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balanço da vida

Se ele bate em harmonia…

SE ELE BATE EM HARMONIA…

Aprender a ouvir o próprio coração

Tudo que de melhor possa haver fica ali

Está lá guardado, “batendo” todo o tempo

Como em código morse para decifrarmos

É através dele que Deus fala conosco

Através dele sabemos quando estamos no caminho certo

Se não dói, se está leve, se fica em harmonia com o outro

Se não há culpas, medos ou traumas

Se ao menos conseguimos ouvi-lo bater em paz

Está tudo na direção correta

É Deus dizendo para seguir em frente…

Alda M S Santos

Muito ou pouco?

MUITO OU POUCO?

É muito dinheiro nas mãos de poucos, pouco nas mãos de muitos

São muitos necessitados para tão poucos doadores

É muita estrada para tão poucos caminhantes

É muito cordão para tão pouca pérola

É muito futuro para tão pouca esperança

É muita destruição para tão pouca reconstrução

São muitos corações para tão pouco amor

É muito tanto faz para o amor de verdade

São muitos finais para poucos recomeços

É muita falação para tão pouca ação

É muita “razão” para tão pouco coração

É muito “irmão”, para tão pouco dar-se as mãos

É muita indiferença diante do que realmente faz a diferença…

Alda M S Santos

Deixe as águas rolarem

DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM

Deixe as águas caírem e rolarem

Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos

Águas represadas por muito tempo

Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem

Águas paradas causam tragédias e destruição

E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda

Torna-se um furacão perigoso e assustador

Deixe as águas rolarem

Elas sempre lavam o que está sujo

Elas sabem e encontram o caminho a seguir…

Alda M S Santos

Quanto tempo temos?

QUANTO TEMPO TEMOS?

As chamas intensas lambem monumentos centenários

As águas ruidosas das tempestades levam encostas, derrubam árvores e edificações

Vendavais arrastam tudo que encontram pela frente

Estruturas firmes sobre vigas e concreto “implodem” e soterram vidas

Nada está a salvo na terra, no ar ou no mar…

Tragédias, devastação, destruição… são tantas!

A vida como um todo se rebela, se revela frágil

Gritos de alerta que imploram por socorro

Todas elas deixam algo aterrador: sentimentos

Sentimentos de impotência e tristeza

A dor da destruição, da perda, da incapacidade de reagir

A angústia das histórias que “apagam” em nós

Que tentam deletar de nossa memória

Que acontecem além do oceano

Ou bem aqui ao nosso lado

E provocam curto-circuitos internos

Incendiando o que temos de bom

Ou acionando um sistema parado

Quanto tempo resistiremos

Sem ter nossa base, nossa estrutura abalada

Nossa liga emocional estremecida

Sem desmoronarmos também?

Quanto tempo temos?

Alda M S Santos

Ferida

FERIDA

Aquela ferida que todos carregamos

Causada por um machucado doloroso

Relíquia de um tombo inesquecível

De bicicleta, da escada, do galho de uma árvore

De um sonho, do alto de uma esperança, de uma ilusão

Escorregando de um colo ou despencando de um coração qualquer

Ferida que está disfarçada, coberta por uma cicatriz

Para não chamar a atenção dos curiosos

Para não assustar os mais sensíveis

Para que se evite cutucar

Para que não sangre tudo outra vez

Para que cure, se cure, se cuide

Cicatrizes servem para nos lembrar que sobrevivemos

E que saudade é a bonita cicatriz da vida que doeu, sangrou

Que nos ensinou pela alegria e pela dor

Que ela pode ser bela

Mesmo com nossos machucados…

Alda M S Santos

As folhas que perdemos

AS FOLHAS QUE PERDEMOS

Uma grande e frondosa árvore

Quantas folhas produziu, quantas flores e frutos gerou

Quantas folhas secaram, caíram, “perderam-se”?

Mas a cada folha seca que caiu

A cada estação ou jornada que enfrentou

Ela engrossou tronco, aumentou galhos

Fortaleceu e aprofundou raiz

Tornou-se mais copada e bela, mais resistente às intempéries

Não controlamos as folhas ou frutos que perdemos

Mas, como acontece com as árvores,

Onde folhas, flores e frutos

Caem aos seus pés, viram húmus e as nutrem através do solo

O mesmo se dá conosco…

Cada folha perdida, chorada, sentida ou não

Nos fortalece, firma nossa emoção

Nutre nossa alma e nos abastece de amor…

Na verdade, nenhuma folha se perde

Nunca!

Quanto mais folhas e frutos “perdemos”

Deixamos cair, irem “embora”

Mais fortes nos tornamos…

Somos árvores!

Alda M S Santos

Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Descartáveis

DESCARTÁVEIS

Num mundo onde prevalece a lei do menor esforço

Onde se opta pelo que dá menos trabalho

Os descartáveis estão em alta

Copos, pratos, papéis, objetos diversos

Usou, não precisa lavar, descarta-se, joga fora

Nessa mesma onda, nessa avalanche descartável

Estão sentimentos, emoções, pessoas, relações

Se exige um pouco mais de atenção

Se cobra reflexão, valorização, tempo, reciprocidade

Ah, dá muito trabalho!

Deixa pra lá, passa a vez…

A fila anda!

Amizades, famílias, dons, aptidões, fé

Joga-se fora lares e o que tem dentro dele

Joga-se fora familiares

Reutilizar, renovar, para quê?

Joga fora e compra-se um novo

Pega, toma ou empresta de alguém!

Tudo que exige atenção, dedicação, cuidado diário

É perda de tempo…

E vamos nos enchendo de lixos descartáveis

Entupidos, pesados, cansados, doentes…

Mais vale uma taça de cristal que se lava a cada uso

Um amor que se irriga e se renova todo dia a cada beijo

Que a troca desenfreada para obter algo novo

Tudo de bom nesse mundo é o que nos empenhamos para ser duradouro

Para se eternizar em nós…

Alda M S Santos

Distribuindo responsabilidades

DISTRIBUINDO RESPONSABILIDADES

Depois de apontarmos diversos culpados

Pelo que somos, fazemos ou deixamos de ser ou fazer

Pela situação em que nos encontramos

Pais, filhos, cônjuges, amigos, familiares, chefes

A escola, o emprego, o clima, a igreja, Deus

Depois de apontados diversos responsáveis pelos nossos entraves

Nossos erros e acertos

Depois de termos nos dado os devidos descontos

Que fica de verdade para nós mesmos?

Qual a responsabilidade que assumimos pelo que somos

Pelo que fizemos com a vida que nos foi oferecida

Pelas escolhas que foram nossas?

Pelo bem ou mal que causamos?

Quem ainda pode ser responsabilizado

Além de nós mesmos?

Tendo tudo isso esclarecido e assumido

Fica mais fácil prosseguir evitando cair nos mesmos buracos

Fugindo da escuridão e da falsa luz que ofusca…

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Um pequeno sopro, uma brisa qualquer

E ela se desfaz, se desmancha

Morre, deixa de existir aqui

Para virar mil novas mudas de si por aí

Espalha-se por todos os lados

Levada pelo que, aparentemente, veio para destruir

Mas renasce noutros cantos,

Em terrenos propícios, terra boa

Tão bela quanto antes

Força que vem da fragilidade

Leveza que tem razão de ser

Em cada ser da criação

Força ou fragilidade é só uma questão de ponto de vista

De tempo, de fase, de estação…

Alda M S Santos

Quem não dança…

QUEM NÃO DANÇA…

Quando o fato é incontestável

Contesta-se quem o divulga

Quando a pessoa é indefensável

Ou a mentira é clara e cristalina

Arruma-se outro assunto

Outro crime ou criminoso

Para ocupar seu lugar

Nessa luta de vítimas e réus

Condenados e absolvidos

A “plateia” sempre leva a pior

É o público a ser manipulado

Porque, no fundo, não importa a verdade

O que vale é aquele que melhor manipula

E faz de qualquer mentira uma verdade

Que apaga o que quer, reescreve como acha melhor

Mexendo habilmente os pauzinhos dos cordões de seus bonecos

E as marionetes dançam conforme a música que tocam

Quem não dança, não gosta dessa música

Ou dança diferente

É considerado louco…

Quero dançar diferente, prefiro ser louca!

Alda M S Santos

Será que sou daqui?

SERÁ QUE SOU DAQUI?

Tantas vezes olho para cima

Um céu noturno, salpicado de estrelas

Uma lua de tantas fases e faces

Nuvens pesadas separando os mundos

Ou um lindo sol a uni-los

Um infinito de possibilidades

Uma via láctea ali estampada e convidativa

E sinto que não pertenço a esse mundo

Um mundo tantas vezes cruel e injusto

Desigual e repleto de males do corpo e da alma

Sinto que não sou daqui

Que há uma força a me atrair

Será que de lá eles olham para cá

E têm a mesma impressão?

Será que cada estrela não é um ente querido que se foi

Como falamos para as crianças?

Será que há uma porção minha do lado de lá

Que quer me levar embora daqui?

Ou sou eu que carrego comigo uma porção delas

E esteja querendo atraí-las para cá?

Será que temos algo a trocar, a compartilhar?

Sei que esse mundo é muito maior que isso aqui

E há muito a aprender, a ensinar

A pedir, a oferecer…

Quero voar, subir, encontrar com outros seres

Iguais ou não, encontrar com Ele

Correr sobre as águas, sentar num banco de nuvens

Bater um papo longo, ganhar um colinho

Quem sabe assim a gente se complete

E construa um mundo mais justo

Lá e cá?

Sinto que não sou daqui

Mas enquanto estiver aqui tentarei fazer o melhor…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Parceira da felicidade

PARCEIRA DA FELICIDADE

A mentira se veste e reveste

Se cobre, se enfeita e se recobre

Brilhos, sons, manhas e artimanhas

Faz de tudo para parecer bela e envolvente

Precisa tapar aquilo que no fundo é bem feio e assustador

Verdade não precisa de vestimentas ou artifícios

Apresenta-se nua e crua, não se envergonha

Preferir estar “vestido” à nudez nem sempre é por pudor

Pode ser por ser tão feio que prefira estar “encoberto”

Mesmo que possa machucar, a verdade é cheia de carinho

Não precisa se cobrir ou disfarçar

Ser verdadeiro já é por si só cheio de beleza

O encanto está em ser real, autêntico

A boniteza está na clareza, na transparência

A maravilha está na naturalidade

Verdade traz alegria, cedo ou tarde

Simplicidade e verdade são parceiras da felicidade…

Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA

Onda que chega, pesada, crescente

Forte, carregada de opiniões e palpites

Cega, radical, violenta, destrutiva

Daquelas com as quais não compactuamos

E querem nos arrastar consigo

Contra nossa vontade ou desejo

Naquela avalanche de negativismo

Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente

Ou, simplesmente, deixar-nos levar

Não desperdiçar energia

Ver até onde dá pra ir sem nos ferir

E escolher o melhor momento para sair fora

Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados

Encontrar o ponto essencial

Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência

Aquele que nos torna humanos

Uma hora toda onda passa e se desfaz…

Alda M S Santos

Da minha varanda

DA MINHA VARANDA

A vista da minha varanda

Sou eu quem faço

Dizem que são sempre as mesmas árvores

As mesmas casas inacabadas, as mesmas aves

O mesmo vento, o mesmo sol, a mesma chuva

O mesmo céu…

Mas sou eu quem pinto esse quadro

Sou eu quem dou o tom, a intensidade

Sou eu quem estilizo, dou o brilho a cada cor

Personalizo meu quadro diário

Sou eu quem “fotografo” com e para a alma

Tudo que há de belo ali

Posso tornar tudo fosco, cinza, preto e branco

Ou posso pintar tudo multicolorido

Tudo dependerá das cores que houver em mim

Naquele momento que minha “objetiva” captar a imagem

Não há monotonia, não há rotina

Cada dia nova imagem que me absorve

Com encanto e magia…

Alda M S Santos

Tragédia anunciada

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Uma parede torta, trincada

Um céu de nuvens negras, pesadas

Uma raiva intensa, acumulada

Pessoas falantes quando caladas

Tragédia anunciada!

Hipertensão, colesterol alto, glicemia elevada

Medos e traumas não vencidos

Uma vida sedentária, muito parada

Falhas e erros conhecidos, repetidos

Tragédia anunciada!

Uma encosta pesada, encharcada

Bêbados descontrolados aos volantes

Uma represa não fiscalizada, sobrecarregada

Aquela vida falsa e secreta dos “amantes”

Tragédia anunciada!

Um planeta tão maltratado, explorado

Bomba-relógio armada, um perigo

Um futuro não valorizado, ignorado

Não há como manter intacto esse abrigo

Tragédia anunciada!

BUM!

Alda M S Santos

Que inteligência é essa?

QUE INTELIGÊNCIA É ESSA?

Que inteligência é essa

Que produz máquinas e armas de destruição

Mas que não cura um câncer, um mal do coração?

Que inteligência é essa

Que num simples acionar de um botão

Pode lançar um míssel nuclear e nos reduzir a pó

Mas deixa morrer de fome um irmão?

Que inteligência é essa

Que nos leva à guerra, ao terreno do outro, por insanas disputas emocionais ou materiais

Mas não enxerga a vida que míngua bem nos seus quintais?

Que inteligência é essa

Que viaja em naves e foguetes pelo longínquo campo do espaço sideral

Mas não acha o caminho da paz e do amor dentro de si, de seu tão próximo campo emocional?

Que inteligência é essa?

Alda M S Santos

Salve-se quem puder

SALVE-SE QUEM PUDER

Tempos difíceis vivemos

A vida como a conhecemos pede socorro

Preta, branca, amarela ou vermelha

Salve-se quem puder

Somos capazes de ouvir?

A humanidade corre risco

Nem isso é capaz de nos unir?

Salve-se quem puder

Não há como se esconder ou fugir

Dinheiro, bens, títulos, posses diversas nada valem

O único modo de nos salvarmos

O único transporte possível para nos tirar daqui

É o que carregamos dentro de nós

A medida exata entre razão, amor, compaixão

A capacidade de nos vermos como espécie

Como um todo que faz parte de algo maior

Salve-se quem puder não é lema individual

Só nos salvaremos se agirmos coletivamente

Não há como se salvar deixando o outro para trás

Na perspectiva da continuidade da vida

Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos como raça, como espécie…

Salvemo-nos todos se pudermos!

Alda M S Santos

Desertificando

DESERTIFICANDO

Um planeta desértico estamos nos tornando

Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional

Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono

Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente

Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão

Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis

Mas como em todo deserto

Enquanto houver lembrança da umidade e frescor

Enquanto brilhar a esperança de um oásis

Enquanto estiver firme o desejo de mudança

Ainda será possível abrir os olhos e o coração

A despeito da ventania, da areia, do calor intenso

E, em marcha, seguir toda a humanidade

Um passo de cada vez

Um ser humano após o outro

Em busca de nova vida…

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Olhe para mim

OLHE PARA MIM

Olhe para mim, mas olhe devagar

Preste atenção, demore-se…

Olhe e me enxergue verdadeiramente como sou

Um alguém que precisa de você, de carinho e atenção

Não me deixe ir embora, silenciar

Não quero fugir para dentro de mim, me afastar

Quero estar com você, sentir você

Sentir-me uma pessoa amada…

Não quero mergulhar no meu mundo

Quero fazer parte do seu mundo também

Sinto-me só, um ninguém nesse mundo

Do qual tantas vezes quis ir embora

Nesse seu mundo tão “perfeitinho” sinto-me um nada

Olhe para mim! Me abrace!

Por favor, me enxergue, faça-me ver propósito nessa vida

Que eu possa ser importante, necessária ao menos pra você

Preocupe-se comigo, me imponha limites de amor e cuidado

Olhe para mim!- é o grito silencioso de tantas crianças e jovens

Ao se rebelarem, enfurnarem-se no quarto

Quebrarem regras, ultrapassarem limites

Tantas vezes têm “tudo”, mas falta-lhes o essencial

Sentir-se alguém no mundo de alguém

Falta amor em atitudes simples

O amor é que nos faz ter prazer no viver

Aquele amor demonstrado no cuidado e atenção diários

O amor é que impede que tantos queiram acabar com a vida, com o inexistir

“Olhe para mim!”

Alguém perto de nós está gritando esse pedido…

Prestemos atenção!

Alda M S Santos

Trapaças

TRAPAÇAS

Trapaças no trabalho, na rua, no trânsito, no esporte

Na fila do banco, na escola, nos hospitais

Trapaças na política, na igreja, até nas famílias

A palavra de ordem é levar vantagem

Toma-se o que não lhe pertence

Justifica-se de qualquer modo

Quem foi trapaceado?

Ah, isso é mero detalhe…

Quem se importa?

De tanto trapacear o certo tornou-se relativo

Raizes sólidas não mais existem em nada

O errado evaporou, não mais existe

Sequer nota-se quando alguém é trapaceado

Ou quando se é o autor da falcatrua

Exceto quando sofre a trapaça

Aí tudo muda de figura…

Sentir na pele o mal que alguém sofre

É o melhor meio de entender a dor do outro

E procurar evitá-la…

Alda M S Santos

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Heroínas

HEROÍNAS

Em tempos de mundo do avesso

Muitos podem ser os pequenos grandes feitos

E são heroínas todas aquelas que conservam seu lado “direito”

Que, a despeito de todo avesso e adversidade,

Ventos contrários, covardias de todo tipo

Abandono, tsunamis, raios e trovões

Mantêm-se de pé, firmes tal qual árvore frondosa

E sustentam sua prole, sua família, sua vida

Financeira, moral e amorosamente

Sem jogar a toalha, sem lamúrias

E sem perder a própria essência

Somos nossas próprias heroínas!

Alda M S Santos

Ponte: uma saída

PONTE: UMA SAÍDA

Uma ponte sempre é uma boa opção

Une pontos, encurta caminhos

Aquela que nos leva de cá para lá

Que nos tira de algo não mais desejado

E nos leva para o almejado

Uma ponte nunca é o destino, apenas a passagem

Mas cada qual a vê de um modo

Pode ser bonita, tranquila, bem aproveitada

As saídas enxergadas ali são variadas

A disposição para seguir, idem

Uns a atravessam em busca do novo

Alguns querem voltar, na contramão

E outros se lançam dali, do alto

Entregam os pontos, desistem

Veem apenas o fim de uma dor…

Que não fiquemos estacionados na ponte

Que ela nos aponte vida, luz, esperança e paz!

Alda M S Santos

Sempre a luz

SEMPRE A LUZ

Ora em tons de verde, florido, claro, quentinho

Ora cinzento, frio, escuro, fosco, triste

Mas a luz está sempre lá…

Quantas pegadas foram deixadas para trás

Quanto há dessa estrada a percorrer

Mais, menos… não sabemos

Mas a luz está sempre lá…a chamar

Quantas vezes quisemos voltar, parar, seguir

Sorrir, chorar, gritar, silenciar

Pular partes, sentar, desistir

Vencer tudo de uma vez só

Mas a luz estava sempre lá…a nos chamar

Vamos construindo passo a passo esse caminho

Lentamente, apressadamente, andando ou correndo

Mas a luz está sempre lá…

Sentimentos se alternando em nós, humanamente

Bem acompanhados, muitas vezes, agradecidos

Solitários e meio desamparados em outras, descrentes

Mas a luz está sempre lá…

Ela é nossa bússola, nosso guia

Aquela que nos traz de volta aos trilhos

Nas vezes em que, por imperícia, descarrilhamos

Ela é nosso objetivo

Sempre a luz…

Sempre a busca incessante pela luz

É ela que nos fortalece e anima

Quanto falta? Não sei…

Sei que sigo a minha Luz…

Alda M S Santos

Pierrô, Arlequim ou Colombina?

PIERRÔ, ARLEQUIM OU COLOMBINA?

“Pierrô apaixonado que vivia só cantando…”

Vai Carnaval, vem Carnaval

E sempre serão encontrados

Pierrôs apaixonados, cantando ou chorando

Arlequins preguiçosos e malandros

Colombinas encantadoras, confusas e disputadas

Amores e desamores de teor teatral

Cenários tragicômicos, amores frustrados

Uma “peça” a nos pregar peças

Personagens que atravessam a linha do espaço e do tempo

Gênero, cultura, classes sociais

Histórias e releituras da mesma sátira social

O circo, o palhaço, a arte, a plateia

A vida imitando a arte

Ou a arte imitando a vida?

Rótulos quebrados ou reforçados

Amor não é só flor, é cego, é também dor

Palhaço não é só sorrisos ou alegrias

Cantar não imuniza contra qualquer dor

E, com toda certeza, Carnaval ou não

Vez ou outra, em algum momento da vida,

Não estamos a salvo, seremos tomados por um Pierrô, Arlequim ou Colombina

Independente se somos homem ou mulher

Palhaços somos, cantando ou chorando…

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

Os dias passam, a vida corre

O tempo voa…

Queremos também voar

Temos pressa!

O que é bom passa rápido

O que é ruim nem tanto

Corremos em busca do que interessa

Perdemos tempo com o que não presta

Temos pressa!

Tudo muda de lugar

Pessoas se vão, algumas ficam, outras chegam

Família, amigos, amores

Todos procurando se manter inteiros

Nessa ventania louca do tempo…

Temos pressa!

Tantas coisas boas se perdem

Queremos abrir nossas asas

Voar junto com o tempo

Amanhecer, entardecer, anoitecer

Entre alvoradas e luares

Almejamos parar o tempo

Para cessar a pressa de viver

E assim nada perder

Temos pressa!

Não queremos ir embora

Tendo deixado algo por viver…

Alda M S Santos

Baixa imunidade

BAIXA IMUNIDADE

Se a imunidade corporal baixa

Aparecem as doenças oportunistas

Influenza, resfriados, alergias, e as mais variadas infecções

O corpo fica entregue, custa a reagir

Se a imunidade emocional baixa

A autoestima cai, o amor-próprio míngua, a autoconfiança se esvai

A saúde emocional corre risco

A alma fica fragilizada

Surgem os (des)humanos oportunistas

Para o corpo, vitaminas, fortificantes e movimento

Para a alma, carinho, proteção, amizade

E o movimento do amor…

Esses são os remédios para baixa imunidade

Deles não abro mão …

Alda M S Santos

Degustação

DEGUSTAÇÃO

Numa analogia com um grande restaurante

A vida teria uma quantidade diversa de clientes

Glutões, famintos, anoréxicos, bulímicos

Aqueles que comem de tudo sem critério ou medida

Os que não ingerem quase nada por medo de peso extra

Os que engolem de tudo desenfreadamente e logo vomitam, descartam

Aqueles cujo organismo não dá conta de processar muito bem o alimento

Os que querem apenas variedade, sem qualidade

Os que ficam pegando rebarbas dos pratos alheios

Os que preferem somente a degustação, não pagam o preço do “prato”

Passam fome…

E aqueles sábios e experientes que sabem o que querem

Buscam exatamente o que precisam para se alimentar

Não se encantam mais só pela apresentação ou aroma do prato

Buscam prazer e valor nutritivo num prato que seja seu

Que tenham plantado ou pescado

Querem alimento para o corpo e para a alma

Estão sempre bem alimentados

Sabem que degustação por degustação não traz satisfação…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA

Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes

Um quarto quentinho, macio e acolhedor

Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo

Uma rede na varanda com uma vista da Serra

Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira

Um gramado para brincar, dançar, se exercitar

Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…

Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia

Mas para um lar todos têm o mesmo desejo

Que seja amoroso, pacífico, harmonioso

E isso independe da casa em que se mora

Depende muito de com quem se mora

E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos

Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado

Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado

Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado

Ao modo como cada pessoa presente ali

Lida com a bagunça que traz dentro de si

E com a bagunça que o outro traz consigo

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Nas batalhas

NAS BATALHAS

Batalha pelo pão que alimenta o corpo

Batalha pelas águas claras que hidratam o ser

Batalha pelo chão firme sob os pés

Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres

Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins

Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver

Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma

Batalha para sentir-se membro dessa nau

Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração

E viver um sonho real

De amor e compaixão…

Nas constantes batalhas para nos firmar como gente

Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade

Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render

Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos

Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos

E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa

Alda M S Santos

Te carreguei no colo

TE CARREGUEI NO COLO

Criados para suportar toda adversidade

Nosso corpo é flexível

Nossa mente é adaptável

Nossa alma é renovável

Nosso coração é elástico, capacidade ilimitada

Muitas vezes desconhecemos esse fato

Constantemente colocados à prova

Numa análise preliminar

Pensamos tombar facilmente

Numa avaliação mais minuciosa

Em retrospectiva, descobrimos nossa força

A força que vem do Criador

Que olha por nós e nos ampara todo o tempo

Que nunca nos abandona, mesmo quando estamos muito pesados

Pelas dores e adversidades do viver

“Nos momentos mais difíceis de sua vida

Eu te carreguei no colo”…

Alda M S Santos

Como determinar?

COMO DETERMINAR?

Por quanto tempo certas perdas irão doer

Por quanto tempo algumas pessoas farão falta

Como determinar?

Por quanto tempo elas serão lembradas sob lágrimas

Quando a lembrança será apenas saudade boa?

Como determinar?

Depende do tempo que se passou juntos

Da profundidade do que foi vivido, das marcas deixadas?

Como determinar?

Doerá menos se não restaram dívidas a quitar

Se não ficaram mágoas ou algo a perdoar?

Como determinar?

Por quanto tempo quem ficou para trás

Ainda se sentirá sem chão ou perdido

Como determinar?

Há como calcular o tempo de cura?

Em quanto tempo os vazios deixados serão novamente preenchidos?

Tantas pessoas se vão todos os dias

Tantas pessoas ficam para trás

Tantas dores que não sabemos se têm fim

Ou se são apenas anestesiadas, amortizadas

Tantas perdas, tantas mortes

Até quando quem as sofreu

Irá querer voltar no tempo para ter de volta quem se foi,

Para consertar algo?

Como determinar?

A vida é um piscar de olhos

Aproveitemos esse intervalo antes do cerrar definitivo das pálpebras!

Alda M S Santos

Instituto Inhotim -Brumadinho

Preste atenção

PRESTE ATENÇÃO

Olhe para o que te falta, busque

Mas veja aquilo que você tem de verdadeiramente seu

Olhe devagar, absorva o positivo, o divino

Preste atenção!

Inspire fundo, sinta o perfume doce da paz

Mesmo que precise inspirar muitas vezes

Sinta-se vivo! Preste atenção!

Olhe no seu entorno

Natureza viva, ar puro, brisa suave, calor humano

Entregue-se! Delicie-se!

Veja quem te estende a mão, quem te cuida

Quem te abraça, te acolhe, te ama

Quem reza por você, pensa em você

Quem sempre te coloca como prioridade

Preste atenção!

Veja com um novo olhar tudo aquilo que está dentro de você

Demore-se um pouco nesse olhar, tenha calma

Preste atenção! Sinta-se!

Ainda que seja apenas você mesmo

Olhe! Veja de verdade! Preste atenção!

E valorize! Valorize-se!

Onde você se encontra, também se encontra Deus

A vida é aquilo que fazemos dela…

Alda M S Santos

Porteira fechada

PORTEIRA FECHADA

A vida nos é dada de porteira fechada

Como propriedades negociadas com tudo que carregam porteira para dentro

Recebemos ao nascer um pacote pronto, sem escolhas

Mas não precisa ser assim para sempre

Aos poucos vamos “negociando” o que ela nos deu

Fazendo trocas, descartes, novas aquisições

Vamos fazendo valer nossas escolhas, desejos

Descobrindo o que nossa “terra” produz melhor

Ou aquilo que ela não é boa em cultivar

Adubando o que cresce, enriquece, matando pragas

E dando a essa “propriedade” chamada vida

Que é só nossa, querendo ou não

A nossa cara, nossas características

Tudo que temos ou somos é resultado de nosso trabalho

Na propriedade que recebemos a princípio

Há alguns anos ou décadas…

A porteira veio fechada

Abri-la e fazê-la crescer cabe a cada um de nós…

Alda M S Santos

Antes de morrer

ANTES DE MORRER

Revendo minha lista de coisas a fazer antes de morrer

Já teve pouquíssimos itens, aumentou muitos

Agora sofre perdas e substituições

Uns são simplesmente apagados por inadequação

Por acreditar que o tempo não será suficiente

Por maturidade, decepção e/ou cansaço

Ou por pura covardia mesmo…

Nesse ínterim, outros itens mais “adequados” são inseridos

Menor exigência, maior fé, mais autoconhecimento

Mais autoproteção, menos ansiedade, mais sabedoria

A cada item alcançado, um novo é acrescentado

Afinal, o tempo ainda não parou

A areia desce na ampulheta invisível da vida

Tento acompanhá-la no meu ritmo

E a lista está ali, pedindo para ser completada

Antes de morrer…

Alda M S Santos

Talvez

TALVEZ

Talvez um dia eu possa me arrepender

Talvez no futuro tudo venha a ser diferente

É até bom mesmo que seja, que mude

Mudança gera força, crescimento

Mas, hoje, é o que tenho

E, hoje, posso agir, escolher um caminho do qual me orgulhe

Talvez não saiba ao certo como agir

Mas sigo minha intuição, meu coração

Se ele dói, se aperta, é porque o caminho não é o melhor

Tem pedras, buracos, posso cair, me machucar

Ou não conseguir impedir a queda de alguém querido

Mudo a rota, a altitude, o voo

Balanço, fico insegura, nem sempre tranquila, tenho medos

Mas sigo em frente no hoje, mantendo o equilíbrio

Talvez amanhã nem esteja mais aqui

Mas quero levar comigo e deixar por aqui

A lembrança de alguém que fez tudo que pôde por amor

Talvez o amanhã mude, ou seja ainda melhor

Creio nisso e sigo…

Talvez…

Alda M S Santos

Que não doa tanto ser gente

QUE NÃO DOA TANTO SER GENTE

Algo errado, muito errado, desumano

Que acaba por acionar angústias e tristezas represadas em nós

Nossas comportas também se rompem

Sensação de não pertencimento a esse lugar

Desvalorização da vida, dos sentimentos, das conquistas

Vidas hierarquizadas, sem critério algum

Saudades de outros tempos, de outras pessoas

De uma época em que sabíamos valer algo

Talvez nem valêssemos, mas não percebíamos assim

A ignorância dos fatos é, muitas vezes, uma bênção

Pessoas lançadas umas contra as outras

Por questões políticas, religiosas, sociais, financeiras

Não se sabe mais ao certo o que é importante

Uma barragem se rompe lá e estoura algo aqui dentro da gente

Saudades…

Saudades de um tempo bom

Em que não éramos apenas números

Uma imagem embaçada na memória, um retrato na estante

Ou do que éramos noutro tempo

Quando não matávamos tudo, até sentimentos

Esse tempo existiu mesmo?

Quero um mundo novo, mais humano

Quero um lugar novo, onde não doa tanto ser gente

Quero ir embora daqui

Quero reencontrar a esperança e a capacidade de sonhar

E afastar o pesadelo da realidade…

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

Também somos responsáveis

TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS

Quando não ouvimos os gritos que imploram por socorro

Também somos responsáveis

Quando não entendemos o olhar que nos implora atenção

Também somos responsáveis

Quando nos calamos diante do silêncio sugestivo e de alerta

Também somos responsáveis

Quando ignoramos um pedido de perdão

Também somos responsáveis

Quando fechamos os olhos para a escuridão que se avizinha

Também somos responsáveis

Quando usufruímos do objeto/produto que possa causar dor ao outro

Também somos responsáveis

Quando não gritamos, não entendemos, não agimos

Quando somos tomados pelo comodismo e pela inércia

Também somos responsáveis

Não importa de onde venha a lama ou a tragédia

Ou de onde os escombros caiam

Se ocorre no trabalho, na igreja, na vizinhança

Em nosso próprio lar ou dentro de nós mesmos

Somos, no mínimo, corresponsáveis

Que cada qual possa assumir sua cota de culpa

E mudar…

Alda M S Santos

Lavando a alma

LAVANDO A ALMA

No Sol que irradia e aquece a pele

Nas pedras que massageiam e acariciam os pés

Na água da cachoeira que refresca e limpa corpo e mente

Na chuva que inunda e fecunda ideias

Na Lua que cresce, diminui, some e volta, nunca desiste

Nas estrelas que brilham na escuridão do firmamento

No som do silêncio que desperta saudades

No carinho e cuidado daqueles que me cercam

Que precisam de mim, que deles necessito

Em tudo lavo minha alma, pouco a pouco

Pois a alma precisa de um sabonete especial chamado amor

E ele só encontramos naquilo que Ele criou…

Lavando minha alma sigo buscando a paz…

Alda M S Santos

Meu tempo

MEU TEMPO

Meu tempo já não é mais o mesmo

Menos ansiedade ou afobação

Um leque maior de opções, sem tanta obrigação

Correria só por lazer ou diversão

O número de coisas a adquirir importa cada vez menos

É preferível despertar emoções saudáveis e bons sentimentos

Já aceito melhor a qualidade em detrimento da quantidade

Aprecio novos lugares, mas sei bem que “com quem” vale mais do que “onde”

Já não tenho tempo a perder remoendo raivas, ciúmes

Sofrendo culpas, me martirizando pelo que não tenho controle

Sei que dar soco em ponta de faca só fere a mim mesma

Prefiro me encontrar nos sorrisos, nos abraços

No carinho sincero, no amor declarado mesmo no silêncio

Assumo o produto de minhas escolhas, erros e acertos

Para o bem ou para o mal

Aceito melhor os tempos das outras pessoas diferentes de mim

Valorizo o amor que se apresenta

Não cobro, não peço, não imploro nada

Doar o que temos é o melhor modo de conquistar o que precisamos

Estou aprendendo que nadar contra a corrente suga a energia

Mas não é pior que seguir um curso indesejado e indefinido

Que quase sempre não leva a lugar algum …

Meu tempo não é mais o mesmo

Mas ainda estou aprendendo a lidar com ele

Qualquer hora dessas eu consigo

E atinjo todas essas metas!

Alda M S Santos

Coleções

COLEÇÕES

Há coleções de todo tipo

De figurinhas, de selos, de joias

De carros, de jogos, de souvenir

De roupas, calçados, discos e livros

Há até quem colecione pessoas

Coleções para diversão, para exibição

Há coleções menos “concretas”

Coleções de sorrisos, de lembranças, de lágrimas

De delicadezas, de cores e perfumes

Há coleções de olhares, de poemas, de fotografias

Há coleções para serem exibidas

Há coleções para serem guardadas e protegidas no coração

Aquelas nos fazem “grandes” perante o outro

Estas nos fazem grandes perante nós mesmos…

Alda M S Santos

Minha idade não permite

MINHA IDADE NÃO PERMITE

A única coisa que a idade não permite

Seja ela pouca ou muita, iniciando ou já avançada

Masculina ou feminina, é a infelicidade

Se a felicidade pede, não é a idade que deverá impedir

Se a felicidade pede, não é o olhar maldoso do outro que irá impedir

Se a felicidade pede e não fere a consciência

Se a felicidade pede e não está retirando nada de ninguém

Se a felicidade pede e não põe em risco a felicidade do outro

Não é a idade que poderá impedir

Corpo e mente devem estar em uníssono, em sintonia

Para ouvir o que a alma precisa realmente para ser feliz

E não abrir mão da felicidade por preconceitos próprios ou alheios

A idade, seja ela qual for, não só permite

A idade pede, exige que façamos o que nos faz bem

A idade apenas nos mostra que o tempo tá passando veloz

E cabe a nós fazê-lo correr o mais prazerosamente possível

Para nós e para os outros

Enquanto há vida…

Minha idade não me permite ser infeliz!

Alda M S Santos

Panorâmica

PANORÂMICA

Quero uma panorâmica da minha vida

Que capture tudo do início ao fim em 360 graus

Cores, diversos matizes, claros e escuros, foscos e brilhantes

Pontos em relevo, reentrâncias, 3D, transparências

Áreas secas, outras molhadas, oásis e desertos

Com direito a giros, emoções, sorrisos e lágrimas

Liberdade para extasiar, tontear, sem desabar

Quero nela todos aqueles que fizeram parte do meu viver

E revelar num grande mosaico

A minha simples passagem por aqui

Quero uma panorâmica da minha vida…

Alda M S Santos

Se eu puder escolher

SE EU PUDER ESCOLHER

Se tudo na vida nos rouba tempo

Que eu possa escolher como ser roubada

Que meu tempo seja subtraído

Fazendo coisas que me dão prazer

Que dão prazer aos outros, aos que me fazem bem

E quando eu não puder impedir lágrimas e decepções

Que ao menos possa ter quem enxugá-las

E, para cada lágrima que porventura eu venha despertar em alguém,

Que tenha, em contrapartida, deixado a lembrança de um sorriso, um abraço, um beijo, um cuidado

Que logo roube seu lugar e faça o tempo ser precioso

Se eu puder escolher

Escolho focar e ficar no que fez e faz bem

De perto ou de longe…

Alda M S Santos

Sempre em busca

SEMPRE EM BUSCA

Viver é estar sempre em busca

Ainda que não se saiba exatamente de quê

Mesmo que todos o vejam como preenchido

Aquele a quem nada falta

Por mais que sinta gratidão à vida

A tudo que foi permitido ter, ao que aprendeu a ser

Aquilo que foi conquistado, mantido, até mesmo aquilo que foi perdido

Aquilo que te fez o que hoje é

Tudo só foi e é possível por ter estado sempre em busca

Por nunca ter desistido ou estacionado na aparente completude

Só você sabe os motores que te movem

As necessidades que te (des)orientam, seus medos

Só você sabe seu tempos, suas urgências, suas carências

Ainda que não sejam verbalizadas ou compreendidas

São elas que te mantêm sempre em busca

São elas que dão a aparência de alguém a quem nada falta

Apesar de toda sua inquietude…

Todos veem “tudo” que você tem

São suas buscas e lutas que nem todos veem

Quem está vivo está sempre a buscar…

Alda M S Santos

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