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Somos presente!

SOMOS PRESENTE!

O passado não muda, não volta

Todos sabemos!

Independente se foi florido ou esburacado

Se fomos felizes ou nem tanto

Se queremos esquecer ou voltar, reviver

Tanto faz! Ficou lá atrás!

Mas o modo de olhar para ele

Aquilo que ele deixou em nós, reciclado

A maneira que interfere no hoje

O jeito de nos mover ou de nos paralisar

As expectativas frustradas ou não que cria para o futuro

A maneira que o trabalhamos em nós faz toda diferença

No presente que abrimos todas as manhãs

No futuro que vislumbramos e aguardamos em expectativa a cada anoitecer

Nosso presente fica melhor e nosso futuro mais interessante

Quando fazemos as pazes com nosso passado

Não o esquecemos, não o ignoramos

Aprendemos com ele e somos gratos àquilo que nos tornou

Mas o deixamos onde deve ficar: guardado lá atrás

Somos presente!

Há sempre barcos indo, barcos chegando

Barco não nasceu para ficar atracado no porto.

Alda M S Santos

Preteridos?

PRETERIDOS?

Aquelas vezes que nos entristecemos, nos rebelamos

Por termos sido preteridos em algo

Quando alguém ganhou o que achamos que deveria ser nosso

Quando parece que fomos “roubados”

O emprego que não pôde ser nosso

O concurso em que não classificamos

O sorteio que não nos contemplou

O namorado que preferiu seguir outra

Aquele amigo que escolheu outros amigos

A família que nem sempre compreende nossos anseios

Os filhos que têm seus próprios caminhos e não precisam mais de nós

O amor que decidiu não amar mais…

Parece que o mundo fica contra nós

Que a roda gira na contramão

Que sempre alguém ganha e a gente só perde…

Mas se olharmos bem todas as vezes que nos julgamos preteridos

Veremos que foi, na verdade, uma proteção, um cuidado divino para conosco

A amizade não era sincera, o emprego traria inimizades

O namorado era pura mentira e ilusão

O amor não era suficientemente forte e verdadeiro

O concurso nos afastaria de quem amamos…

É Deus nos protegendo e amparando

Recolhendo os brinquedos perigosos que poderiam nos derrubar

Regulando as “doçuras” para proteger a saúde

Como um pai que tapa as tomadas para o filho não levar choque…

E, se insistimos, acabamos por nos arrepender ou ficarmos com dívidas eternas

Que talvez nem tenhamos cacife para pagar.

Confiemos em quem sabe tudo de nós e nos ampara

Como a toda criatura, por menor e mais insignificante que pareça…

Preteridos, não, protegidos!

Alda M S Santos

O que você é hoje?

O QUE VOCÊ É HOJE?

Quantos anos você tem hoje?

Trinta, quarenta, cinquenta, setenta?

Volte lá atrás, à metade disso…

A sua vida de hoje corresponde àquela que propôs para si?

O que você realizou é o que sonhou décadas atrás?

Vida pessoal, profissional, familiar, social?

Tem a família, os amigos, o trabalho, a saúde, o lar que sonhou?

Colocando na balança as oportunidades que teve

E aquelas que deixou passar, não soube aproveitar

As vezes em que tiraram seu chão

Ou aquelas que não soube flutuar

Qual o saldo? Está inteiro? Faltam partes, mantém a essência?

Qual sua responsabilidade nisso tudo?

Qual sua perspectiva para o futuro?

O que você é hoje pode ser diferente do que imaginou para si

Pode até ser meio frustrante para o jovem sonhador que foi

Mas no equilíbrio entre sonhos e realidade

O saldo certamente é bom

E, se não for, a boa notícia é que a vida continua

Dá para tentar fazer diferente de agora em diante

Boa caminhada para todos nós!

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

Urgências

URGÊNCIAS

As faltas que nos enchem de vazios intensos

Vazios que nos enchem de necessidades

Necessidades que nos enchem de urgências

Urgências que nos derrubam, atropelam os outros

Às vezes nos paralisam, imobilizam

Mas quando bem aproveitadas

Também nos movem na direção do bem, da paz

E nos preenchem de amor

Tão repletos ficamos que chega a transbordar …

Alda M S Santos

Não sai de moda

NÃO SAI DE MODA

Os jovens se divertem com os coroas que ainda “tiram retrato”

Que ficam gamadas por aquele pão

Que pegam um carango legal

Ou que levam aquele brotinho para a discoteca

Que balançam o esqueleto com a patota

Que não se encrespam com uma pinoia qualquer

Os jovens de hoje não fazem ginástica nem paqueram

Mas entendem de selfies, fotos, academias

Minas, novinhas, carrões e baladas

Pegam crush por alguém e ficam

Gostam mesmo é de causar

Mas bugado, lesado ou viajando

Qualquer boy, broto legal, parça ou véy, precisa tá ligado

Amor, respeito, honestidade e gentileza

Independente do vocábulo que se use

Arcaico ou moderno, ultrapassado, quadrado ou atual

Nunca saem de moda

É uma brasa, mora?

Pode crer, cê vai pirar, vai divar…

Tá ligado? Sacou?

Morô, bicho?

Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Deliciosos paradoxos

DELICIOSOS PARADOXOS

O corpo tão “morto”, tão cansado, tão pesado

Que tem dificuldades para relaxar e descansar

Em contrapartida, a alma tão viva, tão leve, tão agradecida

Que quer curtir, relembrar mais um pouquinho os bons momentos

Assim funciona o ato de doar-se em prol de alguém

Fraternidade e generosidade renovam esperanças de um mundo melhor

Mais humano, menos violento, mais amoroso

Quem dá ou recebe já não se sabe, não se identifica

E não importa, todos ganham!

Alda M S Santos

Malas esquecidas

MALAS ESQUECIDAS

Malas esquecidas aos pés, um abraço que se eterniza

Ignoram o burburinho que possa haver por ali

Mergulhados no pescoço um do outro, lágrimas insistentes

Será uma ida ou uma volta?-perguntariam os curiosos

Que pode ser mais triste ou doloroso

Mais alegre ou emocionante:

As malas de quem chega ou de quem vai?

A ida ou a volta, a partida ou o retorno?

O olhar que se tem sobre a ida ou a volta

A razão que leva a uma ou a outra é que determina o peso que fica na alma

Coração repleto, tão cheio quanto as malas

Escorre pelos olhos, nos toques, no desejo de parar o tempo

Malas prontas, esquecidas sob um abraço: chegando ou partindo?

Malas esquecidas, mas a bagagem mais importante será eterna no coração

Quem chega ou quem parte determina um recomeço

Sempre!

Para quem vai e para quem fica, esperança

E recomeços são uma oportunidade de fazer diferente

De fazer melhor…

E isso já é motivo para as lágrimas serem de alegria!

Boa viagem: de ida ou de volta!

Alda M S Santos

Quebra-cabeça

QUEBRA-CABEÇA

Imagino que Deus tenha diante de si um quebra-cabeças gigante

Daqueles de milhares e milhares de peças

De todas as cores, tamanhos e formatos

Que Ele vai escolhendo uma a uma, montando, encaixando com amor e cuidado junto conosco

Respeitando nossas decisões e escolhas…

Sabendo do que realmente precisamos

Ele encaixa peças importantes, disponibiliza outras, retira umas completamente fora de contexto

E nós daqui tentando encaixar o que não cabe, bagunçando tudo

Entortando peças, inutilizando umas, estragando outras

Quando nosso quebra-cabeças estiver difícil de montar

Paremos um pouco, aguardemos, respiremos fundo

Melhor colocá-lo sobre a mesa e esperar

Deixar espaço para enxergar as peças que Ele tira e coloca à nossa disposição

Ele tem a visão geral de interdependência que nós não temos

Ele sabe a peça que nos falta, a que sobra

As peças que não são do nosso tabuleiro

Que nunca se encaixarão, são de outro quebra-cabeças

Às vezes o agir consiste em parar e esperar

Aguardar a peça faltosa, abrir mão daquela que está torta

Isso é sabedoria e maturidade!

Alda M S Santos

Tenho medo

TENHO MEDO

Tenho medo de qualquer posicionamento extremo, radical

Sem qualquer apologia às “folhas de bananeiras”

Que balançam ao sabor do vento

E ora estão de um lado, ora do outro

Ter uma opinião formada não quer dizer que precise ser engessada, inflexível

Mudar o modo de ver algumas coisas só nos engrandece

Tenho medo das consequências negativas do radicalismo, dos preconceitos

Tenho consciência que até o amor, a maior e mais eficaz arma do mundo

Se usada de modo radical é prejudicial

Sou a favor da flexibilidade, do saber ouvir, do se fazer entender

Mas, principalmente, do saber respeitar

Intolerâncias geram violências que nos desumanizam

Verdades são apenas opiniões de pessoas diferentes entre si

E ter uma opinião diferente não faz ninguém melhor ou pior que os demais

O que difere os seres humanos é o modo pacífico ou agressivo de se manifestar

O que hierarquiza as pessoas é o respeito que demonstram diante do diferente de si

Porque a quem nos parece diferente

Certamente também pareceremos estranhos

E uma conversa respeitosa faz com que todos cresçam como seres humanos

O que é impossível sentados no trono que julga e condena o que é diferente

Tenho medo! Muitos medos!

E isso vale para qualquer esfera da vida

Social, familiar, política, amorosa, artística, religiosa, esportiva…

Com habilidades e cuidado somos capazes de a tudo conquistar

Precisamos todos de mais amor e respeito

Menos insultos, menos julgamentos…

Mais humanidade!

Alda M S Santos

Errar é humano?

ERRAR É HUMANO?

Errar é tão humano que há erros para todos os tipos de humanos

O erro inovador, aquele que se comete ao enfrentar algo diferente do costumeiro

“Isso tudo é novo para mim”

O erro insistente, velho conhecido, aquele que bate na mesma tecla, não desiste

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”

O erro ingênuo, aquele que espera sentado ser contemplado nas voltas do mundo

“O que for meu virá até mim…”

O erro otimista, aquele que treina e teima no mesmo propósito

“A prática leva à perfeição”

O erro pessimista, aquele que desistiu de lutar

“A vida é cruel, tentar pra quê?”

O erro revoltado, injustiçado, aquele que se julga o preterido do mundo

“Nada cai do céu, tomo o que eu quero!”

O erro anjo da guarda, bom samaritano, aquele que erra em prol dos outros

“Era apenas para ajudar ou proteger fulano”

O erro vidente, aquele que prevê o final desastroso e insiste

“Eu sabia que só poderia dar nisso”

O erro original, aquele que só você é capaz de cometer

“Tantos erros novos para cometer, para que insistir no mesmo?”

O erro avalanche, aquele que sai derrubando e levando todos a sua volta

“Sai da frente que estão me empurrando…”

O erro “solidário”, aquele que não gosta de errar sozinho, sempre carrega alguém consigo

“Mas não fui só eu que errei”

E o erro reincidente, persistente, vítima, travestido, cigano e volúvel

Aquele que parece ser novo, mas muda apenas o endereço e o parceiro envolvido

O erro continua o mesmo…

“Eu não queria isso! Como vou explicar para os outros?

Errar é mesmo humano

Aprendemos muito mais com erros do que com acertos

Desde que saibamos aproveitar suas lições

Caso contrário, apenas mudaremos os erros de lugar

E envolveremos novas pessoas…

Errar é humano, mas não é legal que se torne desumano!

Alda M S Santos

Manuais

MANUAIS

Não quero manuais, não quero receitas

Tampouco tutoriais ou passo a passo

Eles são bons para os outros

Ou assim acreditamos

Na prática, para nós mesmos, são cansativos

Nunca funcionam!

Inexperiência, impaciência ou desejo de aprender fazendo

Não importa!

Funcionariam para seres iguais, medidas idênticas, habilidades idem

Somos diferentes, a começar pelas digitais, DNA atesta e confirma

Prefiro ir na base da tentativa e erro

Aperto daqui, vou, volto, sigo

Acrescento ingredientes, deixo em repouso, boto para crescer

Escrevo, apago, refaço, reescrevo minha história

Ainda que fique borrada onde não foi possível apagar marcas deixadas

Capítulos inacabados, páginas viradas, personagens perdidos, sem destino

É tão simples que se torna complexo

Nenhum manual saberia guiar individualidades

Manuais lidam com acertos, não preveem erros

Aqueles nos quais ficamos dependurados, tentando nos equilibrar para não cair

E a vida acontece quase sempre entre um erro e outro…

Alda M S Santos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

É bom?

É BOM?

É bom quando nos torna pessoas do bem, quando desperta nossa melhor versão,

Mas se é algo que nos impede de ser ou fazer o que gostamos

Se é algo que nos desestrutura, mais entristece que alegra

Não é bom!

É bom quando aumenta nossa fé em Deus e na humanidade, aproxima pessoas e nos orgulhamos em fazer parte,

Mas se é algo que nos envergonha, frustra, amedronta

Não é bom!

É bom quando nos desperta para o amor e a solidariedade, a compaixão e a fraternidade,

Mas se nos faz criar “dívidas” sociais, familiares e emocionais muito pesadas,

Não é bom!

É bom quando queremos e podemos divulgar em “rede nacional”, contagiar a todos e levar a paz, amor e segurança que sentimos,

Mas se nos afasta dos outros, daqueles que amamos e nos querem bem

Mas, principalmente, se nos leva para longe de nós mesmos,

Para um lugar dúbio e sem volta

Se nos distancia daquilo que sempre tivemos orgulho em ser e fazer

Não! Definitivamente não é bom!

Oscilando entre o que é bom e o que não é, vamos vivendo

Caindo menos, derrubando menos ainda, ajudando, aprendendo, seguindo…

Viver é bom quase sempre!

Alda M S Santos

#carinhologos

Nocaute

NOCAUTE

A vida vai bater, muitas vezes bem forte

Golpes diretos, cruzados, ganchos certeiros

“Vence” quem tiver o coração mais leve

Você vai se machucar, se ferir, ferir os outros

Sentir-se atordoado, talvez perder a noção do certo e errado

Vai querer revidar pancadas, usar golpes baixos

Aguente firme, equilibre-se, desvie de alguns diretos

Proteja-se!

Fortaleça sua musculatura, absorva alguns “socos”

Transforme-os em energia para prosseguir

Se cair, respire fundo, beba água

Ajeite o protetor bucal, o protetor emocional

Levante-se!

Evite revidar golpes duros

Eles sempre retornam mais fortes

Risco de nocaute…

Os golpes mais traumáticos virão de onde você menos esperar

Te lançarão na corda, te derrubarão na lona

A vontade de ali ficar será grande…

Mas…levante-se!

Sofra o que tiver de sofrer, cure as feridas

Dê-se um tempo de “luto”, de repouso

Aprenda, prossiga!

Cuidado com golpes já conhecidos

Não golpeie com aquilo que sabe o quanto machuca

Se tiver que revidar, que seja a bondade e o amor

No mais, golpe nenhum merece revide

No ringue da vida quando alguém vai à nocaute

Na verdade mais de um perde

Ninguém ganha!

Será que fomos prevenidos antes de vir para esse ringue?

3,2,1…levante-se!

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Barreiras que nos salvam de nós mesmos

BARREIRAS QUE NOS SALVAM DE NÓS MESMOS

Uma hora são as sombras que turvam a visão

Noutra a claridade excessiva que dificulta o trajeto

Chuvas fortes, granizo, neblina, tempestades

Buracos na via, lama, alagamentos

Um quebra-molas gigante nos obriga a reduzir a velocidade

Um desvio sugerido, convidativo, e insistimos em ignorar

Uma árvore caída que impede quase toda a passagem nos atrasa

Um acidente com alguém interrompe nossa viagem por um tempo

Vários obstáculos no caminho para chamar nossa atenção

Muitas, muitas pedras a transpor

Vários alertas! E ignoramos…

Até que o acidente ocorre conosco mesmos

Forte, doloroso, destruidor

O trilho se parte, o trem descarrilha e ficamos perdidos

Aí somos obrigados a parar, a refletir, a avaliar o que fizemos

Será que é esse mesmo o destino, o melhor caminho?

É preciso recalcular a rota, o veículo utilizado, os companheiros de viagem

Aquele obstáculo no caminho nem sempre é ruim

É apenas algo Superior querendo nos salvar de nós mesmos

De trajetos ruins que não levam a lugar algum

De transporte inadequado, de trilhas defeituosas

De más companhias, do modo de dirigir muito afoito

Das prioridades que temos colocado em nossa viagem

É bom sempre prestar atenção nas estradas, na sinalização

Principalmente nos obstáculos que dificultam de certo modo o seguir

Sentar, ainda que na beira da estrada sem fim

Reavaliar, redirecionar, repensar, recalcular o caminho…

Agradecer tudo de bom, quem nos ama e ora por nós mesmo de longe

Aquelas barreiras que tanto reclamamos

Físicas, mentais ou do coração

Podem ter vindo para salvar não só nossas vidas

Mas várias outras vidas também…

Alda M S Santos

Propaganda enganosa

PROPAGANDA ENGANOSA

Diz-se quanto o divulgado não corresponde ao real

Quando a teoria não funciona na prática

Quando o exposto na vitrine é belo e maravilhoso só ali

Quando o dito ou gritado em bom som

Se cala diante da realidade nua e crua

Quando o lustrado parece mais resistente do que é na verdade

Não suporta, arrebenta, diante da constante batida ou monotonia do cotidiano

Quando o que parece forte e protetor se encolhe aos primeiros trovões

Quando o que parece aquecer desaparece ao primeiro frio

Quando o que promete refrescar se derrete ao primeiro calor escaldante

O que está na vitrine é para ser vendido ou apreciado

Saiu dali, o valor de mercado cai drasticamente

Passou do almejado ao conquistado, do desejado ao adquirido

Além da propaganda enganosa para “vender”

Em nossa práxis, temos o mau hábito de priorizar o que não é nosso

Em detrimento daquilo que já temos…

Quase sempre o que está na vitrine está maquiado, engomado

Até por autoproteção e conservação.

Quem é usuário conhece o produto.

É preciso ver além dos filtros, atrás dos vidros, sem as fortes luzes que fazem parecer tudo belo!

Alda M S Santos

Transformações

TRANSFORMAÇÕES

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”…

Segundo essa lógica de Lavoisier, nada perdemos, apenas transformamos

Vivemos transformando decepções em aprendizado ou revolta

Tristezas e lágrimas em crescimento ou negativismo

Trabalho árduo em alegria ou apenas cansaço

Ilusões e expectativas frustradas em força ou medos

Injustiças em solidariedade e compaixão ou indiferença

Amor “perdido” em amizade, carinho, esperança ou descrenças e desconfianças

Jovialidade e força em maturidade e sabedoria

Tudo que parece perdido em nós, para nós, se olharmos bem

Na verdade foi transformado com nossa efetiva participação

Tudo se transforma, mas não à nossa revelia

O modo de lidar com nossas “perdas” é o ingrediente base para o que fica

Para aquilo de precioso que trazemos como memórias e saudades

Podemos fazer dessas transformações apenas tristes demolições

Ou grandes e maravilhosas construções…

Alda M S Santos

No ponto certo

NO PONTO CERTO
Café, passado na hora, quentinho, cheiro delicioso e convidativo
Sementes, mudas, raízes, brotos, galhos, flores, frutos maduros
Depois de aparentemente prontos para consumo
Os grãos precisam ser colhidos
Colocados para secar, socar, torrar, moer
Para, ainda assim, passar por água fervente, ser coado
Até podermos saborear o delicioso cafezinho…
Colhê-los antes da hora seria perda de tempo, desperdício
Esperar demais ele seca, murcha, passa do ponto, apodrece e cai
Verde demais ou apodrecido não dá pó, não faz café
O mesmo se dá conosco
Todas as fases que passamos são para chegarmos ao ponto certo de “consumo”
Quantas vezes parecemos maduros e prontos
Não aceitamos a parte dolorosa do secar, torrar, moer
Sem saber que o melhor ainda está por vir?
Laranjas só dão suco se espremidas
Grãos de café só valem se maduros, torrados e moídos
Pessoas só chegam à alegria e sabedoria da maturidade
Quando são o “café” quente e animador para si e para os outros
Quando não negam e encaram as etapas dolorosas do viver
Como parte do se tornar “eu”.
Somos eternos cafezais num constante florir, frutificar, colher, secar, torrar, moer, repousar
E virarmos cafezinho saboroso
Verde, maduro, seco, no ponto certo…e a vida segue…
Qual seu ponto ideal?
Aceitam um café?
Alda M S Santos

Batata quente

BATATA QUENTE

Batata quente, quente, quente

A regra é clara, seja rápido e preciso

Passe a batata quente para frente

Não há tempo para lamúrias ou reflexões

Se segurar muito tempo, se queima

Se estiver com ela na mão quando a “música” parar

Uma prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Passe para frente, não a deixe cair ou irá se queimar

Outra prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Assim aprendemos, assim fazemos

Assim vamos “brincando”…

Passando para frente nossas batatas quentes

Recebendo outras tão quentes quanto

E vamos pagando nossas prendas no caminho

Batata quente, quente, quente

Queimou!

Até aprendermos a nos livrar tão facilmente quanto os outros das batatas quentes

Ou até não querermos ou não mais conseguirmos pagar a “prenda”

Decidimos descascar nossas próprias batatas

Não passarmos para frente

Optarmos por não receber batatas alheias, por mais apetitosas que possam parecer

Sair dessa brincadeira e ir pular Amarelinha

Pulando e se equilibrando ora num pé só , ora nos dois

Pulando até o céu!

Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

(Des)humanas ou (In)exatas?

(DES)HUMANAS OU (IN)EXATAS?

Você é da área das humanas ou das exatas?

Busca a exatidão nas (des)humanas ou a humanidade nas (in)exatas?

Conformou-se com a inexata desumanidade da vida

Ou ainda busca o valor de X que, perdido, não quer ser encontrado?

Para você é confortável saber que zero é zero, um mais um são dois,

Ou gosta de saber que nem sempre zero quer dizer ausência, e que um mais um pode ser diferente de dois?

Gosta de sim ou não, ou o talvez, pode ser, depende, às vezes, mais ou menos, jamais, te agradam mais?

Prefere lidar com quadrados perfeitos, saber exatamente a área que te cabe nos triângulos

Ou gosta da questão ampla e filosófica de se inserir num círculo do qual desconhece o início e o fim?

Sua perspectiva de ângulo é multifocal ou é simétrico demais para admirar as multiplicidades de questões sem respostas?

Entende bem uma questão que tenha uma resposta racional, se possível resolvida na calculadora,

Ou prefere aquelas que se resolvem nos caminhos incertos e inexatos escritos poeticamente no coração?

Gosta de ter traçado todo o caminho com gastos calculados e previsão certa de chegada

Ou prefere as deliciosas surpresas naturais que “atrasam” seu caminho?

A “frieza” descalculada das exatas é tão forte quanto a inabilidade de lidar com emoções.

O “descontrole” emocional das humanas é tão forte quanto a incapacidade de calcular o tempo para sair desse labirinto.

Tão diferentes e tão necessitados uns dos outros…

Sou das humanas, tentando resolver a inexata complexidade das equações vitais, usando as ferramentas do coração…

Deu para entender?

E você está mais perto das (des)humanas ou das (in)exatas questões?

Alda M S Santos

Quando a cidade dorme

QUANDO A CIDADE DORME

Quando a cidade dorme tudo está em suspenso

O dia amanhece, mas todos dormem

A vida está parada, o ar está carregado

O mundo parece ter acabado, só eu estou aqui

Lugares sempre intransitáveis pela superlotação

São amedrontadores agora pelo isolamento

Mas quando a cidade dorme, há sempre um lado acordado

Que aos poucos observamos e a mantém funcionando

Aquele que limpa, solitário, o chão, ou que abrirá o portão mais tarde

Que guarda entradas fechadas sem ninguém para entrar

Que mantém acesas as luzes que receberão os que dormem

Aqueles que agem sorrateiros “protegidos” na escuridão da noite

Outros escondidos atrás de olhares que nada veem, nada dizem

Não parecem ser daqui, mente abduzida

Alguns, meio zumbis, perdidos entre o adormecer e o acordar

Na linha tênue que separa o viver do morrer

Quem somos nós quando a cidade dorme?

Que fazemos aqui?

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Time completo?

TIME COMPLETO?

Prontos para entrar em campo

Os times seguem em frente, esperançosos ou nem tanto

Almejam a vitória, mas sabem que só um será campeão, só um levará a taça…

Desfalcados ou completos, nós também estamos nesse gramado chamado vida

Defesa vazada muitas vezes, deixando passar bem mais que uma bola

Ataque fraco nos impedindo de avançar rumo ao gol

Ou agressivo demais, acabando por conseguir faltas graves e expulsões

Meio campo sem boa visão do jogo todo, perdendo oportunidades

Treinador ignorado, ora por ser muito exigente, ora por não cobrar o bastante

Técnico inexperiente ou senhor de si, mas que não harmoniza as posições em campo

Goleiro que deixa passar bolas já conhecidas e nos colocando em apuros

E, mesmo que o time esteja totalmente em sintonia, tudo pode acontecer

No gramado ou na vida, incidentes são comuns, “zebras” acontecem

E, contundidos ou inteiros, precisamos seguir…

Mas todos podem sair vitoriosos

Independente do resultado final em campo

Vale o que cada um trouxe para si de valioso

O que deixou de aprendizado, a consciência de ter feito o melhor

A certeza de que nesse gramado chamado vida

O que realmente vale é participar ativamente do jogo

Deixando e levando boas lembranças, mesmo sem medalhas …

Bom jogo a todos nós!

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Hoje quero ver o lado bom das pessoas

Aquele que muitos preferem não ver

Não quero enxergar as falhas, os egoísmos, as covardias

Não, hoje não!

Hoje quero me alegrar com o sol que brilha

E possibilita nossa própria fotossíntese

Não quero reclamar do calor ou do frio, da chuva ou da seca

Não, hoje não!

Hoje quero me fixar nas saudades boas, nas risadas gostosas, no amor vivido

Não quero lembrar das decepções, dos medos, das ingratidões

Não, hoje não!

Hoje quero ser grata ao passado que me formou,

Ser ativa no presente que me mantém, esperançosa no futuro que me aguarda

Não quero ser daquelas que se enfurnam na tristeza e se afogam nas próprias mágoas

Enquanto buscam culpados para o lago sujo que se forma a sua volta

Não, hoje não!

Hoje quero ser o bem, fazer o bem, levar alegria pelo caminho

Hoje quero fazer essa travessia mergulhada em sorrisos

Não quero esperar muito do mundo, apenas me doar e ser grata ao que vier

Não, hoje não quero reclamar de nada!

Hoje quero ser paz e fazer apenas um pedido

Todos os dias podem ser como hoje?

Alda M S Santos

A bola é minha!

A BOLA É MINHA!

Emburrado, saía pisando duro com a bola debaixo do braço

E voltava sozinho para casa

– A bola é minha!- dizia sentindo-se superior

Não podendo ser contrariado ou aborrecido

Sem saber perder o que quer que fosse

O garoto “riquinho”, dono da bola, não sabia ceder

Encerrava a brincadeira em que todos se divertiam juntos

Sem saber negociar, não percebia

Que ao apelar para o recurso do “dono do brinquedo”

Com o intuito de punir os companheiros, de mostrar quem mandava

Ele também se punia…

“Brincar sozinho não tem graça! “- concluía

Os outros, muitas vezes, substituíam a brincadeira e continuavam a se divertir…

Quanto mais cedo descobrirmos que mais vale saber brincar,

Aceitar os outros como são, com suas falhas e excessos

Que ser o dono da bola ou da verdade

Mais vamos aproveitar os bons momentos

Quanto antes percebermos que é mais divertido oferecer o que temos

Quando aceitamos o que os outros podem nos dar também

Mais amigos verdadeiros faremos

Mais felizes seremos…

Com a bola e com a vida, mesmo sendo os donos, não se brinca sozinhos…

Alda M S Santos

Álbum de figurinhas

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Como álbum de figurinhas vamos “montando” nossas vidas

No início tudo é novidade, satisfação, animação

Comprando muitas, investindo bastante com energia e disposição

Uma a uma vamos colando, grudando e preenchendo espaços vazios

Conquistando umas raridades, preciosas

Interagindo, trocando aquelas repetidas por outras que ainda não temos

Até doando ou descartando várias que nem troca conseguimos mais

Como a vida, quando o “álbum” está quase completo

Mais difícil fica fechá-lo ou montá-lo, mais descartes vamos acumulando

E mais valiosas se tornam aquelas que preencherão nossos espaços vazios

Mudamos valores, passamos a trocar duas ou três por uma…

Quase sempre nos concentramos muito naquelas que faltam

E nos esquecemos do valor de todas as outras conquistadas

Daquelas outras figurinhas que “encheram” nosso álbum de cor

Passamos a lamentar as que perdemos por não tê-las colado direito

Ou por não ter “pago” o tanto que pediram, que valiam de verdade

Pois só descobrimos que eram raridade quando já estavam noutro álbum

Quando o julgamos “pronto” nos orgulhamos de exibi-lo a todos

Mas o que mantém a vida em curso é o desejo de preencher o que falta

Mesmo que não consigamos esse intento de completude

O prazer e alegria de montar um álbum consiste em buscar a figurinha faltosa

Mas essa busca não pode ser com mais empenho

Que o de conservar e valorizar o já conquistado

Quando o álbum for “fechado”, mais vale estar feliz que completo!

Alda M S Santos

Aprendendo a pescar

APRENDENDO A PESCAR

Pode ser prazeroso receber um peixe delicioso nas mãos, sem esforço

Prontinho para ser degustado, saboreado

Mas nada se compara ao prazer de pescar o próprio peixe

O sabor é outro: de satisfação, de vitória, aprendizado, superação dos limites…

Mesmo porque, nada dura para sempre

Cedo ou tarde, se faltar o fornecedor do peixe, precisaremos nos virar…

Somente se compara ao prazer de pescar

O ato de ensinar alguém a fazê-lo, vibrar com a conquista do outro

Pescar juntos, no mesmo barco, enfrentando os ventos contrários,

As marés desfavoráveis, a restrição da piracema, esperar novo momento

Saborear juntos um pescado desejado

Isso é divinamente lindo!

Alda M S Santos

Por que Nossa Senhora?

POR QUE NOSSA SENHORA?

-“E quem não é devoto de Maria?”

A maioria quase absoluta dos idosos do Lar Santa Zita é de católicos

Mas é o que menos importa, todos são filhos ou mães

E numa homenagem às mães

Aquela escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, Nosso Salvador,

É a homenageada principal!

Ninguém é obrigado a participar, respeitamos

Como em qualquer outra atividade

Mas a quase totalidade que tem Maria como Nossa Senhora, mãe de todos nós

Merece também respeito e consideração!

Quem conhece e ama o Filho, ama a Mãe

Sabe que Maria nos leva a Jesus, que nos leva ao Pai…

Coração de mulher, de mãe, que confiou nos desígnios de Deus para nos salvar

Sofreu a maior dor que uma mulher pode sofrer: perder o próprio filho

É uma honra poder chamá-la de Minha Mãe, de Nossa Senhora

E tê-la para interceder por nós todo o tempo

Nossa Senhora, rogai por nós e por todas as mães,

Amém!

Alda M S Santos

#carinhologos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Qual sua responsabilidade na atual situação em que você se encontra?

Essencial nos perguntarmos isso antes das acusações de praxe.

O outro não teve paciência, o chefe não pagou o devido, a igreja não ajudou, os filhos exigiram demais,

O cônjuge não foi compreensivo, os médicos não fizeram o diagnóstico correto…

Ou ainda a vida foi “madrasta”, os amigos desapareceram, as leis não foram justas, o país é corrupto, Deus não existe…

Responder a essa pergunta com coragem e sinceridade exige maturidade, ainda que no silêncio de nossos corações.

Amei o bastante, me dediquei o suficiente, segui as regras, obedeci as leis, confiei,

Fui paciente com as diferenças, respeitei o outro, cuidei da saúde, acreditei que podia fazer melhor?

Qualquer situação que nos aconteça de sucesso ou derrota, temos responsabilidade, não sozinhos, mas temos.

E a única em que podemos agir e mudar é a que nos cabe.

Sempre há algo que podemos mudar para melhorar e eliminar o mal que sofremos ou causamos.

Atribuir responsabilidade aos outros e fugir da nossa só nos levará a cair nos mesmos erros, reclamar dos mesmos insucessos e infelicidades.

Viver não é fácil, acertar sempre não existe,

Mas a tentativa constante de sucesso sem nos fazer mal leva ao aprendizado

Transitar por caminhos conhecidos ajuda muito

Aceitar novos caminhos ou olhá-los com novo olhar é essencial

Somos feitos disso tudo: culpas, responsabilidades, fracassos e sucessos

Só não vale parar…

Alda M S Santos

Pingos nos “is”

PINGOS NOS “IS”

Racionalizar tudo que nos acontece, esclarecer

Colocar todos os pingos nos “is” da nossa história

Começo, meio e fim, se possível com “felizes para sempre”

A conta precisa bater, um mais um precisa ser dois, noves fora

Ler tudo, interpretar, fazer uma releitura dos fatos

Das faltas cometidas, das bolas fora, dos gols

Dos amores, desamores, mágoas causadas e sofridas

Histórias interrompidas antes do fim, pendentes

Mal explicadas, não compreendidas, não aceitas

Essa é nossa tendência: matematizar tudo

Mas nem tudo é débito ou crédito, ônus ou bônus

Podemos estar bem no vermelho, mal no azul

E há belas histórias sem nexo, sem fim, perdidas no tempo

Valorosas, sofridas ou tristes, alegres ou saudosas

Como aquelas em que o livro termina

E a história continua dentro da gente

Criando, inventando, mudando cenários, imaginando, sonhando…

Nem todo ponto final sinaliza um fim

Talvez seja apenas uma nova página, um novo recomeço…

Alda M S Santos

Deus dá o frio conforme o cobertor

DEUS DÁ O FRIO CONFORME O COBERTOR

Diz o ditado: “Deus dá o frio conforme o cobertor”

Bem sabe Ele o que cada um de nós precisa para viver

Uns até parecem ganhar mais que outros

Mas acredito que cada um ganhe de acordo com suas necessidades de aprendizado

E o que cada um faz com o frio ou cobertor que recebe

É que o diferencia dos outros humanos

Que o faz mais ou menos feliz e realizado

Há quem ignore o frio, se rebele contra ele ou faça pouco caso do cobertor

Mas há quem consiga até diminuir o frio de seus semelhantes

Entre tantos males e bênçãos de nossa (des)humanidade

Nem sempre podemos escolher o que recebemos

Mas escolhemos o que fazer com o que temos, com o que nos dão

Há quem despreze uma manta térmica bem quentinha

Mas há quem descubra a força do amor e solidariedade

E faça milagres com um cobertor fininho

Deus não nos desampara, apenas nos deixa escolher nosso caminho…

Alda M S Santos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Expressões

EXPRESSÕES

Há tantas formas de expressão: físicas, mentais, emocionais

E tão pouco entendimento entre as pessoas

Não entendemos o outro e menos ainda nos fazemos entender

Acostumados a selecionar o que mostramos

A esconder emoções que causariam algum malefício

Ou que passariam recibo de fragilidade ou seriam “vergonhosas”

Vamos nos sufocando com nossas emoções…

Um olhar úmido, palavras engasgadas, peito apertado, angústias e medos

Mas o sorriso precisa prevalecer, pedir ajuda é ser fraco

Reclamar é só para ouvir histórias de situações piores, lições de moral

Num mundo em que o certo é se dar bem,

Sacudir a poeira, mesmo que ela cegue a nós mesmos e aos outros

Ser autossuficiente e não depender de ninguém

Fazer a “fila andar” e não perder tempo com “mimimi”

Não dá pra ser zebra frágil num mundo de leões ferozes

Assim, as doenças vão tomando conta e estão aí: pânico,depressão, dependências químicas, transtornos diversos…

Queremos poder chorar, gritar, sorrir, reclamar, ser humanos

Até mesmo silenciar se for nossa vontade

Estar sozinhos por opção e não por falta de um irmão, de um coração

Precisamos nos expressar e nos fazer entender

Antes que não haja mais opção!

Alda M S Santos

Descarrilhou?

DESCARRILHOU?

É fácil ser bom quando tudo parece perfeito

Quando o trem da vida segue nos trilhos

O céu está limpo, jardim florido, pássaros a cantar

Quando somos queridos e amados, quando notamos justiça a nossa volta

Os amigos nos abraçam, há borboletas no jardim e no estômago

A fé prevalece, Deus é Pai, somos agradecidos…

Porém…

Provamos realmente que somos bons e sábios

Se conseguirmos manter certa paz, serenidade e confiança

Quando a saúde física perturba, a emocional oscila

Quando o trabalho é muito cansativo, o chefe nos desvaloriza

Os filhos são rebeldes, com ou sem razão, os pais precisam de ajuda e não pedem ou reconhecem

Os amigos nos abandonam ou não podem estar por perto

O cônjuge nem sempre compreende nossas angústias

O céu escurece, o mundo cai, sem perfumes, sem sorrisos, sem beija-flores

Quando nos decepcionamos, perdemos algo que amamos, nosso time tropeça

Quando nos sentimos lesados e todos parecem se tornar nossos inimigos

Deus não nos ama mais, nos rebelamos, queremos consertar tudo à força…

Nessas horas é difícil ser bom, pacífico

Mas de que vale uma bondade apenas quando tudo parece bem

Se ela é mais necessária quando tudo vai mal?

Se o trem da vida descarrilhar, melhores peritos temos que nos tornar

Para os vagões não desgovernarem e atropelarem todos a nossa volta!

Alda M S Santos

Equalizando

EQUALIZANDO

Decepções são como os favores

Nem sempre recebemos ou retribuímos a quem nos “presenteou”

Recebemos favores de um ali

Devolvemos a outro mais na frente

Decepcionamos alguém aqui

Somos decepcionados por outro acolá

Essas são as voltas desse mundo tão cíclico

Ainda que possa parecer cruel

É seu jeito de ser leve e equalizar as coisas…

Alda M S Santos

Encastelados

ENCASTELADOS

Encastelados em nossas verdades ficamos (des)confortáveis

Com tantas certezas imutáveis, guardados entre tantas paredes, portas e janelas

Mas que não se abrem, distantes de todos…

Entre príncipes, princesas, reis e rainhas belos, ricos, superiores

Acreditamos estar protegidos do que é verdadeiramente real

A vida fora das paredes antigas daquele lindo castelo ou masmorra em que nos metemos

De uma plebe genuinamente grande, carente e nem sempre tão fiel

Onde príncipes são pessoas comuns, odiosas, às vezes

Princesas nem sempre são doces e obedientes com suas longas tranças loiras

O cavalo, quando existe, manca, dá coices

Madrastas são guerreiras, lindas ou não, lutadoras do borralho

Bruxas ou fadas são mulheres que conquistam a cada dia seu espaço com doçura, ferocidade e encanto

Príncipes são homens que sabem se encaixar na carruagem dessas novas princesas, serem parceiros

E o “felizes para sempre” é apenas início de uma luta diária…

Encastelados parecemos protegidos…falácia

Certezas podem ser confortáveis, mas são limitadoras

O que tem mesmo poder de melhorar nossas vidas e, quiçá, o mundo

São nossas dúvidas…

Vamos abrir as portas dos castelos de nossa existência!

Alda M S Santos

Em construção

EM CONSTRUÇÃO

Não somos somente aquilo que nosso olhar transmite

O que há em nós reflete no outro, diferentemente em cada um

E retorna para nós para processamento

Posso ser vista melhor do que sou, dado o grau do amor de quem me vê

Ou posso ser vista menos do que sou, pela (in)capacidade do receptor de entendimento

Ambos ajudam em minha construção do eu

Instigam melhorias, ainda que pós erros e decepções

Somos uma massa sendo “sovada” todo o tempo

Ora homogênea, ora heterogênea

E essa massa cresce ou míngua a cada contribuição recebida

Pode adquirir sabor e beleza ou desandar, azedar

Dependendo do que o outro nos oferece

Alguns ingredientes são essenciais, outros dispensáveis

E há aqueles que, como a cereja do bolo, são puro encanto

Uma receita antiga, mas cheia de atualizações

Tornamo-nos pessoas dia a dia

Seres incompletos e insossos ao nascer

Vamos recebendo do meio os ingredientes necessários

Para a concretização desse plano de Deus em nós…

Alda M S Santos

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