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NOSSO PRÓPRIO PARTO

NOSSO PRÓPRIO PARTO

Quando o espaço já está pequeno,

E já não nos cabe mais

É preciso renascer…

Retirar as camadas que nos envolvem

E, aparentemente, nos protegem

E dar a luz a nós mesmos.

Alda M S Santos

 

Coma Induzido

COMA INDUZIDO

Procedimento: Indução de um coma atemporal

Indicação: Proteção de circuitos importantes

Retorno à consciência de dentro pra fora

Quando for capaz de processar estímulos externos sem dor,

Quando a alma estiver em paz consigo mesma.

Alda M S Santos

Tempos de amor e paz

TEMPOS DE AMOR E PAZ

Paz…amor…

Almejados para o futuro

Reconhecidos no passado

Pouco percebidos no presente.

Paz…amor…

É aqui e agora que se faz!

Alda M S Santos

Oxigênio

OXIGÊNIO

Ficar nos espremendo num pequeno espaço,
Levantando a cabeça, fugindo do afogamento,

Buscando pequenas bolhas de ar para respirar

Não é viver, é evitar a morte.

Queremos, precisamos de oxigênio à vontade

Merecemos ar puro,

Respirar fundo e livremente,

Viver!

Alda M S Santos

Nude

NUDE
Em tempos de nudes, quase tudo se vê, nada se imagina.
Corpos nus, bronzeados, “bombados” e “preenchidos”.
À mostra, na vitrine, expostos para deleite, quase uniformes.
Competição acirrada, muitas ofertas, grandes negócios.
E se a nudez solicitada fosse a da alma?
Haveria tanta oferta, tanta competição?
Almas escondidas, vazias, murchas, quase inexistentes.
Onde poderiam ser bronzeadas, bombadas, preenchidas?
Lugar algum!
Alma não aceita acessórios ou aditivos.
Alma simplesmente é! Como a natureza!
E há muitas almas lindas escondidas em corpos nada uniformes por aí.
Procurando é que se acha!
Alda M S Santos

Você (es)colhe!

VOCÊ (ES)COLHE!
“Você (es)colhe o que planta”. Parece simples.
Escolhe bem, planta e colherá o que plantou…
Felicidade certa. Afinal, ninguém escolhe plantar semente ruim.
Mas na verdade não funciona bem assim.
Quando escolhemos entre uma semente entre tantas, nem sempre temos clara como se dará a germinação e o crescimento.
Muitas são as sementes. Muitas são as variáveis que atuam nesse processo: terreno infértil, aridez, seca, geada, tempestades…
Daí tantas vezes a colheita ser perdida, mirrada ou insatisfatória.
Quando escolhemos ser professores e não médicos, entre viajar ou comprar um carro, entre ter uma profissão ou um filho, entre um amor e não outro, entre casar ou ficar solteiro, estamos escolhendo o que nos parece melhor no momento.
Dizemos sim para uma semente e não para a outra.
Se ela será produtiva só o tempo e os cuidados que receberá poderão dizer.
Felizmente, Deus, nosso maior “agricultor”, sempre nos ajuda a nos desfazer da colheita ruim, permite-nos escolher novas sementes, possibilita-nos novos terrenos, nova colheita, com os conhecimentos adquiridos anteriormente.
Ele é a videira que nunca morre, que sempre produz.
A única semente certa, pois é a semente do mais puro amor.
Vamos (es)colher Jesus! Sempre!
Alda M S Santos

Labaredas ou cinzas

LABAREDAS OU CINZAS?

Pequena chama, altas labaredas

Apenas brasas, fumaça, cinzas…

Somos fogo, todos, em suas várias etapas de combustão:

Eclodindo, propagando,

Em continuidade, se extinguindo…

E cada etapa de nossa vida pode estar num desses estágios.

Podemos estar eclodindo profissionalmente,

Nos propagando em âmbito familiar, em continuidade amorosamente,

Nos extinguindo em outras áreas. 

Claro é que fogo não se mantém onde não há combustível e comburente.

E para se propagar e ser contínuo o fogo necessita de condução.

Somos nós que podemos iniciar uma reação em cadeia,

E levar chamas para onde é quase cinzas. 

E, assim, manter o calor em todas as áreas de nossas vidas. 

Alda M S Santos

Divina

DIVINA 

Frio, neblina, mata, chuviscos,

Caminhada ao entardecer. 

Muitos definiriam a imagem como sinistra

Macabra, surreal, cabulosa, apocalíptica.

Vejo como inspiradora, acalentadora, reflexiva, mágica, 

Apaziguadora, divina, linda! 

Como me faz bem! 

Alda M S Santos 

Vício trocado não dói

VÍCIO TROCADO NÃO DÓI
-“Você tá viciado nisso hein, cara? Músculo demais mata!”
-“Tô nada! Vício é por coisa ruim. Tava viciado naquela “mina” e ela me ferrou… Ferro por ferro, puxo esse que me faz bem”.
Observando o debate, concluí que tendemos a achar que só coisas negativas sejam viciantes como drogas, álcool, jogos.
Porém, o hábito repetitivo de algo, por melhor que seja, pode ser degenerativo ou prejudicial para nós ou para quem nos cerca.
Coisas boas em excesso também viciam e podem ser prejudiciais: trabalho, esportes, religiosidade, sexo, amor…
Vício é dependência e dependência é negativa. Sempre.
Há pessoas dependentes de determinadas pessoas! Dependência “química” e/ou emocional.
O amor não deixa de ser um vício também, quando nos faz crer que não sobreviveríamos sem o outro.
E como disse o rapaz na academia, “todo mundo tem algum vício, o melhor é escolher o que causa menos mal!”
E em matéria de pessoas, de amizade, de amor, só vale o vício trocado.
Vício trocado não dói!
Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE
Sabem aquela sensação de estar sempre só
Em meio a tantas pessoas?
Sentimento de não ser compreendido ou aceito,
De não encontrar seu reflexo em ninguém?
Tal culpa ou responsabilidade
Não pode ser imputada a ninguém.
Ninguém, exceto a nós mesmos.
Quando não nos encontramos em nós,
Não “permitiremos” que ninguém nos encontre.
Não chega a ser dolo, apenas culpa.
Não há intenção de nos esconder de nós mesmos,
Tampouco dos outros.
Apenas falta perícia para nos fazermos achar,
Habilidade de nos refletirmos em nós mesmos,
Para encontramos nosso reflexo no outro.
Brincadeira de esconde-esconde de adulto
Nem sempre é divertida!
Alda M S Santos

Galáxia Interior 

GALÁXIA INTERIOR

Numa galáxia em constante movimento

Estrelas, planetas, satélites, meteoros, astros diversos

Que giram em torno de si mesmos, dos outros, no espaço sideral

Sentimentos, emoções, sensações, 

Também não param

Ficam à deriva, perdem-se, chocam-se, caem, morrem

Causam até um big-bang

Movem-se, modificam-se, mudam de rota, de morada.

Obtêm luz, se aquecem, ficam na escuridão, sem oxigênio,

Transitam dos nossos para outros corações.

Não encontrando guarida, giram em torno de si mesmos

E, mesmo tontos, cambaleantes, continuam nesse movimento incansável

Em busca de algum pouso, de algum repouso, de um espaço só seu nessa Via Láctea,  

Ainda que temporário. 

Esse é o movimento da vida,

Nossa galáxia interior…

Alda M S Santos

Banho

BANHO
Quero um banho profundo e demorado
De banheira, chuveiro, rio, mar, lago ou cachoeira.
Mas quero um banho que me lave por dentro
Que saiba o que levar e o que deixar
Que saiba o que renovar, hidratar, dar brilho
E deixar um delicioso perfume de gente boa
E de vida nova…
Alda M S Santos

Voo leve

VOO LEVE
Somos um ser de uma asa só voando por aí,
Voamos bem, voamos muito, ora baixo, ora alto…
Quando encontramos uma asa que nos pareia, tudo se encaixa.
Voamos bem, voamos alto, voamos leve, voamos felizes.
Mas se nos unimos a uma asa que não combina,
Melhor seria continuar voando bem, ora baixo, ora alto,
Mas com a própria asa…
Pior que voar sozinho é voar com asas que pesam,
Com asas que desequilibram, que geram turbulências.
O voo precisa ser leve, livre, solto e feliz,
Sozinho ou acompanhado.
Alda M S Santos
Foto Google imagens

Best-Seller

BEST-SELLER
Na vida nós escrevemos nosso conto de fadas.
Não há borrachas ou corretivos, não há como “desescrever”.
Apenas viramos a página e escrevemos novo capítulo.
Não há “felizes para sempre”.
Ora somos protagonistas, ora coadjuvantes,
Ora mocinhos, ora bandidos…
Por vezes, é uma comédia romântica, outras um drama,
Pode até se tornar um suspense ou uma tragédia,
Mas somos nós que construímos dia a dia nossa felicidade!
Com o papel, a caneta e a cor que dispomos e escolhemos.
Que seja um best seller!
Alda M S Santos

Quando mais se vê

QUANDO MAIS SE VÊ
Paradoxalmente, quando a gente vê melhor,
É quando os olhos estão fechados
Pois, ao fechá-los, tapam-se os olhos racionais,
E os olhos da alma se abrem
Vendo com outros sentidos: os da emoção.
Quer ver bem? Feche seus olhos!
Alda M S Santos

Parcerias

PARCERIAS
Parcerias…
No jogo, no amor, na vida…
São elas que determinam nossas conquistas.
E nosso parceiro primeiro somos nós mesmos
Não podemos desistir de nós
De nossos gostos e vontades.
Esses que fazem com que estejamos inteiros para os outros
Para que possamos ser parceiros do outro.
Alda M S Santos

No grito?

NO GRITO?
Invadir, abrir, arrombar, conquistar.
De qualquer modo, a qualquer custo,
Na pancada, no muque, no grito,
Com a força que vem da mente,
Com a força dos músculos…
Até descobrir que o melhor músculo
A ser utilizado é o coração.
E esse age no silêncio.
Grito calado que vem de dentro.
Essa é sua maneira de gritar
De se fazer ouvir e tudo conquistar.
Mantenha-o em ação!
Alda M S Santos

Milhagem

MILHAGEM
Dúvida: Onde troco minhas milhas de vida?
Existe um programa de milhagem que posso resgatar?
É que já tenho algumas acumuladas e não sei quando expiram.
Posso escolher destino, data, companhias?
Se não for pedir demais, pode ser só de ida?
Alda M S Santos

Flores…

FLORES…
Em todo caminho elas estão,
Embelezam, alegram, encantam, renovam as forças,
Coloridas, perfumadas, singelas, grandes ou pequenas,
De todo tipo ou forma.
Às vezes se disfarçam de gente, de pessoas,
Mas se observarmos bem,
Pela beleza, perfume, colorido
E capacidade de encanto,
Veremos que, no fundo,
Todas as pessoas que nos encantam são flores!
Jardins nos quais queremos habitar!
Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos

Causando

CAUSANDO
Causar, abafar, abalar, agitar!
Entre tantas novas ondas,
Que vão e que vêm, que fazem barulho, que se esvaem,
Prefiro ser aquela água fresca que chega devagar
Refresca e deixa-se absorver pela areia
E, sem qualquer estardalhaço, unem-se
Como dois amantes,
Tornando a paisagem mais linda!
Alda M S Santos

Copiloto

COPILOTO
Copilotos, vice-líderes, substitutos,
Ajudantes, auxiliares, corresponsáveis,
Ou, simplesmente, parceiros.
Precisam ser bem escolhidos!
Não há voo seguro e feliz sozinho,
Tampouco mal acompanhado.
Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

Entre sorrisos e lágrimas

ENTRE SORRISOS E LÁGRIMAS

 Sorrisos são superestimados.

 Lágrimas são subestimadas.

Explico: Tantas vezes ouvimos pessoas encantadas com sorrisos. Sorrisos são unanimidade, todos gostam, todos valorizam, todos querem dar e receber. Expressam alegria, satisfação, amor, prazer. Sorrir faz bem pro coração, pra pele, pra alma. Nossa e dos outros. Desde um leve puxar de lábios, o sorrir com os olhos, até uma gargalhada. Quem sorri mais, atrai mais pessoas. Aparenta viver mais e melhor, ser feliz.

E as lágrimas? Quando são derramadas?

Os motivos podem ser os mais variados: dor física, exaustão, superação, vitória, derrota, alegria, tristeza, frustração, expectativa, ansiedade, revolta, raiva, injustiça, vergonha. Por si mesmos, pelo outro.

Que as lágrimas sejam derramadas quando sentimos dor, raiva, tristeza, frustração, impotência, vergonha, entendemos. Lágrima está quase sempre associada a algo ruim. As mais dolorosas são aquelas que nos deixam impotentes perante a dor daqueles que amamos, pelos quais daríamos parte de nós, ou nossa vida, para que ficassem bem.  Essas lágrimas todos entendem. O melhor jeito é abraçar, dar colo, palavras de incentivo, orar, chorar junto e aguardá-las passar.

Mas, e quando as vertemos, sem controle, num casamento, no nascimento de um filho, na formatura, ao tirar carteira de motorista,  passar no vestibular,  fazer uma oração, ou ao ouvir uma declaração de amor?

Simples: só o que atinge fundo a emoção gera lágrimas. Ou seja, quanto mais lágrimas tivermos derramado nessa vida, mais intensa em emoções ela terá sido. Não devemos desvalorizá-las ou dispensá-las. Devemos recebê-las, “curti-las”. A cada torrente de lágrimas, quase sempre algo novo e bonito surgirá. Penso que Deus as permite para limpar e irrigar o terreno, para que possamos receber as novas bênçãos.

Valorizemos, sim, o sorriso sem, contudo, desvalorizarmos as lágrimas. Assim, em breve, será possível surgir um belo sorriso, daqueles que todos amamos.

Alda M S Santos

 

Outono

OUTONO
As folhas caem, o ar se veste de tons amarronzados,
A brisa suaviza, esfria, galhos ficam seminus,
O clima resseca, a natureza se protege para a temporada gelada.
Sábia, antevê tempos difíceis, reserva energia.
Para muitos, a beleza e alegria se perdem no outono,
Para outros, elas apenas ficam camufladas, protegidas, resguardadas.
Um outono verdadeiro é muito mais lindo que uma primavera forçada.
Quantas vezes precisamos ser outono, nos resguardar, fortalecer,
E insistimos em ser primavera, desperdiçando energia valiosa?
Quando encaramos de frente os outonos de nossas vidas,
O inverno torna-se menos pesado e retornamos com esplendor redobrado,
Deixando a primavera desabrochar no tempo certo,
Com novo brilho, novas cores, novas flores, novos amores,
Nova vida!!!
Alda M S Santos

Motivações

MOTIVAÇÕES
Outro dia, numa das minhas caminhadas ao anoitecer, avenida muito cheia,
Passa correndo por mim uma jovem mãe empurrando um carrinho de bebê.
Vestida para malhar, o bebezinho deitado no carrinho todo satisfeito e protegido,
Participava da vida da mãe enquanto ela praticava sua corrida.
Pus-me a pensar em “quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.
Sabe-se lá o que essa mãe não teve que fazer para estar ali se exercitando?
Ou do que precisou abrir mão?
Penso que isso vale para tudo na vida. Tudo depende da nossa força de vontade.
Obviamente a vontade sozinha não resolve tudo, mas é mais da metade do caminho.
Tanta gente se entregando a doenças, vícios, males dos mais variados…
Sem querer minimizar o problema de ninguém, é preciso buscar a vontade dentro de si.
Buscar amigos, família, ajuda profissional, Deus, o que se fizer necessário.
Parece óbvio, mas só colhemos aquilo que plantamos.
Há pessoas que passam a vida fumando como chaminé, quando um médico diz: “ou para agora ou morre”, milagrosamente a força de vontade aparece.
Quando uma mãe diz: “ou arruma uma ocupação ou acabou televisão, computador e mordomias”, um emprego aparece.
Quando uma esposa diz: “ou as bebedeiras ou eu”, a escolha é feita, ainda que sejam as bebedeiras. Nem sempre as pessoas gostam de si mesmas.
O que falta na vida das pessoas para gerar mudanças importantes e significativas é a motivação, a força de vontade, o medo de perder algo.
Muita ajuda pode vir de fora, mas a primeira marcha somos nós mesmos que engatamos, quando percebemos que só estamos andando em marcha-à-ré.
É pra frente que se anda!
Alda M S Santos.

Asas Quebradas

ASAS QUEBRADAS
Para que existem os anjos, as borboletas, os beija-flores,
Esses lindos seres alados, leves, coloridos e delicados?
Certamente para encantar, enriquecer, embelezar nossas vidas
Trazer leveza, tranquilidade, despertar a paz…
Mas o trabalho deles nem sempre é fácil
Há terrenos áridos e duros, que se esqueceram há tempos
Como é estar irrigado, arado, preparado para aquecer a semente
Gerar um broto de vida…
Mas chega o momento em que as asas deles se quebram,
Perdem a capacidade de flutuar em torno de nós,
Acompanhar nossos passos, nosso crescimento
Estimular, acreditar, encantar.
São fortes em sua singeleza e delicadeza,
Firmes em sua leveza e propósito encantador
Mas também eles podem se machucar
Ferir-se nas e pelas feridas de seus encantados
E precisar de um repouso para tratar e cicatrizar suas asas
E retornar à vida.
Com novo encanto, nova leveza, novas cores…
Pois anjos, borboletas e beija-flores nunca deixarão
De cumprir seu propósito de amor.
Alda M S Santos

Pancadas de chuva

PANCADAS DE CHUVA
Facebook alertava hoje cedo: Previsão do tempo para BH:
Pancadas de chuva! Não saia de casa, Alda!
Onde, quando? – eu me perguntei!
Se for pancada de chuva pode bater com vontade
Abusar de raios, trovões, ventania e muita água.
Mas traga um frescor, por favor!
Prometo me esbaldar! Sem guarda-chuvas!
Não tinham noção do calor e abafamento por aqui.
E não é que ela veio, mesmo?
Não foram “pancadas”, apenas uns leves tapinhas.
Mas que delícia ver a água e a temperatura caindo
Sensação enorme de bem estar e prazer.
Que continue a noite toda!
Huuummmmmm!
Alda M S Santos

Limões e Laranjas

LIMÕES E LARANJAS
Certa vez um limão, cansado de ser preterido, resolveu mudar. Procurou a amiga laranja e disse:
“Estou cansado de ser como sou. Ouço que sou muito pequeno, verde em excesso, ácido demais. Tenho dificuldades em encontrar a minha metade. Estou só. Quero ser como você, grande, doce, laranja, a preferida por todos!”
A laranja, que sempre admirou o limão, estranhou e disse que gostava dele daquele jeito. Que era perfeito como limão.
Mas o limão insistiu tanto que ela o ensinou como era ser laranja.
Ele fez de tudo, lágrimas ácidas escorriam em sua casca verde, tentou crescer, mudar a cor, ser mais doce. Achou que tinha melhorado um pouco. Todos olhavam para ele.
Um belo dia, na banca de uma feira, um garotinho que sempre adorou limões, quando questionado pela mãe o motivo de não querer levá-lo, ele disse:
“Ah, mamãe, nem tá parecendo muito com limão! Não é nem limão, nem laranja. Gosto de limão de verdade. Vou preferir laranjas hoje”.
O limão ficou arrasado! Tanto esforço para parecer uma caricatura de si mesmo! Nem ele mesmo se gostava mais. Tantos o olhavam por causa do ridículo da situação: um limoranja! Nem sua metade havia encontrado! Limoranjas não existem!
Enxugou suas lágrimas ácidas, retirou aquela maquiagem de laranja, desinchou, lustrou sua casca grossa e muito verde e decidiu ser o que era: um limão!
Logo seus apreciadores voltaram. Até uns fãs da laranja notavam seu valor.
Percebeu que podia ser, como limão, o que quisesse.
Quando queria ser diferente, menos ácido, virava uma limonada.
Se queria ser mais doce, virava uma mousse, um bolo, picolé ou sorvete.
Quando queria ser mais quente, virava uma caipirinha.
E muitos elogiavam seu poder refrescante, capacidade de adaptação a vários itens culinários e vitamina C.
Podia ser o que quisessem dele, mas sem deixar de ser limão.
Mousse, bolo, sorvete, picolé ou caipirinha, a essência do limão era preservada.
Descobriu-se inteiro, amado por muitos, principalmente por si mesmo.
Não demorou, percebeu uma linda “limãozinha” de olho nele! E como era linda, pequena, bochechas verdes! Quando sorria, sumo ácido delicioso saía de si.
Um dia, tomou coragem e se aproximou dela: “tá quente aqui, vamos fazer uma limonada?”
Um tempo depois, uma laranja se aproximou dele e disse: “queria tanto ser como você! Não acho minha metade”!
Ao que o limão respondeu: ” senta aqui, vou te contar uma história”.
Era uma vez um limão que, insatisfeito consigo mesmo, queria ser uma laranja…
Alda M S Santos

Quanto vale?

QUANTO VALE?
Quanto vale um olhar, não apenas um passar de olhos
Mas um olhar demorado e carinhoso
Que atravessa nossa íris e vê o que trazemos por dentro?
Quanto vale uma palavra sincera, amiga, doce, ou mesmo firme?
Quanto vale o silêncio compreensivo na hora certa?
Quanto vale o dar-se as mãos, quentes, seguras,
Que transmitem segurança?
Quanto vale uma mensagem, um telefonema,
Apenas um oi, tudo bem, como vai você?
Quanto vale um pensamento, uma lembrança boa,
Uma saudade, uma oração?
Quanto vale um sorriso largo, com os olhos, com o coração?
Quanto vale um abraço, daqueles que nos tocam o corpo todo
E, sem palavras, nos tocam a alma?
Vale simplesmente a nossa paz.
Essa não encontramos em nós,
Encontramos naqueles que nos são preciosos.
Que possamos todos encontrá-la!
Paz a todos!
Alda M S Santos

Escuridão

ESCURIDÃO
As estrelas brilham mais
Numa noite mais escura
Há benefícios na escuridão!
A luz é benéfica, mas, se forte demais, cega nossos olhos.
Distrai nossa mente,
Impossibilita que a gente enxergue algo próximo e, muitas vezes, óbvio.
Na escuridão, somos obrigados a acionar outros sentidos.
Que possibilitem ver o que precisamos
E que não estão ao alcance dos olhos,
Mas dos sentimentos, da nossa alma.
Na escuridão, um pequeno foco de luz que encontramos no fundo de nós,
Tal qual vagalume no breu da noite,
É valioso e ilumina tudo
Lá fora, ou cá dentro…
Alda M S Santos

Transcendendo

TRANSCENDENDO
Não adianta lindas vestes, belas maquiagens
Calçados de marca, perfumes importados
Cores e brilhos diversos….
Podemos até tentar, mas jamais chegaremos
À perfeição da criação divina
O mais simples de Deus é mais lindo
Que o nosso mais sofisticado!
Se quisermos nos assemelhar a Ele
Tentemos pelo amor…
Pois foi o que de melhor Ele nos ensinou
Nos presenteou com a capacidade de amar…
Quem sabe assim nossa beleza transcenda toda a natureza?
Alda M S Santos

Uma estrela a guiar

UMA ESTRELA A GUIAR

Há 2016 anos uma estrela indicava no céu onde nasceria Aquele que viria para nos ensinar tudo sobre o amor, a bondade, a compaixão, a simplicidade… 

Por amor, morreria por nós. Pedro O negou três vezes. 

Quantas vezes O temos negado desde então? 

Se Jesus Cristo aparecesse em carne e osso nesse Natal, o que teríamos a dizer em nossa defesa?

Tornamos o mundo melhor do que há 2016 anos? 

Há mais amor? Solidariedade?Compaixão?

Teríamos coragem de encará-Lo nos olhos?

Ele pode estar naquela criança faminta, no olhar solitário de um idoso, na mãe que busca conforto numa ajuda qualquer, num pai que chora o que não pode dar aos seus filhos. Um olhar nosso um pouco mais cuidadoso nos fará enxergá-Lo! 

Estejamos atentos! 

Alda M S Santos

Somos multicores

SOMOS MULTICORES

Em cada ser da criação

Muitas são as cores

Inúmeras são as belezas

Na flora, na fauna, nos fenômenos naturais

Deus brinca com as cores, com a diversidade…

E nos ensina que quanto mais misturados formos,

Mais completos e belos seremos…

Só os humanos precisam de um dia de Consciência Negra! 

Se isso é ser racional, prefiro a irracionalidade animal. 

Que, a exemplo do Criador, se divertem brincando com a grande aquarela que temos à nossa disposição…

Alda M S Santos 

Autópsia

AUTÓPSIA

Se pudéssemos acompanhar uma autópsia dos nossos corações, o que veríamos? 

Tudo bem, sei que autópsia se realiza em seres que já morreram.

Mas, e se fizéssemos, se fosse possível? 

Será que haveria diferenças de um coração para o outro? 

Talvez alguns fossem mais moles, maleáveis, daqueles que levaram a vida mais tranquilamente, sem grandes sobressaltos ou estresses, amores leves, pacíficos.

Outros poderiam estar mais firmes, endurecidos, rígidos, de difícil manuseio. Foram se enrijecendo como autodefesa, meio usado para suportar o sofrimento, o desamor, as mágoas e solavancos da vida. 

 A maior parte acredito que se assemelharia a uma colcha de retalhos, pedaços grandes, pequenos, coloridos e disformes, ou a um terreno muitas vezes remexido, um asfalto muitas vezes reparado, uma árvore muitas vezes podada. 

Apresentaria áreas quase intocadas, por receio, finas, frágeis, delicadas, imaturas, sem alegria.

Outras partes estariam endurecidas por cima, capa de proteção, e amolecidas por dentro, cicatrização à força. 

Haveria ainda aquelas áreas estriadas, fortes, porém, flexíveis, que começaram a endurecer, mas seu “dono”, sempre corajoso, insistia no uso, não permitindo a rigidez ou a moleza excessiva. 

Quantas dessas partes tem nossos corações? Façamos essa autópsia em vida! 

Não queremos um coração imaturo, tampouco rígido. Um coração mole parece não ser opcional, ou vem de fábrica ou nada feito. 

Resta-nos o coração colcha de retalhos. Parece bonito, não? Colorido, enfeitado. Cada pedacinho um amor vivido, outro perdido, uma amizade autêntica, outra que se foi, pais, filhos, irmãos, cônjuges, uma vida que passou por nós, que ficou em nós. E que passa mais ligeira que um passo de dança, tão rápida quanto um sorriso.  

Quero que quando minha “autópsia” for realizada de verdade, seja onde for, espero que demore, meu coração tenha muitas lindas histórias para contar.

Alda M S Santos 

Chuva!

CHUVA
Chuva lava as plantas
Lágrimas lavam a alma
Chuva irriga a terra
Lágrimas irrigam o coração
Juntas, chuva e lágrimas,
Geram beleza, vida e recomeços…
Unidas, fazem brilhar Sol e sorrisos,
Em todos os corações dispostos a amar…
E deixam a alma em êxtase.
Alda M S Santos

Ônus e bônus

ÔNUS E BÔNUS

Como ser feliz? Não criar tantas expectativas sobre as coisas, tantos diriam! 

Acho isso tão frustrante!

É o mesmo que dizer a uma criança: se não quiseres esfolar os joelhos, ficar descabelada ou suja, não brinques na rua. 

É certo que não irá se machucar, assim como também não se machucarão aqueles que não criam expectativas, não sonham. 

Mas será esse nosso objetivo nessa vida? Aguardar dentro de casa, preservar-se, não se arriscar, não ir à luta, não sonhar? 

Posso dizer por mim, prefiro as cicatrizes nos joelhos, os cabelos rebeldes e os pés sujos à beleza artificial da criança que assiste as outras brincarem. 

Prefiro o rosto marcado pelas lágrimas, o coração dolorido de saudade, a alma impregnada de emoções à opacidade, nebulosidade e frieza de alguém que não criou expectativas, não sonhou, não lutou, não amou. 

Por medo de sofrer, não se arrisca..

Por medo de se arriscar, sequer vive! 

Se as lágrimas são o preço a se pagar por viver, não fico em dívida, eu pago! E ainda posso ter muitos sorrisos e alegrias de bônus! 

Alda M S Santos

No alvo

NO ALVO
Em nossas vidas, sempre estamos em busca de algum objetivo.
Seja material, pessoal, profissional, espiritual ou amoroso…
Sempre temos um alvo no qual miramos nossas flechas.
Nossa capacidade de atingir as flechas nesse alvo vai depender de fatores diversos. Porém, nossa técnica vai sendo aprimorada ao longo desse esporte chamado vida. E passamos a acertar mais.
Aprendemos a nos posicionar melhor, a manter o equilíbrio, a esticar mais a corda, a manter a concentração e o foco, a calcular a interferência dos ventos, a regular a intensidade e potência dos disparos, dependendo de cada alvo e campo de tiro, a cuidar de nosso arco e flecha. Equipamento danificado não acerta o alvo tão facilmente.
Precisamos, acima de tudo, escolher melhor os alvos que iremos mirar e saber qual flecha usar para cada um.
Importante também é saber que todo o possível se faz antes do lançamento da flecha. Disparada, é torcer e aguardar. Se obtivermos êxito, ótimo. Caso contrário, novas flechas, novos alvos, novas posturas…
O esporte não termina porque uma ou duas flechas erraram o alvo. Talvez ele nem fosse tão interessante assim! E a experiência será válida para a próxima tentativa.
Lembremos disso quando não conseguirmos algo tão sonhado! Abandonar o esporte não é uma opção!
Alda M S Santos

Água, sempre

ÁGUA, SEMPRE

Quem chega primeiro bebe água limpa…

Pode ser, mas isso não quer dizer, necessariamente, que quem chega depois bebe água suja.

Apenas encontrará água em menor quantidade.

Talvez, por isso mesmo, ela seja mais valiosa, mais saborosa, mais seletiva dos seus usuários.

Na vida, não importa se chegamos primeiro ou por último, sempre há tempo.

Sempre há o que desfrutar.

Ela sempre tem algo a nos oferecer…

Basta ter disposição e estar de olhos e coração abertos.

Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO

Hoje, na caminhada de fim de tarde, surge à minha frente um homem alto, forte, de sorriso largo e olhar alegre, assustando-me, e diz: “Eu te conheço! Você foi minha professora de Matemática!”

Logo, veio à minha memória aquele olhar, nunca esqueço um olhar, aquele sorriso, num menino de uns 9/10 anos de idade, de nome diferente, de uns 18 anos atrás…

“Também te conheço, Marcleo! Você está um homem grande e forte, mas o sorriso é o mesmo.”- respondi.

Falou-me de sua vida, do trabalho, do casamento marcado, que gostava das aulas, que sente saudades e que não mudei nada, mas que estou menor. Vejam só!!! Disse a ele que não, que ele é que está bem maior.

Fiquei feliz por encontrá-lo, ver que está bem, visto que teve uma história de vida bem complicada.

Adoro encontrar ex-alunos! Infelizmente a surpresa nem sempre é tão boa com o rumo que deram à própria vida.

Nessas horas sentimos ainda mais forte a influência que temos nas vidas das pessoas. Não somos tudo, óbvio, mas podemos deixar marcas positivas ou negativas. A trajetória escolar é marcante em nossa história, para o bem ou para o mal.

Que possamos sempre estar atentos ao tocar vidas, principalmente aquelas que estão em formação.

Alda M S Santos

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Barreiras emocionais

BARREIRAS EMOCIONAIS
Ao longo de nossas vidas, para nos protegermos dos outros ou de nós mesmos, vamos criando barreiras que cerceiam nossa natureza, nossas emoções, nosso modo de ser.
Alguns de nós mudam tanto que já nem se reconhecem. Somos apenas cópias autenticadas uns dos outros. Originalidade zero. Para agradar a todos, deixamos de ser nós mesmos, nos afastamos de nossa essência.
Existem barreiras e diques que formamos com bases tão fortes, tão resistentes, tão impregnadas que já foram absorvidas, são parte de nossa razão e acabam por estagnar as águas de nossas emoções…
Água parada não tem muita vida. Até parece bela, mas pode putrefar, não se renova, não circula o oxigênio que alimenta a vida que a mantém.
Barreiras e diques são importantes para haver um certo controle emocional, possibilitar nosso crescimento como seres humanos, evitar grandes estragos, mas é preciso manter ativos os vertedouros e abrir um pouco as comportas vez ou outra.
Nossos familiares e amigos mais próximos são essenciais e excelentes vertedouros.
Vamos usá-los! Uma barreira ou dique que se rompe, dependendo do momento, deixa ir embora muita coisa boa.
Alda M S Santos

Quando olho pra você

QUANDO OLHO PRA VOCÊ
Quando olho pra você, enxergo a tristeza além do sorriso de capa de revista.
Quando olho para você, além dos passos trôpegos, caminhar vacilante, enxergo um objetivo, um destino.
Quando olho pra você, enxergo o que a alma diz em silêncio, não apenas o que a boca fala desenfreadamente.
Quando olho pra você, vejo além de um corpo com imperfeições, enxergo um coração que sabe amar.
Quando olho pra você, não vejo apenas um ser humano qualquer, procuro ver uma obra de Deus!
O que vês quando olhas para mim?
Sou apenas uma obra do Criador que busca melhorar a cada dia.
Simplesmente.
Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar “

“SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR”
Quantas vezes na vida nos entristecemos, choramos, lamentamos um amor ofertado e não devidamente recebido, valorizado ou correspondido? Isso nos acontece desde a infância, quando nosso amigo preferido escolhe brincar com outro e ficamos emburrados.
Aprendemos? Não. Apenas aprimoramos o modo de lidar com a dor e a frustração para que não nos derrube.
Disfarçamos, buscamos outros interesses, olhamos para frente, tentamos ignorar aquela angústia lá no fundo de nós e partir para outra.
Por isso tantas pessoas mudam, tornam-se amargas, fechadas, desconfiadas, inseguras, resistentes ao amor e às demonstrações de carinho e afeto. É a autoproteção.
Outras, porém, permanecem do mesmo jeito. Amam, se entregam, demonstram carinho, são sinceras, sensíveis.
Não importa os envolvidos no ato de amar: entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre casal.
Até podem sofrer por um tempo, mas percebem, sabiamente, que quem ama nunca perde. O amor é sublime, soberano, mágico. Quem o sente é privilegiado. Quem não soube receber é que ficou no prejuízo.
Nunca lamentemos por amar! A vida sem amor é vazia e seca. Não tem cor nem brilho. Amor é bumerangue! Amor se autoabastece. Quem não ama não sabe acolher o amor que bate à sua porta.
“Só tem amor quem sabe amar”!
Alda M S Santos

Desejos

DESEJOS
Quero o silêncio, não qualquer silêncio, mas aquele que traz reflexões.
Quero amigos, não colegas, amigos que me ouçam, sorriam e chorem comigo,
Que puxem-me as orelhas, mas que me aceitem como sou.
Quero ser amiga, solidária, pra toda hora, necessária, valorizada.
Quero solidão, propícia e oportuna, que possibilite o crescimento.
Quero companhias alegres, tristes, fortes ou frágeis, mas autênticas.
Quero saudade! Pode até doer um pouquinho, mas que me alegre o coração e me instigue a buscar algo.
Quero trabalho, que eu produza, mas me divirta acima de tudo.
Quero o amor, não qualquer amor, mas aquele que tenha muito carinho, respeito e reciprocidade.
Quero paz! Aquela que vem com o silêncio, a solidão, os amigos, o trabalho, a saudade, o amor e… Deus.
Quero Deus comigo sempre.
Quero e, querendo, eu posso!
Alda M S Santos

Autoboicote

AUTOBOICOTE
Boicotar é sabotar, agir contra, repudiar, impedir de algo, desfavorecer, desacreditar. Não parece bom. E autoboicote? O que seria?
Imaginem fazer tudo isso consigo mesmo!
Considerar-se incapaz de várias coisas, ficar estacionado, não agir é uma delas. Falta de autoconfiança, medo de enfrentar o novo.
Toda vez que surge uma oportunidade de crescimento e, junto dela, a coragem para enfrentar o medo, vem aquele sentimento de derrota para impedir: o autoboicote.
Perde-se um emprego promissor, uma amizade nova, uma viagem espetacular, uma aquisição lucrativa, o amor dos sonhos.
Com isso, a capacidade de confiar no outro também vai embora.
O autoboicote não aparece de uma hora para a outra. Acumulam-se críticas, autocríticas, punições e frustrações que vão nos limitando, nos desacreditando de nós mesmos, mudando nossa essência.
Pode advir de pais repressivos demais, professores severos, críticos e sem ética, amigos cruéis, um namorado infiel, um chefe autoritário.
As críticas vão se acumulando em nós, os fracassos também. E forma-se um círculo vicioso. Quanto mais fracassos, mais autoboicote. Quanto mais autoboicote, mais fracassos.
A autoconfiança atrai sucesso. Sucesso gera mais autoconfiança. Uma pessoa autoconfiante costuma atrair críticas positivas, pois sabe se autopromover. A pessoa que se autosabota perde essa chance. Ao não acreditar em si mesma, não conquista créditos de ninguém.
Algumas vezes aparecem pessoas que se aproximam, passam a conhecer o potencial de quem se autoboicota, tentam ajudar, mostrar do que o outro é capaz.
Assim, começam a sair da casca, a lustrá-la, a brilhar.
Todos temos momentos de autoboicote. Achamos que estamos nos preservando. Mas acabamos por cair na real e ver que estamos apenas tirando oportunidades de crescer e de ser feliz. Algumas vezes é normal, passa. Porém, não podemos deixar que isso tome conta de nós, que se torne patológico.
A cada vez que dermos desculpas demais para nós mesmos para não tentar algo, é hora de perguntar: o que disso tudo é verdadeiro? Não estou me autoboicotando?
Henry Ford dizia: “Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo.”
Isso é o poder da mente sobre nosso corpo, nosso coração, nossas ações.
Nessas horas de autoboicote, o melhor a fazer é conversar com um amigo, alguém que nos ame, que nos jogue para cima. É o primeiro passo. Os outros logo virão.
Alda M S Santos

A quem seguimos?

A QUEM SEGUIMOS?

“Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.” (Mateus, 19-21)

Um senhor, abismado, colocou-nos essa questão: “Jesus ou os que o seguiram deviam ter algo que nenhum de nós tem. Eu não seguiria nenhum homem que me pedisse para largar minha mulher, filhos, vender tudo e o seguir. Sem ao menos me oferecer um emprego, apenas dizendo que teria vida melhor e eterna. Ele devia ser muito bom ou os caras eram tolos. Se Jesus aparecesse hoje seria morto de novo.”

Na hora, respondemos apenas que Ele era o filho de Deus, certamente tinha algo de especial, alguma luz, alguma bondade, que atingia os corações daqueles que Dele se aproximavam. Refletia amor, por isso despertava amor.

Fiquei pensando que poderia ter-lhe dito outras coisas.

Acredito que há muitos de nós que ainda O seguimos. Não no sentido literal, de andar lado a lado. Subir e descer montanhas e pregar.

Não somos tolos, mas abandonamos tudo e O seguimos quando entendemos e agimos de acordo com os ensinamentos que deixou.

Quando demostramos amor pela família e pelos nossos semelhantes, mesmo os que nos desagradam, quando nos dedicamos com afinco ao nosso trabalho, quando estendemos a mão a alguém menos afortunado que nós, quando dizemos não à negatividade de certos sentimentos, quando enxergamos o outro, de verdade, além de nós mesmos.

Acredito que todos nós seguimos algo. Qual o sentimento que nos comanda? O que queremos? O que buscamos? O que fazemos para conseguir? Quem levamos conosco? Quem deixamos para trás?

Ele nos ensinou a maior lição de todas: O AMOR. A Deus, a nós e ao nosso próximo.

Se em nossa vida diária agimos com amor, por amor, pelo amor, conosco e com nossos semelhantes, nós O seguimos.

Ele prometeu voltar. Enquanto não vem, vamos amar e cuidar de toda a beleza de Sua criação, seja ela qual for. E quando Ele chegar, saberemos identificá-Lo.

Alda M S Santos

Precisando ajeitar a casa?

PRECISANDO AJEITAR A CASA?

Precisando ajeitar a casa. Estou notando. Ando meio bagunçada.

Algumas casas conservam-se arrumadas e limpas por um bom tempo. Pouco ou nada para varrer, sem pó para aspirar, cada coisa no seu lugar, banheiro limpo, pia vazia, quintal ensolarado, quartos sempre arejados. Uma geral por semana é o bastante.

Há também aquelas que precisam de limpeza quase diária. Sempre há algo para guardar, organizar, limpar, descartar.

As casas que mais necessitam de faxina são aquelas onde há mais moradores e transeuntes.

Conosco também é assim. Acumulamos muita poeira, muito lixo mental. Coração abarrotado. Deixamos entulhos pelo caminho, emoções espalhadas e desorganizadas. Não nos encontramos, ficamos perdidos, choramos.

Casa vazia ou mal habitada também se suja. Também necessita de faxina. Só assim terá vida e atrairá novos moradores.

Cada um de nós tem seu tempo próprio, sua periodicidade, mas todos nós necessitamos dessa faxina interior. É ela que tornará arejados nossa mente, coração e alma e possibilitará a entrada do novo, da alegria, do viço, do brilho.

Uma limpeza de vez em quando faz bem para a vida.

Alda M S Santos

Frankenstein do amor

FRANKENSTEIN DO AMOR
Temos a tendência a buscar no outro algo que não somos nem nunca seremos: a perfeição.
Quantas vezes olhamos para o outro, tão próximo de nós, e lamentamos seus defeitos, ao menos aos nossos olhos, e desejamos que ele fosse diferente?
Ah, se ele tivesse a beleza do fulano, a simpatia do beltrano, a inteligência do sicrano?
Criticamos seu jeito expansivo de ser ou relaxado de se vestir. Lamentamos que não seja tão educado ou tão culto, ou ainda que não seja tão carinhoso ou apaixonado. Que não tenha bom humor ou sex appeal o bastante, ou mesmo que não seja habilidoso socialmente ou exímio administrador.
Muitos podem ser os defeitos que iremos encontrar no outro. Quanto mais tempo juntos, mais deles notaremos.
Essa nossa tendência em montar alguém ao nosso gosto, nosso Frankenstein amoroso, é perigosa e contraproducente.
Primeiro, porque é impossível de se conseguir. E se conseguirmos, não durará muito tempo.
Segundo, porque seria artificial. Por pior que seja o original, ele é melhor que o artificial. Alguém tão perfeito não existe! Caso existisse, não estaria conosco, a julgar por nossas imperfeições.
Isso não quer dizer que não queiramos “melhorar” um pouquinho o outro, ou melhorarmos para o outro que amamos. Isso é saber se relacionar. Para isso existem os relacionamentos. Para crescermos, sermos mais e melhores, evoluirmos em todos os aspectos: físicos, emocionais, mentais, comportamentais.
O tempo, nesse caso, pode ser benéfico. Aprendemos a aceitar o jeito de ser do outro e a amá-lo apesar disso, ou até por causa disso.
Quando olharmos para o outro com olhar tão crítico, querendo montar nosso Frankenstein, que tal nos perguntarmos se ele também não gostaria de fazer o mesmo conosco? Aceitaríamos?
Penso que quanto mais simples, mais natural, menos montado, mais bonito. A natureza nos mostra isso.
Só para constar, o monstro Frankenstein foi muito infeliz e não fez feliz seu criador.
E viva nossas imperfeições!
Alda M S Santos

Nadando contra a corrente

NADANDO CONTRA A CORRENTE
Nadar contra a corrente pode ser trabalhoso, exigir muito, forçar a resistência. Parece ruim. Mas pode ser benéfico.
Nadar a favor da correnteza é deixar-se levar… Se algo nos agrada ou não, concordamos ou discordamos, somos favoráveis ou desfavoráveis, vamos com a corrente, pacíficos ou indiferentes.
Podemos trombar com troncos enormes, afundar, sair levando galhos e folhas grudados, seguir qualquer curso, perder partes pelo caminho, mas vamos com a correnteza.
Nadar contra a corrente é dizer não, parar, voltar quando nos deparamos com um destino que não desejamos, acessórios que dispensamos, obstáculos que gostaríamos de transpor, companhias que nos desagradam, ainda que todos a acompanhem. Podemos afastar quem não gostaríamos, perder partes, esfolar todo, mas manteremos o essencial.
Nadar a favor da correnteza só é válido se não ferir nossa natureza, caso contrário nadaremos contra nossa corrente interna, nossas emoções, nossa alma.
O que é preciso ter em mente é que esse nado vai sempre causar benefícios e danos, contra ou a favor da correnteza. E aqueles que ferem nossa natureza são os mais difíceis de lidar, pois corremos o risco de nos misturarmos demais e não nos identificarmos mais.
Se parecer fácil demais, pode ser que estejamos a favor da correnteza e contra nós mesmos.
Pensemos nisso!
Alda M S Santos

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