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viver a vida

Quero um romance

QUERO UM ROMANCE

Quero um romance, mas que seja especial

Não qualquer romancezinho água com açúcar

Quero um romance com minha existência

Daquele tipo que me tire de órbita

Mas me traga de volta, não me deixe num universo paralelo qualquer

Quero um romance com minha existência

Daqueles que não me aprisionem

Ao contrário, que abram minhas próprias algemas

Que me instiguem a não me acovardar atrás de trincheiras

Que me encorajem a enfrentar a vida em campo aberto

Quero um romance com minha existência

Daqueles que aceitem meus gritos e medos

Interpretem meus silêncios, aceitem minhas limitações

Me incentivem a usar minhas próprias asas

A voar para novos ares com segurança

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me façam ser melhor sempre

Que me apontem pontos positivos e falhas

Sem contudo minar minha autoestima

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me levem a mergulhar em rios gelados

Que me convidem ao cinema, a um parque, à Lua

Mas que, sobretudo, produzam comigo o enredo do meu próprio filme…

Quero um romance com minha existência

Quero um romance comigo mesma…

Alda M S Santos

Parque de diversões

PARQUE DE DIVERSÕES

Há brinquedos para todos nesse grande parque de diversões

Afoitos, aventureiros, intensos, pura adrenalina

Cautelosos, ponderados, tranquilos, medrosos

Crianças, jovens, adultos e idosos

Há inclusive espaço para quem não quer brincar

Para quem se diverte vendo a roda gigante subir e girar

Ouvindo os gritos de quem se aventura na montanha-russa

Observando o leve e sem graça vai e vem do carrossel

Atento às gargalhadas do palácio do riso

Ou aos semblantes assustados de quem sai da casa de terror

Há lugar para quem se assenta no banco no jardim

E observa os casais enamorados com rosas e bichos de pelúcia

As crianças agitadas com algodão-doce colorido e bolas enormes de sorvetes

Há lugar para todos: individuais ou coletivos

Há também quem queira tomar a vez do outro

Burlar a ordem, a lei, bagunçar a diversão

Ainda que não haja desejo de brincar

Esse parque de diversões chamado vida não para

Com ou sem a gente

Ele continua sempre….

Alda M S Santos

Queria viver…

QUERIA VIVER…

Queria um dia chegar aos 103 anos como a Dona Geralda

Mas só se for para ter a lucidez e clareza de ideias dela

Ainda que o corpo não obedeça mais tão bem aos comandos

Queria ter grandes alegrias nos pequenos momentos como a Dona Clarice e seus bichos

Passar o tempo realizando sonhos como a Dona Cristina se alfabetizando

Ou sempre buscando inovação como a minha xará Alda com seu tablet…

Queria viver talvez 95 anos como Dona Altina

Com o prazer de cantar, ter fé e ser grata à vida, ainda que seus olhos não mais enxerguem

Queria manter o dom de fazer poemas e declamar como Dona Yara

Não ter vergonha de chorar como a Dona Eugênia quando tudo doer

Ou de ser receptiva a carinhos e afagos como Dona Tereza, sempre vaidosa

Ter aquele sorriso puro e ingênuo de quem sabe todas as coisas como Dona Elvira,

Mas que prefere se concentrar nas boas…

Mas, queria mesmo, viver muito

Só se fosse para manter-me leve, sem grandes culpas

Aprendendo um pouquinho com cada uma delas

Com o dom de ser poesia na vida de todos

E a capacidade de perdoar, de dar e receber amor

Pois só assim viver vale a pena

Independente da quantidade em anos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Abra as janelas

ABRA AS JANELAS

As portas estão passadas a chave

Janelas cerradas, persianas baixadas

Espaços interiores fechados, escuros, protegidos

Não deixam a vida entrar, acontecer

Abra as persianas devagar…

Deixe a luz de fora entrar aos poucos

Para não cegar com a claridade do exterior

Olhe lá fora através da vidraça

As cores, o brilho, a intensidade

Encante-se!

Abra as vidraças aos poucos…

Deixe a brisa balançar seus cabelos

O sol aquecer sua pele, arrepiar-se

Respire fundo o ar puro de rosas

Se vier uma tosse não faz mal

Desintoxique-se!

Abra bem as janelas da sua alma

Deixe sair o ar viciado que já não se renova

Deixe a vida renascer!

Depois das janelas abertas

Logo as portas também se destrancarão e se abrirão

Apenas vigie o que entra e o que sai

Portas são para isso mesmo…

Abra as janelas e as portas do seu coração

Areje a alma, a mente

Proteja o que é valioso de intrusos, expulse-os

Convide a luz do céu existente em cada ser para entrar

Sentar e fazer de seu interior sua mais nova morada

Abra as janelas, sente-se, escreva sua história…

Alda M S Santos

De frente para a vida

DE FRENTE PARA A VIDA

De frente, braços abertos, receptivos

A vida nos manda de volta aquilo que a ela enviamos

Sorriso que envia fagulhas de esperança e alegrias

Atitudes que emitem amor em cada gesto

Palavras que são néctar a ouvidos sensíveis

E são ímãs de carinho e confiança a atrair levezas

De frente para a a vida, se emitirmos luz

Receberemos reflexos de calor e energia

Mas, se emitirmos negatividade

Receberemos decepções e mágoas…

Isso é lei do retorno, efeito bumerangue

Ele vai, ele volta…

De frente para vida…quero estar sempre…

Abram os braços!

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

A festa continua: baila comigo?

A FESTA CONTINUA: BAILA COMIGO?

Não importa se estamos na pista

Independe se temos par ou se dançamos sozinhos

Tanto faz se estamos sentados num canto do salão

Esperando por alguém para nos estender a mão convidando para dançar

Ou se convidamos alguém com o olhar

Se cantamos a música, bailamos conforme o ritmo

Ou se soltamos o corpo à vontade para se movimentar

Não interessa a ninguém se é nosso embalo preferido

Ou se preferíamos escolher outra melodia

Importa mesmo é participar da festa

Mesmo porque ela segue

A gente estando ali ou levantando para ir embora

Baila comigo?

Alda M S Santos

Carregando…

CARREGANDO…

Minutos que vão passando, a imagem carregando…

Uma barrinha em trinta, quarenta, sessenta por cento concluída

Exigindo calma, tolerância, tranquilidade

E a paciência enchendo mais rápido que a barra

Quando estiver com carregamento total é fim ou início?

Na perspectiva da vida carregamento total seria o fim?

Tudo que teria para viver já se foi em vinte, setenta, cem por cento?

Carregou, usou, gastou…

Ou carregamos tudo primeiro para começar a viver?

Estamos carregando para viver, ou vivendo até carregar?

Melhor seria saber qual a porcentagem concluída, ou simplesmente viver?

Existe algo que acelera, desacelera ou paralisa o processo?

Tristezas e decepções, lágrimas e dores a pré-enchem mais rápido?

Alegrias, prazeres, intensidade, amores desaceleram?

Como saber?

Se faltar energia vital, de todo modo, tudo termina antes de acabar, antes do final…

Carregando…

Alda M S Santos

Eu troco

EU TROCO

Troco uma noitada de músicas, danças e bebidas

Por um dia de caminhadas na praia tomando água de coco

Troco a tranquilidade de uma vida estendida na rede da varanda

Pela oportunidade de estender a mão, despertar sorrisos, ajudar

Troco os gritos calados de tristeza e desesperança

Pela chance de ouvir os silenciosos pedidos do olhar

Troco aquele rolê no shopping numa tarde de sábado

Por uma conversa amiga, tranquila, acolhedora debaixo da jabuticabeira

Troco aquela viagem por locais paradisíacos

Pelo prazer de viajar dentro daqueles que amo e que de mim precisam

Troco milhões de amigos e/ou expectadores

Por uma amizade sincera, que ore por mim, que seja confiável, que não me traia ou abandone

Troco a aquisição de qualquer bem material ou condição financeira

Pelo prazer de sentir um abraço sincero a dizer “você é bênção em nossas vidas”

Troco uma vida longa e cheia de “ganhos”

Por uma vida mais curta, na medida certa, de coração cheio

Troco qualquer coisa pelo prazer de ser eu mesma

Pela satisfação de viver para quem amo…

Eu troco!

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Do what you love

“DO WHAT YOU LOVE”

Faça o que você ama, diz a canção

Ainda que seja difícil, tente

Mesmo que o momento exija reflexão, introspecção, negação

Encare!

Faça o que você ama!

Chore, grite, silencie, permita-se sentir

Respeite seus tempos!

Faça o que você ama!

Busque a natureza, água, mato, bichos

Busque a sua natureza interior

Faça o que você ama!

Tome sol, tome chuva, tome coragem

Perca os medos, perca a vergonha, perca a preguiça

Só não perca o respeito por si, pelo outro

Faça o que você ama!

Mate as saudades, deixe lembranças jorrarem

Afogue as dores, faça boca a boca com a paixão

Faça o que você ama!

Abra bem os olhos para o que se mostra

Abra os braços para os abraços

Mergulhe na vida de cabeça!

Mas faça o que você ama!

Alda M S Santos

Medo? Que nada!

MEDO? QUE NADA!

Um pouco ansioso como em toda primeira vez

Afinal, isso é um “trem que voa” invenção de um mineiro

Boa expectativa, um voo curto de uma hora

Medos e receios do meu pai são vencidos

No alto, da janela passa a observar a pequenez do que fica pra trás

Admirado com as várias camadas de nuvens

Com o nublado lá de baixo

E o sol claro e céu limpo cá de cima

Quanto maior a altitude mais claro tudo se torna

Umas pequenas áreas de instabilidade

Sorriso de menino, “parece até que estamos no chão”

Nem o incômodo nos ouvidos ele sente

E papai abre aquele sorrisão satisfeito

Pousamos no aeroporto cujo nome homenageia o criador dessa grande invenção:

Santos Dumont

Voar é maravilhoso!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

E quem poderá dizer?

E QUEM PODERÁ DIZER?

Quem poderá dizer do quanto de cada um de nós é autêntico ou fuga?

Os introvertidos, calados, que preferem a solidão

Ou a própria companhia, quase não se misturam

Não gostam de aglomerações nem de improvisos…

Os rebeldes que reclamam, brigam, sozinhos ou não, riem, choram, gritam, esbravejam

Nunca parecem quietos, estão sempre envolvidos, insistem, “comem” a vida…

E aqueles que participam de inúmeras atividades, gostam de tudo, dispostos e cheios de energia

Literalmente, abraçam o mundo, sempre sorrindo…

Quem é verdadeiramente feliz ou infeliz?

O quanto disso é autêntico ou quem está usando subterfúgios para se esconder de si e dos outros?

O quanto no modo de ser de cada um é prazer, alegria, insatisfação ou fuga?

Quem está verdadeiramente em paz consigo mesmo, com a própria consciência, com a vida?

Quem poderá dizer do quanto disso tudo não é sobrevivência?

Quem poderá saber ou julgar?

Quem não gostaria de ser diferente ou estar de outro modo, noutro lugar?

Afinal, cada qual luta com o que tem, com a arma que melhor conhece…

Ou levanta a bandeira branca!

Quem poderá dizer algo ou contradizer?

Alda M S Santos

Onde mora seu prazer?

ONDE MORA SEU PRAZER?

Quanto mais largo o leque de opções simples

Quanto maior o número de delicadezas a nos despertar sorrisos

Quanto mais amor tivermos em nosso entorno

Entrando ou saindo de nós

Menos dependeremos de grandes expectativas

Ou da realização de grandes sonhos

Para nos mantermos bem, fazermos o bem

Quanto menos ovos colocarmos numa cesta só

Menor o risco de perder tudo

Menos iremos nos decepcionar

Menor probabilidade de deixar escapar entre os dedos

Todo o prazer de viver

E, assim, sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Viver e deixar viver…

VIVER E DEIXAR VIVER…

Ser sorridente não é estar sempre disposta ou feliz

Ser amorosa não é ser tola

Ser intensa não é ser incansável

Ser amiga não é aceitar tudo

Ser responsável não é assumir falhas alheias

Ser inteligente não é ser infalível

Ser família não é ser excludente, esquecer dos outros

Ser confiante não é ser assim tão facilmente enganada, como pensam

Ter esperança, ter fé não é ser bitolada, desprovida de raciocínio

Ser amor, ter um amor, não é se anular

Ao contrário, é ver no amor do outro

Motivo para ainda mais se amar…

E se doar…

Ser mulher, humana, é encontrar a si mesma

Em todas as suas fragilidades e forças, erros e acertos

É transformar lágrimas em aprendizado

É se regalar nas alegrias, mas não negar a dor, a saudade

É sofrer se preciso for, pelo tempo necessário para se recompor

Mas nem por isso estacionar…

É usar as decepções como liga para nova construção

É ser carinho sempre, é usar a arma mais poderosa do universo:

O amor!

Aquela que só nós podemos carregar, destravar, apontar, atirar

Viver e deixar viver…

Alda M S Santos

Autossustentáveis

AUTOSSUSTENTÁVEIS

Buscamos por um ambiente autossustentável

Uma água que siga seu ciclo e se renove

Árvores que nasçam, cresçam, se reproduzam e morram

Não sem antes nos fornecer seus frutos, sombra e madeira

Sem nos deixar na mão

Animais que nos sirvam de algum modo, que sejam “úteis”

Vegetais, animais e minerais à nossa mercê

Água, terra, fogo, ar, puros e infinitos para nosso prazer

Outros humanos a nos agradar e “servir”

E qual nossa parte nisso tudo?

Apenas usufruir sem contribuir?

Arriscando secar qualquer fonte de água, alimento ou amor?

Precisamos de humanos autossustentáveis

Brancos, amarelos, negros, vermelhos ou azuis

Ou, no mínimo, que não destruam irremediavelmente

Tudo aquilo de que precisam para se manter…

Como espécie e como indivíduos

A começar por si mesmos…

Alda M S Santos

Ele nasceu e eu vi

ELE NASCEU E EU VI…

O Rei Sol nasceu às 06:28, 26/07/18 e eu vi

Não como o percebo, sem notar, nos outros 364 dias do ano

Mas no alto do Pico do Papagaio, a 982 m de altitude na Ilha Grande, Angra dos Reis

Despertei à 1:30 da manhã para uma trilha de 7000m de subida íngreme na mata

Para essa caminhada que teve início às 2:17h foram 10 trilheiros valentes

7 nacionalidades: Brasil, França, Alemanha, Bélgica, Canadá, Chile, Argentina

3:30h mais tarde, muitas árvores, troncos, rios, pedras,

Vagalumes, lua, esquilos, suor, pequenas paradas de 2minutos

Respiração ofegante, parcerias, goles d’água, apoio de um cajado

Chegamos às 5:45h no cume do pico, vento forte, frio de gelar

Mas a vista maravilhosa na madrugada escura

Calava qualquer cansaço, qualquer dor, qualquer desconforto

Corações acelerados, todos sentados numa pedra escorregadia e perigosa

Aguardavam ansiosos ao nascer do sol mais lindo de nossas vidas

Às 6:28h ele começou a despontar e logo reinava grandioso

Lindo, sabedor de sua grandeza e poder

Várias línguas o saudaram…

Rei da vida, rei do céu, criado pelo Rei dos reis

E nós, desafiando nossos limites e a natureza

O homenageamos com nosso deslumbramento…

Às 7:20h, aos 51,8 anos de idade, num grupo cuja média era 30 anos

Superei meus limites, agradeço a Deus

E iniciamos a descida forte já sob ele, enxergando tudo, terminando às 9:45h.

A nós todos nota 10!

Quem disse que números são frios?

Eles podem ser emocionantes!

E viva o Sol e seus súditos!

Alda M S Santos

 

O que não te mata…

O QUE NÃO TE MATA…

“O que não te mata te fortalece”

Afirma o dito que ninguém esquece

Ou será que apenas te entorpece

E o medo sempre prevalece

Escondido para não parecer que enlouquece?

Na luta de fracos e fortes que se estabelece

Quem vence: aquele que não esmorece

Ou ao menos a todos parece

Que sua alma não se enfraquece

E, apesar de tudo, o coração não endurece?

Será mesmo que carece

Sustentar algo que por muito pouco se esvanece

No claustro frio e escuro que te enrijece

Quando na verdade tudo que te apetece

Seria uma vida simples e iluminada que sempre amanhece?

De que vale se para os outros a força é algo que enriquece

Se para você a cada vez que anoitece

Mais e mais essa força sua alegria apodrece?

Não percebem que o que na verdade te rejuvenesce

E tudo que precisa, e seu sorriso resplandece

É apenas de um abraço forte e verdadeiro que te aquece?

Alda M S Santos

Apenas um dia normal, mas…

APENAS UM DIA NORMAL, MAS…

O relógio despertou, o sol nasceu brilhante e forte do mesmo jeito

Um banho, a padaria, o café da manhã, trocar-se e se preparar para o trabalho

Um “bom dia” displicente, a correria de sempre

Era apenas um dia normal…

Nenhum aviso de que algo poderia ser diferente, nada

Um tchau apressado, um beijinho rápido

Nem um “eu te amo”, ou “se cuida”

Nem um olhar mais demorado para aqueles que queria bem

Tampouco um abraço apertado e quentinho

Apenas um “não se esqueça de passar no banco”

Afinal, era apenas um dia normal…

Nem uma mensagem ou cuidado especial ao longo do dia, não teve tempo

Apenas queria concluir tudo rapidamente e voltar para casa

O dia chegou ao fim, mas ele não chegou em casa, não na casa terrena

Não pôde mais rever os que amava,

Nada mais de abraços, beijos, cuidados, ou gastar os “eu te amo” economizados

Afinal, não era um dia tão normal assim…

Foi o último dia de vida desse amigo

E de tantas outras pessoas nesse mundo

Soubesse antes teria feito alguma diferença?

Coisas boas, coisas ruins, tragédias ou bênçãos

Todas acontecem em dias aparentemente normais

Como está nosso dia hoje?

Alda M S Santos

Brincar de ser feliz

BRINCAR DE SER FELIZ

Brincar…de ser feliz

Dançar, pular, correr

Chupar picolé até se lambuzar

Sorrir até a barriga doer

Despertar um sorriso em alguém

Brincar…pra ser feliz

Sentar no chão, gargalhar

Voltar a ser criança, confiar

Agarrar um bichinho de estimação

Aspirar o perfume de uma rosa

Brincar…de ser feliz

Namorar, abraçar, beijar, amar

Pedir colo, ser colo, fazer amor

Ser o amor de alguém

Chorar se der vontade, inútil engolir o choro

Dormir de conchinha, sonhar

Ler um livro, escrever um poema, ser a poesia

Brincar… pra ser feliz

Mergulhar numa cachoeira gelada

Cantar alto, rezar baixinho

Tomar um banho quentinho

Assistir filme no tapete, debaixo de edredom

Se empanturrando de pipoca

Brincar… de ser feliz

Declarar o amor, apaziguar a dor

Responder a um bom dia, contar uma piada

Rir de si mesmo, sorrir para o outro

Retirar os pesos das costas, ser leve

Perdoar, acreditar que ainda vale a pena…

Brincar de ser feliz…

Brincar pra ser feliz…

Brincar para fazer feliz…

Alda M S Santos

Como um rio

COMO UM RIO

Quero viver como um rio quando “morto”

Não somente quando possui águas calmas, mornas, convidativas

Ou quando as águas furiosas e geladas arrebentam tudo a abrir caminhos

Mas quero, como o rio, viver no que deixar de mim depois de partir

No que deixou de si depois de seco

Na terra que irrigou, silenciosamente

Nas plantas que hidratou e gerou vida

Nos frutos do qual foi núcleo e a tantos alimentou

Nos corpos amantes que banhou sob o sol ou a lua

Nos rostos lavados, sorrisos despertados, saudades deixadas

Quero ser como o rio morto

Porque depois de morto, apenas o que deixou de vida,

Ainda que em diferentes formatos, com ou sem reconhecimento, é que fica,

Sem cobranças, avaliações ou acusações

O rio morre…

Mas a vida que salvou, que perpetuou pelo caminho

Seguirá silenciosa até desaparecer por completo…

Alda M S Santos

Ciranda da vida

CIRANDA DA VIDA

“Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar…”

A vida é uma grande ciranda, nem sempre divertida

Onde todos somos “convidados” a brincar

“Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar…”

Ora giramos para um lado, ora giramos para o outro

Ora somos vítimas, ora somos réus

Caindo ou derrubando nas voltas e meias

Quase sempre nos “tornando” juízes

“O anel que tu me destes era vidro e se quebrou…”

Vigiando para não quebrar o que temos de frágil

Cuidando para conservar aquilo que temos de mais precioso

“O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou…”

Nas nossas vidas e naquelas vidas que se entrelaçarem às nossas

“Por isso, dona Rosa, entre dentro desta roda…”

O convite é feito a todo momento,

Deem-se as mãos, unam-se

Quem perde a ciranda da vida, essa cantiga de roda

Quando atina, o tempo já se foi…

“Diga um verso bem bonito,

Diga adeus e vá se embora”…

Vamos cirandar?

Alda M S Santos

Sem borracha

SEM BORRACHA

Viver é escrever à caneta, desenhar sem borracha

É precisar aproveitar cada linha escrita, cada traço feito

E nessa louca procura, em que o que se quer nem sempre se acha

Precisamos transformar dor em versos, disfarçar o que é tido como defeito

Para cada flor desenha-se um beija-flor

Para cada lágrima que cai uma rosa a sugar e reaproveitar sua dor

Para cada risco incerto desse desenho, às vezes sem cor

Tentamos fazer um grande e colorido mosaico furta-cor

Viver é pintar com verde-mata, vermelho-sangue ou branco- neve

Mas não dispensar o preto retinto ou o amarelo-girassol

É entender que nessa mistura é que se faz o que é eterno ou o que é breve

É saber dia ou noite, ser lua, céu, mar, estrela ou sol

Viver é desenhar sem borracha, é não descartar o borrão

É fazer uma obra-prima digna do Mestre, original

Ter sempre o olhar do artista, valorizar toda a emoção

É acreditar que a arte da vida sempre tem um tom divinal…

Alda M S Santos

Saber ou não saber?

SABER OU NÃO SABER?

A ignorância ou o conhecimento, qual escolher?

Que a doença é incurável, que há pouco tempo?

Prefiro não saber!

Que sou importante, necessária, o amor de alguém?

Prefiro saber!

Que sou dispensável, indiferente, que não sou mais a razão daquela alegria, daquele sorriso?

Prefiro não saber!

Que os caminhos podem estar esburacados ou sem saída?

Prefiro não saber!

Saber ou não saber?

Que fiz o bem, que alegrei, que errei e acertei, que distribuí o amor?

Prefiro saber, sentir!

Fechar os olhos ou estar ciente de tudo?

Saber ou não saber?

Seguir sabendo “tudo” de antemão ou ser surpreendido pela emoção?

Há coisas que pela mágoa e paralisia que podem causar,

Melhor não saber, simplesmente, ignorar e mergulhar

Para manter um mínimo de sanidade e prazer de seguir, de viver…

Alda M S Santos

Mal acostumados?

MAL ACOSTUMADOS?

Um dia, aguando o jardim fui alertada a reduzir a irrigação

“Não pode molhar todos os dias, vão se acostumar e sentir falta depois…”

Quantas vezes usamos esse raciocínio para a vida?

O quanto de bom somos privados para não ficarmos mal acostumados?

Um alimento, um passeio, noites de sono, descanso

Companhias, risadas, carinho, amor…

Claro, toda mudança é sentida

Particularmente quando algo de bom é retirado

Cuidar para não criar dependência do que é impossível manter é sábio

Mas privar-se de algo prazeroso pra não sentir falta depois

Não me parece muito inteligente.

E as flores recebiam felizes a água que eu as oferecia diariamente,

Amanhã é outro dia. Incerto.

Se precisarem buscarão reservas no solo

Como nós buscamos reservas em nossa alma quando precisamos

Se ela estiver bem nutrida,

A vida segue florida…

Alda M S Santos

Contradições (des)humanas

CONTRADIÇÕES (DES)HUMANAS

Silenciar, quando o desejo é gritar

Conformar-se, quando a sombra deixada pede luz

Acreditar, quando há tantos incrédulos e mentirosos

Justificar um erro, apoiado em erros alheios

Agir de modo contrário ao que se apregoa

Querer o que é eterno, destruindo eternidades

Gostar de jardim florido, mas não regar, não cuidar da terra

Mascarar para si mesmo o que está óbvio para todos

Insistir no mesmo erro infinitas vezes

Apontar no outro uma falha que é sua

Querer colher aquilo que não plantou

Plantar ou construir em terreno que não é próprio, que não pode colher

Fazer ao outro o que não aceitaria que fizessem consigo

Confiar, gerando desconfianças

Querer mudanças, sem ações concretas, sendo sempre o mesmo

Amar, mesmo sendo derrubado infinitas vezes.

Viver, mesmo que a “morte” se insinue todo o tempo

Somos assim, humanos carregados de desumanidades, em evolução…

Alda M S Santos

Sim ou não

SIM OU NÃO?

Se é sim tudo é animação

Se é não quase sempre é frustração

Mas não se deixe enganar, meu irmão

O sim quando precisa ser não

Ou o não quando deveria ser sim

Fazem muita confusão na mente de qualquer Cristão

Sim ou não?

Pergunte ao seu coração

E o ouça com ajuda da razão

Sim ou não?

Porque em quase toda situação

É você quem paga o alto preço, ouve o sermão

E aguenta-se nos rochedos a forte arrebentação…

Alda M S Santos

Reclamações

RECLAMAÇÕES

Não podemos reclamar das flores murchas no jardim

Se não formos bons e zelosos jardineiros

Não podemos reclamar da destruição das tempestades

Se nós mesmos ignoramos as advertências da meteorologia

Não podemos reclamar da solidão

Se nós mesmos não cultivamos bons e saudáveis relacionamentos

Não podemos reclamar da saúde

Se negligenciamos cuidados mentais e físicos

Não podemos reclamar do tédio da vida

Se não buscamos algo de útil para nos ocupar

Não podemos reclamar do sol que nos castiga a pele

Se nós mesmos derrubamos as árvores que nos dariam sombra

Não podemos reclamar de dores físicas

Se nós mesmos criamos a carga a pesar nossos ombros

Não podemos reclamar pelo que não temos, por ausência de amor

Se nós mesmos que fizemos nossas escolhas

E não cultivamos o bom que se apresentou

Até podemos reclamar, mas que as reclamações se convertam em mudanças

Necessário é que deixemos o que faz mal ser levado,

Que possamos receber de braços abertos o novo, o correto, que faz bem

Buscar ações que partam de dentro de nós mesmos,

E nos tornem, a nós e aos outros, mais felizes…

Alda M S Santos

Salva-vidas

SALVA-VIDAS

Uma placa, uns dizeres, uma boia dependurada, uma esperança: Salva-vidas!

Salva vidas? Qualquer uma?

Um grande e maravilhoso mar à frente

Alguns banhistas aventureiros, outros sem noção, sempre em perigo

Quantos “bombeiros” seriam necessários para salvar outras vidas, a seco?

Quais as boias e acessórios seriam usados?

Quantas vezes lançamos boias sem saber?

E, lamentavelmente, quantas vezes fomos a mão que faltou,

Ou até mesmo a que “empurrou” pra baixo uma vida já à beira do abismo?

Quantas vezes não aceitamos a mão que se ofereceu,

E não salvamos nossas próprias vidas?

Vida é muito preciosa para ser jogada fora: a nossa, as dos outros…

LEMA: Nunca esquecer os bombeiros que nos salvaram, ainda que uma única vez,

Pois uma única vez é o bastante para liquidar uma vida,

E vez ou outra tornamos a precisar deles…

Alda M S Santos

Malas prontas

MALAS PRONTAS

Não importa para onde vamos

Se é logo ali ou atravessando o oceano

Malas arrumadas é fundamental

O que vai, o que fica,

Quem vai, quem fica?

Malas cheias, coração abarrotado…

Expectativas de diversão e alegria

Se necessário, mudamos o destino final(?),

E que possamos trazer mais que levamos

Uma alma mais leve, em sintonia com as demais

Em paz…

Vamos?

Alda M S Santos

Quanto dura uma promessa?

QUANTO DURA UMA PROMESSA?

Preciso cuidar da saúde, fazer uma atividade física

Ano que vem vou trabalhar menos e me divertir mais

Vou me dedicar àquela atividade que amo: escrever

Ou viajar, ler, fazer trabalho voluntário, estudar

Vou fumar ou beber menos,

Não ficarei tanto tempo sem visitar aqueles que amo

Confiarei menos nas pessoas para evitar decepções

De hoje em diante só vou gostar de quem gosta de mim…

Quanto duram as promessas que fazemos

Aos outros, a nós mesmos?

Os dias passam, novo ano começa

E quase tudo permanece como antes…

Continuamos sedentários, crédulos, trabalhando muito,

Divertindo pouco, nos decepcionando

Amando aqueles que, muitas vezes, não se importam mais conosco…

Certo é que algumas coisas precisam ser mudadas em nossas vidas

Mas fundamental mesmo é estar bem conosco, nos admirar, nos amar

Não carregar culpas e frustrações!

Violentar a nós mesmos é um mal difícil de conviver!

No mais, seguir nosso caminho até a linha final

Pois, querendo ou não, nós encontramos nosso destino

Até mesmo no caminho que tomamos para fugir dele…

Alda M S Santos

Arte de viver

ARTE DE VIVER

A arte de bem viver consiste em estar preparado

Para perder tudo o que se tem

Mas acreditar que isso não irá acontecer…

Estar preparado para viver sem o que se tem

Sem, contudo, deixar de ser o que se é!

Equilíbrio entre o temido e o improvável,

Entre o desejado e o possível…

Alda M S Santos

Em letra cursiva

EM LETRA CURSIVA

A vida é tecida em letras cursivas

Sobe, gira, desce, desce mais, faz uma volta

Um laço, um nó, curvas, círculos, segue em frente

Volta, faz um corte aqui, coloca uns pingos acolá

As letras são as mesmas, mas a escolha delas difere

E o modo de traçá-las também.

Infinitas palavras, frases, textos e histórias

Vão sendo compostos com a nossa marca

As nossas digitais, a nossa caligrafia original

Algumas letras são mais caprichadas

Outras até mesmo ilegíveis, até para quem escreve

Uns textos são mais longos, histórias mais complexas

Uns bem simples e fáceis de ler…

O importante é que isso é tarefa intransferível

Nós selecionamos, nós compomos, nós vivemos,

Ainda que o único leitor sejamos nós mesmos…

Alda M S Santos

Free day

FREE DAY

E se pudéssemos reviver um dia das nossas vidas

Exatamente como foi. Apenas um. Saberíamos escolher?

E se pudéssemos, ao contrário, apagar totalmente

Um dia de nossas vidas. Seria difícil?

E se pudéssemos rever ou reencontrar alguém

Que partiu de nossas vidas, por morte ou descuido

Bater um longo papo, deixar as lágrimas rolarem

Ou simplesmente abraçar longamente?

Entre quantas pessoas teríamos que escolher?

E se pudéssemos ter um dia livre, um free day

Em que fosse possível fazer tudo que desse vontade

Sem que ninguém fosse magoado, culpado ou punido

O que faríamos? Um dia seria o suficiente?

E se pudéssemos?

Nosso mundo seria um paraíso ou uma barbárie?

Nossas vidas são feitas de momentos que se vão…

Alda M S Santos

Vida e Morte

VIDA E MORTE

Nascer e morrer, morrer e nascer

Extremos de uma mesma história,

Ou parceiros nessa caminhada?

Partes comuns de uma mesma vida,

Ou pontos antagônicos?

Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?

Ela está perto de nós todo o tempo

Quase tanto quanto a vida!

A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra

E vezes demais entre os humanos também: renovação

A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.

Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!

Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena

Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,

Independente de nossas vontades ou desejos.

O que não é natural é desejá-la mais que a vida.

A morte não deveria nos meter mais medo

Mas a vida nos meter mais coragem!

Alda M S Santos

Não vivo sem

NÃO VIVO SEM

Podem ser muitas as coisas sem as quais não vivemos

Não vivo sem meus filhos, partes essenciais de mim

Não vivo sem meus pais, refúgio certo

Não vivo sem o abraço e sorriso de meus amigos, colo e abrigo fundamentais

Não vivo sem a natureza por perto, ar que respiro

Não vivo sem trabalho, sem solidariedade, ocupações vitais

Não vivo sem Deus, alimento da alma

Não vivo sem amor, companhia necessária para todas as horas

São tantas as coisas essenciais

Aquelas que o dinheiro não compra!

Mas a principal de todas:

Não vivo sem mim mesma!

Preciso me encontrar, me admirar, me ajudar

Ser a alegria e força que nascem lá de dentro

Pois para viver e valorizar todo o resto

Preciso existir para mim…

Todos nós precisamos!

Alda M S Santos

O que pesa mais?

O QUE PESA MAIS?

O que pesa mais,

A culpa por algo que fez,

Ou o arrependimento pelo que deixou de fazer?

O que pesa mais,

O amor que foi poupado,

Ou o ódio que foi exagerado?

O que pesa mais,

A ingênua confiança,

Ou a excessiva desconfiança?

O que pesa mais,

Um afeto cheio de problemas,

Ou um desafeto todo “light”?

O que pesa mais,

Uma morte que se “escolhe” e aceita,

Ou uma vida ou morte determinada pelos outros?

O que pesa mais?

Alda M S Santos

Dó Maior

DÓ MAIOR

Em dó maior, em mi menor

Não importa!

Sem dó, sem mimimi,

Precisamos é fazer essa orquestra funcionar

Tocar a mais harmoniosa de todas as melodias,

Na afinação que nos cabe,

Tocar o maior número possível de corações!

Alda M S Santos

Quem morre e quem vive?

QUEM MORRE E QUEM VIVE?

Quem morre e quem vive

Quem não recebe um sorriso ou quem nem o oferece?

Quem morre e quem vive

Quem dedica-se ao trabalho que não gosta procurando apreciá-lo, ou quem o suporta?

Quem morre e quem vive

Quem viaja pela imaginação ou quem fica no chão por medo de voar? 

 Quem morre e quem vive

Quem aspira o perfume de uma rosa ou quem a evita por medo de insetos?

Quem morre e quem vive

Quem mergulha fundo em busca das pérolas ou quem se conforma com a impossibilidade de obtê-las?

Quem morre e quem vive

Quem planta e não colhe ou quem sequer planta?

Quem morre e quem vive

Quem ama e se arrisca a chorar ou quem sequer ama?

Quem morre?

Quem vive? 

Quem?

Aos poucos vamos vivendo,

Aos poucos vamos morrendo…

Alda M S Santos

Tristeza

TRISTEZA

Tristeza vem naqueles momentos 

Nos quais percebemos que a vida pode ser, às vezes, 

Como algumas cacimbas,

Por mais fundo que se dê, 

Não são capazes de produzir água,

Estaremos sempre com sede!

Alda M S Santos 

Segredos

SEGREDOS

Viver é buscar grandes profundidades, mergulhar fundo 

Mas também é saber brincar na superfície, rolar na areia. 

Esse é o segredo!

É verdade que é nas profundezas que encontramos o encanto e beleza das pérolas,

Mas não podemos desvalorizar as conchinhas simples que nos divertem e fazem nosso dia a dia tão especial.

O risco de focar na pérola, é perder a beleza das conchas

E não se obter nem uma e nem outra.

Alda M S Santos

Truco e outros jogos

TRUCO E OUTROS JOGOS

Num jogo de cartas vence aquele que mais sabe esconder o jogo

Aqueles que são mais abertos e mostram suas cartas

Quase sempre são os perdedores. 

No jogo da vida há poucas diferenças,

Porém, os de cartas escondidas são pessoas mais pesadas,

Os de cartas na mesa são pessoas mais leves.

Mas os vencedores e os perdedores não tem como saber,

Há que se avaliar….

E o jogo segue à nossa revelia.

Quer a gente mude de parceiros na mesa, ou não, 

Com cartas abertas ou marcadas, 

Com bons adeptos e jogadores ou não, 

Até que alguém grite “truco”!

E, game over.

Alda M S Santos

Emoções turbo

EMOÇÕES TURBO

Leve, normal, pesada ou turbo?

Qualquer máquina tem opções de velocidade e funcionamento

Em modo manual ou automático

Somos máquinas, cujas emoções também possuem essas “funções”.

Às vezes somos leves,

Noutras chegamos a turbo.

Mas dá uma vontade danada de colocar no automático

Sequer acelerar ou frear

Recostar, reabastecer, deixar o “barco” navegar,

E aguardar o destino que vier…

Alda M S Santos

Convites

CONVITES

A vida nos manda vários convites

E tantas vezes declinamos sem sequer abrir o envelope.

É porque muitos convites vêm disfarçados de cobranças

De contas a pagar, de ônus antigos, de previsões ruins.

Nossos olhos viciados enxergam apenas o lado negativo

Não se habituaram a ver além do feio envelope.

Quantas coisas boas já ocorreram naquele ônibus lotado

Que insistimos em reclamar e dele fugir?

Quantas delícias não já aconteceram em dias chuvosos

E nublados que “amaldiçoamos”?

Quantas vezes aquela tempestade não trouxe em suas águas

Aquele tesouro sujo de barro que mudou nossa trajetória?

Quantas vezes aquela pessoa briguenta que “odiávamos”

Nos trouxe a maior de nossas alegrias?

Quantas vezes o feio não acabou se tornando

O mais lindo e maravilhoso espetáculo de nossas vidas?

Vamos acordar, abrir os envelopes da vida,

E parar de jogar no time adversário.

Alda M S Santos

Vestida para matar

VESTIDA PARA MATAR
Acordou, levantou-se, tirou trajes de dormir, banhou-se
Lavou pensamentos negativos
Deixou ir pelo ralo o medo e a covardia
Esfregou-se com a bucha da coragem e ânimo
Aqueceu sua pele do desejo de amar e vencer
Vestiu o mais lindo sorriso no rosto
Cobriu o corpo da estampa mais leve
Calçou sandálias macias para acompanhar qualquer passo
Maquiou-se com o amor que trazia no peito
Pendurou no pescoço o amuleto da esperança
Perfumou-se de lembranças doces
Encheu a boca de palavras de encorajamento e fé.
Ao vestir-se para matar, percebeu que queria viver,
Na terra, no ar, em jardins, em qualquer lugar…
E queria trazer vida a todos!
Alda M S Santos

Propósitos

PROPÓSITOS
Pressupondo que tudo na vida tem um propósito
E que passaremos por tais situações,
Quer queiramos ou não
Melhor procurar identificá-los e vivê-las
Mesmo com toda nebulosidade aparente.
Fugir ou negar só irá protelar a dor, o sofrimento, a amargura
Ou a alegria, a satisfação, o prazer.
E isso só descobriremos, vivenciando.
Alda M S Santos

Best-Seller

BEST-SELLER
Na vida nós escrevemos nosso conto de fadas.
Não há borrachas ou corretivos, não há como “desescrever”.
Apenas viramos a página e escrevemos novo capítulo.
Não há “felizes para sempre”.
Ora somos protagonistas, ora coadjuvantes,
Ora mocinhos, ora bandidos…
Por vezes, é uma comédia romântica, outras um drama,
Pode até se tornar um suspense ou uma tragédia,
Mas somos nós que construímos dia a dia nossa felicidade!
Com o papel, a caneta e a cor que dispomos e escolhemos.
Que seja um best seller!
Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

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