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Farol de bondade

FAROL DE BONDADE

Em meio a tantos caminhos confusos, trilhos quebrados, vagões desconectados

Sempre aparecerá uma placa, uma bússola, um sinal indicando a direção

Em meio a tantas dúvidas e inquietações

Sempre haverá um alguém a dizer boas e sábias palavras, estimulando a reflexão

Em meio a tantas exclusões, preconceitos e mania de superioridade

Sempre surgirá um abraço acolhedor, fraterno, irmão

Em meio a tanto desamor e individualismo

Sempre haverá alguém a nos amar acima de tudo, ser o anjo protetor do nosso coração

Em meio a tantos túneis escuros e repletos de maldade

Sempre haverá um farol de bondade e esperança, ainda que na contramão

Para todos aqueles que, de enxergar o lado bom da vida, não abrem mão…

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

Se um vem de lá e outro vai de cá

É no meio do caminho que irão se encontrar

Polarizações nefastas impossibilitam o dar-se as mãos

Extremos radicais impedem o abraço gostoso

Para o encontro de paz ser possível

É preciso que ambos se disponham a caminhar

Saltar obstáculos, deixar malas pesadas para trás

E seguir em busca do mesmo objetivo

O equilíbrio que impede a queda

Nunca está nos polos ou extremos nefastos

É no meio do caminho que os melhores abraços selam a paz…

Alda M S Santos

Tô indo…

TÔ INDO…

– Como você está?

– Tô indo…

– Indo? Pra onde? Como?

– Seguindo em frente, no caminho que se apresenta.

Quem pergunta nem sempre quer saber

Quem responde nem sempre quer responder…

Outras vezes quem pergunta sabe bem a resposta

Quer apenas confirmação do imaginado

Quem responde prefere não abrir porteira de problemas,

Não quer incomodar…

“Tô indo“ muitas vezes é resignação

Aceitação do equilíbrio necessário entre escolhas e consequências

Entre vitórias e derrotas, lágrimas e sorrisos

“Tô indo” pode ser demonstração de luta e força

De não entrega, de resistência à tristeza dos dias nublados

Por saber que o sol tem força para surgir entre nuvens

Aquecer, deixar nascer e crescer brotos de esperança e paz…

“Tô indo, e você?”

Alda M S Santos

Redoma de vidro

REDOMA DE VIDRO

Não podemos colocá-los numa redoma de vidro, isolando-os do exterior

Não podemos embalá-los à vácuo, engaiolá-los

Não podemos fechá-los numa bolha, protegendo-os

Tampouco podemos voar por eles

Ou tapar todos os buracos e retirar as pedras do caminho

Mas podemos plantar flores perfumadas em canteiros centrais

Cultivar árvores frondosas para dar sombra à caminhada

Para que façam seus ninhos, repousem

Podemos falar sobre trilhas que não levam a lugar nenhum

Podemos alertar sobre os becos sem saída

Sobre voos em áreas turbulentas

Podemos prevenir sobre os “encantos” e estratégias dos inimigos do bem

Aqueles que devagarzinho invadem nossas contas,

Presencialmente ou virtualmente,

Bancárias, físicas, mentais, emocionais, psicológicas

E nos deixam no vermelho com dívidas a pagar

Sem asas para voar…

Não podemos viver pelos outros, nem por quem amamos

Mas àqueles que nos foram confiados

Devemos proteção e cuidado, somos responsáveis!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Destinos

DESTINOS

Destinos: pré-estabelecidos ou construídos?

Um caminho que vem definido a priori

Do qual passamos a vida a buscar ou desviar

Ou um ponto de chegada que nem sempre podemos identificar?

Destino: o objetivo final dessa jornada, imutável

Ou o caminho que por nós é construído, aleatoriamente

Nas lutas e labutas diárias de nossas vidas entrelaçadas às dos outros

Buscando o que acreditamos ser o melhor para todos

Destinos: uma justificativa para o mal e a inércia

Ou um motivo a mais para abrir trilhas melhores na mata densa do viver?

Destino: nos paralisa ou nos move?

É possível evitá-lo ou qualquer caminho leva a ele, sem escapatória

Sendo tudo aquilo que vivemos por escolha?

Parafraseando Jean de la Fontaine

“Muitas vezes, encontramos o nosso destino por caminhos pelos quais enveredamos para o evitar”…

Qual tem sido nosso destino?

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Farol

FAROL

Luz forte no alto de uma torre na escuridão total

Serviam de guia, de alerta, de aviso aos navegadores solitários

Desviavam navios de perigos vindos de montes de terra que irrompiam em alto mar

E poderiam fazê-los perecer

Fachos de luzes intermitentes, potentes, constantes, brilhantes

Refletidas a longas distâncias

Mas nem toda luz livra do perigo ou do mal

Até mesmo os faróis tiveram os seus “afundadores”

Aqueles que se passavam por alertas do bem

Quando na verdade era luz falsa que emitiam

Para atrair navios para zonas perigosas e saqueá-los

Cacos de vidro se passando por diamantes

Até mesmo a luz pode enganar, pode cegar

Podemos muitas vezes enxergar melhor em exígua luz

Ou até mesmo na escuridão em que a vista se acostumou

Do que numa forte luz enganosa…

A luz que vem de dentro é a que ilumina verdadeiramente!

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

O sol brilha para todos

O SOL BRILHA PARA TODOS

No céu, no mar, na terra

Há espaço para todos

Aviões bimotores, helicópteros, teco-tecos, supersônicos

A enfrentar os ventos no céu

Barquinhos a vela, lanchas, escunas, navios e grandes veleiros

A navegar em águas calmas ou bravias

Bicicletas, motocicletas, carros, caminhões e ônibus

A trafegar no solo firme debaixo de nossos pés

O espaço, democrático, abriga a todos

Nossos corações também deveriam ser assim

Forte como o céu, a água ou a terra

Não excluir nada ou ninguém a priori

Elástico, deveria caber a todos que quisessem entrar e fazer dele sua morada

Como o sol que sempre brilha para todos

No céu, no mar, na terra…

Alda M S Santos

 

Você chegará ao seu destino

VOCÊ CHEGARÁ AO SEU DESTINO

Escolha sua rota! Coloque os cintos!

Dirija com cuidado! Vamos!

Siga em frente por 25 Km até rodovia BR 040

Radar reportado à frente, atenção!

Fiscalização eletrônica semafórica em 300m

Mantenha-se à direita para saída 108 A para Angra dos Reis

Via de tráfego intenso, não se esqueça dos faróis

Acidente reportado no quilômetro 85

Cuidado! Veículo tombado à frente

Pegue acesso lateral para Arco Metropolitano

Polícia reportada à frente

Reduza a velocidade, declive acentuado

Área de intensa nebulosidade, mantenha faróis de milha acesos

Desvio à esquerda, via interditada

Tempo estimado no engarrafamento: 9 minutos

Atenção! Animal ferido e morto na pista

Uma estrada, uma viagem, muitos caminhos

A ansiedade, o desejo de chegar

Um guia do Waze…

Tudo torna-se mais fácil e seguro

Rota e destino pré-calculados

Previsão de chegada e revisão de rota

Perigos antecipados com prazo para reação

Alerta de avanço de sinais, áreas proibidas e fiscalizações

Sugestões para abastecimento e descanso

O medo de ficar perdido é quase nulo

A sensação de “conhecer” o desconhecido tranquiliza

E, se errarmos, ele recalcula e nos coloca novamente nos trilhos

Devíamos todos ter um guia assim acoplado ao cérebro

Não vá por aí, pode se acidentar na pista

Alerta amarelo aceso, atenção

Via sem saída, retorne e retome seu destino

Trânsito proibido, área privativa e reservada

Não estacione, parada proibida

Siga em frente por longos anos

Se não der pra ir de carro, vá de avião, de barco

Voe, nade, se arraste, mas prossiga!

Você chegará ao seu destino…

Alda M S Santos

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Parear ou apear?

PAREAR OU APEAR?

Nos caminhos retos ou sinuosos, bonitos ou feios

Floridos ou áridos, fáceis ou nem tanto

Melhor mesmo é ir aos pares, acompanhados

Não qualquer companhia, alguém que vá junto por prazer

Que monte na nossa garupa

Ou dos quais sejamos o garupa

Numa montaria à parte, lado a lado

Tanto faz…

Não vale é disparar na frente, sozinho

Ou ficar para trás, isolado

Salvo se for numa prazerosa brincadeira de pega-pega

Quem cavalga junto precisa ter objetivos e destinos similares e/ou complementares

Um “salvando” o outro nos momentos de fragilidade

É necessário parear… ou apear

Antes que ambos caiam, literalmente, do cavalo…

Alda M S Santos

Enquanto houver vida

ENQUANTO HOUVER VIDA

Enquanto houver vida quero seguir meu caminho

Posso parar à beira da trilha para reabastecer energias

Sob sol intenso ou sombra de uma árvore frondosa, enxugar o rosto

Sorrir ou chorar, nunca desistir, confiar sempre

Entre flores ou espinhos, terra ou pedras

Receber uma dose de ânimo, um abraço de amor, uma palavra de confiança

Uma mão, um sorriso de carinho, esperança e amizade

Daqueles que Ele envia para me interpelarem…

Só não posso fechar os olhos, ignorar Seu cuidado

E agradecer, retribuindo tanto amor, estando disponível sempre

Vencendo medos e culpas, erros e tropeços

Sem autoacusações ou autoflagelos, com aprendizado

Sendo aquela que Ele envia para iluminar o caminho de outros

Em qualquer circunstância, valorizando e protegendo a vida, sempre

Até o reencontro com Ele, em casa…

Alda M S Santos

Caminho certo?

CAMINHO CERTO?

O caminho certo e o caminho errado são bem parecidos

Ambos podem ter momentos de flores perfumadas, vias pavimentadas ou de terra

Possuir sol escaldante, sombra, buracos, pedras, frio

Causar exaustão nos aclives e declives acentuados

Podem nos trazer alegrias momentâneas ou tristezas duradouras

Mas o que diferencia realmente um caminho do outro

O que indica quando estamos no caminho certo e iluminado

É a consciência tranquila, leve, a paz de espírito

Trafegar por um caminho errado pesa, dói a consciência

Tornando o caminhar cada dia mais difícil

E, cedo ou tarde, as flores murcham, perdem o perfume

O terreno fica acidentado, o sorriso perde o brilho, a tristeza prevalece…

Observemos atentamente o caminho que escolhemos percorrer

Sem contudo tirar os olhos de nossa consciência

Aquela que reflete nossa alma, o que realmente nos define

E faz tudo valer a pena e ser duradouro…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS

Um caminho acertado se faz de muitos descaminhos

Quantos desalinhos são necessários para se alinhar

Quantos despareados encontramos antes de bem parear

Quantas lágrimas são necessárias para fazer brilhar o sorriso

Quanto precisamos nos perder para ter a certeza que nos encontramos

Quantos desatinos cometemos até conseguirmos nos atinar

Quanto precisamos entender do que se passa dentro de nós

Para entendermos minimamente o que se passa dentro do outro?

Quanto?

Todo histórico de acerto carrega consigo um sem número de rascunhos…

Alda M S Santos

Estradas

ESTRADAS

Avistar uma estrada é vislumbrar caminhos

Antecipar destinos, sonhar com o novo, o inesperado

É ser atraído para novas conquistas, desbravamentos

É ter a alma rasgada, exposta

É ter sonhos costurados com a linha verde da esperança

Pode ser uma estrada pavimentada, moderna, movimentada, esburacada

Uma estrada de terra, isolada, cercada de mata nativa e alguns cavaleiros

Uma estrada no ar, entre a magia, brancura e maciez das nuvens de algodão

Uma estrada nas águas, sobre ou sob elas, submersos em expectativas, nadando de braçadas rumo aos sonhos

Uma estrada de ferro, com a fumaça e o apito do trem a traduzir nossa trilha sonora

Pouco importa…

Estamos numa estrada todo o tempo

A estrada da vida…

Tendo ou não consciência dela,

Nós a transitamos dia após dia

Estamos em paralelas com a estrada de alguns, cruzamos a estrada de outros,

Ajudamos, às vezes atrapalhamos o trânsito de algumas

Mas seguimos, fazendo nosso caminho…

Não saber o que vem à frente, qual o destino

Ou quando pode ser bruscamente interrompida

São motivos bastantes para fazê-la valer a pena…

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Pontes são convites, são chamados

Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar

Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente

Apresentar o desconhecido ao conhecido

Possibilitar o novo, encorajar

Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais

Assustadoras para muitos, paralisantes

Fundamentais para tantos…

Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções

Rios, mares, montanhas, abismos

Aqueles da natureza ou dentro da gente

Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades

Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros

Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia

Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela

A nos dar as mãos, acalmar nossos medos

Encorajar cada passo na pinguela

“Em frente, não olhe para baixo”

“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”

São ouro num mundo tão cheio de muros…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Por onde tens andado?

POR ONDE TENS ANDADO?

Por onde tens andado?

As estradas nem sempre são planas ou belas…

Que caminhos tens trilhado?

As trilhas, muitas vezes, têm bifurcações confusas…

O que tens plantado?

As sementes nem sempre são boas ou as terras férteis…

O que tens colhido?

A colheita nem sempre é farta ou digna…

Mas, mais vale com quem se anda

Com quem se planta e se cuida

E com quem se partilha a colheita…

Os pés podem estar sujos dos caminhos incertos

As mãos machucadas pela colheita mirrada

Mas o coração precisa estar limpo e puro

Recheado de bondade, amor e compaixão

A alma repleta de luz a iluminar nossos caminhos

E, se não iluminar, ao menos não criar sombras nos caminhos dos outros

São coração e alma que mostram os caminhos que trilhamos

Mesmo que nem sempre haja flores ou belas paisagens,

Podemos vislumbrar um jardim, um oásis…

Por onde tens andado?

Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Pontos, laços e nós

PONTOS, LAÇOS E NÓS

Entre tantos esforços para se entender

Antever, planejar o futuro ou sofrer por ele

Ficamos perdidos no presente que é onde tudo acontece

Numa simples voltinha ao passado fazemos conexões

Só permitidas e compreendidas pós-vivido

Pontos são ligados, laços refeitos, nós desfeitos

E a trama do presente torna-se mais bonita

Consequentemente, a do futuro deixa de importar tanto

Aprendemos a ir desfazendo ou evitando novos nós…

Nosso viver é um constante ir e vir, retornar e prosseguir

Na vida não há estacionamentos, apenas vias de tráfego

E a velocidade, o veículo e a via somos nós que escolhemos

Mesmo quando parecemos estar apenas estacionados.

Conhecemos a via que deixamos para trás, a que transitamos

Mas o que tem lá na frente, nem teria graça se soubéssemos,

Pois a única certeza é que ela chega ao fim!

Alda M S Santos

Arco-íris ao longe

ARCO-ÍRIS AO LONGE

Sempre visível depois das chuvas, das tempestades

Cores lindas, vibrantes, energizantes

De um lado a outro do céu

Onde quer que a gente esteja

É possível vê-lo,

Se não nos concentrarmos nos obstáculos.

É preciso olhar além, mais à frente, no horizonte

Por perto, pode ainda haver os estragos da tempestade

As cercas farpadas que machucam, sangram

E vendam nossos olhos para as lindas cores adiante…

Se quisermos o “pote de ouro” que há além do arco-íris

Precisamos desfocar a cerca

E caminhar…

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Tempestades quando vêm saem arrastando e levando tudo

Como no leito de um rio

As águas e ventania levam consigo plantas, peixes, pedras

Saem arrastando as matas ciliares, revolvem tudo.

Fauna e flora sofrem,

O curso d’água se perde, se suja, se mistura a outras águas.

Mas a tempestade uma hora passa, qualquer hora passa,

E o leito do rio deve ser reconstruído.

Recolher o que de bom sobrou, chorar pelo que morreu,

Alegrar-se pelo que ficou, sofrer pelo que se foi…

E organizar novamente o que for possível.

O rio será sempre um rio,

Mas um rio que passa por uma tempestade

Nunca mais será o mesmo!

Alda M S Santos

Labirinto

LABIRINTO

A cada passo tecemos em fios finos

Um labirinto belo e complexo para caminharmos.

Por vezes assustador, com curvas perigosas

Com retornos e vias incertas e enganosas.

Buscamos sempre a saída,

Mas a saída derradeira ninguém quer.

Nem sempre sabemos ou podemos voltar à largada.

Devemos enxergar uma saída

Em cada encruzilhada perigosa desse labirinto.

Ainda que seja retornando, andando em círculos.

Num labirinto, nunca se sabe exatamente o que é seguir em frente.

Muitas vezes, parar, voltar, reiniciar de determinado ponto

Pode ser o melhor meio de prosseguir,

Sem ser engolido pelo medo do que encontrará na próxima curva.

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA

Histórias escritas, desenhadas

Grafitadas, coloridas!

A cada dia um novo traço, um novo risco

Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito

Ou até tudo bem feito, mas no livro errado

E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!

Borrachas tornam-se necessárias

Apagar o que deixou de ser parte da história,

Ou que não pode continuar sendo…

Borrachas deixam marcas, sombras

Mas tudo pode ser reaproveitado

Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto

Uma frase noutro capítulo

Um capítulo noutro momento

Uma pedra pode se transformar numa flor

Uma flor numa borboleta no roseiral

Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.

Que será sempre revisitado no fundo de nós.

Nesse livro da nossa vida

Podemos, precisamos, ter muitos críticos,

Editores deverão ser ouvidos,

Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos

Que farão os capítulos dessa história

Somos nós que daremos cor ao que for importante

E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,

Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.

Alda M S Santos

Caminhos controversos

CAMINHOS CONTROVERSOS

Para se encontrar talvez o melhor caminho

Seja esconder ou ignorar certas partes de si

Bloquear algumas trilhas ou atalhos

Fechar algumas caixas secretas que insistem em se abrir.

Há caminhos que se apresentam para confundir,

Quando não se está preparado para trilhá-los.

Há peças que não se encaixam no jogo.

Há encaixes que no momento não parecem se adequar.

Há jogos feitos para ganhar, outros para perder

E aqueles feitos apenas para jogar…

Alda M S Santos

À deriva

À DERIVA

Diante da imensidão das águas,

De céu, de ar, de sol

À deriva…sozinhos,

Num pequeno barco a remo.

Poucas são as opções a seguir

Mergulhar na escuridão desconhecida das águas lá fora, 

Deixar-se aquecer ao sol, a admirar o céu, a seguir sem rumo,

À deriva,

Ou mergulhar na turbulenta nau interior, não menos escura e densa

Em busca de luz…

Alda M S Santos

Lado a lado

LADO A LADO

Mais que caminhar lado a lado

É preciso alinhar os passos

Mais que seguir em paralelas

Bom é o encontro e o toque em alguma transversal

Mais que os sorrisos constantes trocados

É ter objetivos similares 

Mais que palavras lindas ditas

É ter os silêncios compartilhados

Mais que caminhar lado a lado  

É ter verdadeiro prazer na companhia. 

Alda M S Santos

Flores…

FLORES…
Em todo caminho elas estão,
Embelezam, alegram, encantam, renovam as forças,
Coloridas, perfumadas, singelas, grandes ou pequenas,
De todo tipo ou forma.
Às vezes se disfarçam de gente, de pessoas,
Mas se observarmos bem,
Pela beleza, perfume, colorido
E capacidade de encanto,
Veremos que, no fundo,
Todas as pessoas que nos encantam são flores!
Jardins nos quais queremos habitar!
Alda M S Santos

Navegar

NAVEGAR

Seja a motor, à vela ou na força dos remos,

O modo de propulsão da embarcação

Não é tão importante.

Valem a determinação e a vontade de prosseguir.

É preciso navegar, em frente…

Sempre!

Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

Nostalgia do voo

NOSTALGIA DO VOO

Qual o objetivo de se aprender a voar?

Obviamente, ser capaz de realizar o voo sem ajuda.

Voo solo. Sem supervisão ou orientações, independente.

Todos que se dispõem a ensinar algo sofrem da nostalgia do mestre.

É a nostalgia do voo solo.

Aqueles que de alguma forma se dedicam a ensinar

A orientar, estimular, curar, possibilitar o crescimento

Apagando mágoas, traumas e inseguranças

Querem que seus pupilos cresçam e apareçam

É o caso dos professores, dos médicos, dos psicólogos

De modo mais pessoal, dos pais, das mães,

Dos amantes, dos amigos…

Veem dia-a-dia a evolução de seus aprendizes

O passo a passo do aprendizado, as lutas

As quedas, a impotência, os avanços, as vitórias

E chega o dia deles voarem sozinhos, longe dos “mestres”.

Mostrar que a lição foi válida, a que vieram,

Para que tanto se dedicaram e se esforçaram.

Alegres, seguem seus caminhos, voam alto.

Aos mestres, cabe o sentimento de orgulho e de dever cumprido

Mesclados à imensa saudade e sensação de perda.

Os alunos superaram os mestres e se foram.

Os mestres devem se recolher e ficar em segundo plano,

Muitas vezes até sair de cena. Deixá-los voar.

Como as aves, as borboletas e os beija-flores.

Seres feitos para voar não podem ser mantidos presos.

Se as lições foram mesmo aprendidas

Saberão que é bom ter pouso entre voos,

E um dia retornarão para um abraço.

Os alunos, os pacientes, os filhos, os amantes, os amigos…

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS

E quando chegamos naquela parte do caminho

Em que já atravessamos partes leves, agradáveis, floridas

Também as difíceis, duras, pedregosas,

Já fomos longe demais e percebemos que não é mais possível prosseguir?

Descobrimos que pra frente pode haver raios e trovões

Tempestades, tsunamis, maremotos intensos?

É possível descaminhar?

Dar marcha à ré, retornar pelo mesmo caminho,

Voltar ao ponto de largada, retomar?

Como se ao voltar fôssemos desfazendo tudo, desmanchando detalhes

Voltando a fita em câmera lenta

Sorrindo e chorando tudo outra vez

Apagando as pegadas deixadas na areia…

Ou o melhor a fazer é seguir em frente

Por outro caminho, gravando por cima?

Talvez possamos usar nova fita, fazer nova gravação

E deixar esse arquivo guardado num cantinho

Para ser utilizado em momentos de nostalgia e saudade

Ou de novos aprendizados…

De qualquer maneira, perder a “direção” nunca é bom.

É preciso sentar-se à beira do caminho, refletir, retomar as forças e a serenidade.

De quem tanto caminhou, espera-se que logo pegará sua bússola e, cedo ou tarde, vislumbrará uma nova trilha!

Alda M S Santos

Apenas nosso

APENAS NOSSO

Nascemos sós, morremos sós

É o que sempre ouvimos dos pessimistas!

Outros ainda completam: vivemos sós!

Para esses, digo “nem sempre”.

Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.

Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém

Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.

Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.

Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.

Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.

Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.

Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.

Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,

Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…

Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas

Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…

É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,

Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,

Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,

E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.

Alda M S Santos

E o amor…

E O AMOR…

Trajetos longos, caminhos tortuosos, pedras, espinhos, buracos, flores…

 E o amor… 

Reveses do tempo, sonhos desfeitos, companhias desejadas… 

E o amor… 

Quedas a cada passo, lições em cada dificuldade, aprendizados a cada recomeço…

E o amor…

Só ele: O Amor. O maior e melhor mestre.  

Capaz de ser profundo, sem deixar de ser leve e belo!

Alda M S Santos

Caminhar é preciso

CAMINHAR É PRECISO

Caminhar é preciso…

No passado, caminhos construídos, desejos saciados, sonhos perdidos… 

Caminhar é preciso… 

No futuro, caminhos vislumbrados, desejos sonhados, parcerias imaginadas… 

Caminhar é preciso…

O caminho que nos resta, maior ou menor, será? 

O que determina é o modo de caminhar… 

E os acompanhantes de caminhada.

Caminhar é preciso…

Sempre…

Alda M S Santos

Caminhar

CAMINHAR

Caminhar… 

Sempre em frente. Sabe que é necessário. Único caminho possível. 

Sabendo que o amor que viveu, que partilhou, que recebeu é luz para o caminhar.

Coração sempre cheio, repleto de sensações. 

Sorrisos e lágrimas regam seus passos, ora suaves, ora fortes, ora incertos. 

Queria levar consigo, lado a lado, marcando pegadas na areia, todos que foram importantes.

Na impossibilidade, leva-os no coração. 

Marcas eternas e doces.

E vive na esperança de que em cada coração que a amou, que deixou parte do seu, brote vida, muita vida e alegrias…

Alda M S Santos

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