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Isso é amor

ISSO É AMOR

Os teus passos eu acompanho

Perto ou longe sempre está comigo

Suas vitórias me alegram, me orgulham

Quando acerta eu aplaudo

Quando erra, sofro, oriento

Quando cai, te estendo a mão

Quando se machuca, eu choro

O que te fere, me fere

Se dói em você, dói em mim

O que te engrandece, me engrandece

Se você se perde, te aponto o caminho

Mas quando é você que me fere, magoa

Sou eu que me sinto perdida, sem rumo

Pois, ao me afastar de ti, quebra-se a reciprocidade

E preciso buscar outro caminho até você

Isso é amor, todo tipo de amor!

Assim amamos em Ágape, Philia, Eros, Storge

Assim amo vocês!

Alda M S Santos

Somos de Deus?

SOMOS DE DEUS?

João, Maria, José, quem é de Deus?

Somos de Deus por pertencer à religião A, B ou C?

Por frequentarmos templos de pedra regularmente?

Deixamos de sê-lo quando não somos adeptos de nenhuma religião?

De Deus somos quando agimos pelo bem, sem ferir ninguém!

Ou ao menos termos sempre esse propósito

De agir sempre em favor do outro, evitando abusos de todo tipo

Tanto mal se tem feito em “nome de Deus”

Ou se escondendo atrás Dele

Ou abusando da confiança e fragilidade dos fiéis

Ou passando-se por amigo que entra e leva o que o outro tem de mais precioso

Tanta “guerra santa” que Ele desconhece, não avaliza

Santo só teve um por aqui

E, quando voltar, certamente não irá a templos e igrejas

Ele irá às almas e corações em sintonia e afinidade com o SEU

Os bons e fiéis corações, mesmo falhos, às vezes, esses são de Deus!

Alda M S Santos

Salve-se quem puder

SALVE-SE QUEM PUDER

Tempos difíceis vivemos

A vida como a conhecemos pede socorro

Preta, branca, amarela ou vermelha

Salve-se quem puder

Somos capazes de ouvir?

A humanidade corre risco

Nem isso é capaz de nos unir?

Salve-se quem puder

Não há como se esconder ou fugir

Dinheiro, bens, títulos, posses diversas nada valem

O único modo de nos salvarmos

O único transporte possível para nos tirar daqui

É o que carregamos dentro de nós

A medida exata entre razão, amor, compaixão

A capacidade de nos vermos como espécie

Como um todo que faz parte de algo maior

Salve-se quem puder não é lema individual

Só nos salvaremos se agirmos coletivamente

Não há como se salvar deixando o outro para trás

Na perspectiva da continuidade da vida

Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos como raça, como espécie…

Salvemo-nos todos se pudermos!

Alda M S Santos

À Beira de um colapso

À BEIRA DE UM COLAPSO

A BEIRA dos rios

A BEIRA da devastação

A BEIRA da exclusão social

A BEIRA de um povo sempre tão sofrido

A BEIRA que agora sofre a revolta da natureza

A BEIRA negra, pobre, tantas vezes esquecida

A BEIRA da exploração, do tanto faz

A BEIRA africana, à beira-mar

BEIRA, Moçambique, à beira de um colapso

BEIRA, inundada, destruída, pede socorro!

Alda M S Santos

#somostodosmoçambique

fotos Google

Desertificando

DESERTIFICANDO

Um planeta desértico estamos nos tornando

Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional

Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono

Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente

Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão

Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis

Mas como em todo deserto

Enquanto houver lembrança da umidade e frescor

Enquanto brilhar a esperança de um oásis

Enquanto estiver firme o desejo de mudança

Ainda será possível abrir os olhos e o coração

A despeito da ventania, da areia, do calor intenso

E, em marcha, seguir toda a humanidade

Um passo de cada vez

Um ser humano após o outro

Em busca de nova vida…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA

Uma vida de teimosias, de bater de pé, de insistências

Um joelho esfolado que cicatriza

Um braço fraturado que se cola

Um coração partido que não se emenda

Teimosias…

Uma lágrima que escorre junto a um sorriso que ilumina

Tal qual arco-íris pós tempestade

Um corpo alquebrado que se refresca num rio caudaloso

Que se renova num abraço carinhoso

Teimosias…

Uma mente conturbada em curto-circuito

Uma alma repleta e, paradoxalmente, ainda cheia de espaço

Um ser humano pensado e criado para não desistir

Quando tudo parecer ruir

Teimosias…

Amor: a maior teimosia do mundo

Mas a única capaz de ainda garantir o viver…

Alda M S Santos

The winner takes it all

THE WINNER TAKES IT ALL

“O vencedor leva tudo

E o perdedor fica menor, tem que cair”

Diz, romanticamente, ABBA

E vencedores aqui são aqueles capazes de acionar um botão

Mergulhar na máquina do tempo

E voltar…voltar…

E, jovens novamente, sentir intensamente a mesma emoção

A música, a alegria, o coração acelerado

A louca vontade de amar, de viver, de dançar

Ser e fazer parte desse universo, dessa energia

Rejuvenescer…

”The winner takes it all”

Vencer ou perder?

“E os deuses podem jogar os dados e alguém querido ser perdido aqui”

Tudo uma questão de tempo ou lugar

Destino?

Vencer é voltar sem se perder

É valorizar o antes sem perder o agora

Ora vencendo, ora perdendo

Sempre levando algo…

E hoje vencemos!

Alda M S Santos

Muitas moradas

MUITAS MORADAS

“Há muitas moradas na casa de Meu Pai”

Nossos corações são uma casa de muitas moradas

Neles cabem os mais diversos moradores

Em diferentes graus de necessidade e profundidade

Em diversos níveis e capacidade de ensinamento e aprendizado

Nem sempre sabemos ou conseguimos controlar quem chega e quem se vai

Apenas tentamos organizá-los melhor, mais confortavelmente

Distribuindo melhor cada espaço

Evitando que alguns tomem posse de tudo

Estamos aprendendo a lidar com nossos inquilinos e proprietários

Aceitando tranquilamente os donos cativos por usucapião

E enfrentando as dores do eterno entra e sai

Apenas Ele sabe lidar bem com Seus moradores

Há perfeição, sabedoria e amor bastantes

Talvez um dia a gente aprenda melhor a morar e ser boa morada…

Alda M S Santos

Quimeras

QUIMERAS

Quiséramos ter estendido mais nossa infância

Ter congelado amigos dentro da gente

Do jeitinho que eram

Para nunca mais deixá-los partir

Quimeras…

Quiséramos ter curtido mais nossa adolescência

Sem tantos desejos de crescer

De ser independente, de acelerar o tempo

Apenas abraçar nossos “amigos para sempre”

Sermos apenas jovens desabrochando

Quimeras…

Quiséramos ter nos dedicado mais a nossos amores

Atendido mais nossos familiares

Prolongado sorrisos e abraços

Ter feito mais amor com a vida

Podido ser mais que simples adultos preocupados

Tendo sido mais leves em brancas e suaves nuvens de paz

Quimeras…

Quiséramos ter sido mais nós mesmos

Atendido mais nossas próprias vontades

Sem invadir as vontades e espaços dos outros

Cuidado melhor do que realmente importa

Sem contudo sermos egoístas,

Porque, afinal, sem desconsiderar tudo que conquistamos

E que faz parte de nós também

O que temos de real e verdadeiro, sempre

Somos nós mesmos…

Quimeras…

Meras quimeras…

Mas quiséramos…

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

(Des)fazendo

(DES)FAZENDO

Um móvel daqui, outro dali

Tudo sendo desmontado

Desfeito

Uma cortina arriada, tudo espalhado

O vazio de fora reflete o vazio de dentro

A bagunça por ali não se compara à bagunça interna

Uma planta ainda viçosa

Ignora a ausência de vida à sua volta

Sai um colchão, uma cama

Uma almofada com marcas de um corpo

Jogada sobre um sofá

Para onde irá?

Quais cabeças ou corpos irá amparar?

Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita

Mas tudo isso não são coisas?

Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus

Adquire-se novamente quando preciso

A vida que parece estar sendo desfeita

Ao mesmo tempo está sendo refeita

Reconstruída, mesmo que em meio a escombros

Nos ecos de um passado tão presente

Ouve-se a esperança de um futuro

Nota-se o brilho entre as frestas do porvir

Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado

Onde houve vida sempre haverá um renascer

Onde corações bateram e geraram vida

Sempre existirá amor e recomeços

Cada dia melhor e mais forte

Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário

Basta acreditar e recomeçar…

Alda M S Santos

Celeiro humano

CELEIRO HUMANO

Palavras podem ludibriar, enganar

Comportamento é sempre claro, não mente

Boas pessoas: boas ações

Más pessoas: más ações

Certo? Não necessariamente!

Comportamento não é previsível, não é matemática

Emoções não são uma ciência exata

Boas pessoas erram, aprendem

Más pessoas acertam, mudam, melhoram

Errar, cair, aprender, crescer, evoluir

Tudo isso é inerente ao ser humano

Não existem humanos santos

Anjos não vivem aqui, estão muito além de nós

Nesse grande celeiro humano

Há grãos de todo tipo e formatos

Em diferentes fases de maturação

E cada qual atinge seu ápice no tempo certo

Ser maduro é bom, é nosso objetivo

Mas não se chega lá sem antes ter sido verde…

Alda M S Santos

Chuva lá fora

CHUVA LÁ FORA

Raios rasgam o céu e atravessam a janela

Trovões estremecem a porta, os tímpanos

Chuva forte no telhado, goteiras intensas

Enxurrada lava tudo

Ou suja tudo, diriam alguns

Cá dentro estamos seguros

As árvores se agitam nervosas

A terra se encharca, bueiros transbordam

O barulho lá de fora sobressai

E acalma o barulho cá de dentro

Uma boa chuva sempre molha

Até mesmo aqueles que dela se protegem

Ainda que não nos molhe por fora

Sempre nos irriga por dentro

E nos torna um terreno quente e úmido

Permitindo que algo de novo brote

E que faça o amanhecer em nós mais bonito…

Alda M S Santos

Todas iguais?

TODAS IGUAIS?

Dizem que são todas iguais

Mudam apenas o endereço

Todos têm, grande ou pequena

Barulhenta, bagunçada ou organizada

Carinhosa ou contida, briguenta ou emotiva

Uns rebeldes, uns nerds, uns amorosos

Uns solícitos, outros carentes

Tanto faz, é sua!

Sua família!

Não invada as dos outros

Não permita invasões na sua

Cuide bem dela, seja grato

Cultive, irrigue de amor

É tudo que de mais real e verdadeiro

Você tem por aqui…

É aquilo que Dele recebemos

É onde começa e termina tudo

É onde toda mudança ou continuidade é possível

São iguais nas bênçãos infinitas, no amor do Pai

Foi numa família que Ele veio para nos ensinar a amar

Família Santa: Jesus, Maria e José

A Eles confiamos nossa família

Nele depositamos nossas esperanças!

Alda M S Santos

Outra vez?

OUTRA VEZ?

Vai e volta, passa o tempo

E as mesmas situações se repetem

De novo

Replay, outra vez

Mais uma vez…

Conosco ou com os nossos

A mesma dor por perto

Repeteco

Algo a nos dizer

Que fazer?

Lições não aprendidas

Oportunidades ignoradas

Erros não aproveitados, falhas esquecidas

Lágrimas jorradas

Batem sempre na mesma porta

Sempre querem algo nos dizer

Chamar a atenção, ativar o olhar, o fazer

O que não se aproveitou ou se aprendeu lá

Retorna para o lado de cá

Até que possamos estar aptos

A seguir, a prosseguir

Sem precisar tanto ferir, tanto repetir…

E poder um pouco mais sorrir…

Alda M S Santos

Relaxe: nada está sob controle

RELAXE: NADA ESTÁ SOB CONTROLE

Relaxe, se fie, confie

Nada está sob controle

Siga o curso, se não há outro recurso

Nada é tão certo, tão previsível

Desça com a correnteza, deixe-se levar

Contorne, retorne, descanse, desvie

Passe por cima se não for machucar

Abrace-se à natureza, faça qualquer proeza

Relaxe: nada está sob controle

Liberte-se de toda tensão

Passe por caminhos obscuros

Enfrente a luz, o brilho

As companhias e a solidão

A única certeza que temos

É que esse rio segue seu curso

Mesmo à nossa revelia

E nos leva, querendo ou não

Portanto, relaxe, siga em paz

Confie! Nada está sob controle…

E que isso seja bom!

Alda M S Santos

Mintam para nós

MINTAM PARA NÓS

A verdade anda tão nua, tão crua, cruel e dura demais

Que muitas vezes andamos preferindo uma mentira

Mais leve, mais doce, mais fácil de carregar

Pedimos para mentirem para nós

Para nos deixar ser felizes assim, ao menos um pouquinho

Sem ter que brigar tanto, enfrentar tanto, lutar tanto

Fazer de conta que estamos num paraíso

Onde tudo é belo, calmo e pacífico

Tudo verde, um rio tranquilo, céu azul e aves a plainar

Todos se amam, ou ao menos não se odeiam

Se valorizam, cuidam dos seus, respeitam os outros

Não usurpam nada de ninguém

São compreensivos e solidários, estendem a mão

Se amam, não se matam…

Se a verdade da humanidade é tanta crueldade

Mintam pra gente!

Assim seremos poupados, ignorando tanta maldade

E teremos mais fé que tudo é possível!

Alda M S Santos

Mutirão de amor

MUTIRÃO DE AMOR

Mutirão de limpeza, de solidariedade

Mutirão de amigos, de fé, um propósito

Ser úteis, fazer o bem, estar em paz

Não importa quando ou onde

Se o propósito for bom

Se unir amigos em prol de alguém

Quanto mais, melhor

É assim que a gente vence

Aquilo que parece invencível

“Aquilo que parecia impossível

Aquilo que parecia não ter saída…”

Com Deus somos um milagre, somos invencíveis”

Alda M S Santos

Aura multicor

AURA MULTICOR

Enquanto a massa é cinzenta,

A aura é multicor, arco-íris, brilhante

Cabe à massa cinzenta fazer o papel tirano, rabugento

A alma, pela aura, faz o papel da alegria, do contentamento

A razão é quase sempre cinzenta e sisuda

A emoção é colorida e, muitas vezes, alegre, absurda

Nosso bem estar necessita da organização do cinza

Mas precisa também do encanto vibrante das cores,

Não podemos abrir mão do tom cinza, neutro,

É ele que possibilita às cores sua existência

É a tela receptiva na qual pintamos nosso mundo

Uma vida mesclada de cinzas, negros, cores, brancos e encantos

Fazer um bonito colorido nem sempre é tão simples

Mas é o que dá prazer ao viver…

Alda M S Santos

Nosso desabrochar

NOSSO DESABROCHAR

Até poderia viver sem sua cor

Sem seu perfume, sem sua beleza

Sem participar de seu lento desabrochar

Sem me encantar com tanta delicadeza

Sem nossa troca e irrigação diários

Mas tudo é mais suave quando temos um ao outro

Eu te cuido, você me cuida

Assim, a beleza do jardim

E nosso eterno e cíclico desabrochar…

Alda M S Santos

Demasiado tarde?

DEMASIADO TARDE?

Seria demasiado tarde

Para acreditar na humanidade?

Idosos, grávidas e crianças de pé no metrô, esquecidos em sua condição especial

Mas lá fora uma mulher protege outras duas desconhecidas em seu guarda-chuva

Uns veículos velozes e descuidados espirram enxurrada nos pedestres

Outros param e cedem a preferência

Descaso, desamor, desrespeito e indiferença com o outro

Podemos ver isso por todos os lados nos mínimos gestos

Mas apenas um sorriso solícito de um funcionário

Um dar-se as mãos para atravessar a rua

Uma carona solidária, um olhar compreensivo

Um simples ato de carregar as sacolas pesadas de alguém

Qualquer sinal de preocupação e cuidado desinteressados

Fazem-nos crer que não é tarde demais

A humanidade ainda tem jeito!

Precisamos focar no que nos faz mais felizes

Há muita gente do bem, boas ações

Apenas o mal tem sido mais visualizado, semeado

Divulgado e propagado…

Vamos divulgar e propagar o bem

Plantar o amor verdadeiro em gestos simples…

Alda M S Santos

Olhe para mim

OLHE PARA MIM

Olhe para mim, mas olhe devagar

Preste atenção, demore-se…

Olhe e me enxergue verdadeiramente como sou

Um alguém que precisa de você, de carinho e atenção

Não me deixe ir embora, silenciar

Não quero fugir para dentro de mim, me afastar

Quero estar com você, sentir você

Sentir-me uma pessoa amada…

Não quero mergulhar no meu mundo

Quero fazer parte do seu mundo também

Sinto-me só, um ninguém nesse mundo

Do qual tantas vezes quis ir embora

Nesse seu mundo tão “perfeitinho” sinto-me um nada

Olhe para mim! Me abrace!

Por favor, me enxergue, faça-me ver propósito nessa vida

Que eu possa ser importante, necessária ao menos pra você

Preocupe-se comigo, me imponha limites de amor e cuidado

Olhe para mim!- é o grito silencioso de tantas crianças e jovens

Ao se rebelarem, enfurnarem-se no quarto

Quebrarem regras, ultrapassarem limites

Tantas vezes têm “tudo”, mas falta-lhes o essencial

Sentir-se alguém no mundo de alguém

Falta amor em atitudes simples

O amor é que nos faz ter prazer no viver

Aquele amor demonstrado no cuidado e atenção diários

O amor é que impede que tantos queiram acabar com a vida, com o inexistir

“Olhe para mim!”

Alguém perto de nós está gritando esse pedido…

Prestemos atenção!

Alda M S Santos

Somos todos responsáveis

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS

A cada vez que ignorei um grito de socorro

A cada vez que não ouvi um silêncio sofrido

Eu também fui responsável

A cada vez que não me importei com as lágrimas

A cada vez que chamei de frescura a dor do outro

A cada vez que menosprezei o diferente

Eu também fui responsável

A cada vez que exigi que os outros fossem iguais a mim

A cada vez que desconsiderei as dificuldades individuais

Eu também fui responsável

A cada vez que ignorei e me calei

Quando gordos, homossexuais, feios, negros ou pobres foram ridicularizados

Eu também fui responsável

A cada vez que nada fiz, que pensei “esse problema não é meu”

Eu contribuí para que uma tragédia pudesse crescer

E ganhar forma dentro de alguém já doente e excluído

É fácil e cômodo culpar a política, a segurança, a educação, a estrutura familiar

São culpados sim!

Mas que possamos assumir com coragem nossa parcela de culpa

A cada vez que nos fechamos em nosso mundo particular

Que somos individualistas e egoístas

Que pensamos que “amar a teu próximo como a ti mesmo”

Parece coisa de otário

Ou que ajudar o outro mais carente é “dar o peixe” para preguiçoso

Nós também fomos responsáveis

Por inércia ou instigando o mal

Nós contribuímos para que uma tragédia pudesse acontecer

Bem pertinho de nós …

Muitas vezes desconsiderando que estamos no mesmo mundo

Que ele gira e balança todo o tempo

E nada garante que não explodirá algo em nosso colo!

Somos responsáveis por cada flor impedida de germinar

Pensemos nisso!

Somos todos responsáveis!

Alda M S Santos

Qual sua arma?

QUAL SUA ARMA?

Todos temos armas. Todos!

E as usamos diariamente, conscientemente ou não

Algumas mais poderosas e certeiras que outras

Certamente com objetivos diferentes

Mas sempre visam atingir ou “matar“ algo ou alguém

Eu uso a poesia, as palavras

O sorriso, a literatura, os livros

Uso um abraço, um carinho, uma mão estendida, o amor

Quero matar a tristeza, a desilusão, a ignorância, o desamor

Em mim e nos outros…

Já tive arma de fogo apontada pra cabeça

Quase matou meu desejo de viver

Quase levou embora minha fé e confiança na humanidade

Quase…

Ainda me atormenta, mas não tem mais tanto poder sobre mim

Tenho muitos “livros” e amor na mente, na memória, na alma

E o que me faz seguir caminhando são eles

Minhas armas: amor e conhecimento

Um livro pode não salvar a minha vida

Mas pode ajudar a salvar uma humanidade inteira

Conhecimento e amor blindam o ser humano,

São impeditivos e incompatíveis com arma de fogo

Minha maior arma é a poesia

Uma poesia recheada de amor e fé

Eu a disparo todos os dias, todo o tempo

Espero atingir todos vocês!

Qual sua arma?

Alda M S Santos

Trapaças

TRAPAÇAS

Trapaças no trabalho, na rua, no trânsito, no esporte

Na fila do banco, na escola, nos hospitais

Trapaças na política, na igreja, até nas famílias

A palavra de ordem é levar vantagem

Toma-se o que não lhe pertence

Justifica-se de qualquer modo

Quem foi trapaceado?

Ah, isso é mero detalhe…

Quem se importa?

De tanto trapacear o certo tornou-se relativo

Raizes sólidas não mais existem em nada

O errado evaporou, não mais existe

Sequer nota-se quando alguém é trapaceado

Ou quando se é o autor da falcatrua

Exceto quando sofre a trapaça

Aí tudo muda de figura…

Sentir na pele o mal que alguém sofre

É o melhor meio de entender a dor do outro

E procurar evitá-la…

Alda M S Santos

Joga no chão

JOGA NO CHÃO

Tão velha, caindo aos pedaços

Paredes de adobe, ainda fortes

Telhado gasto, em ruínas, madeiras de sustentação abaladas

Assoalho rangendo, janelas caídas

Uma casa centenária, morada de muitos

Lar de uma família, muitas histórias

Quem vê de fora não nota as marcas que ela deixou nele

“Não compensa reformar, desperdício”

“Joga no chão e faz outra”

Mas ele não quer, afirma que ela está boa

Só refazer aqui, consertar ali…

Como jogar no chão uma história?

Seria o mesmo que jogar por terra o coração que está ali

Como se ao conservar a casa de pé

Estivesse conservando o amor que ali viveu

Respeitando a história que ainda vive dentro dele

Bom seria se não precisasse se preocupar com capital financeiro

Se o capital emocional fosse o bastante para mantê-la de pé

Conservá-la inteira, segura e habitável

Como o amor e o respeito pelos que ali viveram e se foram

E permanece inalterado dentro de si…

Ruínas… será?

Por dentro dele está tudo inteiro

Até que ponto o que está inteiro nele

Depende da sustentação dessa “casa velha”?

Ou o amor à sua história e aos antepassados que ali viveram

Depende exclusivamente de seu coração amoroso?

Alda M S Santos

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Curas homeopáticas

CURAS HOMEOPÁTICAS

A natureza tem poderes curativos

Não apenas os que vêm das plantas medicinais, que brotam do chão

Natureza tem poderes curativos da emoção

Aqueles que trazem paz, acalmam o coração

Em doses homeopáticas e constantes

Atingem pontos importantes na alma

Via tato, visão, olfato, paladar, audição

Paulatinamente despertando a nossa reação

Nos salvam até de nós mesmos

Quando não enxergamos mais saída

E nos tornamos nós mesmos nossos maiores adversários…

Natureza desperta em nós o que é essencial

E que, por vezes, fica escondido em meio a tanta coisa artificial…

Alda M S Santos

E o amor?

E O AMOR?

Crise de ciúmes, um dedo apontado, uma voz alterada, um susto

Aí vem um pedido de desculpas, um beijo, um “tudo bem”

E o amor?

Um descaso qualquer, uma indiferença, um grito, uma grosseria

Lágrimas, decepção, perdão

E o amor?

Um empurrão, uma ordem, uma cobrança, um tapa

Um abraço, “surtei, eu te amo, não vai mais se repetir”

E o amor?

Um tanto faz, “não vivo sem você”, uma surra

Uma ameaça, “se não for minha não será de mais ninguém”

Falta coragem, sobra vergonha, tristeza, solidão

E o amor?

Boletim de ocorrência, caso de polícia, medida de proteção

E o amor?

Morreu de inanição, de sede, por falta de alimento, de cuidado

Estrangulado pelos gritos presos na garganta

Sufocado pelas mágoas e decepções

Amor não morre de morte natural

Amor morre assassinado, morte lenta e dolorosa

Subjugado pelo sentimento de posse, de propriedade

Fica em tratamento intensivo muito tempo

E acaba entrando em falência múltipla

Falta ar, falta oxigênio, falta liberdade de ser

Falta prazer de viver…

A morte do amor não precisa ser a morte do indivíduo

Feminicídio é crime, a mais pura covardia e crueldade

É a prova de que se houve amor

Foi um amor doente desde o princípio

Se não faz bem não é amor…

Salve-se, salve uma vida, denuncie qualquer agressão

Se puder ajudar, estenda a sua mão…

Alda M S Santos

#feminicidio

A majestade

A MAJESTADE

Toda majestosa ali, a primeira que noto

O cartão de visitas, a recepcionista

Parece convidar à sua sombra

Chamar-nos para nos sentarmos em suas raizes

Subir em seu tronco, alcançar seus galhos

Admirá-la, ou, simplesmente, abraçá-la

E sermos gratos a tanta beleza e encanto

Ali, fazendo parte dessa história

Participando de tudo, silenciosa e receptiva

Pode entrar, aqui sempre cabe mais um…

Amo flamboyant, amo árvores!

Alda M S Santos

Camping

CAMPING

Tudo escuro aqui dentro

Silêncio!

Lá fora há a luz do luar

Sons da noite, noite no campo

Noite de camping

Todos aboletados em suas barracas

Silêncio!

Uma risada abafada, um ronco leve

Bichos da noite e seus barulhos

Silêncio!

Depois de tanto riso e alegria

Conversas, músicas, violão, diversão

Uma brasa resta ainda no fogão improvisado

As estrelas brilham intensamente no firmamento

Silêncio!

E o rio, ah o rio, o encanto maior de todo acampamento

É vida de todas as maneiras

Na alimentação, na higiene, na diversão…

Silêncio!

Noite no camping, noite rústica, simplicidade…

Aqui valorizamos mais ainda tudo que temos de bom

O que é mesmo necessário e o que é supérfluo…

Silêncio, escuro, noite de camping

Logo o sol irá nascer…

Mais barulho, mais vida, mais amigos, mais rio

Dia de camping…

Alda M S Santos

Meninos do Rio

MENINOS DO RIO

No rio nos tornamos meninos

Crianças sapecas a nos divertir e lavar a alma

Água fria, transparente, corrente…

E ainda assim nos aquece

Aquece a alma de coisas boas

Pura natureza de matos, bichos, terra e água

Não há quem não sorria, não grite, não brinque

Que não jogue água no outro

Que não mergulhe, nade de braçadas

Que não se divirta num tombo

Que não escale uma árvore, que não se deite no chão

Que não se encante…

No rio somos meninos

Por isso no rio somos felizes

Porque só somos verdadeiramente felizes

Quando deixamos aflorar nosso lado menino…

Seja feliz, seja rio, seja menino…

Alda M S Santos

Heroínas

HEROÍNAS

Em tempos de mundo do avesso

Muitos podem ser os pequenos grandes feitos

E são heroínas todas aquelas que conservam seu lado “direito”

Que, a despeito de todo avesso e adversidade,

Ventos contrários, covardias de todo tipo

Abandono, tsunamis, raios e trovões

Mantêm-se de pé, firmes tal qual árvore frondosa

E sustentam sua prole, sua família, sua vida

Financeira, moral e amorosamente

Sem jogar a toalha, sem lamúrias

E sem perder a própria essência

Somos nossas próprias heroínas!

Alda M S Santos

Sou mulher, sou minha!

SOU MULHER, SOU MINHA!

Ora sou forte, ora sou frágil

Sou humana, feminina, carente ou autossuficiente

Não sou mais nem menos que você

Posso ser razão ou emoção,

Pés no chão ou cabeça nas nuvens

Sou mel, sou fel, rosa ou azul

Multicor!

Choro sorrindo, sorrio chorando

Transbordo amor!

Rosa ou espinho, ora ferida, ora ferindo

Se você me enxergar e bem cuidar

Se me aceitar como sou e a mim respeitar

Terá uma alma sempre leal para te amar

Posso te fazer chorar, mesmo sem querer

Mas posso ser a razão do seu sorriso

Aquela que desperta seu lado bom, te faz crescer

Posso ocupar qualquer espaço que eu queira

Profissional, social, pessoal, amoroso

Inclusive um lugarzinho especial dentro de você

Não sou sua costela, tampouco um corpo apenas

Mas posso ser seu coração

Assim como você também pode ser o meu

Não para tomarmos posse um do outro

Mas por querermos e escolhermos estar juntos

Por saber que só somos plenos

Quando encontramos no outro

Aquilo que atiça o melhor de nós…

Sou mulher, sou feminina e, como todas elas,

Posso ser sua, nua e crua, mistério

Mas antes de tudo sou minha!

Alda M S Santos

#diainternacionaldamulher

Rosas, sim, todas elas…

ROSAS, SIM, TODAS ELAS…

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Não só pela delicadeza, suavidade e perfume

Tampouco apenas pelas cores, beleza e encanto

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pela força que brota mesmo em terreno árido

Pelos ventos e tempestades que suportam

Pelos espinhos que usam para se proteger

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pelos outonos em que perdem partes de si

Pelos invernos frios sem se abaterem

Pelas primaveras que recebem em total plenitude

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Pelos “cravos” que ainda a “despedaçam”

Mas aprenderam a fazer mais que chorar “debaixo de uma sacada”

Por precisar a cada dia conquistar seu espaço, ir à luta

Por sobreviver, muitas vezes, irrigadas com as lágrimas

Que poderiam matá-las pouco a pouco

Mulheres…

Rosas, sim, todas elas

Por toda a força, beleza e grandeza

Pelas vidas que geram, pelo amor que doam

Nesse lindo jardim no qual, mesmo podadas,

Elas, como rosas, resistem cada vez mais belas

Sem perder a doçura

Mulheres, rosas, jardins…

Tudo parte da mais bela criação… Cultive sua rosa, cuide de sua mulher!

Alda M S Santos

#diainternacionaldamulher

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Enfrente a vida

Faça-o como uma mulher!

Em frente! 🙏🏼💖😘

Ponte: uma saída

PONTE: UMA SAÍDA

Uma ponte sempre é uma boa opção

Une pontos, encurta caminhos

Aquela que nos leva de cá para lá

Que nos tira de algo não mais desejado

E nos leva para o almejado

Uma ponte nunca é o destino, apenas a passagem

Mas cada qual a vê de um modo

Pode ser bonita, tranquila, bem aproveitada

As saídas enxergadas ali são variadas

A disposição para seguir, idem

Uns a atravessam em busca do novo

Alguns querem voltar, na contramão

E outros se lançam dali, do alto

Entregam os pontos, desistem

Veem apenas o fim de uma dor…

Que não fiquemos estacionados na ponte

Que ela nos aponte vida, luz, esperança e paz!

Alda M S Santos

Uma bela manhã para viver

UMA BELA MANHÃ PARA VIVER

Uma bela manhã para viver

Céu, sol, brisa, flores e cores

Ou uma bela manhã para morrer

Também de belezas, encantos e perfume

O que diferencia uma da outra

Será que ela sabe flutuando por ali

Vive tão intensamente, tão pouco

Nesse mundo tão assustador

Lagarta, casulo, escuro

Tem medo?

Borboleta, luz, cores, brilho

Tem medo?

Tudo tem seu devido tempo…

Será?

Uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

Quem determina?

Voa suave e para nas mãos dela confiante

Quer responder à questão silenciosa

Leve, linda, desliza delicada por seus dedos

E voa serena em torno dela no jardim

Mas deixa sua resposta

Quer seja uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

É a paz que reina em cada alma

Que será capaz de fazer…

Alda M S Santos

A melhor professora

A MELHOR PROFESSORA

Ela é considerada a melhor professora

Nem sempre a mais doce

Tampouco a mais justa

Pode levar tempo, machucar

Precisar reapresentar as mesmas lições

Do mesmo modo, mesmos recursos e técnicas

Ou com um método diferente, novos livros, material didático atualizado

Para os alunos mais “complicados” e difíceis

Mas ninguém pode negar sua eficiência

Ela ensina, leve o tempo que levar

Por bem ou por mal

Por prazer ou por dor

A vida ensina! E como ensina!

Se esse for o único quesito exigido, o troféu vai para ela

A vida é a melhor professora!

Alda M S Santos

Sempre a luz

SEMPRE A LUZ

Ora em tons de verde, florido, claro, quentinho

Ora cinzento, frio, escuro, fosco, triste

Mas a luz está sempre lá…

Quantas pegadas foram deixadas para trás

Quanto há dessa estrada a percorrer

Mais, menos… não sabemos

Mas a luz está sempre lá…a chamar

Quantas vezes quisemos voltar, parar, seguir

Sorrir, chorar, gritar, silenciar

Pular partes, sentar, desistir

Vencer tudo de uma vez só

Mas a luz estava sempre lá…a nos chamar

Vamos construindo passo a passo esse caminho

Lentamente, apressadamente, andando ou correndo

Mas a luz está sempre lá…

Sentimentos se alternando em nós, humanamente

Bem acompanhados, muitas vezes, agradecidos

Solitários e meio desamparados em outras, descrentes

Mas a luz está sempre lá…

Ela é nossa bússola, nosso guia

Aquela que nos traz de volta aos trilhos

Nas vezes em que, por imperícia, descarrilhamos

Ela é nosso objetivo

Sempre a luz…

Sempre a busca incessante pela luz

É ela que nos fortalece e anima

Quanto falta? Não sei…

Sei que sigo a minha Luz…

Alda M S Santos

Brincar para ser feliz

BRINCAR PARA SER FELIZ
Uma menina corre descalça, sapeca
Um rabo de cavalo, um sorriso no rosto
Um balanço, um quintal e um amiguinho
Igualmente descalço, levado a lhe puxar o rabo de cavalo…
Não é preciso muito para ser feliz
Criança brinca e, brincando,
Resolve seus pequenos conflitos
Torna a vida leve, a brisa suave
E se a corda arrebentar, esparrama no chão, machuca
Chora, limpa as lágrimas, ganha um beijinho na ferida
E volta a balançar, a vida segue…
Constrói e desconstrói o que é necessário para continuar brincando
Quando foi que complicamos tanto?
Os problemas mudam, é verdade, aumentam
Mas nós mudamos primeiro, “crescemos”…
Passamos a engolir lágrimas e sapos
Desaprendemos o poder de saber brincar?
Urge reaprender a brincar para ser feliz
Para não enlouquecer…
E não brincar de que se é feliz!
Alda M S Santos
Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Borboletas…

BORBOLETAS…

Quisera essa leveza, essa cor, essa liberdade de ser

De flor em flor, jardim em jardim, puro prazer

Quisera encantar, polinizar, a vida levar nas asas

De metamorfose em metamorfose, voar, renascer

Quisera nunca perder a fé, acreditar num propósito maior

Saber onde pousar, em quem poder confiar

Ainda que seja curta e fugaz

Levar uma vida intensa de amor e paz

Quisera jamais perder a calma e trazer na alma a certeza

De que tudo está em seu devido lugar

Quisera sua marca aqui poder imprimir e deixar

Tal qual bela, leve e encantadora borboleta…

Alda M S Santos

Pierrô, Arlequim ou Colombina?

PIERRÔ, ARLEQUIM OU COLOMBINA?

“Pierrô apaixonado que vivia só cantando…”

Vai Carnaval, vem Carnaval

E sempre serão encontrados

Pierrôs apaixonados, cantando ou chorando

Arlequins preguiçosos e malandros

Colombinas encantadoras, confusas e disputadas

Amores e desamores de teor teatral

Cenários tragicômicos, amores frustrados

Uma “peça” a nos pregar peças

Personagens que atravessam a linha do espaço e do tempo

Gênero, cultura, classes sociais

Histórias e releituras da mesma sátira social

O circo, o palhaço, a arte, a plateia

A vida imitando a arte

Ou a arte imitando a vida?

Rótulos quebrados ou reforçados

Amor não é só flor, é cego, é também dor

Palhaço não é só sorrisos ou alegrias

Cantar não imuniza contra qualquer dor

E, com toda certeza, Carnaval ou não

Vez ou outra, em algum momento da vida,

Não estamos a salvo, seremos tomados por um Pierrô, Arlequim ou Colombina

Independente se somos homem ou mulher

Palhaços somos, cantando ou chorando…

Alda M S Santos

Nossa estrela

NOSSA ESTRELA

Quanto menos luz externa

Mais a luz interna se faz necessária

Para não nos perdermos na noite escura…

Felizmente, a bateria dela é recarregável

Não se estoca, não se acumula

Possui vários modos de acionamento

Só se esgota por falta de atividade

Quanto mais se usa, mais se tem

Quando a vida ficar mais escura lá fora

Quando os medos forem grandes

Os pesadelos maiores que os sonhos bons

Mais nossa estrela precisará brilhar dentro de nós

E quanto mais ela brilhar dentro de nós

Mais ela poderá atingir nosso entorno

E meu brilho com seu brilho

Pode nos iluminar e iluminar parte desse mundo

Enquanto estivermos por aqui

Quiçá quando dele partirmos também…

Brilhemos juntos, coração com coração!

Alda M S Santos

Gerenciando emoções

GERENCIANDO EMOÇÕES
Controlar o que sai, manter reservas
Repor gastos, ficar sempre no azul
Manter a balança financeira positiva
Equilibrando ônus e bônus
Isso é gerenciar bem a vida econômica
Mais importante que isso
É saber gerenciar nossas emoções
Não depositar em nós qualquer “valor”
Escolher bem nossas prioridades de retiradas
Ser seletivo com emoções que causem grandes déficits
A curto ou longo prazo
Aquelas que oneram nosso corpo e mente
Dar prioridade para emoções boas
Que preencham bem nossos vazios
Que nossos sorrisos ou lágrimas de giro sejam especiais
Que não causem danos aos outros
Que gerem lucros e dividendos
E não nos levem a abrir falência emocional
Que nosso gerenciamento das emoções seja tão bom
Que mantenha nossa alma sempre ativa
Sujeita sempre a bons investimentos
Isso é ser um bom gerente de si mesmo
Esse diploma buscamos todos…

Alda M S Santos

Oh, jardineira

OH, JARDINEIRA
“Oh, jardineira por que estás tão triste”?
Não se importe com uma flor que se perdeu
Não será essa a sina das flores, das rosas
Nascer, crescer, florescer, perfumar, encantar
E partir?
Não fique triste, não se perca também
A cada flor o seu perfume e encanto
A cada jardineiro o seu cuidado e proteção…
Seja você flor ou jardineiro, seja cor
Seja amor!
“Não fique triste que esse mundo é todo teu”
Você é pessoa digna da vida florida que ainda nao morreu…

Alda M S Santos

Sim é sim!

SIM É SIM!
Sim é sim!
No campo, numa cachoeira, numa praia deserta
No sofá, na rede, no tapete da sala diante da TV
Sim é sim!
Gosto do meu carnaval assim
Minha festa da carne, do prazer
É possibilitar paz, descanso, sossego, e tranquilidade
A corpo, mente, alma, coração
Busco a sinfonia dos pássaros
O farfalhar das folhas na copa das árvores sob a brisa ou vento forte
O canto das marés numa praia deserta com a areia fina sob os pés
A rede na varanda, a chuva no telhado
O bom livro sobre a grama macia…
Quero qualquer lugar em que ouça apenas a natureza
Associada à minha natureza
Com quem amo por perto, mesmo que na imaginação
No coração, na oração, sob a divina proteção …
Sim é sim!
Quero uma vida toda de prazeres assim…
Alda M S Santos

Se o rio seca…

SE O RIO SECA…

Fortalecer nossas asas para um voo livre e leve

Alimentar a brasa que nos aquece e revitaliza

Valorizar os ombros em que nossas cabeças repousam

Amaciar o colo onde acalmamos nossas angústias

Cultivar o que gera a sombra fresca onde nos livramos do cansaço

Manter acesos os motivos de nossos sorrisos

Nunca perder a fé que nos torna mais humanos

Cuidar bem de nossas matas ciliares

Porque quando o rio seca em torno da gente

Nunca mais volta a ser corrente…

Alda M S Santos

Tire as sandálias

TIRE AS SANDÁLIAS
Abra a porteira, respire o ar puro
Tire as sandálias, pise devagar
Seja bem-vindo
Deixe lá fora qualquer peso
Sinta a leveza desse lugar, inspire
Tire as sandálias, as pedras que nela houver
Que possam cortar, ferir, atrapalhar
Refestele-se…
A maciez fria da grama refresca
Percorre a corrente sanguínea, acalma
Leva um sinal de paz a cada cantinho de nós
Tire as sandálias, entre, sorria com e por prazer
Levante os braços, agradeça
Inspire, expire, faça saudações à vida
Não há caminho mais longo e desejado
Que o que nos leva até nossa alma
Tire as sandálias, continue
Você está quase lá, mais um pouquinho só
E logo se encontrará com quem mais importa
O divino que habita em você!
Alda M S Santos
Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

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