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Sentimentos

Névoa

NÉVOA

Caía uma névoa fininha

Daquelas que embaçam o tempo

Esfriam até nossos ossos

Da varanda, tomando uma xícara de café recém coado eu observava

Como a natureza tem a capacidade de atingir nossas emoções!

Quando fica assim sinto-me em outro mundo

Dizem que é o momento em que a tristeza e depressão têm seu auge

Tem-se a percepção de que a Terra parou…

Poucos passarinhos se arriscavam a sair de suas casas

A cigarra sossegou seu canto

Beija-flor aparecia e beijava mais rápido que o normal

Para logo se recolher e se aquecer

Parece que a ordem geral em suspense era: recolham-se!

Uns recolhiam-se para dentro de suas casas

Outros, para dentro de suas lembranças e emoções

Outros para os recônditos de suas almas inquietas

Muitos não achavam para onde se recolher

Perdidos…

Esses que costumam não achar o caminho de volta…

Gosto de tempo assim!

Saio admirando as flores molhadas

Os bichos recolhidos, as pessoas que passam apressadas

Ou aquelas que nem se importam com aquela névoa

Que insistia em atingir os ossos

Volto e vou acender o fogão à lenha

Aquecendo…

Alda M S Santos

Atemporal

ATEMPORAL

Que não tem tempo, de qualquer tempo

Além de qualquer efeito advindo de temporalidades

Atravessa qualquer época, estação

Cai bem em qualquer tempo ou espaço

E permanece em nós, firme, forte, exigente

Que transpassa e perpassa sentimentos

Agrega, completa, faz parte

E se torna infinito em nós

Atemporal…

Alda M S Santos

Tão difícil

TÃO DIFÍCIL

Tão difícil quanto segurar espirro ou tosse

Tão difícil quanto conter as crises de riso em situações sérias

Tão difícil quanto mexer com água com vontade de fazer xixi

Tão difícil quanto não dormir deitado diante da TV

Tão difícil quanto manter-se aprumado na ventania

Tão difícil quanto parar qualquer avalanche iniciada

É segurar lágrimas de tristeza, emoção, raiva, mágoa ou decepção

Aquelas que não se quer verter…

Tenta-se distrair a mente, focar noutra coisa, evitar autopiedade

Respirar fundo, contar até 100

E torcer para ninguém, mas ninguém mesmo, notar ou perguntar nada

Qualquer palavra ou olhar doce

Um carinho ou cuidado, qualquer atitude pode trincar a estrutura montada

Romper comportas e ativar uma torrencial tempestade de lágrimas contidas

E acabar por inundar tudo…

Tão difícil!

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene

Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai

Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças

Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna

Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços

Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios

Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono

Adultos espremidos entre a infância e a velhice

Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada

Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones

Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada

Todos “gritando” por socorro

Quem é capaz de ouvir?

Cada qual gritando sua dor de um modo

No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar

Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas

Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas

Na irritação desmedida, nos vícios diversos

Quem é capaz de ouvir?

A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico

No sentir e no demonstrar

Mas há sempre uma “droga” a nos salvar

Até que não haja mais salvação

Quem é capaz de ouvir?

“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também

E, talvez, conseguirmos nos salvar…

É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro

Mergulhar fundo na própria dor

Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…

É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Alda M S Santos

Melhor assim…

MELHOR ASSIM

Distribuímos sorrisos não só porque somos ou estamos alegres

Somos alegres porque, ainda que, às vezes, ele nos falte, distribuímos sorrisos

É feliz quem doa aquilo que não precisa mais

Mais feliz ainda é quem compartilha o que poderia fazer falta

Nossas imperfeições, inquietações e insatisfações

Nos fazem buscar sempre mais e mais

Não é perfeito quem não possui imperfeições

Mas quem, apesar das imperfeições, não se limita

E busca ser cada dia melhor para si e para o outro…

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

Utopia

UTOPIA

Quando o coração deseja alcançar a todos

Fazer com que aqueles a sua volta se deem bem

Ainda que seus braços não sejam tão longos ou acolhedores

As palavras não sejam doces ou duras o suficiente

O exemplo não seja entendido como bastante…

Até que ponto “respondemos” pelas ações do outro

Se, algumas vezes, mal damos conta de responder pelas nossas?

É utópico!

Mas de utopia também se vive

Quando não se deixa levar pela amargura

E insiste, acredita e luta por um mundo melhor

Ainda que no pequeno círculo de convivências

Respeitando as diferenças individuais

Valorizando as semelhanças…

E aprendendo que todos temos nossos limites

Se quisermos salvar o “mundo”

Por menor que seja a parte dele a ser mudada

Precisamos, primeiro, estar bem conosco mesmos

Para alcançarmos o impossível, até mesmo utópico

É necessário começar pelo possível…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

Sepultamentos

SEPULTAMENTOS

Muitos “pequenos” sepultamentos enfrentamos ao longo da vida

Infância e inocência sepultadas tão cedo

Amigos imaginários e super-heróis enterrados pela razão

Amigos “para sempre” da adolescência separados pelas trilhas incertas do futuro

Amizades e amores de juras eternas soterrados pelas circunstâncias, distância ou incompreensão

Sonhos, esperanças, desejos afogados nas águas turvas da realidade

O viver se impõe e “mata” o que poderia sufocá-lo ou estacioná-lo

A vida segue sempre em frente, à nossa revelia, ignorando nossos sepultamentos

Para o renascer faz-se necessário abrir espaço em nossos canteiros internos

Para viver, às vezes, é preciso morrer para algumas coisas

E de pequenas em pequenas mortes ou perdas

De pequenos em pequenos sepultamentos “indolores” a que somos submetidos

Vamos nos preparando para a “perda” derradeira…

Só não vale valorizar mais os sepultamentos que os renascimentos

“Para alguns a vida sepulta mais que a morte”(Mia Couto)

Alda M S Santos

Represas

REPRESAS

Tantas comportas mantemos represando nossas emoções

Umas já frágeis, turvas, envergadas, machucadas, embaçadas

Na vã tentativa de manter tudo sob controle, aguentamos as pressões

Força de momentos vividos, ou não, causando danos, paredes finas, trincadas

Necessária se faz válvula de escape constante para manter a vazão

Quanto mais cheias nossas represas, mais impactantes serão os danos numa ruptura, mais destruirão nossa fé

É preciso aliviar a pressão, chorar, rezar, gritar, evitar a iminente explosão

Buscar uma vazante qualquer, individual, pessoal, que mantenha nossas barragens intactas, que nos mantenha de pé…

Alda M S Santos

Enxurrada

ENXURRADA

Desce os morros, nos cantos, a princípio

Espalha-se pela rua toda, clara em alguns pontos

Muita água corre nessa enxurrada

Está tão suja, barrenta!

Veio lavando muita sujeira pelo caminho

Ainda assim, parece convidativa

Uma enxurrada, ou desperta a criança em nós,

Desejo de andar naquelas águas, molhar-se, molhar o outro, dar gargalhadas

Ou desperta um adulto frustrado e triste, resmungão

Daqueles que têm medo e nojo de tudo, amargurados

Sob o risco de contaminação por uma doença qualquer

Ainda prefiro ser o adulto/criança que brinca na enxurrada

A ser aquele adulto que já matou a criança em si

E sofre de uma outra patologia mais grave: o medo de viver…

Alda M S Santos

Janela respingada

JANELA RESPINGADA

Dia cinzento, chuva fina, janela respingada

Corpo e mente pedem cama

Olha lá fora, a vida parece apagada

Entregar-se ao repouso, ao ócio é tudo que sua alma clama

Liga a TV, busca um filme, navega nos canais

Nada encontra de instigante, tudo nostálgico, reprisado

Vai à estante, busca um livro, encontra cartões, fotos, poemas, postais

Num armário abarrotado de memórias, por segurança emocional, poucas vezes visitado

Lembranças começam a jorrar, chover sobre ela, não há como fugir agora

Entrega-se, deixa-se molhar, se encharcar

Combinação perfeita com o tempo lá fora

Entra nesse barquinho de memórias, vai longe, tenciona mergulhar

Prepara remos, snoker, quer sentir tudo de novo, intensamente

Abre comportas, sorri, se compadece, no seu rosto lágrimas conhecem de cor o caminho

A janela e ela, ambas molhadas, respingadas, resignadamente

Toca-a com os dedos, sopra, no vapor desenha um coração, e se deixa levar nesse redemoinho…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS

Mergulhar no que acreditamos serem nossas ruínas

Limpar áreas empoeiradas de nossa alma

Quase nunca visitadas, negligenciadas, até temidas

Pode nos levar a encontrar objetos esquecidos

Partes importantes de um quebra-cabeças que julgávamos perdido

Uma figurinha que faltava no nosso álbum de vida

Uma flor desidratada dentro de um livro que irriga nossos olhos

Uma dedicatória significativa e estimulante, que injeta ânimo e coragem

Coisas que julgávamos mortas e sepultadas que ressuscitam

Como uma criança que revisita o quartinho de brinquedos velhos

E volta de lá feliz com muitas coisas “novas” ou perdidas

Para voltar a brincar…

Ruínas podem ser muitas vezes

Apenas partes de nós

Que, se bem avaliadas e cuidadas ,

Podem voltar à vida e brilhar tanto ou mais do que antes…

Alda M S Santos

O amor é autoexplicativo

O AMOR É AUTOEXPLICATIVO

O amor, se verdadeiro, ensina sempre, se autoexplica

Ensina a leveza, mesmo sob pressão

A sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos

A abrir mão, a proteger, a querer o bem do outro

Amor que é amor não se impõe, não invade espaço alheio

Não consegue se esconder,

Não tem necessidade de se esconder

Brilha, irradia, ilumina tudo

Nada exige, ao contrário, se doa, sem medidas

Democrático, contempla a todos,

Independente de raça, credo, sexo, espécie ou qualquer coisa…

Amor nasce em ambientes inóspitos, floresce,

Se bem cuidado nos faz crescer como pessoas

Amor constrói pontes, derruba muros, cria asas

Não se firma ou cresce sob bases frágeis ou falsas, confia

Pode quase tudo, mas não faz propaganda enganosa

Não precisa de autopromoção, aceita o outro como ele é

Não faz promessas vazias,

Amor supera obstáculos, encontra caminhos, abre trilhas

Amor constrói famílias, une pessoas, nunca destrói, renasce das cinzas

Amor traz bem estar, nunca culpas, não se envergonha

Se machuca muito, se machuca o outro

Ou se depende de derrubar quem quer que seja,

Certamente está distorcido.

Amor que é amor está firmado em bases fortes e duradouras

Naquelas que Ele, o mestre do amor, nos ensinou…

Alda M S Santos

Como água

COMO ÁGUA

As mesmas duas moléculas de hidrogênio ligadas à uma de oxigênio: água

Mas o que é capaz de fazer sempre irá depender daquilo que encontrar pela frente

Com quais outras substâncias irá se associar

Dos obstáculos que enfrentará, das aglutinações,

Pode ser capaz de produzir, construir, transformar ou destruir,

Até mesmo brotar de áreas inesperadas, das pedras

Somos como água!

Sempre contornando obstáculos, desviando de áreas difíceis,

Encontrando composições atraentes, repelindo o negativo

Até mesmo uma queda tão alta, que pode aparentar total destruição

Pode gerar energia, vida,

E seguir abrindo caminhos em leitos de rios caudalosos por aí,

Desde que, como ela, sempre tenhamos preservadas nossas “moléculas”, nossa essência,

Independente das associações ou quebras da vida…

Alda M S Santos

Minha avó

MINHA AVÓ

Pequena, magrinha, miudinha mesmo

Um abraço parece que irá quebrá-la

Minha avó, cabeça branquinha até onde minha memória alcança

Ela tem 95 anos, 6 filhos, 19 netos, 18 bisnetos e uma tataraneta

Olhos fundos, uma vida de força escondida ali!

Geniosa, contadora de casos, vida sofrida, cismada

Sempre trajando saia e blusa de mangas compridas, trabalhadeira

Faça frio ou calor, sol ou chuva

Mora sozinha por opção, sempre na janela a olhar quem passa,

Cuida da horta, das galinhas, da casa

Deita-se junto com o sol e levanta-se com ele

Nunca tira fotos, dificilmente sai de casa

Não usa perfume, tem cheiro gostoso de vó, aroma da minha infância!

Econômica na demonstração de afetos, de emoções

Mas quem a conhece reconhece o brilho no olhar

Quando estão perto quem ela ama

E a opacidade que toma conta quando vão embora

Até a janela da frente se fecha em protesto

Junto com o semblante e o coração

Fala muito na morte para espantar o medo que sente dela, do desconhecido

Bem humorada, diz que tem três coisas: velhice, feiúra e ruindade recolhida

Pra mim tem outras: força, fé, coragem e muito amor contido

Nas minhas lembranças mais antigas de vida, ela está

E ficará para sempre…

Te amo, vó!

Alda M S Santos

Arrependimentos

ARREPENDIMENTOS

Eu o observava de longe, parecia cabisbaixo

Cheguei até mais perto daquele idoso de 74 anos no asilo, ele me olhou, segurou minha mão.

Ressaltei que estava triste, perguntei pelo sorriso, falou em arrependimentos.

“Estou arrependido de não ter namorado todas que me quiseram”- e sorriu zombando.

“Acha mesmo que seria mais feliz assim”?- perguntei, séria.

Ele teve uma esposa que o traiu e abandonou.

Tem um filho que nem lembra que ele existe.

Cego de um olho, uma cicatriz de tiro na testa.

“Pra dizer a verdade, penso que você deveria é ter escolhido uma boa mulher”.

“Você tem razão, moça, mas as que me quiseram depois, eu não quis destruir a vida delas.

Eu não seria feliz assim, sei como machuca”!

Conversamos um bom tempo!

Todos temos arrependimentos, carregamos pesos nas costas.

Mas, mesmo simples como ele é, sabe que não existe peso maior para carregar que a tristeza de alguém!

Não pode ser leve e duradoura uma felicidade construída sobre a base frágil da infelicidade do outro!

Arrependimentos todos temos, mas algumas nuvens negras sobre nossas cabeças podem bem ser evitadas!

Alda M S Santos

Mar ou Rio?

MAR OU RIO?

Mar ou Rio, Rio ou Mar?

Água salgada, água doce

Onde a vida nasce, acontece…

Extensão de natureza até onde a vida alcança

Delícias que convidam ao mergulho

Mergulho nas águas, mergulho nos sentimentos

Mergulho em nós mesmos…

E eles se encontram, rio e mar

Nós nos encontramos…

Rio ou Mar?

Tanto faz! De preferência, que eu esteja lá…

Alda M S Santos

Ilha dos Desejos

ILHA DOS DESEJOS

Numa Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que brotam, que crescem, sufocam, aumentam até o horizonte

Onde o mar encontra o céu

Numa linha azul que se funde, se confunde, degradè?

Ilha dos Desejos

Que buscamos?

Desejos que se suavizam, se arrefecem, se amortecem em ondas tranquilas

Até esmorecer e sumir na areia da praia?

Ilha dos Desejos…

Que encontramos?

Desejos despertados ou satisfeitos, realizados?

Olho para tanta beleza e impotência dessa ilha

Desse mar azul, céu anil, coqueiros ao sabor do vento

E constato, afinal, que a verdadeira Ilha dos Desejos

Capaz de fazer nascer e morrer todo e qualquer desejo

É aquela que só nós temos a chave

Mas que nem sempre controlamos a entrada:

Nossos corações!

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Podar ou arrancar?

PODAR OU ARRANCAR?

Eu podava umas plantas na cerca e um garotinho do sítio vizinho apareceu

“Por que você está cortando as flores todas”?

“Não! Estou cortando os matos e podando as flores”- respondi!

“Mas mato também é da natureza”!

“Sim, mas matos sufocam as flores que precisam ser podadas para crescerem mais bonitas e fortes”!

“Mas você está cortando as flores, elas são bonitas ”-ele acusou!

Expliquei o que era podar, e pus-me a pensar na nossa conversa.

Em nossa natureza humana, somos feitos de matos e flores.

Nossa tendência é sempre arrancar nossos matos: os sentimentos negativos.

As flores, lindas e perfumadas, nossos sentimentos nobres, queremos deixar livres!

Todo cuidado é necessário para não cultivar matos e arrancar flores.

Mas, mesmo sentimentos bonitos precisam ser educados, podados, contidos.

Como as rosas, por exemplo, mesmo que a gente se machuque ao podá-las, é preciso!

Se deixados livres demais, tomam conta de tudo e sufocam a gente.

Até mesmo o amor em excesso pode nos sufocar!

Alda M S Santos

Quem é ela?

QUEM É ELA?

Ela olha aqueles carros que se vão rua abaixo e acena

Levam consigo dois seres amados

Há pouco tempo desciam essa rua “quebrados” numa bike

Hoje seguem seu caminho sozinhos e ela fica

Coração apertado, lágrimas nos olhos

Tenta conciliar o orgulho pelos filhos bem criados e encaminhados

E a saudade da época em que estavam consigo todo o tempo

Pertinho, sendo cuidados, amados, protegidos…

É o caminho natural da vida, ela sabe bem

Difícil separar o que é, que sempre foi e está dentro de si

Do que ficou dentro deles e eles levam embora…

Sempre foi tantas mulheres, tantas coisas, que não sabe mais quem é de verdade!

Tenta não se abater, concentrar-se no orgulho de vê-los bem.

Não é mais tão necessária!

Precisa confiar, esperar e aceitar novos tempos

Eles sabem que sempre serão amados, protegidos e cuidados quando precisarem

A vida tem sua maneira de encaixar tudo em seus devidos lugares…

Alda M S Santos

O que ganhamos e o que perdemos

O QUE GANHAMOS E O QUE PERDEMOS

Livros, filmes, poemas e canções

Grandes clássicos da literatura ou da música

A lamentar o amor que se doou a quem não mereceu, não valorizou

Amores pagos com sangue ou sofrimento

Ou aqueles vividos da abnegação, da proteção ao outro

As tragédias são muitas,

Os contos de fada também…

Pode ser triste e doloroso

Mas, pior que amar quem não soube corresponder

É não ter amado o bastante quem mereceu, precisou e foi digno

Amor existe mesmo para ser doado…

Quem ama sempre perde menos! Sempre!

E amor de verdade nunca se apagará, nunca!

Lágrimas e sorrisos, saudades e dores

São apenas efeitos colaterais

São “apenas mais uma de amor”

“O que eu ganho e o que eu perco

Ninguém precisa saber…”

Canta, sabiamente, Lulu Santos

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Acertando as contas

ACERTANDO AS CONTAS

Ela chegou ali de um modo nada louvável: à força

Abdicando da própria vida

Logo foi questionando para uma imagem amigável: por que me abandonou?

Levada para uma biblioteca gigante de luz

Lindos e variados livros, de todos os tamanhos e espessuras

Alinhados nas prateleiras, pareciam ter vida

Nas lombadas, os nomes de todas as pessoas, biografias

Autorizada, escolheu alguns nomes conhecidos e folheou

Uns eram finos, outros com interrupções, espaços em branco

Vários com mais de um volume

Histórias de vidas acompanhadas em tempo real

Buscou pelo que continha seu nome, não encontrou

“Você escolheu não estar aqui”!

Em salas contíguas, outros livros, outras vidas

Uma delas de pessoas que já tinham partido

Na outra, pessoas em estágio “terminal”, tratamento intensivo

Encontrou seu nome, pegou sua história

Ali, todos os momentos de sua vida e todos que dela participaram

Os momentos difíceis em que pessoas anjos preciosas apareceram

-“Eu não te abandonei, veja!”-o olhar era de puro amor

-“Mas muitos foram embora”-ela disse, chorando.

-“Ficaram pelo tempo necessário, enquanto podiam te fazer bem”!

Olhou mais alguns livros de “histórias amadas”

Notou que seu livro ainda possuía páginas em branco

Uma página arrancada, ela observou que estava escrito “fim”.

-“Volte! Sua história não acabou. Você ainda é necessária na história de muita gente”!

Ao lado do seu, todos os livros nos quais era personagem

Histórias de amor entrelaçadas…

Recebeu um abraço de amor intenso,

Forças renovadas, voltou…

Iria preencher aquelas páginas em branco…

Alda M S Santos

Estação das Águas

ESTAÇÃO DAS ÁGUAS

Não sei se é da época, das pessoas

Ou do que está mesmo dentro da gente

Uma palavra ríspida qualquer

Um mero descaso, pouco caso, mágoa

Até mesmo um gesto de carinho e cuidado

Sensibilizam, fragilizam, geram lágrimas…

Espírito de Natal, espírito próprio?

Sei lá!

Estação das águas….

Alda M S Santos

Ausências

AUSÊNCIAS

A gente percebe que não é autossuficiente

Quando começa a sofrer de ausências

Ausências de gente do bem conosco

Percebemos que somos essenciais uns aos outros

Quando começamos a “exigir” presenças

Presenças do amor e da alegria

Do carinho, do sorriso, da atenção

Aquelas que quando se vão fazem falta, a gente chora

Mas que sorri ao lembrar da marca que deixou

Por menor que tenha sido o convívio…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Entre Belas e Feras

ENTRE BELAS E FERAS

Na dicotomia entre extremos: Belas e Feras

E a perfeição e imperfeição física e de atitudes

Há, na verdade, muitas Feras e muitas Belas

Que “amam” e não aceitam o modo de ser do outro

Que “amam” e querem se impor ao outro

Não somos só Belas ou só Feras

Somos Belas Feras e Feras Belas, humanos!

Com o “encanto” do viver

Cheios de erros e acertos, lutas e desencontros

Bailes e reencontros

Na tarefa árdua e prazerosa de aprender, se quisermos…

Alda M S Santos

Museu do amanhã

MUSEU DO AMANHÃ

Museus carregam em si objetos de valores inestimáveis,

Aqueles cuja humanidade quer conservar, estudar

Expor, valorizar, eternizar

Museus do amanhã são as pessoas…

Acumulamos em nós para o amanhã tudo que nos é caro

Pessoas, emoções, sentimentos, lembranças

Mas, diferentemente dos museus,

Alguns desses itens não são expostos, ou o são com critério

O que não lhes reduz o valor

Ficam guardadinhos numa sala secreta de acesso especial

Isso nos torna museus vivos, que interagem

Que se valorizam nesse trânsito de sentimentos

De dor, saudade, alegria, amor,

Que ora se mostram, ora se escondem…

Alda M S Santos

Famintos

FAMINTOS

Eis que estou a sua porta e bato

Se você abrir, entrarei e cearemos juntos…

Eu sou aquele que te faço falta, sou seu vazio

Por vezes, sou seus excessos

Posso ser sua alegria ou sua tristeza

Depende se saberá me ouvir, me notar

Eu sou aquele por quem você clama…

Todos os dias bato a sua porta

Nem sempre visto o melhor traje

Minha aparência externa é variável, muitas vezes

A interna tem mais brilho e calor

Posso ser sua felicidade, te completar

Mas precisa me aceitar, aceitar-se perante mim

Se você me perceber, me ouvir, posso entrar

Cearei contigo e você comigo

E nossa fome de toda espécie será saciada,

Eu sou aquele que você busca e não ouve

Que precisa e nem sempre enxerga

Eu sou o Amor!

Alda M S Santos

Neblina

NEBLINA

Neblina: parece que o mundo sinaliza para a introspecção

Lá fora está tudo fechado e escuro

“Volte para dentro de si, encontre-se”!

“A luz que precisa acende-se primeiro em você”!

Olhamos lá fora, tentamos identificar algo

Mas nada tem nitidez, tudo é sombra

As flores gostam, abrem-se viçosas para o dia

Os passarinhos não se importam

Cantam, felizes! Têm luz própria!

Alguns de nós voltam para dentro e se encasulam

Outros, descem as escadas e enfrentam a neblina

“Neblina na serra, chuva na terra”

“Neblina baixa, sol que racha”

Independente da hora que for, sol ou chuva

A vida não espera por ninguém…

Alda M S Santos

Ela é…

ELA É…

Ela é … uma criança levada

Que brinca nos jardins, que sobe nas árvores

Que se esconde nos lugares mais óbvios

Ela é … um beija-flor que suga o néctar

E repousa suave, num minúsculo galho

A tudo observar, leve como uma pluma

Confiante em suas próprias asas

Ela é … uma mãe que acolhe seu filho

Que limpa a ferida, que a cura com beijinhos

Ela é … um casal apaixonado

Que mergulha num rio gelado

Que se aquece no calor de um abraço

Ela é … a tranquilidade que acomete a velhice

Cujo tempo não se mede mais em relógios

Onde a vida acontece em meio à saudade

Junto às lembranças que, como ela,

Se fazem vida…

Ela é a Poesia, que não se esconde,

Mas, ainda assim, poucos a encontram…

Alda M S Santos

Constelação

CONSTELAÇÃO

Tudo ainda parecia muito real dentro dela

Deitada na rede lá fora, encolhida, rosto banhado em lágrimas

Rezava, tomava um copo d’água e tentava afastar aquilo da mente

Pesadelos não são reais, repetia para si mesma sem parar

São apenas sua mente tentando trabalhar o que te faz mal, insistia ela

Na tentativa de neutralizar aquela imagem ruim.

Sabia que precisaria de tempo para voltar à realidade

Entender que pessoas que a amavam não seriam capazes daquilo.

Tentava identificar as constelações no céu

Eram tantas e tantas estrelas…

E como quando criança, queria acreditar que uma delas, apenas uma

Era alguém querido que lá de cima olhava por ela

E a protegia de todo mal.

Aos poucos ia se acalmando, despedia daquela estrela

Que de repente parecia brilhar mais que todas,

E voltava para dentro para dormir…

Alda M S Santos

Transbordando

TRANSBORDANDO

Transbordar remete a algo além da conta

Acima das bordas, sobrando, derramando

Dentro da gente, tudo pode vir a transbordar:

Saúde, alegria, esperança, fé, bondade, amor,

Tristeza, lágrimas, mágoas, decepções, rancor, melancolia

De todo modo, é bom transbordar

Se coisas boas, alegra a todos a nossa volta…

Se coisas ruins, aquelas que a gente costuma prender,

Permite derramar até se esgotar…

Não dá é pra manter represado

Pois uma gota só pode ser suficiente

Para arrebentar comportas e causar estragos!

Alda M S Santos

Quando foi a última vez que chorou?

QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE CHOROU?

Qual a última vez que as lágrimas foram suas companheiras?

Muita gente sequer lembra, pois quase não chora.

Não porque não tenham motivos ou sejam insensíveis,

É porque costumam lidar de modo diferente com as dores e frustrações.

Alguns choram escondido, ou porque não querem preocupar o outro ou não confiam o bastante neles.

Outros já choram por quase tudo, emocionam-se e choram muito!

Não precisam estar infelizes, é um meio de expressar a emoção.

Choram por emoções boas: uma vitória, um amor correspondido, uma gentileza, um pôr do sol, uma tempestade,

Uma amizade reencontrada, um desejo satisfeito, um carinho gratuito, uma lembrança boa…

Ou pelas emoções tristes mesmo: decepções, saudades, desamor, dores diversas,

Perda de algo ou alguém, problemas de saúde…

Há ainda as que choram pelas dores e males dos outros, das pessoas queridas e amadas

Ou até mesmo pelos males da humanidade.

Lágrima também é vida!

Acho que tenho vivido muito ultimamente!

Alda M S Santos

Naquela rua

NAQUELA RUA

Parado na esquina estava aquele mesmo carro

Que tantas vezes por ali passou, leve, carregando alegria

Agora pesava muito, semblante carregado

Não descia, apenas olhava, esperava, triste,

Que alguém saísse por aquela porta com o mesmo sorriso

A dizer que nada mudou, que o amor era o mesmo

Que nada existia, nem de dentro de si mesmos ou dos outros,

Que pudesse impedir de ficarem juntos.

Aquela casa conhecida, sempre convidativa e amável

Parecia estranha, a dizer que nada mais havia ali de importante.

Isso não era certo! Então porque doía tanto?

Agora todo mundo passava e olhava, menos quem interessava

Enquanto isso não acontecia, entre nascer e pôr de sol,

Esperava, olhava e chorava…

Quem sabe um dia deixaria de doer ou de se importar?

Alda M S Santos

Quase morrer

QUASE MORRER

Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,

Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…

Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!

Recolher-se para dentro de si mesmo!

Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.

Até quando?

Até esquecermos como é ser autêntico.

Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,

Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!

Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?

Alda M S Santos

Labirinto

LABIRINTO

A cada passo tecemos em fios finos

Um labirinto belo e complexo para caminharmos.

Por vezes assustador, com curvas perigosas

Com retornos e vias incertas e enganosas.

Buscamos sempre a saída,

Mas a saída derradeira ninguém quer.

Nem sempre sabemos ou podemos voltar à largada.

Devemos enxergar uma saída

Em cada encruzilhada perigosa desse labirinto.

Ainda que seja retornando, andando em círculos.

Num labirinto, nunca se sabe exatamente o que é seguir em frente.

Muitas vezes, parar, voltar, reiniciar de determinado ponto

Pode ser o melhor meio de prosseguir,

Sem ser engolido pelo medo do que encontrará na próxima curva.

Alda M S Santos

Leitura: Braille

LEITURA: BRAILLE

Há uma leitura que exige decodificação especial

Que não basta decodificar o alfabeto

Ler frases e compreender textos e contextos

É uma leitura que exige ler com o toque, como o Braille

É uma leitura que exige a percepção do brilho ou sombra do olhar

É uma leitura que exige ler sentimentos

É uma leitura que se faz no silêncio

É uma leitura que conecta dois olhares,

É uma leitura de almas!

Alguns são tão mestrados nessa área

Que leem de longe ou de perto

Não se enganam, não interpretam mal

Sentem!

Alda M S Santos

Quando tudo dói

QUANDO TUDO DÓI

Há dias em que tudo dói

Até cabelos e ossos

Partes que dizem ser desprovidas de sensibilidade

Por não terem terminações nervosas

Mas quando sentimos dores que não identificamos,

Tudo parece doer!

Normalmente são dores que vêm lá de dentro

Alguma questão mal resolvida dentro de nós.

Qual o remédio? Qual a cura?

Silêncio e oração, família e amigos,

Independente da ordem em que apareçam para nós,

Ou que tenhamos que buscá-las!

Simplesmente, precisamos…

Alda M S Santos

Um dia de cada vez: só por hoje!

UM DIA DE CADA VEZ: SÓ POR HOJE!

A máxima dos grupos de ajuda

Das pessoas que sofrem qualquer mal

Quer seja mal físico, emocional, dependência química, vícios, é:

Um Dia De Cada Vez.

Só por hoje!

Só por hoje vou ser forte!

Só por hoje vou resistir!

Só por hoje não vou querer!

Só por hoje terei coragem!

Só por hoje não terei saudade!

Só por hoje não vou sentir medo!

Só por hoje não vou sofrer!

Amanhã será novo dia e novamente: só por hoje.

Assim fica mais fácil vencer qualquer dor, tristeza, sofrimento, saudade…

Pensar em lutar contra algo para sempre é tempo demais!

E se houver recaídas, tudo parte novamente daí.

Humanos erram, caem, levantam e seguem…

Humanos acreditam, mesmo sofrendo!

Por isso, quase sempre vencem…

Alda M S Santos

Aprendizados

APRENDIZADOS

Entre as coisas mais difíceis que existem

Estão saber a hora de ouvir, de falar e de se calar.

Quase tudo na vida envolve esses três atos,

Para ajudar a nós mesmos ou para ajudar os outros.

Depois disso decidido, ainda há o melhor meio de fazê-lo.

Aí é aguardar os resultados, as consequências.

Mas fazer aquilo que acredita certo,

Confiar na própria consciência,

Ainda que os resultados não sejam os melhores,

Que seja criticado ou incompreendido,

É, sem dúvida, o melhor meio de agir.

O menor dos saldos ainda é valioso: o aprendizado

Alda M S Santos

Casa cheia

CASA CHEIA

Casa cheia é sempre bom

Lotação total, nos divertimos, sorrimos

Interagimos, distraímos

Quase não nos notamos, perdidos em meio a tudo e todos.

Em “casa cheia” acabamos escondidos de nós mesmos,

E quando todos se vão,

Em meio à nostálgica solidão, nos vazios de uma “casa cheia”,

Podemos nos reencontrar

Ou ao menos tentar fazê-lo,

E ser felizes, ou não…

Alda M S Santos

Sensibilidade e Amor

SENSIBILIDADE E AMOR

Sensibilidade é a capacidade de perceber, participar, se alegrar, se condoer

Com os sentimentos e modo de ser daqueles que se parecem conosco

Amor é a capacidade de fazer tudo isso,

Mas, particularmente, com aqueles que são diferentes de nós!

Alda M S Santos

Nave-mãe

NAVE-MÃE

Quando tudo que se nota ou percebe

É a sensação de não pertencimento

De não fazer parte dessa nau

De estar além de algumas coisas

Aquém de tantas outras

De não ser compreendida em muitas emoções

Não compreender infindas outras

Não corresponder a tanta “normalidade”

Resta esperar que a qualquer momento

Uma luz se abra em cone sobre si

E perceba na chegada da “nave-mãe”

Que uma abdução se realizará

E tudo ficará, enfim, em seus devidos lugares! 

Alda M S Santos

Adubando

ADUBANDO

Doação e gratidão, ambos nobres sentimentos

Tal como flor, brotam de nossos corações

Livremente, sem imposições.

Mas precisam ser cultivados.

Quase sempre o mesmo terreno 

Fértil e capaz de fazer germinar a doação

É o que permite brotar a gratidão.

Um serve de húmus para o outro

E ambos são adubos para o amor.

Os três, doação, gratidão e amor

São partes fundamentais de uma alma em paz e feliz. 

 Cultivemos! 

Alda M S Santos

Sentimentos líquidos

SENTIMENTOS LÍQUIDOS

Diz a sabedoria popular que chorar lava a alma

Essa afirmativa pode ser questionável,

Mas sei que chorar alivia muitas dores

Físicas, emocionais, mentais,

Superficiais ou profundas…

Conter as lágrimas, prender os soluços, segurar o choro

É sufocar as emoções que necessitam de vazão

É represar sentimentos que precisam de manifestação

Lágrimas são sentimentos líquidos

E líquidos sempre encontram uma maneira de extravasar

Abrem caminhos, arrebentam comportas, acham uma saída,

Naturalmente, ou não…

Alda M S Santos

Nossas caixas

NOSSAS CAIXAS

Construímos caixas ao longo de nossas vidas

E as deixamos guardadas em nós.

Umas ficam na mente, outras no coração, outras na alma.

Há pessoas que encaixamos facilmente nas caixas rígidas da mente,

Se não cabem, descartamos.

Outras, vão direto para a caixa do coração, mais maleáveis.

Às vezes deixam umas partes para o lado de fora,

Mas se a caixa não se mexe, ou se a pessoa não flexibiliza, 

Não cabem, não encaixam, vão embora, lamentavelmente. 

Agora, há aquelas pessoas que ficam,

E ajudam a construir uma caixa própria na alma.

Caixas da alma são construídas em conjunto, são personalizadas, 

Essas encontram morada eterna,

Uma caixa-ninho que aquece e protege

E que faz bem à morada e morador. 

Alda M S Santos 

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