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Deus

ECC: o terceiro elemento

ECC: O TERCEIRO ELEMENTO

Não é para passar receitas, tampouco trocar figurinhas

É para possibilitar um retiro para dentro de si, para dentro do outro

É permitir reflexões, orações, um espaço para o casal

É dar-se tempo para reavaliações individuais, aos pares

É poder se colocar no lugar do parceiro

É buscar o que muitas vezes está perdido dentro de si

Em meio às tempestades do dia a dia

É, acima de tudo, abrir espaço para enxergar o terceiro elemento essencial numa relação: Jesus Cristo

Esse é o Encontro de Casais com Cristo

Que Ele esteja conosco!

Alda M S Santos

Quebra-cabeça

QUEBRA-CABEÇA

Imagino que Deus tenha diante de si um quebra-cabeças gigante

Daqueles de milhares e milhares de peças

De todas as cores, tamanhos e formatos

Que Ele vai escolhendo uma a uma, montando, encaixando com amor e cuidado junto conosco

Respeitando nossas decisões e escolhas…

Sabendo do que realmente precisamos

Ele encaixa peças importantes, disponibiliza outras, retira umas completamente fora de contexto

E nós daqui tentando encaixar o que não cabe, bagunçando tudo

Entortando peças, inutilizando umas, estragando outras

Quando nosso quebra-cabeças estiver difícil de montar

Paremos um pouco, aguardemos, respiremos fundo

Melhor colocá-lo sobre a mesa e esperar

Deixar espaço para enxergar as peças que Ele tira e coloca à nossa disposição

Ele tem a visão geral de interdependência que nós não temos

Ele sabe a peça que nos falta, a que sobra

As peças que não são do nosso tabuleiro

Que nunca se encaixarão, são de outro quebra-cabeças

Às vezes o agir consiste em parar e esperar

Aguardar a peça faltosa, abrir mão daquela que está torta

Isso é sabedoria e maturidade!

Alda M S Santos

Só tem amor quem sabe amar

SÓ TEM AMOR QUEM SABE AMAR

Missão dada, missão cumprida

Mais um ano de Encontro de Jovens com Cristo-EJC

Emoção e busca por um caminho de amor e paz, de Jesus, de Deus

Que o amor do Pai sentido tão de perto possa nos guiar sempre!

“Só tem amor quem sabe amar”…

Alda M S Santos

A IGREJA QUE SOMOS

A IGREJA QUE SOMOS

Igreja não se faz sozinha

Igreja não é só templo de pedra

A igreja não são eles, não são os outros

A igreja que queremos

Somos nós que construímos

Um pouquinho Dele em cada coração

Que se alastra e se propaga para outros corações

Que incendeia com a luz do Espírito Santo, que contagia

Sem demagogia, sem hipocrisia

Com humildade e humanidade

Como nos propósitos dos jovens do EJC- Encontro de Jovens com Cristo

“Ficar mais próxima de Deus”

“Complementar meu caminho até o Pai”

“Agradecer e fazer o bem”

Todos temos nossos objetivos

E podemos escolher: participar, ajudar, não atrapalhar, ou só criticar

A igreja “melhor” do mundo

É aquela que brota em nossos corações

E nos torna melhores, cada dia mais humanos…

Alda M S Santos

Depois do fim

DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos

Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil

Virtudes e pecados

VIRTUDES E PECADOS

Numa vida de virtudes, há pecado que nos condenaria?

Numa vida de pecados, há virtude que nos salvaria?

Que há de tão bom em nós que neutralizaria qualquer mal?

Que poderia haver de tão ruim que anularia qualquer bem?

Que carregamos de tão leve, feito balãozinho no jardim, que teria peso positivo?

Que carregamos de tão pesado, feito esponja encharcada, que pesaria negativamente na balança?

Pudéssemos julgar a nós mesmos com os mesmos critérios que julgamos os outros

Nas mesmas leis, pelo mesmo peso e medida

Com direito às mesmas atenuantes e defesas

Sob o mesmo júri implacável

Qual seria nosso veredicto, inocentes ou culpados

Qual penalidade receberíamos?

Teríamos direito de recorrer?

Virtudes e pecados, pecados e virtudes

Qual humano está isento a ponto de ser capaz de julgar?

Alda M S Santos

Erro de Deus?

ERRO DE DEUS?

“Se há algo que Deus errou ao criar o mundo foi tê-lo entregue à “administração” masculina.”

A vendedora ambulante me dizia quando fui comprar toucas de lã e meias de cano longo.

Afirmou que quase não vendiam por serem usadas com botas e homens não queriam saber de trabalhar.

Falei que precisaria das meias longas, pois seriam brindes para a Festa Junina dos idosos dos asilos que meu grupo ajudava.

“Aposto que são apenas mulheres que ajudam!”

Expliquei que havia alguns homens no grupo, mas que a maioria era mesmo mulheres.

“Tenho minhas dúvidas quanto a Deus ter criado Eva a partir da costela de Adão.”

Sorri solidária.

“Como pode parte da costela ser algo bem melhor?”- não se conformava!

Apesar de brincar, parecia muito chateada e certamente carregava nas costas algum homem preguiçoso e folgado.

“O mundo será melhor quando as mulheres puderem tomar a frente de tudo”!

Consegui algumas meias e um bom desconto nas toucas.

“Para ajudar”- ela disse!

Fui embora pensando naquilo, quase esbarrei no carrinho de picolé de um senhor bem velhinho, bem pequeno, sorridente.

“Um picolé, moça distraída?”

Sorri e agradeci. Olhei para seus pés. Elogiei as botas que usava…

Pus-me a pensar nos homens e mulheres ao longo de minha vida.

O mundo seria melhor se fosse mais feminino.

Era mesmo uma questão de gênero!

Não de gênero físico, mas de gênero da alma.

Almas femininas são mais sensíveis e fortes, paradoxalmente, e administrariam bem melhor esse mundo!

Alda M S Santos

Fardos nossos

FARDOS NOSSOS

Muito ouvimos que Deus não nos dá fardo maior que nossas costas

Doenças do corpo e da alma, desamor, injustiças, violência

Assaltos, estupros, sequestros, amigos que lavam as mãos

Inimigos disfarçados de amigos, perdas

Falta de fé, de coragem, de lucidez…

Acreditamos e lutamos para carregar cada fardo que recebemos

Até ajudamos os outros a carregar seus fardos

Deus certamente conta também com as costas amigas que dividem o peso conosco

Amigos, amores, familiares…

Que nos ajudam nas encostas e ladeiras íngremes

Nas tempestades mais fortes, nas noites escuras como breu

Onde pesadelos nos assombram, monstros nos perseguem

E a força parece faltar, as pernas tremem, as lágrimas escorrem sem cessar

Quando queremos e pedimos que o mundo gire muito rápido

E nos lance para fora da galáxia…

Ninguém pode sentir o peso do fardo do outro

Calcular a dimensão da dor alheia

Ou a profundidade da ferida e do quanto ela sangra…

Mas pode ajudar, estender a mão, aceitar ajuda…

Ser o “anjo” na vida do outro é tornar leves dois fardos

O deles e o nosso!

É preciso pés no chão, fé no coração

Essa humildade Deus espera de nós!

Com ela temos mais chances de ser felizes…

Eu creio!

Alda M S Santos

E quando faltar…

E QUANDO FALTAR…

E quando sentir faltar a saúde, o bem-estar

Lembre-se do quanto ainda pode fazer por si mesmo

E quando faltar a energia, a disposição, o desejo de seguir

Lembre-se que a vida segue sempre, mesmo quando nos sentimos parados

E quando faltar um ombro, um colo, um sorriso amigo e sincero

Lembre-se de quem te amou, de quem te deu tudo que podia, retribua sempre

E quando faltar a gratidão, a solidariedade e compaixão

Olhe para os lados, veja seu irmão, lembre-se de estender a mão

E quando faltar a alegria, a esperança, a fé na humanidade

Lembre-se que Ele ainda acredita em nós, apesar de todas as decepções…

Quando faltar, lembre-se, concentre-se no amor Dele

Esse nunca falta! Nunca!

Alda M S Santos

Por que Nossa Senhora?

POR QUE NOSSA SENHORA?

-“E quem não é devoto de Maria?”

A maioria quase absoluta dos idosos do Lar Santa Zita é de católicos

Mas é o que menos importa, todos são filhos ou mães

E numa homenagem às mães

Aquela escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, Nosso Salvador,

É a homenageada principal!

Ninguém é obrigado a participar, respeitamos

Como em qualquer outra atividade

Mas a quase totalidade que tem Maria como Nossa Senhora, mãe de todos nós

Merece também respeito e consideração!

Quem conhece e ama o Filho, ama a Mãe

Sabe que Maria nos leva a Jesus, que nos leva ao Pai…

Coração de mulher, de mãe, que confiou nos desígnios de Deus para nos salvar

Sofreu a maior dor que uma mulher pode sofrer: perder o próprio filho

É uma honra poder chamá-la de Minha Mãe, de Nossa Senhora

E tê-la para interceder por nós todo o tempo

Nossa Senhora, rogai por nós e por todas as mães,

Amém!

Alda M S Santos

#carinhologos

Era um lar…

ERA UM LAR

“Uma casa não se assenta sobre a terra, mas se assenta sobre a mulher”- provérbio mexicano.

Até há bem pouco tempo foi um lar alegre, colorido, apaixonado

Pareciam uma família italiana

Grande, diversa, barulhenta, vibrante, animada

Amorosa, com brigas, atritos, silêncios e reconciliações

Firmadas numa base forte: a mulher, a mãe, a matriarca

Agora ela se foi, não teve escolha, foi levada

E o lar virou apenas uma casa

Cheia de paredes que não abafam os gritos constantes

Tijolos e concreto que evidenciam a dureza dos corações

Cores que não combinam e estão tão desbotadas quanto o desamor em escala cinzenta

Teto que não mais abriga as almas solitárias

Tristeza molhada que causou a queda das vigas de sustentação

Já foi todo tipo de comércio, descaracterizou-se

E de seus habitantes só se ouve berros raivosos

Os silêncios são conflitantes, tortuosos

Reconciliações? Ficaram perdidas entre as paredes derrubadas do lar

E misturadas aos destroços dos corações…

Uma casa linda, mas que não abriga corações!

Uma casa, bonita ou feia, grande ou pequena, para ser um lar precisa de um Morador Especial

E ouso completar o provérbio mexicano:

Um lar se assenta num tripé: uma mulher feliz, com Deus no coração, e uma família amorosa!

E fica a questão: que será de nossos lares quando formos embora?

Ou mesmo quando parecemos apenas sombra dentro dele?

Qual a base, a liga que une seus membros, a harmonia de sustentação?

A reconstrução de uma casa qualquer empreiteiro pode fazer

A reconstrução de um lar exige especialização

Em amor, respeito e doação !

Alda M S Santos

Sabe aquele olhar?

SABE AQUELE OLHAR?

Sabe aquele olhar juiz, acusador, em que o seu se abaixa, culpado?

Não, não é ele que me instiga a ser melhor!

Sabe aquele olhar carrasco, cortante, que o seu enfrenta temeroso, desafiador?

Não, não é ele que preciso para seguir mais corajosa!

Sabe aquele olhar de desnuda “aprovação” e admiração em que o seu se retrai, encabulado?

Não, não é ele que quero como estímulo primeiro!

Sabe aquele olhar de volúpia e desejo do qual o seu se afasta, invadido, irritado?

Não, não é ele que preciso para me sentir mais eu!

Sabe aquele olhar?

Aquele em que você se vê refletido como é e não se envergonha,

Tampouco se sente acusado, culpado ou pseudo-admirado,

Sente-se apenas como é de verdade, sem máscaras, sem medos, sem subterfúgios

Aquele olhar que você encara de frente, mergulha fundo e sente apenas o amor refletido?

Um olhar que você seria capaz de seguir por toda a eternidade

Independente das pedras perfurantes, mares perigosos, matas fechadas?

Esse é o olhar que imagino que Ele nos ofereceria

Se estivéssemos prontos a enxergá-lo!

Sabe esse olhar? É Ele que quero, busco e preciso!

Alda M S Santos

Deus dá o frio conforme o cobertor

DEUS DÁ O FRIO CONFORME O COBERTOR

Diz o ditado: “Deus dá o frio conforme o cobertor”

Bem sabe Ele o que cada um de nós precisa para viver

Uns até parecem ganhar mais que outros

Mas acredito que cada um ganhe de acordo com suas necessidades de aprendizado

E o que cada um faz com o frio ou cobertor que recebe

É que o diferencia dos outros humanos

Que o faz mais ou menos feliz e realizado

Há quem ignore o frio, se rebele contra ele ou faça pouco caso do cobertor

Mas há quem consiga até diminuir o frio de seus semelhantes

Entre tantos males e bênçãos de nossa (des)humanidade

Nem sempre podemos escolher o que recebemos

Mas escolhemos o que fazer com o que temos, com o que nos dão

Há quem despreze uma manta térmica bem quentinha

Mas há quem descubra a força do amor e solidariedade

E faça milagres com um cobertor fininho

Deus não nos desampara, apenas nos deixa escolher nosso caminho…

Alda M S Santos

O Sagrado de todo dia

O SAGRADO DE TODO DIA

Foi por você esse amor de tal magnitude

Foi por você que Ele se entregou

Foi por acreditar na sua capacidade de se arrepender, aprender, amar e se doar

Que Ele se fez humano, enfrentou seu calvário

Foi por você, que tantas vezes duvida de si mesmo, desiste

Que tantas vezes destrói o que Ele te deixou de mais valioso

Que vira as costas ao Sagrado diário de seu lar

Que Ele carregou sua cruz, doou sua própria vida

Foi por você! Foi por mim!

Foi por todos nós!

Façamos com que não tenha sido em vão…

Alda M S Santos

Humildade

HUMILDADE

“Quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado”.

Humildade: uma das mais difíceis virtudes, a que Jesus mais demonstrou…

Quase sempre confundida ou associada a defeitos de gente simplória, frágil ou pobre em recursos materiais ou culturais

Na verdade, é uma qualidade muito positiva de quem sabe não ser melhor que ninguém

Se formos verdadeiramente honestos

Se nos imbuirmos de coragem bastante

Se abrirmos mão de nossos adorados escrúpulos

Se mergulharmos sem receios no fundo de nossa alma

Enxergá-la nua e crua, aberta e clara, sem sombras

Se retirarmos os véus, as vendas que amenizam nossas falhas

Que mascaram, maquiam nossas feiúras

E observarmos nossa alma em sua nudez total

Veremos que não somos melhores que ninguém

Quando muito, possuímos defeitos diferentes…

Reconhecer isso é o primeiro passo para respeitar as falhas, fraquezas e feiúras alheias

Julgar e condenar um erro alheio, o pecado do outro

Não nos isenta ou expia dos nossos próprios pecados, apenas nos faz soberbos

Reconhecer e agir de acordo com essa verdade é ser humilde…

Alda M S Santos

Falar de amor maior

FALAR DE AMOR MAIOR

Falar de amor na semana em que se relembra e se “revive” o amor maior pode ser até sacrilégio

Por outro lado, não falar de amor em qualquer época, não vivê-lo é sacrilégio, pois foi tudo que Ele nos ensinou

Qualquer amor parece pequeno diante da grandeza do amor Dele por nós

A Semana Santa nos faz relembrar o que é um amor verdadeiro, desinteressado

Nunca chegaremos a tal grandeza no ato de amar

Por mais que tenhamos aprendido, nunca seríamos capazes de amar com tal desprendimento

Amamos a quem nos faz bem, nos completa de alguma forma, nos dá algo em troca

Seríamos capazes de dar a vida por quem “não merece”?

Seríamos capazes de morrer com tal dor e sacrifício por quem achamos que merece?

Temos sequer acolhido de alguma forma os mais necessitados como Ele ensinou e o fez?

Quantas vezes mais que Pedro nós O temos negado?

O único modo que temos de demonstrar gratidão é dando o melhor de nós

Nosso amor “pequeno”, mas o maior que pudermos oferecer

Procurando viver no bem e para o bem, vencendo aos poucos nossas limitações humanas

Ele as conhece bem, é Pai

Ele, em sua forma humana, as vivenciou

Só Ele pode nos ajudar e nos ensinar a amar

Por isso estamos aqui, para aprender, para ajudarmos uns aos outros

Para exercitar a tolerância e o respeito aos excluídos de todas as formas

Aguentar nosso calvário, celebrar nossa Páscoa, até nosso encontro com Ele…

Alda M S Santos

Louva a Deus

LOUVA A DEUS

Louva a Deus quem vai à igreja, quem canta, quem se encanta com o que Ele criou

Mas louva mais a Deus quem trabalha, quem luta, quem preserva sua criação, quem não destrói seu irmão

Louva a Deus quem O entende como um Deus de amor, que jejua, se arrepende, é grato, prega Sua palavra

Mas louva mais a Deus quem vive de acordo com ela e acolhe os que mais precisam, quem alimenta o que tem fome

Louva a Deus quem O ama sobre todas as coisas e tem a bondade e sabedoria de seguir seus mandamentos

Mas louva mais a Deus quem é humilde, quem ama a seu próximo como a si mesmo, quem não se mostra superior a ninguém

Louva a Deus quem se prostra de joelhos, mãos postas, olhos cerrados e ora com fé

Mas louva mais a Deus quem mergulha nessas águas de amor, abre os olhos, levanta e age de acordo com seus dons e os ensinamentos d’Ele

Louva a Deus quem sabe-se Seu filho, que sente-se parte da família d’Ele, quem cultiva o que recebeu

Louva a Deus quem entende e é grato por um amor assim tão grande…

Alda M S Santos

Tudo será teu

TUDO SERÁ TEU

Somos movidos por nossas carências, vazios e necessidades: físicas, emocionais, materiais

Reais ou imaginárias, naturais ou patológicas

“Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão”.((Lucas, 4:3)

São essas carências que dão o tom de nossas ações, nossas buscas

O movimento ou inércia que geram nossos erros e acertos

“Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.

Portanto, se tu me adorares, tudo será teu”. (Lucas 4:6,7)

O modo como reagimos aos vazios é que determina nossas vitórias e derrotas

Nossas fraquezas, forças, amigos e inimigos surgem

E, consequentemente, nosso aprendizado

Nossas carências podem ser nossas maiores aliadas

Ou nossa grande perdição…

Alda M S Santos

Relaxe: nada está sob controle

RELAXE: NADA ESTÁ SOB CONTROLE

Relaxe! Seja leve, deixe a vida no seu curso, deixe-se flutuar

Tentar manter o controle de tudo é desgastante

Muitas e muitas coisas se interdependem, não nos cabe mudar, mas nos ajeitar

E manter a ilusão de que tudo controlamos é pesado, frustrante

Relaxe! O melhor da vida está nas surpresas, na esperança

Segurar firmemente algo pode impedir de circular o sangue da renovação

Cercear o crescimento que vem com a liberdade contida na confiança

E, por mais que a gente faça, a vida tem seus próprios caminhos, dias melhores virão

Relaxe! Nada está sob nosso controle!

Confie no controle Superior! Sorria!

E faça disso sua alegria…

Alda M S Santos

Ora, ora…

ORA, ORA…

Ora dor, ora prazer, ora tristeza, ora alegria

Ora tudo isso junto de mãos postas a orar…

Ora sussurro que acalma, ora grito que enerva, ora silêncio que enlouquece

De joelhos, ora que melhora…

Ora sorriso que encanta, ora canção que inebria, lembranças saudosas a toda hora

Que ora alegram, ora machucam, ora se desfazem em nuvens tempestuosas

Ora com fé que passam suavemente todos os amarrotados da alma…

Ora confia e põe-se a orar, independente da hora

Ora por gratidão, por arrependimento, por perdão, por sonhos e desejos a realizar

Mas não fica estagnado, ora e não para

Até mesmo um milagre precisa de algo mais que uma alma amarrotada que se prostra e ora

Precisa de mãos e mentes que ajam a toda hora…

Alda M S Santos

Dores

DORES

Ponho-me a observar uma borboleta que borboleteia feliz no jardim

Os pássaros que cantam em total diversão e voam dos galhos das árvores para o comedouro

Cachorros cochilando na varanda, ora correm, ora saltam, balançando o rabo, alegres e fiéis

Irracionais, parecem não ter qualquer tipo de dor ou angústia

Concluo que deve haver algo de muito sagrado nas dores humanas

Posto que não há humano que viva sem elas

Certamente é uma forma de “purificação” a que os animais estão isentos

Estamos sempre a lutar contra uma delas

As dores físicas, orgânicas, são inúmeras

As famosas cefalalgias e diversos tipos de “algias”

Aquelas que sabemos apontar onde dói e medicar

Há ainda as dores de tristeza, de angústia, de saudade, de desamor

Dores que ferem lá no fundo e não identificamos a origem

Dores psicológicas, mentais, emocionais, existenciais

Aquelas que o médico não encontra no RX ou na tomografia

As mesmas que a maioria das pessoas olha e diz

“Fulano é feliz, não tem problemas, sempre sorrindo”…

Há ainda as dores do outro que carregamos como nossas

São do outro, mas ele está tão dentro da gente,

Que dói em nós também…

Por essa perspectiva, se tudo que dói em nós

Dói naqueles que nos amam

Dá pra calcular o sofrimento de Jesus

Ao sofrer com nossas dores

Particularmente aquelas autoinflingidas, que nós mesmos buscamos

Por desconhecimento, ignorância, descuido, ou autoflagelo…

Sei lá!

Mas que às vezes dá vontade de ser uma borboleta

Ah, isso dá!

Alda M S Santos

O amor na ausência

O AMOR NA AUSÊNCIA

O amor é sentimento tão ímpar

Que é sempre identificado

Ainda que na sua ausência.

Onde ele encontra morada

Tudo é luz, brilho, resplandecer

Cor, forma, contágio, alegria

Visível até aos mais incrédulos

Onde ele não é percebido

Notamos as pegadas de sua ausência:

Secura, tons acinzentados, amargor

Opacidade, escuridão, tristeza

Lágrimas, espaços vazios, vácuos

Mas ele está lá, em forma de semente

Pronta para germinar à primeira gota d’água

Ao calor do primeiro raio de sol

Ao cuidado de um mínimo gesto de reciprocidade

Vira broto, desenvolve raiz, cresce

Torna-se flor, árvore frondosa

Sem precisar fazer sombra ou derrubar outras “árvores”…

Alda M S Santos

Ninhos vazios?

NINHOS VAZIOS?

Um ninho vazio, aparentemente um emaranhado, muito bem tecido

Fios, fiapos, pequenas linhas e folhas, galhos, tudo bem escolhido

Montado com o máximo capricho e cuidado

Amor e proteção em cada mínimo detalhe

Para realizar desejos, receber bênçãos, dar vida ao que foi sonhado

Há pouco eram só penugem, fome, pios, bicos abertos

Carinho ao alcance das mãos, ou melhor, dos bicos famintos

E logo se transformaram em penas, força, canto, asas, voo

Inseguro, a princípio, raso, baixo, assustado

Seguido de força, coragem, beleza e encanto

Proporcionando muito orgulho àqueles que no ninho ficaram

E, paradoxalmente, uma alegria salpicada de tristeza, de saudade

O amor tem o dom de alimentar quem trata de alimentar o outro

E o alimento parece faltar a quem não tem mais os alimentandos

Aquele ninho não é mais útil, não os cabe mais

Não para a mesma finalidade, ficou apertado para o tamanho de suas asas

O alimento dali já não é nutritivo o bastante

Mas quem aprendeu a se alimentar nesse bico

Quem cultivou o amor no pulsar desse coração

Quem ali desenvolveu os músculos das asas e alçou o primeiro voo

Não se esquece…

E se lembrará quando novo ninho for tecer

Com o mesmo amor e cuidado

Vida e amor se renovam

E mantêm os ninhos sempre cheios…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Na simplicidade de uma criança a balançar na gangorra na mangueira

Na singeleza da rosa que equilibra em suas pétalas o orvalho da manhã

No remanso do rio e no caminho que percorre o pescador

Ele está!

Na chuva que cai torrencial sobre a terra como maná

No sol que se levanta e se põe na hora certinha, brilha, aquece e gera vida

No amor infinito da mãe que acalenta seu rebento

Nos olhos saudosos e cansados dos idosos

Ele está!

Na alegria que nasce nos corações daqueles que amam

Na tristeza que mina as forças, que gera rios de lágrimas

Na vida que nasce a cada amanhecer ou morre a cada entardecer

Na sinfonia dos pássaros a procriar

Nas águas insistentes da cachoeira a moldar as pedras

No manto escuro salpicado de estrelas que cobre a noite

Ele está! Ele é perfeito!

Ele é pai e, sabendo que Ele está, sei que estou aqui, que sou aceita…

Sou filha! Sou imperfeita!

Filha de muitas alegrias, dores, vitórias, derrotas,

Angústias, saudades, erros, acertos, amores e desamores…

Eis-me aqui…

Alda M S Santos

Iemanjá e a fé

IEMANJÁ E A FÉ

Fé: cada qual tem a sua, tão particular, tão individual

Outras vezes tão radical, extremista, excludente

Fugindo, assim, à razão de ser de toda fé

Nos tornar melhores pessoas, mais tolerantes, mais humanas, mais felizes…

Não importa se cremos na proteção da Nossa Senhora dos Navegantes,

Em Iemanjá, a rainha do mar,

Se ofertamos oferendas ou não

Ou se em nada disso cremos

Importante é respeitar a fé de todos

E que nossas atitudes perante a vida

Sejam sempre “oferendas” de amor e paz…

Basta de “guerras santas”!

Alda M S Santos

Fé em Deus?

FÉ EM DEUS?

A capacidade de confiar é inerente ao ser humano

Desde muito cedo uma criança é capaz de se jogar

Literalmente, nos braços dos pais, de um adulto

E confiar que será amparada

Mais tarde vamos limitando essa confiança a alguns poucos outros humanos

Pós-decepções e muitos tombos

A vida vai tirando a coragem de se entregar,

Física ou emocionalmente

Ou colocando o medo, a descrença, desqualificando o outro

Mas não elimina a necessidade humana de amparo, de proteção

Alguns depositam essa entrega, essa confiança total em Deus

O que é louvável, esperam Dele o impossível

Mas se abdicam da parte que lhes cabe, do possível

O que é falho, até desonesto

Na crença que Deus ampara, jogam-se em abismos inacreditáveis

Mantendo muitas recidivas, confiando no Deus milagroso, pronto-socorro,

Que está pronto para fazer o que caberia a si mesmos,

Como evitar pisar em brasas para não se queimar.

A verdadeira fé crê num Deus protetor,

Que ensina que brasas queimam,

Mas que respeita nossas escolhas e capacidade de lidar com suas queimaduras e consequências…

Alda M S Santos

Templos

TEMPLOS

Escolas são templos, hospitais são templos,

Igrejas são templos!

Hospitais curam os doentes do corpo,

Escolas curam os “doentes” do conhecimento,

Igrejas, independente de qual seja, curam os doentes da alma

Uma igreja recusar acolher um pecador

Seria o mesmo que uma escola fechar as portas ao analfabeto

Ou um hospital não atender uma vítima baleada

Detentores do conhecimento não precisam de escolas,

Saudáveis não necessitam de hospitais

Igrejas não são casas de santos!

Igrejas, todas elas, devem abrigar pecadores e sofredores da alma.

Templos servem para nos fazer melhores do que somos,

Desenvolver o maior templo de todos: nós mesmos

O templo do amor!

Vamos acolher a quem precisa

Seja qual for o templo!

Alda M S Santos

Faltam Cristãos, sobram religiosos

FALTAM CRISTÃOS, SOBRAM RELIGIOSOS

A fé que nos move e nos sustenta

Muitas vezes está atrelada a alguma religião

Mas ser um sujeito religioso, independente de qual religião seja

Não tem implicado em sermos, necessariamente, boas pessoas

Saber todos os ritos e dogmas da fé memorizados, cultuá-los

Participar de todos os eventos e celebrações dentro da igreja

Só fará sentido se isso nos tornar bons cristãos

Ser religioso e ser cristão não estão naturalmente ligados

O ideal seria que fosse, mas não é!

Sou um bom cristão quando consigo ser humano

E, mesmo falho, compreender as falhas dos outros.

Mesmo colocando minha vida como prioridade,

Buscando minha felicidade, meu bem estar,

Fazê-lo sem com isso causar mal ao meu próximo.

A termos que optar, melhor sermos bons cristãos que bons religiosos…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

Boa menina?

BOA MENINA?

A pergunta de todo dezembro: fui uma boa menina?

Fui correta, obediente, solidária, amiga, não magoei as pessoas?

Relevei dores, mágoas e decepções? Fui forte?

Soube dar amor sem distinção, ser digna do amor recebido, confiar, ser o colo procurado?

Aceitei as diferenças, tive paciência e tolerância, respeitei as falhas alheias?

Escolhi bem meus caminhos? Fiz alguém feliz?

Aprendi com os erros, aceitei a vida, segui em frente?

Ho, ho, ho!!!

Melhor dar o presente para alguém mais certinho…

Quanto a mim, eu me contento em ganhar fé, disposição e esperança

Em ser meu próprio presente redescoberto e desembrulhado

Tentar ser minha melhor versão para os outros, para mim mesma

Esses serão presentes sempre bem vindos, em dezembros ou janeiros…

Feliz Natal!!!

Alda M S Santos

Acertando as contas

ACERTANDO AS CONTAS

Ela chegou ali de um modo nada louvável: à força

Abdicando da própria vida

Logo foi questionando para uma imagem amigável: por que me abandonou?

Levada para uma biblioteca gigante de luz

Lindos e variados livros, de todos os tamanhos e espessuras

Alinhados nas prateleiras, pareciam ter vida

Nas lombadas, os nomes de todas as pessoas, biografias

Autorizada, escolheu alguns nomes conhecidos e folheou

Uns eram finos, outros com interrupções, espaços em branco

Vários com mais de um volume

Histórias de vidas acompanhadas em tempo real

Buscou pelo que continha seu nome, não encontrou

“Você escolheu não estar aqui”!

Em salas contíguas, outros livros, outras vidas

Uma delas de pessoas que já tinham partido

Na outra, pessoas em estágio “terminal”, tratamento intensivo

Encontrou seu nome, pegou sua história

Ali, todos os momentos de sua vida e todos que dela participaram

Os momentos difíceis em que pessoas anjos preciosas apareceram

-“Eu não te abandonei, veja!”-o olhar era de puro amor

-“Mas muitos foram embora”-ela disse, chorando.

-“Ficaram pelo tempo necessário, enquanto podiam te fazer bem”!

Olhou mais alguns livros de “histórias amadas”

Notou que seu livro ainda possuía páginas em branco

Uma página arrancada, ela observou que estava escrito “fim”.

-“Volte! Sua história não acabou. Você ainda é necessária na história de muita gente”!

Ao lado do seu, todos os livros nos quais era personagem

Histórias de amor entrelaçadas…

Recebeu um abraço de amor intenso,

Forças renovadas, voltou…

Iria preencher aquelas páginas em branco…

Alda M S Santos

Que filhos temos sido?

QUE FILHOS TEMOS SIDO?

Ser filho é acreditar que há alguém a nos proteger, a nos amar

A nos incentivar e socorrer em qualquer adversidade

Ser filho também é aprender, é crescer, é saber ser grato

Que filhos temos sido?

Aqueles que buscam pelo Pai somente quando a situação aperta,

Quando o joelho está esfolado, o dente rachado, o braço quebrado

O coração apertado, a consciência pesada, a alma cansada?

Sim! Precisamos do Pai nesses momentos e Ele nos acolhe e ampara,

Mas precisamos ser gratos e aprender com cada acolhida

A cada lágrima que Ele nos seca, de cada sufoco que nos tira,

De cada perigo que nos desvia…

Ser filho é ser eterno aprendiz…

Feliz aquele que aprende e se aproxima do Pai mais pelo amor que pela dor…

Alda M S Santos

Famílias

FAMÍLIAS

As famílias são as meninas dos olhos de Deus.

Tanto que Jesus nos veio no seio de um lar…

Na família está nossa fonte de força

Ou nossas maiores fraquezas

Geradora de alegrias, de lágrimas, de crescimento!

Entre os membros de uma família pode haver

Grandes abnegações e sacrifícios, atos de extremo amor

Ou as maiores crueldades que a humanidade é capaz.

Tudo dentro de uma família potencializa, bom ou ruim.

Qualquer um sabe o valor de uma família

Da sua ou das alheias, e a falta que faz…

A cada família que se destrói, que se permite destruir

Que chora, uma estrela morre no céu, Deus sofre junto…

As famílias são o ninho de Deus onde se aprende a amar

Um ninho que precisamos para sempre…

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Miopia

MIOPIA

Somos um mundo de míopes

Que não enxerga a poucos metros dos próprios narizes

Se notamos algo, nada questionamos, não temos tempo

Um sorriso será sempre alegria

Uma lágrima é fraqueza que logo passará

O silêncio é de pessoa antissocial

Os gritos são de neuróticas!

Todo mundo rotulado, questionar para quê?

Um desconhecido que quer “sofrer em paz”,

Aquele vizinho que foi detido por agressão à esposa

O colega de trabalho que surtou e suicidou-se

Ou aquele amigo/a que trai, que vira as costas, que não é de confiança…

Mas como? Fulano? Ah, bem que ele era estranho!

E a vida segue…

Os problemas estão ao nosso redor, dentro das pessoas

Atrás de sorrisos sociais, de lágrimas antissociais

De “bom dia” por obrigação

De trabalho sem tesão, sem animação

Do silêncio gritado ou do grito calado

E que nossa miopia não nos permite ver!

Não há modo melhor de nos curar que ajudando na cura alheia!

Se não enxergamos, cheguemos mais perto, olhemos mais atentamente!

Pode ser nossa chance de curar a “miopia”, entre outras anomalias e patologias…

Alda M S Santos

No tribunal do amor

NO TRIBUNAL DO AMOR…

Parecia uma grande catedral e várias pessoas estavam sentadas em semi-círculos

Jovens e velhos, homens e mulheres, de todas as raças e classes

Religiosos, ateus, políticos, cientistas, pensadores e trabalhadores braçais

Apenas as crianças passavam direto por uma catraca

E a pergunta que estava gigante num telão era: o que você fez com sua vida?

A princípio, as pessoas ficavam num burburinho nervoso

Em seguida, silenciavam contritas

Novas perguntas se desenrolavam no telão:

Como você usou os dons divinos que recebeu?

Soube amar e proteger a sua família?

“Desinquietou” as famílias dos outros inserindo a discórdia, traição, desconfianças, medos, drogas?

Soube usar o amor como Eu lhes ensinei?

Muitas e muitas perguntas se desenrolavam…

E cada uma despertava desculpas ou auto-acusações nos presentes.

Choros, tristezas e arrependimentos de alguns

Revolta, rebeldia e autopromoção de outros

Uma imagem de puro amor surgiu no telão

Os olhos brilhavam e atravessavam as pessoas ali hipnotizadas

Olhos silenciosos: “nada precisam dizer, pois Eu conheço os vossos corações

Não há necessidade de desculpas, não necessita defesas, Eu os conheço!“

Uma mulher se levantou: “existe algo que possa jogar uma vida inteira de amor por terra?

Ou algo que possa salvar uma vida de discórdia?”

“Somente o se doar por amor, valorizar a vida, a família…”

Respondeu um homem mais velho, chorando…

Na balança desse tribunal não havia barganha

Mas o amor que se doou era “moeda” capaz de neutralizar certas coisas ruins…

Somente o amor poderia ser usado em defesa própria, somente ele! -concluíram.

As ações realizadas por amor, com amor, em favor do amor.

E cada qual teve seu próprio veredicto nesse tribunal.

Tudo que reinava e ficou ali foi a verdade e o amor…

Os demais foram embora!

Alda M S Santos

Bela panorâmica

BELA PANORÂMICA

Vista abrangente, vista definitiva, vista bela e encantadora

Olhar distante, até onde a vista alcança

Capacidade relaxante e revigorante

Uma vista panorâmica nos permite ver a beleza distante e nos abstrair dos problemas

Ou focar em pequenas partes sem perder a visão geral

E do quanto somos apenas parte de um todo,

Do quanto somos interligados, mas apenas um

Nesse maravilhoso multiverso!

Alda M S Santos

Aprendendo a viver

APRENDENDO A VIVER

Quantas vezes é preciso cair para aprender a ficar de pé?

Quantas vezes precisamos passar pelo escuro para valorizar a luz?

Quantas vezes passaremos pela mesma pedra no caminho até aprender a dela desviar?

Quantas vezes cometeremos o mesmo erro até evitá-lo?

O cachorro chega devagar o focinho num canto onde foi sapecado por lagarta e se afasta veloz

Um bebê olha ressabiado para a tomada em que levou um choque

Quantas vezes precisamos passar por algo para entender?

Deus disse que deve-se perdoar 70 vezes 7

Supõe-se que se erre o mesmo tanto

Mas não precisa ser necessariamente o mesmo erro!

Isso se chama autoproteção, maturidade, experiência!

Nem é preciso muita racionalidade ou inteligência, apenas instinto, medo!

E assim a vida segue…

Deus tirando as pedras, a gente sendo atraído por elas

Entre erros, acertos, cuidado e proteção

Da gente mesmo, dos outros…

Vamos aprendendo a viver!

Alda M S Santos

O que nos redime?

O QUE NOS REDIME?

Se o amor não justifica tudo

A ausência dele, tampouco

Se existe nesse mundo ou no outro

Algo capaz de nos redimir

São os atos realizados por amor,

Com amor, para o amor

Em nome do amor…

Não amar, por si só, já é pecado!

Alda M S Santos

Quero tanto

QUERO TANTO

Quero tanto a luz do Sol, esse brilho que aquece e dá vida

Quero tanto essa água fria, na qual deslizo suavemente e sigo em frente

Quero tanto essa tranquilidade, essa paz,

Quero tanto boas companhias, alguém a quem guiar e ajudar

Quero tanto alguém a me guiar, em quem confiar, a quem buscar

Sempre que o desânimo bater, a tristeza quiser se apossar

Quero tanto essa natureza e essa fé em mim, pra mim…

Quero tanto!

Alda M S Santos

Medos

MEDOS
Não há tamanho valentão

Que nunca tenha sido acometido pelos medos.

Negou, fugiu, se entregou, ainda que não tenha admitido,

E, por fim, acabou por enfrentá-los.

A angústia maior é não ter acesso direto a eles,

Poder confrontar face a face, em pé de igualdade.

Na verdade, os medos é que são covardes,

Escondem-se onde temos dificuldades de acessá-los.

Se tivessem a ousadia de se mostrar, viriam,

E nos encontrariam de mangas arregaçadas, 

Independente de nosso tamanho, 

Saberiam que não dá para habitar

Onde habita uma coragem alicerçada na fé.

Alda M S Santos

Deus

DEUS

Deus é tão perfeito!

E não estou me referindo a nenhuma religião.

Estas são imperfeitas, criadas por nós.

Tanto a gente ouve, lê, fala

Que Ele nos ama, nos perdoa sempre, conhece nossas falhas

Está ao nosso lado todos os momentos, nunca nos abandona…

Mas quando realmente vivenciamos isso, cremos mais verdadeiramente.

Ele coloca uma pedra no caminho, uma montanha, tempestades, boas pessoas

Tudo para nos desviar de um trajeto inadequado, nos levar para o bem, para Ele.

Quando oramos, pedimos, suplicamos uma ajuda, Ele nos atende. Sempre.

É preciso que estejamos atentos!

Os acontecimentos podem querer mostrar o contrário,

E a ajuda nem sempre parecerá a melhor, apenas nossa fé e nossas crenças Nele

E em tudo que já obtivemos e vivenciamos, fará com que a notemos,

Que aceitemos e possamos agradecer.

Ele está conosco, aumenta nossas forças, acredita e nos ajuda, sempre.

Pra sempre!

Não precisamos de mais nada para sermos felizes!

Alda M S Santos

Correndo com a Lua

CORRENDO COM A LUA
Saudade de correr atrás da Lua, ela lá, eu cá,
Rua acima, rua abaixo, virar a esquina, voltar
Numa disputa para ver quem é o vencedor.
E ela sempre à frente…
Um bando de crianças sorridentes!
Energia pura, suadas e livres,
Livres de preocupações e ansiedades.
Objetivo único: aproveitar antes de a mãe as chamar para dentro.
Esse desejo deveria tornar-se uma constante, um mantra,
Aproveitar antes de sermos chamados para casa.
Alda M S Santos

A fé que me move

A FÉ QUE ME MOVE

“Tenho muita fé em Santa Zita! Sabia que ela é a santa das domésticas?

Faço muitas orações pra ela. Essa aqui é ela. Olha que linda!

Quer saber? Às vezes, eu perdia a hora rezando na igreja e voltava apavorada pra casa!

E grande era minha supresa ao chegar lá e encontrar tudo arrumadinho!

Santa Zita que arrumava para mim! Era pobre, sem estudos, empregada do lar e consagrou-se ao Senhor. Ela é a protetora das domésticas! 

É a fé nela e em Nosso Senhor que me move!”

Contou-me ela em seu pequenino quarto onde notava-se a fé em cada cantinho e objeto.

Sempre aprendendo com a força e fé de meus amores idosos! 

Alda M S Santos

Entre eles

ENTRE ELES

Estar entre, no meio, comprimida, espremida

Mesmo com todas as habilidades adquiridas

Nunca é confortável!

Ora é o amor que espreme, ora é a dúvida,

As cobranças, ou a insensatez que comprimem.

Num puxa e repuxa, evita tomar partido

Maleável, flexível, resiliente, tenta sempre

Dialogar, falar, pedir com os olhos

Com as palavras, com os gestos,

Com o silêncio, com as lágrimas…

Ainda que tudo que precise e queira

Seja fazer parte, manter as partes unidas.

Mas se fere, se cansa, se machuca,

Dói!

A cada ferida que cicatriza sai mais forte.

Qual é o saldo?

O quanto perde de si mesma?

Será que sai mais feliz?

Alda M S Santos

Barulhos de dentro

BARULHOS DE DENTRO

Eta mundo barulhento!

Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos

De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos

Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.

Nossa percepção acústica acaba por se confundir.

Frequências sem padrão,

E o efeito é um sinal complexo.

Difícil de ser caracterizado com exatidão.

Tantas vezes são bem vindos!

Principalmente quando os escolhermos

Com o intuito de confundir outros ruídos de fora

Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.

Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,

Tampouco conseguimos silenciá-los!

Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos

Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.

Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro

E, em transe, no meio do caminho, ficamos.

Aguardando quem sairá vitorioso:

O barulho de fora ou o barulho de dentro…

Alda M S Santos

Nossa fé

NOSSA FÉ

A nossa religião ou a fé que professamos não se discutem.

Tampouco a ausência dela. Não é disso que quero tratar.

Haja vista que as maiores guerras e massacres no mundo

Foram ou estão relacionadas às disputas e crenças religiosas.

Denominam “guerra santa” ou dizem defender a palavra de Deus

Como se Deus tivesse deixado o 11o mandamento: destruirmos uns aos outros em Seu nome.

Mas há algo que não se pode negar

Quem professa uma fé, uma religião

Independente de qual seja 

Enfrenta melhor as adversidades, os problemas, os revezes da vida.

Acreditam em algo superior a eles, 

Creem que alguém olha por todos

Que os ama e os orienta acima de tudo.

Outro ponto crucial: têm bondade na alma, solidariedade. 

Se não se considerarem superiores aos outros

Ou se colocarem como juízes dos pecadores

Costumam ser pessoas especiais e essenciais em nossas vidas. 

Mas os melhores de todos não são aqueles que vivem dentro das igrejas

São aqueles que são igreja, trazem-na dentro de si

E a levam a todos que precisarem. 

Alda M S Santos

A paz que buscamos

A PAZ QUE BUSCAMOS
Dizem que tudo que precisamos está, primeiro, dentro de nós,
Bem lá no fundo…
Que é lá que vamos encontrar as respostas às nossas questões,
A solução para nossos problemas,
O sorriso que esquecemos,
A saúde que perdemos,
O amor que não valorizamos,
Os amigos que se foram,
A bondade que é nossa essência.
Podemos passar por muitos caminhos e pessoas,
Mas enquanto não buscarmos no silêncio de nossa alma,
Enquanto não acalmarmos nosso coração,
Enquanto não encontrarmos Deus em nós,
Não encontraremos a paz.
Não seremos paz!
Alda M S Santos

 

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

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