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Vira-latas

VIRA-LATAS
Somos mestiços, oriundos de várias raças
Uma mistura que nos torna SRD
Sem raça definida, carregamos características de vários povos
Ora somos fortes, resistentes e adaptáveis 
Pés-duros, confiáveis, amigos
Ora somos frágeis e de baixa autoestima
Acusados de tudo fazer, de virar latas por um pedaço de pão
De nos rebaixarmos para receber um carinho na cabeça
Dependentes da aprovação daqueles que consideramos mais, superiores
Mas carregamos conosco as misturas de uma raça não definida, híbrida
E o que de bom ou ruim isso possa acarretar
Com toda a força, fidelidade, inteligência, confiabilidade e resistência
De quem tudo já enfrentou
E de quem não se entrega assim tão facilmente
Um vira-latas morre lutando, acreditando na vida
Nunca deixando de amar…
Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

De quantos?

DE QUANTOS?
De quantos nãos se faz uma decepção
De quantos medos se faz uma coragem
De quantos abandonos se constrói uma muralha
De quantas valentias e covardias se fazem um herói 
De quantos tanto faz se faz um desistir
De quantos passos trôpegos se faz uma marcha firme
De quantos cuidados o amor se alimenta
De quantos sorrisos se faz um encanto
De quantas lágrimas a saúde emocional sobrevive
Quantos abrir mão o amor é capaz de suportar
Quantas descargas emocionais o coração aguenta sem sofrer um colapso
De quantas promessas não cumpridas se faz um desamor
Quantos “felizes para sempre” somos capazes de destruir, incólumes
De quantos mergulhos rasos se faz uma vida superficial
De quantos “tudo bem” se molda uma máscara
De quantas demolições internas e externas precisamos para reconstruir
De quantas saudades se faz um existir?
De quantos(as)?
Gostaria de saber…
Alda M S Santos

Infiltrações

INFILTRAÇÕES
Trincas nas paredes, rachaduras nas calçadas
Buracos no asfalto, aberturas nos canteiros
Fendas nos quintais, fissuras nos jardins
Permitem a entrada gradativa de água 
Possibilitam infiltrações e o lento, nocivo
E quase imperceptível ceder do terreno
Abalam as estruturas, derrubam edifícios
Jogam ao chão monumentos, grandes construções
Como as rachaduras em nossa emoção
Aquelas pequeninas, que quase ninguém vê
Uma decepção aqui, uma indiferença ali, um descaso acolá
Frestas que nem nós notamos
Vão deixando entrar elementos perigosos
Que abalam nossas estruturas
Derretem a liga que nos sustenta
Urge tapar essas gretas: na rua, nos quintais, nos lares, em nós
Deixar apenas a abertura suave das persianas e dos sorrisos
Por onde entra ou sai a luz do sol e do amor
Que nos aquece, nos mantém inteiros, de pé
E de braços abertos para a vida!
Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

Placas tectônicas

PLACAS TECTÔNICAS
O movimento das placas tectônicas causa graves acidentes na superfície do planeta
Terremotos, maremotos, tsunamis e vulcões assustam
Mas são sinais da vida ativa no interior da Terra
A cada vez que elas se movimentam
Grandes desastres naturais são gerados resultando em morte, terror, destruição
Uma nova posição elas tomam, nova organização se dá: sobrevivência
Quem está melhor preparado sabe o que fazer, como lidar, seleção natural
Nem sempre os mais altos e bonitos edifícios mantém-se de pé
Muitas vezes são os primeiros a ruir e tombar ao chão,levando consigo muitos outros
O que vale é a estrutura firme, a base forte, a flexibilidade das colunas
Desconsiderar a força da vida interna que se rebela e se revela não é sábio
Nos terremotos naturais os sobreviventes conhecem a regra: o tripé da vida
Apoiar-se em algo sólido e firme, abaixar-se, proteger-se
E esperar a lava quente, a fumaça tóxica, os destroços serem levados oceano afora …
Nesse grande planeta azul, somos dele pequenas miniaturas
Onde estamos nos apoiando quando nossas placas tectônicas se movimentam perigosamente?
Alda M S Santos

 

Todo o tempo: sempre que nos aprouver

TODO O TEMPO: SEMPRE QUE NOS APROUVER!

De vez em quando precisamos arrumar nossas gavetas internas

Para não ficarmos tão perdidos quando precisarmos encontrar algo especial numa emergência

Colocar numa gaveta de fácil acesso aquelas “peças” que usamos todo o tempo

Que nos fazem sorrir e ver a vida mais colorida e bonita

Separar para doação aquelas “peças” que já não nos servem mais, justas ou largas,

Ou porque nosso “corpo” mudou ou nosso gosto que não é mais o mesmo

Farão outros felizes como nos fizeram

Devolver ao verdadeiro dono algumas “peças” que nunca foram nossas

Usamos por empréstimo por um tempo e quase acreditamos que eram nossas

Jogar fora as “peças” velhas, cheiro de naftalina, como moletom disforme e surrado, que já esgotaram tempo de uso

E nos fazem pensar que também estamos rotos e surrados

Guardar numa gaveta secreta aquelas “peças” que são preciosas, pouco usadas

Melhor ainda, usar tudo de valioso que temos quando melhor nos aprouver

Todo o tempo, se possível!

Fazer da vida um eterno passo de dança, como diria Sabino,

Sempre há quem goste de dançar…

Sabe-se lá quando poderá aparecer um ladrão e levá-las de nós,

Ou sermos delas levados?

Não sou boa em arrumar gavetas, de qualquer tipo

Tenho dificuldade em me desfazer das “coisas”

Mas sempre aprendo algo quando vou arrumá-las

Tenho muito mais “coisas” valiosas do que pensava…

Alda M S Santos

 

Pedras…pedreiras…pedregulhos

PEDRAS…PEDREIRAS…PEDREGULHOS

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando não me importam tanto, pequenas

Colocadas com intuito de me fazer perder tempo

Rotineiras, como um contratempo no trânsito

Não merecem muita atenção, desvio

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando atrapalham a caminhada, perturbam

Incomodam como alguém a fazer pouco de nós

Pego e jogo para longe de mim ou me afasto

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando impedem a passagem, grandes

Preocupantes, pesadas, difíceis de remover

Como um pesadelo reincidente e assustador

Com calma, tento escalar e transpor

Peço ajuda, uma mão amiga a me puxar

Pedras no meu caminho, que fazer?

Gigantescas, intransponíveis, como parte do ambiente

Com lascas cortantes como ingratidão ou abandono

Como uma doença incurável ou a perda de alguém

Sento na pedra, choro, reflito e oro…

Pedras no meu caminho, que fazer?

Penso em todas as vezes em que Ele nos salvou

Me salvou de outros abismos e me devolveu o chão

Agradeço, e a encaro com mais ânimo

Já não parece tão intransponível assim

Afinal, Ele sabe tudo de montanhas, escaladas

Ingratidão, abandono, amor e desamor

Pedras e “Pedros” de todos os tipos

Seres humanos…

Ele sabe de tudo e de todos!

Ele é maior que qualquer pedra, pedreira ou pedregulho!

Alda M S Santos

 

 

 

Paradoxal e intensa relação

PARADOXAL E INTENSA RELAÇÃO
Paradoxal encantamento e admiração
Associados a um medo gigantesco
Contraditória e intensa atração atrelada
À incapacidade de profunda proximidade e enfrentamento
Fascinante e envolvente como o canto de uma sereia
Assustadora como noite sem lua e estrelas
Chama, esfria e esquenta, encoraja e atemoriza
Atrai e repele, vai e vem
Tão necessária quanto o oxigênio
Tão completa, tão essencial
Amor incomparável
Doce ou salgada, parada ou corrente
Amor bandido, amor sem fim
Complexa essa minha relação
Jamais saberia viver sem ela
Mas nunca poderia mergulhar fundo nessas águas
Sob o risco de não mais voltar…
Vou, assim, “mergulhando”, mas com os pés firmes no chão…
Alda M S Santos

No limite

NO LIMITE
A vida no limite é intensa
Por vezes animadora, noutras cansativa
Será que vai sendo gasta, se esvaindo
Ou sendo reenergizada, reabastecida?
Se ela se esvai, se desgasta
Gostaria de não viver tanto no limite
Ter mais espaço, mais folga, mais liberdade de movimento
Dentro do meu “pequeno” interior
Não estar tão próxima da linha tênue
Que separa o bem do mal estar
Os sonhos doces dos pesadelos amargos
A realidade fria do calor do realmente desejado
Que separa a alegria da tristeza
Os medos da coragem, a confiança da desconfiança
O sorriso das lágrimas, a fé da descrença
Que separa a sanidade da loucura
O amor do desamor, a vida da morte!
Mas se a intensidade reenergiza, autoabastece
Que eu aprenda a andar na corda bamba
A me divertir nos altos e baixos, a dançar nos desequilíbrios
Ou que eu encontre mais espaços dentro de mim
Ou os ocupe de modo mais organizado
Sempre com mais e mais equilíbrio, alegria e fé
E que consiga carregar comigo quem quiser ou merecer…
Alda M S Santos
Ilha Grande- Angra dos Reis

Termodinâmica

TERMODINÂMICA
O olhar não se vê, calcula-se, o sorriso, brincalhão
Caminhos percorridos… conhecem-se?
Buscam um no outro, mesmo sem perceber
A parte humana com toque “divino” que lhes falta
Doam um ao outro por termodinâmica
Até o que nem imaginam possuir
Principalmente o que não sabem possuir
Os silêncios partilhados cheiram ora a paz, ora a conflito
O brilho dos olhares ou a sombra deles denuncia tudo
O encanto dos sorrisos cega os céticos
As lágrimas satisfazem os invejosos
As brincadeiras alegram o ambiente
O toque das mãos dá cor à vida
Sinestesicamente…
Os abraços divididos selam a paz, perdoam defeitos
Do outro, mas principalmente de si mesmos
Humanos, falhos, tentando acertar sempre
A fé num propósito divino para tudo que há preenche vazios
As lágrimas despertadas ou enxugadas os tornam mais humanos
Conviver, viver com, viver para
Para si, para o outro, para amar
E as almas viverão para sempre
Até mesmo quando duvidarem disso…
Alda M S Santos
 

 

 

Depois do fim

DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos

Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Sons do silêncio

SONS DO SILÊNCIO
Há muito silêncio aqui
Os galhos das árvores valsando ao sabor do vento
A chuva fina a tamborilar uma canção nostálgica no telhado
Canarinhos piando a disputar por espaço no comedouro
Enquanto outros se banham na poça d’água no chão e voam em revoada
Uma vaca muge reclamando ao longe no pasto
As asas vibrantes de um lindo beija-flor a sugar o néctar doce da vida
Indiferente a minha presença, encantada
Um machado fazendo ranger a madeira que cede com um choro de resistência
O fogo a crepitar no fogão a lenha onde o cozido borbulha e aromatiza o ambiente
Uma família de tucanos grasna no alto das árvores e saúda a vida
Um cachorro late pedindo carona atrás de um fusquinha conhecido
Um galo canta alto dizendo as horas, a galinha responde que tem ovo
Um abacate cai com um barulho surdo do alto do abacateiro e se racha ao chão
A tosse seca de um fumante que parece sufocar
As risadas das crianças descendo a rua de bicicleta, felizes, ignorando o chuvisco
Macacos gritam bem perto na mata
Uma saracura afoita passa correndo no quintal
Uma espectadora da vida ouve todos esses sons do silêncio
Em contraste com todos os barulhos que gritam dentro de si
Querendo fazer parte, ser parte desse mundo “animado”…
O mundo parece estar estacionado, mas há vida em tudo…
Qual o barulho que ela faz em seu silêncio?
Qual o grito que ela transmite?
Alguém ouve?
Alda M S Santos

No ponto certo

NO PONTO CERTO
Café, passado na hora, quentinho, cheiro delicioso e convidativo
Sementes, mudas, raízes, brotos, galhos, flores, frutos maduros
Depois de aparentemente prontos para consumo
Os grãos precisam ser colhidos
Colocados para secar, socar, torrar, moer
Para, ainda assim, passar por água fervente, ser coado
Até podermos saborear o delicioso cafezinho…
Colhê-los antes da hora seria perda de tempo, desperdício
Esperar demais ele seca, murcha, passa do ponto, apodrece e cai
Verde demais ou apodrecido não dá pó, não faz café
O mesmo se dá conosco
Todas as fases que passamos são para chegarmos ao ponto certo de “consumo”
Quantas vezes parecemos maduros e prontos
Não aceitamos a parte dolorosa do secar, torrar, moer
Sem saber que o melhor ainda está por vir?
Laranjas só dão suco se espremidas
Grãos de café só valem se maduros, torrados e moídos
Pessoas só chegam à alegria e sabedoria da maturidade
Quando são o “café” quente e animador para si e para os outros
Quando não negam e encaram as etapas dolorosas do viver
Como parte do se tornar “eu”.
Somos eternos cafezais num constante florir, frutificar, colher, secar, torrar, moer, repousar
E virarmos cafezinho saboroso
Verde, maduro, seco, no ponto certo…e a vida segue…
Qual seu ponto ideal?
Aceitam um café?
Alda M S Santos

Trem de doido

QUE TREM DE DOIDO!
“Trem de doido” é algo impressionante, surpreendente, fora do comum
Isso no bom sentido que tomou…
Uma expressão de mineiro,
surgida em Barbacena
Trens de doidos eram chamados os vagões que despejavam centenas de “loucos”,
Ou aqueles que fugiam aos padrões sociais, nos pavilhões do manicômio de Barbacena.
Trem de doido era o transporte que levava aqueles que fugiam ao “normal”,
Assustador, desumano, cruel.
Trem de doido é a capacidade do ser humano de excluir uns aos outros
Trem de doido é o modo como tratavam esses seres segregados
Trem de doido é a ausência de indivíduo, de ser humano, apenas um bloco de pessoas
Eu disse pessoas?
Trem de doido é carregar o peso de terapias de eletrochoque e lobotomia
Trem de doido é a sensação de aperto que fica no peito
Por não poder reverter o curso dessa história (des)humana
Trem de doido é querer voltar no tempo e limpar tanta sujeira
Trem de doido é imaginar Aparícios, Josés, Marias e Marianas
Da nossa família, ou não, chegando nos trens ou nos lombos de cavalos
Apenas um nome num livro gigante e amarelado, data de internação e falecimento
Informações nem sempre confiáveis
Trem de doido é tentar impedir as lágrimas que rolam sem cessar
Trem de doido é ver o quanto estão presos dentro de si, como parte daquele lugar
Trem de doido é sentir que bastaria ser diferente
Para ser ali jogado, esquecido e realmente ensandecer.
Trem de doido é saber quantos “perdidos” dentro de si
Apenas por serem diferentes
Ainda hoje são considerados insanos!
Que trem de doido!
Alda M S Santos

Você não sabe!

VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos

Não tem como

NÃO TEM COMO!
Não tem como não ser atingido pelas chamas, não se queimar
Quando se brinca com fogo
Não tem como não se molhar, não se encharcar
Quando se brinca na chuva
Não tem como não ser abarcado pela tristeza
Quando se está no meio de pessoas baixo astral
Não tem como não ficar perfumado
Quando se é jardineiro, mesmo se espetando nos espinhos das delicadas rosas
Não tem como não deixar as lágrimas rolarem
Quando se percebe tudo que já rolou ou deixou de rolar
Não tem como não ser contagiado pela alegria
Quando se mistura a sorrisos abertos e amorosos
Não tem como não ser contaminado pela compaixão, esperança e fé
Quando se cerca de pessoas crentes e devotadas a Ele
Não tem como não sentir amor
Quando ele pulsa forte nas pessoas a sua volta
Não tem como não ser queimado pelas cinzas das saudades
Quando se remexe nos álbuns
do passado vivido com prazer e alegria
Não tem como não acreditar num futuro melhor
Quando a natureza se renova dia a dia perto de nós
Não tem como…sempre seremos atingidos…
Alda M S Santos

Somos poesia

SOMOS POESIA

Não criamos poesia, somos a poesia em estado bruto, latente

Fomos presenteados com ela nas belezas da natureza, na sabedoria dos animais, nos aprendizados humanos

Na sinceridade de um olhar carregado de amor, no desabrochar de uma flor

Na esperança da alvorada, na nostalgia do crepúsculo, no céu salpicado de estrelas

Nas águas correntes do rio, no som das ondas do mar

No perfume da mata, no cheiro de terra, no brilho do sorriso de uma criança

Na saudade, nos medos, na morte, no trabalho que nos sustenta

Na mão que se estende, no abraço que acolhe, no canto alegre de um pássaro pós-tempestade

Na insistência em amar, em fazer amor, em fazer do amor a própria vida

Em tudo que há…

Nós desvelamos, despertamos a poesia que há no outro, por aí

Somos todos poetas, uns em ação consciente e outros adormecidos

Uns transformam a poesia em poema, em versos

Em músicas, fotografias, romances, esculturas, pinturas, artes…

Outros simplesmente vivem a poesia, sem se dar conta disso.

Somos todos poesia!

Alda M S Santos

A culpa é minha

A CULPA É MINHA

Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu

À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair

Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar

Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir

Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava

Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”

“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando

A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”

“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”

“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”

Eu estava tão à beira do abismo quanto ele

Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha

Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…

Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…

Alda M S Santos

Até o infinito

ATÉ O INFINITO
Encontra-se em embalagens biodegradáveis
Grandes ou pequenas, de qualquer cor ou idade
Gênero, raça, etnia, religião, cultura ou instrução
Resistente às lágrimas, frágil perante sorrisos
Desmancha-se diante da sinceridade
Encoraja-se frente às boas ações
Admira-se ao topar com gentilezas
Encanta-se com a beleza exterior
Deslumbra-se com a riqueza interior
Opta pela simplicidade e generosidade
Ganha forças num abraço, derrete-se num beijo
Confia e protege o outro, mesmo que em detrimento de si
Doa-se inteiramente por e com prazer
Aumenta com o tempo e, se real e verdadeiro
Dura até o infinito… O que é?
Quem sente, identifica-se, não precisa de resposta!
Alda M S Santos

E ela espera…

E ELA ESPERA…
É cedo, ele parte, vai se afastando, diminuindo até desaparecer
E ela senta, espera, confia…
Não sabe quando volta, ou o que enfrentará pela frente
Mas ela espera, confia…
Mar revolto, águas ora calmas, ora traiçoeiras, tempestades
E ela espera, confia…
Vai leve, sem carga, proa vazia, tripulação preciosa, coração abastecido
E ela espera, confia…
Saudades lá, saudades cá…
Aumentam na mesma medida da carga abastecida
E eles esperam, confiam na certeza do reencontro
O transporte, a carga, já não são tão preciosos
A distância dói, corações de marinheiros, cheios de ausências…
Pescadores de saudades…
Eles esperam, confiam
E ela fica ali, vivendo ora de esperanças, ora de saudades
Ainda que o coração balance mais que aquele barco,
Com o olhar tão salgado quanto o mar
Sempre ao longe, a encurtar distâncias…
Alda M S Santos

Aquela que passa

AQUELA QUE PASSA
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos

Coisificando

COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável! 
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos

Janeiro Branco: Saúde Mental

JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Catapulta

CATAPULTA

Não é preciso nem um extremo nem outro

Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar

Posso ter energia bastante para lutar

Mas posso querer hibernar por uns tempos

A alegria pode ser rara, a tristeza também

Mas não preciso nem um extremo e nem outro

Não quero viver na zona de confronto todo o tempo

Mas a zona de conforto também não é satisfatória

O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas

Mas também não precisa ser de conto policial

Não preciso nem um extremo e nem outro

O trabalho pode ser intenso e prazeroso

Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária

Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia

Vez ou outra preciso me desligar de tudo

Antes que tudo se desligue de mim

Não é preciso nem um extremo nem outro

Mas se chegar a qualquer dos extremos

Que eu possa me encontrar em qualquer um deles

E ser catapultada de volta ao prumo!

Alda M S Santos

Em letra cursiva

EM LETRA CURSIVA

A vida é tecida em letras cursivas

Sobe, gira, desce, desce mais, faz uma volta

Um laço, um nó, curvas, círculos, segue em frente

Volta, faz um corte aqui, coloca uns pingos acolá

As letras são as mesmas, mas a escolha delas difere

E o modo de traçá-las também.

Infinitas palavras, frases, textos e histórias

Vão sendo compostos com a nossa marca

As nossas digitais, a nossa caligrafia original

Algumas letras são mais caprichadas

Outras até mesmo ilegíveis, até para quem escreve

Uns textos são mais longos, histórias mais complexas

Uns bem simples e fáceis de ler…

O importante é que isso é tarefa intransferível

Nós selecionamos, nós compomos, nós vivemos,

Ainda que o único leitor sejamos nós mesmos…

Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO
Em sonhos, encontrei-me com uma amiga
Que há muitos anos não via
Parecíamos, fisicamente, diferentes uma para a outra
Mas nossa essência e carinho não haviam mudado
Amigas de segredos, de intimidades, de adolescência
De primeiro “amor”, de descobertas, de medos e planos
E a conversa fluiu tão natural que parecia não ter havido distância
Cada qual com sua vida, sua família, uns planos realizados
Outros que ficaram apenas na vontade, decepções
Mágoas, vitórias e conquistas, novos planos…
Aquela história dividida debaixo de um pé de amora
E que quase sempre a gente chora…
Tudo na verdade se resume aos nossos sonhos, sempre.
E pensamos em quanto tempo tínhamos ainda pela frente.
Sensação maravilhosa reencontrar alguém que foi especial
Que fez parte de um capítulo importante de nossa história
E que ficou guardadinho lá no fundo aguardando
As voltas da vida e os propósitos de Deus!
Saudades! Amei rever você, ainda que em sonhos…
Alda M S Santos

Nas asas da imaginação

NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO
Estava em campo aberto, uma área gramada e pequena
Para todos os lados havia arame farpado,
Cerca eletrificada, concertinas, muros, grades…
Seu corpo estava preso das mais variadas formas
Limitação de espaços e de movimento
Para qualquer lado que tentava não era possível se mexer
Sequer conseguia falar ou se expressar
No fim das forças, cansaço extremo, deitou-se na grama
Olhou para o alto e viu uma ave voando no lindo céu
E descobriu que havia asas, que possuía asas e,
Voou, voou, voou…
Nas ainda possíveis asas da imaginação….
Alda M S Santos

Os grandes beneficiados

OS GRANDES BENEFICIADOS
Receber um certificado é sempre bom
Ter o trabalho social e voluntário reconhecido é prazeroso
Além de estimular outras pessoas a fazerem o mesmo
Mas, o maravilhoso, o que não tem preço, 
É o que nosso coração sente
Ao ouvir um idoso dizer: “que bom que vocês vieram”,
“Vocês alegram a nossa vida”,
“Quando vocês voltam?”
Ou uma pessoa num corredor de hospital
Ao receber um “Abraço Grátis” dizer em prantos, às vezes:
“Eu precisava tanto desse abraço”!
A verdade é só uma, ajudamos, sim,
Mas os maiores beneficiados somos,
Sem sombra de dúvida, nós mesmos!
Alda M S Santos
#carinhologos

Apelidos

APELIDOS
Apelidos podem ser marcantes
Quase sempre o são, sejam os carinhosos, pela delicadeza
Sejam os depreciativos, pela crueldade
Tanto faz se colocados pelos pais, amigos ou amores
Inimigos ou desafetos quaisquer
Doçura, princesa, gata, sapeca, anjinha, fadinha
Expedita, encrenca, pequena, “aldaciosa”
Baixinha, pretinha, branca, vida…
Príncipe, gato, amor, rei, anjo, tesouro, preto…
Sempre nos remeterão a alguém ou alguma situação
E nos levarão para lugares revisitados dentro de nós…
Alda M S Santos

Nem me despedi

NEM ME DESPEDI…

E aquela pessoa querida se foi…

Foi chamada para uma vida melhor que essa

Choramos, lamentamos, quase sempre exclamamos:

Sequer pude me despedir!

Gostaríamos mesmo?

Dar um adeus, não um tchau ou um até mais,

Um adeus! Sabendo que não haverá volta.

Um adeus! Até não sei quando ou onde…

Teríamos estrutura?

Momento para o qual nunca estaremos preparados

Não fomos ensinados a abrir mão de quem amamos

A nos afastar de quem queremos por perto

Mesmo sabendo da finitude da vida e das relações.

Melhor mesmo é fazer valer cada segundo dessa vida

Pois ele pode ser um adeus

E a gente nem ter se despedido…

Alda M S Santos

ResPIRAR!

ResPIRAR!
Um simples observar de nossa respiração
Nos mostra nossa reação a algo ou alguém
Por vezes, o ar se prende, se solta lentamente
Outras vezes, é apenas um respirar leve e suave
Passando por uma respiração forte e entrecortada
Ou uma falta de oxigênio total,
Além daquele susPIRAR profundo…
Esse resPIRAR constante nos mostra
A raiva, a ansiedade, a alegria, a tristeza
A tranquilidade, a saudade, o desejo
A empatia, a antipatia, a compaixão
O amor…que pessoas e situações nos despertam.
Cuidado para respirar, sem pirar!
Alda M S Santos

Amor é um trem doido

AMOR É UM TREM DOIDO
O amor comanda um trem de muitos vagões
Nunca vem só! Todos encaixadinhos!
Em cada vagão, um sentimento ou emoção que o acompanha
Que faz com que o trem ande mais rapidamente,
Devagar ou até estacione!
Amor é um trem doido! São muitos os vagões!
Alguns o aceleram: empatia, sinceridade, confiança, lealdade, respeito, admiração…
Outros o atrasam: ciúmes, possessividade, intolerância, impaciência, desrespeito…
Mas se houver amor, sempre há jeito de mantê-lo em movimento
Mas se o amor não for o comandante,
Tudo descarrilha, tomba e se perde…
Alda M S Santos

Qual a cor da sua consciência?

QUAL A COR DA SUA CONSCIÊNCIA?
Consciência branca, negra, amarela, multicor?
Qual a cor da sua consciência?
Enquanto essa pergunta for feita
É sinal que alguma delas está sendo preterida
Excluída, discriminada, maltratada
Qual a cor da sua consciência?
Minha consciência tem a cor do amor
Aquele que, se verdadeiro, nada exclui
Minha consciência tem a cor da saudade
Aquela de algo ainda não vivido
Aquela em que todos são diferentes e belos
Iguais no jeito de ser diferentes!
E amados principalmente por suas diferenças.
Minha consciência é multicor, como o amor!
Alda M S Santos
#carinhologos

O chiado do amor

O CHIADO DO AMOR
Um maravilhoso pôr do sol se iniciava e ele começou:
-“Um dia o sol se apaixonou pelas águas do mar,
Elas eram tão lindas, refrescantes, de um azul tão intenso
Que ele não foi capaz de resistir”…
-…”As águas do mar sentiram os braços longos e quentes do sol
Durante todo o dia a acariciá-la e acabou por corresponder àquele amor”- ela continuou.
-“Porém, era um amor impossível, tão diferentes! Tão distantes!
Era inconcebível que ficassem juntos!”- ambos disseram.
-“Mas não conheciam a força e poder do amor, daqueles que queriam realmente ficar juntos.
Para poder ter o prazer de se encontrar com as águas do mar, o sol todas as tardes
Descia devagarzinho e deixava-se morrer para o mundo, por uma noite inteira,
Para ter o prazer de mergulhar e viver abraçado àquelas águas tão queridas”!
-“Por isso o pôr do sol é o símbolo dos casais apaixonados.
Dizem que casais que se amam de verdade são capazes de
Ouvir o chiado de prazer do sol ao tocar o mar quando se põe.”
– Pena que hoje morrer de amor e matar por amor tenham
uma conotação tão ruim!
-Isso porque o que chamam de amor pode ser tudo, menos amor!
E aquele casal que repetia esse ritual há quase 60 anos,
Levantou-se daquele banco à beira-mar e saiu de mãos dadas.
O sol começava a se encostar nas águas do mar e eles, sorrindo,
Ouviram: ttttssssssss, o chiado do amor!
Alda M S Santos

Inspire, expire!

INSPIRE, EXPIRE!
Inspire o ar que te cerca, rico em oxigênio
Expire o ar de dentro de si, carregado de gás carbônico
Inspire a luz e a energia boa à sua volta
Expire a escuridão e o medo lá de dentro
Inspire confiança, sabedoria, fé
Expire a raiva, a decepção e a desesperança
Inspire amor e amizade em forma de sorrisos e abraços
Expire a tristeza e a desilusão junto às lágrimas
Inspire, expire! Expire, inspire!
Às vezes tudo parece se inverter
Inspiramos dor, desamor, desconfianças e medos
Somos frágeis, somos humanos, erramos, sofremos…
Temos o direito de não sermos sempre fortes!
Mas como humanos não desistimos, insistimos
E acabamos, cedo ou tarde, aprendendo a respirar corretamente.
Em qualquer lugar que estiver…
Inspire, expire!
Alda M S Santos

Por aí, noutra dimensão…

POR AÍ, NOUTRA DIMENSÃO…
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ele a tocou de leve, fez um carinho no rosto, uma brisa suave na pele.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos

Portas, porteiras, cercas…

PORTAS, PORTEIRAS, CERCAS…
Há pessoas que são convidativas como uma porteira entreaberta
Desafiadoras como uma porta com buraco da fechadura
Outras são repulsivas como um muro alto
Ou assustadoras como uma cerca eletrificada
E ainda há aquelas que não possuem cercas, portas
Porteiras ou muros…
Ou por serem totalmente fechadas, lacradas, vedadas a entradas externas
Ou por serem totalmente abertas, dando passagem a qualquer um.
Cedo ou tarde na vida nos deparamos com todas elas
Ou podemos nos tornar um pouco cada uma delas,
E nos eternizarmos uns nos outros…
Alda M S Santos

A fila anda!

A FILA ANDA!

Frase preferida das pessoas recém saídas de relacionamentos

E o que se constata é que quase sempre anda para trás.

Na necessidade de “estar” sempre com alguém

Acabam por se envolver com pessoas-problemas da mesma maneira:

Ciumentas, possessivas, com baixa autoestima, desonestas,

Complexo de vítimas, imaturas, comprometidas…

Não se dão um mínimo tempo de reclusão para autoanálise

Não se permitem sofrer ou estar consigo mesmas, repetem os mesmos erros.

Enquanto não avaliarem e mudarem algo em si mesmas,

O “problema” que todos têm e que dificulta as relações, 

Acabarão atraindo ou sendo atraídas pelas mesmas pessoas- problemas.

Pegar qualquer um que está na fila é andar para trás

Entrar nessa fila é fazer pouco de si!

Não se dar um tempo é violentar a si mesmo

É fazer pouco do amor que viveu

É desvalorizar o que ainda poderia chegar de bom.

Se ficasse fora dessa tão falada fila

E da premente necessidade de mostrar que não está só,

Talvez um amor de verdade pudesse ser vivido com plenitude.

Alda M S Santos 

Responsável pelo que cativas

RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
“Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!”
Meio pesado, porém, contém alguma verdade
Mal damos conta de nossas ações e sentimentos
Não podemos ser responsabilizados pelas ações dos outros
Tampouco pelo que sentem ou deixam de sentir
Mas, se bem avaliarmos, notaremos certa responsabilidade
Na esperança que ora alimentamos nos outros
Nas promessas que fizemos e deixamos de cumprir
No que fomos ou deixamos de ser para alguém
Ainda que sem saber…
Não somos totalmente “inocentes” no que despertamos no outro
Exupéry, então, tem razão com seu Pequeno Príncipe:
Somos, de certa forma, responsáveis pelo que cativamos!
Alda M S Santos

Amor multiplicado

AMOR MULTIPLICADO

A importância que temos ou tivemos na vida de alguém

Sempre fica impressa em seu modo de ser e agir

Os conselhos, mesmo calados, que soube ouvir,

Os cuidados que passou a ter diante da vida

A coragem em enfrentar certas situações ou fugir de outras

O momento de saber se recolher e esperar

O respeito ao que o outro é  e  considera certo ou errado

O cuidado em não magoar por bobagens

Vemos o amor que o outro soube receber

Quando notamos um pouco de nós impresso neles

Nós nos multiplicamos naqueles que amamos

E que souberam nos amar…

Alda M S Santos

Amor que fica

AMOR QUE FICA

Costumam me alertar: não se apegue demais

Você se envolve muito e depois sofre!

Num momento as pessoas estão bem, noutro podem não estar mais…

Um abraço carinhoso, um toque delicado

Um sorriso sincero e sofrido

O prazer num bom bate papo…

Atenção, companhia, amor desinteressado

E não sabemos quando podem ser os últimos…

Rapidamente são levados de nós pela doença, por males diversos

Pelas circunstâncias das quais não temos controle.

Eles têm me ensinado muito!

Independente de como a gente ou o outro esteja

Não dá pra ter medo de demonstrar amor e carinho

Receio de se entregar e se envolver.

Não sabemos quando aquele abraço, aquele olhar, 

Aquele toque, palavra, sorriso ou lágrima

 Podem ser um adeus!

E isso vale para convívios em qualquer idade ou estado de saúde

A única certeza que temos é a do hoje!

Amemos uns aos outros! Não amar também é sofrer

Só devemos nos afastar de quem amamos,

Quando nossa presença puder causar mais mal do que bem.

A saudade é a dor do amor que fica gravado na alma!

Alda M S Santos 

#carinhologos

A dor

A DOR

A dor é o óleo que deixa

As engrenagens do coração lubrificadas

E o tornam sensível e propício para viver

As posteriores alegrias intensamente,

Sem trepidações ou danos à sua mecânica.

Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!

Alda M S Santos

Um anjo

UM ANJO 

A estação parecia abandonada, não passava nenhum trem

Vários passageiros iam para um lado ou para o outro

Nenhuma bagagem, uns se despediam

Ela estava triste num canto, aguardava

Alguém se aproximou dela

Não parecia um passageiro qualquer

Pareceu reconhecê-lo, mas não se lembrava de onde

Ninguém ali conversava, apenas se olhavam

Abraçavam, choravam, se entendiam

Ele disse “você já pode ir”, apontou para um lado 

 “Não estou pronta, não me despedi”- falou ela em silêncio 

“Já está 50% do lado de lá, vá”

Deu a mão a ela e foram andando, ela se equilibrando no trilho do trem

Quando olhou para trás viu que ele tinha asas, era um anjo

Seu olhar dizia “não posso ir com você” 

Chorando, ela seguiu para um destino com letreiro nas nuvens:

SAUDADE!

Alda M S Santos

Colo(rindo) a alma!

COLO(RINDO) A ALMA

Nunca estamos cansados demais, tristes demais

Para alegrar um alguém, um coração carente

Uma alma já vivida e sofrida

Que, ainda assim, se alegra e agradece

E, ao preencher de cores os desenhos,

Enche de cores sua própria alma

Nos mostrando como lidar com a dor, as angústias, a saudade,

As decepções, a tristeza, o abandono, o desamor, o amor

A fé e a esperança com maestria e bondade

Com um sorriso terno no rosto, um abraço quente

E a alegria de uma boa conversa

Sem qualquer intenção de nos dar lições

Acaba dando mais que recebendo: muito amor

Alda M S Santos

#carinhologos

Por que o mundo não para?

POR QUE O MUNDO NÃO PARA?

Porque o mundo insiste em girar

O Sol continua a nascer, a chuva a cair

O vento a balançar as folhas, os pássaros a cantar

Se eu estou aqui sem calor, sem voz, sem canto

Sequer sinto o vento ou a chuva a me molhar?

Parece uma afronta!

Porque o mundo insiste em girar

As pessoas a sair e a sorrir, a trabalhar

A se amarem, brigarem ou se odiarem

Guerrearem e se matarem…

Se eu estou aqui querendo que ele pare para eu descer

Ou que gire bem rápido e me lance para fora de órbita?

Por quê?

Será que está gritando algo para eu ouvir?

Terá que fazer um esforçozinho um pouco maior!

Alda M S Santos

Nas teias da vida

NAS TEIAS DA VIDA
Uma aranha tece quietinha sua teia

Em muitas e muitas tramas delicadas

Sua casa, sua proteção

Já para os insetos que nelas caem

É suplício, é morte certa

Ali a aranha transita em casa, segura

Conhecedora de cada laço, nó, arte

Para ela a teia é vida

E o inseto se perde, se enrola, se prende

Para ele a teia é morte

E se houvesse uma reviravolta qualquer

E a aranha também se prendesse nas próprias tramas

Como alguém com um transtorno psicológico qualquer

Que não se encontra, não se sente em casa na própria teia

Sente-se como um inseto preso e à beira da morte

Quem poderá ajudar?

Outra aranha que conhece a teia

Ou um inseto que já a enfrentou?

Ora somos aranhas, ora insetos

Sempre nas teias da vida…

Alda M S Santos

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