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Desapego

DESAPEGO

Desapego é a palavra de ordem da vez

Tudo é passageiro, nada é nosso

Para que se apegar se tudo ficará?

Desapegue-se!

Se tudo passará, nada levaremos

Apegar-se é machucar-se, é sofrer

Desapegue-se!

Nessa linha seguimos desapegando de modo errado

Conservando o material, jogando fora o emocional

Desapegando do que é fundamental

Estamos descartando facilmente os sentimentos

Fazendo pouco das emoções boas

Superficializando o amor, superando aquilo que é bonito

Desertificando nossa alma

Tornando áridas vidas alheias

Desapegando de boas relações

Desapeguemos, sim, daquilo que nunca levaremos

Daquilo que, material ou emocional, na verdade nunca foi nosso

Mas aquilo que levaremos registrado na alma, com orgulho

Aquilo que deixaremos tatuado nos corações que ficarem…

E justamente por tudo ser tão passageiro

Façamos valer a pena

Apeguemo-nos ao que é bom e nosso de verdade!

Alda M S Santos

Pisa fundo

PISA FUNDO

No volante, vidros abertos, cabelos ao vento

Ela pisa fundo…

Uma música após a outra atiçando a vida

Tocando as emoções superficiais ou profundas

Ela pisa fundo, quer ir longe

Encontrar algo perdido, resgatar alegrias e esperanças

Não quer sumir, não quer ir embora

Quer deixar o que for ruim para trás

Quer, paradoxalmente, um caminho que a traga de volta

Por isso ela pisa fundo…

O movimento, a estrada, o vento, a música, a solidão

Tudo leva a reflexões e pensamentos

Uma solidão consigo mesma não é solidão

É encontro… e dos bons…

Alda M S Santos

Ingratidão

INGRATIDÃO

Sofrer de ingratidão nem sempre é ter esperado retribuição

Sofrer de ingratidão nem sempre é esperar reconhecimento

Não deveria sofrer de ingratidão quem não esperou nada em troca

Quem deu o melhor de si, disponibilizou tempo, carinho e amor gratuito

E percebeu que o outro sequer percebeu isso…

Mas somos humanos e nos ferimos ao receber ingratidão

Daqueles para os quais mais oferecemos, mais nos doamos

Mais nos arriscamos, mais amamos…

Não é preciso dar algo em troca, apenas ser confiável e não ser indiferente ou maldoso

Mas a cada experiência um degrau de aprendizado

A cada tombo ou lágrima uma cicatriz de sobrevivência

E, após processar tudo, saber que, para um coração grande,

Nao há ingratidão que o atinja a ponto de imobilizá-lo

Ao contrário, aprende que fazer o bem sempre o fará maior

Mais rico, mais bondoso, mais amoroso e solidário …

Aprendendo…

Alda M S Santos

Saturando

SATURANDO

A dor nem sempre é aguda como os raios que riscam de prata o céu escuro

A dor nem sempre faz barulho como os trovões que fazem tremer tudo abaixo das nuvens

A dor nem sempre é de devastação pontual e rápida como tornado ou tsunami

A dor, muitas vezes, pode ser crônica, fininha, contínua, persistente

Como a chuvinha silenciosa que cai insistente na terra já saturada

Atinge fundo, vai encharcando pouco a pouco

Com avisos ignorados ela vai pesando, trincando, rachando, devastando

Até que provoca grandes deslizamentos dos morros e encostas mais resistentes…

Quem vigia apenas as grandes tempestades

Acaba sendo atingido, levado pela garoa insistente e persistente

Como as dores crônicas físicas ou emocionais nossas de todo dia…

Alda M S Santos

Em casa, onde quer que seja

EM CASA, ONDE QUER QUE SEJA

No meio do mato, perdida na mata

Ouvindo os sons do silêncio

Em casa, onde quer que seja…

Numa estrada de terra, margeada de buganvílias

Sentindo o cheiro das cores intensas

Em casa, onde quer que seja…

Mergulhada nas águas de um rio gelado

Dependurada de ponta a cabeça numa árvore centenária

Em casa, onde quer que seja…

Numa casinha de pau a pique, numa barraca de lona

Num colchonete sob céu estrelado

Em casa, onde quer que seja…

Debaixo de uma tempestade, sem energia

Ouvindo o tamborilar das gotas insistentes na janela

Em casa, onde quer que seja…

Num jardim florido e colorido, entre abelhas e borboletas

Ouvindo as cigarras agitadas e o “motor”dos beija-flores

Em casa, onde quer que seja…

No deserto, numa região árida e seca, sob sol escaldante

Em busca de um oásis sonhado

Em casa, onde quer que seja…

A sensação de estar em casa em qualquer lugar

Surge quando estamos bem conosco mesmos

Quando acalmamos nossos gritos, fazemos as pazes com nossos silêncios

Nossa verdadeira casa é aquela que carregamos conosco

Como caracóis…

Se essa casa abala alicerces, trinca paredes, desmorona, em qualquer lugar nos sentiremos intrusos

Todos queremos estar sempre

Em casa, onde quer que seja…

Alda M S Santos

Tão difícil

TÃO DIFÍCIL

Tão difícil quanto segurar espirro ou tosse

Tão difícil quanto conter as crises de riso em situações sérias

Tão difícil quanto mexer com água com vontade de fazer xixi

Tão difícil quanto não dormir deitado diante da TV

Tão difícil quanto manter-se aprumado na ventania

Tão difícil quanto parar qualquer avalanche iniciada

É segurar lágrimas de tristeza, emoção, raiva, mágoa ou decepção

Aquelas que não se quer verter…

Tenta-se distrair a mente, focar noutra coisa, evitar autopiedade

Respirar fundo, contar até 100

E torcer para ninguém, mas ninguém mesmo, notar ou perguntar nada

Qualquer palavra ou olhar doce

Um carinho ou cuidado, qualquer atitude pode trincar a estrutura montada

Romper comportas e ativar uma torrencial tempestade de lágrimas contidas

E acabar por inundar tudo…

Tão difícil!

Alda M S Santos

Fascinação

FASCINAÇÃO

Sou fascinada pelas alturas: árvores, montanhas, serras, picos

Com sol, chuva, calor ou frio, seja qual for o tempo

Sou atraída para a escalada…

Adoro subir, alçar voo, estar no cume

Mas a verdade verdadeira é que tenho muito medo de altura

Porém, o encanto e desejo de superação são maiores

E chegar lá em cima, ter a maravilhosa visão do alto

A quase sempre refrescante brisa ou ventania bagunceira

O olhar “de fora” para o mundo lá embaixo

Nos conecta mais rápido e facilmente com nosso mundo interior

O afastamento físico dos outros nos faz mais próximos de nós mesmos

Nos faz ver mais facilmente o que nos incomoda, alegra ou machuca

O que vale a pena conservar, valorizar e o que precisa mudar

Tudo passa a ser visto sob nova perspectiva

Entendemos o quanto tudo pode ser minimizado ou maximizado dentro de nós

Diante da grandiosidade do que vislumbramos nesse distanciamento e vemos de lá…

Alda M S Santos

Flexível

FLEXÍVEL

Mais do que dobrar e estender

Mais do que torcer e se retorcer

Esticar e encolher, tensionar e relaxar

Fortalecer e flexibilizar

Nervos, coluna, músculos e articulações

É preciso fortalecer nosso emocional, nossos sentimentos

Flexibilizar opiniões mantendo o respeito conosco e com o outro

É mais importante para a saúde física e emocional

Que ter músculos e articulações fortes

Ter uma alma e mente flexíveis não é ser fraco

É ter sabedoria o bastante, é ter uma alma tão especial

A ponto de respeitar uma alma diferente da sua

Isso é ser flexível! Isso é ser gente!

Alda M S Santos

Matemática aplicada

MATEMÁTICA APLICADA

Não dá para encontrar resultados diferentes

Para qualquer incógnita, de qualquer problema

Se não mudarmos as variáveis.

Nas equações da vida obteremos os mesmos valores

Positivos, negativos, inteiros ou fracionários

Até mesmo zero, neutro, nulo

Se não adicionarmos um elemento diferente.

Ou mudamos as equações, os problemas,

Ou mudamos o modo de resolvê-los.

A razão, a lógica, podem ser elementos adicionais importantes, ou não

Nas equações que envolvem emoção nossas e dos outros.

Não dá para adicionar qualquer número, fazer qualquer operação

Quando há vidas em risco.

Matemática aplicada à vida!

Até quem é inapto com números entende essa lógica…

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

Acumuladores de emoções

ACUMULADORES DE EMOÇÕES

Uma caixa enorme com várias caixas menores dentro

Cada qual com algo precioso, único, especial

Que não pode ser descartado

Lembranças de uma época: livros, poemas, mensagens

Souvenirs, rosas secas, fotografias, cartões

Por mais que se arrume ou se ajeite

Muito pouco é descartado, e com pesar

Quase tudo volta para as caixas, para as malas, para os porta-trecos

Talvez um pouco mais organizado em suas prateleiras

Por ordem de importância, necessidade ou prioridade

O “interior” dos acumuladores de emoções é assim

Caixas e mais caixas, gavetas e mais gavetas

Um verdadeiro relicário que só eles entendem

O real valor de cada “peça” tão preciosa

Todo cuidado é pouco, pois são relíquias frágeis e interligadas

Uma que é remexida ou retirada gera efeito cascata

Bagunça e inunda toda a “organização” emocional presa por um fio

E pode afogar-se ou afogar a todos…

Alda M S Santos

Sou eu?

SOU EU?

Os caminhos parecem mais longos e estreitos

Ou sou eu que mudei o modo de caminhar?

As pessoas parecem mais perdidas e carentes

Ou sou eu que mudei o ângulo do olhar?

Há menos perspectiva, menos esperança e mais decepções

Ou sou eu que fiquei mais criteriosa?

Os outros estão mais individualistas e indignos de confiança

Ou sou eu que deixei de ser tão crédula?

Há mais fugas que coragem e persistência

Ou sou eu que ando mais amedrontada?

Há mais barulho e alvoroço que felicidade real

Ou sou eu que tenho tido apreço por silêncios verdadeiros?

Há mais alegria comprada, “roubada”, ilegal, finita

Ou sou eu que prefiro alegrias conquistadas por direito, gratuitas?

Há mais sorrisos fabricados e palavras sem sentido

Ou sou eu que estou mais sensível?

Há mais estradas percorridas e menos caminhos a percorrer

Ou sou eu que estacionei em algum momento?

Está mesmo tudo muito mudado

Ou fui eu que mudei e nem vi?

Alda M S Santos

Na cama, na grama ou na lama…

NA CAMA, NA GRAMA OU NA LAMA…

Na cama nos deitamos, relaxamos, dormimos, descansamos, sonhamos

Na cama também sofremos de insônia, reviramos para lá e para cá

Temos pesadelos, medos, traumas, choramos

Na cama amamos, nos amamos ou odiamos, fazemos amor

Na cama ficamos doentes, convalescentes, imóveis, em repouso, entregues

Não há lugar bom ou ruim por si só

Há pessoas em paz que tornam bons todos os lugares que vão

Seja na cama, na grama ou na lama…

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

Que fazemos com nossos lixos?

QUE FAZEMOS COM NOSSOS LIXOS?

Cuidar do meio ambiente é também cuidar de nossos lixos: tóxicos ou não

Que temos feito com nossos lixos?

Jogamos nas águas rasas humanas, contaminando o ambiente alheio?

Enterramos em nós mesmos, bem fundo, contaminando nossos lençóis freáticos?

Reciclamos, transformando dor em pérolas, o nocivo em algo útil para nós e para todos?

Bom lembrar que todo lixo que jogamos “fora” circula e volta para nós

Produzir menos lixo, menos sentimento tóxico é importante

Mas saber transformar o lixo produzido em arte é fundamental

Reciclar os cacos de vidro cortantes que recebemos dos outros

Transformando-os em amor é habilidade especial

É um modo de preservar nosso meio ambiente

É uma maneira de conservar nossa alma viva!

Que você tem feito com seus lixos?

Alda M S Santos

Miragem

MIRAGEM

Como sonâmbulo, você andava num espaço bonito, porém frio e nebuloso

Passava por muita gente e não enxergava ninguém

Alguns lhe estendiam as mãos, sorriam, cumprimentavam

Outros nem te percebiam ou pareciam bravos contigo

Você não via, parecia ter outro objetivo

Olhos sem brilho, “adormecido”, opacos

Mas seguia…sem parar para nada

Eu observava de longe, encolhida num canto, chorosa

Você chegou até mim, os olhos brilharam, acordaram

Estendeu-me as mãos, levantou-me do chão

Pediu desculpas, chorou, me abraçou demoradamente

“Eu sempre te amei… sempre”-afirmou muitas vezes

E sumiu numa nuvem de fumaça

Como miragem…desapareceu…

Sentei-me novamente no canto

Você voltou para a vida

Eu continuei ali de onde não poderia sair…

Um sonho perturbador!

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

Ao pó voltarás

AO PÓ VOLTARÁS

“Do pó viestes, ao pó voltarás”

No intervalo, vamos nos divertindo, gerando vida

Arando a terra ora dura , ora macia de nossos corações

Semeando o amor, plantando flor, ressecando dor

Com pés no chão, na terra

Mas sem abrir mão das asas

Flutuando entre nuvens brancas ou cinzentas

Escolhendo caminhos menos tortuosos

Regando, adubando, colhendo

Espalhando mudas e sementes

Do pó viestes semente

Ao pó voltarás flor…

Alda M S Santos

Expressões

EXPRESSÕES

Há tantas formas de expressão: físicas, mentais, emocionais

E tão pouco entendimento entre as pessoas

Não entendemos o outro e menos ainda nos fazemos entender

Acostumados a selecionar o que mostramos

A esconder emoções que causariam algum malefício

Ou que passariam recibo de fragilidade ou seriam “vergonhosas”

Vamos nos sufocando com nossas emoções…

Um olhar úmido, palavras engasgadas, peito apertado, angústias e medos

Mas o sorriso precisa prevalecer, pedir ajuda é ser fraco

Reclamar é só para ouvir histórias de situações piores, lições de moral

Num mundo em que o certo é se dar bem,

Sacudir a poeira, mesmo que ela cegue a nós mesmos e aos outros

Ser autossuficiente e não depender de ninguém

Fazer a “fila andar” e não perder tempo com “mimimi”

Não dá pra ser zebra frágil num mundo de leões ferozes

Assim, as doenças vão tomando conta e estão aí: pânico,depressão, dependências químicas, transtornos diversos…

Queremos poder chorar, gritar, sorrir, reclamar, ser humanos

Até mesmo silenciar se for nossa vontade

Estar sozinhos por opção e não por falta de um irmão, de um coração

Precisamos nos expressar e nos fazer entender

Antes que não haja mais opção!

Alda M S Santos

Quando…

QUANDO…

Quando alguém chegar, bater à sua porta, peça para se identificar

Exija um crachá, um cartão, um uniforme, um ingresso, um convite, uma credencial

Isso previne que você abra o portão para um ladrão

Além do documento oficial que pouco diz

Observe atentamente o olhar, que muito expressa, a “bagagem” que carrega nas costas

As expressões faciais que traduzem o que vai dentro

Deixe entrar no quintal, na varanda, aos poucos, ou dispense

Mas antes de adentrar sua casa você precisa saber:

Quem é esse alguém que se apresenta e chega assim tão perto?

Qual seu histórico de vida, seu Curriculum Vitae pessoal?

Que pode trazer de verdadeiramente bom para sua vida,

Que você pode contribuir para a vida dele?

Aceite a interação, ajude, permita-se ser ajudado

Mas, evite danos, seja guardião de seus tesouros

Internos e externos…

Independente da “casa” que possua!

“Na sociedade há muitas pessoas que colocam trancas nas portas,

Mas não têm proteção emocional”. (Augusto Cury)

Alda M S Santos

Paixão não se discute

PAIXÃO NÃO SE DISCUTE

Diz a sabedoria popular que três coisas não se discute:

Futebol, política e religião

E é muito fácil descobrir o porquê

A preferência por determinado time de futebol, política ou religião

Foge a qualquer razão, envolve mais alma, coração

Quem se mete a discutir quer explicar o inexplicável

Percebe logo que o outro, tão diferente ou até parecido conosco, pode não ter a mesma paixão

Não faz diferença o gênero, classe social, se é mais culto, inteligente, simples, vivido ou não

Para defendê-la, quase todos se perdem nas trilhas confusas e irritadiças da emoção

Não dá para mensurar aquilo que envolve coração

Não dá para discutir racionalmente o que não se baseia na razão

O melhor jeito de bem conviver é dar ao outro o que reivindicamos para nós

Respeito por nossas escolhas, nossos gostos, nossas paixões

Que ofereçamos a eles o mesmo direito ao silêncio, ao grito, à voz

O mesmo direito de manter-se firme, ou não, em suas paixões

Com o que trazem de único a cada um de nós: satisfações ou desilusões…

A paixão pode e até deve ser diferente, mas o respeito precisa ser equânime…

Alda M S Santos

Atrofiados

ATROFIADOS

Tudo aquilo que não usamos atrofia, enferruja, torna-se obsoleto, perde a utilidade, a validade, o brilho

O mesmo vale para objetos, eletrônicos, máquinas, alimentos, músculos, cérebro, sentimentos, emoções …

Não usar uma máquina, um veículo não os preserva

Não ingerir um alimento não o conserva ou eterniza

Não trabalhar músculos faz com que se atrofiem, percam tônus

A utilização é que faz correr o óleo, o sangue, o oxigênio, o fluido da vida…

Motor em uso mantém a máquina ativa

Sentimentos e emoções são o óleo, o fluido vital que gira o motor da vida

Coração partido tem mais vida que coração intacto, atrofiado por falta de uso…

Alda M S Santos

Represas

REPRESAS

Tantas comportas mantemos represando nossas emoções

Umas já frágeis, turvas, envergadas, machucadas, embaçadas

Na vã tentativa de manter tudo sob controle, aguentamos as pressões

Força de momentos vividos, ou não, causando danos, paredes finas, trincadas

Necessária se faz válvula de escape constante para manter a vazão

Quanto mais cheias nossas represas, mais impactantes serão os danos numa ruptura, mais destruirão nossa fé

É preciso aliviar a pressão, chorar, rezar, gritar, evitar a iminente explosão

Buscar uma vazante qualquer, individual, pessoal, que mantenha nossas barragens intactas, que nos mantenha de pé…

Alda M S Santos

Ladrões

LADRÕES

Vivemos nos escondendo, de ladrões nos protegendo

Dos mais variados tipos, a nos levar muito além de bens materiais

Nos trancamos em casa, tetra-chaves, senhas, alarmes, cercados de segurança eletrônica

Mas deixamos nosso coração e emoções desprotegidos

Ignoramos as senhas violadas, blindagem rompida, alarmes a soar

“Ladrões” se disfarçam, chegam sem percebermos

Mudam trajes, modos, invadem, arrombam com luva de pelica

Ou usam as chaves que nós mesmos oferecemos

Nem sempre totalmente negativos, oferecem algo que precisamos em troca

Atendem a algumas carências ou necessidades

Mas levam bem mais do que deixam

Um carro, casa ou celular roubado substitui-se

A saúde física, emocional e mental, a paz, a tranquilidade familiar, a vida

Não se recupera tão facilmente…

Cuidar de nossa emoção é valorizar a vida!

Alda M S Santos

A última carta

A ÚLTIMA CARTA

Lembra-se do que escreveu naquela última carta

Sem saber que seria a última?

Lembra-se daquele abraço, daquele sorriso

Sem ter consciência que não haveria outros?

Lembra-se de um simples tchau, um até mais, sem saber que eram um adeus?

Lembra-se das gargalhadas perdidas, brigas tolas

Sem considerar que poderia se arrepender, sentir tanta falta?

Se não houver mais chance

Dizemos o que queríamos ao escrever,

Abraçar, sorrir, brigar, nos despedir, amar?

A marca derradeira foi a que gostaríamos de ter deixado?

A memória pode falhar, o outro faltar, empecilhos mil surgirem

A vida se esvair como fumaça no céu

Quantos “últimos” e saudosos momentos temos vivido?

Haverá tempo de reviver alguma coisa?

Oportunidade para uma última carta?

Bom mesmo seria não esperar pela última carta

Mas sempre “escrever” como se fosse a última…

Alda M S Santos

Por favor

POR FAVOR!

Oito degraus, quatro pedidos

“Favor não sentar nos degraus”

Degraus vazios, nenhum atrevido

Por favor!

Deveríamos colocar alertas desse tipo em nós mesmos

Nos caminhos, os “degraus” que percorremos todos os dias

Favor não pegar essa trilha

Volte, esse caminho é sem saída!

Por favor!

Cuidado, você conhece o poder dos outros e suas fraquezas!

Ajude, mas cuide de si mesmo!

Por favor!

Não compre o que você não pode pagar!

Não leve o que não dá conta de carregar!

Não repouse seus pés em terrenos desconhecidos!

Não sente em bancos cheios que não garantem segurança ou firmeza!

Por favor!

Se em cada nosso degrau tivesse um aviso desses

Os tombos seriam menores, menos frequentes, menos fatais…

Alda M S Santos

A culpa é minha

A CULPA É MINHA

Estava numa dimensão intermediária entre a terra e o céu

À beira de um abismo, via que ele sofria do outro lado, prestes a cair

Tentava alertá-lo, gritava “te amo”, pedia para sair de lá, para não se arriscar

Encolhido, olhos opacos, distantes, não parecia me ouvir

Chorei, implorei que o salvassem, que trouxessem para mim, tirassem dele a dor que o torturava

Ouvi uma voz firme me dizendo: “ele pode cair, mas voltará mais forte”

“Transfiram para mim o que o machuca, a culpa é minha”- eu pedia chorando

A resposta veio logo “não, ele escolheu, ele quis viver, aprenderá”

“Mas sou mais experiente, podia ter impedido, alertado”

“Não é mais experiente, tudo isso é novo e perigoso para ambos, afaste-se daí”

Eu estava tão à beira do abismo quanto ele

Mas a queda dele era mais assustadora para mim que a minha

Abaixei, em prantos, rezei por ele, quando não mais o vi…

Acordei chorando, mas amedrontada e com fé, continuei as orações…

Alda M S Santos

Enxurrada

ENXURRADA

Desce os morros, nos cantos, a princípio

Espalha-se pela rua toda, clara em alguns pontos

Muita água corre nessa enxurrada

Está tão suja, barrenta!

Veio lavando muita sujeira pelo caminho

Ainda assim, parece convidativa

Uma enxurrada, ou desperta a criança em nós,

Desejo de andar naquelas águas, molhar-se, molhar o outro, dar gargalhadas

Ou desperta um adulto frustrado e triste, resmungão

Daqueles que têm medo e nojo de tudo, amargurados

Sob o risco de contaminação por uma doença qualquer

Ainda prefiro ser o adulto/criança que brinca na enxurrada

A ser aquele adulto que já matou a criança em si

E sofre de uma outra patologia mais grave: o medo de viver…

Alda M S Santos

Caminhos da alma

CAMINHOS DA ALMA

Os caminhos de nossa alma são abertos devagarzinho

Uma gentileza aqui, um cuidado ali, um sorriso, um abraço, uma atenção mais à frente

Trilhas, esquinas, curvas, recônditos secretos, o prazer de um balancinho

Neles transitamos, claro ou escuro, sorrindo ou chorando, diariamente

Só é capaz de neles trafegar quem os ajudou a construir

Ainda que involuntariamente, sem perceber, sem desejar

E, uma vez conhecido o caminho, mesmo sem o possuir

Será sempre alguém capaz de ali fazer a luz se acender ou se apagar…

Alma possui caminhos com vias só de entrada…

Alda M S Santos

Ninhos vazios?

NINHOS VAZIOS?

Um ninho vazio, aparentemente um emaranhado, muito bem tecido

Fios, fiapos, pequenas linhas e folhas, galhos, tudo bem escolhido

Montado com o máximo capricho e cuidado

Amor e proteção em cada mínimo detalhe

Para realizar desejos, receber bênçãos, dar vida ao que foi sonhado

Há pouco eram só penugem, fome, pios, bicos abertos

Carinho ao alcance das mãos, ou melhor, dos bicos famintos

E logo se transformaram em penas, força, canto, asas, voo

Inseguro, a princípio, raso, baixo, assustado

Seguido de força, coragem, beleza e encanto

Proporcionando muito orgulho àqueles que no ninho ficaram

E, paradoxalmente, uma alegria salpicada de tristeza, de saudade

O amor tem o dom de alimentar quem trata de alimentar o outro

E o alimento parece faltar a quem não tem mais os alimentandos

Aquele ninho não é mais útil, não os cabe mais

Não para a mesma finalidade, ficou apertado para o tamanho de suas asas

O alimento dali já não é nutritivo o bastante

Mas quem aprendeu a se alimentar nesse bico

Quem cultivou o amor no pulsar desse coração

Quem ali desenvolveu os músculos das asas e alçou o primeiro voo

Não se esquece…

E se lembrará quando novo ninho for tecer

Com o mesmo amor e cuidado

Vida e amor se renovam

E mantêm os ninhos sempre cheios…

Alda M S Santos

Sobras de um amor

SOBRAS DE UM AMOR

Pequenos pedaços de fotos queimadas

Um sorriso numa, um beijo noutra, abraços rasgados ao meio

Partes de uma paisagem linda

Porta-retratos quebrados, cartões de aniversário amassados

Souvenirs, uma pulseira com o símbolo do infinito

CDs de músicas, filmes, poemas, vidros de perfume,

Entre as cinzas de uma fogueira, partes de uma história

Tentativa vã de apagar o amor vivido queimando símbolos

Ao rasgar, queimar, destruir as “provas” do vivido

Espera-se esfriar o que queima e machuca por dentro

Um modo de dizer: fim, acabou

Logo percebe-se que o que ocupou 100% de seus dias

Não se finda numa fogueira, não vira cinzas tão facilmente

Enquanto não se fizer as pazes consigo mesmo, com sua história

Aquela que está registrada nos corações, na alma

Permanecerá em fogo brando

Ainda que tudo tenha sido queimado lá fora…

Alda M S Santos

O amor é autoexplicativo

O AMOR É AUTOEXPLICATIVO

O amor, se verdadeiro, ensina sempre, se autoexplica

Ensina a leveza, mesmo sob pressão

A sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos

A abrir mão, a proteger, a querer o bem do outro

Amor que é amor não se impõe, não invade espaço alheio

Não consegue se esconder,

Não tem necessidade de se esconder

Brilha, irradia, ilumina tudo

Nada exige, ao contrário, se doa, sem medidas

Democrático, contempla a todos,

Independente de raça, credo, sexo, espécie ou qualquer coisa…

Amor nasce em ambientes inóspitos, floresce,

Se bem cuidado nos faz crescer como pessoas

Amor constrói pontes, derruba muros, cria asas

Não se firma ou cresce sob bases frágeis ou falsas, confia

Pode quase tudo, mas não faz propaganda enganosa

Não precisa de autopromoção, aceita o outro como ele é

Não faz promessas vazias,

Amor supera obstáculos, encontra caminhos, abre trilhas

Amor constrói famílias, une pessoas, nunca destrói, renasce das cinzas

Amor traz bem estar, nunca culpas, não se envergonha

Se machuca muito, se machuca o outro

Ou se depende de derrubar quem quer que seja,

Certamente está distorcido.

Amor que é amor está firmado em bases fortes e duradouras

Naquelas que Ele, o mestre do amor, nos ensinou…

Alda M S Santos

Nos braços do Juquinha

NOS BRAÇOS DO JUQUINHA

Onde ele viveu, como ele viveu

Cercado das serras de Minas

Na Serra do Cipó, grande atração eternizada numa estátua

Parada obrigatória para se maravilhar com a vista

Saborear um frango com quiabo ou tropeiro numa taberna

E estar nos braços do Juquinha

Aquele que, gentil, entregava flores às moças

Andarilho, amante da natureza, apegado às montanhas

Que, uma vez morto, voltou e viveu mais um pouco, cataléptico,

Maravilhosas estradas de Minas,

Onde hoje, José Patrício, o Juquinha, tornou-se lenda…

Alda M S Santos

Um amor e uma cabana?

UM AMOR E UMA CABANA?

Com amor basta uma cabana!

Uma cabana torna-se palacete

Quando há nos olhos o filtro dos bons sentimentos

No teto há estrelas, no chão há “pedrinhas de brilhantes”

Um palacete torna-se uma prisão de ouro

Se nos corações não há alegria

Se a alma não reflete o amor

Há cabanas e cabanas, palacetes e palacetes

Mas, cabanas e palacetes à parte

O que torna verdadeiramente valioso um lugar

São as companhias que carregamos conosco

Aquelas que fazem parte de nós,

Que “são” verdadeiramente da gente, que gostam de ser da gente

E trazemos conosco e nos levam com elas

Na mente, na alma, no coração…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Mar ou Rio?

MAR OU RIO?

Mar ou Rio, Rio ou Mar?

Água salgada, água doce

Onde a vida nasce, acontece…

Extensão de natureza até onde a vida alcança

Delícias que convidam ao mergulho

Mergulho nas águas, mergulho nos sentimentos

Mergulho em nós mesmos…

E eles se encontram, rio e mar

Nós nos encontramos…

Rio ou Mar?

Tanto faz! De preferência, que eu esteja lá…

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Não é pressa, é saudade!

NÃO É PRESSA, É SAUDADE!

Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas

Saudade que embaça o para-brisas, o olhar

Saudade que gera velocidade, imprudência

De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol

Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco

Saudade que visa apenas satisfazer-se

Saudade que, na (preça), fere o Português

Saudade que ignora castas ou classes

Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias

Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,

Se satisfaz num abraço, num colo quentinho

Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,

Até começar tudo de novo, nas lembranças…

Alda M S Santos

Sobre o amor

SOBRE O AMOR

De tudo deduzimos três pontos irrefutáveis sobre o amor:

A certeza de que ele sempre vale a pena

A clareza de que ele faz brotar forças inimagináveis em cada ser

A consciência de que ele, se verdadeiro, nunca morre, nunca mesmo, apenas adapta-se ao ambiente…

Alda M S Santos

Estação das Águas

ESTAÇÃO DAS ÁGUAS

Não sei se é da época, das pessoas

Ou do que está mesmo dentro da gente

Uma palavra ríspida qualquer

Um mero descaso, pouco caso, mágoa

Até mesmo um gesto de carinho e cuidado

Sensibilizam, fragilizam, geram lágrimas…

Espírito de Natal, espírito próprio?

Sei lá!

Estação das águas….

Alda M S Santos

O que os olhos não veem

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM

O que os olhos não veem

O coração imagina

E, dependendo do teor,

Sofre e chora

Ou se alegra e sorri…

Alda M S Santos

Natal e Saudades

NATAL E SAUDADES

Percebemos que os filhos cresceram

Quando montamos sozinha nossa árvore de Natal

Ninguém cobrando, quebrando bolinhas, se encantando com o pisca

Fazendo a cartinha para o Papai Noel, contando os dias para o Natal…

Percebemos que o tempo passou quando

Não estamos mais respondendo como o Noel consegue atender a todos

Ou por onde passa quando não há chaminé

Ou se vai de avião quando não há trenós

Buscamos outras respostas, agora a nós mesmos:

Onde o tempo ficou, por que passou sem a gente perceber?

A mente passa da infância dos filhos para a própria infância…

Saudades imensas!

Volta para o ano que passou, revive tudo

Tanta coisa digna de sorrisos, lágrimas, superação, saudades…

Nota a presença de Deus em tudo, em cada detalhe

Não precisa de árvores, luzes ou enfeites

A luz está dentro de si, essa que precisa estar acesa!

Mas a árvore está quase pronta, seca as lágrimas…

Sempre amou essa época, alegra-se

Jesus vai nascer!

Que seja no coração de cada um de nós!

Feliz Natal!

Alda M S Santos

Verdade ou mentira?

VERDADE OU MENTIRA?

Tantas verdades inquestionáveis

Que passamos a colocar em xeque!

Será que tudo não passou de uma mentira?

Tantas mentiras que elevamos ao patamar das verdades!

Será que avaliamos bem?

Verdade ou mentira?

Dizem que a verdade é apenas uma,

E que as mentiras são muitas…

Verdades também podem ser várias,

Se forem avaliadas sob o prisma dos pontos de vista, das opiniões, dos sentimentos

Esses são flexíveis, regridem, mudam ou evoluem.

Assim, cada qual tem sua verdade…

Verdade ou mentira?

Nesse vai e vem o que era verdade torna-se mentira

O que era mentira vira verdade

Independente das nossas vontades

Ou até mesmo por nossos desejos ou amadurecimento.

Verdade ou mentira?

Quisera podermos escolher, sem qualquer dano, o que doesse menos!

Alda M S Santos

Tanto faz!

TANTO FAZ!

Tanto faz se é dia ou se é noite, se faz chuva ou se faz sol

Se as horas correm ou se arrastam-se

Tanto faz se rimos ou se choramos

Se o outro nos machuca ou nos faz bem

Tanto faz se ontem foi bom, se hoje não é

Ou se o amanhã é pura incerteza

Tanto faz se exercitamos o amor no outro ou se o guardamos apenas em nós

Tanto faz como tanto fez!

Modo estranho de viver,

Se esse “tanto faz” se aliar à indiferença e descaso…

À ausência de tesão pela vida!

Ideal seria se o tanto faz se devesse sempre ao prazer de viver

Independente do externo

Pois o que é bom e nos mantém vivos de verdade

Brota de dentro de nós como flores em dias de chuva…

Como o amor que não carece de nada

Apenas de existir para já fazer o bem…

Alda M S Santos

Pontos, laços e nós

PONTOS, LAÇOS E NÓS

Entre tantos esforços para se entender

Antever, planejar o futuro ou sofrer por ele

Ficamos perdidos no presente que é onde tudo acontece

Numa simples voltinha ao passado fazemos conexões

Só permitidas e compreendidas pós-vivido

Pontos são ligados, laços refeitos, nós desfeitos

E a trama do presente torna-se mais bonita

Consequentemente, a do futuro deixa de importar tanto

Aprendemos a ir desfazendo ou evitando novos nós…

Nosso viver é um constante ir e vir, retornar e prosseguir

Na vida não há estacionamentos, apenas vias de tráfego

E a velocidade, o veículo e a via somos nós que escolhemos

Mesmo quando parecemos estar apenas estacionados.

Conhecemos a via que deixamos para trás, a que transitamos

Mas o que tem lá na frente, nem teria graça se soubéssemos,

Pois a única certeza é que ela chega ao fim!

Alda M S Santos

Neblina

NEBLINA

Neblina: parece que o mundo sinaliza para a introspecção

Lá fora está tudo fechado e escuro

“Volte para dentro de si, encontre-se”!

“A luz que precisa acende-se primeiro em você”!

Olhamos lá fora, tentamos identificar algo

Mas nada tem nitidez, tudo é sombra

As flores gostam, abrem-se viçosas para o dia

Os passarinhos não se importam

Cantam, felizes! Têm luz própria!

Alguns de nós voltam para dentro e se encasulam

Outros, descem as escadas e enfrentam a neblina

“Neblina na serra, chuva na terra”

“Neblina baixa, sol que racha”

Independente da hora que for, sol ou chuva

A vida não espera por ninguém…

Alda M S Santos

Ela é…

ELA É…

Ela é … uma criança levada

Que brinca nos jardins, que sobe nas árvores

Que se esconde nos lugares mais óbvios

Ela é … um beija-flor que suga o néctar

E repousa suave, num minúsculo galho

A tudo observar, leve como uma pluma

Confiante em suas próprias asas

Ela é … uma mãe que acolhe seu filho

Que limpa a ferida, que a cura com beijinhos

Ela é … um casal apaixonado

Que mergulha num rio gelado

Que se aquece no calor de um abraço

Ela é … a tranquilidade que acomete a velhice

Cujo tempo não se mede mais em relógios

Onde a vida acontece em meio à saudade

Junto às lembranças que, como ela,

Se fazem vida…

Ela é a Poesia, que não se esconde,

Mas, ainda assim, poucos a encontram…

Alda M S Santos

Constelação

CONSTELAÇÃO

Tudo ainda parecia muito real dentro dela

Deitada na rede lá fora, encolhida, rosto banhado em lágrimas

Rezava, tomava um copo d’água e tentava afastar aquilo da mente

Pesadelos não são reais, repetia para si mesma sem parar

São apenas sua mente tentando trabalhar o que te faz mal, insistia ela

Na tentativa de neutralizar aquela imagem ruim.

Sabia que precisaria de tempo para voltar à realidade

Entender que pessoas que a amavam não seriam capazes daquilo.

Tentava identificar as constelações no céu

Eram tantas e tantas estrelas…

E como quando criança, queria acreditar que uma delas, apenas uma

Era alguém querido que lá de cima olhava por ela

E a protegia de todo mal.

Aos poucos ia se acalmando, despedia daquela estrela

Que de repente parecia brilhar mais que todas,

E voltava para dentro para dormir…

Alda M S Santos

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