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Amizade

O mesmo jardim

O MESMO JARDIM

A escola passa, ficam os amigos

O trabalho passa, ficam os amigos

A família se modifica, constrói outros laços familiares, ficam os amigos

Infância, adolescência, vida adulta, tudo passa

Mas as relações ali cultivadas sob o adubo das afinidades

Enriquecidas com o húmus do respeito às diferenças

Fortalecidas nos momentos de sorriso ou mesmo de dor

Aquelas alimentadas com carinho, cuidado, bom humor

As regadas na fonte do amor diário

Essas são eternas…

Histórias que passam de vinte anos

Que brotam, minguam, rebrotam, geram mudas

Mesmo que busquem outros canteiros

Sempre farão parte do mesmo jardim

São espécies raras!

Somos abençoadas, somos amigas!

Alda M S Santos

Artistas

ARTISTAS

Uma dupla de amigos “artistas”

Senhor Edilson, 75 anos, morador do Lar Frei Otto

Eu, uma professora “desenhista” e voluntária no lar

Eu desenho, ele colore…

A cada visita temos essa troca de carinho

Nós dois ficamos felizes…

Até a árvore que caiu lá fora e deixou o lar sem energia

Impedindo a distração com a TV não importou tanto

O tempo passa rápido quando fazemos o que gostamos

Aquilo que nos faz bem tem efeito cascata

O que fica de bom em cada um de nós

Transborda para todos a nossa volta…

Até a próxima, amigo Didi!

Alda M S Santos

Bom mesmo

BOM MESMO

É bom encontrar abrigo num dia de chuva

Mas bom mesmo é ser abrigo quando a casa cai

É bom ter amigos para sorrir, passear, nos divertir

Mas bom mesmo é ser/ter amigo quando o peito aperta, a alma dói

É bom ter para quem contar nossas alegrias e sucessos

Mas bom mesmo é ter com quem dividir nossas mágoas e angústias

É bom ter em quem confiar quando a subida ao topo é íngreme,

Mas bom mesmo é ser/ter apoio quando as pernas falham nas descidas

É bom ter alguém para amar, cuidar, dar carinho e atenção

Mas bom mesmo é ser digno de amor, de saudades, de boas lembranças

É bom olhar para o passado e relembrar uma vida recheada de delícias e lutas,

Ou para o futuro e ter boas expectativas

Mas bom mesmo é curtir um abraço saudoso no presente

É bom seguir por um caminho iluminado, florido, acompanhado

Mas bom mesmo é não nos perdermos de nós mesmos quando tudo escurecer…

É muito bom ter, mas bom mesmo é ser…

Sempre!

Alda M S Santos

Ah, um carinho…

AH, UM CARINHO…

Quem não gosta, quem não quer?

Ah, um carinho….

Amolece os corações mais duros, enverga os mais resistentes

Atrai os desavisados, enlaça os distraídos

Derruba os céticos, acorda os descrentes

Ah, um carinho…

Quem não gosta, quem não quer?

Carinho com as mãos

Carinho com o olhar

Carinho com as palavras

Até fecha os olhinhos, se entrega

Confia…

Carinho que vai, carinho que volta

Ah, um carinho…

Quem não gosta, quem não quer?

Carinho que se doa é carinho que se recebe…

Alda M S Santos

Contágio

CONTÁGIO

Um espirro, uma tosse, coriza

Um contágio: influenza:

Simples, direto, certeiro…

Uma raiva, um grito, um descuido

Um contágio, desamor:

Depressão, caos, tristeza, rancor…

Uma delicadeza, um sorriso, um abraço

Um contágio, amizade, amor:

Carinho, luz, solidariedade, esperança…

Os vírus estão todos aí… no ar

Nossa imunidade é que determinará

Com qual iremos nos infectar…

Nossa resistência é que dirá

Contra qual devemos lutar

Ou a quais nos entregar…

Viver é contagioso!

Eu escolho me contaminar de amor…

Alda M S Santos

#carinhologos

Tá triste?

TÁ TRISTE?

Tristeza que ameniza com um abraço desinteressado

Numa manhã com eles, aprendendo como se faz um bom queijo

Amenizando conflitos “infantis”

Acalmando uma lindeza que queria dar chinelada na cuidadora que furou seu bumbum

Batendo um bom papo, rindo, dando atenção

Oferecendo e recebendo carinho

E ouvindo aquela idosa que diz que abraço de outra mulher dá choque dizer:

“Pode abraçar, você está cheirosa, e seu abraço não me dá choque”

Riu muito quando respondi: “será que estou virando homem”?

“Então tire esse vestido bonito”!

Eles me fazem muito bem!

Qualquer tristeza ameniza ao estar com gente que precisa da gente…

Alda M S Santos

Tô indo…

TÔ INDO…

– Como você está?

– Tô indo…

– Indo? Pra onde? Como?

– Seguindo em frente, no caminho que se apresenta.

Quem pergunta nem sempre quer saber

Quem responde nem sempre quer responder…

Outras vezes quem pergunta sabe bem a resposta

Quer apenas confirmação do imaginado

Quem responde prefere não abrir porteira de problemas,

Não quer incomodar…

“Tô indo“ muitas vezes é resignação

Aceitação do equilíbrio necessário entre escolhas e consequências

Entre vitórias e derrotas, lágrimas e sorrisos

“Tô indo” pode ser demonstração de luta e força

De não entrega, de resistência à tristeza dos dias nublados

Por saber que o sol tem força para surgir entre nuvens

Aquecer, deixar nascer e crescer brotos de esperança e paz…

“Tô indo, e você?”

Alda M S Santos

Apenas um abraço

APENAS UM ABRAÇO

Quando há muito a dizer

Quando quiser se fazer entender

Mas não houver meios, o tempo for escasso ou faltarem palavras

Dê apenas um abraço

Quando quiser evitar dúvidas ou mal entendidos

Se desculpar ou desfazer erros cometidos

Dê apenas um abraço

Quando quiser estabelecer uma conexão, deixar sua marca de amizade

De carinho, amor, gratidão ou saudade

Dê apenas um abraço

Abraço é linguagem verdadeira, recíproca e universal

É carinho que torna tudo mais leve e apaga qualquer mal

Dê apenas um abraço

E um “amo você” também não cairia mal …

Alda M S Santos

O melhor amigo

O MELHOR AMIGO

O melhor amigo te olha nos olhos

Encara, enfrenta, diz a verdade

Diz que tem saudade do que você era

Daquilo que você tem deixado de ser

O melhor amigo não desvia os olhos

Fala onde você errou, te ampara nos seus medos

Ralha com você, mas te dá carinho e atenção

O melhor amigo não te deixa desviar o olhar

Está presente, não foge, te cobra presença

Diz que se orgulha de você, não te deixa esmorecer

O melhor amigo sabe tudo de você

Não te deixa se tornar seu pior inimigo

Tampouco permite que você faça gol contra

Ou que seja atingido por fogo amigo

O melhor amigo te alertará se fizer mal aos outros

Mas, sobretudo, se fizer mal a si mesmo

O melhor amigo, se você permiti-lo agir, nunca deixará você cair

E, se isso acontecer, não te deixará lá por muito tempo

Ele te ajudará a se reerguer e seguir

Olhe para ele, não se esconda!

Seu melhor amigo está diante de você

Naquele espelho que você se olha todos os dias

E nem sempre se vê…

Dê um abraço apertado nele

E aquele sorriso que faz tudo se renovar…

Diga com convicção e sinceridade:

Eu te amo para sempre e nunca te abandonarei…

Alda M S Santos

Viver e deixar viver…

VIVER E DEIXAR VIVER…

Ser sorridente não é estar sempre disposta ou feliz

Ser amorosa não é ser tola

Ser intensa não é ser incansável

Ser amiga não é aceitar tudo

Ser responsável não é assumir falhas alheias

Ser inteligente não é ser infalível

Ser família não é ser excludente, esquecer dos outros

Ser confiante não é ser assim tão facilmente enganada, como pensam

Ter esperança, ter fé não é ser bitolada, desprovida de raciocínio

Ser amor, ter um amor, não é se anular

Ao contrário, é ver no amor do outro

Motivo para ainda mais se amar…

E se doar…

Ser mulher, humana, é encontrar a si mesma

Em todas as suas fragilidades e forças, erros e acertos

É transformar lágrimas em aprendizado

É se regalar nas alegrias, mas não negar a dor, a saudade

É sofrer se preciso for, pelo tempo necessário para se recompor

Mas nem por isso estacionar…

É usar as decepções como liga para nova construção

É ser carinho sempre, é usar a arma mais poderosa do universo:

O amor!

Aquela que só nós podemos carregar, destravar, apontar, atirar

Viver e deixar viver…

Alda M S Santos

A um abraço de distância

A UM ABRAÇO DE DISTÂNCIA

Para que precisamos buscar tantas coisas?

Para que nos desgastamos tanto para adquirir objetos que nem necessitamos

Roupas, carro, casa, passeios

Para quê?

Para que lutamos tanto por pessoas ou situações que não são nossos

Não precisam de nós, não nos querem

Se tudo isso sozinho de nada vale e traz sofrimentos

Para quê?

Se tudo que nos faz bem, nos faz felizes

Se tudo que acalenta nossa alma carente de verdades e simplicidade

Enternece nosso coração, alarga nosso sorriso

Não estiver a um abraço de distância

Ao alcance de nossos braços quentes

Cuidado com carinho em nossa mente e coração?

Alda M S Santos

#carinhologos

Nossos copos

NOSSOS COPOS

“Você pensa no quanto os outros podem te ajudar, mas não no quanto eles podem se prejudicar fazendo isso”.

Essa era a discussão entre dois jovens.

Quantas vezes para manter nosso copo cheio

Esvaziamos os copos dos outros?

Quantas vezes para manter os copos dos outros cheios

Esvaziamos nossos próprios copos?

Quem gosta de sempre receber quase nunca se satisfaz

Sempre irá contar com o abastecimento que vem de fora

Quem gosta de sempre doar sempre irá fazê-lo, mesmo desfalcado

Vivemos num constante encher e esvaziar, ora mais, ora menos

Uma relação saudável é aquela em que ambos os copos se autoabastecem

E não esvaziam o copo de ninguém!

Alda M S Santos

O que reténs de mim em você

O QUE RETÉNS DE MIM EM VOCÊ

O que reténs de mim em você

Passa por dois filtros, mais ou menos poderosos: meu e seu

O que reténs de mim em você

Depende do que eu deixo transparecer do meu modo de ser

E do que você foi capaz de enxergar com sua alma receptiva ou não

O que reténs de mim em você

Depende do que, de acordo com suas capacidades, necessidades e limitações, deixou passar por seu filtro

O que reténs de mim em você

Depende do muito ou pouco que pude ou fui capaz de te dar

O que reténs de mim em você

Depende do que foi capaz de entender, aceitar e absorver

O que retemos dos outros em nós

Depende muito deles, mas depende mais ainda de nós mesmos…

O que retemos dos outros em nós é um terceiro elemento: o que eles são, misturado ao que nós somos.

Alda M S Santos

Tem gente que se diverte

TEM GENTE QUE SE DIVERTE

Tem gente que se diverte praticando esportes

Há os que se divertem fazendo-se fortes

Tem gente que se diverte em reviver lembranças

Renovando em sua alma a esperança

Tem gente que se diverte em constante animação

Há os que se divertem em tranquila meditação

Tem gente que se diverte trilhando afoito um novo caminho

Buscando paz nesse eterno redemoinho

Tem gente que se diverte fazendo-se palhaço

Mascarando assim o cansaço

Há os que se divertem despertando um sorriso

Encontrando noutro alguém seu próprio paraíso

Tem gente que se diverte sendo amargo, mordaz

Percebendo que essa é alegria fugaz

Há os que se divertem simplesmente por existir

Descobriram que a felicidade consiste simplesmente em estar aqui…

.

Alda M S Santos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade

Credulidade, confiança

Quando se perde na vida

Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade

Pureza, sorriso solto, iluminado

Quando se perde na vida

Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade

Transparência, curiosidade

Quando se torna ambiguidade

O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade

Sinceridade, esperança

Quando se perde na vida

Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade

Carinho, naturalidade

Quando isso se transforma em

Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade

Paz, gratuita amorosidade

Quando se perde na vida

Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,

Quando se perde a simplicidade

Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Tem gente que abraça…

TEM GENTE QUE ABRAÇA…

Tem gente que abraça com os olhos – antecipando o prazer

Tem gente que abraça fechando os olhos – para sentir melhor

Tem gente que abraça de longe – quando não pode de perto

Tem gente que abraça sorrindo- sabe o que quer

Tem gente que abraça chorando- lavando a alma

Tem gente que abraça num sonho- ah como é bom

Tem gente que abraça com as palavras – complementando

Tem gente que abraça num poema – substituindo

Tem gente que abraça numa canção – revivendo

Tem gente que abraça numa oração- muito amor e proteção

Tem gente que só sabe abraçar com os braços- aprendizes

Tem gente que abraça sem abraçar – desconfiados

Tem gente que recusa abraços – incrédulos

E tem gente que de tanto abraçar

Aprendeu a abraçar com a alma – anjos

Deixando gosto de quero mais!

Alda M S Santos

Abraços fazem a vida valer a pena

ABRAÇOS FAZEM A VIDA VALER A PENA

Tem de todo tipo e tamanho

Mas todos, todos, têm algo em comum

O desejo de ser carinho, de receber carinho

Os “pipoca”, rapidinho e salta fora

Os acanhados, meio de lado, contidos

Os na pontinha dos pés, meio encolhidinhos no peito

Os apertados de trincar os ossos e prender a respiração

Os de corpo inteiro que “atravessam” um ao outro

Os que matam saudades, grudam e se pretendem eternos

Os coletivos, que mostram empatia e união

Os de surpresa, por trás, que tapam os olhos com as mãos

Aqueles que se afinam com uma dança e nos elevam do chão

Aqueles acompanhados de palavras doces, de um cheiro no cangote, de um beijo

Os que despertam humanos sentidos adormecidos

Aqueles por compaixão, que levam amor divino no toque

Os melhores de todos: aqueles que unem mais que braços e corpos

Os que entrelaçam almas afins, que o calor permanece muito tempo depois de findo o abraço

Que mantém o sorriso no rosto e o coração aquecido…

Abraços levam e trazem a porção de Deus em nós

Abraços tornam o caminhar mais fácil

Fazem a vida valer a pena…

Alda M S Santos

Quem disse que palhaços não choram?

QUEM DISSE QUE PALHAÇOS NÃO CHORAM?

Que dizer a uma pessoa que perde alguém querido?

Que dizer a uma mãe que perde o filho jovem tragicamente,

Uma amiga Carinhóloga, doce, engraçada, divertida e solidária?

Que dizer? O de sempre nessas ocasiões?

Que eles não mereciam, que não parece certo, que não é certo!

Que ele agora está com o Pai, que aos poucos ela aprenderá a lidar com a saudade?

Que Deus sabe o que faz, que a vida é assim mesmo, que tem direito de chorar?

Que deve ser forte e confiar nos desígnios do Alto?

Parece tudo vazio por ser verdadeiro, mas nada trazer alento…

Que dizer? Tudo isso? Nada disso?

Que imaginamos a dor, mas que não temos o poder de tirá-la com as mãos?

Que mães não têm poder de segurar a vida do filho

Quando o Pai o chama de volta?

Quem disse que palhaços não choram?

Que fazer para o sorriso voltar a brilhar?

Não sabemos! Não sei!

Podemos te abraçar, te beijar, dar carinho, chorar e orar junto.

Estar disponíveis, ser colo, ser ombro, ser alma afim,

Ser irmãos, enfim.

E aguardar juntos a dor arrefecer…

Somos todos pequenos, impotentes,

Mas, estou aqui, estamos aqui!

Conte conosco,somos palhaços Carinhólogos

Nos sorrisos, nas lágrimas, nos abraços…

Alda M S Santos

#carinhologos

No fundo de um olhar

NO FUNDO DE UM OLHAR

Atravessar a grossa camada de gelo que o separa do mundo

Passar pela névoa densa que o protege, deixando-o opaco e sem brilho

Mergulhar na espessa, escura e profunda liquidez

No fundo de um olhar

E lá ficar…

Sondar espaços e ambientes, enxergar nesgas de luz

Buscar um novo ângulo, nova perspectiva, nova compreensão

Estender a mão, o abraço, um amasso, o perdão

No fundo de um olhar

Arriscando não mais voltar…

Perder-se em obscuridades e labirintos confusos

Vencendo saudades, medos, culpas e inseguranças

Reconstruir trilhas desfeitas, derrubadas

No fundo de um olhar

E novamente se encontrar…

Trazer à luz a paz retida no fundo da alma

Abrir as persianas que sombreiam a retina

Iluminar o verde da esperança que Ele nos dá

No fundo de um olhar

Resgatar a alegria

Fazê-lo novamente brilhar!

Alda M S Santos

Pouco vale uma torcida

POUCO VALE UMA TORCIDA

Pouco vale uma torcida

Por maior, mais forte e fiel que seja

Quando o que precisamos

É de um jogador a mais em campo

Que vista nossa camisa em qualquer jogada

No combate corpo a corpo

Nos lances espetaculares, nas faltas

No ataque ou na defesa, nas contusões

Nas bolas fora e nos gols

Nas derrotas sofridas, nas vitórias vibrantes

Ou nos empates chocos

Que não tire a camisa quando ela parecer feia ou rasgada

Mas conosco…sempre…

Alda M S Santos

Prazer ou loucura?

PRAZER OU LOUCURA?

Prazer ou loucura, alegria ou insanidade

Quem define isso em nossas vidas

Excessos, maluquices, vícios

Ou o bem estar de ir além dos próprios limites

A cada quilômetro vencido, vento no rosto, sol ou chuva

Suor quase tão intenso quanto as dores nas pernas

Preparação, frio na barriga que antecedem a empreitada

Aclives muito íngremes, amigos de décadas em seu encalço, pedalando…

Mesmos gostos, mesmas “loucuras”

E o prazer compartilhado de chegar ao topo

O frio na barriga e as dores musculares ficam esquecidos

Diluídos na sensação de euforia pelo propósito alcançado

E, na magia de uma vista deslumbrante,

Agradecem à vida, a Deus, ao prazer de se ter amigos…

E logo planejam a próxima…

Parafraseando Caetano “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Metades?

METADES?

Eles caminhavam de mãos dadas na avenida movimentada numa manhã ensolarada e fria.

Andavam devagarzinho entre apressados, agasalhos quentinhos quase tanto quanto a cena.

Cabelos brancos como neve brilhavam sob a luz forte.

Uma bengala numa das mãos dele, uma sombrinha grande fechada na dela.

Corpos meio encurvados somando umas quinze décadas…

Vez ou outra trocavam uma palavra, mas os olhares se comunicavam melhor.

Um bueiro aberto à frente, aquele cuidado de desviá-la do cone sinalizador do perigo.

Quantas vezes desviaram um ao outro do caminho interrompido?

Quantas vezes limparam as feridas das quedas nos bueiros da vida ou frustraram-se por não poderem fazê-lo?

Quantos segredos compartilhados ou guardados para proteção?

Quantos momentos de dor superados, fraturas coladas, perdão oferecidos, lágrimas misturadas?

Quantas marcas trazem nos joelhos, nos corações, nas almas?

São metades complementares, despareadas?

Não, são inteiros afins, falhos, com cicatrizes!

Contudo, dispuseram-se a caminhar juntos, a aceitarem-se e diminuírem essas falhas.

Quem vê conclui: “que lindo, que vida perfeita”.

Não, não são perfeitos e, por isso, ajudam-se em suas imperfeições e crescem.

Perfeitos não precisam do outro, de ninguém, não toleram imperfeições.

Lindo, sim! Não pela perfeição, mas pelo amor que cultivaram, que sobrevive às imperfeições.

Se estão unidos ainda assim, de mãos dadas, como a dizer “te aceito”, é exatamente por saberem-se imperfeitos!

Quantos de nós almejamos tudo isso, seguimos no barco da vida, remando sozinhos sem saber nos expressar?

Um viva às nossas imperfeições, melhorando a cada dia,

Sem desgastadas pretensões de alcançar a perfeição…

Alda M S Santos

Cavalo ou São Jorge?

CAVALO OU SÃO JORGE?

“Enquanto existir cavalo São Jorge não anda a pé”

Há quem tenha dons de cavalo, sem ofensas

E há quem tenha “habilidades” de São Jorge

Diz-se dos aproveitadores que estão sempre procurando algo ou alguém em quem se montar

E seguir mais levemente seu caminho

Independente do peso que coloquem sobre as costas do outro

Sem querer fazer apologia aos folgados

Tampouco ser carrasco da solidariedade

Carregar nas costas ou fazer por alguém algo que poderiam fazer sozinhos não é ajudar

É impedir o crescimento de quem se torna eterno dependente

É usar com que não precisa o lombo forte de cavalo para quem realmente necessitaria…

Todos temos nossos momentos de carregar alguém

Isso é ter compaixão, ser amigo, ser amor, ser irmão..

Mas também precisamos de um colinho de vez em quando

Montar num lombo macio e quentinho alivia muitos males

Descansa as pernas, acalma o coração, traz leveza à alma

E quem está acostumado a ser sempre o cavalo

Quase nunca é visto como cavaleiro cansado

A recíproca também é verdadeira…

É preciso equilíbrio nessa montaria!

Salve, São Jorge!

Alda M S Santos

Bem me quer, mal me quer…

BEM ME QUER, MAL ME QUER…

Se sou sorriso, alegria, disposição, energia

Bem me quer…

Se sou tristeza, nostalgia, lágrimas, desânimo

Mal me quer…

Se sou comunicativa, inteligente e prestativa

Solidária, ponderada, sensual e bela

Bem me quer…

Se estou introspectiva, limitada, preguiçosa ou afoita

Carente, medrosa, descrente e mal-humorada

Mal me quer…

Bem me quer, mal me quer…

Mal me quer, bem me quer…

Nesse vai e vem de quereres

Quem de nós irá sobreviver?

Bem me quer, mal me quer…

O que vale a pena para todos nós

É saber que entre todos os bens ou mal quereres

É que o “bem me quero” é que precisa prevalecer

Para saber dar valor a quem, independente de onde e como estejamos

Conhecendo nossos direitos e avessos

Sempre irá nos bem querer…

Alda M S Santos

É preciso ter amigas!

É PRECISO TER AMIGAS!

Amigas são primeira necessidade, a mais duradoura

Fazem -nos rir de nossas lágrimas

Ao nos mostrar que elas não minam só de nossos olhos

Brincam com nossas mazelas, nossas fragilidades

Nossas rugas de dentro e de fora, nossos cabelos brancos ou humor negro

Entendem nossos silêncios gritados, nossos gritos calados

Aqueles que à primeira palavra dita fazem jorrar lágrimas

Compartilham dos mesmos medos, talvez culpas

Pelos filhos, companheiros, pais e familiares

Entendem nossa necessidade de falar e aliviar, rir e chorar

A dor por uma unha quebrada, cabelo que cai, uma cintura que não afina ou uma ingratidão

A saudade que nutrimos por tempos bons ou nem tanto

Não veem nossas angústias como tempestade em copo d’água

Sabem que podemos sentir raiva mesmo de quem amamos

Principalmente de quem amamos…

Dividem conosco a ansiedade de querer fazer tudo pelos outros

E a angústia de estar sempre sobrecarregada, mas não conseguir ser diferente

Reconhecem a frustração de nem sempre podermos salvar quem amamos apenas com nosso amor e esforços

Aliviam nossos pesos apenas com um sorriso de “estou aqui”

Capazes de puxar a orelha quando percebem uma má escolha

Ou de se unirem em bando para “vingar” quem machuca uma delas

Ora uma está mais forte, ora outra, revezando auxílio

Num rodízio de amor vamos alimentando umas às outras

Amigas não retiram nossos problemas,

Mas nos ajudam a desnutri-los

Alimentando nossas qualidades e pontos fortes

Protegem- nos até de nós mesmas

Quando acreditamos que não somos nada e erramos em tudo…

Companheiros, pais, filhos são muito importantes

Mas há coisas que só outra mulher, e amiga, é capaz de entender

Por nossa sanidade, é preciso ser e ter amigas…

Alda M S Santos

(Des)confianças

(DES)CONFIANÇAS

Para alguém que sempre confiou gratuitamente

Talvez até ingenuamente, desconfiar é retrocesso ou progresso?

Um olhar mais demorado ou que se disfarça, desvia

“Desconfie! Pode ser ladrão!”

Uma gentileza gratuita, desinteressada, uma palavra de atenção e humanidade

“Desconfie! Querem algo em troca!”

Parece fácil? Desconfie!

Tudo gera desconfiança: qual o interesse?

É a pergunta que sempre repercute!

Recuso-me a desconfiar de tudo e de todos!

Viver acreditando que tudo pode nos fazer mal,

Que conhecidos ou desconhecidos possam trair nossa confiança,

Já é viver no mal!

Não faço apologia à ingenuidade, à confiança cega, à crença burra,

Mas, mesmo tendo algumas decepções dolorosas gravadas na alma,

Sigo esse caminho arenoso da confiança, ora vertendo lágrimas, ora sendo feliz

Ainda prefiro confiar naqueles que conheci e que a conquistaram, a mereceram.

E, até que se prove o contrário,

Que as pessoas que de mim se aproximarem merecerão minha gradativa confiança!

Viver na desconfiança é sobreviver sozinho, num mundo sem graça

É sofrer todo o tempo…

Alda M S Santos

Terreno abandonado

TERRENO ABANDONADO

Quem observa um jardim ou um terreno produtivo

Nem sempre imagina o trabalho que tudo aquilo dá

Saber arar a terra, o momento certo de plantar, irrigar, podar

Escolher as mudas certas para áreas de sol ou sombra

Ficar atento às plantas que ocupam todo o espaço e sufocam as demais

Controlar pragas e insetos invasores, nocivos

Irrigar adequadamente, cuidar para não invadir terreno alheio

Saber que as plantas mais danosas crescem com facilidade, se alastram

Flores raras são mais sensíveis e exigem atenção maior

Podemos admirar jardins e saborear frutas, mas não saber muito bem cultivá-los

Com a nossa vida pessoal se dá o mesmo processo

A diferença é que podemos contratar profissionais para hortas, pomares e jardins

Mas não podemos terceirizar o trabalho de escolhas das mudas, poda e cuidado de nossas vidas

Nosso “terreno” interno não se adapta com qualquer muda

Não reage bem à escuridão, luz excessiva ou falta de irrigação

Cada terreno tem características muito individuais que precisam ser respeitadas

Todo jardim florido, roça ou pomar produtivos

Têm sempre um jardineiro, um agricultor, um fazendeiro dedicado e atento…

Um terreno abandonado é igual a uma vida sem “dono”, sem cuidados

Conhecemos de longe, não têm brilho ou beleza

Nasce e cresce o que quer…

Alda M S Santos

Nem toda porta

NEM TODA PORTA

Nem toda porta aberta é para entrar

Nem toda porta fechada impossibilita entrada

A chave que abre qualquer porta está em nossa consciência

Na sabedoria humana de saber-se bem vindo ou não, necessário ou não

Na certeza de que, mais que extrair algo de bom dali

É preciso, no mínimo, não atrapalhar o que encontrou

Se não puder deixar algo melhor que encontrou, não entre!

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas carregam em si um rastro da gente

Que nunca conseguiremos deixar totalmente para trás

Em paralelas, curvas, profundas ou rasas, carregam consigo partes do nosso coração, da nossa mente, da nossa alma

Sujas ou limpas, feias ou bonitas, claras ou escuras, são nossas marcas

Dignas de orgulho ou arrependimento, alegrias ou tristezas, foram importantes

Fizeram de nós o que somos

Ignorá-las é desconsiderar nossa história

Podem não mover mais os mesmos moinhos

Mas insistirão em nos seguir

E nos lembrar que as mesmas águas que giraram as pás da nossa vida,

Podem mover as hélices de quem vem atrás de nós, ou está ao nosso lado

Mansas ou tempestuosas, estarão no caminho de pessoas que nos são caras

Causando garoas tranquilas ou destruidores furacões.

Alda M S Santos

Pessoas e abismos

PESSOAS E ABISMOS

Na vida há diversos tipos de pessoas

As que nos levam até à beira do abismo e nos abandonam lá

As que nos impedem de pular ou que são a rede a absorver nossa queda

E as que nos impedem de chegar à beira do penhasco…

Qual delas temos sido para os outros?

Pior que ser abandonado na beira do abismo, é abandonar alguém lá…

Alda M S Santos

Não sabemos amar!

NÃO SABEMOS AMAR!

Evoluímos tanto em milênios de existência, alcançamos o espaço sideral

Criamos e desvelamos recursos tecnológicos que podem muito nossas vidas facilitar

Viajamos pelo corpo humano, descobrindo cura para quase todo tipo de mal

Mas na arte de amar ainda estamos a engatinhar

O que ainda não desvendamos, não compreendemos, que ainda nos mata e poderia nos salvar

É saber e aceitar que amar não é sofrer, medrar, julgar, vigiar, desconfiar, cobrar, apossar

O que nos falta é não “evoluir”, não crescer, não desaprender a sabedoria inata e infantil de amar

Aquela que vimos em Jesus, que toda criança sabe: amar é respeitar, perdoar, se doar, confiar, se entregar…

Não sabemos amar!

Nós, adultos, precisamos ser crianças, na alma e no coração

Se quisermos viver o amor em sua plenitude, sem tanta razão…

Alda M S Santos

A pergunta certa

A PERGUNTA CERTA

A pergunta certa não é “o que posso receber de alguém?”

Ou “o que o outro pode me oferecer?”

A pergunta certa não é aquela que nosso egocentrismo determina

A pergunta certa é “o que posso oferecer de mim ao outro”?

“Em que posso melhorar a vida de alguém”?

Buscando o que de mais livre e sincero pudermos oferecer

Acabaremos por ser o que o outro mais necessita

A via se torna de mão-dupla, vai e volta infinitamente

E recebemos, sem buscar, sem cobrar, o que mais necessitamos

Fazendo, assim, um mundo melhor para todos nós…

Alda M S Santos

#carinhologos

Fragilidades

FRAGILIDADES

Ser frágil é a coisa mais fácil do mundo, mais humana, mais dolorosa

Mostrar-se frágil, aparentar fraqueza, por sua vez, a mais difícil

Transparecer fragilidade, impotência, pedir ajuda

Estender a mão, gritar por socorro, chorar, necessitar

Demonstram um fracasso que não ousamos admitir

Mostrar-se necessitado exige uma força sobre-humana, uma certa humildade, pureza de coração

Que poucos possuímos, e quase nunca conseguimos obter, alcançar

Não combinam com o orgulho e vaidade que gostamos de ostentar

Pouquíssimos conseguem acessar esses nossos recônditos frágeis

Quem consegue, não é por ser forte, mas por também ser frágil e se reconhecer no outro.

Assim, fechados em nós mesmos, sepultando fraquezas e lágrimas

Aumentamos dia a dia nossas fragilidades, nossos medos

Muitas vezes, a força estando a um abraço de distância…

Alda M S Santos

Quando acordas

QUANDO ACORDAS

Aquele primeiro pensamento que vem à sua mente quando acordas

Seja quando os raios de sol invadem sua janela ou quando a chuva tamborila no telhado

Seja quando tudo é sorriso, luz e brilho ou quando são lágrimas e sombras

Talvez o mesmo por dias, meses, anos a fio

Te estimula a seguir em frente, te anima, encoraja

Te faz sorrir para a vida, para os outros, ser alguém melhor

Acreditar que tudo pode ser possível, ser mais forte

Ou esse pensamento te entristece, desestimula, acovarda, te faz menos do que é?

Tantas vezes tirando até mesmo o desejo de levantar-se da cama?

Se é fonte de força, fé, amor, coragem e esperança

Não abra mão dele…torne-o real, alimente-o

Mas se apenas te joga para baixo, te faz desacreditar em seu poder de dar a volta por cima

Tá na hora de mudar o pensamento, substituir por algo mais benéfico

Ou mudar de atitude…

Alda M S Santos

Por favor

POR FAVOR!

Oito degraus, quatro pedidos

“Favor não sentar nos degraus”

Degraus vazios, nenhum atrevido

Por favor!

Deveríamos colocar alertas desse tipo em nós mesmos

Nos caminhos, os “degraus” que percorremos todos os dias

Favor não pegar essa trilha

Volte, esse caminho é sem saída!

Por favor!

Cuidado, você conhece o poder dos outros e suas fraquezas!

Ajude, mas cuide de si mesmo!

Por favor!

Não compre o que você não pode pagar!

Não leve o que não dá conta de carregar!

Não repouse seus pés em terrenos desconhecidos!

Não sente em bancos cheios que não garantem segurança ou firmeza!

Por favor!

Se em cada nosso degrau tivesse um aviso desses

Os tombos seriam menores, menos frequentes, menos fatais…

Alda M S Santos

Subversivo

SUBVERSIVO

Quando estiver num ambiente e faltar amor

Seja o subversivo: ame!

Espalhe o amor, plante o amor

Subversivos têm facilidade para atrair seguidores

Para contagiar, impregnar

E não há vacina que resolva!

Alda M S Santos

Quanto vale uma vida?

QUANTO VALE UMA VIDA?

Uma pergunta difícil : quanto vale uma vida?

Uma vida vale tudo, mas não há nada que pague.

Também não vale nada, visto que não há valor material que possa sustentá-la

E tantas vezes parece estar presa a um único fio…e perdura

E outras, parece forte… e se perde

Vale o tamanho do nosso amor, da dor que fica

Da ausência deixada, da lacuna não preenchida

Como amor não tem medida, a vida também não tem…

Qualquer vida que se perde

Que permitimos que se vá

Que não conseguimos impedir a partida

É uma perda irreparável,

Independente de quem foi

Sexo, idade, classe social, instrução, religião, profissão…

É sempre um projeto de Deus interrompido…

E uma vida nunca pode substituir a outra

Cada vida é única e especial

Algumas são mais preciosas para a gente que outras

São aquelas que Deus nos entregou nas mãos e disse

“Cuida, confio em você”!

São aquelas pelas quais seremos cobrados

São aquelas que trazem tudo de bom que temos

Que fazem a nossa própria vida ser preciosa

Que nos alimentam de sorrisos e lágrimas

Que nos fazem acender, manter e fazer valer nossa porção divina…

Alda M S Santos

Confidências

CONFIDÊNCIAS

Confidenciar algo é inerente aos seres humanos, seres gregários

Alguns são especialistas em fazer, outros em ouvir

Não importa se é algo que cause orgulho, medo, repulsa ou vergonha

Quem faz confidências acredita na discrição do outro

E oferece o mesmo em troca

Quer seja um diretor espiritual, pais, cônjuges ou amigos

Confiar é dizer: conto com você, não me decepcione

E o outro não precisa dizer nada, apenas ouvir

Ao dizer, divide com o outro algo pesado ou precioso

Torna a carga mais leve, aprende, cresce

Ser alvo da confiança de alguém é privilégio

Num mundo cada vez mais individualista

Ter essa confiabilidade quebrada é ter a porta arrombada

Para trancá-la a sete chaves e talvez nunca mais voltar a abri-la,

Apenas confidenciando a Deus…

Alda M S Santos

Eu te amo!

EU TE AMO!

Um grupo de pessoas ia embora para um lugar sem volta.

Ora parecia um portão de embarque de aeroporto, ora o portão de São Pedro.

Uma fila se formava, alguns queriam retornar, resolver pendências,

Outros insistiam em levar as bagagens.

Um “São Pedro” controlava a entrada.

“Só libero por alguns segundos e por um motivo apenas : para perdoar ou pedir perdão a alguém”!

Uns pediam, imploravam, se enraiveciam…e nada conseguiam!

Chegou minha vez, eu chorava calada, ele me olhou e disse:

“Para isso você não precisa retornar”!

“Mas eles precisam saber!” – eu insisti.

“Não! Todos que você amou sabem bem. Você disse ‘eu te amo’ incansáveis vezes por palavras e atitudes”!

“Quero me desculpar por ir embora”! -tentei.

“Não se preocupe! Os que te amaram entenderão, e vocês voltarão a se encontrar logo!”

Ele abriu o portão e eu entrei sozinha, mas esperançosa.

Uma paisagem paradisíaca de muito verde e lindos lagos se descortinava à minha frente, e segui…

Acordei com o coração apertado e indagando:

Demonstro mesmo meu amor por palavras e atitudes,

Ou isso seria uma advertência?

Quantas vezes digo “eu te amo”?

E você?

Alda M S Santos

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

De tudo deduzimos três pontos irrefutáveis sobre o amor:

A certeza de que ele sempre vale a pena

A clareza de que ele faz brotar forças inimagináveis em cada ser

A consciência de que ele, se verdadeiro, nunca morre, nunca mesmo, apenas adapta-se ao ambiente…

Alda M S Santos

Há-braços, abraços…

HÁ-BRAÇOS, ABRAÇOS…

Sinceridade que desarma, carinho que surpreende

Afeto que toca, sorriso que encanta

Há braços, abraços…

Quentes, longos, pipoca

Na pontinha dos pés, perfumados

Encolhidinhos no peito, de ladinho

Receosos, no colo, sensuais,

Apertadinhos, ou que não querem largar…

Acompanhados de doces palavras, silenciosos,

Qualquer que seja ele, necessário!

Há braços, abraços

Marcantes, inesquecíveis, saudosos…

Que possamos oferecê-los

Que saibamos recebê-los!

Alda M S Santos

Pagamos o preço

PAGAMOS O PREÇO

Pagamos o preço de tudo nessa vida! Tudo!

Algumas custam nossa saúde física ou mental

Outras custam nossa consciência, nossa paz de espírito

Nossa autoestima, nosso coração,

Nossa alma, nossa alegria de viver

As mais baratas custam apenas dinheiro!

Pagamos, avalizamos, por amor,

Até ônus que não são nossos

Apenas para proteger ou ver felizes quem amamos,

Sem eles sequer desconfiarem!

Somos nós que escolhemos o que “comprar”, o que “pagar”

Por nós ou pelos outros,

À vista, ou parcelado infinitamente…

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Ausências

AUSÊNCIAS

A gente percebe que não é autossuficiente

Quando começa a sofrer de ausências

Ausências de gente do bem conosco

Percebemos que somos essenciais uns aos outros

Quando começamos a “exigir” presenças

Presenças do amor e da alegria

Do carinho, do sorriso, da atenção

Aquelas que quando se vão fazem falta, a gente chora

Mas que sorri ao lembrar da marca que deixou

Por menor que tenha sido o convívio…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Miopia

MIOPIA

Somos um mundo de míopes

Que não enxerga a poucos metros dos próprios narizes

Se notamos algo, nada questionamos, não temos tempo

Um sorriso será sempre alegria

Uma lágrima é fraqueza que logo passará

O silêncio é de pessoa antissocial

Os gritos são de neuróticas!

Todo mundo rotulado, questionar para quê?

Um desconhecido que quer “sofrer em paz”,

Aquele vizinho que foi detido por agressão à esposa

O colega de trabalho que surtou e suicidou-se

Ou aquele amigo/a que trai, que vira as costas, que não é de confiança…

Mas como? Fulano? Ah, bem que ele era estranho!

E a vida segue…

Os problemas estão ao nosso redor, dentro das pessoas

Atrás de sorrisos sociais, de lágrimas antissociais

De “bom dia” por obrigação

De trabalho sem tesão, sem animação

Do silêncio gritado ou do grito calado

E que nossa miopia não nos permite ver!

Não há modo melhor de nos curar que ajudando na cura alheia!

Se não enxergamos, cheguemos mais perto, olhemos mais atentamente!

Pode ser nossa chance de curar a “miopia”, entre outras anomalias e patologias…

Alda M S Santos

Por nós, pelos outros

POR NÓS, PELOS OUTROS

O quanto fazemos por nós mesmos, nós sabemos

A real importância daquilo que fazemos pelos outros, imaginamos

Mas e o quanto os outros fazem por nós, silenciosamente

Dias e noites de sono “perdidos”, de lágrimas, agitação, preocupação, amor

O quanto investem em emoção, coração, oração

O quanto abdicam de parte de sua própria alegria por nós,

Saberíamos calcular?

Alguém que já fizemos algum bem no passado

E que hoje ora por nós, nos protege de longe

Que tem um pensamento de alegria, de positividade, de esperança

Que seria nosso anjo defensor aqui ou do outro lado

Saberíamos dizer?

Deus tem um modo todo especial de estar conosco

Quantas pessoas estarão a nos proteger, sem que a gente saiba,

Exatamente nesse momento?

Quantas?

Alda M S Santos

Pontos, laços e nós

PONTOS, LAÇOS E NÓS

Entre tantos esforços para se entender

Antever, planejar o futuro ou sofrer por ele

Ficamos perdidos no presente que é onde tudo acontece

Numa simples voltinha ao passado fazemos conexões

Só permitidas e compreendidas pós-vivido

Pontos são ligados, laços refeitos, nós desfeitos

E a trama do presente torna-se mais bonita

Consequentemente, a do futuro deixa de importar tanto

Aprendemos a ir desfazendo ou evitando novos nós…

Nosso viver é um constante ir e vir, retornar e prosseguir

Na vida não há estacionamentos, apenas vias de tráfego

E a velocidade, o veículo e a via somos nós que escolhemos

Mesmo quando parecemos estar apenas estacionados.

Conhecemos a via que deixamos para trás, a que transitamos

Mas o que tem lá na frente, nem teria graça se soubéssemos,

Pois a única certeza é que ela chega ao fim!

Alda M S Santos

Cubro-me

CUBRO-ME!

Cubro-me com palavras faladas

Lidas, ouvidas, cantadas ou escritas

Cubro-me de silêncios profundos

Mudos, sussurrados ou gritados

Cubro-me de lembranças

Boas, ruins, adoráveis, com ou sem interação

Cubro-me de esperança, fé e confiança

Como um cacto espinhento que nos surpreende com lindas flores

Cubro-me de amor e amizade

Para que não possa sentir o frio da dor

Coberta, estou sempre protegida

Da vida ou da ausência dela…

Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO
Em sonhos, encontrei-me com uma amiga
Que há muitos anos não via
Parecíamos, fisicamente, diferentes uma para a outra
Mas nossa essência e carinho não haviam mudado
Amigas de segredos, de intimidades, de adolescência
De primeiro “amor”, de descobertas, de medos e planos
E a conversa fluiu tão natural que parecia não ter havido distância
Cada qual com sua vida, sua família, uns planos realizados
Outros que ficaram apenas na vontade, decepções
Mágoas, vitórias e conquistas, novos planos…
Aquela história dividida debaixo de um pé de amora
E que quase sempre a gente chora…
Tudo na verdade se resume aos nossos sonhos, sempre.
E pensamos em quanto tempo tínhamos ainda pela frente.
Sensação maravilhosa reencontrar alguém que foi especial
Que fez parte de um capítulo importante de nossa história
E que ficou guardadinho lá no fundo aguardando
As voltas da vida e os propósitos de Deus!
Saudades! Amei rever você, ainda que em sonhos…
Alda M S Santos

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