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Ah, que saudades…

AH, QUE SAUDADES…

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas que foram ficando pelo caminho

Sufocas ou desnutridas pelas circunstâncias

Perdidas na escuridão das trilhas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de confiança cega e sorriso fácil

De entrega apaixonada e sem grandes expectativas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de brilho no olhar, coragem e romantismo

Muita energia e boa vontade, até uma certa ingenuidade

Tenho saudades das muitas de mim

Da audaciosa, da atrevida, da sapeca, da nerdzinha

Até da medrosa, chorona ou impaciente

Tenho saudades das muitas de mim

Que foram ficando pelo caminho

Que não me acompanharam até aqui

Que se ofuscaram pelo brilho falso de outras pedras

Que foram se apagando nas gotas das mágoas e decepções

Minguando, minguando até desaparecer…

Tenho saudades das muitas de mim

Mas logo percebo que “elas” todas não se foram

Apenas deram lugar a outra

Foram usadas como ingredientes essenciais

Diluídas na massa de uma grande forma para moldar o que sou hoje…

Quando as saudades de mim atingem forte

Percebo que basta ir para um cantinho

Garimpar bem, com calma e paciência

Que encontrarei meu tesouro: as muitas de mim

Aquelas sem as quais eu não existiria

E fazer as pazes com elas

Fazer as pazes comigo…

Alda M S Santos

Florescendo, flores(sendo)…

FLORESCENDO, FLORES(SENDO)…

Sob sol, sob chuva, sob tempestades

Florescendo, flores sendo…

Acolhendo abelhas, borboletas e beija-flores

Ensurdecendo com o canto das cigarras

Florescendo, flores sendo…

Sob o entardecer, sob o luar ou a aurora

Dividindo espaço, multiplicando belezas

Queimando e perdendo pedaços para as formigas

Florescendo, flores sendo…

Alimentando-me de brisa, de doçuras, de toques delicados

Fazendo minha fotossíntese

Purificando o ar, espetando os dedos com espinhos

Molhando a raiz de lágrimas salgadas

Florescendo, flores sendo…

Nascendo, crescendo, perfumando a vida, encantando, morrendo…

Florescendo, flores sendo…

Alda M S Santos

Caricaturas da alma

CARICATURAS DA ALMA

Caricaturas são representações das pessoas ou de situações

Em que o desenhista coloca em foco o que quer evidenciar

Olhos, orelhas, cabelo, testa, boca, nariz, mãos…

Qualquer parte do corpo pode ser aumentada ou diminuída de forma grotesca

De acordo com o olhar do artista observador

E transmitir uma mensagem, sem palavra alguma!

Sei bem como seria feita uma caricatura de corpo minha!

Mas e se, ao invés de uma caricatura de fora, fosse feita uma caricatura de dentro?

Quais partes nossas seriam evidenciadas?

O que temos transmitido de nós por aí?

Quem saberia fazê-la fiel, quem nos vê de verdade?

Cérebro, coração, emoção?

Carisma, energia, luz, amor?

Gostaríamos de ver, de saber?

Saberíamos nós mesmos fazê-la?

Mesmo grotescas, as mensagens das caricaturas são claras,

Por isso chocam e, quase sempre, geram mudanças.

Alda M S Santos

O melhor amigo

O MELHOR AMIGO

O melhor amigo te olha nos olhos

Encara, enfrenta, diz a verdade

Diz que tem saudade do que você era

Daquilo que você tem deixado de ser

O melhor amigo não desvia os olhos

Fala onde você errou, te ampara nos seus medos

Ralha com você, mas te dá carinho e atenção

O melhor amigo não te deixa desviar o olhar

Está presente, não foge, te cobra presença

Diz que se orgulha de você, não te deixa esmorecer

O melhor amigo sabe tudo de você

Não te deixa se tornar seu pior inimigo

Tampouco permite que você faça gol contra

Ou que seja atingido por fogo amigo

O melhor amigo te alertará se fizer mal aos outros

Mas, sobretudo, se fizer mal a si mesmo

O melhor amigo, se você permiti-lo agir, nunca deixará você cair

E, se isso acontecer, não te deixará lá por muito tempo

Ele te ajudará a se reerguer e seguir

Olhe para ele, não se esconda!

Seu melhor amigo está diante de você

Naquele espelho que você se olha todos os dias

E nem sempre se vê…

Dê um abraço apertado nele

E aquele sorriso que faz tudo se renovar…

Diga com convicção e sinceridade:

Eu te amo para sempre e nunca te abandonarei…

Alda M S Santos

Um galho a mais

UM GALHO A MAIS

Para uns sou a base, o cais, o alicerce, a raiz

Sou segurança…

Para outros sou a flor, delicadeza, leveza, perfume

Sou encanto…

Às vezes sou o tronco forte, o galho que sustenta a gangorra

Sou diversão…

Noutras sou as folhas que caem ao sabor do vento e da maturação

Sou renovação…

Algumas vezes sou o fruto suculento, polpudo e saboroso

Sou combustível, alimento…

Posso ser também apenas um galho a mais a balançar na ventania

Sou esperança…

Tudo depende de quem me vê, de como se vê

De suas carências, do que precisa para viver…

Parte do que os outros são ou nos parecem ser

É apenas reflexo daquilo que somos e precisamos…

Sinto-me apenas um galho a mais, ora forte, ora frágil

Mas importante para a vida da minha pequena árvore

Nessa grande floresta da existência…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Camuflagens

CAMUFLAGENS

Habilidade de passar despercebido onde quer que esteja

Meio de se proteger, assemelhando-se ao ambiente para não chamar a atenção

Tornar-se um igual a tantos outros iguais

Apagar algum brilho ou cor, acender outras

Gritar onde se grita, silenciar onde tudo é silêncio,

Ser cinza onde tudo é cinzento, desligar-se onde tudo está em off

Mexe daqui, mexe dali, e…pronto!

Tudo homogêneo, nada se destaca, todos uniformizados

Um bloco de iguais!

O risco é acabar esquecendo o que se é

E, na tentativa de se autoproteger ou agradar aos outros,

Acabar por não ser mais nem um e nem outro…

Pior, perder até o prazer de ser o que se é!

Alda M S Santos

Nossos acordes silenciosos

NOSSOS ACORDES SILENCIOSOS

Levar a vida numa valsa, num forró, bolero ou rock, entregue

Absorvendo os acordes que ela toca, clara ou confusa

Expressando-se com leveza, sem nada dizer

Tudo que vai dentro de si

Nos embalos lentos, ritmados

Apressados ou velozes, corpo nos giros da canção

Dançando, girando, movendo a roda, de alma nua

A dança fala aos que sentem essa vibração

Braços, pernas, cabeça, coração

Sensualidade, simplicidade ou molecagem

Em sintonia consigo mesma, transmitindo uma silenciosa mensagem:

A vida é uma eterna música

Dançar não é apenas movimentar o corpo

É uma necessidade da alma, do coração

Dançar sem amarras, soltar-se sem reservas feito pipa no céu

É um modo de fazer amor com a vida

De fazer as pazes com o mundo

De saber-se parte desse grande e maravilhoso quebra-cabeças

Dançar é saber ouvir os acordes silenciosos de nós mesmos…

Alda M S Santos

Quem está aqui dentro da caixa?

QUEM ESTÁ AQUI DENTRO DA CAIXA?

Aqui dentro está uma pessoa muito importante e especial

É uma pessoa muito linda!

Ela é muito importante para todos nós!

Sem ela esse mundo não seria digno de ser vivido.

É uma pessoa forte, guerreira e muito lutadora.

Já passou por muita coisa nessa vida e nunca desistiu.

Já ganhou, já perdeu, e ainda está aqui com muita fé.

Eu amo conviver com essa pessoa maravilhosa e tê-la em minha vida.

Para o mundo ser melhor essa pessoa nunca poderia ser deixada de lado.

Ela é a pessoa mais importante da sua vida.

Adivinha quem é?

 (A reação de cada um ao se ver no espelho)

Alda M S Santos

#carinhologos

Sangrando

SANGRANDO

Tão bela, tão delicada, tão perfumada

Singela, encantadora, frágil

Frágil? Às vezes!

Sabe se defender, tem espinhos, fere

Resiste às tempestades constantes

Perde folhas, galhos, flores, para manter a raiz

Assim são as roseiras, assim são as pessoas…

A diferença é que elas não ferem a si mesmas

Humanos ferem-se com os próprios espinhos

Se atrapalham, se automutilam, confundem-se

Machucam seus amigos, quem lhes quer bem,

Afastam o essencial, sangram…

Sangrando buscam um caminho menos nebuloso, menos árido

Mais aconchegante, tranquilo, pacífico, alegre

Para colorir, florir, encantar, viver, amar…

Alda M S Santos

Rotina

ROTINA

Rotina é ruim, destrói a vida, relacionamentos

Esse é o diagnóstico, previsão quase unânime de leigos ou especialistas

Porém, o que destrói relacionamentos, inclusive conosco mesmos

Não é simplesmente a rotina, ela pode até ser benéfica

Na medida em que cause prazer e segurança

O que mata o prazer de viver, que causa tédio e cansaço

E invalida qualquer boa relação

É uma rotina insatisfatória e imposta por terceiros

Tanto que quando nos livramos de uma rotina exaustiva e indesejada

Logo sentimos falta de outra e acabamos por criá-la

Uma rotina que podemos escolher, optar, tornar prazerosa

E que é capaz de fazer o melhor dos relacionamentos durar:

Aquele que temos conosco mesmos…

Alda M S Santos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS

Sou feita de barulhos e de silêncios

Ora sou um, ora sou outro

Ambos necessários em mim…

Há quem goste dos barulhos

Há quem prefira os silêncios

Há quem não compreenda nem um, nem outro

Há quem desperte barulhos intensos

Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos

Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois

Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro

Sou feita de contrários, de antagonismos

E nessa luta frenética em mim

Vou desvendando meus enigmas

Tornando-me mais eu…

Alda M S Santos

Acendendo nossa luz

ACENDENDO NOSSA LUZ

Dons que todos temos, mas que pouco desenvolvemos

Acender ou apagar, ligar ou desligar

A energia necessária para viver e fazer nossa luz propagar

Uns encontram uma faísca de luz num completo breu

Outros apagam até um holofote

Uns transformam nossos cacos de vidro em diamante

Nossas pedras em ouro, nossas dores em esperança

Outros, apagam nosso sorriso com críticas, veem nossa alegria como algo irritante

Uns buscam o que há de bom até nos defeitos

Outros, ao contrário, querem, a todo custo, encontrar o que há de ruim nas qualidades

Na triste incapacidade patológica de verem qualidades em si mesmos

Tentam também não enxergá-las nos outros

Pior, enaltecem apenas o ruim dos demais e até de si mesmos

Visam apagar tudo que o outro tem e o faz um ser único, especial

Inconscientemente, acabam apagando a própria luz

E, talvez, um possível gerador de luz e brilho que o outro poderia vir a lhe ceder…

Alda M S Santos

O máximo

O MÁXIMO

Ser “o máximo”, ou identificar o máximo em alguém,

É uma questão de perspectiva, de percepção

De referencial, de pontos de vista, de preferências

Ou de amor…

Podemos ser o máximo para uns, o mínimo para outros

Podemos ser o máximo ou o mínimo até para nós mesmos

Dependendo do momento ou da situação

E, por mais que dermos de nós mesmos,

Sempre será pouco para alguém, para algumas pessoas

Sempre haverá quem não saiba valorizar, identificar o que de bom recebeu:

O máximo de alguém…e deixou ir embora

Em contrapartida, para outras, um mínimo de nós ou delas é o bastante

Para fazê-las felizes, para nos fazer felizes

Isso não é se contentar com pouco

É saber identificar o que é precioso, gratuito

Verdadeiro, imprescindível, único

Para poder corresponder com o nosso máximo, e conservar…

Alda M S Santos

Precisamos acreditar em nós

PRECISAMOS ACREDITAR EM NÓS

Precisamos acreditar que tudo podemos se lutarmos

Mas não nos abater tanto quando algo não sair como o planejado

Precisamos acreditar que há amizades verdadeiras, amores eternos, vivos dentro da gente, que não caem ao primeiro vento

Mas não desistir da vida e dos relacionamentos se uma amizade ou um amor, por motivo qualquer, se for

Precisamos acreditar que construímos nossos caminhos, que fazemos nossas escolhas

Mas não nos punirmos ao ser preciso voltar quando um caminho se mostrar sem saída, ou uma escolha não for apropriada

Precisamos agradecer por sermos importantes, a “vida” de alguém, por termos pessoas importantes, nossas vidas

Mas não estacionarmos quando precisarem viver suas vidas além de nós

Precisamos acreditar nas cores da vida, no brilho, na sua capacidade de nos atrair

Mesmo quando enxergamos apenas cinza, através do brilho das lágrimas, da saudade ou da desilusão

Precisamos acreditar que tudo passa, bom ou ruim, cedo ou tarde

E que nossa flexibilidade perante os acontecimentos nos torna mais aptos a enfrentá-los

Precisamos acreditar que os melhores caminhos são os abertos a ferro e fogo, ou com carinho, em nossas rochas internas, que levam a recantos secretos, mágicos

São eles que precisamos percorrer quando algo se complica, por onde passam as águas que nos trazem vida

E é de onde buscamos forças para prosseguir

Precisamos aceitar que somos seres errantes, imperfeitos, que estamos aqui para aprender

Precisamos acreditar em nós!

Alda M S Santos

Flertando

FLERTANDO

Viver na superfície, sentado num banco, confortavelmente

Observando as belezas à nossa volta, nada a nos surpreender

É uma opção suave e tranquila de vida…

Viver no entorno, entrar na mata, nadar nas lagoas, enfrentar espinhos

Pescar, refrescar a si e aos outros

É uma opção mais ativa, porém, mais riscos…

Viver de mergulhos profundos, buscando sempre o novo

Esbarrando nas paredes mais escuras do lago

É uma opção mais complicada!

Nós somos esse lago atraente, convidativo

Só nos conheceremos a fundo se mergulharmos

Nas profundezas obscuras de nós mesmos

Se flertarmos conosco, desvendarmos nossos mistérios sem medos

Em busca do melhor que pudermos ser,

Para nós, para os outros,

E sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Refrigérios

REFRIGÉRIOS

Um banho de cachoeira para refrescar o corpo

Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente

Uma chuva de boas ações para nutrir o coração

Uma tempestade de nós para nós mesmos

Para sintonizar no amor e alegrar a alma

Conosco e com os demais

E encontrar a paz…

Alda M S Santos

Aquela que passa

AQUELA QUE PASSA
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos

Chama acesa

CHAMA ACESA

A chama interna de cada um de nós necessita ser mantida

Ela que garante nosso prazer de viver

Que nos faz levantar da cama todos os dias e seguir…

Cada qual tem um combustível próprio: família, trabalho, amigos, Deus

Às vezes, meio apagadinha, outras, labareda

Ideal que dependamos o menos possível de combustíveis alheios.

Passar a vida buscando combustível do outro,

“Furtando” combustível, oxigênio alheio,

Dependendo de diminuir ou apagar a chama dos outros

Mesmo involuntariamente, para manter a nossa acesa

Não faz uma chama bonita e duradoura!

Nossa chama deve iluminar o outro, e vice-versa, alastrar-se

Há algo muito errado se nossa chama acesa apagar a de alguém!

Que encontremos nossa luz!

Alda M S Santos

Bagunça em mim

BAGUNÇA EM MIM

Há dias que estou tão bagunçada

Como aqueles jardins em que todas as flores disputam espaço

Perfumes, cores e formas se misturam…

Como um quarto de adolescente com livros, eletrônicos, roupas, calçados e pratos e talheres para todo lado

Nada se encontra ali…

Como uma criança numa loja de brinquedos deslumbrada com tudo, quer tudo

Não consegue se decidir…

Quando a bagunça é muita, não basta uma faxina

Precisa reorganização total e alguns descartes

Minha casa anda tão bagunçada,

Que tropeço em mim mesma, caio, machuco, choro,

Quase desisto! Quase!

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Onde me encontro?

ONDE ME ENCONTRO?

Não importa onde eu esteja

Quer seja em casa, na rua, na academia, numa festa

Na visita a amigos, a um asilo ou hospital, na igreja,

Em alto mar, num voo internacional, num trem

No meio do mato, no lombo de um cavalo,

Posso estar onde estiver, com quem estiver

Independente de todos os caminhos que percorra

Só vou me encontrar dentro de mim mesma.

E esse caminho só eu posso traçar

Só eu posso percorrer

Seja qual for o “transporte”,

Passando por atalhos ou não,

Regada a sorrisos ou lágrimas,

Sozinha ou acompanhada,

Só eu posso me encontrar,

E somente depois, talvez me encontre dentro de outro alguém…

Alda M S Santos

Retirando camadas

RETIRANDO CAMADAS

Muitas vezes precisamos retirar todas as camadas

Que recobrem nossa mente, nossa alma

Como alguém que retira peça por peça de roupa

Inclusive as íntimas, totalmente despidos

Para ficar mais leve na balança

Com menos pesos adicionais.

São muitas as coisas que podem pesar:

Culpas, fracassos, sonhos perdidos, desejos impossíveis.

Ainda que seja apenas na frente do próprio espelho

É preciso começarmos a nos despir

Retirar tudo, jogar no chão, deixar lágrimas rolarem

Mostrar nossa verdadeira face para nós mesmos,

Antes da coragem de mostrá-la ao mundo

Ou não!

E nos sentirmos verdadeiramente leves…

Alda M S Santos

É preciso emagre(ser)!

É PRECISO EMAGRE(SER)!

A toda e qualquer criatura, masculina ou feminina,

Se for perguntado sobre o próprio corpo,

Maioria estará insatisfeita e certamente dirá:

Gostaria de emagrecer uns quilos,

Perder a barriga, uns culotes, ganhar músculos!

Os motivos são sempre estéticos: cuidar da aparência.

Pouquíssimos estarão preocupados com a saúde,

Ao contrário, fazem até procedimentos que a colocam em risco.

Num mundo em que uma boa “estampa”, uma boa imagem valem quase tudo,

É até compreensível que todos queiram cuidar do físico.

Estar bem com o próprio corpo, cuidar da autoestima,

É um modo de nos conectar melhor com nosso interior.

É preciso emagrecer, sim, se for nossa vontade, retirar os excessos do corpo pode fazer bem!

Mas é fundamental emagre(ser), retirar os excessos que engordam a alma,

Que nos impedem de nos amar e amar os outros.

Essa “gordura” é a mais difícil de perder.

Alda M S Santos

Confusão

CONFUSÃO

Emoções em ebulição

Dúvidas em questão

Angústias na contramão

Silêncios sem razão

Atitudes sem reflexão

Geram vidas em confusão!

Faz-se necessário, equilíbrio sem senão!

Alda M S Santos

Rosas

ROSAS

Maravilhosas são as rosas

Perfeitas em sua delicadeza,

Cores, perfumes, formas…

São quase unanimidade,

Quase!

Há os espinhos, necessitam muitos cuidados,

Poda, adubo, água, luz solar

Algumas cores não agradam também,

Uns incomodam-se com os insetos que elas atraem,

E têm curta durabilidade…

Prefiro ater-me às lindas cores

Delicadeza e perfume!

Espinhos? Todas têm!

Todos temos!

Mas somos belos e encantadores

Como criaturas do mesmo criador!

Alda M S Santos

Irrigando com lágrimas

IRRIGANDO COM LÁGRIMAS 

Todo jardim precisa de água, sol e cuidados 

Como levamos tudo isso para nossos jardins internos?

Sol, levamos com sorrisos e carinhos

Cuidados, levamos com amor e amigos

Uma dúvida surge: como irrigar? 

Água das lágrimas servem para irrigá-los? 

Ou acabarão por matá-los?

Alda M S Santos

Mata virgem

MATA VIRGEM

Amar é adentrar numa mata virgem

Sem qualquer conotação sexual,

Ou pode ter, se assim o preferir. 

É desbravar, abrir trilhas, descobrir espaços secretos

É passar por espaços iluminados, outros escuros

É ter momentos de dor, de cansaço, de frio e calor, 

É ter prazer nos oásis, na maciez de uma cama de folhas, 

É encontrar itens encantadores, outros perigosos, 

É ter apenas uma ideia do que se quer

É saber que nem toda surpresa será boa

É, sobretudo, ter certeza que vale a pena desbravá-la,

Porque não há modo de conhecê-la de fora,

Projetar ou resolver problemas sem nela adentrar.

Uma mata virgem, assim como o amor

São convites a curiosos e corajosos. 

Alda M S Santos

 

 

Veja

VEJA

Veja no andar vacilante, ou excessivamente confiante, não apenas uma fraqueza física ou emocional, 

Mas o peso de uma história linda que desconhece.

Veja na beleza exterior tão à flor da pele e gritante, não uma pessoa que deseja mostrar-se superior,

Mas alguém carente e receoso de se mostrar interiormente.

Veja nos sorrisos constantes e claros, não só uma pessoa que parece feliz,

Mas alguém que precise estar alegre para não se afogar nas tristezas.

Veja na seriedade e olhar triste, não apenas alguém introspectivo ou inseguro,

Mas alguém que se esconde com medo de se machucar nos tombos da vida.

Veja no modo de ser tão aparente e “ofensivo”, não o desejo de ser “mais” na visão do outro, 

Mas a necessidade meio distorcida de ser alguém “além” para si mesmo.

Veja em cada modo de ser, não apenas algo tão diferente do que você é,

Mas alguém que, como você, procura manter sua essência, sua originalidade, num mundo de falsificações. 

Alda M S Santos 

Se um dia eu me perder

SE UM DIA EU ME PERDER

Se um dia eu me perder 

Procure-me onde haja muito verde, muita mata, ar puro,

Se um dia eu me perder

Procure-me onde as águas sejam límpidas a refletir o céu,

Se um dia eu me perder

Procure-me num roseiral, em meio às borboletas azuis,

Se um dia eu me perder

Procure-me na alegria inocente de um grupo de crianças,

Se um dia eu me perder

Procure-me nos grãos de areia da praia ao pôr do sol,

Se um dia eu me perder,

E ainda assim não me encontrar,

Não busque em mim, olhe dentro de você, 

Se me procuras, é porque me amou,

Se me amou de verdade, eu também te amei,

Certamente uma parte bonita de mim estará gravada em você, 

Uma parte grande de você estará presa em mim, 

E poderá levar-me a me encontrar…em você, em mim,

Comigo, com você! 

Se um dia eu me perder de mim…

Alda M S Santos

Saudade dolorida

SAUDADE DOLORIDA

Saudade dolorida, tão redundante!

Acaso existe saudade que não doa?

Há saudade energizante, saudade paralisante,

Saudade que tem pretensões de alegrar,

Suspiros, nostalgias, lágrimas…

Saudade do que não houve,

Tantas vezes nítida, outras nebulosa…

Mas saudade que não cause dores, não há!

Remetem a algo que não mais temos…

A algo que gostaríamos de resgatar.

A pior delas é a saudade de nós mesmos,

Aqueles que fomos outrora e não mais somos,

Não mais nos identificamos em nosso modo de ser,

De fazer, de agir, de querer, de se querer…

Olho em meus olhos, exploro-os, busco-me,

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Fora de nós

FORA DE NÓS

Buscamos, muitas vezes, a solução para nossos problemas fora de nós.

Quer seja em familiares, amigos ou ajuda profissional.

Um familiar nos aconselha, um amigo nos abraça, nos puxa a orelha, um profissional nos indica o caminho.

Porém, ninguém incute nada em nós.

O familiar, o amigo, o profissional apenas nos ajudam a ver o que já existe adormecido em nós.

Somos uma gruta cheia de recantos secretos, a desvendar. 

Concluindo, a solução está em nós, dentro de nós.

Fora de nós existem pessoas especiais que nos ajudam a despertar.

Alda M S Santos

Melhor companhia do mundo

MELHOR COMPANHIA DO MUNDO
Viver é a habilidade de nos refazer sempre
Curtir cada momento, eternizando-os
Ou transformando-os em algo tolerável,
Que não nos machuque, não nos domine.
Viver é a capacidade de mergulhar em todos os sentimentos,
De neutralizar alguns, refazer outros, transformar outros tantos.
É manter-nos de pé, enquanto a roda da vida gira forte
Ou levantar, quando cair, mesmo que ainda tonto.
Viver é, principalmente, quando se está no chão, sofrido,
Ainda ser capaz de estender a mão e ajudar.
Viver é saber valorizar as companhias que se tem, todas elas,
Mas, essencialmente, estar acompanhado, ainda que só,
É encontrar em si mesmo a melhor companhia do mundo.
Alda M S Santos

Original

ORIGINAL

O que é ser diferente, ser original?

É se destacar entre iguais?

Quem determina o que é igual ou diferente?

Quem estabelece o que é original e o que é comum? 

Depende sempre do referencial de cada um.

Pode-se ser muito original para alguém,

Muito comum para a grande maioria. 

O temível e terrível é estabelecer valores, 

Melhores ou piores, pelas diferenças que se percebe.

Todos podemos ser diferentes ou iguais, depende sempre do olhar que nos observa! 

Vale mesmo é ser autêntico, respeitar a si mesmo, sem desrespeitar os demais.

E sempre consideraremos especiais quem nos admirar da forma que somos. 

Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS
Nossa vida parece aqueles espelhos de parque de diversões.
Aquele que chamam Palácio do Riso.
Onde aparecemos distorcidos: muito gordos, muito magros, deformados, superestimados…
Sorrimos, nos divertimos.
A diferença é que aqui fora não tem graça.
Esses espelhos que tanto nos distorcem são os olhares que recebemos.
Olhares que nos enaltecem, que nos depreciam,
Que nos fazem melhores, esperando muito de nós.
Ou que nos fazem piores, nos desencorajando.
Quando encontramos um olhar real, verdadeiro, até estranhamos.
Queremos guardar esse espelho só pra nós.
Espelho, espelho meu, existe alguém mais tola do que eu?
O segredo é fazer da vida nosso palácio do riso
E sorrir, sempre…
Até encontrar um espelho fiel!
Alda M S Santos

Na mesma morada

NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.

A mais sapeca ria e brincava com tudo,

Sorriso cativante, alegria contagiante.

Atraía amigos e alguns invejosos.

Costumava implicar com a introspectiva,

Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.

A mais liberal não temia quase nada.

Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,

Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.

A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.

A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.

A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.

A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.

A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…

Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…

Amava boas conversas, gente inteligente, interação.

A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.

Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.

A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…

A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.

A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.

A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.

Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.

Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.

A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.

Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.

Alda M S Santos

Coragem

CORAGEM
É preciso coragem para ser autêntico
Para se assumir como é, para se amar.
É preciso coragem para dizer, mesmo sem palavras,
A alguém que se ama: “eu sou assim”!
“Será que tem coragem para me amar assim?
Ou se acovarda e se esconde em medos,
Em padrões pré-estabelecidos
Que já provaram nada valer”?
É preciso coragem para crer, aceitar
Que não existe um único e correto modo de ser,
Que existem infinitas maneiras de ser gente,
De ser e fazer feliz!
A vida exige coragem!
Alda M S Santos

Sobre areias e caminhões

SOBRE AREIAS E CAMINHÕES
Muita areia para o pequeno caminhãozinho?
Ajeite, acomode, faça várias viagens!
Uma montanha de areia pode atrair e assustar
Mas, ao enfiarmos os pés, percebemos
Que ela não é tão densa ou pesada quanto parecia
E, se bem compactada, é a carga ideal
Para certos tipos de caminhãozinho.
Autoconfiança é fundamental!
Alda M S Santos
imagem: google imagens

Limões e Laranjas

LIMÕES E LARANJAS
Certa vez um limão, cansado de ser preterido, resolveu mudar. Procurou a amiga laranja e disse:
“Estou cansado de ser como sou. Ouço que sou muito pequeno, verde em excesso, ácido demais. Tenho dificuldades em encontrar a minha metade. Estou só. Quero ser como você, grande, doce, laranja, a preferida por todos!”
A laranja, que sempre admirou o limão, estranhou e disse que gostava dele daquele jeito. Que era perfeito como limão.
Mas o limão insistiu tanto que ela o ensinou como era ser laranja.
Ele fez de tudo, lágrimas ácidas escorriam em sua casca verde, tentou crescer, mudar a cor, ser mais doce. Achou que tinha melhorado um pouco. Todos olhavam para ele.
Um belo dia, na banca de uma feira, um garotinho que sempre adorou limões, quando questionado pela mãe o motivo de não querer levá-lo, ele disse:
“Ah, mamãe, nem tá parecendo muito com limão! Não é nem limão, nem laranja. Gosto de limão de verdade. Vou preferir laranjas hoje”.
O limão ficou arrasado! Tanto esforço para parecer uma caricatura de si mesmo! Nem ele mesmo se gostava mais. Tantos o olhavam por causa do ridículo da situação: um limoranja! Nem sua metade havia encontrado! Limoranjas não existem!
Enxugou suas lágrimas ácidas, retirou aquela maquiagem de laranja, desinchou, lustrou sua casca grossa e muito verde e decidiu ser o que era: um limão!
Logo seus apreciadores voltaram. Até uns fãs da laranja notavam seu valor.
Percebeu que podia ser, como limão, o que quisesse.
Quando queria ser diferente, menos ácido, virava uma limonada.
Se queria ser mais doce, virava uma mousse, um bolo, picolé ou sorvete.
Quando queria ser mais quente, virava uma caipirinha.
E muitos elogiavam seu poder refrescante, capacidade de adaptação a vários itens culinários e vitamina C.
Podia ser o que quisessem dele, mas sem deixar de ser limão.
Mousse, bolo, sorvete, picolé ou caipirinha, a essência do limão era preservada.
Descobriu-se inteiro, amado por muitos, principalmente por si mesmo.
Não demorou, percebeu uma linda “limãozinha” de olho nele! E como era linda, pequena, bochechas verdes! Quando sorria, sumo ácido delicioso saía de si.
Um dia, tomou coragem e se aproximou dela: “tá quente aqui, vamos fazer uma limonada?”
Um tempo depois, uma laranja se aproximou dele e disse: “queria tanto ser como você! Não acho minha metade”!
Ao que o limão respondeu: ” senta aqui, vou te contar uma história”.
Era uma vez um limão que, insatisfeito consigo mesmo, queria ser uma laranja…
Alda M S Santos

Contradições

CONTRADIÇÕES
Frágil em sua força, forte em sua fragilidade
Sorriso que ilumina ou que se apaga,
Lágrimas de alegria ou profunda tristeza
Palavras que nem sempre conseguem expressar o que quer, gritando ou sussurrando
Silêncio que grita o que vai no fundo, mas não é compreendido
Ora sozinha entre tantos,
Tantas vezes acompanhada de si mesma.
Um baú de possibilidades, de emoções,
Cheia de “vazios”, vazia de espaços.
Amor sem medidas, amor em excesso
Mas que tantas vezes não é o bastante.
Um poço de contradições, como todo ser humano.
Só quer viver e amar!
Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS

De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.

Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”. 

Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.

Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.

O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.   

Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber. 

Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.

Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem. 

Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha. 

Eles são importantes, mas não são agradáveis.

Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.

Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.

Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”

O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.

E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.

Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”

Alda M S Santos

Somos insubstituíveis

SOMOS INSUBSTITUÍVEIS!

Ninguém é insubstituível, sempre ouvimos. Dizem isso com o intuito de nos fazer despreocupar com determinadas tarefas, ocupações ou pessoas.

Mas eu acredito que somos insubstituíveis. Sem presunção!

Não falo apenas dos grandes nomes, grandes personalidades, gênios e tal. 

A marca desses é eterna. Atravessam gerações e gerações.

Porém, cada um de nós é um ser único e, por mais rotineira que seja nossa ocupação, nela deixamos nossa marca. 

Outros podem ocupar o lugar físico deixado por nós, mas o modo único com que a realizamos não haverá substitutos.

Podemos também ocupar lugar num coração por um tempo, irmos embora e outro chegar. 

Porém, não é o nosso lugar que o outro ocupará. Ele terá novo espaço. Nosso lugar sempre será nosso. 

Quanto mais coração, quanto mais emoção, quanto mais de nós colocarmos naquilo que realizamos, mais profundas serão as marcas e o espaço que ocuparemos.

Se fosse possível scanear nossas emoções com tudo que vivenciamos, teríamos uma imagem espetacular: pais, irmãos, amigos, colegas, desafetos, amores… 

Como um HD de capacidade ilimitada.

Se plugassem em nós um cabo e transmitissem numa tela, veríamos que tudo está lá: alegrias, tristezas, saudades, raivas, amor, decepções, frustrações, sonhos, companheirismo e seus respectivos autores. 

Quem passou por nós está registrado ali.

Por onde passamos, também deixamos nossa marca impressa.

A lei da física é implacável: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Não se sobrepoem.

Mas nada diz que um apaga ou elimina o outro. Podem até se comprimir, apagar não.

Gravação ilimitada e infinita.

Muitos querem excluir algumas marcas. Tentar apagá-las é um modo de acessá-las e torná-las mais fortes. 

Quanto “pesa” nosso HD emocional?

O quanto de espaço ocupamos nos HDs alheios?

Se realizarmos uma busca com nosso nome, quantos links aparecerão no “google” da vida? 

Somos insubstituíveis! 

Façamos com que nossa marca seja bonita e prazerosa! 

Alda M S Santos

Medida exata

MEDIDA EXATA
Faço na medida exata
Que determina meu modo de ser
Sinto na intensidade devida
Que pede meu coração…
A magia só acontece quando acreditamos em milagres…
Meu céu sou eu quem faço
Escolho o que quero ver
Uso o filtro que me cabe
Com a sutileza da alma…
O que se for, não era para ficar
O que ficar, valorizo
Na certeza de que quem mais ama, mais vive.
Alda M S Santos

Que seja o bastante

QUE SEJA O BASTANTE 

Para uns, pura energia, para outros, espevitada 

Para uns, piegas, sentimental, para outros, carinho e emoção.

Para uns, encrenqueira, para outros, inteligente, questionadora.

Para uns, amiga, atenciosa, para outros, xereta e meio atrevida.

Audaciosa ou covarde, insegura ou dona da verdade, 

Egoísta ou altruísta, fria ou sensual, 

Seca ou amorosa, bondosa ou “aparecida”, 

Extrovertida ou tímida, forte ou chorona…

Todo o tempo, não sou nem um, nem outro.

Dispenso rótulos.

Eternamente em mudança, aprendendo, crescendo…

Nunca serei o que esperam de mim

Sequer serei o que espero de mim

Cada um vê em mim o que sua percepção permite captar

Cada um recebe de mim aquilo que conseguiu conquistar…

Enquanto estiver por aqui

Tentarei ser mais que ontem, menos que amanhã…

Parafraseando Carl Jung, “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda.”

Tentando sempre ambos…

Espero que seja o bastante.

Alda M S Santos

Busca pela autenticidade

BUSCA PELA AUTENTICIDADE
Uns preferem nosso bom humor constante, outros se irritam com isso.
Uns gostam de nosso jeito expansivo e comunicativo, outros nos consideram exagerados.
Alguns apreciam nosso jeito jovial e prático de ser e nos vestir, outros acham que queremos chamar atenção.
Sempre haverá quem prefira algo totalmente diferente do que somos.
Jamais conseguiremos agradar a todos. Acabaríamos por nos tornar uns mascarados, representando um papel em cada espaço ou situação.
Somos humanos, nos importamos com a opinião alheia, sim. Ninguém quer ser mal visto. Mas devemos selecionar a quem ouvir.
O que pensam os amigos a nosso respeito sempre é valioso. A esses devemos agradecer, ouvir, avaliar, considerar, negociar. Nos amam, se importam conosco.
Porém, o que vale mais, o que realmente importa é uma consciência tranquila, em paz e o que Deus sabe sobre nós.
A preocupação excessiva com a opinião dos que não nos amam, sequer nos conhecem, nos leva a ser apenas sombras de nós mesmos. Perda da naturalidade e autenticidade!
Acredito que “a busca pela autenticidade consiste em fazer a verdade pessoal prevalecer sobre as opiniões alheias” ( Pe Fábio de Melo).
Isso é um aprendizado diário!
Alda M S Santos

Autoimagem

AUTOIMAGEM

O que move nosso existir? O que se fosse tirado pesaria mais?

A saúde, a lucidez, os filhos, os pais, o cônjuge? 

Talvez a família, a paz, o respeito e admiração dos amigos, o amor, o trabalho, a casa, a fé em Deus? 

Fazer esse exercício nos dá a verdadeira dimensão do quanto temos, do quão valioso é nosso existir.  

Quando algo vai mal, temos a tendência a listar todas as coisas negativas para justificar nosso mau humor, mal estar, raiva ou desprazer. 

Pensando nas coisas boas, estabelecemos prioridades, valorizamos o que tem verdadeiro valor, tiramos o foco do que não é tão importante. 

Não é que o problema vá desaparecer, mas deixará de ser o mais importante, deixará de nos tirar o sono. 

Respondendo a pergunta inicial, de tudo que podemos perder, penso que o mais grave é o amor próprio, o autorrespeito, a autoestima. Isso é saúde mental.  

A autoimagem, a coragem de se olhar nos olhos no espelho, não sentir vergonha de si mesmo, isso nunca podemos perder. 

Tais coisas são essenciais para nos manter de pé para enfrentar qualquer problema e manter ou conquistar qualquer objetivo. 

Cuidemos de nossa autoimagem! 

Alda M S Santos 

Ainda não sei

AINDA NÃO SEI…
Ainda não sei…
Sou apenas um ser errante perdido nessa galáxia. Talvez fosse perfeita noutra dimensão.
Ainda não sei …
Se inferior ou superior a esta. Sei apenas que tantas vezes me sinto perdida por aqui.
Ainda não sei…
Sobra-me algo? Falta-me algo? Sei apenas que minha “kriptonita” não vale de nada por aqui, exceto como arma contra mim mesma.
Ainda não sei…
Tantas diferenças com meus iguais, tantas semelhanças com meus desiguais!
Onde está o “erro”?
Ainda não sei…
Igualo-me a eles? Peço que se igualem a mim?
Ainda não sei…
Precisamos ser iguais?
Sei apenas que não saber, dói! Angustia!
Mas sei de uma coisa importante: sendo ou não daqui, é aqui que estou.
Enquanto estiver por aqui, darei o melhor de mim. E tentarei obter o melhor dos outros.
Alda M S Santos

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