Busca

Categoria

autopreservação

Nunca desistir de mim

NUNCA DESISTIR DE MIM

Seguir em frente, lutar sempre

Essa é minha promessa

Nem sempre fácil de manter

Curtir um dia de raios de sol que me aquecem

Mas também aceitar quando meu sol se esconder

Amar sob um céu estrelado e inspirador ou sobre nuvens de algodão

Mas aproveitar quando a Lua não aparecer e tudo for escuridão

Dançar na chuva entre abraços apertados e beijos molhados, aquecida

Mas saber suportar as fagulhas ameaçadoras das tempestades de gelo, sofrida

Enquanto nova alvorada não surge em mim, renascida

Retribuir o amor e carinho daqueles que me cercam e apoiam

Mas aceitar e respeitar o direito daqueles que não me querem por perto, não me amam

Sobretudo, amar a mim mesma, sempre

Ainda ou principalmente quando outros me abandonarem

Mesmo em minhas fragilidades, medos e carências

Ainda que erre, caia e não consiga levantar tão facilmente

Ou que nem sempre seja minha maior fã

E queira ficar escondida debaixo das cobertas…

Pois a promessa fundamental é, independente do que acontecer,

Cuidar do meu coração

E nunca desistir de mim mesma!

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

Tesouros

TESOUROS

De tudo que é passível de perdas na vida

Dinheiro, emprego, casa,

Carro, joias, objetos preciosos

Nada gera mais dor e arrependimento

Nada pesa mais nas costas e encurva o andar

Nada tira mais o brilho do sorriso ou ofusca o olhar

Que a perda dos tesouros que não têm preço

Cuja falta desvaloriza qualquer outro “bem” adquirido

E que muitas vezes foi oferecido gratuitamente, negligenciado

Ignorado, não conservado, inviabilizado

A saúde do corpo e da mente

A fé em algo maior e superior que olha por nós

A capacidade de ser grato à vida em nosso entorno

Nas mais variadas formas de luz e beleza

Um olhar de aceitação e bondade de alguém querido

A utilização de modo solidário dos dons

Uma amizade verdadeira, desinteressada e sempre solícita

Uma vida de dedicação e cuidado recebidos daqueles que nos cercam

Um amor incondicional, que sobrevive às adversidades

Utilizando-as como adubo para deixar o broto do bem fortificar

E gerenciar sabiamente, equilibradamente, a esperança

Apesar, ou por causa, dos balanços, do ir e vir

Dos ganhos e perdas que todos temos…

Os tesouros mais difíceis de se perder não se guardam em baús ou bancos

São aqueles que, bem leves, carregamos na alma e no coração…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Previsão do tempo

PREVISÃO DO TEMPO

Tempo propenso a grandes instabilidades físicas e emocionais

O ar úmido e quente vindo dos trópicos alheios pode nos atingir em cheio

Avariando corpo, mente, alma e coração

Maré alta em nossos oceanos acabam por provocar grandes tormentas, frustrantes e dolorosas ressacas

Umidade interna intensa e sujeita a transbordamento ocular

Nebulosidade ao longo do dia turvam a visão ocasionando temporais isolados e destrutivos

Ventos polares fortes trazem a conhecida, terrível e viral massa de ar frio

Causadoras de males pulmonares, circulatórios e cardíacos

Agasalhe suas emoções! Movimente-se!

No oeste há chuvas torrenciais, cuidado com inundações e os lixos trazidos

Lembre-se do guarda-chuvas!

Granizos de variados tamanhos podem machucar, causar grandes danos e deixar marcas

Aproveite para colocar na enxurrada o que não mais lhe serve

No leste, chuva fina intermitente, daquelas que aguam o passado, baixam a resistência no presente, comprometem o futuro

No Sul possibilidade de alta luminosidade, sol forte e calor

Abra as janelas da alma, deixe a brisa suave e o sol entrar, aqueça-se

Coloque os guardados para tomar um ar

Tome um ar você também, inspire fundo, expire…

O tempo é só o tempo: mutável e instável

O clima é o que fazemos dele…

Escolha um clima bom para você viver!

Alda M S Santos

Ensaio de guerra

ENSAIO DE GUERRA

Nada “melhor” que um ensaio de guerra para percebermos o que tínhamos

E, por cegueira temporária, não enxergávamos

Bastou parar caminhões, faltar combustível

Para faltar tudo aquilo que pensávamos “não ter”

Brasileiros, ao menos boa parte deles,

Vive na carência material, de saúde, educação, transporte, segurança …

Mas o medo de vir a minar o básico dos básicos

Levou os cidadãos à corrida para estocar alimentos, água, a economizar

Temos muita corrupção e roubalheira, submissão, inércia e letargia

Mas também temos, bem ou mal, alimentos, água, moradia, transporte…

Sem levar em conta os oportunistas e aproveitadores

Que olham do alto e se enxergam como únicos numa multidão de famintos

E, além do jeitinho malandro de sobreviver, temos bom humor para enfrentar o caos

Criatividade para buscar o que precisamos

Tudo isso nos fez focar no que ainda temos

Não apenas no que nos falta…

Crises despertam o que temos de mais animal e irracional em nós: o instinto de sobrevivência

Atiçam nossas características mais fortes, boas ou ruins

O grande paradoxo é que é com elas que acordamos e lutamos

E também nos matamos…

Alda M S Santos

Sangrando

SANGRANDO

Tão bela, tão delicada, tão perfumada

Singela, encantadora, frágil

Frágil? Às vezes!

Sabe se defender, tem espinhos, fere

Resiste às tempestades constantes

Perde folhas, galhos, flores, para manter a raiz

Assim são as roseiras, assim são as pessoas…

A diferença é que elas não ferem a si mesmas

Humanos ferem-se com os próprios espinhos

Se atrapalham, se automutilam, confundem-se

Machucam seus amigos, quem lhes quer bem,

Afastam o essencial, sangram…

Sangrando buscam um caminho menos nebuloso, menos árido

Mais aconchegante, tranquilo, pacífico, alegre

Para colorir, florir, encantar, viver, amar…

Alda M S Santos

Quando…

QUANDO…

Quando alguém chegar, bater à sua porta, peça para se identificar

Exija um crachá, um cartão, um uniforme, um ingresso, um convite, uma credencial

Isso previne que você abra o portão para um ladrão

Além do documento oficial que pouco diz

Observe atentamente o olhar, que muito expressa, a “bagagem” que carrega nas costas

As expressões faciais que traduzem o que vai dentro

Deixe entrar no quintal, na varanda, aos poucos, ou dispense

Mas antes de adentrar sua casa você precisa saber:

Quem é esse alguém que se apresenta e chega assim tão perto?

Qual seu histórico de vida, seu Curriculum Vitae pessoal?

Que pode trazer de verdadeiramente bom para sua vida,

Que você pode contribuir para a vida dele?

Aceite a interação, ajude, permita-se ser ajudado

Mas, evite danos, seja guardião de seus tesouros

Internos e externos…

Independente da “casa” que possua!

“Na sociedade há muitas pessoas que colocam trancas nas portas,

Mas não têm proteção emocional”. (Augusto Cury)

Alda M S Santos

Descartável

DESCARTÁVEL

Usou, sujou, não serve mais

Descarte!

Enguiçou, travou, deu defeito

Descarte!

Enferrujou, quebrou, queimou

Descarte!

Perdeu a utilidade, ficou velho, não agradou

Descarte!

Vai dar trabalho, “perder” tempo, cansar

Descarte! Compre um novo! Substitua!

“Coisa velha ou estragada não compensa arrumar”

É o raciocínio reinante na era descartável

Não importa se são coisas, objetos ou seres inanimados

Pessoas, sentimentos ou relações

Nada se conserta, tudo se descarta, substitui-se

E com tanto descarte por aí

Não há espaço nem para o “velho” e nem para o “novo”

Tudo é jogado fora!

Só que na perspectiva da vida, da alma, não há fora

Tudo está dentro de nós!

As peças estão todas lá: fusíveis, porcas ou arruelas

E todas as ferramentas necessárias para construção do “novo”

A partir do conserto do “defeituoso”:

Chaves de fenda, martelos e alicates

Amor, disposição, fé e coragem …

Não adianta usarmos nada novo, objetos ou pessoas

Iremos danificá-los e torná-los inúteis logo, logo

Se nós mesmos não nos consertarmos, continuarmos velhos e defeituosos…

Alda M S Santos

Esquecimento

ESQUECIMENTO

Esquecer…

Um alívio que muitos procuram

Apagar o que machuca, deixar para trás

Esquecer…

Necessidade real, do que às vezes parece tão irreal

Cargas pesadas, difíceis, dolorosas, mágoas

Esquecer…

O que deixou de fazer por covardia, o que fez sem querer, os medos

O que fizeram consigo, com ou sem permissão

O que você fez com os outros sem pensar bem

Esquecer…

Para isso, muitos buscam drogas, alucinógenos, leveza para o que pesa

Esquecer…

A verdade é que na tentativa de esquecer, busca-se entorpecimento

Cria-se, muitas vezes, mais lembranças dolorosas a serem esquecidas…

Esquecer…

Sem resolver dentro de si o que machuca

É como suturar uma ferida infeccionada que ainda sangra…

Alda M S Santos

Rachaduras

RACHADURAS

Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas

Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente

Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse

E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro

Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços

Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente

Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões

E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência

Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar

Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos

Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio

Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”

Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate

Nos balanços das grandes tempestades

Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…

Alda M S Santos

Embaladas a vácuo

EMBALADAS A VÁCUO

É sabido que as pessoas são diferentes

Consequentemente, lidam de modo diferente com ganhos e perdas

Mas queria entender como algumas pessoas

Conseguem parecer embaladas a vácuo

Parecem isoladas do mundo externo,

Quase nada as atinge,

Superam, esquecem qualquer coisa facilmente

Mesma postura, mesmo perfil

Passe uma brisa ou um furacão

Amor ou desamor, alegria ou decepção

Sucesso ou fracasso, vida ou morte

Nada muda para elas!

Como máquinas, acolhem ou descartam “dados” sem danos

E seguem…

Não é inveja ou despeito,

Nem que eu queira ser exatamente assim!

É para saber como “pegar” ao menos um pouquinho disso!

Alda M S Santos

Aprendendo a viver

APRENDENDO A VIVER

Quantas vezes é preciso cair para aprender a ficar de pé?

Quantas vezes precisamos passar pelo escuro para valorizar a luz?

Quantas vezes passaremos pela mesma pedra no caminho até aprender a dela desviar?

Quantas vezes cometeremos o mesmo erro até evitá-lo?

O cachorro chega devagar o focinho num canto onde foi sapecado por lagarta e se afasta veloz

Um bebê olha ressabiado para a tomada em que levou um choque

Quantas vezes precisamos passar por algo para entender?

Deus disse que deve-se perdoar 70 vezes 7

Supõe-se que se erre o mesmo tanto

Mas não precisa ser necessariamente o mesmo erro!

Isso se chama autoproteção, maturidade, experiência!

Nem é preciso muita racionalidade ou inteligência, apenas instinto, medo!

E assim a vida segue…

Deus tirando as pedras, a gente sendo atraído por elas

Entre erros, acertos, cuidado e proteção

Da gente mesmo, dos outros…

Vamos aprendendo a viver!

Alda M S Santos

Bagunça em mim

BAGUNÇA EM MIM

Há dias que estou tão bagunçada

Como aqueles jardins em que todas as flores disputam espaço

Perfumes, cores e formas se misturam…

Como um quarto de adolescente com livros, eletrônicos, roupas, calçados e pratos e talheres para todo lado

Nada se encontra ali…

Como uma criança numa loja de brinquedos deslumbrada com tudo, quer tudo

Não consegue se decidir…

Quando a bagunça é muita, não basta uma faxina

Precisa reorganização total e alguns descartes

Minha casa anda tão bagunçada,

Que tropeço em mim mesma, caio, machuco, choro,

Quase desisto! Quase!

Alda M S Santos

APPs para facilitar as relações

APPs PARA FACILITAR AS RELAÇÕES

Tantos aplicativos para facilitar a vida digital

E se houvesse aplicativos para o ser humano,

Automaticamente ativados em ambas,

Quando duas pessoas se aproximassem, sem poder burlar?

Tipo em letras luminosas na testa, no olhar, na roupa…

“Totalmente confiável” ou ” Sou uma fraude”

“Se deixar posso te fazer feliz” ou “Só aceito se vier inteiro”

“Totalmente frágil, cuidado” ou “Não se aproxime, perigo”

“Necessitando reparos urgentes” ou “Casada/o e feliz”

“Não perca tempo comigo” ou “Estou precisando de amigos”

“Mantenha distância para nossa segurança” ou “Covarde, tenho medo de viver”

“Sou doação 100%, não aceito menos, consegue encarar?”ou “Não me apego a nada ou ninguém”

“Meu Deus é maior e me protege de toda maldade”…

Entre tantos outros….

Muitas pessoas incompatíveis não se aproximariam

E tantas outras em sintonia não perderiam tanto tempo!

Quantos problemas seriam evitados?

Alda M S Santos

Responsável pelo que cativas

RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
“Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!”
Meio pesado, porém, contém alguma verdade
Mal damos conta de nossas ações e sentimentos
Não podemos ser responsabilizados pelas ações dos outros
Tampouco pelo que sentem ou deixam de sentir
Mas, se bem avaliarmos, notaremos certa responsabilidade
Na esperança que ora alimentamos nos outros
Nas promessas que fizemos e deixamos de cumprir
No que fomos ou deixamos de ser para alguém
Ainda que sem saber…
Não somos totalmente “inocentes” no que despertamos no outro
Exupéry, então, tem razão com seu Pequeno Príncipe:
Somos, de certa forma, responsáveis pelo que cativamos!
Alda M S Santos

Im ou explosão

IM OU EXPLOSÃO?

Implosão, explosão, ambas destruidoras

Derrubam, desmancham, apagam, zeram

Em se tratando de pessoas

Qual a que causa menos mal?

Explodir, quase sempre com os outros

E tudo que nos incomoda, machucar

Queimar tudo!

Implodir, para dentro de nós mesmos,

Estourar para o nosso interior,

Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se

Como aqueles espirros contidos…

Qual o menos danoso?

Im ou explodir?

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Onde me encontro?

ONDE ME ENCONTRO?

Não importa onde eu esteja

Quer seja em casa, na rua, na academia, numa festa

Na visita a amigos, a um asilo ou hospital, na igreja,

Em alto mar, num voo internacional, num trem

No meio do mato, no lombo de um cavalo,

Posso estar onde estiver, com quem estiver

Independente de todos os caminhos que percorra

Só vou me encontrar dentro de mim mesma.

E esse caminho só eu posso traçar

Só eu posso percorrer

Seja qual for o “transporte”,

Passando por atalhos ou não,

Regada a sorrisos ou lágrimas,

Sozinha ou acompanhada,

Só eu posso me encontrar,

E somente depois, talvez me encontre dentro de outro alguém…

Alda M S Santos

Retirando camadas

RETIRANDO CAMADAS

Muitas vezes precisamos retirar todas as camadas

Que recobrem nossa mente, nossa alma

Como alguém que retira peça por peça de roupa

Inclusive as íntimas, totalmente despidos

Para ficar mais leve na balança

Com menos pesos adicionais.

São muitas as coisas que podem pesar:

Culpas, fracassos, sonhos perdidos, desejos impossíveis.

Ainda que seja apenas na frente do próprio espelho

É preciso começarmos a nos despir

Retirar tudo, jogar no chão, deixar lágrimas rolarem

Mostrar nossa verdadeira face para nós mesmos,

Antes da coragem de mostrá-la ao mundo

Ou não!

E nos sentirmos verdadeiramente leves…

Alda M S Santos

Blindagem

BLINDAGEM

Blindar, revestir de armadura 

Usar couraça visível ou invisível

Visando proteger a si mesmo

Dos “torpedos” que vêm de fora 

Daquilo que é considerado negativo 

Ou além das próprias forças.

Autoproteção!

Via perigosa, mão dupla

Todo cuidado e atenção são poucos!

Blindagem deve ser muito bem escolhida,

Ela deve proteger, porém não pode

Impedir a entrada do positivo, 

Reduzir a capacidade vital,

Ou não deixar sair o que machuca.

A autoproteção errada também pode matar, ferir

Fechar o olhar e o coração para o belo

Zerar a capacidade de encanto 

Ou deixar sérias cicatrizes e sequelas.

Alda M S Santos

Irrigando com lágrimas

IRRIGANDO COM LÁGRIMAS 

Todo jardim precisa de água, sol e cuidados 

Como levamos tudo isso para nossos jardins internos?

Sol, levamos com sorrisos e carinhos

Cuidados, levamos com amor e amigos

Uma dúvida surge: como irrigar? 

Água das lágrimas servem para irrigá-los? 

Ou acabarão por matá-los?

Alda M S Santos

Autoproteção

AUTOPROTEÇÃO

Somos uma “máquina” inteligente

Cuja essência é a autoproteção

A preservação da vida

A saúde física e mental

À nossa revelia ela age, reage

Luta ou se recolhe 

Quando entendemos isso,

Paramos de lutar conosco mesmos,

E deixamos nossa inteligência

Emocional, racional ou “irracional” agir,

Lavar corpo, mente e alma.

Há tempo para tudo no nosso interior…

Observar isso leva-nos ao autoconhecimento,

Leva-nos à vida plena!

Alda M S Santos

Ultrassensível

ULTRASSENSÍVEL 

Aqueles dias que você sente que bastariam

A última gota d’água

Uma única faísca

Uma simples palavra 

Um breve olhar

Um suave toque, 

Um abraço singelo,

Para você: 

Cair no choro, na gargalhada

Querer sumir no mundo, desaparecer,

Explodir de raiva 

Alegria ou prazer…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS
Um prédio ou monumento que desaba

Um navio que afunda,

Uma floresta que ardeu nas chamas…

Uma vida entregue à depressão e aos medos…

Tudo aparenta um cenário de pura destruição. 

Mas quando menos se espera

Algo de valioso é retirado sob os escombros dos monumentos

Tesouros são encontrados nos navios,

Um pequeno broto surge na floresta em cinzas…

Medos são vencidos milagrosamente.

Deus age nas adversidades e nos mostra maravilhas.

De nossas fraquezas, cinzas e ruínas,

Faz surgir uma nova vida

Mais linda e mais forte.

Alda M S Santos

Até o infinito

ATÉ O INFINITO…

Seguir, sempre em frente.

Cabelos ao vento, trilha sonora.

Uma estrada longa que se descortina…

Habitada, desabitada, tanto faz!

Ora chuva, ora sol, ora frio, ora calor.

Estações sucedem-se lá fora, estações mexem aqui dentro

Ora lágrimas, ora sorrisos, ora descrença, ora esperança,

Até o infinito, onde quer que ele esteja. 

Tão longe lá fora ou tão perto(?) cá dentro…

Alda M S Santos

Na boca dos tubarões

NA BOCA DOS TUBARÕES 

Vivemos, muitas vezes, na boca dos leões

Tigres, tubarões, piranhas, lobos em pele de cordeiros…

Quase sempre nem percebemos 

Apenas lutamos, saímos meio machucados

Mais fragilizados, meio cabisbaixos, esfolados.

Mas o saldo é, na maioria das vezes, positivo.

Sempre ficamos mais fortes,

E aprendemos novas táticas de defesa.

Alda M S Santos

Nossa luz

NOSSA LUZ

A luz que brilha em nós

Ou as sombras que a interceptam

Só nós permitimos que se apaguem

Só nós podemos fazê-las voltar a brilhar. 

Alguns podem até tentar,

Mas só conseguirão se autorizarmos

Ou dermos licença para tal.

A força que brilha em nós 

É forte e soberana, 

Sempre terá supremacia!

Alda M S Santos

Golpes

GOLPES

Golpes: ensinamentos que só compreenderemos 

A importância, o valor, a necessidade,

Quando nos levantarmos e olharmos para trás,

E vermos que, apesar de terem machucado muito e não doerem mais, 

Nos tornaram quem somos:

Mais fortes, mais resistentes, mais sábios,

E, quem sabe, até mais felizes?

Enquanto isso, é se firmar e aguardar,

A sucessão de golpes se esgotar, 

Tal qual flor que tudo recebe e sempre volta a brotar, a encantar…

Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE
Sabem aquela sensação de estar sempre só
Em meio a tantas pessoas?
Sentimento de não ser compreendido ou aceito,
De não encontrar seu reflexo em ninguém?
Tal culpa ou responsabilidade
Não pode ser imputada a ninguém.
Ninguém, exceto a nós mesmos.
Quando não nos encontramos em nós,
Não “permitiremos” que ninguém nos encontre.
Não chega a ser dolo, apenas culpa.
Não há intenção de nos esconder de nós mesmos,
Tampouco dos outros.
Apenas falta perícia para nos fazermos achar,
Habilidade de nos refletirmos em nós mesmos,
Para encontramos nosso reflexo no outro.
Brincadeira de esconde-esconde de adulto
Nem sempre é divertida!
Alda M S Santos

Suspiros

SUSPIROS

Suspiros dizem tanto!

Insatisfações, cansaços, frustrações,

Esperanças, saudades, desejos…

São uma pausa para abastecer o tanque da emoção

Que inspira e traz oxigênio para o lado de dentro 

Expira e joga gás carbônico na atmosfera lá fora

Gemidos, inspiração profunda, dolorosa ou melodiosa,

Nossas “conversas” conosco mesmos…

Quase sempre produzem algo de bom!

Alda M S Santos

Terreno Minado

TERRENO MINADO
Em área minada todo cuidado é pouco.
Um movimento em falso e tudo vai pelos ares.
Nossa mente é terreno fértil e minado.
Precisamos conhecer bem para saber onde pisar,
Quais pontos saltar, onde retroceder, desviar.
E também saber guiar aqueles que transitam por ela,
Levando-os para as áreas férteis e produtivas.
Em campo minado também se vive,
Desde que saibamos buscar os pontos seguros!
Alda M S Santos
Google imagens

Esperança

ESPERANÇA
Esperança: motiva ou paralisa?
Instiga, encoraja, estimula, impele
Ou abate, esmorece, deprime, limita?
Dizem que é a última que morre.
Esgotadas as possibilidades, ela morre?
Ou quando morre, mata também as possibilidades?
Tudo vai depender dos aliados que a esperança amealha.
Ela sozinha é paralisante, único foco, coloca viseiras
Nada mais permite que se veja ou faça.
Mas se ela se une à força, à determinação,
A uma razão equilibrada com o coração,
Tem muitas chances de ser estimulante,
E levar à conquista do objetivo.
Esperança é inerente aos seres humanos de qualquer idade.
Uma pessoa sem esperanças é uma pessoa sem sonhos…
Uma pessoa sem sonhos…
É uma pessoa sem vida!
Alda M S Santos

Matas ciliares

MATAS CILIARES
Degradando nossas matas ciliares, que nos amparam e protegem,
Diminuindo nosso espelho d’água, que recebe e reflete luz,
Aumentando os obstáculos no leito do rio que chamamos Vida,
Ficamos represados num mesmo lugar, causamos grandes erosões internas…
Não há curso d’água, não há flora ou fauna,
Não há atrativos quaisquer,
Há apenas mágoa (má água),
Sem proteção, sem água corrente, sem luz, sem vida!
Faz-se necessário o equilíbrio!
Para que nosso reflexo seja visível e real.
Alda M S Santos

Coragem

CORAGEM
É preciso coragem para ser autêntico
Para se assumir como é, para se amar.
É preciso coragem para dizer, mesmo sem palavras,
A alguém que se ama: “eu sou assim”!
“Será que tem coragem para me amar assim?
Ou se acovarda e se esconde em medos,
Em padrões pré-estabelecidos
Que já provaram nada valer”?
É preciso coragem para crer, aceitar
Que não existe um único e correto modo de ser,
Que existem infinitas maneiras de ser gente,
De ser e fazer feliz!
A vida exige coragem!
Alda M S Santos

Náufragos

NÁUFRAGOS

Quem tem o hábito de mergulhar em si mesmo

É um náufrago experiente.

Sabe que, quer sejam as águas

Doces ou salobras,

É preciso relaxar e não nadar contra a corrente.

Esbracejar só irá precipitar o afogamento.

Alda M S Santos

1º de Abril

1º DE ABRIL
De todas as mentiras,
Desde as que querem ofender
Às que visam proteger
As mais cruéis de todas
São as que pregamos em nós mesmos.
E nos afastam de quem somos.
Alda M. S. Santos

Sentinelas

SENTINELAS

Reclamamos muito dos juízes e carrascos da vida, que não são poucos!

Porém, muitas vezes, somos nós mesmos que nos julgamos, condenamos e executamos a pena: juízes, jurados e carrascos.

Por medo, preconceitos, desconhecimentos, falta de habilidade ou tato, por preguiça ou covardia, nos excluímos da vida.

Aquele curso, trabalho, empreendimento, ou proposta interessante que recusamos.

Uma atividade física que melhoraria nossa saúde e humor e não fazemos.

Uma viagem, um passeio, um convívio familiar dos quais não tomamos parte.

Novas amizades ou amores que abrimos mão, que fugimos, julgamos não merecer.

Nós mesmos abrimos mão, desistimos de algo que nos faria apenas o bem.

Somos nós mesmos, com nossa mente conturbada e volúvel, ora leão feroz e corajoso, ora ratinho amedrontado e covarde, que fazemos os caminhos de nossa vida.

Muitas vezes nós, como carrascos, não matamos de imediato, apenas somos sentinelas da cela nas quais nos colocamos.

Alda M S Santos

De volta para o útero

 DE VOLTA PARA O ÚTERO

Vontade enorme de me enroscar em mim mesma

Ficar quietinha, respirar suavemente, pensar em nada

Preocupações e sensações zero, apenas o “inexistir”.

Colocar-me em modo voo, gastar pouca energia

Não atender a ninguém, nem a mim mesma.

Tudo nos ajustes “inativos”, “não perturbe”.

Voltar para o útero, encolhidinha,

Ambiente aquecido, solitário,

Dentro d’água, sons amortecidos.

Alimentada, nua, nem respirar precisa…

Apenas um carinho suave vez ou outra,

E nada podendo me fazer mal ou causar dores.

Faço X nessa opção!

Alda M S Santos
 

Ventos

VENTOS

Uma brisa, um ventinho leve, uma ventania

Aprecio seus efeitos estimulantes ou calmantes.

Se felizes, senti-lo na pele é extremamente prazeroso.

Causa euforia, animação, energia.

Se tristes, tem o poder de relaxar, de acalmar.

Um desânimo, uma alma angustiada, um coração apertado

Uma saudade, uma mente inquieta, um corpo cansado…

Na sacada, no alto de um prédio,

No alto de uma montanha, sentados na relva.

Na rede, na varanda, de madrugada, olhando a lua

Pedalando furiosamente numa estrada qualquer

Numa motocicleta, sem capacete, com cuidado.

No lombo de um cavalo trotando em trilhas na mata.

Num carro, vidros abertos, música alta, velocidade máxima…

Apertando o pé e seguindo em frente.

Sentindo o vento secar as lágrimas insistentes

Desarrumando os cabelos já rebeldes.

Levando embora o que é ruim, trazendo o que é bom!

Arrumando as gavetas da alma e do coração…

Alda M S Santos

Adaptações💔

ADAPTAÇÕES 💔

Sempre me impressionou a capacidade de adaptação dos seres humanos.

Quantas mutilações podem sofrer e continuar em frente.

Transferem a tarefa ou função perdida para outra área, outro membro, outro órgão.

Perdem pés, pernas, mãos, braços, articulações, órgãos diversos.

Usam outros em substituição, adaptam-se, sobrecarregam outra área. Basta ver uma paraolimpíada. 

Diminuem a capacidade, arrefecem a vitalidade, mas a vida continua.

A vida sempre se impõe!

Até o cérebro pode “perder” certas partes e continuar ativo.

Mas se existe uma parte cuja adaptação é complicada é o coração.

Transplanta-se coração, tudo bem. O músculo coração pode ser substituído.

Porém, seu conteúdo, aquele gravado na alma, não se substitui facilmente.

Um filho, os pais, irmãos, amigos, amores…

Quem perde algo ou alguém importante tem sérias dificuldades para continuar.

Aqueles cuja alma já registrou como parte de si,

Quando se vão, saem levando um pedaço da própria alma em que grudou.

Substituição ou complementariedade de alma eu nunca vi.

A saudade até tenta compensar, mas não faz um trabalho muito bom.

Ao mesmo tempo em que pode alegrar, pode também ferir.

Esse tipo de adaptação o ser humano ainda precisa aprender.

Alda M S Santos

Mantenha distância para sua segurança 

MANTENHA DISTÂNCIA PARA SUA SEGURANÇA

Sabe aqueles dias em que estamos dando choque em nós mesmos?

Pois é! Aqueles nos quais deveríamos carregar pendurada no pescoço e nas costas uma placa com a frase de para-choque de caminhão:

“Mantenha distância para sua segurança”.

Estamos impacientes, tristes, inseguros, insatisfeitos, decepcionados, com raiva até!

Ideal que nem saíssemos do quarto para evitar maiores danos ao “patrimônio” próprio e alheio! Risco de curto-circuito! Pane total.

Mas a vida chama! Trabalho, estudo, família, amigos, afazeres diversos.

Felizmente!

Lá fora, mesmo emburrados, escondidos atrás de uns óculos escuros, tentamos acordar.

Devagarzinho, vamos começando a enxergar as coisas belas e boas, que são muitas, e retribuir.

Fazendo o levantamento dos males que nos atingem, deixando todos eles, um a um, pelo caminho.

Com calma, com alma, respeitando nossos próprios limites, dores e lágrimas.

Aceitando os sorrisos, os carinhos, o amor que se apresenta.

Como “diz” outro caminhão:

“Nas curvas da vida, entre devagar…”

Se não quisermos atropelar ou ser atropelados.

Que aproveitemos a paisagem e as companhias.

Boa viagem!

Alda M S Santos

Madrugada

MADRUGADA

É madrugada!

A cidade inteira adormece! Silêncio!

Um cachorro late, outro responde,

Uma motocicleta ronca veloz, meu marido ressona levemente ao meu lado.

Sons do ventilador, do motor da geladeira sendo acionado e interrompido,

Sons do silêncio da madrugada.

E eu aqui, acordada!

Fui despertada por um sonho estranho.

Os barulhos em mim são mais altos que a geladeira, o ventilador, os cães ou motos.

Apreensão, medo, angústia, decepção, arrependimentos, uma tristeza lá no fundo.

Tento relaxar para pegar no sono novamente.

Meu marido parece sentir e me abraça ternamente.

Enumero o que pode ser real do sonho, o que é sinistro, surreal, armadilhas do meu subconsciente.

Revejo as pessoas no meu sonho. Elas são realmente assim? São capazes disso? 

Busco o que há de belo, de alegre, de amoroso e de pacífico em minha vida, tento contrapor.

Esse embate dura mais de uma hora. Mente agitada, alma comprimida.

Quando deixo as lágrimas rolarem, desaperto um pouco o coração, converso com Ele, tomo algumas decisões, consigo pegar finalmente no sono.

Acordo com o sol alto e parecendo ter levado uma surra.

À luz do dia nada é tão tenebroso quanto parece!
Felizmente! E a vida continua, feliz.

Alda M S Santos

Nostalgia do voo

NOSTALGIA DO VOO

Qual o objetivo de se aprender a voar?

Obviamente, ser capaz de realizar o voo sem ajuda.

Voo solo. Sem supervisão ou orientações, independente.

Todos que se dispõem a ensinar algo sofrem da nostalgia do mestre.

É a nostalgia do voo solo.

Aqueles que de alguma forma se dedicam a ensinar

A orientar, estimular, curar, possibilitar o crescimento

Apagando mágoas, traumas e inseguranças

Querem que seus pupilos cresçam e apareçam

É o caso dos professores, dos médicos, dos psicólogos

De modo mais pessoal, dos pais, das mães,

Dos amantes, dos amigos…

Veem dia-a-dia a evolução de seus aprendizes

O passo a passo do aprendizado, as lutas

As quedas, a impotência, os avanços, as vitórias

E chega o dia deles voarem sozinhos, longe dos “mestres”.

Mostrar que a lição foi válida, a que vieram,

Para que tanto se dedicaram e se esforçaram.

Alegres, seguem seus caminhos, voam alto.

Aos mestres, cabe o sentimento de orgulho e de dever cumprido

Mesclados à imensa saudade e sensação de perda.

Os alunos superaram os mestres e se foram.

Os mestres devem se recolher e ficar em segundo plano,

Muitas vezes até sair de cena. Deixá-los voar.

Como as aves, as borboletas e os beija-flores.

Seres feitos para voar não podem ser mantidos presos.

Se as lições foram mesmo aprendidas

Saberão que é bom ter pouso entre voos,

E um dia retornarão para um abraço.

Os alunos, os pacientes, os filhos, os amantes, os amigos…

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS
Sempre dizemos ou ouvimos dizer:
Ninguém muda! Cada um é o que é, e pronto!
Isso não é de todo verdadeiro.
Basta fazermos a seguinte reflexão
O quanto ainda existe do nosso eu de outrora
No nosso eu de hoje?
Não fisicamente, óbvio!
Esse pode mudar de modo até engraçado, para não dizer cruel!
Mas nosso modo de pensar, de agir, de aceitar ou recusar
As diferentes propostas da vida são as mesmas?
Há características imutáveis da nossa personalidade,
Mas praticamente tudo pode ser melhorado, evoluído.
Quando tudo parecer difícil, imutável, tentemos mudar a nós mesmos.
Até uma pedra imóvel sob o sol, a chuva, o vento e o luar
Sofre mudanças de cor, espessura, relevo, calor…
Podemos ser muito melhores do que somos!
Com ou sem ajuda externa.
Alda M S Santos

Aceita uma máscara?

ACEITA UMA MÁSCARA?

Nós, humanos, temos o dom do aprendizado constante

Nascemos aprendendo e vamos fazê-lo até a derradeira hora

Mesmo os mais turrões.

Eu mesma tenho aprendido muito nos últimos tempos

Nos últimos meses bati meu recorde

Após esse carnaval, então, aprendi a última

Vendo tanta gente retirar as máscaras de foliões

E recolocar as máscaras do dia-a-dia

Esconder-se atrás de máscaras gélidas, sorrisos botox

Percebi o quanto elas são úteis em várias ocasiões

Podem evitar certos desgastes e estresses.

A máscara do sorriso, da satisfação, do “dane-se”

A máscara da simpatia, a máscara da aprovação…

Nunca fui dessas! Só de olhar para mim percebem o que vai lá dentro.

Mas isso traz sofrimento, angústias, tristezas.

Nem sempre estar abertos e de cara lavada nos livra do mal.

É a munição que o inimigo usa contra nós.

Para os jogadores, mostrar todas as cartas não é muito inteligente.

Ao verem meu rosto e minhas palavras viam o baralho inteiro.

Viam!… A partir de hoje usarei algumas máscaras e maquiagens.

Disfarçar alguns sentimentos, bons ou ruins, é autopreservação.

Não se assustem! Provavelmente demorarei a me adaptar a elas.

Só sairei às ruas quando estiver bem “trajada”.

Quem precisa que eu use não notará diferença.

Quem realmente me conhece não será “enganado”.

Estarei “escondida” em meus olhos, em meu sorriso.

Neles não cabe máscara alguma.

Quem se ocupar de olhá-los merecerá a verdade.

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: