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amor com a vida

Louca-molhada

LOUCA-MOLHADA

Quero poder caminhar na chuva, me encharcar

Trocar fluidos com ela

Me embriagar, entorpecê-la

Louca?

Louca-varrida, louca-molhada, louca-feliz ou infeliz

Louca-menina, louca-mulher, louca de alma infantil

Simplesmente, louca!

Quero correr debaixo do temporal

Chutar água, abrir os braços, cantar, sorrir, chorar

Afastar todo o mal

Pedir e oferecer o perdão, a gratidão

Que a água leve, que a água traga

A vida que nasce e renasce em cada gota

Quero me inundar

Sem guarda-chuvas, sem proteção

Protegida pela emoção de viver

E de sonhar

E quem sabe num ponto qualquer te encontrar?

Alda M S Santos

Te carreguei no colo

TE CARREGUEI NO COLO

Criados para suportar toda adversidade

Nosso corpo é flexível

Nossa mente é adaptável

Nossa alma é renovável

Nosso coração é elástico, capacidade ilimitada

Muitas vezes desconhecemos esse fato

Constantemente colocados à prova

Numa análise preliminar

Pensamos tombar facilmente

Numa avaliação mais minuciosa

Em retrospectiva, descobrimos nossa força

A força que vem do Criador

Que olha por nós e nos ampara todo o tempo

Que nunca nos abandona, mesmo quando estamos muito pesados

Pelas dores e adversidades do viver

“Nos momentos mais difíceis de sua vida

Eu te carreguei no colo”…

Alda M S Santos

Se quebrar…

SE QUEBRAR…

E se quebrar?

Se quebrar, pode até se lamentar

Mas logo pegue, cole, conserte, refaça

Jogue fora o que puder ferir

Substitua o que não servir mais

Recupere o que é essencial

Retire devagar e com carinho o que estiver inteiro

A essência sempre permanece intacta

O dano pode estar apenas na superfície, no invólucro

O conteúdo profundo é blindado pelo amor

Não importa o tempo de existência

Mesmo que pareça quebrado

O que é profundo e verdadeiro atravessa décadas

E permanece guardado misturado às areias do tempo

Protegido nas perfumadas gavetas secretas de nossa alma

Registrado tal qual marca de ferro quente na pele

Quebrou? E daí?

Aproveite a oportunidade para renovar o viver…

Alda M S Santos

Next!

NEXT!

A vida, muitas vezes, parece com aqueles cadastros online

Onde há lacunas obrigatórias a serem preenchidas

Não adianta ignorar, fingir que não viu

Recusar-se a cumprir a tarefa

Não há como prosseguir!

Sempre aparecerão os erros que impedem “a próxima página”

Ou os resolvemos, ou empacamos ali

São “problemas” cuja solução são a senha para o próximo passo

São erros(!) cujo alerta sinaliza que há algo impedindo a passagem

Que é preciso voltar atrás, corrigir, consertar, preencher

Ou, simplesmente, ficar ali estacionado

Não é vergonha pedir ajuda

Há erros e lacunas que não resolvemos sozinhos

Vergonha é repetir o mesmo erro até ser bloqueado

Next! Em frente! Enfrente!

Alda M S Santos

Eu acredito

EU ACREDITO

Eu acredito num amanhã colorido e brilhante

Mesmo que o hoje esteja cinzento e fosco

Eu acredito no poder apaziguador de um sorriso

Mesmo que ele esteja embaçado pelas lágrimas da guerra

Eu acredito na capacidade de aprendizado e renovação

Mesmo que as lições sejam duras e cortem fundo

Eu acredito no milagre curativo de um abraço, de um colo

Mesmo que o individualismo tente se impor como a nova lei

Eu acredito no poder da união, da família, da compaixão

Mesmo que os laços tantas vezes pareçam nós

Eu acredito num mundo novo de amor e paz

Mesmo que ele traga consigo, marcado a ferro, as cicatrizes do sobrevivente

Porque quem sou eu para perder as esperanças

Se somos feitos “a sua imagem e semelhança”

E Ele ainda crê em nós?

“A esperança é o sonho das pessoas acordadas”, disse Aristóteles

E ainda estou acordada

Acredito e sonho…

Alda M S Santos- Serra da Moeda MG

Deixe-se seduzir

DEIXE-SE SEDUZIR

Ela vem cheia de charme

Luz, brilho, cantos e encantos

Sedutora, tira você para dançar

Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão

Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas

Faz que vai, volta, te abraça

Você a segue no sol ou na chuva

Dia ou noite, cedo ou tarde

Anda sobre águas, mergulha, vai longe

Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo

Mas ela não deixa você se abater

Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia

É soberana, poderosa, instintiva

E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo

Quer venha nua ou coberta de riquezas

Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz

E você se entrega…

Ela é a vida, que nunca desiste de você

Não desista dela

Deixe-se seduzir…

Alda M S Santos

Conversando

CONVERSANDO

Tão similares algumas conversas

Se feitas com intensidade e verdade

A conversa com nosso mentor que nos orienta

A conversa com nosso amor que nos acalma

A conversa com amigos leais que nos alertam

A conversa conosco mesmos que nos direcionam

Similares quando nos dispomos a ouvir realmente

A sentir Deus falando através deles

A meditação nada mais é que uma conversa conosco mesmos

Quando buscamos em nossa essência, em nosso mais íntimo

Deus falando em nós…

Através de tudo que Ele permite que esteja conosco

Dos nossos sucessos e fracassos

Sorrisos e lágrimas, ganhos e perdas

Deus fala conosco todo o tempo…

Cabe a nós a disposição para ouvir…

Alda M S Santos

Levezas

LEVEZAS

Não quero pesos, encostos

Preciso dispensar excesso de bagagens

Particularmente cargas emocionais que subjugam a alma e o corpo

Distribuir com equidade os demais “pesos”

Tornando-os mais leves, prazerosos de carregar

Preciso de mais confiança, esperança e paz

Preciso de mais cores, mais brisa, mais brilho

Mais reflexos positivos de mim nos outros

Dos outros em mim

Preciso manter a fé na humanidade

A fé em mim mesma

Por um mundo onde reinem

A suavidade, a beleza, a delicadeza

O encanto, o amor e a magia

Que nos atinja a todos

E que aconteça em via dupla

Que haja reciprocidade!

Alda M S Santos

Isso é se eternizar…

ISSO É SE ETERNIZAR…

Pode ser que um dia nosso nome esteja gravado por aí

Pode ser que esteja escrito noutros lugares

Além da pedra de nossa lápide

Pode estar gravado nos documentos de filhos e netos

Nas escrituras de imóveis, nos registros de bens diversos

Pode estar gravado em letras garrafais e douradas

Dando nome a uma empresa importante

Ou a uma rua, escola, viaduto ou teatro

Pode estar impresso nos diários da vida de alguém

Na capa de um livro, na porta de uma sala ou consultório

Mas se não estiver gravado feito tatuagem nos corações daqueles que ficaram

Que fizeram parte de nossas vidas

Que amamos, que nos amaram

Marcado como digital firmada dia a dia nas delicadezas

Nenhuma gravação em letras douradas terá valia

E nossa passagem por aqui estará apagada para sempre

Pode ser que eu esteja gravada em vocês

Com as letras suaves da doçura e do amor

E vocês certamente estarão gravados em mim

E seremos eternos a cada vez que a lembrança de nosso nome

De nosso sorriso, abraço ou carinho

Fizer pulsar mais forte um coração

Isso é se eternizar…

Alda M S Santos

Talvez

TALVEZ

Talvez um dia eu possa me arrepender

Talvez no futuro tudo venha a ser diferente

É até bom mesmo que seja, que mude

Mudança gera força, crescimento

Mas, hoje, é o que tenho

E, hoje, posso agir, escolher um caminho do qual me orgulhe

Talvez não saiba ao certo como agir

Mas sigo minha intuição, meu coração

Se ele dói, se aperta, é porque o caminho não é o melhor

Tem pedras, buracos, posso cair, me machucar

Ou não conseguir impedir a queda de alguém querido

Mudo a rota, a altitude, o voo

Balanço, fico insegura, nem sempre tranquila, tenho medos

Mas sigo em frente no hoje, mantendo o equilíbrio

Talvez amanhã nem esteja mais aqui

Mas quero levar comigo e deixar por aqui

A lembrança de alguém que fez tudo que pôde por amor

Talvez o amanhã mude, ou seja ainda melhor

Creio nisso e sigo…

Talvez…

Alda M S Santos

O grito que não se cala

O GRITO QUE NÃO SE CALA

Há em nós um grito que não se cala

Um grito que luta contra tudo de mau e errado que há por aí

Mesmo que seja um grito sem barulho

Um grito feito de silêncio, de lágrimas ou de sorrisos

O grito feito de abraços, de acalento, de amparo

O grito feito de mãos estendidas

O grito feito de colo, de compreensão, de gratidão

O grito que não se esconde na covardia

O grito que não se esconde na saudade de tempos idos

O grito que não se esconde na saudade de tempos que não vieram

Mas um grito!

Um grito que impulsiona e não se cala

Um grito que se lança na frente para proteger familiares, amigos ou qualquer necessitado

Um grito que não aceita fazer ou ser o mal

Um grito que se expõe na defesa do outro

Num mundo tão individualista e desumano

Sejamos o grito que falta!

Alda M S Santos

Seres especiais

SERES ESPECIAIS

Queremos ser especiais

Especiais para alguém, especiais para Deus

Especiais para nós mesmos

Que isso seja uma bênção e não um peso

Queremos ter alguém especial

Que goste dessa condição de ser especial para nós

Que sinta-se confortável sendo nossa prioridade

E que possa haver reciprocidade

Isso é inerente ao ser humano

Não é egoísmo ou egocentrismo

É apenas a necessidade humana de valorização, de amor

É o equilíbrio da razão e emoção

É pré-requisito da felicidade

Queremos ser especiais!

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

Meu céu sou eu quem faço

MEU CÉU SOU EU QUEM FAÇO

Meu céu sou eu quem faço

Escolho o que quero ver

Foco no azul intenso, na liberdade dos pássaros a voar

Admiro a pipa que parece livre

Dança para lá e para cá

Sob o comando de uma linha, controlada

Sobe e desce ao sabor do vento

Meu céu sou eu quem faço

Se me desagrada finjo não ver

Coloco meus óculos de sol, escondo as lágrimas

Quando as nuvens escuras imperam

Abro um sorriso para atrair cores

Meu céu sou eu quem faço

Crio histórias onde o amor vence sempre, capto a poesia

Uso o filtro que me cabe

Com a sutileza da alma

Acreditando sempre que a magia só acontece

Quando acreditamos em milagres…

Alda M S Santos

Lavando a alma

LAVANDO A ALMA

No Sol que irradia e aquece a pele

Nas pedras que massageiam e acariciam os pés

Na água da cachoeira que refresca e limpa corpo e mente

Na chuva que inunda e fecunda ideias

Na Lua que cresce, diminui, some e volta, nunca desiste

Nas estrelas que brilham na escuridão do firmamento

No som do silêncio que desperta saudades

No carinho e cuidado daqueles que me cercam

Que precisam de mim, que deles necessito

Em tudo lavo minha alma, pouco a pouco

Pois a alma precisa de um sabonete especial chamado amor

E ele só encontramos naquilo que Ele criou…

Lavando minha alma sigo buscando a paz…

Alda M S Santos

O último raio de sol

O ÚLTIMO RAIO DE SOL

Os últimos raios de sol estão brilhando no horizonte

Irradiam e refletem todo o trabalho de um dia nas águas do oceano

Descansam ali toda a energia despendida em forma de luz e calor

Deitam nele suas esperanças de um novo amanhecer

Um olhar ao longe também repousa

Ela acalma o seu coração diante desse espetáculo gratuito a lhe dizer:

A vida é cíclica, tudo vai, tudo volta

Tenha calma na alma

Que a paz reinará!

Alda M S Santos

Aqui tem brasileiros

AQUI TEM BRASILEIROS

Brancos, negros, índios

Deliciosa e encantadora miscigenação

Sangue guerreiro, sangue vermelho, sangue brasileiro

Cultura ímpar, sem igual, que se eterniza em cada um de nós

Que se solidariza, se humaniza, se enraíza

Mulatos, mamelucos, cafuzos

Confusos… mas sempre brasileiros

Do Oiapoque ao Chuí…

Dos fios de cabelos loiros, negros, crioulos, sarará

O coração bate no ritmo da alegria, da esperança

Independente da cor da pele, do que carrega no bolso ou no coração

Ou das batidas dos tambores ou atabaques da vida

A cor da alma é a cor do amor…

Aqui tem brasileiros, aqui tem raça!

Alda M S Santos

Misturados

MISTURADOS

A capacidade de misturar

Pernas, pés, braços, corpos, ideias, corações

E manter-se individual, separado

A habilidade de caminhar junto

Ainda que por caminhos diferentes

E se encontrar no mesmo ponto

O jeitinho especial de ser duo

Sem perder a unidade

A perícia de estar dentro, mesmo estando longe

O prazer de voar juntos

Cada qual com suas asas

A satisfação de escolher a quais elos quer estar atado

Sem perder os próprios movimentos

Sem mudar a própria essência, sem ferir a alma

Potencializando a habilidade e a coragem de voar

Preservando a liberdade de viver e amar…

Alda M S Santos

Roubos

ROUBOS

Podem nos roubar o sorriso

Mas nunca a alegria de viver

Podem nos roubar o sossego, a calma

Mas nunca a paz que trazemos na alma

Podem nos roubar um sentimento

Mas nunca um coração disposto a amar

Podem nos roubar a confiabilidade

Mas nunca a fé na humanidade

Podem nos roubar a autoconfiança

Mas nunca o amor-próprio

Podem nos roubar noites de sono

Mas nunca nossa capacidade de sonhar

Podem nos roubar o apetite

Mas nunca nossa fome de viver

Podem nos roubar a vida

Mas nunca nossa eternidade…

Podem nos roubar a beleza de alguns capítulos

Mas nunca a pureza e grandeza de toda nossa história…

Alda M S Santos

Para sempre a cada minuto…

PARA SEMPRE A CADA MINUTO…
Quero muito seguir mantendo a fé
A fé de que tudo de bom é possível
Para aqueles que acreditam num mundo novo
Mesmo sendo o mesmo velho mundo injusto de sempre
O mundo só muda se tivermos um olhar crítico sobre ele
Mas sobretudo um olhar crítico sobre nós mesmos
O mundo não existe à nossa revelia
Somos parte dele, cada um de nós o compõe
Se conseguirmos mudar em nós o que nos impede de caminhar
O que trava os passos de nossos semelhantes
De ser melhores a cada dia, a cada pegada
A cada marca deixada nas areias de nosso tempo
Nos corações que tocarmos, nas almas que encantarmos
Construiremos castelos mais lindos e resistentes
Capazes de abrigar todos os sonhos, de todos os seres
De um hoje lindo, de um amanhã melhor…
E que sejamos felizes para sempre
Mesmo que o para sempre tenha que ser reconstruído a cada minuto…
Alda M S Santos

Ele me ama…

ELE ME AMA

Ele me ama, eu sei, eu sinto…

Ele me aceita como sou

Com minhas fragilidades, meus defeitos, minhas limitações

Mas nem por isso impede meu crescimento

Quer me ajudar a evoluir, a ser melhor

Ele me ajuda a ser mais eu, me ampara

Ele me corrige, me guia, sem me humilhar

Não me assusta, não me amedronta, posso sempre confiar

Ele me ama, eu sei, eu sinto…

Ele me ajuda a levantar quando caio, me dá colo, me abraça

Nunca me deixa perder as esperanças

Ele enxuga minhas lágrimas, faz brilhar meu sorriso

Se alegra com minhas amizades e conquistas

Ele me ama, eu sei, eu sinto…

Ele me protege mesmo quando não percebo

De longe ou de perto, sinto sua mão, seu amor

Ai de mim se não pudesse contar com amor tão grande

Que nunca desiste dessa “‘menina sapeca”

Que dá a ela inúmeras chances e oportunidades

Só posso ser grata

E aprender a amar a todos assim…

Eu te amo, meu Deus!

Alda M S Santos

Nosso Sol

NOSSO SOL

Giramos em órbita gravitacional em torno de nosso Sol

Em contínuos movimentos de translação gerando nossas estações

Ora quente, ora frio, escuro ou claro

Tranquilos ou tempestuosos

Somos mantidos ali todo o tempo, seguros

Sabedores do que poderemos enfrentar

Em forma elíptica ou circular, seguimos

Como um astro ou planeta que sabe sua trajetória constante

Ou que “se perde” no espaço sideral se escapar de sua órbita

A questão é sempre saber quem ou o que é nosso Sol

Aquele do qual não podemos nos afastar

Aquele que sustenta nossas atividades e sonhos

Que mantém nossa órbita imaginária em curso

Que nos faz brilhar

Que ativa sempre nossa vida,

E não nos deixa escapar…

Alda M S Santos

A iminência da perda

A IMINÊNCIA DA PERDA

É na iminência da perda

Que enxergamos o que possuímos

É na possibilidade do fim

Seja ele do que ou de quem for

Que encontramos a humildade

É na incapacidade de lidar com a falta

Que a fartura ou presença se impõem, se valorizam

É na imaginação da destruição ou inexistência do habitual

Que percebemos que não somos indestrutíveis, que não somos infinitos

Aquela mania de notar apenas a parte vazia

Desaparece mediante o esvaziamento da parte cheia

A consciência de nossa finitude, paradoxalmente

É que nos torna capazes de nos eternizar…

Alda M S Santos

Somos presente!

SOMOS PRESENTE!

O passado não muda, não volta

Todos sabemos!

Independente se foi florido ou esburacado

Se fomos felizes ou nem tanto

Se queremos esquecer ou voltar, reviver

Tanto faz! Ficou lá atrás!

Mas o modo de olhar para ele

Aquilo que ele deixou em nós, reciclado

A maneira que interfere no hoje

O jeito de nos mover ou de nos paralisar

As expectativas frustradas ou não que cria para o futuro

A maneira que o trabalhamos em nós faz toda diferença

No presente que abrimos todas as manhãs

No futuro que vislumbramos e aguardamos em expectativa a cada anoitecer

Nosso presente fica melhor e nosso futuro mais interessante

Quando fazemos as pazes com nosso passado

Não o esquecemos, não o ignoramos

Aprendemos com ele e somos gratos àquilo que nos tornou

Mas o deixamos onde deve ficar: guardado lá atrás

Somos presente!

Há sempre barcos indo, barcos chegando

Barco não nasceu para ficar atracado no porto.

Alda M S Santos

Cargas extras

CARGAS EXTRAS

Carrego comigo muitas coisas, bagageiro cheio

Ora leves e bonitas como borboletas no jardim, difíceis de seguir

Ora pesadas e dolorosas como pesadelos quase “subterrâneos”, difíceis de escapar

Carrego comigo muitas coisas

Uma vontade de sempre sorrir, ser e fazer feliz

Também, às vezes, um desejo de me recolher, acalmar e nada fazer, aguardar

Carrego comigo muitas coisas

Um desejo de me banhar nas águas que brotam de fontes inesgotáveis de ânimo e fé

Ou de me deixar ficar nas emoções áridas quando a fonte seca

Carrego comigo muitas coisas

Alegrias e esperança com o realizado e o porvir

Tristeza, mágoa e decepção com investimentos vãos

Carrego comigo muitas coisas

A satisfação e orgulho com bênçãos buscadas e alcançadas

A culpa, desculpa e trauma por erros e falsas expectativas

Carrego comigo muitas coisas

A incansável responsabilidade de buscar a felicidade a todo custo

E a constante necessidade de cuidar da felicidade dos outros, daqueles que me são caros

Entre cargas ora leves, ora pesadas

Embarco nessa viagem com bagagem extra

Procurando não sofrer muito quando alguma precisar ficar para trás…

Alda M S Santos

Verde-vivo

VERDE-VIVO

A chuva fora torrencial, derrubara árvores, ninhos e sonhos

Pássaros saíam a cantar, comemorando o que restou de bom

Humanos se fechavam a reclamar, contabilizando o que perderam

A chuva ainda insistia, agora leve, fininha

Mas o sol se infiltrava, sem pedir licença, soberano, dono da vida

Renovando calor e colorindo de verde-vivo a esperança

Como alguém que tenta sorrir banhado em lágrimas

Formando um arco-íris maravilhoso escorrendo no rosto

Como a árvore que brota sob o corte do machado

É a vida mostrando sua força, suas faces e fases

É a natureza vital se impondo…

Se não fomos o “machado” que destruiu a vida

Que derrubou florestas inteiras ou jardins

Ou até mesmo uma flor

Sempre mais fácil seguir

Se fomos, vamos reconstruir…

A vida sempre se impõe!

Alda M S Santos

Hora de partir…

HORA DE PARTIR…

Era chegada a hora de partir

Para onde não sabia

Apenas sentia, ouvia o chamado

Um chamado incessante de um novo lugar

Desconhecia o caminho, o destino

Sabia apenas que precisava ir…

Sequer tinha conhecimento se teria companhia

Mas era chegado o momento

Despiu-se do passado, foi nua

As novas vestes viriam com o tempo

As únicas vestimentas que levaria consigo

Seriam aquelas que acalentaram, aqueceram a alma

Tornando-a sensível e forte

Ou aquelas que iriam clarear e perfumar sua nova trilha

Jogou para trás as velhas sandálias

E seguiu nua, calçada de coragem

Em busca de novo destino…

Alda M S Santos

Longe ou perto?

LONGE OU PERTO?

Longe ou perto é questão de perspectiva

Mais que um referencial em metros, é questão de sensações

Como saber se estamos longe ou perto Dele?

Estamos perto ou longe do que Ele nos ensinou?

Estar perto de Deus não é estar dentro de uma igreja

Nos sentimos perto quando estamos às voltas com quem amamos

Quando valorizamos o que recebemos, conquistamos e conservamos

Estamos perto quando construímos algo de bom

Para nós, para aqueles que têm menos que nós, que precisam

O peito fica, paradoxalmente, cheio e leve, tranquilo

Estamos longe quando destruímos o que Ele construiu

Em nossas vidas, nas vidas dos outros

Estamos longe quando nos omitimos…

Estamos perto, quando mesmo na solidão, nos conectamos com Ele

Podemos senti-lo na paz que reina em nosso coração

Estamos longe quando a sensação de culpa nos invade alertando para a proximidade do erro

Estamos longe quando nos afastamos de nós, envergonhados

Estamos perto quando podemos olhá-Lo nos olhos

Sem medos, nos arrepender e, com coragem, recomeçar…

Perto ou longe?

Alda M S Santos

Pisa fundo

PISA FUNDO

No volante, vidros abertos, cabelos ao vento

Ela pisa fundo…

Uma música após a outra atiçando a vida

Tocando as emoções superficiais ou profundas

Ela pisa fundo, quer ir longe

Encontrar algo perdido, resgatar alegrias e esperanças

Não quer sumir, não quer ir embora

Quer deixar o que for ruim para trás

Quer, paradoxalmente, um caminho que a traga de volta

Por isso ela pisa fundo…

O movimento, a estrada, o vento, a música, a solidão

Tudo leva a reflexões e pensamentos

Uma solidão consigo mesma não é solidão

É encontro… e dos bons…

Alda M S Santos

Qual seu oásis?

QUAL SEU OÁSIS?

Qual seu oásis?

Aquele repouso tão sonhado e desejado

Pós longas caminhadas sedentas no deserto?

Qual seu oásis?

Pós lábios ressequidos, pele castigada pelo sol escaldante

Tempestades de areia furiosas maltratando os olhos

Qual seu oásis?

Pós calor intenso do dia a derreter seus miolos

O frio noturno a quase roubar sua sanidade?

Qual seu oásis?

Pós solidão, abandono, sensação de estar perdido, sem rumo?

Qual seu oásis?

Aquele que reduz seu cansaço com um olhar

Que molha seus lábios num beijo

Devolve a sanidade, a sensação de fazer parte num abraço

Lembra que você é importante, que não está só

Irriga sua alma de alegria, esperança, mesmo que temporária?

Qual seu oásis?

Todo deserto precisa de oásis

Toda vida carece de refrigérios…

Qual seu refrigério?

Alda M S Santos

Fios da meada

FIOS DA MEADA

Na grande meada colorida da vida

Muitos fios são puxados

Na tentativa de fazer laços

Enlaces, entrelaces

Buscando desfazer nós…

Sem contudo ficar a sós

Principalmente sem ficar a sós

Puxa um fio verde daqui

Estica um fio vermelho dali

Por dentro, por fora, por cima, por baixo, vai e volta

Faz um zigue-zague, corta alguns nós

Seguindo os mesmos pontos

Desembaraçando…

E encontrando um ponto comum

De preferência bonito, harmônico

Com cores vibrantes e fortes, que nos aqueçam o viver

Formando um laço de amor…

Alda M S Santos

De onde vem esse vento?

DE ONDE VEM ESSE VENTO?

De onde vem esse vento

Que a muitos causa medo

E a poucos traz alento?

De onde vem esse vento

Que levanta saias, despenteia cabelos

Carrega chapéus e ignora apelos?

De onde vem esse vento

Que bagunça o que estava arrumado

Na pretensão de arrumar o que estava bagunçado?

De onde vem esse vento

Que tanto carrega para lá e para cá

Mas não me leva desse lugar?

De onde vem esse vento?

Alda M S Santos

Do what you love

“DO WHAT YOU LOVE”

Faça o que você ama, diz a canção

Ainda que seja difícil, tente

Mesmo que o momento exija reflexão, introspecção, negação

Encare!

Faça o que você ama!

Chore, grite, silencie, permita-se sentir

Respeite seus tempos!

Faça o que você ama!

Busque a natureza, água, mato, bichos

Busque a sua natureza interior

Faça o que você ama!

Tome sol, tome chuva, tome coragem

Perca os medos, perca a vergonha, perca a preguiça

Só não perca o respeito por si, pelo outro

Faça o que você ama!

Mate as saudades, deixe lembranças jorrarem

Afogue as dores, faça boca a boca com a paixão

Faça o que você ama!

Abra bem os olhos para o que se mostra

Abra os braços para os abraços

Mergulhe na vida de cabeça!

Mas faça o que você ama!

Alda M S Santos

Mundo daltônico

MUNDO DALTÔNICO

Há tantas e tantas cores por aí em seus variados matizes

À disposição de nossos olhos, querendo inundar nossas almas

Mesclando amor e alegria, carinho e bondade

Mas nem sempre deixamos entrar esse arco-íris em nós

Criamos uma barreira daltônica amedrontada na alma

Ou o próprio mundo o está bloqueando

Ficamos mergulhados, recolhidos, encolhidos

Ofuscando em cinza e marrom nossas cores vibrantes

E assim, dificultamos a troca das cores de nosso arco-íris interno

Com o mundo que escurece para muitos cá fora

Façamos assim

Minhas cores com suas cores, ainda que poucas

São capazes de fazer um mundo mais belo e multicor

A brilhar e fazer o amor em nós transbordar

Vazando nos olhos doces e sinceros

Nos quais gostamos de mergulhar, tal qual em mar azul

Ainda que na dor e carência…

Espalhemos nossas cores fazendo da vida uma tela de amor…

Alda M S Santos

#carinhologos

Fecha os olhos e vê…

FECHA OS OLHOS E VÊ…

Os olhos estão abertos

O olhar é vago, olha ao longe

Tenta enxergar além do horizonte

Olha para um lado e para o outro

Vê, mas não enxerga

Busca por algo invisível aos olhos

O olhar busca por algo que só se vê com o coração

E os olhos do coração

Enxergam melhor quando fechados…

Saint Exupéry diz que “só se vê bem com o coração,

O essencial é invisível aos olhos”

Ela fecha os olhos e tudo vê…

Alda M S Santos

Felizmente?

FELIZMENTE?

Nos constantes vai-e-vens da vida

Parece que mal superamos uma partida súbita

Ou nos adaptamos a uma chegada inesperada

E as malas já estão prontas novamente…

Choramos ou sorrimos, ou ambos simultaneamente

Nos despedimos…

Minha avó sempre deixa uma mala pronta

“Para o caso de precisar partir”

Uma maneira de não ser pega desprevenida

São tantas as partidas e as chegadas

De pessoas, de desejos, de sentimentos, de expectativas ou esperanças

Que já deveríamos estar acostumados…

Nem tudo que vai, volta

Mas sempre algo está indo, algo está chegando

É nessa rotatividade que a vida se desfaz e se refaz

Felizmente?

Alda M S Santos

A luz que me rodeia

A LUZ QUE ME RODEIA

Tento capturar a luz que me rodeia

Trazer esse brilho que irradia para mais perto

Iluminar recônditos secretos dentro de mim

Torná-los mais claros para minha aceitação e compreensão

E, mais iluminada, poder compreender melhor os demais seres

Quero usar esse facho de luz para ofuscar o que machuca

Esse calor para aquecer o que está frio, em espera

Para cauterizar o que ainda sangra

A luz que somos só é válida se o calor que traz consigo

For capaz de iluminar e aquecer a nós

E a todos no nosso entorno…

Luz e calor que recebemos, que propagamos, que partilhamos

É luz e calor que não se acaba…

Alda M S Santos

Sempre comigo

SEMPRE COMIGO

Vontade de te falar sobre todas as coisas que se passam comigo

Dividir contigo meus medos, minhas angústias

Saudade de te contar minhas vitórias, as boas caminhadas

Partilhar aqueles tropeções, machucados, feridas abertas

Sinto falta de ouvir seus conselhos calados

Ou que vêm pelas palavras ou ações dos outros

Quero contar como tenho vivido, o que tem acontecido comigo e com os meus

Sinto falta da sua presença!

Fecho os olhos, de joelhos, faço uma oração

Recordo-me que assim te trago para dentro de mim

E, novamente, te noto perto, sinto sua presença

E te conto tudo…

Lembro-me que a necessidade de contar é minha

Você já sabe tudo de mim, melhor do que eu, mas me ouve

Conhece tudo, tudo, minhas capacidades e limitações

Erros e acertos, e me ampara…

Apenas agradeço e faço um único pedido:

Meu Deus, esteja sempre comigo!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

Choques

CHOQUES

Vivemos nos equilibrando entre virtudes e defeitos

Que trazemos dentro de nós, que são inerentes a todo ser humano

Tentando fazer valer o que nos faz bem sem machucar ninguém

Lutando para deixar prevalecer o que nos faz crescer sem decrescer ninguém

Qualidades e defeitos de dentro em confronto com as de fora

Acionadas pelos convívios que travamos todo o tempo

Uns atiçando mais nossos defeitos

Outros despertando mais nossas virtudes

Tentando não queimar ou sofrer com os curto-circuitos

E sobreviver aos choques entre nosso céu interno que quer brilhar

E o inferno externo que quer se impor e ganhar

E vice-versa…

Buscando um fio terra que estabilize esse circuito de vida e morte…

Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

Alma livre

ALMA LIVRE

Ela é uma poetisa que hoje mora num lar de idosos

Extremamente educada, delicada e gentil

Idade já avançada, mente alerta, olhar “invasor“, observador

Como só os poetas de alma podem ser

Ela me olhava conversar com um idoso de longe sentada em sua cadeira

Apoiada no andador, o corpo não mais acompanha a agilidade da mente e dos sentimentos

Olhava por cima dos óculos todos os demais em roda

Interagindo com a música como podiam

Cantando, dançando, ouvindo, fazendo parte…

Cheguei até ela, fiz um carinho do qual fui correspondida

Perguntei pelos poemas, se ainda escrevia aquelas preciosidades que já declamou para nós outras vezes

“Ah, não! Não tenho mais cabeça e memória para isso, faltam palavras”

“Mas para escrever poemas não precisa memória, precisa sensibilidade e sentimentos que a senhora tem de sobra ”- retruquei

Ela deu um lindo sorriso, fez-me um carinho no rosto

“Que linda e gentil você é! Estava vendo como era atenciosa com aquele senhor.”

“Ele é uma ‘peça’, gosta de conversar. Falava das filhas”- completei

“Mas não são todos que têm paciência com ele! E seu blog, ainda escreve?”

Essa foi a pergunta de quem disse não ter a mente boa…

Falei sobre o blog pra ela há tempos…

Uma alma delicada de poeta naquele corpo frágil, num lar para idosos

Será que se sente presa ali, no próprio corpo, naquele lar, ou a alma é livre?

Não tive coragem de perguntar, mas acho que ela percebeu o que eu sentia/temia

Sorriu e me beijou o rosto, agradeceu a presença

Não tem como não pensarmos no nosso próprio futuro…

Cada Carinhólogo certamente se faz essa pergunta!

Alda M S Santos

#carinhologos

PRIMAVERANDO

PRIMAVERANDO

Doce expectativa, espera tranquila

Raízes que se desenvolvem e grudam no tronco da mangueira

Buscam ali os nutrientes que precisam para crescer

Sem causar danos, perfeita harmonia

Numa manhã, alguns botões surgem

Se abrem para a luz, para o calor do sol

Tal qual meu sorriso a saudá-las

Brancas, lilases, rosas, amarelas e mescladas

Passo a vigiar, parecem demorar mais

Noutra manhã, mais cores, perfume, ternura

Beleza pura e delicadeza que encantam

Que necessitam para ser tão belas assim?

Precisam antes terem sido plantadas no coração

No desejo de quem as ofereceu ou recebeu

No carinho de quem cuidou e por elas esperou

Precisam do tempo, do repouso, da paciência, da reclusão

Fases que a maioria não nota, sequer considera

Querem apenas a beleza da flor, que antes foi raiz, galhos, folhas

Quem curte apenas a orquídea em flor perde todo um processo de vida

Que germina, brota, cresce, luta pela sobrevivência

A flor é mesmo bela, digna de admiração e encanto

Mas quem acompanha todas as etapas do desabrochar, do primaverar

Sabe mesmo ser jardim!

Vale para jardins de flores ou de pessoas…

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Presente

PRESENTE

“Abre bem as portas do seu coração

E deixe a luz do céu entrar…”

A harmonia é conquistada no dia a dia

Na fé e na esperança que se demonstra

No carinho compartilhado, nas bênçãos recebidas

Na capacidade de doação e entrega

No respeito mútuo e na aceitação do que somos, do que temos

Deus nos presenteia todo o tempo

Muitas vezes com o mesmo presente, que tantas vezes desconhecemos

Vamos abrir nosso embrulho diariamente

Nossa família, nossa vida, nosso amor…

Alda M S Santos

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Ecos de amor

ECOS DE AMOR

Na beira do nada tudo que é lançado se propaga

Mas se encontra qualquer “obstáculo”

Há reflexão instantânea do que é emitido

Tal qual eco que reverbera ao ouvinte pouco depois do som direto

Tal qual bumerangue que retorna para as mãos do emissor

Tal qual o mar que devolve na areia tudo que recebe

Se o que se emite é dor há reflexão de dor

Se o que se lança é amor é amor que voltará

Nem sempre tão rápido quanto o eco

Mas tudo que emitimos acaba por nos retornar

Pode reverberar e voltar em confusas reflexões

Meio inaudíveis ou incompreensíveis

Talvez nos confunda no retorno, mas volta

Emissões de pessimismo trarão ecos de apatia e desânimo

Sons de um “eu te amo” sempre retornarão como ecos de amor

Ainda que disfarçados de carinho, compaixão, sorriso ou saudade…

Sons de amor, ecos de amor

Sempre!

Alda M S Santos

Blindados?

BLINDADOS?

Há como nos blindar dos golpes da vida

Ou sempre existirá algo a nos ferir

Até mesmo dentro de uma bolha

Para onde, vez ou outra, preferimos fugir?

Um amigo doente, alguém querido ausente

O emprego que falta, a injustiça que maltrata

Famílias que tentam se preservar, unidos para não tombar

Velhos esquecidos, largados, crianças com um péssimo legado

Alguém que decepciona, a fé que às vezes abandona

A morte que não tem critérios, a vida com poucos refrigérios

Humanos vivendo blindados pelo egoísmo

Humanos atingidos pelo próprio individualismo

Blindados?

Até quando vamos querer nos blindar da vida

Sabendo que é assim, absorvendo tudo que ela apresenta

Do jeito que damos conta, golpeando ou sendo golpeados

Que ela é verdadeiramente vivida?

Alda M S Santos

Via parenteral

VIA PARENTERAL

Queremos vida leve e saudável

Para os males, cura rápida, focal e indolor

Medicações injetáveis intramusculares ou intravenosas

Rápida absorção e efeito, sem volta, eficácia garantida

Não temos paciência para tratamentos homeopáticos, vida homeopática

Via oral, doses leves, constantes, resultados lentos e demorados

Queremos alopatia na veia, doses cavalares, entorpecentes

Que nos tire a dor, que nos afaste o mal, que nos abra sorrisos

Que nos anestesie de qualquer dissabor, que apague o que machuca com precisão

Sequer nos preocupamos se nos tornamos dependentes

Ou nos matamos com o “veneno” que deveria nos curar…

Alda M S Santos

Um grupo, um violão

UM GRUPO, UM VIOLÃO

Um grupo, várias vozes, um violão

Uma roda, ao ar livre, numa tarde gostosa no sabadão

Nem precisa ser muito afinado, não

Basta que tenha vontade, carinho, amor e atenção

Que as músicas sejam de uma época saudosa, refinada seleção

Que tragam boas lembranças e animação

Que despertem desejo de cantar, de dançar pelo salão

Que haja poesia nos versos singelos e amorosos da canção

Que sequer se importem com qualquer limitação

Que a gente perceba em cada voz que vibra o pulsar do coração

Em cada sorriso que se abre a luz que brota da gratidão

Em cada palavra terna a sincera satisfação

Em cada abraço, a troca do amor precioso, o amor irmão!

Alda M S Santos

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