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Ah, que saudades…

AH, QUE SAUDADES…

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas que foram ficando pelo caminho

Sufocas ou desnutridas pelas circunstâncias

Perdidas na escuridão das trilhas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de confiança cega e sorriso fácil

De entrega apaixonada e sem grandes expectativas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de brilho no olhar, coragem e romantismo

Muita energia e boa vontade, até uma certa ingenuidade

Tenho saudades das muitas de mim

Da audaciosa, da atrevida, da sapeca, da nerdzinha

Até da medrosa, chorona ou impaciente

Tenho saudades das muitas de mim

Que foram ficando pelo caminho

Que não me acompanharam até aqui

Que se ofuscaram pelo brilho falso de outras pedras

Que foram se apagando nas gotas das mágoas e decepções

Minguando, minguando até desaparecer…

Tenho saudades das muitas de mim

Mas logo percebo que “elas” todas não se foram

Apenas deram lugar a outra

Foram usadas como ingredientes essenciais

Diluídas na massa de uma grande forma para moldar o que sou hoje…

Quando as saudades de mim atingem forte

Percebo que basta ir para um cantinho

Garimpar bem, com calma e paciência

Que encontrarei meu tesouro: as muitas de mim

Aquelas sem as quais eu não existiria

E fazer as pazes com elas

Fazer as pazes comigo…

Alda M S Santos

Seja ímpar!

SEJA ÍMPAR!

Seja maluco, louco

Mas daqueles que encontram alegria na própria insanidade

Seja saudável, cuide de si

Mas ajude a cuidar dos outros

Seja sincero, seja honesto

Mas nunca use isso como desculpa para grosserias

Seja curioso, interessado, gentil

Mas cuidado ao se intrometer na vida de alguém

Seja infantil, seja criança, volte a ser pequeno

Mas seja grande na pureza e inocência

Seja intenso, alegre ou triste

Mas seja profundo, não aceite superficialidade no que é essencial

Seja contido, introspectivo

Mas não deixe de transmitir o que pensa ou sente

Seja luz, seja brilho, seja cor

Mas respeite quando tudo for sombra

Seja romântico, seja até mesmo piegas

Mas não seja frio ou indiferente

Seja original, seja único, seja ímpar

Mas respeite o modo ímpar de ser dos outros

Seja a esperança de um mundo melhor que começa em você!

Alda M S Santos

Nunca desistir de mim

NUNCA DESISTIR DE MIM

Seguir em frente, lutar sempre

Essa é minha promessa

Nem sempre fácil de manter

Curtir um dia de raios de sol que me aquecem

Mas também aceitar quando meu sol se esconder

Amar sob um céu estrelado e inspirador ou sobre nuvens de algodão

Mas aproveitar quando a Lua não aparecer e tudo for escuridão

Dançar na chuva entre abraços apertados e beijos molhados, aquecida

Mas saber suportar as fagulhas ameaçadoras das tempestades de gelo, sofrida

Enquanto nova alvorada não surge em mim, renascida

Retribuir o amor e carinho daqueles que me cercam e apoiam

Mas aceitar e respeitar o direito daqueles que não me querem por perto, não me amam

Sobretudo, amar a mim mesma, sempre

Ainda ou principalmente quando outros me abandonarem

Mesmo em minhas fragilidades, medos e carências

Ainda que erre, caia e não consiga levantar tão facilmente

Ou que nem sempre seja minha maior fã

E queira ficar escondida debaixo das cobertas…

Pois a promessa fundamental é, independente do que acontecer,

Cuidar do meu coração

E nunca desistir de mim mesma!

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Mergulhos

MERGULHOS

Água: um delicioso e assustador mistério

Oceanos, mares, lagos, lagoas, rios, cachoeiras, poços

Caindo do céu, escorrendo nas pedras, formando lençóis freáticos

Minando da terra, evaporando no ar

Abastecendo a terra de vida nesse ciclo sem fim…

Leves, pesadas, fortes ou tempestuosas

Convidativas ao mergulho, a nelas se aventurar

E ali, deslizando suavemente, cada vez mais longe

Se perder…ou se encontrar…

Alda M S Santos

Caricaturas da alma

CARICATURAS DA ALMA

Caricaturas são representações das pessoas ou de situações

Em que o desenhista coloca em foco o que quer evidenciar

Olhos, orelhas, cabelo, testa, boca, nariz, mãos…

Qualquer parte do corpo pode ser aumentada ou diminuída de forma grotesca

De acordo com o olhar do artista observador

E transmitir uma mensagem, sem palavra alguma!

Sei bem como seria feita uma caricatura de corpo minha!

Mas e se, ao invés de uma caricatura de fora, fosse feita uma caricatura de dentro?

Quais partes nossas seriam evidenciadas?

O que temos transmitido de nós por aí?

Quem saberia fazê-la fiel, quem nos vê de verdade?

Cérebro, coração, emoção?

Carisma, energia, luz, amor?

Gostaríamos de ver, de saber?

Saberíamos nós mesmos fazê-la?

Mesmo grotescas, as mensagens das caricaturas são claras,

Por isso chocam e, quase sempre, geram mudanças.

Alda M S Santos

Bruxices

BRUXICES

Num caldeirão bem grande, com uma colher de pau

Tento fazer uma poção mágica

Que tenha poderes curativos e nos imunize de todo mal

Que nos livre de flagelos do corpo, mas sobretudo que acalme nossas dores e feridas da emoção

Começo adicionando um voo de águia a trazer liberdade

Lágrimas de mulher a garantir sensibilidade

Essência de rosa para acentuar a delicadeza

Um raio de sol e outro da lua para manter o respeito

Um trecho de uma oração silenciosa para assegurar a fé

O rugido de um leão para atrair a coragem

Uma estrela cadente para ativar os sonhos

Uma gota de orvalho para regar a esperança

Um abraço apertado para afastar os medos

Palavras doces para matar qualquer saudade

Uma lembrança de amor para elevar a autoestima

O brilho de um sorriso e a maciez de um beijo para cuidar do coração

Uma tempestade de boas ações para nunca deixar o amor morrer

Misture tudo, deixe aquecer e tome uma porção por dia

Junto ou pensando nas pessoas que ama e quer bem

A magia da vida se renova…

Aceita uma bruxice?

Afinal, uma bruxinha é uma fada que não aceitou ficar onde não era aceita…

Alda M S Santos

Um galho a mais

UM GALHO A MAIS

Para uns sou a base, o cais, o alicerce, a raiz

Sou segurança…

Para outros sou a flor, delicadeza, leveza, perfume

Sou encanto…

Às vezes sou o tronco forte, o galho que sustenta a gangorra

Sou diversão…

Noutras sou as folhas que caem ao sabor do vento e da maturação

Sou renovação…

Algumas vezes sou o fruto suculento, polpudo e saboroso

Sou combustível, alimento…

Posso ser também apenas um galho a mais a balançar na ventania

Sou esperança…

Tudo depende de quem me vê, de como se vê

De suas carências, do que precisa para viver…

Parte do que os outros são ou nos parecem ser

É apenas reflexo daquilo que somos e precisamos…

Sinto-me apenas um galho a mais, ora forte, ora frágil

Mas importante para a vida da minha pequena árvore

Nessa grande floresta da existência…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Quando primavera

QUANDO PRIMAVERA

Quando sou primavera

Sou flor, cheiro, cor

Beleza, harmonia…

Atraio, encanto,

Perfumo e embelezo.

Porém, não sou primavera todo o tempo

Venho de invernos frios, longos e solitários…

Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades.

Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos em que perdi boa parte de mim…

Reconstruí, floresci, renasci….

Enfim, primavera!

Trago comigo arraigados

Meus verões, outonos e invernos…e com eles

Quem me acompanhou.

Com eles quero dividir

Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume, minhas cores, meu encanto!

Sabiamente, me abasteço para o próximo outono.

Ele sempre vem!

Alda M S Santos

Repostando

Submergindo

SUBMERGINDO

Submergindo vemos um mundo novo

Quanto mais fundo, mais tranquilidade

Novas vidas no entorno, novo olhar

Ainda que no movimento incessante do lugar

Respiração agitada que vai se acalmando

Deslumbramento, leveza, encantamento total

Silêncio que tranquiliza, reinado de paz

Seguimos a vida que ali se apresenta…

Submergindo vemos um mundo novo

Devagar, a princípio, no interior de nós mesmos

Muitos barulhos confusos, amedrontados ou desafiadores

Tentamos entender ou ignorar o que percebemos

Não sabemos lidar…

Vamos submergindo mais e mais…

Quanto mais nos recônditos de nós mesmos chegamos

Ora escuro, cinzento, ora em muitas cores e dores, cicatrizes

Mais entendimentos, mais clareza, mais fazemos as pazes conosco

Mais desejo de ali ficar, submersos em nós para sempre…

Paz!

Alda M S Santos

Cuidando de mim

CUIDANDO DE MIM

A dedicação e disciplina geram tônus e força muscular

A força se converte em coragem e confiança

A confiança se transforma em superação de limites

Superação de limites leva ao equilíbrio

O equilíbrio interno e externo produzem paz, satisfação

A satisfação reduz dores, cura males e dá origem a uma maior consciência corporal

A consciência corporal é eficaz para uma prática mais consciente do Pilates

A prática consciente leva à perfeição, à precisão e gradativa saúde …

Saúde é alegria, é cuidar da gente

E cuidar da gente é um modo de amar a quem nos ama e nos quer bem….

Alda M S Santos

Pronta para servir

PRONTA PARA SERVIR

Junte um sorriso, alegria de viver e fé em Deus

Misture bem

Acrescente confiança, carinho e compaixão

Dissolva todo o tempo

Enfrente as decepções, os medos, a tristeza, o abandono

Descarte os excessos, aquilo que azedaria a massa

Regue com lágrimas e faça um bolo único

Reserve

Deixe em repouso até crescer

Unte a forma com aprendizado e sabedoria

Cubra com muito amor sincero

Pincele novamente com um sorriso

Polvilhe mais fé em Deus e alegria de viver

Está pronta uma pessoa forte!

Pronta para servir

Junto da família e dos verdadeiros amigos

Alda M S Santos

Tesouros

TESOUROS

De tudo que é passível de perdas na vida

Dinheiro, emprego, casa,

Carro, joias, objetos preciosos

Nada gera mais dor e arrependimento

Nada pesa mais nas costas e encurva o andar

Nada tira mais o brilho do sorriso ou ofusca o olhar

Que a perda dos tesouros que não têm preço

Cuja falta desvaloriza qualquer outro “bem” adquirido

E que muitas vezes foi oferecido gratuitamente, negligenciado

Ignorado, não conservado, inviabilizado

A saúde do corpo e da mente

A fé em algo maior e superior que olha por nós

A capacidade de ser grato à vida em nosso entorno

Nas mais variadas formas de luz e beleza

Um olhar de aceitação e bondade de alguém querido

A utilização de modo solidário dos dons

Uma amizade verdadeira, desinteressada e sempre solícita

Uma vida de dedicação e cuidado recebidos daqueles que nos cercam

Um amor incondicional, que sobrevive às adversidades

Utilizando-as como adubo para deixar o broto do bem fortificar

E gerenciar sabiamente, equilibradamente, a esperança

Apesar, ou por causa, dos balanços, do ir e vir

Dos ganhos e perdas que todos temos…

Os tesouros mais difíceis de se perder não se guardam em baús ou bancos

São aqueles que, bem leves, carregamos na alma e no coração…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Numa mansão numa ilha paradisíaca,

Numa casinha branca à beira do rio

Numa gangorra na roça, descalça

Num barracão no morro do cafezal

Pilotando uma lancha veloz,

Um barquinho de pescador

Ou na suíte de um transatlântico

Não importa… o local é secundário

Prioritário é estarmos em nós mesmos

Estarmos bem encaixados em nossos direitos e avessos

Lidando bem com feridas e cicatrizes

Aceitando nossas imperfeições e inadequações

Nos perdoando de confiança excessiva, exposição exagerada de sentimentos

Ou de medos e traumas que nos travam

Sabendo que, independente dos outros,

Nós precisamos nos entender e aceitar

Destrinchar alegrias e dores, mágoas e regozijos

Onde estivermos por completo, inteiros

Onde nos sentirmos em total sintonia conosco

Sem máscaras, sem falsas alegrias ou autopiedade

Onde pudermos ser verdadeiramente

Corpo, mente, alma, coração

É que estaremos bem de verdade…

Alda M S Santos

Eu versus eu

EU VERSUS EU

As grandes batalhas da vida

Não são aquelas lutadas lá fora

As maiores batalhas do existir

São aquelas travadas no front de nosso interior

As vezes em que não eliminamos nossos monstros

Por medo, covardia ou compaixão

As vezes em que não neutralizamos um mal

Dando tempo para ele crescer e se fortalecer

E voltar a nos atingir em cheio

As vezes em que nos escondemos atrás de barricadas

Sabendo bem qual era nosso calcanhar de Aquiles

As vezes em que demos munição para “adversários” já conhecidos

E não usamos as armas que sabemos que seriam as mais potentes

Não importa se o oponente é um mal físico, mental, psicológico ou emocional

Uma doença crônica, um diabetes, uma dificuldade com números ou de expressão de sentimentos

Problemas de autoestima, ciúme, confiança ou bondade excessiva

Ou aquela pessoa a quem “damos” o poder de nos irritar ou fragilizar

E ficamos expostos nas trincheiras, de peito aberto

Ferida aberta, reaberta, sangrando

Nosso oponente sempre está em nós mesmos

Só nós podemos deixá-lo nos atingir

Só nós podemos enfrentá-lo

Uma batalha já é perdida ou ganha em nosso interior

Aqui fora é só um detalhe a mais

Muitos campos abertos aos quais nos expomos sem necessidade

Viemos para essa “guerra” para vencer nossos próprios “inimigos”

Sermos melhores a cada dia

Evitando sermos atingidos por fogo “amigo”

Ou atingindo adversários imaginários

Como sabemos se estamos vencendo?

Quando estamos bem conosco mesmos, em paz física e emocionalmente

E com aqueles que nos cercam

É sinal que estamos vencendo

Mas essa é uma batalha que só termina quando somos chamados de volta para casa

Para nosso território de origem…

Como estamos nos saindo em nossas guerras particulares?

Alda M S Santos

Camuflagens

CAMUFLAGENS

Habilidade de passar despercebido onde quer que esteja

Meio de se proteger, assemelhando-se ao ambiente para não chamar a atenção

Tornar-se um igual a tantos outros iguais

Apagar algum brilho ou cor, acender outras

Gritar onde se grita, silenciar onde tudo é silêncio,

Ser cinza onde tudo é cinzento, desligar-se onde tudo está em off

Mexe daqui, mexe dali, e…pronto!

Tudo homogêneo, nada se destaca, todos uniformizados

Um bloco de iguais!

O risco é acabar esquecendo o que se é

E, na tentativa de se autoproteger ou agradar aos outros,

Acabar por não ser mais nem um e nem outro…

Pior, perder até o prazer de ser o que se é!

Alda M S Santos

Mata adentro

MATA ADENTRO

Quanto mais para dentro da mata, mais queremos entrar

Mata adentro as trilhas diminuem

O caminho torna-se mais difícil

É preciso abrir espaços à foice

Mas o desejo de mergulhar no silêncio é grande

A pureza do ar quase sufoca, as árvores tornam-se mais grossas

A impressão de estar sendo vigiado aumenta

A sensação de invadir o desconhecido é animadora e aterradora

Nesgas de luz passam por entre os galhos e copa das árvores

Anjos e fantasmas se apresentam, a gente escolhe

A gente se abraça ou se enfrenta

O céu azul e branco continua lá em cima a insistir: prossiga!

Não se sabe o que buscar, apenas que é preciso seguir

Quando for chegado o que procura, saberá

E poderá descansar em paz!

Alda M S Santos

Nossos acordes silenciosos

NOSSOS ACORDES SILENCIOSOS

Levar a vida numa valsa, num forró, bolero ou rock, entregue

Absorvendo os acordes que ela toca, clara ou confusa

Expressando-se com leveza, sem nada dizer

Tudo que vai dentro de si

Nos embalos lentos, ritmados

Apressados ou velozes, corpo nos giros da canção

Dançando, girando, movendo a roda, de alma nua

A dança fala aos que sentem essa vibração

Braços, pernas, cabeça, coração

Sensualidade, simplicidade ou molecagem

Em sintonia consigo mesma, transmitindo uma silenciosa mensagem:

A vida é uma eterna música

Dançar não é apenas movimentar o corpo

É uma necessidade da alma, do coração

Dançar sem amarras, soltar-se sem reservas feito pipa no céu

É um modo de fazer amor com a vida

De fazer as pazes com o mundo

De saber-se parte desse grande e maravilhoso quebra-cabeças

Dançar é saber ouvir os acordes silenciosos de nós mesmos…

Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

Quando a cidade dorme

QUANDO A CIDADE DORME

Quando a cidade dorme tudo está em suspenso

O dia amanhece, mas todos dormem

A vida está parada, o ar está carregado

O mundo parece ter acabado, só eu estou aqui

Lugares sempre intransitáveis pela superlotação

São amedrontadores agora pelo isolamento

Mas quando a cidade dorme, há sempre um lado acordado

Que aos poucos observamos e a mantém funcionando

Aquele que limpa, solitário, o chão, ou que abrirá o portão mais tarde

Que guarda entradas fechadas sem ninguém para entrar

Que mantém acesas as luzes que receberão os que dormem

Aqueles que agem sorrateiros “protegidos” na escuridão da noite

Outros escondidos atrás de olhares que nada veem, nada dizem

Não parecem ser daqui, mente abduzida

Alguns, meio zumbis, perdidos entre o adormecer e o acordar

Na linha tênue que separa o viver do morrer

Quem somos nós quando a cidade dorme?

Que fazemos aqui?

Alda M S Santos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

Time completo?

TIME COMPLETO?

Prontos para entrar em campo

Os times seguem em frente, esperançosos ou nem tanto

Almejam a vitória, mas sabem que só um será campeão, só um levará a taça…

Desfalcados ou completos, nós também estamos nesse gramado chamado vida

Defesa vazada muitas vezes, deixando passar bem mais que uma bola

Ataque fraco nos impedindo de avançar rumo ao gol

Ou agressivo demais, acabando por conseguir faltas graves e expulsões

Meio campo sem boa visão do jogo todo, perdendo oportunidades

Treinador ignorado, ora por ser muito exigente, ora por não cobrar o bastante

Técnico inexperiente ou senhor de si, mas que não harmoniza as posições em campo

Goleiro que deixa passar bolas já conhecidas e nos colocando em apuros

E, mesmo que o time esteja totalmente em sintonia, tudo pode acontecer

No gramado ou na vida, incidentes são comuns, “zebras” acontecem

E, contundidos ou inteiros, precisamos seguir…

Mas todos podem sair vitoriosos

Independente do resultado final em campo

Vale o que cada um trouxe para si de valioso

O que deixou de aprendizado, a consciência de ter feito o melhor

A certeza de que nesse gramado chamado vida

O que realmente vale é participar ativamente do jogo

Deixando e levando boas lembranças, mesmo sem medalhas …

Bom jogo a todos nós!

Alda M S Santos

Nada tão humano

NADA TÃO HUMANO

Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação

Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados

Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo

Até naquilo que tenta esconder

Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados

De parecer bem e correto aos olhos dos outros

Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado

Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado

Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio

Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria

E o que é mais humano que a imperfeição?

Alda M S Santos

Blindagem

BLINDAGEM

Não existe blindagem que ofereça proteção total

Que permita exposição ao risco e aos “tiros” da vida

Quer seja a animais peçonhentos, às intempéries da natureza

Ou à maldade e irracionalidade humanas,

Particularmente quando se trata de blindagem emocional

Existe autoconfiança, amor próprio, fé em Deus

Fé no amor e respeito do outro

Mas o que nos mantém minimamente protegidos

É o cuidado e respeito que temos conosco mesmos

Baseados no autoconhecimento, sabedores de nossos limites e fragilidades

No aprendizado adquirido com os erros, as quedas sofridas ou causadas

Ninguém está livre de ser atingido pelas mágoas e decepções

Pela confiança excessiva no outro, na humanidade, pelas perdas dolorosas

Pelos percalços que só quem não tem medo de viver enfrenta

A melhor blindagem é conhecer mais e mais o mundo e seus habitantes, seu habitat, hábitos

Mas, principalmente, conhecer a nós mesmos

Saber onde pisar, onde andar, até onde voar, quais limites respeitar

Para não nos ferir e tampouco ferir ao nosso próximo…

Alda M S Santos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Da minha janela

DA MINHA JANELA

Da minha janela para fora vejo um quadro bonito

Harmonia das cores, dos tons, dos sons

Verdes e marrons, amarelos e vermelhos, azuis e roxos que se completam

Tudo se mistura, tudo tem seu lugar

Sem perder a beleza da unidade ou o encanto do todo

Latidos, piados, cantos, balidos

Sem disputas, há espaço para todos, sintonia total

Da minha janela para dentro vejo um ateliê confuso

Cores misturadas, pincéis jogados, tons e sons dissonantes, viola desafinada

Alegrias e tristezas, dúvidas e certezas se debatem

Vermelhos e azuis, brancos e pretos, rosas e alaranjados disputando espaço

Sorrisos, lágrimas, diálogos e silêncios “interagindo”

Ora o branco pacífico, ora o vermelho flamejante

Reflexões e decepções, alegrias e amores tomam o espaço: o meu espaço interior

Tentando encaixar o que recebo de fora, as “contribuições” externas

Mesmo que pareçam peças avulsas, cores difíceis, desarmônicas

Ali realizo a minha obra diária

Na tela branca de minha alma pinto meu quadro multicor

A arte linda, difícil e nem sempre compreendida

A arte da existência …

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

Em construção

EM CONSTRUÇÃO

Não somos somente aquilo que nosso olhar transmite

O que há em nós reflete no outro, diferentemente em cada um

E retorna para nós para processamento

Posso ser vista melhor do que sou, dado o grau do amor de quem me vê

Ou posso ser vista menos do que sou, pela (in)capacidade do receptor de entendimento

Ambos ajudam em minha construção do eu

Instigam melhorias, ainda que pós erros e decepções

Somos uma massa sendo “sovada” todo o tempo

Ora homogênea, ora heterogênea

E essa massa cresce ou míngua a cada contribuição recebida

Pode adquirir sabor e beleza ou desandar, azedar

Dependendo do que o outro nos oferece

Alguns ingredientes são essenciais, outros dispensáveis

E há aqueles que, como a cereja do bolo, são puro encanto

Uma receita antiga, mas cheia de atualizações

Tornamo-nos pessoas dia a dia

Seres incompletos e insossos ao nascer

Vamos recebendo do meio os ingredientes necessários

Para a concretização desse plano de Deus em nós…

Alda M S Santos

O bem contido no mal

O BEM CONTIDO NO MAL

Em todo mal, se olhado com cuidado, se melhor observado

Há algo de bom que possa ser aproveitado

A luz não teria tanto brilho, se a sombra não amedrontasse

A liberdade só é tão almejada por quem já viveu qualquer tipo de prisão

A saúde é percebida como um bem maior quando sofremos qualquer dor

O silêncio é melhor sentido pós barulho intenso

O amor é indispensável a quem sofreu com indiferença

A paz é maior bênção onde já se viveu a guerra

Alimento e abrigo são presentes para quem viveu ao relento e passou fome

A vida tem maior valor quando vencemos a morte dia a dia

Sentimos melhor a presença

Onde antes houve ausência

O cheio só tem valor onde houve vazio

A percepção da falta mensura a fartura

A iminência da perda evidencia qualquer preciosidade

Faz-nos valorizar e ser gratos ao que temos…

Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS

Sou feita de barulhos e de silêncios

Ora sou um, ora sou outro

Ambos necessários em mim…

Há quem goste dos barulhos

Há quem prefira os silêncios

Há quem não compreenda nem um, nem outro

Há quem desperte barulhos intensos

Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos

Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois

Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro

Sou feita de contrários, de antagonismos

E nessa luta frenética em mim

Vou desvendando meus enigmas

Tornando-me mais eu…

Alda M S Santos

À ESPREITA

À ESPREITA

“Vírus da conjuntivite atinge níveis epidêmicos.”

Outra hora é o da febre amarela, da influenza…

Parece que estão sempre por aí, à espreita.

Aguardando apenas uma fragilidade ou baixa imunidade para atacar e tomar nosso corpo.

Vírus não “sabem” ser diferentes, são parasitas, precisam de um organismo vivo para se reproduzirem.

Mas não atingem qualquer indivíduo, escolhem os mais frágeis, aqueles que não foram imunizados.

A boa notícia é que o mesmo vírus não ataca a mesma pessoa mais de uma vez, elas criam anticorpos.

A notícia que merece alerta é que eles são mutantes, como o Influenza, por isso gripamos tanto.

Como todo “ladrão”, entram por nossas portas deixadas abertas ou janelas mal trancadas, a qualquer hora do dia ou da noite.

Escolhem nosso calcanhar de Aquiles, sem alarde, ficam encubados ganhando força.

Descobrem nossas falhas, carências e necessidades e, como bons vendedores, nos atendem.

Apresentam-se em nossas TVs, invadem computadores de nossos filhos, usam colarinhos brancos, fazem promessas vãs, são nossos “amigos” da atualidade.

Como os vírus, usam nova roupagem, “enganam” nosso organismo, nossa mente, nossa boa fé, abalam nossa confiança.

Levam, além de bens materiais, o que temos de mais precioso: a saúde, o sossego, a confiança, a paz…

Como os vírus, quando conseguem seu objetivo, buscam novas vítimas!

Cabe-nos estar alertas e nos fortalecer

Proteger nossas “casas” e tudo que temos de mais valioso…

Alda M S Santos

Nossos fracassos

NOSSOS FRACASSOS

Eram dois, um preto grande e um amarelado, brigando feio.

Latidas e mordidas se intercalavam na disputa pela cachorrinha marrom que olhava assustada.

Uma mordida, um ganido, e o cão amarelo foge, orelhas baixas.

O preto segue atrás da cadelinha pequenina que foi protegida, vitorioso.

Logo à frente o perdedor já está atrás de outros cães e cadelas, recuperado.

E, provavelmente, envolvendo-se em outras brigas similares, com vitórias ou derrotas…

Aceitássemos assim tão bem e rapidamente as perdas, os fracassos, nossa vida teria menos problemas e complicações emocionais,

Sem ficar remoendo, amargando, acalentando fracassos e dores.

Tudo bem, somos racionais, refletir sobre nossas ações faz parte de nossa essência humana

Sofrer, chorar, nos revoltar com perdas, idem

Até mesmo para evitar fracassar sempre no mesmo ponto, machucando a nós mesmos e aos outros.

Porém, não podemos ficar estacionados lamentando derrotas.

Precisamos passar logo pelas fases de negação, acusação dos outros, de nós mesmos, desejo de vingança, de autopiedade, vitimização, raiva

Até chegar, finalmente, à superação e ao aprendizado

Mais fortes, talvez menos crédulos, mais vividos

Mais perto de Deus…

Alda M S Santos

Esquecimento

ESQUECIMENTO

Esquecer…

Um alívio que muitos procuram

Apagar o que machuca, deixar para trás

Esquecer…

Necessidade real, do que às vezes parece tão irreal

Cargas pesadas, difíceis, dolorosas, mágoas

Esquecer…

O que deixou de fazer por covardia, o que fez sem querer, os medos

O que fizeram consigo, com ou sem permissão

O que você fez com os outros sem pensar bem

Esquecer…

Para isso, muitos buscam drogas, alucinógenos, leveza para o que pesa

Esquecer…

A verdade é que na tentativa de esquecer, busca-se entorpecimento

Cria-se, muitas vezes, mais lembranças dolorosas a serem esquecidas…

Esquecer…

Sem resolver dentro de si o que machuca

É como suturar uma ferida infeccionada que ainda sangra…

Alda M S Santos

Somos todos sapos!

SOMOS TODOS SAPOS!

Voltemos da Disney! Nada de príncipes ou princesas!

Somos todos “sapos”! Não há contos de fadas, nem beijos tão poderosos assim!

Todo sapo quer ser sapo!

Para que iria querer se transformar num humano

Confuso, frustrado, complicado e sempre insatisfeito?

Todo humano quer ser humano

Até mesmo desumano, vez ou outra!

Mas amor ou beijos não transformam ninguém, apenas despertam o adormecido

Por amor, dedicação, prazer, sacrifícios ou abnegação acordamos uns aos outros

O amor abre os olhos da alma, faz-nos ver o que o outro realmente é

Enxergamos o que ele tem de melhor e está escondido na penumbra das vaidades

Ou camuflado nas folhas secas do medo do sofrimento e da rejeição

O amor faz-nos desenvolver qualidades em potencial que desconhecíamos e nos torna melhores

Amor faz reviravolta na alma!

Se um beijo transformar sapo em príncipe ou princesa, olhe bem!

Algo está errado…o feitiço tem curta duração!

Melhor um “sapo” real, verde, feio, de verdade, que um príncipe de enganação !

Alda M S Santos

Que vês no seu espelho?

QUE VÊS NO SEU ESPELHO?

Olha todos os dias nele, demorada ou rapidamente

Ao lavar o rosto, maquiar-se, fazer a barba, escovar os dentes

O que seu espelho reflete de volta, insistentemente

Qual imagem te mostra, vê algo diferente?

Que vês no seu espelho?

Rugas que mostram a cada dia um caminho que foi trilhado

O olhar com aquele brilho molhado, por vezes, decepcionado

Um sorriso disfarçado, ora amarelado, emocionado

Tentam esconder quantas vezes foi quebrado

Que vês no seu espelho?

Um ser humano sofrido, sobrevivente de lutas admiráveis

Repleto de cicatrizes, marcas no corpo, na alma, indeléveis

O peso do olhar, covardia ou coragem ao se encarar

Ao cobrar de si mesmo: que fez pra se orgulhar, se envergonhar?

Que vês no seu espelho?

Cada ruga, cada lágrima, cada sorriso, um sinal de amor

Uma saudade funda, uma alegria rasa, uma tristeza, um dissabor

Em cada marca, uma história, em cada quebra, uma dor

De quantas quebras um ser humano é capaz de se recompor?

Que vês no seu espelho?

Vê-se apenas viver, ser sorriso, ora flor, ora beija-flor…

Alda M S Santos

Confissões

CONFISSÕES

Quantas confissões são necessárias para a leveza de nossa alma?

Ao diretor espiritual, aos pais, aos amigos, ao cônjuge, aos filhos, a desconhecidos

Ao terapeuta, a Deus, ao travesseiro, apenas a nós mesmos?

Quantas confissões são verdadeiras, corações rasgados,

Regadas a lágrimas, alma nua?

Admitir um erro, uma fragilidade, uma raiva, uma inveja, um amor

Quase nunca é fácil!

Assumir e confessar a responsabilidade num fracasso

Ou a inabilidade em lidar com algo ou alguém

É humanamente difícil!

As confissões que envolvem sentimentos e emoções são as mais complicadas!

Posso não ter amado ou me dedicado o suficiente a alguém

Demonstrado dificuldade ao admitir ou confessar o amor

Mas nunca disse amar, sem ter amado verdadeiramente

Nunca deixei que outro assumisse um erro que era meu

Mesmo assim, erros, medos e fragilidades confesso mais ao travesseiro…

Essas confissões nos deixam nus perante o outro

São difíceis, porém, as mais importantes

Esse “peso” retirado da alma, dividido com alguém, ainda que conosco mesmos

Nos faz mais leves para seguir em frente

Com mais sabedoria para aceitar a nós mesmos e ao outro

Com as qualidades e defeitos inerentes a todo ser humano

Procurando acertar mais que errar

Fugindo das canoas furadas que já conhecemos

E buscando, ainda que inadvertidamente, os melhores caminhos…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS

Mergulhar no que acreditamos serem nossas ruínas

Limpar áreas empoeiradas de nossa alma

Quase nunca visitadas, negligenciadas, até temidas

Pode nos levar a encontrar objetos esquecidos

Partes importantes de um quebra-cabeças que julgávamos perdido

Uma figurinha que faltava no nosso álbum de vida

Uma flor desidratada dentro de um livro que irriga nossos olhos

Uma dedicatória significativa e estimulante, que injeta ânimo e coragem

Coisas que julgávamos mortas e sepultadas que ressuscitam

Como uma criança que revisita o quartinho de brinquedos velhos

E volta de lá feliz com muitas coisas “novas” ou perdidas

Para voltar a brincar…

Ruínas podem ser muitas vezes

Apenas partes de nós

Que, se bem avaliadas e cuidadas ,

Podem voltar à vida e brilhar tanto ou mais do que antes…

Alda M S Santos

Precisamos acreditar em nós

PRECISAMOS ACREDITAR EM NÓS

Precisamos acreditar que tudo podemos se lutarmos

Mas não nos abater tanto quando algo não sair como o planejado

Precisamos acreditar que há amizades verdadeiras, amores eternos, vivos dentro da gente, que não caem ao primeiro vento

Mas não desistir da vida e dos relacionamentos se uma amizade ou um amor, por motivo qualquer, se for

Precisamos acreditar que construímos nossos caminhos, que fazemos nossas escolhas

Mas não nos punirmos ao ser preciso voltar quando um caminho se mostrar sem saída, ou uma escolha não for apropriada

Precisamos agradecer por sermos importantes, a “vida” de alguém, por termos pessoas importantes, nossas vidas

Mas não estacionarmos quando precisarem viver suas vidas além de nós

Precisamos acreditar nas cores da vida, no brilho, na sua capacidade de nos atrair

Mesmo quando enxergamos apenas cinza, através do brilho das lágrimas, da saudade ou da desilusão

Precisamos acreditar que tudo passa, bom ou ruim, cedo ou tarde

E que nossa flexibilidade perante os acontecimentos nos torna mais aptos a enfrentá-los

Precisamos acreditar que os melhores caminhos são os abertos a ferro e fogo, ou com carinho, em nossas rochas internas, que levam a recantos secretos, mágicos

São eles que precisamos percorrer quando algo se complica, por onde passam as águas que nos trazem vida

E é de onde buscamos forças para prosseguir

Precisamos aceitar que somos seres errantes, imperfeitos, que estamos aqui para aprender

Precisamos acreditar em nós!

Alda M S Santos

Contradições (des)humanas

CONTRADIÇÕES (DES)HUMANAS

Silenciar, quando o desejo é gritar

Conformar-se, quando a sombra deixada pede luz

Acreditar, quando há tantos incrédulos e mentirosos

Justificar um erro, apoiado em erros alheios

Agir de modo contrário ao que se apregoa

Querer o que é eterno, destruindo eternidades

Gostar de jardim florido, mas não regar, não cuidar da terra

Mascarar para si mesmo o que está óbvio para todos

Insistir no mesmo erro infinitas vezes

Apontar no outro uma falha que é sua

Querer colher aquilo que não plantou

Plantar ou construir em terreno que não é próprio, que não pode colher

Fazer ao outro o que não aceitaria que fizessem consigo

Confiar, gerando desconfianças

Querer mudanças, sem ações concretas, sendo sempre o mesmo

Amar, mesmo sendo derrubado infinitas vezes.

Viver, mesmo que a “morte” se insinue todo o tempo

Somos assim, humanos carregados de desumanidades, em evolução…

Alda M S Santos

Rachaduras

RACHADURAS

Somos feitos de gretas, falhas, rachaduras, frestas

Pelas gretas é que entram os amores, desavisadamente

Num momento de distração ou fragilidade, tomam posse

E são a liga que une o que há de melhor em nós ao outro

Mantendo-nos estáveis, mesmo sob constantes balanços

Pelas rachaduras é que saem as decepções, amarguradamente

Quando estão nos sufocando buscam ar, aos goles, aos borbotões

E deixam extravasar os excessos, permitindo novo respirar, sobrevivência

Pelas frestas podemos antecipar maremotos e nos preparar

Essas falhas em nossa rocha permitem a água passar sem grandes danos

Tapar nossas gretas e rachaduras não é muito sábio

Uma estrutura sem gretas, sem rachaduras, sem frestas, sem “falhas”

Que permitam que nosso prédio interno se ajeite, se estabilize, se reorganize, dilate

Nos balanços das grandes tempestades

Pode ruir, implodir, explodir, desmoronar…

Alda M S Santos

Em casa

EM CASA

Sinto-me em casa quando posso ser quem sou

Sem constrangimentos, andar descalça, descabelada, ou não

Nua em pelo, de corpo e alma

Ou num moletom desbotado e nada sexy

Sem temer julgamentos ou represálias, sem falsos pudores

Com a certeza de ser aceita como sou

Dizer tudo que aprouver, ouvir sem resistência, com prazer

Ou silenciar, sem causar lacunas desagradáveis

Usar aquele baby-doll confortável que mais parece um abraço

Aqueles chinelos gastos como as memórias

Ouvir e cantar a música preferida bem desafinada, não importa

Esparramar na rede, ler um bom livro,

Entregar-me às boas memórias, às saudades, aos sonhos

Assistir um filme no sofá com um pote grande de pipoca

Ouvindo a chuva cantarolar feliz no telhado

Numa sintonia perfeita com minha alma

Aceitação total de quem sou, sem amargar culpas

Aceitando as pedras que aparecerem como oportunidade de superação

Sem ferir ou machucar ninguém, ajudando, se possível

Sabendo que Alguém lá em cima me ama e olha por mim

Isso é estar em casa!

Qualquer lugar ou pessoa que nos faça ser ou sentir diferente disso

São, no máximo, tolerados…

Estar em casa é um estado de espírito de graça

De simplicidade, harmonia e paz…

Alda M S Santos

Reclamações

RECLAMAÇÕES

Não podemos reclamar das flores murchas no jardim

Se não formos bons e zelosos jardineiros

Não podemos reclamar da destruição das tempestades

Se nós mesmos ignoramos as advertências da meteorologia

Não podemos reclamar da solidão

Se nós mesmos não cultivamos bons e saudáveis relacionamentos

Não podemos reclamar da saúde

Se negligenciamos cuidados mentais e físicos

Não podemos reclamar do tédio da vida

Se não buscamos algo de útil para nos ocupar

Não podemos reclamar do sol que nos castiga a pele

Se nós mesmos derrubamos as árvores que nos dariam sombra

Não podemos reclamar de dores físicas

Se nós mesmos criamos a carga a pesar nossos ombros

Não podemos reclamar pelo que não temos, por ausência de amor

Se nós mesmos que fizemos nossas escolhas

E não cultivamos o bom que se apresentou

Até podemos reclamar, mas que as reclamações se convertam em mudanças

Necessário é que deixemos o que faz mal ser levado,

Que possamos receber de braços abertos o novo, o correto, que faz bem

Buscar ações que partam de dentro de nós mesmos,

E nos tornem, a nós e aos outros, mais felizes…

Alda M S Santos

Flertando

FLERTANDO

Viver na superfície, sentado num banco, confortavelmente

Observando as belezas à nossa volta, nada a nos surpreender

É uma opção suave e tranquila de vida…

Viver no entorno, entrar na mata, nadar nas lagoas, enfrentar espinhos

Pescar, refrescar a si e aos outros

É uma opção mais ativa, porém, mais riscos…

Viver de mergulhos profundos, buscando sempre o novo

Esbarrando nas paredes mais escuras do lago

É uma opção mais complicada!

Nós somos esse lago atraente, convidativo

Só nos conheceremos a fundo se mergulharmos

Nas profundezas obscuras de nós mesmos

Se flertarmos conosco, desvendarmos nossos mistérios sem medos

Em busca do melhor que pudermos ser,

Para nós, para os outros,

E sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Refrigérios

REFRIGÉRIOS

Um banho de cachoeira para refrescar o corpo

Uma brisa de bons pensamentos e lembranças doces para limpar a mente

Uma chuva de boas ações para nutrir o coração

Uma tempestade de nós para nós mesmos

Para sintonizar no amor e alegrar a alma

Conosco e com os demais

E encontrar a paz…

Alda M S Santos

Aquela que passa

AQUELA QUE PASSA
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ora alegre, apressada, andar sensual
Ora compenetrada, sorridente, simpática, atenciosa,
Outra vez desligada, distraída, alheia a tudo, noutra dimensão
Pode ainda ser leve, em paz com a vida, consigo mesma,
Ou triste, cabisbaixa, solitária, perdida, querendo sumir
Ela pode não ser o que você vê
Mas o que prefere que você veja naquele momento
Ou talvez seja aquilo que não conseguiu esconder…
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Ou talvez até seja, mas você nunca irá saber
Pois até mesmo ela ainda se perde nas muitas de si mesma
Provável que todas lá dentro sejam verdadeiras, buscando equilíbrio
E, no meio de tantas, almeja se encontrar
Aquela que passa pode não ser o que você vê
O que se passa dentro daquela que passa, só ela sabe
Aquela que passa pode não ser o que você vê
Mas é o que ela, autêntica, consegue ser…
Alda M S Santos

Checkin

CHECKIN

Hora de voltar, fazer o checkin de vida, prosseguir

Conferir dados, documentos, bagagens a despachar

Facilitar acesso a itens importantes na bagagem de mão

Aqueles dos quais podemos precisar a qualquer momento.

Que colocaríamos em nossa bagagem de vida,

Se tudo que pudéssemos ter acesso se limitasse a uma mala de 23 kg,

E nada mais pudesse ser levado?

Deixaríamos muito para trás?

Que temos carregado de supérfluo a pesar em nossas costas?

Que temos carregado que não é nosso de verdade?

O quanto de importante temos deixado pelo caminho?

Temos feito bem nosso checkin de vida?

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Ainda que nosso céu pareça claro

Azul, brisa suave, águas limpas

Tempestades podem se aproximar, molhar tudo

Lançar raios e trovões sobre nossas paredes internas

Vendavais de areia cegar nosso olhar

Balançar nossa estrutura, nos lançar contra as pedras…

Fugir delas nem sempre é possível

Encarar, absorver o que der, abstrair-se do que for possível

Esperá-la passar, sempre passa!

E receber de braços abertos novo céu azul…

Alda M S Santos

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