas

Ou sua inspiração que faz com que vejam tudo isso

Onde ninguém mais vê?

Transformam em poemas o que veem lá fora

Ou o lá fora apenas ativa, atiça o que já têm cá dentro?

O joelho dói porque vai chover

Ou vai chover porque o joelho doeu?

Qual a mudança na Lua lá em cima

Que sensibiliza poetas cá embaixo?

Que marés são capazes de virar nossos ventos internos?

Ou será que a sensibilidade está bem mais perto daqui

E a Lua é apenas a Lua, o mar apenas o mar,

O amor apenas mais uma dor?…

A Lua mudou…

Alda M S Santos

Pescaria

PESCARIA

Não estou nervosa, não estou tensa

Mas algo me leva a pescar…

Na beira do lago coloco a isca, lanço o anzol

Pesco a beleza que se transmuta em sons, movimentos e cores

Uma revoada de pássaros que canta no céu

Uma vaca que muge ao longe

O vento que balança as árvores e derruba frutos

As galinhas que cacarejam fugindo dos cães

A água que escorre numa bica e cai no lago

Uma tilápia que nada apressada na água calma

Pesco a beleza visual que dança descuidada sob meus olhos

Pesco o amor do criador em cada criatura

Uso apenas o anzol do desejo de paz

No qual coloco a isca da sensibilidade

Ouço alguém me chamar lá dentro

E saio com o cesto da alma carregado nessa pescaria…

Aceitam um pescado?

Alda M S Santos

Fecha os olhos e vê…

FECHA OS OLHOS E VÊ…

Os olhos estão abertos

O olhar é vago, olha ao longe

Tenta enxergar além do horizonte

Olha para um lado e para o outro

Vê, mas não enxerga

Busca por algo invisível aos olhos

O olhar busca por algo que só se vê com o coração

E os olhos do coração

Enxergam melhor quando fechados…

Saint Exupéry diz que “só se vê bem com o coração,

O essencial é invisível aos olhos”

Ela fecha os olhos e tudo vê…

Alda M S Santos

Felizmente?

FELIZMENTE?

Nos constantes vai-e-vens da vida

Parece que mal superamos uma partida súbita

Ou nos adaptamos a uma chegada inesperada

E as malas já estão prontas novamente…

Choramos ou sorrimos, ou ambos simultaneamente

Nos despedimos…

Minha avó sempre deixa uma mala pronta

“Para o caso de precisar partir”

Uma maneira de não ser pega desprevenida

São tantas as partidas e as chegadas

De pessoas, de desejos, de sentimentos, de expectativas ou esperanças

Que já deveríamos estar acostumados…

Nem tudo que vai, volta

Mas sempre algo está indo, algo está chegando

É nessa rotatividade que a vida se desfaz e se refaz

Felizmente?

Alda M S Santos

Redoma de vidro

REDOMA DE VIDRO

Não podemos colocá-los numa redoma de vidro, isolando-os do exterior

Não podemos embalá-los à vácuo, engaiolá-los

Não podemos fechá-los numa bolha, protegendo-os

Tampouco podemos voar por eles

Ou tapar todos os buracos e retirar as pedras do caminho

Mas podemos plantar flores perfumadas em canteiros centrais

Cultivar árvores frondosas para dar sombra à caminhada

Para que façam seus ninhos, repousem

Podemos falar sobre trilhas que não levam a lugar nenhum

Podemos alertar sobre os becos sem saída

Sobre voos em áreas turbulentas

Podemos prevenir sobre os “encantos” e estratégias dos inimigos do bem

Aqueles que devagarzinho invadem nossas contas,

Presencialmente ou virtualmente,

Bancárias, físicas, mentais, emocionais, psicológicas

E nos deixam no vermelho com dívidas a pagar

Sem asas para voar…

Não podemos viver pelos outros, nem por quem amamos

Mas àqueles que nos foram confiados

Devemos proteção e cuidado, somos responsáveis!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Destinos

DESTINOS

Destinos: pré-estabelecidos ou construídos?

Um caminho que vem definido a priori

Do qual passamos a vida a buscar ou desviar

Ou um ponto de chegada que nem sempre podemos identificar?

Destino: o objetivo final dessa jornada, imutável

Ou o caminho que por nós é construído, aleatoriamente

Nas lutas e labutas diárias de nossas vidas entrelaçadas às dos outros

Buscando o que acreditamos ser o melhor para todos

Destinos: uma justificativa para o mal e a inércia

Ou um motivo a mais para abrir trilhas melhores na mata densa do viver?

Destino: nos paralisa ou nos move?

É possível evitá-lo ou qualquer caminho leva a ele, sem escapatória

Sendo tudo aquilo que vivemos por escolha?

Parafraseando Jean de la Fontaine

“Muitas vezes, encontramos o nosso destino por caminhos pelos quais enveredamos para o evitar”…

Qual tem sido nosso destino?

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Fugas

FUGAS

Fugas muitas vezes são vistas como desistência

Apontadas como covardia, escolha mais fácil

Será mesmo?

Pode-se fugir de medos de escuro, acendendo a luz

Pode-se fugir de traumas à base de calmantes e ansiolíticos

Pode-se fugir de culpas se afogando em álcool ou outras drogas

Pode-se fugir do amor apontando os outros como problemáticos

Pode-se fugir da vida, com intuito de protegê-la

Pode-se fugir da desesperança mergulhando na fé, na religiosidade

Pode-se fugir da dor, evitando viver

Pode-se evitar confrontos fugindo de algumas pessoas, de várias ou de alguma em especial

Pode-se mudar o nome, o rosto, os convívios

Pode-se mudar de país, de sentimentos

Pode-se entupir-se de coisas lindas e valiosas

Pode-se até tentar fugir de si mesmo, ignorando sentimentos

Fingindo que está tudo bem, que tudo é belo

Pode-se fugir de si mesmo usando os mais diferentes subterfúgios

Mas será como crianças pequeninas brincando de esconde-esconde

Tapando apenas o rosto e acreditando que estão protegidas…

Até que ponto esconder de si mesmo é valentia ou covardia

Força ou fragilidade, medo ou coragem?

Não dá para se esconder de si mesmo para sempre…

Pode-se ficar camuflado, nunca escondido

O que se é carrega-se consigo em qualquer fuga,

Para qualquer lugar que se vá

É sempre um caminho longo e doloroso encontrar-se

Mas quando o rosto for destapado

Apesar do susto, dos medos, o sorriso pode aparecer e brilhar

Como na brincadeira de esconde-esconde infantil…

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

Barquinho de papel

BARQUINHO DE PAPEL

Somos um barquinho de papel descendo na enxurrada

Vamos velozes, “casco” sendo danificado nas águas que desconhecem paradas

Por vezes, encalhamos nos entulhos do caminho

Ou naqueles que se desfizeram invadidos pelas águas

Ora esbarramos noutro barquinho desfalecido e diminuímos a velocidade

Ora preferimos seguir juntos, lado a lado

Com quem nos aprecia, admira e encara conosco essa travessia

Não sabemos a rota, por onde iremos passar

Ou se seremos interrompidos antes de lá chegar

O destino é o mar

Quando ou se chegaremos, não sabemos

Tampouco se gostaremos do que iremos encontrar

Por isso, vamos valorizando cada curva do caminho

Cada criança sorridente a brincar

Cada companhia saudável que surge

O que vale é tentar não afundar e não afundar ninguém

O que vale é navegar…

Alda M S Santos

Você chegará ao seu destino

VOCÊ CHEGARÁ AO SEU DESTINO

Escolha sua rota! Coloque os cintos!

Dirija com cuidado! Vamos!

Siga em frente por 25 Km até rodovia BR 040

Radar reportado à frente, atenção!

Fiscalização eletrônica semafórica em 300m

Mantenha-se à direita para saída 108 A para Angra dos Reis

Via de tráfego intenso, não se esqueça dos faróis

Acidente reportado no quilômetro 85

Cuidado! Veículo tombado à frente

Pegue acesso lateral para Arco Metropolitano

Polícia reportada à frente

Reduza a velocidade, declive acentuado

Área de intensa nebulosidade, mantenha faróis de milha acesos

Desvio à esquerda, via interditada

Tempo estimado no engarrafamento: 9 minutos

Atenção! Animal ferido e morto na pista

Uma estrada, uma viagem, muitos caminhos

A ansiedade, o desejo de chegar

Um guia do Waze…

Tudo torna-se mais fácil e seguro

Rota e destino pré-calculados

Previsão de chegada e revisão de rota

Perigos antecipados com prazo para reação

Alerta de avanço de sinais, áreas proibidas e fiscalizações

Sugestões para abastecimento e descanso

O medo de ficar perdido é quase nulo

A sensação de “conhecer” o desconhecido tranquiliza

E, se errarmos, ele recalcula e nos coloca novamente nos trilhos

Devíamos todos ter um guia assim acoplado ao cérebro

Não vá por aí, pode se acidentar na pista

Alerta amarelo aceso, atenção

Via sem saída, retorne e retome seu destino

Trânsito proibido, área privativa e reservada

Não estacione, parada proibida

Siga em frente por longos anos

Se não der pra ir de carro, vá de avião, de barco

Voe, nade, se arraste, mas prossiga!

Você chegará ao seu destino…

Alda M S Santos

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Na dolorosa despedida

NA DOLOROSA DESPEDIDA…

Chegou a hora de ir, tinha medo, não se sentia pronta ainda.

-Não posso ficar mais um tempo aqui?

-Você é quem escolhe, mas sabemos que é chegada a hora.

-Tenho medo! E se eu errar, me perder, cair, te decepcionar?

-Poderá sempre recorrer a mim, poderá aprender, mudar!

-Olhando daqui tudo parece fácil, claro, tenho você, mas lá fora é assustador!

-Confie! Você é fruto do amor, aprendeu muito, é perspicaz.

-Será? E se me ferir, machucar os outros, não conseguir consertar as coisas, cair nos mesmos buracos deles?

-Olhe para dentro de si, ore, busque tudo de bom e amoroso que tem aí dentro!

-Mas você não estará lá comigo! E quando me sentir desamparada?

-Você está levando anjos preciosos contigo! Cuide deles! Deixe-se cuidar!

-Mas lá é nebuloso, há outros que nos enganam, que querem nos levar para longe de nós, de ti.

-Eu sempre estarei contigo todo o tempo, dentro de você!

-E se eu não conseguir vê-lo? Como saber?

-Procure-me naqueles que precisarem de você. Se forem do bem, você me verá neles.

-E se forem do mal não devo me demorar neles…

-Sim. Ajude até o ponto em que tenha certeza do que é certo e não corra riscos…

-E se eu quiser voltar? Se me cansar, estiver ferida, quiser colo, sentir saudades?

-Estarei aqui. Conheço sua força e seus limites. Saberei o momento de te trazer de volta!

-E vá logo, minha filha, e lembre-se: EU AMO VOCÊ!

Ela recebeu um abraço demorado, um olhar de puro amor de PAI MISERICORDIOSO, e desceu.

Alda M S Santos

Rumo certo ou à deriva?

RUMO CERTO OU À DERIVA?

Tão claro, tão certo, a princípio seguimos o rumo de olhos fechados

Carregamos qualquer peso, corremos, caminhamos

Mergulhamos, sem saber nadar

Saltamos qualquer obstáculo dignos de atletas

Voamos, se preciso for…

Enfrentamos leões, caminhamos sobre brasas

Sorrimos, choramos, vibramos, mas o rumo a seguir não deixa dúvidas

O barco segue seu curso sem bússolas

Dores, doenças, tristezas, não há, ou são superadas rapidamente

Qualquer pirata ou atravessador é vencido

Os caminhos podem variar, mas o rumo é certo!

Criar os filhos, bênçãos que recebemos como presentes

Que nos foram confiados e são tão dependentes de nós

Não deixa qualquer dúvida quanto ao caminho a seguir

É tudo por eles, para eles e pronto!

Saúde, educação, diversão, tudo em função deles

Ter vidas para cuidar é um objetivo nobre que nos motiva e dá sentido ao existir!

De repente, eles aprenderam o ensinado, ficaram independentes

Não precisam mais tanto de nós, buscam seus próprios rumos

E nosso rumo que era tão claro fica meio nublado

Nosso barco fica meio à deriva

Um mundo tão cheio parece se esvaziar, o peito aperta muitas vezes

As dores, doenças e tristezas já não passam tão rapidamente

Reaprender caminhos leva tempo, acostumar-se a não tê-los grudados, idem

Encontrar o rumo novamente, sem tantos “afazeres”, até automáticos, demora

Mas a certeza de tê-los deixado num caminho tranquilo

Nos permite ter paz e orgulho

Sensação de dever cumprido!

Novos rumos aparecerão…e o farol estará sempre aqui.

Alda M S Santos

Sou eu?

SOU EU?

Os caminhos parecem mais longos e estreitos

Ou sou eu que mudei o modo de caminhar?

As pessoas parecem mais perdidas e carentes

Ou sou eu que mudei o ângulo do olhar?

Há menos perspectiva, menos esperança e mais decepções

Ou sou eu que fiquei mais criteriosa?

Os outros estão mais individualistas e indignos de confiança

Ou sou eu que deixei de ser tão crédula?

Há mais fugas que coragem e persistência

Ou sou eu que ando mais amedrontada?

Há mais barulho e alvoroço que felicidade real

Ou sou eu que tenho tido apreço por silêncios verdadeiros?

Há mais alegria comprada, “roubada”, ilegal, finita

Ou sou eu que prefiro alegrias conquistadas por direito, gratuitas?

Há mais sorrisos fabricados e palavras sem sentido

Ou sou eu que estou mais sensível?

Há mais estradas percorridas e menos caminhos a percorrer

Ou sou eu que estacionei em algum momento?

Está mesmo tudo muito mudado

Ou fui eu que mudei e nem vi?

Alda M S Santos

Me leva

ME LEVA

Me leva com você para os caminhos que já trilhou

Para que possas me ensinar a ser feliz no conhecido

E a me alegrar com o que passou sem sofrimentos

Me leva com você por caminhos novos

Para que possas encantar-se junto a mim com novas descobertas

E fazer delas uma boa opção

Um rio de águas cristalinas a molhar os pés cansados

Me leva, melhor ainda,

Siga-me por caminhos que só eu conheço

Aqueles cujas trilhas marcadas por sulcos de sorrisos e lágrimas

Estão bem dentro de mim

Esperando por bons caminhantes

Me leva por qualquer caminho, qualquer um,

Havendo tristeza ou alegria, não pare!

Mas não me deixe na mão, não me desampare…

Me leva todos os dias, vida,

Com você poderei sempre aprender

Mas não me deixe ao léu

Ensina-me teus segredos

De continuar a existir

Quando tudo no entorno parecer ruir …

Me leva…

Alda M S Santos

(Des)humanas ou (In)exatas?

(DES)HUMANAS OU (IN)EXATAS?

Você é da área das humanas ou das exatas?

Busca a exatidão nas (des)humanas ou a humanidade nas (in)exatas?

Conformou-se com a inexata desumanidade da vida

Ou ainda busca o valor de X que, perdido, não quer ser encontrado?

Para você é confortável saber que zero é zero, um mais um são dois,

Ou gosta de saber que nem sempre zero quer dizer ausência, e que um mais um pode ser diferente de dois?

Gosta de sim ou não, ou o talvez, pode ser, depende, às vezes, mais ou menos, jamais, te agradam mais?

Prefere lidar com quadrados perfeitos, saber exatamente a área que te cabe nos triângulos

Ou gosta da questão ampla e filosófica de se inserir num círculo do qual desconhece o início e o fim?

Sua perspectiva de ângulo é multifocal ou é simétrico demais para admirar as multiplicidades de questões sem respostas?

Entende bem uma questão que tenha uma resposta racional, se possível resolvida na calculadora,

Ou prefere aquelas que se resolvem nos caminhos incertos e inexatos escritos poeticamente no coração?

Gosta de ter traçado todo o caminho com gastos calculados e previsão certa de chegada

Ou prefere as deliciosas surpresas naturais que “atrasam” seu caminho?

A “frieza” descalculada das exatas é tão forte quanto a inabilidade de lidar com emoções.

O “descontrole” emocional das humanas é tão forte quanto a incapacidade de calcular o tempo para sair desse labirinto.

Tão diferentes e tão necessitados uns dos outros…

Sou das humanas, tentando resolver a inexata complexidade das equações vitais, usando as ferramentas do coração…

Deu para entender?

E você está mais perto das (des)humanas ou das (in)exatas questões?

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

Fez as malas…e foi

FEZ AS MALAS… E FOI

Quando não mais a cabia, sentia-se apertada e desconfortável

Fez as malas e foi…

Quando o que se apresentava não era o bastante, machucava, atemorizava

Fez as malas e foi…

Quando o desejo de ficar e lutar juntos ficou menor que a esperança de melhorar

Fez as malas e foi…

Quando o amor não mais justificava qualquer ato de rebeldia, desconfiança ou covardia

Fez as malas e foi…

Quando o amor produzia mais nuvens escuras e pesadas,

Chovia mais lágrimas que sorrisos

Fez as malas e foi…

Ou quando o amor foi grande o bastante para não fazer o outro sofrer, deixá-lo viver

Ainda que tenha deixado 50% de si para trás

Sequer deu tempo de fazer as malas

Simplesmente, foi…

Tentando não olhar para trás

E levou na bagagem apenas dor e saudades…

Quando o amor apertava tanto o peito, a consciência doía, a saudade feria, a vida se esvaía

Fez as malas, encheu-se de fé e esperança, de Deus

E…voltou…

Ir ou ficar, lutar ou desistir, o que é maior prova de amor?

Alda M S Santos

Parear ou apear?

PAREAR OU APEAR?

Nos caminhos retos ou sinuosos, bonitos ou feios

Floridos ou áridos, fáceis ou nem tanto

Melhor mesmo é ir aos pares, acompanhados

Não qualquer companhia, alguém que vá junto por prazer

Que monte na nossa garupa

Ou dos quais sejamos o garupa

Numa montaria à parte, lado a lado

Tanto faz…

Não vale é disparar na frente, sozinho

Ou ficar para trás, isolado

Salvo se for numa prazerosa brincadeira de pega-pega

Quem cavalga junto precisa ter objetivos e destinos similares e/ou complementares

Um “salvando” o outro nos momentos de fragilidade

É necessário parear… ou apear

Antes que ambos caiam, literalmente, do cavalo…

Alda M S Santos

Morrer, como será?

MORRER, COMO SERÁ?

Como será o momento da morte?- perguntou-me o idoso meio curioso, amedrontado.

Não sei!-respondi! Nunca morri!- brinquei.

Mas você viverá muito ainda! Não se preocupe com isso, viva a vida- aconselhou-me.

Certamente tudo que a gente fez nessa vida passa pela nossa mente- continuou.

As oportunidades perdidas, os erros “humanos” cometidos,

Os que conseguimos ajeitar, ou aqueles que causaram danos irreversíveis.

Acho que temos medo é das contas a prestar- falou meio sorrindo.

Se passa tudo pela mente, o melhor modo é nos concentrar nas coisas boas que fizemos,

Naqueles que amamos, que nos amaram- falei para ele

E quando assustarmos, nossos olhos terão se fechado aqui,

E só se abrirão do outro lado- sorri e fiz um gesto teatral.

Talvez mais alegre e colorido que esse mundo cinzento- ele disse por trás de seus olhos também cinzentos…

Ou não! -finalizou!

Esse é um caminho cuja travessia fazemos sozinhos….

Como será o momento final?

Alda M S Santos

Enquanto houver vida

ENQUANTO HOUVER VIDA

Enquanto houver vida quero seguir meu caminho

Posso parar à beira da trilha para reabastecer energias

Sob sol intenso ou sombra de uma árvore frondosa, enxugar o rosto

Sorrir ou chorar, nunca desistir, confiar sempre

Entre flores ou espinhos, terra ou pedras

Receber uma dose de ânimo, um abraço de amor, uma palavra de confiança

Uma mão, um sorriso de carinho, esperança e amizade

Daqueles que Ele envia para me interpelarem…

Só não posso fechar os olhos, ignorar Seu cuidado

E agradecer, retribuindo tanto amor, estando disponível sempre

Vencendo medos e culpas, erros e tropeços

Sem autoacusações ou autoflagelos, com aprendizado

Sendo aquela que Ele envia para iluminar o caminho de outros

Em qualquer circunstância, valorizando e protegendo a vida, sempre

Até o reencontro com Ele, em casa…

Alda M S Santos

Caminho certo?

CAMINHO CERTO?

O caminho certo e o caminho errado são bem parecidos

Ambos podem ter momentos de flores perfumadas, vias pavimentadas ou de terra

Possuir sol escaldante, sombra, buracos, pedras, frio

Causar exaustão nos aclives e declives acentuados

Podem nos trazer alegrias momentâneas ou tristezas duradouras

Mas o que diferencia realmente um caminho do outro

O que indica quando estamos no caminho certo e iluminado

É a consciência tranquila, leve, a paz de espírito

Trafegar por um caminho errado pesa, dói a consciência

Tornando o caminhar cada dia mais difícil

E, cedo ou tarde, as flores murcham, perdem o perfume

O terreno fica acidentado, o sorriso perde o brilho, a tristeza prevalece…

Observemos atentamente o caminho que escolhemos percorrer

Sem contudo tirar os olhos de nossa consciência

Aquela que reflete nossa alma, o que realmente nos define

E faz tudo valer a pena e ser duradouro…

Alda M S Santos

Equalizando

EQUALIZANDO

Decepções são como os favores

Nem sempre recebemos ou retribuímos a quem nos “presenteou”

Recebemos favores de um ali

Devolvemos a outro mais na frente

Decepcionamos alguém aqui

Somos decepcionados por outro acolá

Essas são as voltas desse mundo tão cíclico

Ainda que possa parecer cruel

É seu jeito de ser leve e equalizar as coisas…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

(Des)confianças

(DES)CONFIANÇAS

Para alguém que sempre confiou gratuitamente

Talvez até ingenuamente, desconfiar é retrocesso ou progresso?

Um olhar mais demorado ou que se disfarça, desvia

“Desconfie! Pode ser ladrão!”

Uma gentileza gratuita, desinteressada, uma palavra de atenção e humanidade

“Desconfie! Querem algo em troca!”

Parece fácil? Desconfie!

Tudo gera desconfiança: qual o interesse?

É a pergunta que sempre repercute!

Recuso-me a desconfiar de tudo e de todos!

Viver acreditando que tudo pode nos fazer mal,

Que conhecidos ou desconhecidos possam trair nossa confiança,

Já é viver no mal!

Não faço apologia à ingenuidade, à confiança cega, à crença burra,

Mas, mesmo tendo algumas decepções dolorosas gravadas na alma,

Sigo esse caminho arenoso da confiança, ora vertendo lágrimas, ora sendo feliz

Ainda prefiro confiar naqueles que conheci e que a conquistaram, a mereceram.

E, até que se prove o contrário,

Que as pessoas que de mim se aproximarem merecerão minha gradativa confiança!

Viver na desconfiança é sobreviver sozinho, num mundo sem graça

É sofrer todo o tempo…

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Somos água, somos vida!

SOMOS ÁGUA, SOMOS VIDA!

Água: tão natural, tão necessária à vida

Em rios, mares, lagos, geleiras, lençóis freáticos

Brota do chão, cai do céu, faz um ciclo completo: sólido, líquido ou gasoso

Representa 70% da Terra e está presente em tudo que tem vida

Pode ser linda, encantadora, mágica, assustadora, inebriante

Ninguém imagina uma existência sem água

Mas, como tudo, nada é completamente bom ou ruim

Essa ambiguidade faz parte da existência

Água está também em tragédias como tsunamis, maremotos, tempestades, enchentes, inundações, morte…

Também está escondida onde tudo parece seco

Nada é bom ou ruim por si só

A utilização que delas fazemos que as torna boas ou más

Benéficas ou maléficas…

O uso correto ou excessivo, adequado ou inadequado

Que faz de tudo motivo de vida ou de morte

Somos água, somos vida, brotamos a todo o tempo de nossos lençóis internos

Ora somos morte, ora renascimento, seguimos o curso

Podemos saciar a nós mesmos e aos outros, satisfazer a sede

Sempre com critério e sabedoria, pois água quando arrebenta comportas nada segura…

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS

Um caminho acertado se faz de muitos descaminhos

Quantos desalinhos são necessários para se alinhar

Quantos despareados encontramos antes de bem parear

Quantas lágrimas são necessárias para fazer brilhar o sorriso

Quanto precisamos nos perder para ter a certeza que nos encontramos

Quantos desatinos cometemos até conseguirmos nos atinar

Quanto precisamos entender do que se passa dentro de nós

Para entendermos minimamente o que se passa dentro do outro?

Quanto?

Todo histórico de acerto carrega consigo um sem número de rascunhos…

Alda M S Santos

A última carta

A ÚLTIMA CARTA

Lembra-se do que escreveu naquela última carta

Sem saber que seria a última?

Lembra-se daquele abraço, daquele sorriso

Sem ter consciência que não haveria outros?

Lembra-se de um simples tchau, um até mais, sem saber que eram um adeus?

Lembra-se das gargalhadas perdidas, brigas tolas

Sem considerar que poderia se arrepender, sentir tanta falta?

Se não houver mais chance

Dizemos o que queríamos ao escrever,

Abraçar, sorrir, brigar, nos despedir, amar?

A marca derradeira foi a que gostaríamos de ter deixado?

A memória pode falhar, o outro faltar, empecilhos mil surgirem

A vida se esvair como fumaça no céu

Quantos “últimos” e saudosos momentos temos vivido?

Haverá tempo de reviver alguma coisa?

Oportunidade para uma última carta?

Bom mesmo seria não esperar pela última carta

Mas sempre “escrever” como se fosse a última…

Alda M S Santos

Caminhos da alma

CAMINHOS DA ALMA

Os caminhos de nossa alma são abertos devagarzinho

Uma gentileza aqui, um cuidado ali, um sorriso, um abraço, uma atenção mais à frente

Trilhas, esquinas, curvas, recônditos secretos, o prazer de um balancinho

Neles transitamos, claro ou escuro, sorrindo ou chorando, diariamente

Só é capaz de neles trafegar quem os ajudou a construir

Ainda que involuntariamente, sem perceber, sem desejar

E, uma vez conhecido o caminho, mesmo sem o possuir

Será sempre alguém capaz de ali fazer a luz se acender ou se apagar…

Alma possui caminhos com vias só de entrada…

Alda M S Santos

Bosque particular

BOSQUE PARTICULAR

Se nossa vida fosse resumida num bosque, numa mata

Como ela seria?

Quantas árvores frondosas, antigas

De copa acolhedora, troncos maciços, galhos grossos e retorcidos teríamos conservado?

Seria fechada, cheiro de terra úmida, cantos de pássaros

Insetos, vento soprando suavemente?

Teria nesgas de luz do sol a passar insistente entre os galhos e iluminando o chão repleto de folhas e frutos?

Haveria árvores novas crescendo felizes entre as matriarcas?

Seria uma mata convidativa ou amedrontadora?

Teríamos arrancado alguma árvore antiga ou impedido uma nova de crescer?

A majestade de uma mata está na diversidade, na segurança

Na capacidade de acolhimento que nos fornece gratuitamente

Conservar árvores antigas é manter a possibilidade de se recostar e descansar

Cultivar árvores novas é a capacidade de seguir em frente, de nos renovarmos sempre

Natureza que sempre ensina…

Alda M S Santos

Estradas

ESTRADAS

Avistar uma estrada é vislumbrar caminhos

Antecipar destinos, sonhar com o novo, o inesperado

É ser atraído para novas conquistas, desbravamentos

É ter a alma rasgada, exposta

É ter sonhos costurados com a linha verde da esperança

Pode ser uma estrada pavimentada, moderna, movimentada, esburacada

Uma estrada de terra, isolada, cercada de mata nativa e alguns cavaleiros

Uma estrada no ar, entre a magia, brancura e maciez das nuvens de algodão

Uma estrada nas águas, sobre ou sob elas, submersos em expectativas, nadando de braçadas rumo aos sonhos

Uma estrada de ferro, com a fumaça e o apito do trem a traduzir nossa trilha sonora

Pouco importa…

Estamos numa estrada todo o tempo

A estrada da vida…

Tendo ou não consciência dela,

Nós a transitamos dia após dia

Estamos em paralelas com a estrada de alguns, cruzamos a estrada de outros,

Ajudamos, às vezes atrapalhamos o trânsito de algumas

Mas seguimos, fazendo nosso caminho…

Não saber o que vem à frente, qual o destino

Ou quando pode ser bruscamente interrompida

São motivos bastantes para fazê-la valer a pena…

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Pontes são convites, são chamados

Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar

Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente

Apresentar o desconhecido ao conhecido

Possibilitar o novo, encorajar

Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais

Assustadoras para muitos, paralisantes

Fundamentais para tantos…

Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções

Rios, mares, montanhas, abismos

Aqueles da natureza ou dentro da gente

Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades

Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros

Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia

Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela

A nos dar as mãos, acalmar nossos medos

Encorajar cada passo na pinguela

“Em frente, não olhe para baixo”

“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”

São ouro num mundo tão cheio de muros…

Alda M S Santos

Gratidão

GRATIDÃO

Gratidão: uma das mais raras e complexas virtudes

Exige uma alma evoluída e em paz consigo mesma

É tão necessária para conquistarmos o que almejamos

Para seguirmos em frente, acertando o passo conosco mesmos

Saber olhar para trás e ser gratos ao que ficou lá,

Ao que recebemos de variadas fontes ou pessoas,

Mesmo que ainda faça falta,

Entender que foi bom, foi útil, foi saudável

Nos possibilitou alegrias, amor, autoestima

E ficará guardadinho num espaço especial de nossos corações,

Lembranças para serem ativadas nos momentos de fragilidade

O bom deixa saudades, o ruim deixa aprendizado

Ser grato e respeitoso à vida que se apresentou

É um combustível excelente a mover nossos motores

Rumo à felicidade…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Arrependimentos

ARREPENDIMENTOS

Eu o observava de longe, parecia cabisbaixo

Cheguei até mais perto daquele idoso de 74 anos no asilo, ele me olhou, segurou minha mão.

Ressaltei que estava triste, perguntei pelo sorriso, falou em arrependimentos.

“Estou arrependido de não ter namorado todas que me quiseram”- e sorriu zombando.

“Acha mesmo que seria mais feliz assim”?- perguntei, séria.

Ele teve uma esposa que o traiu e abandonou.

Tem um filho que nem lembra que ele existe.

Cego de um olho, uma cicatriz de tiro na testa.

“Pra dizer a verdade, penso que você deveria é ter escolhido uma boa mulher”.

“Você tem razão, moça, mas as que me quiseram depois, eu não quis destruir a vida delas.

Eu não seria feliz assim, sei como machuca”!

Conversamos um bom tempo!

Todos temos arrependimentos, carregamos pesos nas costas.

Mas, mesmo simples como ele é, sabe que não existe peso maior para carregar que a tristeza de alguém!

Não pode ser leve e duradoura uma felicidade construída sobre a base frágil da infelicidade do outro!

Arrependimentos todos temos, mas algumas nuvens negras sobre nossas cabeças podem bem ser evitadas!

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Um ponto de paz

UM PONTO DE PAZ

Entre tantos altos e baixos dessa vida

O segredo é manter a estabilidade

Em cima, para não cair rápido demais

Embaixo, para gerar forças para nova subida…

Mas bom mesmo seria encontrar um ponto no meio desse caminho

Sem grandes euforias, sem grandes baques!

Simplesmente, um ponto de paz…

Alda M S Santos

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