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Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Ovelhas: qual delas é você?

OVELHAS: QUAL DELAS É VOCÊ?

Ovelhas brancas, negras, “coloridas”

Qual delas é você?

A quem você aponta como ovelha negra

Da família, do trabalho, da igreja, das amizades

Já pensou no que ela significa pra você?

No que tem a te ensinar, proporcionar

No que você tem perdido por só criticar

Por se achar melhor, superior

Por ignorar ou, simplesmente, se afastar?

Ovelhas negras têm missão especial

Foram escolhidas a dedo por Ele

Seu trabalho por aqui é (des)equilibrar o meio

É mexer em estruturas tão firmes, intactas e castradoras

Aparentemente corretas, mas cruéis e paralisantes

Aquelas que te provocam raiva, dor, vergonha ou compaixão

O diferente instiga, cutuca, sofre, faz sofrer

Se devidamente aproveitado em seu meio

Provocará mudanças evolutivas

Nos outros, em si mesmo

Quanto mais diferente a ovelha negra for

Quanto mais excluída e excludente

Maior e mais importante seu trabalho por aqui

São as ovelhas negras que ousam mudar

Que se contrapõem ao “certo” de todos

Que agem “errado” por questionar padrões cruéis e ultrapassados

Que encaram os desafios, que abrem e despertam sorrisos

Que gritam e se rebelam, se revelam, nos revelam

E dão um pontapé naqueles que delas fazem pouco

Mesmo que entre lágrimas…

Que ovelha é você?

Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA

Onda que chega, pesada, crescente

Forte, carregada de opiniões e palpites

Cega, radical, violenta, destrutiva

Daquelas com as quais não compactuamos

E querem nos arrastar consigo

Contra nossa vontade ou desejo

Naquela avalanche de negativismo

Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente

Ou, simplesmente, deixar-nos levar

Não desperdiçar energia

Ver até onde dá pra ir sem nos ferir

E escolher o melhor momento para sair fora

Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados

Encontrar o ponto essencial

Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência

Aquele que nos torna humanos

Uma hora toda onda passa e se desfaz…

Alda M S Santos

Que nunca se aceite

QUE NUNCA SE ACEITE

Que nunca se aceite a submissão humana

Seja por qualquer razão ou alegação

Raça, cor, credo, gênero, cultura, opção sexual

Ideologia política, condição social ou financeira, títulos, religião

Que nunca se aceite a hierarquização humana

Aquela que gera opressão, fome, tortura, segregação

Medos, traumas, prisões, guerras, morte, exclusão

Que nunca se aceite que se humilhe e desumanize seres humanos

Sob o lema falso de Deus, da lei, da ordem e do progresso

Porque quando se submete a essas “leis”

Quando se aceita esse tipo de perversidade inócua

Quando não mais nos incomodamos, quando há omissão

Grande parte de nós já se afastou de Deus, já deixou de ser humano

Já deixou de ser coração…

Que nunca se aceite! Nunca!

#ditaduranuncamais

Alda M S Santos

Fotos Google

Lições infantis?

LIÇÕES INFANTIS?

Se bagunçar, arrume, deixe melhor que encontrou

Se não pode ou não sabe arrumar, não mexa

Ande, se correr poderá cair

Não pegue o que não é seu, nem tudo é coletivo

Não derrube o “castelo” de seu irmão, construa o seu

Não fale com estranhos, nem todos são amigos

Confie sempre na sua família, ela sempre estará contigo

Não procure briga, mas não apanhe

Aprenda com seus erros para não repetí-los

Se cair, levante, engula o choro, receba um carinho e siga

Nem toda porta aberta te cabe, não entre sem ser convidado

Respeite o espaço do outro, cultive o seu

Seja grato!

Lições infantis?

Talvez retomar essas lições

Nos salve de nossos próprios atropelos

De atropelar nosso irmão

Nos salve uns dos outros…

Lições infantis?

Alda M S Santos

Tragédia anunciada

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Uma parede torta, trincada

Um céu de nuvens negras, pesadas

Uma raiva intensa, acumulada

Pessoas falantes quando caladas

Tragédia anunciada!

Hipertensão, colesterol alto, glicemia elevada

Medos e traumas não vencidos

Uma vida sedentária, muito parada

Falhas e erros conhecidos, repetidos

Tragédia anunciada!

Uma encosta pesada, encharcada

Bêbados descontrolados aos volantes

Uma represa não fiscalizada, sobrecarregada

Aquela vida falsa e secreta dos “amantes”

Tragédia anunciada!

Um planeta tão maltratado, explorado

Bomba-relógio armada, um perigo

Um futuro não valorizado, ignorado

Não há como manter intacto esse abrigo

Tragédia anunciada!

BUM!

Alda M S Santos

Que inteligência é essa?

QUE INTELIGÊNCIA É ESSA?

Que inteligência é essa

Que produz máquinas e armas de destruição

Mas que não cura um câncer, um mal do coração?

Que inteligência é essa

Que num simples acionar de um botão

Pode lançar um míssel nuclear e nos reduzir a pó

Mas deixa morrer de fome um irmão?

Que inteligência é essa

Que nos leva à guerra, ao terreno do outro, por insanas disputas emocionais ou materiais

Mas não enxerga a vida que míngua bem nos seus quintais?

Que inteligência é essa

Que viaja em naves e foguetes pelo longínquo campo do espaço sideral

Mas não acha o caminho da paz e do amor dentro de si, de seu tão próximo campo emocional?

Que inteligência é essa?

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Celeiro humano

CELEIRO HUMANO

Palavras podem ludibriar, enganar

Comportamento é sempre claro, não mente

Boas pessoas: boas ações

Más pessoas: más ações

Certo? Não necessariamente!

Comportamento não é previsível, não é matemática

Emoções não são uma ciência exata

Boas pessoas erram, aprendem

Más pessoas acertam, mudam, melhoram

Errar, cair, aprender, crescer, evoluir

Tudo isso é inerente ao ser humano

Não existem humanos santos

Anjos não vivem aqui, estão muito além de nós

Nesse grande celeiro humano

Há grãos de todo tipo e formatos

Em diferentes fases de maturação

E cada qual atinge seu ápice no tempo certo

Ser maduro é bom, é nosso objetivo

Mas não se chega lá sem antes ter sido verde…

Alda M S Santos

Outra vez?

OUTRA VEZ?

Vai e volta, passa o tempo

E as mesmas situações se repetem

De novo

Replay, outra vez

Mais uma vez…

Conosco ou com os nossos

A mesma dor por perto

Repeteco

Algo a nos dizer

Que fazer?

Lições não aprendidas

Oportunidades ignoradas

Erros não aproveitados, falhas esquecidas

Lágrimas jorradas

Batem sempre na mesma porta

Sempre querem algo nos dizer

Chamar a atenção, ativar o olhar, o fazer

O que não se aproveitou ou se aprendeu lá

Retorna para o lado de cá

Até que possamos estar aptos

A seguir, a prosseguir

Sem precisar tanto ferir, tanto repetir…

E poder um pouco mais sorrir…

Alda M S Santos

Demasiado tarde?

DEMASIADO TARDE?

Seria demasiado tarde

Para acreditar na humanidade?

Idosos, grávidas e crianças de pé no metrô, esquecidos em sua condição especial

Mas lá fora uma mulher protege outras duas desconhecidas em seu guarda-chuva

Uns veículos velozes e descuidados espirram enxurrada nos pedestres

Outros param e cedem a preferência

Descaso, desamor, desrespeito e indiferença com o outro

Podemos ver isso por todos os lados nos mínimos gestos

Mas apenas um sorriso solícito de um funcionário

Um dar-se as mãos para atravessar a rua

Uma carona solidária, um olhar compreensivo

Um simples ato de carregar as sacolas pesadas de alguém

Qualquer sinal de preocupação e cuidado desinteressados

Fazem-nos crer que não é tarde demais

A humanidade ainda tem jeito!

Precisamos focar no que nos faz mais felizes

Há muita gente do bem, boas ações

Apenas o mal tem sido mais visualizado, semeado

Divulgado e propagado…

Vamos divulgar e propagar o bem

Plantar o amor verdadeiro em gestos simples…

Alda M S Santos

A melhor professora

A MELHOR PROFESSORA

Ela é considerada a melhor professora

Nem sempre a mais doce

Tampouco a mais justa

Pode levar tempo, machucar

Precisar reapresentar as mesmas lições

Do mesmo modo, mesmos recursos e técnicas

Ou com um método diferente, novos livros, material didático atualizado

Para os alunos mais “complicados” e difíceis

Mas ninguém pode negar sua eficiência

Ela ensina, leve o tempo que levar

Por bem ou por mal

Por prazer ou por dor

A vida ensina! E como ensina!

Se esse for o único quesito exigido, o troféu vai para ela

A vida é a melhor professora!

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudar causa medo, insegurança

Expectativa, dores, desalento, esperança…

Mas não mudar pode ser muito pior

Quando tudo a nossa volta muda

Permanecer estático e agarrado ao passado

É deixar a derrota chegar sem lutar

Ninguém vive totalmente no presente

Dizem que vivemos 40% apenas no presente

O restante ficamos entre a saudade do passado e expectativas do futuro

E buscar esse equilíbrio é que é saudável

Mas nem sempre é fácil

Uns crescem, se vão, se viram sozinhos

Outros não mais precisam de nós ou nunca precisaram

Precisamos reaprender a viver dia a dia

A lidar com (des)amor,(in)gratidão, (in)felicidade

Concentrando um pouco mais em nós mesmos

Pois até pra seguir em frente e ajudar

Precisamos estar bem…

Alda M S Santos

Vejo em você

VEJO EM VOCÊ

Vejo em você o que preciso para crescer

Para ser melhor a cada dia

E não são só coisas boas que me possibilitam isso

O que há de negativo em você também me ensina a evoluir

Me permite desenvolver o que é falho também em mim

Aprendo quando você me faz sofrer, me faz chorar

Aprendo quando você me leva ao êxtase, à alegria extrema

Sou melhor quando preciso esquecer um pouco de mim

E me concentrar no que você insiste em me mostrar

Vejo em você vários caminhos que me desnorteiam

Mas que também me ensinam a responsabilidade das escolhas

Vejo em você, Vida, tudo que preciso para ser eu mesma

Um ser humano em evolução que busca no amor a sua luz

Por isso ainda insisto em ficar com você!

Obrigada, Vida!

Alda M S Santos

O grito que não se cala

O GRITO QUE NÃO SE CALA

Há em nós um grito que não se cala

Um grito que luta contra tudo de mau e errado que há por aí

Mesmo que seja um grito sem barulho

Um grito feito de silêncio, de lágrimas ou de sorrisos

O grito feito de abraços, de acalento, de amparo

O grito feito de mãos estendidas

O grito feito de colo, de compreensão, de gratidão

O grito que não se esconde na covardia

O grito que não se esconde na saudade de tempos idos

O grito que não se esconde na saudade de tempos que não vieram

Mas um grito!

Um grito que impulsiona e não se cala

Um grito que se lança na frente para proteger familiares, amigos ou qualquer necessitado

Um grito que não aceita fazer ou ser o mal

Um grito que se expõe na defesa do outro

Num mundo tão individualista e desumano

Sejamos o grito que falta!

Alda M S Santos

Planeta Azul

PLANETA AZUL

Entre vegetais, minerais, animais

Astros e estrelas

Água, terra, ar, fogo, coração

Um gigante repleto de seres (des)animados solto no espaço

Nosso planeta azul não é mais tão azul assim

E somos a parte pensante por aqui

Somos a parte coração

Aquela capaz de amar, construir e destruir

A si mesmo e aos seus semelhantes

Só não sei afirmar ainda

Se essa é a notícia boa ou ruim

Para nós e para o planeta…

Alda M S Santos

Ilusão da vaidade

ILUSÃO DA VAIDADE

Acreditar-se bom, importante, valorizado, especial

Inteligente, belo, leal, amigo, companheiro, humano…

Ser tudo isso é de valor inestimável

Desde que não seja ilusão da vaidade…

Quando a vaidade nos cega

Acaba por nos fazer superestimar o que temos ou somos

Quase sempre em prejuízo da realidade

Além de, muitas vezes, machucar os outros

Isso nos leva para um destino certo: a decepção

O que atrasa e torna áspero o caminho para o aprendizado…

Buscar cada dia nos tornarmos melhores é sabedoria

Melhor que fomos ontem, menos do que podemos ser amanhã

Mas nunca para superar este ou aquele indivíduo

Nossa “disputa” deve ser interna

E se for bem trabalhada já nos tomará bastante tempo

E a vitória e o sucesso serão bem mais doces e reais …

Alda M S Santos

Também somos responsáveis

TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS

Quando não ouvimos os gritos que imploram por socorro

Também somos responsáveis

Quando não entendemos o olhar que nos implora atenção

Também somos responsáveis

Quando nos calamos diante do silêncio sugestivo e de alerta

Também somos responsáveis

Quando ignoramos um pedido de perdão

Também somos responsáveis

Quando fechamos os olhos para a escuridão que se avizinha

Também somos responsáveis

Quando usufruímos do objeto/produto que possa causar dor ao outro

Também somos responsáveis

Quando não gritamos, não entendemos, não agimos

Quando somos tomados pelo comodismo e pela inércia

Também somos responsáveis

Não importa de onde venha a lama ou a tragédia

Ou de onde os escombros caiam

Se ocorre no trabalho, na igreja, na vizinhança

Em nosso próprio lar ou dentro de nós mesmos

Somos, no mínimo, corresponsáveis

Que cada qual possa assumir sua cota de culpa

E mudar…

Alda M S Santos

A alma chora e agradece

A ALMA CHORA E AGRADECE

Fadigado o corpo luta para sobreviver à lama

Esgotada a alma chora

Chora por aqueles que se foram

Chora pelo descaso, pela insignificância da vida

Chora por si mesma…

Ao redor tudo é destruição

Quanto ouro vale uma vida?

Mais especificamente, quantas vidas são necessárias

Para pagar pela mineração?

Fundão, Feijão, decepção, repetição

Não foi aprendida a lição?

E a alma estremece, quase desiste, chora

E se entrega, agradecida, nos braços daquele que a acolhe

Uma alma que entende outra alma

Corações em sintonia, dor, alegria

E a alma chora, agradece…

Alda M S Santos

Sabedoria da areia

SABEDORIA DA AREIA

Viver a sabedoria da areia

Absorver o que é bom, que cabe em si

Deixar de fora, na superfície, o que não dilui, não flui

Aceitar sobre si diferentes tipos de vida

Ser apoio, refrescância, acolhimento, calor

Viver a sabedoria da areia

Deixar-se moldar pelas ondas

Parecer desabar, desfazer-se e persistir

Na certeza de que nada é eterno

Nem a tormenta, nem a calmaria…

Alda M S Santos

Em comunhão

EM COMUNHÃO

Busca naquela vista definitiva

Naquele silêncio exterior de paz

Em contraste com o confuso barulho interior

Conectar a natureza de fora com a natureza de dentro

Sabe-se parte de um todo infinito

Uma criação de puro amor

Em comunhão procura estar

Observando detalhes de intenso cuidado e beleza

Daquela aparente imensidão lá de fora

Vai colocando tudo em seu devido lugar na imensidão de dentro

O que se adere facilmente, gruda logo

O que parece não ter mais espaço, machuca, fere

Encaixando peças sobressalentes

Segue…em comunhão…

Alda M S Santos

Expectativas

EXPECTATIVAS

Às vezes temos altas expectativas, daquelas bem difíceis de se alcançar

O que torna a conquista maravilhosa e a derrota decepcionante

Noutras as expectativas são muito baixas, pouco esforço para atingi-las

Boas, gostosas, mas nem sempre tão valorizadas

E noutras vezes as expectativas são tão impossíveis, tão inalcançáveis

Daquelas proibidas que nos impomos, sabendo que não daremos conta

Por isso as colocamos lá no alto

Para culpar o impossível e não a nós mesmos…

Todos podemos ter várias dessas fases

A fixação numa delas é que nos torna pessoas muitas vezes insatisfeitas

Conosco mesmas e com o mundo…

Quais suas expectativas?

Alda M S Santos

Nadando em águas profundas

NADANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

O que leva um exímio nadador a se afogar

Não é a inabilidade, imperícia ou falta de treino

O que leva alguém a se afogar é a escassez ou o excesso de confiança em si mesmo

É a inércia perante as águas bravias que causa pavor

Falta-lhe a tranquilidade para lembrar o que possui

Tentar relaxar, mover-se ritmadamente e respirar devagar

Ou é o excesso de confiança que o faz se aventurar onde é perigoso e não mais conseguir voltar…

Quando nos afogamos mergulhados em problemas e tristezas

Advindos de mares profundos nos quais mergulhamos

Levados pelas circunstâncias ou por vontade própria

Quase sempre são por esses dois motivos:

Excesso ou falta de autoconfiança e coragem

Ambos podem ser danosos para o nadador e para quem tentar salvá-lo…

Que nossas águas sejam claras, que saibamos mergulhar e nadar bem…

Alda M S Santos

Somos presente!

SOMOS PRESENTE!

O passado não muda, não volta

Todos sabemos!

Independente se foi florido ou esburacado

Se fomos felizes ou nem tanto

Se queremos esquecer ou voltar, reviver

Tanto faz! Ficou lá atrás!

Mas o modo de olhar para ele

Aquilo que ele deixou em nós, reciclado

A maneira que interfere no hoje

O jeito de nos mover ou de nos paralisar

As expectativas frustradas ou não que cria para o futuro

A maneira que o trabalhamos em nós faz toda diferença

No presente que abrimos todas as manhãs

No futuro que vislumbramos e aguardamos em expectativa a cada anoitecer

Nosso presente fica melhor e nosso futuro mais interessante

Quando fazemos as pazes com nosso passado

Não o esquecemos, não o ignoramos

Aprendemos com ele e somos gratos àquilo que nos tornou

Mas o deixamos onde deve ficar: guardado lá atrás

Somos presente!

Há sempre barcos indo, barcos chegando

Barco não nasceu para ficar atracado no porto.

Alda M S Santos

Preteridos?

PRETERIDOS?

Aquelas vezes que nos entristecemos, nos rebelamos

Por termos sido preteridos em algo

Quando alguém ganhou o que achamos que deveria ser nosso

Quando parece que fomos “roubados”

O emprego que não pôde ser nosso

O concurso em que não classificamos

O sorteio que não nos contemplou

O namorado que preferiu seguir outra

Aquele amigo que escolheu outros amigos

A família que nem sempre compreende nossos anseios

Os filhos que têm seus próprios caminhos e não precisam mais de nós

O amor que decidiu não amar mais…

Parece que o mundo fica contra nós

Que a roda gira na contramão

Que sempre alguém ganha e a gente só perde…

Mas se olharmos bem todas as vezes que nos julgamos preteridos

Veremos que foi, na verdade, uma proteção, um cuidado divino para conosco

A amizade não era sincera, o emprego traria inimizades

O namorado era pura mentira e ilusão

O amor não era suficientemente forte e verdadeiro

O concurso nos afastaria de quem amamos…

É Deus nos protegendo e amparando

Recolhendo os brinquedos perigosos que poderiam nos derrubar

Regulando as “doçuras” para proteger a saúde

Como um pai que tapa as tomadas para o filho não levar choque…

E, se insistimos, acabamos por nos arrepender ou ficarmos com dívidas eternas

Que talvez nem tenhamos cacife para pagar.

Confiemos em quem sabe tudo de nós e nos ampara

Como a toda criatura, por menor e mais insignificante que pareça…

Preteridos, não, protegidos!

Alda M S Santos

O que você é hoje?

O QUE VOCÊ É HOJE?

Quantos anos você tem hoje?

Trinta, quarenta, cinquenta, setenta?

Volte lá atrás, à metade disso…

A sua vida de hoje corresponde àquela que propôs para si?

O que você realizou é o que sonhou décadas atrás?

Vida pessoal, profissional, familiar, social?

Tem a família, os amigos, o trabalho, a saúde, o lar que sonhou?

Colocando na balança as oportunidades que teve

E aquelas que deixou passar, não soube aproveitar

As vezes em que tiraram seu chão

Ou aquelas que não soube flutuar

Qual o saldo? Está inteiro? Faltam partes, mantém a essência?

Qual sua responsabilidade nisso tudo?

Qual sua perspectiva para o futuro?

O que você é hoje pode ser diferente do que imaginou para si

Pode até ser meio frustrante para o jovem sonhador que foi

Mas no equilíbrio entre sonhos e realidade

O saldo certamente é bom

E, se não for, a boa notícia é que a vida continua

Dá para tentar fazer diferente de agora em diante

Boa caminhada para todos nós!

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

Urgências

URGÊNCIAS

As faltas que nos enchem de vazios intensos

Vazios que nos enchem de necessidades

Necessidades que nos enchem de urgências

Urgências que nos derrubam, atropelam os outros

Às vezes nos paralisam, imobilizam

Mas quando bem aproveitadas

Também nos movem na direção do bem, da paz

E nos preenchem de amor

Tão repletos ficamos que chega a transbordar …

Alda M S Santos

Não sai de moda

NÃO SAI DE MODA

Os jovens se divertem com os coroas que ainda “tiram retrato”

Que ficam gamadas por aquele pão

Que pegam um carango legal

Ou que levam aquele brotinho para a discoteca

Que balançam o esqueleto com a patota

Que não se encrespam com uma pinoia qualquer

Os jovens de hoje não fazem ginástica nem paqueram

Mas entendem de selfies, fotos, academias

Minas, novinhas, carrões e baladas

Pegam crush por alguém e ficam

Gostam mesmo é de causar

Mas bugado, lesado ou viajando

Qualquer boy, broto legal, parça ou véy, precisa tá ligado

Amor, respeito, honestidade e gentileza

Independente do vocábulo que se use

Arcaico ou moderno, ultrapassado, quadrado ou atual

Nunca saem de moda

É uma brasa, mora?

Pode crer, cê vai pirar, vai divar…

Tá ligado? Sacou?

Morô, bicho?

Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Deliciosos paradoxos

DELICIOSOS PARADOXOS

O corpo tão “morto”, tão cansado, tão pesado

Que tem dificuldades para relaxar e descansar

Em contrapartida, a alma tão viva, tão leve, tão agradecida

Que quer curtir, relembrar mais um pouquinho os bons momentos

Assim funciona o ato de doar-se em prol de alguém

Fraternidade e generosidade renovam esperanças de um mundo melhor

Mais humano, menos violento, mais amoroso

Quem dá ou recebe já não se sabe, não se identifica

E não importa, todos ganham!

Alda M S Santos

Malas esquecidas

MALAS ESQUECIDAS

Malas esquecidas aos pés, um abraço que se eterniza

Ignoram o burburinho que possa haver por ali

Mergulhados no pescoço um do outro, lágrimas insistentes

Será uma ida ou uma volta?-perguntariam os curiosos

Que pode ser mais triste ou doloroso

Mais alegre ou emocionante:

As malas de quem chega ou de quem vai?

A ida ou a volta, a partida ou o retorno?

O olhar que se tem sobre a ida ou a volta

A razão que leva a uma ou a outra é que determina o peso que fica na alma

Coração repleto, tão cheio quanto as malas

Escorre pelos olhos, nos toques, no desejo de parar o tempo

Malas prontas, esquecidas sob um abraço: chegando ou partindo?

Malas esquecidas, mas a bagagem mais importante será eterna no coração

Quem chega ou quem parte determina um recomeço

Sempre!

Para quem vai e para quem fica, esperança

E recomeços são uma oportunidade de fazer diferente

De fazer melhor…

E isso já é motivo para as lágrimas serem de alegria!

Boa viagem: de ida ou de volta!

Alda M S Santos

Quebra-cabeça

QUEBRA-CABEÇA

Imagino que Deus tenha diante de si um quebra-cabeças gigante

Daqueles de milhares e milhares de peças

De todas as cores, tamanhos e formatos

Que Ele vai escolhendo uma a uma, montando, encaixando com amor e cuidado junto conosco

Respeitando nossas decisões e escolhas…

Sabendo do que realmente precisamos

Ele encaixa peças importantes, disponibiliza outras, retira umas completamente fora de contexto

E nós daqui tentando encaixar o que não cabe, bagunçando tudo

Entortando peças, inutilizando umas, estragando outras

Quando nosso quebra-cabeças estiver difícil de montar

Paremos um pouco, aguardemos, respiremos fundo

Melhor colocá-lo sobre a mesa e esperar

Deixar espaço para enxergar as peças que Ele tira e coloca à nossa disposição

Ele tem a visão geral de interdependência que nós não temos

Ele sabe a peça que nos falta, a que sobra

As peças que não são do nosso tabuleiro

Que nunca se encaixarão, são de outro quebra-cabeças

Às vezes o agir consiste em parar e esperar

Aguardar a peça faltosa, abrir mão daquela que está torta

Isso é sabedoria e maturidade!

Alda M S Santos

Tenho medo

TENHO MEDO

Tenho medo de qualquer posicionamento extremo, radical

Sem qualquer apologia às “folhas de bananeiras”

Que balançam ao sabor do vento

E ora estão de um lado, ora do outro

Ter uma opinião formada não quer dizer que precise ser engessada, inflexível

Mudar o modo de ver algumas coisas só nos engrandece

Tenho medo das consequências negativas do radicalismo, dos preconceitos

Tenho consciência que até o amor, a maior e mais eficaz arma do mundo

Se usada de modo radical é prejudicial

Sou a favor da flexibilidade, do saber ouvir, do se fazer entender

Mas, principalmente, do saber respeitar

Intolerâncias geram violências que nos desumanizam

Verdades são apenas opiniões de pessoas diferentes entre si

E ter uma opinião diferente não faz ninguém melhor ou pior que os demais

O que difere os seres humanos é o modo pacífico ou agressivo de se manifestar

O que hierarquiza as pessoas é o respeito que demonstram diante do diferente de si

Porque a quem nos parece diferente

Certamente também pareceremos estranhos

E uma conversa respeitosa faz com que todos cresçam como seres humanos

O que é impossível sentados no trono que julga e condena o que é diferente

Tenho medo! Muitos medos!

E isso vale para qualquer esfera da vida

Social, familiar, política, amorosa, artística, religiosa, esportiva…

Com habilidades e cuidado somos capazes de a tudo conquistar

Precisamos todos de mais amor e respeito

Menos insultos, menos julgamentos…

Mais humanidade!

Alda M S Santos

Errar é humano?

ERRAR É HUMANO?

Errar é tão humano que há erros para todos os tipos de humanos

O erro inovador, aquele que se comete ao enfrentar algo diferente do costumeiro

“Isso tudo é novo para mim”

O erro insistente, velho conhecido, aquele que bate na mesma tecla, não desiste

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”

O erro ingênuo, aquele que espera sentado ser contemplado nas voltas do mundo

“O que for meu virá até mim…”

O erro otimista, aquele que treina e teima no mesmo propósito

“A prática leva à perfeição”

O erro pessimista, aquele que desistiu de lutar

“A vida é cruel, tentar pra quê?”

O erro revoltado, injustiçado, aquele que se julga o preterido do mundo

“Nada cai do céu, tomo o que eu quero!”

O erro anjo da guarda, bom samaritano, aquele que erra em prol dos outros

“Era apenas para ajudar ou proteger fulano”

O erro vidente, aquele que prevê o final desastroso e insiste

“Eu sabia que só poderia dar nisso”

O erro original, aquele que só você é capaz de cometer

“Tantos erros novos para cometer, para que insistir no mesmo?”

O erro avalanche, aquele que sai derrubando e levando todos a sua volta

“Sai da frente que estão me empurrando…”

O erro “solidário”, aquele que não gosta de errar sozinho, sempre carrega alguém consigo

“Mas não fui só eu que errei”

E o erro reincidente, persistente, vítima, travestido, cigano e volúvel

Aquele que parece ser novo, mas muda apenas o endereço e o parceiro envolvido

O erro continua o mesmo…

“Eu não queria isso! Como vou explicar para os outros?

Errar é mesmo humano

Aprendemos muito mais com erros do que com acertos

Desde que saibamos aproveitar suas lições

Caso contrário, apenas mudaremos os erros de lugar

E envolveremos novas pessoas…

Errar é humano, mas não é legal que se torne desumano!

Alda M S Santos

Manuais

MANUAIS

Não quero manuais, não quero receitas

Tampouco tutoriais ou passo a passo

Eles são bons para os outros

Ou assim acreditamos

Na prática, para nós mesmos, são cansativos

Nunca funcionam!

Inexperiência, impaciência ou desejo de aprender fazendo

Não importa!

Funcionariam para seres iguais, medidas idênticas, habilidades idem

Somos diferentes, a começar pelas digitais, DNA atesta e confirma

Prefiro ir na base da tentativa e erro

Aperto daqui, vou, volto, sigo

Acrescento ingredientes, deixo em repouso, boto para crescer

Escrevo, apago, refaço, reescrevo minha história

Ainda que fique borrada onde não foi possível apagar marcas deixadas

Capítulos inacabados, páginas viradas, personagens perdidos, sem destino

É tão simples que se torna complexo

Nenhum manual saberia guiar individualidades

Manuais lidam com acertos, não preveem erros

Aqueles nos quais ficamos dependurados, tentando nos equilibrar para não cair

E a vida acontece quase sempre entre um erro e outro…

Alda M S Santos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

É bom?

É BOM?

É bom quando nos torna pessoas do bem, quando desperta nossa melhor versão,

Mas se é algo que nos impede de ser ou fazer o que gostamos

Se é algo que nos desestrutura, mais entristece que alegra

Não é bom!

É bom quando aumenta nossa fé em Deus e na humanidade, aproxima pessoas e nos orgulhamos em fazer parte,

Mas se é algo que nos envergonha, frustra, amedronta

Não é bom!

É bom quando nos desperta para o amor e a solidariedade, a compaixão e a fraternidade,

Mas se nos faz criar “dívidas” sociais, familiares e emocionais muito pesadas,

Não é bom!

É bom quando queremos e podemos divulgar em “rede nacional”, contagiar a todos e levar a paz, amor e segurança que sentimos,

Mas se nos afasta dos outros, daqueles que amamos e nos querem bem

Mas, principalmente, se nos leva para longe de nós mesmos,

Para um lugar dúbio e sem volta

Se nos distancia daquilo que sempre tivemos orgulho em ser e fazer

Não! Definitivamente não é bom!

Oscilando entre o que é bom e o que não é, vamos vivendo

Caindo menos, derrubando menos ainda, ajudando, aprendendo, seguindo…

Viver é bom quase sempre!

Alda M S Santos

#carinhologos

Nocaute

NOCAUTE

A vida vai bater, muitas vezes bem forte

Golpes diretos, cruzados, ganchos certeiros

“Vence” quem tiver o coração mais leve

Você vai se machucar, se ferir, ferir os outros

Sentir-se atordoado, talvez perder a noção do certo e errado

Vai querer revidar pancadas, usar golpes baixos

Aguente firme, equilibre-se, desvie de alguns diretos

Proteja-se!

Fortaleça sua musculatura, absorva alguns “socos”

Transforme-os em energia para prosseguir

Se cair, respire fundo, beba água

Ajeite o protetor bucal, o protetor emocional

Levante-se!

Evite revidar golpes duros

Eles sempre retornam mais fortes

Risco de nocaute…

Os golpes mais traumáticos virão de onde você menos esperar

Te lançarão na corda, te derrubarão na lona

A vontade de ali ficar será grande…

Mas…levante-se!

Sofra o que tiver de sofrer, cure as feridas

Dê-se um tempo de “luto”, de repouso

Aprenda, prossiga!

Cuidado com golpes já conhecidos

Não golpeie com aquilo que sabe o quanto machuca

Se tiver que revidar, que seja a bondade e o amor

No mais, golpe nenhum merece revide

No ringue da vida quando alguém vai à nocaute

Na verdade mais de um perde

Ninguém ganha!

Será que fomos prevenidos antes de vir para esse ringue?

3,2,1…levante-se!

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Tudo é silêncio, parece silêncio

Na escuridão o mal se agiganta

Medos e traumas antigos parecem maiores

Forças minam, a fé luta para prevalecer

Gatos miam, tomam o que julgam seu sobre os telhados

Gatas dão o que fingem “amarrar”

Cães ladram e tentam proteger o que parece perdido, ameaçado

Casais se amam, namoram sob os telhados

Uns nascem, renascem, outros matam, morrem

Munidos das mais variadas armas: brancas, de fogo, da confiança, da desesperança

Gatunos de colarinhos brancos, becas, batas, ternos

Disfarçados, vestidos de seres do bem, mascarados de “amor” e bondade

Invadem casas, veículos, escolas, igrejas, pessoas

Quebram janelas, estouram fechaduras, aproveitam uma fissura qualquer

Às vezes arrombam, outras são convidados a entrar

Nas TVs abertas ou fechadas, nas ondas do rádio, na web conquistam adeptos e seguidores

Pilham, roubam, amarram, matam

Amealham dia a dia tudo que se tem de bom

Sequestram o corpo, torturam a mente

Aliciam corações e almas carentes, sofridas

“Protegidos” pelas sombras o mal age calado

Na calada da noite…

Usurpam a vida, destroem sonhos

Roubam a inocência de infantes e adultos, ameaçam

Desestruturam famílias, passam-se por amigos, por anjos de Deus

Enquanto os anjos dormem…

Será que dormem?

Será que ainda haveria vida por aqui se não estivessem acordados, agindo?

Na calada da noite o mal se agiganta

Na calada da noite é que os anjos mais trabalham…

Na calada da noite não podemos nos calar

À luz do dia devemos nos fortalecer e gritar…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Barreiras que nos salvam de nós mesmos

BARREIRAS QUE NOS SALVAM DE NÓS MESMOS

Uma hora são as sombras que turvam a visão

Noutra a claridade excessiva que dificulta o trajeto

Chuvas fortes, granizo, neblina, tempestades

Buracos na via, lama, alagamentos

Um quebra-molas gigante nos obriga a reduzir a velocidade

Um desvio sugerido, convidativo, e insistimos em ignorar

Uma árvore caída que impede quase toda a passagem nos atrasa

Um acidente com alguém interrompe nossa viagem por um tempo

Vários obstáculos no caminho para chamar nossa atenção

Muitas, muitas pedras a transpor

Vários alertas! E ignoramos…

Até que o acidente ocorre conosco mesmos

Forte, doloroso, destruidor

O trilho se parte, o trem descarrilha e ficamos perdidos

Aí somos obrigados a parar, a refletir, a avaliar o que fizemos

Será que é esse mesmo o destino, o melhor caminho?

É preciso recalcular a rota, o veículo utilizado, os companheiros de viagem

Aquele obstáculo no caminho nem sempre é ruim

É apenas algo Superior querendo nos salvar de nós mesmos

De trajetos ruins que não levam a lugar algum

De transporte inadequado, de trilhas defeituosas

De más companhias, do modo de dirigir muito afoito

Das prioridades que temos colocado em nossa viagem

É bom sempre prestar atenção nas estradas, na sinalização

Principalmente nos obstáculos que dificultam de certo modo o seguir

Sentar, ainda que na beira da estrada sem fim

Reavaliar, redirecionar, repensar, recalcular o caminho…

Agradecer tudo de bom, quem nos ama e ora por nós mesmo de longe

Aquelas barreiras que tanto reclamamos

Físicas, mentais ou do coração

Podem ter vindo para salvar não só nossas vidas

Mas várias outras vidas também…

Alda M S Santos

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