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Seja ímpar!

SEJA ÍMPAR!

Seja maluco, louco

Mas daqueles que encontram alegria na própria insanidade

Seja saudável, cuide de si

Mas ajude a cuidar dos outros

Seja sincero, seja honesto

Mas nunca use isso como desculpa para grosserias

Seja curioso, interessado, gentil

Mas cuidado ao se intrometer na vida de alguém

Seja infantil, seja criança, volte a ser pequeno

Mas seja grande na pureza e inocência

Seja intenso, alegre ou triste

Mas seja profundo, não aceite superficialidade no que é essencial

Seja contido, introspectivo

Mas não deixe de transmitir o que pensa ou sente

Seja luz, seja brilho, seja cor

Mas respeite quando tudo for sombra

Seja romântico, seja até mesmo piegas

Mas não seja frio ou indiferente

Seja original, seja único, seja ímpar

Mas respeite o modo ímpar de ser dos outros

Seja a esperança de um mundo melhor que começa em você!

Alda M S Santos

Florescendo, flores(sendo)…

FLORESCENDO, FLORES(SENDO)…

Sob sol, sob chuva, sob tempestades

Florescendo, flores sendo…

Acolhendo abelhas, borboletas e beija-flores

Ensurdecendo com o canto das cigarras

Florescendo, flores sendo…

Sob o entardecer, sob o luar ou a aurora

Dividindo espaço, multiplicando belezas

Queimando e perdendo pedaços para as formigas

Florescendo, flores sendo…

Alimentando-me de brisa, de doçuras, de toques delicados

Fazendo minha fotossíntese

Purificando o ar, espetando os dedos com espinhos

Molhando a raiz de lágrimas salgadas

Florescendo, flores sendo…

Nascendo, crescendo, perfumando a vida, encantando, morrendo…

Florescendo, flores sendo…

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Caricaturas da alma

CARICATURAS DA ALMA

Caricaturas são representações das pessoas ou de situações

Em que o desenhista coloca em foco o que quer evidenciar

Olhos, orelhas, cabelo, testa, boca, nariz, mãos…

Qualquer parte do corpo pode ser aumentada ou diminuída de forma grotesca

De acordo com o olhar do artista observador

E transmitir uma mensagem, sem palavra alguma!

Sei bem como seria feita uma caricatura de corpo minha!

Mas e se, ao invés de uma caricatura de fora, fosse feita uma caricatura de dentro?

Quais partes nossas seriam evidenciadas?

O que temos transmitido de nós por aí?

Quem saberia fazê-la fiel, quem nos vê de verdade?

Cérebro, coração, emoção?

Carisma, energia, luz, amor?

Gostaríamos de ver, de saber?

Saberíamos nós mesmos fazê-la?

Mesmo grotescas, as mensagens das caricaturas são claras,

Por isso chocam e, quase sempre, geram mudanças.

Alda M S Santos

O melhor amigo

O MELHOR AMIGO

O melhor amigo te olha nos olhos

Encara, enfrenta, diz a verdade

Diz que tem saudade do que você era

Daquilo que você tem deixado de ser

O melhor amigo não desvia os olhos

Fala onde você errou, te ampara nos seus medos

Ralha com você, mas te dá carinho e atenção

O melhor amigo não te deixa desviar o olhar

Está presente, não foge, te cobra presença

Diz que se orgulha de você, não te deixa esmorecer

O melhor amigo sabe tudo de você

Não te deixa se tornar seu pior inimigo

Tampouco permite que você faça gol contra

Ou que seja atingido por fogo amigo

O melhor amigo te alertará se fizer mal aos outros

Mas, sobretudo, se fizer mal a si mesmo

O melhor amigo, se você permiti-lo agir, nunca deixará você cair

E, se isso acontecer, não te deixará lá por muito tempo

Ele te ajudará a se reerguer e seguir

Olhe para ele, não se esconda!

Seu melhor amigo está diante de você

Naquele espelho que você se olha todos os dias

E nem sempre se vê…

Dê um abraço apertado nele

E aquele sorriso que faz tudo se renovar…

Diga com convicção e sinceridade:

Eu te amo para sempre e nunca te abandonarei…

Alda M S Santos

Um galho a mais

UM GALHO A MAIS

Para uns sou a base, o cais, o alicerce, a raiz

Sou segurança…

Para outros sou a flor, delicadeza, leveza, perfume

Sou encanto…

Às vezes sou o tronco forte, o galho que sustenta a gangorra

Sou diversão…

Noutras sou as folhas que caem ao sabor do vento e da maturação

Sou renovação…

Algumas vezes sou o fruto suculento, polpudo e saboroso

Sou combustível, alimento…

Posso ser também apenas um galho a mais a balançar na ventania

Sou esperança…

Tudo depende de quem me vê, de como se vê

De suas carências, do que precisa para viver…

Parte do que os outros são ou nos parecem ser

É apenas reflexo daquilo que somos e precisamos…

Sinto-me apenas um galho a mais, ora forte, ora frágil

Mas importante para a vida da minha pequena árvore

Nessa grande floresta da existência…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

Quando primavera

QUANDO PRIMAVERA

Quando sou primavera

Sou flor, cheiro, cor

Beleza, harmonia…

Atraio, encanto,

Perfumo e embelezo.

Porém, não sou primavera todo o tempo

Venho de invernos frios, longos e solitários…

Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades.

Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos em que perdi boa parte de mim…

Reconstruí, floresci, renasci….

Enfim, primavera!

Trago comigo arraigados

Meus verões, outonos e invernos…e com eles

Quem me acompanhou.

Com eles quero dividir

Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume, minhas cores, meu encanto!

Sabiamente, me abasteço para o próximo outono.

Ele sempre vem!

Alda M S Santos

Repostando

Nublado

NUBLADO

Quero um dia inteirinho de chuva

Daqueles cujo céu fique totalmente encoberto

Chuvinha constante, ora fininha, ora mais intensa

Daqueles que nos “autorizem” a ficar o dia todo sob as cobertas

Sem precisar justificar, sem precisar de um porquê

A nostalgia e introspecção comuns desses dias nos liberam para tal

Eles são, por si só, a razão do recolhimento

Sentindo o friozinho úmido lá de fora, as gotas da chuva escorrendo na janela

Cheirinho de terra molhada, flores agradecidas, pessoas correndo

Escondendo-se sob as marquises, dividindo guarda-chuvas

Umas felizes, outras praguejando, esbravejando

Os abraços molhados, os encontros, os reencontros

O amor, a saudade de infância que sempre fica no ar…

Crianças sempre amam, andam nas enxurradas, nada temem

Adoro observar as pessoas em dias assim

O cinza molhado ativa as cores ou ausência delas nas pessoas

Os cães sequer saem das casinhas

O bem-te-vi por certo também está em “casa”

Um pijama macio, uma meia velha, cabelos revoltos, uma xícara de chá

Um livro, um filme ou uma música

Uma história para escrever…

Sei lá…

Dias nublados e chuvosos são dias muito produtivos

Ainda que o produto seja apenas interno e invisível aos olhos de fora…

Alda M S Santos

Cuidando de mim

CUIDANDO DE MIM

A dedicação e disciplina geram tônus e força muscular

A força se converte em coragem e confiança

A confiança se transforma em superação de limites

Superação de limites leva ao equilíbrio

O equilíbrio interno e externo produzem paz, satisfação

A satisfação reduz dores, cura males e dá origem a uma maior consciência corporal

A consciência corporal é eficaz para uma prática mais consciente do Pilates

A prática consciente leva à perfeição, à precisão e gradativa saúde …

Saúde é alegria, é cuidar da gente

E cuidar da gente é um modo de amar a quem nos ama e nos quer bem….

Alda M S Santos

Pronta para servir

PRONTA PARA SERVIR

Junte um sorriso, alegria de viver e fé em Deus

Misture bem

Acrescente confiança, carinho e compaixão

Dissolva todo o tempo

Enfrente as decepções, os medos, a tristeza, o abandono

Descarte os excessos, aquilo que azedaria a massa

Regue com lágrimas e faça um bolo único

Reserve

Deixe em repouso até crescer

Unte a forma com aprendizado e sabedoria

Cubra com muito amor sincero

Pincele novamente com um sorriso

Polvilhe mais fé em Deus e alegria de viver

Está pronta uma pessoa forte!

Pronta para servir

Junto da família e dos verdadeiros amigos

Alda M S Santos

Coringa

CORINGA

Uma carta coringa assume qualquer valor

Habilidade de encaixar-se, de se sobrepor

Coringas são neutros, adaptam-se sem qualquer pudor

Uma roupa coringa cai bem em qualquer ocasião

Um prato coringa que atende qualquer refeição

Um programa coringa que alegra qualquer coração

Um sentimento coringa que lida bem ou substitui qualquer emoção

Uma pessoa coringa que acalma ou anima com prazer, sem razão, com paixão

Um palhaço que alegra, mesmo chorão

Que encanta, mesmo bobalhão

Que alegoricamente malicioso, da sua inteligência não abre mão…

Ser ou ter um coringa? A pergunta não é se…

Mas quando lançaremos mão dessa enigmática representação

Que muitas vezes nos salva de nossas próprias tolices, boas ou não…

Alda M S Santos

#carinhologos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Eu versus eu

EU VERSUS EU

As grandes batalhas da vida

Não são aquelas lutadas lá fora

As maiores batalhas do existir

São aquelas travadas no front de nosso interior

As vezes em que não eliminamos nossos monstros

Por medo, covardia ou compaixão

As vezes em que não neutralizamos um mal

Dando tempo para ele crescer e se fortalecer

E voltar a nos atingir em cheio

As vezes em que nos escondemos atrás de barricadas

Sabendo bem qual era nosso calcanhar de Aquiles

As vezes em que demos munição para “adversários” já conhecidos

E não usamos as armas que sabemos que seriam as mais potentes

Não importa se o oponente é um mal físico, mental, psicológico ou emocional

Uma doença crônica, um diabetes, uma dificuldade com números ou de expressão de sentimentos

Problemas de autoestima, ciúme, confiança ou bondade excessiva

Ou aquela pessoa a quem “damos” o poder de nos irritar ou fragilizar

E ficamos expostos nas trincheiras, de peito aberto

Ferida aberta, reaberta, sangrando

Nosso oponente sempre está em nós mesmos

Só nós podemos deixá-lo nos atingir

Só nós podemos enfrentá-lo

Uma batalha já é perdida ou ganha em nosso interior

Aqui fora é só um detalhe a mais

Muitos campos abertos aos quais nos expomos sem necessidade

Viemos para essa “guerra” para vencer nossos próprios “inimigos”

Sermos melhores a cada dia

Evitando sermos atingidos por fogo “amigo”

Ou atingindo adversários imaginários

Como sabemos se estamos vencendo?

Quando estamos bem conosco mesmos, em paz física e emocionalmente

E com aqueles que nos cercam

É sinal que estamos vencendo

Mas essa é uma batalha que só termina quando somos chamados de volta para casa

Para nosso território de origem…

Como estamos nos saindo em nossas guerras particulares?

Alda M S Santos

Camuflagens

CAMUFLAGENS

Habilidade de passar despercebido onde quer que esteja

Meio de se proteger, assemelhando-se ao ambiente para não chamar a atenção

Tornar-se um igual a tantos outros iguais

Apagar algum brilho ou cor, acender outras

Gritar onde se grita, silenciar onde tudo é silêncio,

Ser cinza onde tudo é cinzento, desligar-se onde tudo está em off

Mexe daqui, mexe dali, e…pronto!

Tudo homogêneo, nada se destaca, todos uniformizados

Um bloco de iguais!

O risco é acabar esquecendo o que se é

E, na tentativa de se autoproteger ou agradar aos outros,

Acabar por não ser mais nem um e nem outro…

Pior, perder até o prazer de ser o que se é!

Alda M S Santos

Nossos acordes silenciosos

NOSSOS ACORDES SILENCIOSOS

Levar a vida numa valsa, num forró, bolero ou rock, entregue

Absorvendo os acordes que ela toca, clara ou confusa

Expressando-se com leveza, sem nada dizer

Tudo que vai dentro de si

Nos embalos lentos, ritmados

Apressados ou velozes, corpo nos giros da canção

Dançando, girando, movendo a roda, de alma nua

A dança fala aos que sentem essa vibração

Braços, pernas, cabeça, coração

Sensualidade, simplicidade ou molecagem

Em sintonia consigo mesma, transmitindo uma silenciosa mensagem:

A vida é uma eterna música

Dançar não é apenas movimentar o corpo

É uma necessidade da alma, do coração

Dançar sem amarras, soltar-se sem reservas feito pipa no céu

É um modo de fazer amor com a vida

De fazer as pazes com o mundo

De saber-se parte desse grande e maravilhoso quebra-cabeças

Dançar é saber ouvir os acordes silenciosos de nós mesmos…

Alda M S Santos

Os choques da vida

OS CHOQUES DA VIDA

Muitos choques assustadores: sépticos, anafiláticos, hipovolêmicos, cardiogênicos

Causados, quase sempre, por excessos que levam a faltas

E nos ameaçam o viver

Descargas elétricas que queimam, doem, machucam

Todos eles têm algo em comum: nos matam ou nos acordam para a vida

Para o cuidado, para eliminação do que é tóxico, venenoso

Para recuperação do ritmo adequado, manutenção do que é positivo

Como os desfibriladores a nos lembrar que é preciso bater no ritmo certo, desacelerar

Como aquela situação ou alguém que nos tira da mesmice, do tédio

Assusta, irrita, balança estruturas, choca

E diz: “você não é tudo isso”, ou “você pode fazer melhor”, ou “não tá na hora de desistir”!

O choque de realidade que desmancha ilusões, eletrocuta sonhos, desperta verdades

Que abre caminhos para novas construções

E nos alerta para qualquer risco de novo choque destrutivo

“Gato eletrocutado tem medo até do focinho de um porquinho”

Certo é que depois de um choque ninguém é mais o mesmo…

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

Nada tão humano

NADA TÃO HUMANO

Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação

Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados

Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo

Até naquilo que tenta esconder

Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados

De parecer bem e correto aos olhos dos outros

Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado

Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado

Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio

Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria

E o que é mais humano que a imperfeição?

Alda M S Santos

Descarrilhou?

DESCARRILHOU?

É fácil ser bom quando tudo parece perfeito

Quando o trem da vida segue nos trilhos

O céu está limpo, jardim florido, pássaros a cantar

Quando somos queridos e amados, quando notamos justiça a nossa volta

Os amigos nos abraçam, há borboletas no jardim e no estômago

A fé prevalece, Deus é Pai, somos agradecidos…

Porém…

Provamos realmente que somos bons e sábios

Se conseguirmos manter certa paz, serenidade e confiança

Quando a saúde física perturba, a emocional oscila

Quando o trabalho é muito cansativo, o chefe nos desvaloriza

Os filhos são rebeldes, com ou sem razão, os pais precisam de ajuda e não pedem ou reconhecem

Os amigos nos abandonam ou não podem estar por perto

O cônjuge nem sempre compreende nossas angústias

O céu escurece, o mundo cai, sem perfumes, sem sorrisos, sem beija-flores

Quando nos decepcionamos, perdemos algo que amamos, nosso time tropeça

Quando nos sentimos lesados e todos parecem se tornar nossos inimigos

Deus não nos ama mais, nos rebelamos, queremos consertar tudo à força…

Nessas horas é difícil ser bom, pacífico

Mas de que vale uma bondade apenas quando tudo parece bem

Se ela é mais necessária quando tudo vai mal?

Se o trem da vida descarrilhar, melhores peritos temos que nos tornar

Para os vagões não desgovernarem e atropelarem todos a nossa volta!

Alda M S Santos

Da minha janela

DA MINHA JANELA

Da minha janela para fora vejo um quadro bonito

Harmonia das cores, dos tons, dos sons

Verdes e marrons, amarelos e vermelhos, azuis e roxos que se completam

Tudo se mistura, tudo tem seu lugar

Sem perder a beleza da unidade ou o encanto do todo

Latidos, piados, cantos, balidos

Sem disputas, há espaço para todos, sintonia total

Da minha janela para dentro vejo um ateliê confuso

Cores misturadas, pincéis jogados, tons e sons dissonantes, viola desafinada

Alegrias e tristezas, dúvidas e certezas se debatem

Vermelhos e azuis, brancos e pretos, rosas e alaranjados disputando espaço

Sorrisos, lágrimas, diálogos e silêncios “interagindo”

Ora o branco pacífico, ora o vermelho flamejante

Reflexões e decepções, alegrias e amores tomam o espaço: o meu espaço interior

Tentando encaixar o que recebo de fora, as “contribuições” externas

Mesmo que pareçam peças avulsas, cores difíceis, desarmônicas

Ali realizo a minha obra diária

Na tela branca de minha alma pinto meu quadro multicor

A arte linda, difícil e nem sempre compreendida

A arte da existência …

Alda M S Santos

Em construção

EM CONSTRUÇÃO

Não somos somente aquilo que nosso olhar transmite

O que há em nós reflete no outro, diferentemente em cada um

E retorna para nós para processamento

Posso ser vista melhor do que sou, dado o grau do amor de quem me vê

Ou posso ser vista menos do que sou, pela (in)capacidade do receptor de entendimento

Ambos ajudam em minha construção do eu

Instigam melhorias, ainda que pós erros e decepções

Somos uma massa sendo “sovada” todo o tempo

Ora homogênea, ora heterogênea

E essa massa cresce ou míngua a cada contribuição recebida

Pode adquirir sabor e beleza ou desandar, azedar

Dependendo do que o outro nos oferece

Alguns ingredientes são essenciais, outros dispensáveis

E há aqueles que, como a cereja do bolo, são puro encanto

Uma receita antiga, mas cheia de atualizações

Tornamo-nos pessoas dia a dia

Seres incompletos e insossos ao nascer

Vamos recebendo do meio os ingredientes necessários

Para a concretização desse plano de Deus em nós…

Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS

Sou feita de barulhos e de silêncios

Ora sou um, ora sou outro

Ambos necessários em mim…

Há quem goste dos barulhos

Há quem prefira os silêncios

Há quem não compreenda nem um, nem outro

Há quem desperte barulhos intensos

Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos

Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois

Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro

Sou feita de contrários, de antagonismos

E nessa luta frenética em mim

Vou desvendando meus enigmas

Tornando-me mais eu…

Alda M S Santos

Precisamos acreditar em nós

PRECISAMOS ACREDITAR EM NÓS

Precisamos acreditar que tudo podemos se lutarmos

Mas não nos abater tanto quando algo não sair como o planejado

Precisamos acreditar que há amizades verdadeiras, amores eternos, vivos dentro da gente, que não caem ao primeiro vento

Mas não desistir da vida e dos relacionamentos se uma amizade ou um amor, por motivo qualquer, se for

Precisamos acreditar que construímos nossos caminhos, que fazemos nossas escolhas

Mas não nos punirmos ao ser preciso voltar quando um caminho se mostrar sem saída, ou uma escolha não for apropriada

Precisamos agradecer por sermos importantes, a “vida” de alguém, por termos pessoas importantes, nossas vidas

Mas não estacionarmos quando precisarem viver suas vidas além de nós

Precisamos acreditar nas cores da vida, no brilho, na sua capacidade de nos atrair

Mesmo quando enxergamos apenas cinza, através do brilho das lágrimas, da saudade ou da desilusão

Precisamos acreditar que tudo passa, bom ou ruim, cedo ou tarde

E que nossa flexibilidade perante os acontecimentos nos torna mais aptos a enfrentá-los

Precisamos acreditar que os melhores caminhos são os abertos a ferro e fogo, ou com carinho, em nossas rochas internas, que levam a recantos secretos, mágicos

São eles que precisamos percorrer quando algo se complica, por onde passam as águas que nos trazem vida

E é de onde buscamos forças para prosseguir

Precisamos aceitar que somos seres errantes, imperfeitos, que estamos aqui para aprender

Precisamos acreditar em nós!

Alda M S Santos

Flertando

FLERTANDO

Viver na superfície, sentado num banco, confortavelmente

Observando as belezas à nossa volta, nada a nos surpreender

É uma opção suave e tranquila de vida…

Viver no entorno, entrar na mata, nadar nas lagoas, enfrentar espinhos

Pescar, refrescar a si e aos outros

É uma opção mais ativa, porém, mais riscos…

Viver de mergulhos profundos, buscando sempre o novo

Esbarrando nas paredes mais escuras do lago

É uma opção mais complicada!

Nós somos esse lago atraente, convidativo

Só nos conheceremos a fundo se mergulharmos

Nas profundezas obscuras de nós mesmos

Se flertarmos conosco, desvendarmos nossos mistérios sem medos

Em busca do melhor que pudermos ser,

Para nós, para os outros,

E sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Aquela que passa

AQUELA QUE PASSA
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos

Catapulta

CATAPULTA

Não é preciso nem um extremo nem outro

Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar

Posso ter energia bastante para lutar

Mas posso querer hibernar por uns tempos

A alegria pode ser rara, a tristeza também

Mas não preciso nem um extremo e nem outro

Não quero viver na zona de confronto todo o tempo

Mas a zona de conforto também não é satisfatória

O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas

Mas também não precisa ser de conto policial

Não preciso nem um extremo e nem outro

O trabalho pode ser intenso e prazeroso

Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária

Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia

Vez ou outra preciso me desligar de tudo

Antes que tudo se desligue de mim

Não é preciso nem um extremo nem outro

Mas se chegar a qualquer dos extremos

Que eu possa me encontrar em qualquer um deles

E ser catapultada de volta ao prumo!

Alda M S Santos

Somos uma fraude?

SOMOS UMA FRAUDE?

Quantas vezes nos decepcionamos nessa vida

Com os outros, conosco mesmos?

Aquelas vezes em que a realidade é cruel

Diante do que esperamos dos outros ou de nós…

Quando esperamos coragem e nos acovardamos,

Quando esperamos audácia e fraquejamos,

Quando esperamos alegria e entristecemos,

Quando esperamos parceria e não encontramos,

Quando esperamos força e sucumbimos,

Quando queremos colo e ele nos falta,

Quando esperamos fé e a montanha não se move…

Somos uma fraude? Para os outros, para nós mesmos?

Talvez sejamos como crianças grandes emburradas porque perderam o doce…

Ou somos apenas seres humanos errantes e temerários

Em busca de aprendizado, evolução e amor?

Somos uma fraude quando mais precisam de nós?

Somos uma fraude quando mais precisamos de nós?

Alda M S Santos

Rituais de passagem

RITUAIS DE PASSAGEM

Andar, falar, nos expressar além do choro

Nossos primeiros rituais de passagem

Da primeira para a segunda infância

Ler, escrever, descobrir o mundo alfabetizado

Outro importante ritual de passagem

Descobrir o sexo oposto, nos apaixonar

Sofrer, achar que o mundo despencou

Também é outro ritual que nos leva para a vida adulta

Uma vocação, uma profissão, o trabalho

Amar, se envolver, casar, ter filhos

Não necessariamente nessa ordem, dirão alguns,

Mas vários são os rituais de passagem nessa vida…

Qual é o ritual que nos leva para a velhice?

Aquele ao qual se chega e pensa: “é, mudei de fase”!

“Atravessei uma ponte que não tem mais volta”

Será que existe essa ponte, essa travessia?

Será tão importante identificá-la? Atravessá-la?

A vida é uma continuidade, sempre algo ficará para trás

Mas enquanto houver sonhos, a vida continuará

Não há esse e o outro lado!

Independente de atravessarmos ou não essa ponte imaginária

O caminho continua…com aquilo e aqueles que levarmos conosco

E somos nós que o tornaremos belo, ou não!

Alda M S Santos

Bagunça em mim

BAGUNÇA EM MIM

Há dias que estou tão bagunçada

Como aqueles jardins em que todas as flores disputam espaço

Perfumes, cores e formas se misturam…

Como um quarto de adolescente com livros, eletrônicos, roupas, calçados e pratos e talheres para todo lado

Nada se encontra ali…

Como uma criança numa loja de brinquedos deslumbrada com tudo, quer tudo

Não consegue se decidir…

Quando a bagunça é muita, não basta uma faxina

Precisa reorganização total e alguns descartes

Minha casa anda tão bagunçada,

Que tropeço em mim mesma, caio, machuco, choro,

Quase desisto! Quase!

Alda M S Santos

Tão eu!

TÃO EU!

Andar na chuva, amar a chuva, ouvir música alta,

Dirigir com vento nos cabelos, sonhar acordada

Agitada, impaciente, falante, esbaforida…

Tão eu!

Dormir com a TV ligada, de óculos, deitada sobre um livro,

Ter pesadelos bem reais, acordar chorando,

Ocupar a cama toda, comer de tudo…

Tão eu!

Gostar de sorrisos, amar abraços, andar apressada,

Encantar com as crianças, emocionar com a velhice,

Rir por tudo, gargalhar de graça, chorar sem motivo…

Tão eu!

Subir em qualquer árvore, escalar montanhas,

Banhar em rios, mares e cachoeiras sem saber nadar,

Admirar bichos e plantas, fazer pedido pra estrela cadente,

Tão eu!

Preferir o dia, gostar de uma boa conversa, escrever,

Sentir falta de dançar, dos amigos, ter fé imensa em Deus,

Amar gente, oferecer ajuda, não pedir ajuda,

Tão eu!

Viver e amar, amar e viver…

Mesmo que em momentos tristes ou doloridos,

Escolher sempre a vida!

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Onde me encontro?

ONDE ME ENCONTRO?

Não importa onde eu esteja

Quer seja em casa, na rua, na academia, numa festa

Na visita a amigos, a um asilo ou hospital, na igreja,

Em alto mar, num voo internacional, num trem

No meio do mato, no lombo de um cavalo,

Posso estar onde estiver, com quem estiver

Independente de todos os caminhos que percorra

Só vou me encontrar dentro de mim mesma.

E esse caminho só eu posso traçar

Só eu posso percorrer

Seja qual for o “transporte”,

Passando por atalhos ou não,

Regada a sorrisos ou lágrimas,

Sozinha ou acompanhada,

Só eu posso me encontrar,

E somente depois, talvez me encontre dentro de outro alguém…

Alda M S Santos

Retirando camadas

RETIRANDO CAMADAS

Muitas vezes precisamos retirar todas as camadas

Que recobrem nossa mente, nossa alma

Como alguém que retira peça por peça de roupa

Inclusive as íntimas, totalmente despidos

Para ficar mais leve na balança

Com menos pesos adicionais.

São muitas as coisas que podem pesar:

Culpas, fracassos, sonhos perdidos, desejos impossíveis.

Ainda que seja apenas na frente do próprio espelho

É preciso começarmos a nos despir

Retirar tudo, jogar no chão, deixar lágrimas rolarem

Mostrar nossa verdadeira face para nós mesmos,

Antes da coragem de mostrá-la ao mundo

Ou não!

E nos sentirmos verdadeiramente leves…

Alda M S Santos

Autoproteção

AUTOPROTEÇÃO

Somos uma “máquina” inteligente

Cuja essência é a autoproteção

A preservação da vida

A saúde física e mental

À nossa revelia ela age, reage

Luta ou se recolhe 

Quando entendemos isso,

Paramos de lutar conosco mesmos,

E deixamos nossa inteligência

Emocional, racional ou “irracional” agir,

Lavar corpo, mente e alma.

Há tempo para tudo no nosso interior…

Observar isso leva-nos ao autoconhecimento,

Leva-nos à vida plena!

Alda M S Santos

Ultrassensível

ULTRASSENSÍVEL 

Aqueles dias que você sente que bastariam

A última gota d’água

Uma única faísca

Uma simples palavra 

Um breve olhar

Um suave toque, 

Um abraço singelo,

Para você: 

Cair no choro, na gargalhada

Querer sumir no mundo, desaparecer,

Explodir de raiva 

Alegria ou prazer…

Alda M S Santos

Veja

VEJA

Veja no andar vacilante, ou excessivamente confiante, não apenas uma fraqueza física ou emocional, 

Mas o peso de uma história linda que desconhece.

Veja na beleza exterior tão à flor da pele e gritante, não uma pessoa que deseja mostrar-se superior,

Mas alguém carente e receoso de se mostrar interiormente.

Veja nos sorrisos constantes e claros, não só uma pessoa que parece feliz,

Mas alguém que precise estar alegre para não se afogar nas tristezas.

Veja na seriedade e olhar triste, não apenas alguém introspectivo ou inseguro,

Mas alguém que se esconde com medo de se machucar nos tombos da vida.

Veja no modo de ser tão aparente e “ofensivo”, não o desejo de ser “mais” na visão do outro, 

Mas a necessidade meio distorcida de ser alguém “além” para si mesmo.

Veja em cada modo de ser, não apenas algo tão diferente do que você é,

Mas alguém que, como você, procura manter sua essência, sua originalidade, num mundo de falsificações. 

Alda M S Santos 

Encaixes

ENCAIXES

Nossa vida é um grande jogo de encaixes.

Passamos toda ela nessa “brincadeira”.

Tentamos encaixar pessoas em nossas vidas.

Nos esforçamos para nos encaixarmos nas vidas dos outros.

Toda criança sabe, desde cedo, que não adianta forçar uma peça no local em que ela não cabe.

A peça ou o jogo podem sair danificados.

A diferença é que umas desistem, partem para outro jogo ou outras peças.

Outras perdem a paciência e destroem o jogo todo.

E outras, continuam a insistir em peças difíceis, até conseguir encaixá-las, de algum modo.

A peça pode ter se “deformado” ou o jogo ter obtido nova cara, mas foi montado. 

As crianças crescem e os jogos mudam pouco de figura! 

Jogadores, idem. 

Alda M S Santos

Fora de nós

FORA DE NÓS

Buscamos, muitas vezes, a solução para nossos problemas fora de nós.

Quer seja em familiares, amigos ou ajuda profissional.

Um familiar nos aconselha, um amigo nos abraça, nos puxa a orelha, um profissional nos indica o caminho.

Porém, ninguém incute nada em nós.

O familiar, o amigo, o profissional apenas nos ajudam a ver o que já existe adormecido em nós.

Somos uma gruta cheia de recantos secretos, a desvendar. 

Concluindo, a solução está em nós, dentro de nós.

Fora de nós existem pessoas especiais que nos ajudam a despertar.

Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS
Nossa vida parece aqueles espelhos de parque de diversões.
Aquele que chamam Palácio do Riso.
Onde aparecemos distorcidos: muito gordos, muito magros, deformados, superestimados…
Sorrimos, nos divertimos.
A diferença é que aqui fora não tem graça.
Esses espelhos que tanto nos distorcem são os olhares que recebemos.
Olhares que nos enaltecem, que nos depreciam,
Que nos fazem melhores, esperando muito de nós.
Ou que nos fazem piores, nos desencorajando.
Quando encontramos um olhar real, verdadeiro, até estranhamos.
Queremos guardar esse espelho só pra nós.
Espelho, espelho meu, existe alguém mais tola do que eu?
O segredo é fazer da vida nosso palácio do riso
E sorrir, sempre…
Até encontrar um espelho fiel!
Alda M S Santos

Luzes e Sombras

LUZES E SOMBRAS

De nada adianta reclamar da sombra.

Se ela ainda se forma há esperanças!

Sombra só torna-se perceptível onde há luz.

E não convém eliminar a luz que a possibilita.

Ao contrário, mantendo a atenção na luz,

O “objeto” que a intercepta e sua sombra

Tornar-se-ão insignificantes.

Alda M S Santos

O melhor de nós

O MELHOR DE NÓS

O melhor de nós está dentro

Guardadinho, aboletado, 

Não em nós!

O melhor de nós está no outro.

E é ele que nos “devolve”

Numa relação de amor conosco

Seja ela qual for.

O quanto do melhor de nós está “perdido” por aí?

Alda M S Santos

Coragem

CORAGEM
É preciso coragem para ser autêntico
Para se assumir como é, para se amar.
É preciso coragem para dizer, mesmo sem palavras,
A alguém que se ama: “eu sou assim”!
“Será que tem coragem para me amar assim?
Ou se acovarda e se esconde em medos,
Em padrões pré-estabelecidos
Que já provaram nada valer”?
É preciso coragem para crer, aceitar
Que não existe um único e correto modo de ser,
Que existem infinitas maneiras de ser gente,
De ser e fazer feliz!
A vida exige coragem!
Alda M S Santos

Viagens

VIAGENS

Viagens…

Percorreu do Oiapoque ao Chuí,

Do Monte Everest ao Deserto do Atacama,

Do Atlântico ao Pacífico,

De Mercúrio a Plutão.

Voando, a nado, de trem, a pé…

Tudo em busca de si, de um significado.

De uma utilidade, de uma explicação. 

Quando parou, encontrou-se no improvável, 

Aparentemente mais perto,

Nem por isso mais fácil,

No mais fundo de si mesma! 

Alda M S Santos

Sobre areias e caminhões

SOBRE AREIAS E CAMINHÕES
Muita areia para o pequeno caminhãozinho?
Ajeite, acomode, faça várias viagens!
Uma montanha de areia pode atrair e assustar
Mas, ao enfiarmos os pés, percebemos
Que ela não é tão densa ou pesada quanto parecia
E, se bem compactada, é a carga ideal
Para certos tipos de caminhãozinho.
Autoconfiança é fundamental!
Alda M S Santos
imagem: google imagens

Diante do espelho

DIANTE DO ESPELHO

Diante do espelho eis a questão:

Quem é essa que me retribui o olhar?

Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?

Dos cílios negros, do piscar intermitente?

Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?

O que vê? O que quer? Do que precisa?

Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.

Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.

Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos

Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.

Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,

Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos

Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,

Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.

Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.

Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!

Hora de voltar!

Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…

Lubrificaram o caminho difícil.

 Encaram-se. Sorriem.

Não foi difícil encontrar o caminho de volta.

Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.

Apesar de tudo, são vitoriosas.

Lembram de um verso que leram:

  “Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)

Ou trazer de volta. 

Alda M S Santos

Os outros e nós

OS OUTROS E NÓS

Quando quero saber de um amigo o que ele gosta de ler

Se gosta de esporte, de poesia, de filme, de jogos

Quais passeios aprecia, como lida com a introspecção,

Que tipo de música curte, como reage às frustrações

Como aceita as perdas, com quais sentimentos interage melhor

Porque eles são tão rígidos e até duros com algumas coisas,

Tão extrovertidos, brincalhões ou “infantis” com outras

Descobrimos que há muitas coisas que admiramos e outras não.

Sem querer passar por psicóloga de botequim,

Apenas, sozinha, avaliando experiências próprias e observando os outros,

Percebo que quando analisamos o que não apreciamos em nossos semelhantes

E buscamos em nós a resposta para essa “aversão”,

Quase sempre descobrimos que parte do problema está em nós também.

Muitas vezes temos dificuldade em lidar com determinado sentimento

Não porque ele existe no outro, mas por seu antagonismo em nós.

O que o outro é desperta reações negativas em nós

Talvez porque nos alerte para alguma falta, ou nos aponte alguma falha.

Coisas que gostaríamos que não fossem expostas nem para nós mesmos.

Queríamos ser diferentes? Iguais a eles? Talvez sim, talvez não.

E ninguém é completo, melhor ou perfeito.

Somos todos diferentes, e isso é extremamente rico.

Vale lembrar que todos temos algo a desenvolver.

Conviver com o diferente de nós possibilita receber algo, oferecer algo.

E nessa troca se dá o autoconhecimento, o mergulho em nós mesmos.

A melhor maneira de conhecermos e aceitarmos a nós mesmos

É buscar conhecer e aceitar o outro.

A verdadeira aceitação do que somos e do que o outro é com respeito.

“Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro.”(Federico Fellini)

Aprendizagem longa, difícil, nem sempre vitoriosa, porém necessária e prazerosa.

Alda M S Santos

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