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Sobre Eles

Não somos o bastante!

NÃO SOMOS O BASTANTE!

Nós não somos o bastante.

Nunca seremos!

Nem para nós mesmos, nem para o outro!

Ainda que estejamos no topo do mundo!

Tampouco encontraremos alguém que seja o bastante para nós!

Simples: o ser humano é incompleto!

Essa incompletude faz parte de sua essência.

Mas isso não o impede de tentar,

E de sofrer com isso.

Essa busca desenfreada para se sentir inteiro

Também faz parte da essência humana.

Alda M S Santos

Labirintos

LABIRINTOS

Não encontrar a saída

Não conseguir voltar ao início

Andar em círculos, avaliar

Revisitar espaços, tontear

Buscar a infância perdida

Ora estar feliz, ora triste

Até esse labirinto se tornar

A única realidade palpável

A morada mais próxima de um lar

Que existe dentro de si mesmo!

Alda M S Santos

Amamos assim

AMAMOS ASSIM

Amamos as pessoas pelo modo como nos vemos nelas refletidos

Pela receptividade à nossa “aparência” externa e interna que emitem

Pela capacidade de nos fazer sentir queridos

Pela aceitação das nossas qualidades e defeitos

Por não usarem dois pesos e duas medidas em qualquer avaliação

E, se e quando o fizerem, que o peso maior seja o do amor

Pelo carinho e cuidado conosco

Quer estejamos fortes ou frágeis…

Por existirem de “verdade”, 

E por se mostrarem presentes, mesmo distantes.

Esse amor é eterno…

Alda M S Santos

No metrô

NO METRÔ

Gentilmente, um rapaz se levanta do assento no metrô 

Cede o lugar para duas senhoras

Elas olham uma para a outra, 

“Pode se assentar”,

“Não, senta você que é mais velha”,

“Não sou mais velha que você!”

Enquanto isso, o trem cheio, 

Várias pessoas a olhar, a sorrir,

O lugar vazio e o rapaz provavelmente a lamentar…

Certamente queria dizer,

“Vou me assentar de novo enquanto vocês fazem as contas”. 

Enfim uma se assenta, o rapaz se encosta na porta

E todos ficam a especular se elas fizeram as contas direito.

Coisa de trem de mineiros. 

Alda M S Santos

Feche os olhos

FECHE OS OLHOS

Feche os olhos 

Assim poderá ouvir melhor os acordes de uma canção

Feche os olhos

Assim poderá sentir melhor o perfume que emana do outro

Feche os olhos

Assim poderá ouvir o pulsar de outro coração num abraço apertado

Feche os olhos

Assim poderá sentir o toque suave e forte de um beijo de amor

Feche os olhos

Assim poderá se comunicar melhor numa prece 

Abra os olhos e descobrirá que tudo torna-se mais belo

Quando os sentimos anteriormente de olhos fechados! 

Alda M S Santos

Engasgados

ENGASGADOS
Pior que ser engasgado pelo que se ouve,
Por aquilo que vem de fora e não engolimos,
É ficar entalado com o que não se fala,
Aquilo que vem de dentro e não dizemos,
Sempre cerceados…sufocados. 
Alda M S Santos

Anestesiados 

ANESTESIADOS

Estamos todos insensíveis,

Ou a sensibilidade mudou de cara?

Estamos todos inertes,

Ou nosso movimento é que é parado mesmo?

Estamos todos anestesiados por medo da dor,

Ou é pura covardia mesmo?

Estamos todos imunes à dor e sofrimento do outro,

Ou apenas estamos usando de autodefesa?

Seja como for, insensibilidade, inércia, imunização não são infalíveis!

Podem apenas mascarar um problema que cresce a despeito da analgesia.

Quando passar, chegará o momento da dor…

Quem estará preparado?

Alda M S Santos

Isso é motivo, sim!

ISSO É MOTIVO, SIM!

Se tem uma coisa que irrita qualquer pessoa que chora,

É alguém dizer “Só isso? Mas isso não é motivo para chorar”!

Quem chora sofre de alguma dor intensa, ou alegria, sei lá!

Mas quem chora sabe! E muito bem!

Pode ser dor de dente, falta de dinheiro, doença, saudade,

Unha encravada, comercial de margarina, filme romântico,

Um jardim bonito, uma palavra mal dita, um sonho frustrado,

Ônibus lotado, amizade falsa, cabelos rebeldes, coração partido…

A quem observa cabe abraçar, dar colo, chorar junto…

O dia de todo mundo chega.

Num dia a gente sorri, em muitos outros a gente chora…

E vamos querer um abraço também!

Alda M S Santos

Fora do jardim

FORA DO JARDIM

Sabem aquelas flores rebeldes?

São conhecidas como regateiras,

Não se contentam com os limites do canteiro.

Aquelas que você poda, arranca, transplanta,

Volta com elas para dentro dos canteiros,

E quando se apercebe, já nasceram nos limites da cerca.

Brotam fácil, crescem fácil, encantam fácil!

Comuns, muito comuns, coloridas, cheirosas…

Dão a graça e encanto em qualquer jardim, cerca ou passeio.

Muita gente é assim, muitos sentimentos são assim…

Não cabem dentro de si…não adianta transplantar, podar

Sequer arrancar…são mais fortes que qualquer tempestade,

Resistem a qualquer intempérie!

Eles necessitam aparecer, crescer, se alastrar por aí…

E sentimos falta quando não percebemos seu encanto, sua graça, sua cor, seu perfume…

Quando aprendemos isso, fica mais fácil conviver com eles.

Alda M S Santos

Pouco a pouco

POUCO A POUCO

As mais belas esculturas, os mais belos sentimentos

Construídos na natureza: na rocha, na mata, nas águas, na terra

Ou construídos em nossos corações, nosso corpo, nossa alma,

São aquelas esculturas, estalagmites ou estalactites, 

São aqueles sentimentos, amores e amizades, que crescem pouco a pouco

Centímetro a centímetro, gota a gota, sorriso a sorriso, toque a toque

E são cimentados pela paciência, pela espera, pelo respeito, pelo carinho.

Esses se tornam firmes, encantadores e eternos.

Alda M S Santos

Tu, que és professor

TU, QUE ÉS PROFESSOR
Tu, que és professor, ensina-me a fugir dos holofotes, sem contudo, ficar na escuridão.
Tu, que és professor, ensina-me a brincar com a vida, sem contudo, desvalorizá-la.
Tu, que és professor, ensina-me a priorizar as lições, a me esforçar, a não desistir.
Tu, que és professor, mostra-me os caminhos, ajuda-me a dar o primeiro passo.
Tu, que és professor, pega na minha mão quando eu tiver muitas dificuldades.
Tu, que és professor, deixa-me caminhar, meio trôpego, às vezes, mas caminhe comigo um pouco!
Tu, que és professor, mostre-me a maravilha do novo, sem contudo, descartar o velho.
Tu, que és professor, mostre-me as janelas das possibilidades, ajuda-me a fechar as que não mais renovam o ar.
Tu, que és professor, ensina-me a usar minhas asas, e que voar não é só teoria.
Tu, que é professor, ensina-me a aceitar que retroceder pode ser uma boa estratégia, que chorar pode clarear caminhos.
Tu, que és professor, ensina-me que problema que se resolve junto, a solução é mais rápida e mais confiável.
Tu, que és professor, ensina-me a ter amigos, parceiros, mas a valorizar sempre minha própria companhia.
Tu, que és professor, ensina-me a sonhar, encoraja-me a realizar.
Tu, que és professor, ensina-me a aceitar o amor em todas as suas vestes, sem contudo, torná-lo démodé.
Tu, que és professor, ensina-me a ser independente de você, sem contudo, deixar de amá-lo.
Tu, que és professor, sendo grande, aprenda suas próprias lições.
Alda M S Santos

Aniversários

ANIVERSÁRIOS

Quando somos meninas, tudo que queremos é ter 14, 18, 20 anos…

Realizarmos tudo que queremos, grandes sonhos, grandes projetos.

Conquistamos o mundo, conquistamos a admiração dos outros, alçamos voos altos, realizamos nossos sonhos.

 Um pouco mais para a frente, percebemos que o mais valioso é conquistarmos a nós mesmos,

Mantermos nossa própria admiração, nosso próprio respeito, nossa essência.

O mais interessante é que, mantendo isso, conquistamos o amor de quem, verdadeiramente, vale a pena.

Percebemos que o melhor e mais valioso voo é que nos mantém próximos de quem amamos e não nos afasta de nós mesmos.

E, isso, ninguém nunca poderá nos tirar. 

Alda M S Santos

Explosões

EXPLOSÕES

Fios de alta tensão muito próximos

Pontos positivos e negativos que se tocam

Acúmulo de objetos num espaço reduzido 

Angústias, dores e mágoas não resolvidas

Sentimentos intensos, bons ou maus represados…

Aumento súbito de volume

Sempre acarreta liberação forte de energia. 

Tudo isso é prenúncio de explosão.

E explosões quase sempre trazem estragos…

É preciso uma válvula de escape!

Cuidemos! 

Alda M S Santos 

Galáxia Interior 

GALÁXIA INTERIOR

Numa galáxia em constante movimento

Estrelas, planetas, satélites, meteoros, astros diversos

Que giram em torno de si mesmos, dos outros, no espaço sideral

Sentimentos, emoções, sensações, 

Também não param

Ficam à deriva, perdem-se, chocam-se, caem, morrem

Causam até um big-bang

Movem-se, modificam-se, mudam de rota, de morada.

Obtêm luz, se aquecem, ficam na escuridão, sem oxigênio,

Transitam dos nossos para outros corações.

Não encontrando guarida, giram em torno de si mesmos

E, mesmo tontos, cambaleantes, continuam nesse movimento incansável

Em busca de algum pouso, de algum repouso, de um espaço só seu nessa Via Láctea,  

Ainda que temporário. 

Esse é o movimento da vida,

Nossa galáxia interior…

Alda M S Santos

Voo leve

VOO LEVE
Somos um ser de uma asa só voando por aí,
Voamos bem, voamos muito, ora baixo, ora alto…
Quando encontramos uma asa que nos pareia, tudo se encaixa.
Voamos bem, voamos alto, voamos leve, voamos felizes.
Mas se nos unimos a uma asa que não combina,
Melhor seria continuar voando bem, ora baixo, ora alto,
Mas com a própria asa…
Pior que voar sozinho é voar com asas que pesam,
Com asas que desequilibram, que geram turbulências.
O voo precisa ser leve, livre, solto e feliz,
Sozinho ou acompanhado.
Alda M S Santos
Foto Google imagens

Joias

JOIAS
Nunca fui muito fã de joias!
Claro, sou mulher, acho lindas!
Mas nunca fiz questão de ganhar uma joia,
De ter uma joia de pedras preciosas.
E não é porque sou boazinha, simplória ou melhor que ninguém!
Sempre preferi ter uma pessoa-joia para mim.
E ser uma joia para alguém!
Forte, resistente, bela e preciosa.
E isso não é qualquer um que se dispõe,
Ou que saiba fazê-lo.
Exige muito mais que ter dinheiro e ir à joalheria.
É pagamento para a vida toda!
Parcelado em dias e dias infinitos de carinho.
Pagamento que se faz com imenso prazer,
Ou não se faz…
Ambos sendo credores e devedores.
É assim que somos joias!
Alda M S Santos

Vestida de Mulher

VESTIDA DE MULHER
As infinitas possibilidades de vestimentas
Cores, flores, estampas, laços,
Zíperes, botões, elásticos, babados,
Brilhos, modelos, detalhes, recortes,
De campo, de praia, de trabalho, de festa
Peças íntimas, de dormir…
Acessórios de todo tipo para cabelos,
Braços, mãos, pernas, pés, colo,
Maquiagens, perfumes…
Tudo isso me fascina!
Mas nada como a possibilidade de ser
Quem realmente se é com mais naturalidade!
Poder ser sorrisos, abraços, carinho,
Ser companhia, ser portadora de doces palavras,
Para crianças, jovens, adultos ou idosos,
Homens ou mulheres, nas devidas proporções,
Sem ser mal interpretada ou acusada de assédios.
Liberdade de ser emotiva, até mesmo chorona,
Sem ser taxada de fraca ou “mulherzinha”,
E, se for, tudo fica bem assim mesmo…
E, apesar de tudo isso, ser delicada e simples como uma flor
Forte e bela como uma rocha,
Que recebe água, sol, ventos e tempestades,
Todo tipo de intempéries,
Molda-se a eles e não deixa de ser rocha, de ser flor!
Amo me vestir de mulher!
Alda M S Santos

Bipolar

BIPOLAR
Ou o Sol que racha, ou o breu da noite,
Ou o amor que aquece, ou a tristeza que gela,
Ou a chuva torrencial, ou a seca que desidrata
Ou amizades que acalentam, ou inimigos que as ofuscam
Ou a fome desvairada, ou a anorexia bulímica
Ou gargalhadas contagiantes ou lágrimas tempestuosas.
E o coração sempre no mesmo polo, sempre cheio!
Ainda que pareça sair pela boca,
Ou estar tão apertado que pareça nada conter.
Antes bipolar e cheio de vida,
Que num constante polo de tristeza!
Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

Amar é…

Amar é…
Desafiar a lei da gravidade
É viver em constante suspensão
É tornar o sonho, realidade
Ignorando a força que vem do chão.
Alda M S Santos

E quando tudo parecia perdido

E QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO
E quando tudo parecia desabar
Surge aquela presença querida, que ilumina
Aquele sorriso entre lágrimas que diz:
“Tenho nada não, mas estou aqui”.
E quando tudo parecia escuro, frio
Surge aquele abraço amigo, apertado
Forte, que enlaça o corpo todo, que aquece a alma.
E quando tudo parecia perdido
Surgem amigos, que ouvem, que se solidarizam,
Que riem, que choram, que se calam,
Que, sobretudo, falam, e percebemos que Ele nos fala.
É quando tudo parece perdido que Ele mais nos aparece
E nos mostra uma constelação de estrelas e possibilidades
Aí percebemos tudo de maravilhoso que temos.
Alda M S Santos
Foto Everaldo Alvarenga

Tão longe, tão dentro!

TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos

Melancolia

MELANCOLIA

Melancólicos ficamos quando percebemos que a vida, por vezes,

É muito cordão para pouca pérola…

Escolhe daqui, procura dali,

Muitas pérolas falsas, pouquíssimas verdadeiras.

Pérolas à venda, pérolas dos outros,

Fica difícil montar um colar.

Ainda assim, cuidemos de nosso cordão e das pérolas que possuímos.

Mesmo que demore, outras virão.

Sua raridade é que as faz tão valiosas…

Tão especiais!

Alda M S Santos

Ciúme é amor?

CIÚME É AMOR?
Se pudéssemos escalonar, organizar os sentimentos
Em ordem de relevância, aceitabilidade e produtividade
O ciúme estaria nos últimos lugares.
Até depois do ódio.
Porém, apresentaria uma diferença crucial:
O ódio é reconhecido como 100% negativo, unanimidade.
Já o ciúme ainda é tido como prova de amor.
Definitivamente, não é!
A reação de cuidado com o outro, de proteção, de medo de perder,
Isso não pode ser chamado de ciúme. É até saudável.
O ciúme é maléfico, danoso, desconfiado,
Coisa de uma mente doente, possessiva e insegura.
E, quase sempre, evolui para o ódio.
Contudo, em diferentes graus, quase ninguém está a salvo;
De ser o ativo ou o passivo dos ciúmes.
E nenhuma das duas alternativas é agradável.
O ciumento sofre e faz sofrer, pois usa vendas
E só enxerga o que sua mente doente quer ver.
Desconfia, acusa, maltrata, fiscaliza, prende.
E nunca, nunca mesmo pode ser benéfico, visto que é irracional.
Ciúme é fogo que consome aos poucos o que há de bom no amor.
Se o intuito for prender, segurar o outro,
Quase sempre fracassa e o tiro sai pela culatra
Acaba por afastar seu “objeto” de adoração.
Quem sofre com os ciúmes, ativo ou passivo,
O ideal é que se faça um tratamento ou fuja dessa relação.
Alda M S Santos

Sentimentos crônicos

SENTIMENTOS CRÔNICOS?

Nos consultórios médicos, quase sempre há diagnóstico da cronicidade de alguns males:

Doenças autoimunes, cardíacas, digestivas, respiratórias, alergênicas, circulatórias, entre outras.

Muitas doenças são agudas, ou seja, têm um pico de ação dos antígenos.

Nessa fase, os sintomas incomodam mais: dores e desconfortos vários.

Após um tempo ou tratamento com medicamentos, passam.

As doenças crônicas são aquelas que não têm cura, é preciso aprender a conviver com elas.

Há alguns medicamentos ou mudanças de hábitos que podem ajudar nesse convívio.

Porém, os doentes nunca irão se livrar do mal.

Penso que também possuímos alguns sentimentos que são agudos em nós:

Raiva, euforia, paixão, tristeza, decepção, revolta, mágoa, ciúmes…

E, como tal, não podemos permitir que se tornem crônicos. Podem matar!

Sentimentos crônicos são aqueles com os quais não podemos nem devemos deixar de conviver:

Felicidade, compaixão, solidariedade, alteridade, caridade, amizade, amor…

Nem sempre trarão alegrias, nem sempre será fácil.

Podem também causar dor e reações adversas, particularmente o amor, quando não correspondido.

Porém, ainda que fique bem guardadinho dentro de nós, que tenha suas fases agudas e retorne para seu cantinho,

Sempre fará bem, sempre, especialmente a quem o sente.

Alda M S Santos

 

 

 

 

Limões e Laranjas

LIMÕES E LARANJAS
Certa vez um limão, cansado de ser preterido, resolveu mudar. Procurou a amiga laranja e disse:
“Estou cansado de ser como sou. Ouço que sou muito pequeno, verde em excesso, ácido demais. Tenho dificuldades em encontrar a minha metade. Estou só. Quero ser como você, grande, doce, laranja, a preferida por todos!”
A laranja, que sempre admirou o limão, estranhou e disse que gostava dele daquele jeito. Que era perfeito como limão.
Mas o limão insistiu tanto que ela o ensinou como era ser laranja.
Ele fez de tudo, lágrimas ácidas escorriam em sua casca verde, tentou crescer, mudar a cor, ser mais doce. Achou que tinha melhorado um pouco. Todos olhavam para ele.
Um belo dia, na banca de uma feira, um garotinho que sempre adorou limões, quando questionado pela mãe o motivo de não querer levá-lo, ele disse:
“Ah, mamãe, nem tá parecendo muito com limão! Não é nem limão, nem laranja. Gosto de limão de verdade. Vou preferir laranjas hoje”.
O limão ficou arrasado! Tanto esforço para parecer uma caricatura de si mesmo! Nem ele mesmo se gostava mais. Tantos o olhavam por causa do ridículo da situação: um limoranja! Nem sua metade havia encontrado! Limoranjas não existem!
Enxugou suas lágrimas ácidas, retirou aquela maquiagem de laranja, desinchou, lustrou sua casca grossa e muito verde e decidiu ser o que era: um limão!
Logo seus apreciadores voltaram. Até uns fãs da laranja notavam seu valor.
Percebeu que podia ser, como limão, o que quisesse.
Quando queria ser diferente, menos ácido, virava uma limonada.
Se queria ser mais doce, virava uma mousse, um bolo, picolé ou sorvete.
Quando queria ser mais quente, virava uma caipirinha.
E muitos elogiavam seu poder refrescante, capacidade de adaptação a vários itens culinários e vitamina C.
Podia ser o que quisessem dele, mas sem deixar de ser limão.
Mousse, bolo, sorvete, picolé ou caipirinha, a essência do limão era preservada.
Descobriu-se inteiro, amado por muitos, principalmente por si mesmo.
Não demorou, percebeu uma linda “limãozinha” de olho nele! E como era linda, pequena, bochechas verdes! Quando sorria, sumo ácido delicioso saía de si.
Um dia, tomou coragem e se aproximou dela: “tá quente aqui, vamos fazer uma limonada?”
Um tempo depois, uma laranja se aproximou dele e disse: “queria tanto ser como você! Não acho minha metade”!
Ao que o limão respondeu: ” senta aqui, vou te contar uma história”.
Era uma vez um limão que, insatisfeito consigo mesmo, queria ser uma laranja…
Alda M S Santos

Afinidades

AFINIDADES

Interessante como algumas pessoas são para nós mais transparentes: decodificamos suas palavras, a escolha delas, se muitas ou poucas, olhares ou o desvio deles, simples atos, expressões corporais, jeito de andar, e até mesmo o silêncio, principalmente o silêncio, mesmo que de longe. 

Alegrias, tristezas, preocupações, angústias, mágoas, ciúmes, admiração, desejo, amor, nada nos passa despercebido.

Enquanto outras são verdadeiras incógnitas. Podem passar a vida ao nosso lado e serem sempre indecifráveis, fechadas em concha, intransponíveis. Por mais que façamos, o que conseguimos não é confiável. 

Claro que há diferenças de personalidade, características individuais, estilos de vida. Mas é algo além disso. 

Certo também é que essa relação é construída, é uma via de mão dupla, tem que haver reciprocidade. Mas, principalmente, penso que o que determina essa relação é a afinidade das almas. A atração exercida por essa afinidade que gera amor, carinho, amizade. 

Consequentemente, o desejo de compartilhar tudo que somos ou temos. 

Nesse caso, não há necessidade de muitas explicações.

A gente vive e agradece a grande oportunidade. 

Amigos, amores, almas afins não são para qualquer um. 

Alda M S Santos

O que cresce? 

O QUE CRESCE? 

Tudo, tudo mesmo nasce pequenininho. Começa com uma semente, uma raiz, galhos, folhas, frutos…

Até virar uma frondosa árvore, linda, desejada ou não, difícil de conter. 

Às vezes nasce o que não plantamos, mas para crescer é preciso regar, adubar, cuidar. 

É assim com plantas benéficas, mas com as daninhas também. 

Não é diferente com as situações, com os sentimentos, nossas vivências.

Aquela depressão começa com uma tristeza, aquela doença com uma febre, aquela apatia com uma simples preguiça, aquela raiva com uma mera implicância, aquela aversão com uma pequena antipatia, aquela amizade com uma atenção, aquela desconfiança com um leve ciúme ou insegurança, aquele amor com um carinho desinteressado. 

É preciso que estejamos atentos para regar, adubar e alimentar em nós somente o que queremos que cresça, tenhas fortes raízes, troncos firmes, lindas flores, frutos saborosos…

Depois da árvore frondosa, cultivar é fácil, cortar torna-se muito mais complicado. Arrancá-la causa danos ao terreno, ao seu entorno, a outras árvores e seres viventes, e sempre deixa marcas insuperáveis. 

Cuidemos do que andamos cultivando em nós! 

Alda M S Santos 

Amar é errar

 AMAR É ERRAR

Amar é errar quando queremos que o outro seja a personificação dos nossos desejos.

Amar é errar quando projetamos no outro todos os nossos sonhos, mais ainda quando exigimos a mesma projeção. 

Amar é errar quando perdemos nossa individualidade, mas é erro maior quando retiramos do outro a sua individualidade.

Amar é errar quando tomamos posse do outro, quando invadimos sua intimidade, quando não confiamos. 

Amar é errar quando exigimos exclusividade de tempo, espaço, pensamentos e ações. 

Amar é errar quando as tristezas, dores, culpas ou arrependimentos são maiores que as alegrias. 

Amar é errar quando impomos condições para amar, quando amamos apenas as qualidades do outro.

Amar é viver, viver é errar, aprender…

Amar é ser humano, ser falho, ser imperfeito. 

Apenas o amor divino é perfeito! 

Mas podemos buscar um amor mais profundo e verdadeiro, que sangre, que chore, que sofra, mas que sobretudo, gere alegrias e crescimento, para si e para o outro. 

“Amor-perfeito é flor”, linda, mas é flor! 

O amor é lindo em suas imperfeições e possibilidades! 

Sou imperfeita, erro e amo! E amo muito! 

Alda M S Santos 

Ainda não sei

AINDA NÃO SEI…
Ainda não sei…
Sou apenas um ser errante perdido nessa galáxia. Talvez fosse perfeita noutra dimensão.
Ainda não sei …
Se inferior ou superior a esta. Sei apenas que tantas vezes me sinto perdida por aqui.
Ainda não sei…
Sobra-me algo? Falta-me algo? Sei apenas que minha “kriptonita” não vale de nada por aqui, exceto como arma contra mim mesma.
Ainda não sei…
Tantas diferenças com meus iguais, tantas semelhanças com meus desiguais!
Onde está o “erro”?
Ainda não sei…
Igualo-me a eles? Peço que se igualem a mim?
Ainda não sei…
Precisamos ser iguais?
Sei apenas que não saber, dói! Angustia!
Mas sei de uma coisa importante: sendo ou não daqui, é aqui que estou.
Enquanto estiver por aqui, darei o melhor de mim. E tentarei obter o melhor dos outros.
Alda M S Santos

Barreiras emocionais

BARREIRAS EMOCIONAIS
Ao longo de nossas vidas, para nos protegermos dos outros ou de nós mesmos, vamos criando barreiras que cerceiam nossa natureza, nossas emoções, nosso modo de ser.
Alguns de nós mudam tanto que já nem se reconhecem. Somos apenas cópias autenticadas uns dos outros. Originalidade zero. Para agradar a todos, deixamos de ser nós mesmos, nos afastamos de nossa essência.
Existem barreiras e diques que formamos com bases tão fortes, tão resistentes, tão impregnadas que já foram absorvidas, são parte de nossa razão e acabam por estagnar as águas de nossas emoções…
Água parada não tem muita vida. Até parece bela, mas pode putrefar, não se renova, não circula o oxigênio que alimenta a vida que a mantém.
Barreiras e diques são importantes para haver um certo controle emocional, possibilitar nosso crescimento como seres humanos, evitar grandes estragos, mas é preciso manter ativos os vertedouros e abrir um pouco as comportas vez ou outra.
Nossos familiares e amigos mais próximos são essenciais e excelentes vertedouros.
Vamos usá-los! Uma barreira ou dique que se rompe, dependendo do momento, deixa ir embora muita coisa boa.
Alda M S Santos

Quando olho pra você

QUANDO OLHO PRA VOCÊ
Quando olho pra você, enxergo a tristeza além do sorriso de capa de revista.
Quando olho para você, além dos passos trôpegos, caminhar vacilante, enxergo um objetivo, um destino.
Quando olho pra você, enxergo o que a alma diz em silêncio, não apenas o que a boca fala desenfreadamente.
Quando olho pra você, vejo além de um corpo com imperfeições, enxergo um coração que sabe amar.
Quando olho pra você, não vejo apenas um ser humano qualquer, procuro ver uma obra de Deus!
O que vês quando olhas para mim?
Sou apenas uma obra do Criador que busca melhorar a cada dia.
Simplesmente.
Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar “

“SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR”
Quantas vezes na vida nos entristecemos, choramos, lamentamos um amor ofertado e não devidamente recebido, valorizado ou correspondido? Isso nos acontece desde a infância, quando nosso amigo preferido escolhe brincar com outro e ficamos emburrados.
Aprendemos? Não. Apenas aprimoramos o modo de lidar com a dor e a frustração para que não nos derrube.
Disfarçamos, buscamos outros interesses, olhamos para frente, tentamos ignorar aquela angústia lá no fundo de nós e partir para outra.
Por isso tantas pessoas mudam, tornam-se amargas, fechadas, desconfiadas, inseguras, resistentes ao amor e às demonstrações de carinho e afeto. É a autoproteção.
Outras, porém, permanecem do mesmo jeito. Amam, se entregam, demonstram carinho, são sinceras, sensíveis.
Não importam os envolvidos no ato de amar: entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre casal.
Até podem sofrer por um tempo, mas percebem, sabiamente, que quem ama nunca perde. O amor é sublime, soberano, mágico. Quem o sente é privilegiado. Quem não soube receber é que ficou no prejuízo.
Nunca lamentemos por amar! A vida sem amor é vazia e seca. Não tem cor nem brilho. Amor é bumerangue! Amor se autoabastece. Quem não ama não sabe acolher o amor que bate à sua porta.
“Só tem amor quem sabe amar”!
Alda M S Santos

O quebra-cabeça e os relacionamentos

O QUEBRA-CABEÇA E OS RELACIONAMENTOS

Observando os relacionamentos à minha volta chego à seguinte conclusão: nós, e a pessoa que nos é destinada, somos compostos pelas peças de um mesmo quebra-cabeça. O objetivo na vida é encontrar qual pessoa tem as peças que irão nos completar e vice-versa.

Passamos a vida montando esse quebra-cabeças, encaixando as peças em lugar errado, retirando, tentando de novo, acertando e tornando a errar. O problema é que, às vezes, passamos boa parte da vida tentando encaixar peças erradas, peças que não se completam.

Imagina um cachorro tentando encaixar uma perna de gato. Fica manco! Por isso existem relacionamentos tortos! Passam a vida forçando peças não afins a se completarem.

Quando veem que não vai dar, partem para outra. Aí, as peças já estão desgastadas, desbotadas, e, ainda assim, lutam para se encaixar em outro quebra-cabeças…

Devemos fazer como as crianças que misturam peças de quebra-cabeças diferentes. Dá trabalho, mas vale a pena separá-las para poder brincar direito.

Resumindo: o que vale é se divertir nessa brincadeira. Rir e aprender juntos com os erros e comemorar os acertos. Como em toda brincadeira, se deixou de ser divertido é hora de parar de brincar antes de começar a briga…

Alda M S Santos

 

Não basta

NÃO BASTA

Não basta olhar, tem que enxergar além, sorrir, encantar.

Não basta tocar, tem que fazer sentir, arrepiar.

Não basta falar, tem que dizer algo que emocione, saber silenciar. 

Não basta abraçar, é preciso enlaçar a alma com doçura, aquecer.

Não basta beijar, é preciso trocar bons fluidos, mergulhar.

Não basta provar o amor, é preciso despertar o amor no outro…

O amor que caminha lado a lado, no mesmo compasso e sintonia, se basta…

Alda M S Santos

Nadando contra a corrente

NADANDO CONTRA A CORRENTE
Nadar contra a corrente pode ser trabalhoso, exigir muito, forçar a resistência. Parece ruim. Mas pode ser benéfico.
Nadar a favor da correnteza é deixar-se levar… Se algo nos agrada ou não, concordamos ou discordamos, somos favoráveis ou desfavoráveis, vamos com a corrente, pacíficos ou indiferentes.
Podemos trombar com troncos enormes, afundar, sair levando galhos e folhas grudados, seguir qualquer curso, perder partes pelo caminho, mas vamos com a correnteza.
Nadar contra a corrente é dizer não, parar, voltar quando nos deparamos com um destino que não desejamos, acessórios que dispensamos, obstáculos que gostaríamos de transpor, companhias que nos desagradam, ainda que todos a acompanhem. Podemos afastar quem não gostaríamos, perder partes, esfolar todo, mas manteremos o essencial.
Nadar a favor da correnteza só é válido se não ferir nossa natureza, caso contrário nadaremos contra nossa corrente interna, nossas emoções, nossa alma.
O que é preciso ter em mente é que esse nado vai sempre causar benefícios e danos, contra ou a favor da correnteza. E aqueles que ferem nossa natureza são os mais difíceis de lidar, pois corremos o risco de nos misturarmos demais e não nos identificarmos mais.
Se parecer fácil demais, pode ser que estejamos a favor da correnteza e contra nós mesmos.
Pensemos nisso!
Alda M S Santos

Balanços da vida

BALANÇOS DA VIDA
Não há quem não se encante com um balanço, uma gangorra. Eles nos remetem à infância, a brincadeiras, sorrisos, amigos, frio na barriga.
Os melhores são aqueles de madeira e corda amarrados numa árvore bem alta num quintal de terra batida. Se não for possível, um de ferro numa praça urbana também é válido.
A cada ir e vir da gangorra a árvore chia, folhas caem, pássaros revoam, a gente geme e gargalha. Por vezes, um amigo empurra.
Vejo nossa vida assim: um grande balanço.
Ora estamos no alto, ora embaixo, outra vez no alto…
Algumas vezes estamos sós, muitas vezes acompanhados. Tantas vezes precisamos de um empurrãozinho amigo para nos manter no ar!
Nisso consiste o viver. Derrubaremos folhas, afastaremos pássaros, faremos nossa árvore chiar, atrairemos amigos querendo brincar, amores para balançar junto, teremos muitos gemidos e gargalhadas, de prazer ou dor.
Só altos ou só baixos não é gangorra. Balanço não foi feito para ficar parado.
Quando a inércia, a letargia ou apatia quiserem de nós se apossar, além de um simples momento de descanso, devemos nos lembrar que balanço bom é o que está em constante movimento.
Portanto, inclinemo-nos para trás, estiquemos as pernas, olhemos para o alto, fechemos os olhos, se preferirmos…
A emoção toda consiste em balançar-se, sorrir, gritar e se entregar!
Alda M S Santos

Há receitas?

HÁ RECEITAS?

Para estar de bem com a vida
Não há receitas, não há tutoriais.
Cada pessoa exige ingredientes diferentes
O “ponto” de cada massa é diverso
O tempo que se leva para “assar” é variável
Mas há ingredientes que são unanimidade:
Boas companhias, um lugar agradável e Deus.

Alda M S Santos

Bola pra frente

BOLA PRA FRENTE
A maturidade diminui nossas urgências em algumas coisas. Porém, se algo estiver fora dos eixos, essa urgência só aumenta com a ideia de que o tempo está ficando mais e mais curto…
Algumas coisas queremos para agora, outras para ontem, e há ainda aquelas que para nunca!
Só nós podemos fazer essa escolha!
Escolha feita, agir, curtir e “bola” pra frente, pois o jogo só acaba aos 45′ do segundo tempo.
Alda M S Santos

Acertando o passo

ACERTANDO O PASSO
Olhar sempre pra frente
Para onde queremos ir
Algumas vezes, olhar para trás
Para aproveitar o que foi bom e descartar o que não valeu a pena.
Mas, sobretudo, olhar para o lado
Para amar, valorizar e acertar o passo
Com quem caminha conosco
Sendo o amor e amizade no momento,
Ou todo o tempo…
Alda M S Santos

Quando tive saudades

QUANDO TIVE SAUDADES

Quando tive saudades, teu canto ficou mais harmônico e doce…
Quando tive saudades, teu cheiro foi mais forte e inebriante…
Quando tive saudades, teu gosto foi mais saboroso e suave.
Quando tive saudades, teu toque foi mais aveludado e macio.
Quando tive saudades, a beleza que emanas foi mais encantadora…
Quando tive saudades, com sentidos potencializados,
Eu a matei!
Alda M S Santos

Fênix: Em escala de cinza

FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos. Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza. Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca. O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite. O mar tem períodos de ressaca. A Lua tem a fase Nova. A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!

Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?

A Lua, O Sol, as estrelas, o mar, toda a natureza, têm seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho. Apenas desligar de tudo e de todos. Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem. Se me vissem, não me perguntassem nada. Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.

Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio. Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha. Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.

Posso garantir que vai passar. Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço. Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.

Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Alda M S Santos

Disque Emergência

DISQUE EMERGÊNCIA
Temos números de emergência para quase tudo: SAMU, Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Procon, Direitos Humanos, Delegacia da Mulher, Hospitais e tantos outros.
Mas e se a nossa emergência for mais íntima: uma alegria extrema, uma novidade deliciosa, uma dor profunda, uma saudade doída, um amor proibido, uma decepção tremenda ou uma simples vontade de dar um abraço? Qual número discamos? Quem atende nossas emergências cotidianas?
Quanto mais “códigos numéricos” tivermos a quem recorrer, melhor estaremos servidos.
São, os donos desses números, as preciosidades de nossas vidas. Nosso refúgio, nosso colo, nosso aconchego, nosso porto seguro.
A elas devemos nossa gratidão e amor incondicionais todo o tempo, principalmente àquela cujo código para a acionarmos é a oração: Deus.
Àqueles que atendem minhas emergências diárias, todo o meu carinho e amor.
Bom dia!
Alda M S Santos

Espelhos da alma

ESPELHOS DA ALMA

Não existe nada mais cativante no ser humano que os olhos. Sem querer desfazer de um corpo bonito, um rosto de traços harmônicos, um coração bondoso, uma mente inteligente, uma alma elevada.

E não estou falando de sua anatomia, de sua beleza estética, formatos e cores. Refiro-me à sua capacidade expressiva. Não há olhos que mentem! Há olhos que tentam disfarçar, e isso já é expressivo.

Há olhares curiosos, alegres, que querem tudo perceber, sem se fixar. Deixam-nos à vontade. Há os distraídos, que observam aleatoriamente e se detêm apenas quando convém. São seletivos e nos pegam desprevenidos. Há ainda os atentos, sensíveis, que parecem invadir, tudo captam: pequenos detalhes, diferentes sentimentos, qualquer humor…

Se encontrarmos olhares atentos, fugir deles é impossível. Eles perceberão qualquer emoção que estiver ali. Não saberão a razão, mas reconhecerão a emoção, aquela disfarçada pelo sorriso ou forçada pelas lágrimas.

Notarão a ansiedade, a preocupação, a culpa, a tristeza, o medo, a decepção, a afobação… São olhos com uma camada de nebulosidade. Por vezes, úmidos.

Perceberão a alegria, a euforia, o prazer, a satisfação, a vitória. São olhos com brilho intenso, cores vivas, transparentes.

Captarão em alguns olhares a censura, a inveja, a raiva, a crítica, a cobrança, a avaliação, o julgamento. São olhares com ar de superioridade. Olham por cima.

Sentirão olhares carregados de desejo, admiração, atração, paixão. São olhos quentes, brilhantes, agitados, pidões.

Serão atraídos por olhares de compaixão, amor, carinho, solidariedade… São olhares doces, tranquilos, pacíficos.

Espelhos da alma, ou não, eles refletem o que se passa em nosso interior. Os dos homens costumam ser mais expressivos, talvez por serem mais focais. Os das mulheres costumam ser mais perceptivos, por serem mais periféricos. As crianças os têm claros, transparentes e cristalinos. É natural delas, não escolhem. São maravilhosos e cheios de expectativas. Os idosos já não querem mais esconder nada, seus olhos são quase tão expressivos quanto os das crianças. Por eles, deixam extravasar a emoção dos anos vividos. Sabem que não adianta esconder. Mergulhar nos olhos de um idoso é entender sua história: rica, bonita, carregada de alegrias, tristezas, frustraçōes e culpas. É como ler um livro.

E, entre crianças e idosos, estão os adultos que “aprenderam” a disfarçá-los. E vão vivendo acreditando enganar a todos sobre o que sentem. Até conseguem, muitas vezes, mas não os olhares atentos e sensíveis.

Mas o mais bonito e emocionante da vida é quando olhares perceptivos e expressivos se encontram em uma via dupla. Olhares atentos de ambos os lados se percebem, trocam sentimentos, energias, desejos, amor, carinho, amizade, paz, sonhos, esperança, tudo sem ser necessário trocar uma palavra sequer. Se olham, se entendem, se aproximam, se abraçam. Aqueles que dizemos que “o santo bateu”. Na verdade, os olhares bateram! As almas se encantaram.

Enfim, todos os olhares são lindos, em todos os olhares há uma poesia a ser lida, uma vida a ser descoberta. Olhar nos olhos não é para qualquer um. Olho no olho é para quem tem coragem!

Alda M S Santos

 

Sintonia

SINTONIA
Há quem duvide, não invista, nada perceba, mas a lei da atração, da sintonia é forte e precisa. Mantemos perto de nós aquilo que atraímos, que sintoniza conosco.
Se somos sorriso, somos empatia, somos carinho atrairemos pessoas empáticas, alegres e doces.
Ao sermos tristeza, isolamento, frieza e solidão, pessoas assim
se aproximarão.
Nossos sentimentos vibram e se harmonizam onde encontram parceria e produzem uma bela canção!
Por isso há pessoas tão empáticas e outras tão apáticas!
Até o amor, o mais forte, nobre e poderoso de todos os sentimentos, mesmo insistente e corajoso, que costuma se impor em terrenos inférteis, costuma definhar onde não encontra eco.
Não devemos ser falsos ou artificiais, tampouco ignorar uma dor. Nem sempre seremos sorrisos e alegria, mas podemos nos esforçar para deixar vibrar mais forte em nós o amor.
Ao nos alinharmos com nosso semelhante, nos alinhamos com o amor do Pai.
Ele se manifestará supremo e afastará tudo o mais.
Alda M S Santos

Cais

CAIS
Toda embarcação, grande ou pequena, de carga ou passageiros, de trabalho ou passeio, necessita de cais. Um local em que possa atracar, aportar para carregar ou descarregar mercadorias ou passageiros, abastecer, realizar reparos, ou, simplesmente, descansar entre uma jornada e outra. As embarcações não foram feitas para viver atracadas todo o tempo, precisam sair da costa, enfrentar o mar, buscar novos ventos, cumprir sua jornada. Elas saem mais seguras quando têm o cais para retornar. A certeza de um porto que é seguro e confiável.
Nós somos como as embarcações. Estamos sempre em alto-mar: nossa vida, nossa jornada. Podemos, muitas vezes, navegar tranquilamente, baixar as velas, lançar âncora, relaxar. Porém, vezes sem conta enfrentaremos tempestades, ventos contrários, o breu da noite, icebergs, maremotos. Nessas horas, precisamos de nosso cais. Mas, e se ele estiver inacessível, distante, danificado ou ocupado? Perdemos o norte, navegamos sem rumo, arriscamos a causar danos à própria estrutura ou perda de carga.
Visando a auto-preservação, necessário é que tenhamos vários cais. Não podemos apostar todas as nossas fichas num único dado. Se tivermos um cais em cada porto, em qualquer lugar que estivermos, sejam quais forem os danos sofridos, teremos o conforto do cais para atracar.
Há pessoas que dizem “não vivo sem fulano, ele é minha vida”! Isso é ter um único cais. Além do risco de sobrecarga do cais, pode-se perdê-lo por um motivo qualquer alheio à nossa vontade. Aí, estaremos à deriva!
Não estou pregando a autossuficiência. Nós, seres humanos, nunca o seremos. Como seres gregários, precisamos uns dos outros, todo o tempo, uns mais, outros menos. O que acredito, e em que aposto, é que precisamos, além de ser cais para os outros, buscarmos vários cais para nós mesmos. Não é preciso tantos. Qualidade aqui vale mais que quantidade. Alguns cais são óbvios: familiares, cônjuges, alguns amigos. Há ainda aqueles cais que abandonamos, nos esquecemos e que, numa hora de sufoco, nos atracamos nele e percebemos que nunca deveríamos tê-lo relegado. Dependendo de onde estivermos, do que estejamos precisando, escolhemos o cais mais adequado. O que possibilita um descanso, uma vista maravilhosa, uma palavra sábia, um ombro para chorar, uma recarga de energia, uma descarga de maus fluidos, enfim, para cada necessidade, um cais diferente.
Ter vários cais nos dá mais segurança, a quase certeza de que não estaremos sós. Quase! A qualquer hora o cais que acreditávamos possuir pode falhar, não estar disponível ou danificado. Nossa mãe, cais mais confiável, pode adoecer ou falecer, o cônjuge, pode não ser o mais indicado no momento, os amigos, estarem ocupados demais…
Muitas vezes, só poderemos contar com dois deles: nós mesmos e Deus. Teremos que saber acioná-los. Deus estará sempre a postos e nos indicará a nós mesmos. Precisamos ativar nossas reservas, necessitamos de autoabastecimento, de um gerador próprio de energia até encontrarmos outro cais.
Sempre teremos o cais preferido, aquele em cuja presença sorrimos, e cuja falta nos leva às lágrimas. Aquele no qual nos encaixamos perfeitamente, que supre nossas necessidades maravilhosamente, nos enriquece, abastece, dá brilho, renova as forças. Nunca devemos abandoná-lo, mas é preciso não esquecer que ele também é falível.
Finalmente, se um cais nos mantiver atracados por tempo demais há algo de errado com ele ou conosco. Não devemos nos esquecer que nossa essência é de navegantes.
Vamos recolher âncoras, içar velas, que mais uma jornada vai começar. Que tenhamos um mar mais calmo e vários portos com cais mais seguros. É o que precisamos, é o que desejamos!
Alda M S Santos

O som do silêncio

O SOM DO SILÊNCIO
O som mais alto que existe é o do silêncio. Sim! A frequência de seus decibéis não é para qualquer audição! É preciso, além dos sentidos usuais, um sexto sentido para ouvi-lo!
Quando o silêncio fala, ele isola tudo dentro da gente. Forma-se um vácuo. Nosso interior parece oco. O eco é constante. Tudo é mais!
Nossa sensibilidade fica à flor da pele, da audição, da visão. Percepções fora de nós são potencializadas.
O som das folhas que pisamos arranha os tímpanos. O brilho do sol arde por dentro. A aspereza das palavras machuca. O olhar frio fere. Uma música fala.
E isso extravasa em nossos poros, em nosso olhar, em nosso silêncio.
Poucos percebem, pois o sentido mais apto a ler o silêncio é pouco usado, vem da alma. É ele que capta essa sensibilidade exacerbada, essa tristeza calada, essa angústia que aperta, esse grito que reflete no olhar num mudo pedido de socorro, no modo de andar, no sorriso sem brilho, nas palavras forçadas, nas lágrimas contidas.
Quase sempre esse silêncio é rompido quando encontra quem o lê, para além das palavras não ditas.
Quem lê o silêncio, sabe que não precisa falar. Palavras são desnecessárias. Os olhares se entendem. Um abraço sela o acordo: estou aqui!
Alda M S Santos

Tudo depende do nosso olhar

TUDO DEPENDE DO NOSSO OLHAR

Como alguém nos parece, feio ou bonito?
O que nosso amigo diz é chato ou instigante?
Aquele colega é proativo ou aparecido?
O trabalho é cansativo ou produtivo?
O amor que se vive nos anima ou nos maltrata?
Se tudo parece triste e desanimador…
O problema pode estar em nosso olhar.
Sim! É ele que dá vida, beleza e valor ao que está fora de nós.
O nosso olhar carrega significado para aquilo que apreciamos ou não.
Tentar olhar com amor, ou ao menos sem tanto desgosto, para alguém ou algo que não nos agrada pode melhorar nosso dia.
Quando algo parecer ruim, pensemos: não estou com um olhar “armado” demais sobre isso?
Mudar o nosso olhar pode fazer toda a diferença! Um bom olhar transforma uma imagem inóspita numa paisagem dos sonhos.
Se não der certo, o máximo que pode acontecer é vermos mais coisas belas por aí!
Alda M S Santos

Festa em mim

FESTA EM MIM
Gosto de festas, na verdade adoro festas!
Não qualquer festa!
Gosto de festas íntimas, em que conheço todo mundo.
Aquelas em que posso bater um papo e rir com todos.
Estar à vontade, ouvir boa música, dançar, me divertir.
As melhores festas são as preparadas dentro da gente.
Aquelas que planejamos com antecedência, sonhamos…
Imaginamos nossas vestes, penteados, perfumes e maquiagens.
Conseguimos nos ver nítidos, claros e transparentes através delas.
Imaginamos cenários, condições do tempo, sensações, cheiros.
Inserimos alguns personagens, retiramos outros.
Somos os donos da situação, da festa.
Escolhemos as falas, as risadas, as interações.
Acrescentamos carinhos, abraços e beijos…
Dançamos com quem queremos, escolhemos a música.
Descartamos quem não nos agrada.
Colocamos quem tem algo a acrescentar.
Criamos início, meio e fim, como um enredo.
Assim é a alma de quem se dispõe a escrever.
Alma em festa.
Íntima, mas em festa!
Alda M S Santos

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

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