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Artistas

ARTISTAS

Uma dupla de amigos “artistas”

Senhor Edilson, 75 anos, morador do Lar Frei Otto

Eu, uma professora “desenhista” e voluntária no lar

Eu desenho, ele colore…

A cada visita temos essa troca de carinho

Nós dois ficamos felizes…

Até a árvore que caiu lá fora e deixou o lar sem energia

Impedindo a distração com a TV não importou tanto

O tempo passa rápido quando fazemos o que gostamos

Aquilo que nos faz bem tem efeito cascata

O que fica de bom em cada um de nós

Transborda para todos a nossa volta…

Até a próxima, amigo Didi!

Alda M S Santos

Vira-latas

VIRA-LATAS
Somos mestiços, oriundos de várias raças
Uma mistura que nos torna SRD
Sem raça definida, carregamos características de vários povos
Ora somos fortes, resistentes e adaptáveis 
Pés-duros, confiáveis, amigos
Ora somos frágeis e de baixa autoestima
Acusados de tudo fazer, de virar latas por um pedaço de pão
De nos rebaixarmos para receber um carinho na cabeça
Dependentes da aprovação daqueles que consideramos mais, superiores
Mas carregamos conosco as misturas de uma raça não definida, híbrida
E o que de bom ou ruim isso possa acarretar
Com toda a força, fidelidade, inteligência, confiabilidade e resistência
De quem tudo já enfrentou
E de quem não se entrega assim tão facilmente
Um vira-latas morre lutando, acreditando na vida
Nunca deixando de amar…
Alda M S Santos

Um dia de cada vez…

UM DIA DE CADA VEZ

Quando a felicidade estiver muito próxima da tristeza

Quando a força exigida para manter-se de pé

Estiver fragilizando ainda mais as pernas

Melhor deixar-se “cair”, reconhecer-se frágil

Talvez até impotente naquele momento

Sentar-se à beira da estrada, descansar de tantas dores e cobranças

Dos outros, de si mesmo, principalmente

Abastecer-se de fé e coragem, reconhecer-se humano

E quando a força for chegando aos poucos, se renovando

Levantar, voltar a seguir, um passo de cada vez, degrau por degrau

Lembrando do aprendizado que ficou para não cair ou derrubar novamente

Construindo pacientemente um novo caminho para si

Nem tão longo, nem tão difícil ou penoso

Abrindo os olhos para a luz que se apresenta à frente

Enxergando e vencendo apenas um dia de cada vez…

Alda M S Santos

O fogo de todos os dias

O FOGO DE TODOS OS DIAS

“Tanta coisa nova aí sendo queimada e estão preocupados com velharias…”

Triste fala de um jovem sem educação ou “cultura”

Até que ponto podemos culpar quem pensa assim?

Estamos em chamas há tempos e ninguém se dá conta

Memórias são destruídas, histórias apagadas

Quem se importa?

Crianças são separadas das mães em nações de primeiro mundo

Políticos corruptos roubam a esperança dos cidadãos

Famílias inteiras viram cinzas destruídas, “queimadas” pelo tráfico

Quem se importa?

Religiosos de má índole queimam na chama da luxúria a fé dos fiéis

Intolerância, barbárie e preconceito de toda (des)ordem ceifam vidas

Saúde precária, educação idem, segurança zero

Pobreza, miséria, drogas e desesperança

Como culpar um jovem que não consegue valorizar um passado

Do qual não se sente parte

Se não vê preocupação ou investimento em seu presente

Aquele que ele queima nos baseados e no crack todos os dias

Aquele que ele sente queimar no estômago, na pele, nos medos?

Tudo para ele são chamas!

Quem se importa?

Nosso passado sendo lambido pelo fogo, destruído

Nosso presente sendo queimado, não construído

Nosso futuro, que será dele sem esperanças e estímulo?

Enquanto isso o que se apresenta como solução

É o olho por olho, dente por dente…

Estamos caminhando para um mundo cego e desdentado

A fala desse jovem mostra que nossa cultura está em luto há tempos

Mas quem se importa?

Para entender o passado, sentir-se parte dele, é preciso educação

Só assim é possível viver e lutar por um presente mais justo

E sonhar com um futuro mais humano e igualitário…

Alda M S Santos

Amar ao próximo

AMAR AO PRÓXIMO

A preocupação excessiva em ganhar a grande guerra

Nos faz perder as pequenas batalhas do dia a dia

A preocupação com a conquista de uma felicidade eterna

Nos faz perder as pequenas alegrias diárias que irrigam nossa alma de amor

A preocupação em não fraquejar, em ser sempre forte

Nos faz sufocar com lágrimas presas que nos trariam grandes aprendizados, se liberadas

A preocupação em parecer sempre bem, sempre sorrisos

Nos impede de receber ou oferecer um carinho amigo, um abraço acolhedor

O cuidado excessivo em não contar com o ovo na barriga da galinha

Nos impede de comemorar pequenas vitórias

A preocupação em fazer um bem enorme e histórico

Não pode nos impedir de um bem pequeno todo dia

A preocupação em sempre agradar e satisfazer a todos

Não pode nos impedir de cuidar de nós mesmos

O amor que se doa, para ser verdadeiro começa em estar bem conosco mesmos…

Sinceridade e aceitação do que se é, independente dos outros

É fundamental nesse processo…

Amar é uma lição que se aprende de dentro para fora

Amar ao próximo começa conosco mesmos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Dança Circular

DANCA CIRCULAR

Dança Circular é um trabalho antigo e tradicional.

Através de movimentos em roda, em pé ou sentados, libera a energia, canta, interage e se diverte…

Com idosos é ainda mais produtivo, pois os faz resgatar a autoestima, a alegria e o prazer de viver, principalmente em grupo.

Independentemente de saudades ou problemas de saúde.

Foi o que fizemos no Abrigo Frei Otto Ssvp, com Luka Benjamim e #carinhologos

Alda M S Santos

💕❤️😍🙏

Pedras…pedreiras…pedregulhos

PEDRAS…PEDREIRAS…PEDREGULHOS

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando não me importam tanto, pequenas

Colocadas com intuito de me fazer perder tempo

Rotineiras, como um contratempo no trânsito

Não merecem muita atenção, desvio

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando atrapalham a caminhada, perturbam

Incomodam como alguém a fazer pouco de nós

Pego e jogo para longe de mim ou me afasto

Pedras no meu caminho, que fazer?

Quando impedem a passagem, grandes

Preocupantes, pesadas, difíceis de remover

Como um pesadelo reincidente e assustador

Com calma, tento escalar e transpor

Peço ajuda, uma mão amiga a me puxar

Pedras no meu caminho, que fazer?

Gigantescas, intransponíveis, como parte do ambiente

Com lascas cortantes como ingratidão ou abandono

Como uma doença incurável ou a perda de alguém

Sento na pedra, choro, reflito e oro…

Pedras no meu caminho, que fazer?

Penso em todas as vezes em que Ele nos salvou

Me salvou de outros abismos e me devolveu o chão

Agradeço, e a encaro com mais ânimo

Já não parece tão intransponível assim

Afinal, Ele sabe tudo de montanhas, escaladas

Ingratidão, abandono, amor e desamor

Pedras e “Pedros” de todos os tipos

Seres humanos…

Ele sabe de tudo e de todos!

Ele é maior que qualquer pedra, pedreira ou pedregulho!

Alda M S Santos

 

 

 

Pedro negou “só” três vezes

PEDRO NEGOU “SÓ” TRÊS VEZES

Diante de um medo profundo

Covardia, mau caráter, falha humana, fraqueza

Para cumprir o que diziam as escrituras

A razão em si não nos importamos tanto

O que ficou para todos nós foi que Pedro O negou três vezes

Diante do risco iminente de prisão e morte

Ele se acovardou, negou O amigo, O protetor

Que se encontrava em apuros

Aquele que o amou e o ensinou a amar acima de tudo

Somos tão bons para julgar!

E nós?

Quantas vezes o temos negado

Ao virar as costas a um necessitado

Ao dizer que uma criança carente é problema do governo

Ao abandonar nossos idosos ou não estender a mão, podendo fazê-lo

Ao priorizar nosso bem estar independente dos outros

Ao desistir de amigos e familiares

Ao abandonar quem em nós confiou

Quem muito de nós esperou?

Quantas vezes fugimos por medo ou covardia?

Quantas vezes seguidas mais destruímos que construímos

Nas nossas vidas e nas vidas dos outros?

Pedro negou Jesus três vezes somente

Quantas vezes O temos negligenciado em cada irmão que Ele habita?

Quantas vezes não nos misturamos na precariedade que Ele sempre encontra morada?

Afinal, somos “superiores”, já fizemos “nossa parte”

Nos salvamos. Será?

Seria menos vergonhoso se fôssemos Pedro!

Alda M S Santos

Coisinha beijoqueira

COISINHA BEIJOQUEIRA

-Já vem você né, coisinha?

Ela diz entre a braveza e a surpresa escondida num meio sorriso.

– Oi! Sou eu! Estava com saudades- digo, me aproximando devagar.

-Pode ficar aí. Não chega aqui, não!- diz ajeitando os cabelos.

– Quero ver você de perto. Só conversar. Sabe que te amo, amor da minha vida?

– É? Amor da minha vida?- um sorriso divertido abre as portas e eu chego.

– Como você está?- abraço a idosa e beijo suas bochechas.

Ela sorri, conta suas dores e fantasias, pergunta se fui de carro, pede para levá-la a minha casa.

Tento convencê-la a tomar um banho:

– Pra ficar mais linda, cheirosa!

– Você é a coisinha beijoqueira!

– Sim! Mas só beijo porque te amo! 💕

Ela sorri feliz em meio às suas lamúrias, mas nada de aceitar o banho…

Mas eu a amo assim mesmo!

Quanto sofrimento ela deve ter suportado nessa vida?

Não importa por quanto tempo dure o sorriso, o importante é despertá-lo!

Lá e cá!

Alda M S Santos

Digam o que quiserem, um carinho sempre faz bem…

DIGAM O QUE QUISEREM, UM CARINHO SEMPRE FAZ BEM…

Digam o que quiserem, um carinho sempre faz bem

Na cadeira de rodas ela agora passa suas horas

Não fala, não anda, dependente dos outros para tudo

Cheguei, me abaixei, fiz “festa” por encontrá-la fora da cama

Beijei seu rosto de pele negra, enrugada, 92 anos, macia

Beijei também suas mãos, uma envolta em faixa para não arrancar as sondas

Falei que senti saudades, que a amava, que Jesus a protegia

Sorriu feliz, olhos úmidos, querendo falar comigo – “ela só quer, só pensa em namorar”,

Fiz muito carinho em seu rosto, relembrando canções que cantávamos

“Ela está feliz, sorrindo, gosta de você, não aceita carinho assim de todos”- diz uma cuidadora

Falei que éramos amigas e que ela já havia me contado do antigo namorado que ficava horas batendo papo com sua mãe

Dizia que ele era um homem branco como eu e muito bonito- sorria, sapeca, enquanto eu relatava os bons tempos dela

Pode parecer muito pouco, mas esse carinho e cuidado faz bem para quem recebe

Mas fico tão emocionada que acredito que faz melhor ainda mais para mim…

Esse alimento da alma é tão necessário quanto o pão do dia a dia que alimenta o corpo

Um carinho sempre faz bem e não tem contraindicações

Digam o que disserem…

Alda M S Santos

Fazemos o bem, proclamamos o bem

FAZEMOS O BEM, PROCLAMAMOS O BEM

“A mão direita não deve saber do que faz a esquerda”

“Não se deve fazer propaganda do bem que se faz”- ouvimos

A TV, jornais, outdoors, rádios, web, toda a mídia, em tudo se vê o mal propagado

Por que o bem deveria ficar calado, se esconder?

O mal tem vencido muitas vezes e adquirido adeptos, porque é amplamente divulgado

O bem precisa “aparecer” para poder contagiar…

Calado, inerte, compactua com aquilo que nada de bom produz

O Carinhólogos Solidários de BH divulga seu trabalho, sim!

E é assim que conseguimos doadores e ajudantes para nossos idosos

Atraímos novos membros, sensibilizamos corações…

Concordo, em parte, em manter sigilo, se a divulgação for apenas por vaidade pessoal

Mas se for para contagiar e propagar o bem

Nossa mão direita faz, alicia a esquerda, contamina de amor o corpo todo

Contagia a alma, grita aos quatro ventos

E agora convida você, suas duas mãos

Apela para o seu coração:

Vamos ajudar?

@carinhologossolidarios

@carinhologos

Alda M S Santos

Aprendizado

APRENDIZADO

Observamos neles a gratidão nas mínimas coisas:

“Deus é muito bom, pois manda vocês para nos alegrar”

A fé inabalável em Cristo:

“Sinto dores, não enxergo mais, tenho 94 anos, e fico aqui enquanto Jesus quiser, ele sabe de tudo”

A capacidade de reflexão, resignação e até uma certa incompreensão dos males

“Não sei porque minhas vistas ficaram assim, nunca fiz mal a ninguém nessa vida”

O arrependimento perante certas atitudes que causaram infelicidade aos outros

“Nunca esperei passar por isso, causar mal a alguém no final da minha vida”

A certeza de que aqui se colhe o que se planta

“Nessa cadeira passo meus dias, mas não reclamo, se devo algo, pago”

E a cada visita aprendemos que ali estão seres humanos que acertaram, que erraram

Vindos de famílias destruídas, por si mesmos, pelos outros

E procuram viver com dignidade e esperança o que lhes resta de vida

Os sentimentos maiores notados ali são: resignação, arrependimento, fé, uma certa nostalgia

E amor, mesmo que em forma de saudade

A nós, não cabe julgar, mas levar todo amor e carinho que pudermos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Terreno abandonado

TERRENO ABANDONADO

Quem observa um jardim ou um terreno produtivo

Nem sempre imagina o trabalho que tudo aquilo dá

Saber arar a terra, o momento certo de plantar, irrigar, podar

Escolher as mudas certas para áreas de sol ou sombra

Ficar atento às plantas que ocupam todo o espaço e sufocam as demais

Controlar pragas e insetos invasores, nocivos

Irrigar adequadamente, cuidar para não invadir terreno alheio

Saber que as plantas mais danosas crescem com facilidade, se alastram

Flores raras são mais sensíveis e exigem atenção maior

Podemos admirar jardins e saborear frutas, mas não saber muito bem cultivá-los

Com a nossa vida pessoal se dá o mesmo processo

A diferença é que podemos contratar profissionais para hortas, pomares e jardins

Mas não podemos terceirizar o trabalho de escolhas das mudas, poda e cuidado de nossas vidas

Nosso “terreno” interno não se adapta com qualquer muda

Não reage bem à escuridão, luz excessiva ou falta de irrigação

Cada terreno tem características muito individuais que precisam ser respeitadas

Todo jardim florido, roça ou pomar produtivos

Têm sempre um jardineiro, um agricultor, um fazendeiro dedicado e atento…

Um terreno abandonado é igual a uma vida sem “dono”, sem cuidados

Conhecemos de longe, não têm brilho ou beleza

Nasce e cresce o que quer…

Alda M S Santos

Pessoas e abismos

PESSOAS E ABISMOS

Na vida há diversos tipos de pessoas

As que nos levam até à beira do abismo e nos abandonam lá

As que nos impedem de pular ou que são a rede a absorver nossa queda

E as que nos impedem de chegar à beira do penhasco…

Qual delas temos sido para os outros?

Pior que ser abandonado na beira do abismo, é abandonar alguém lá…

Alda M S Santos

E ele esperava

E ELE ESPERAVA

Debaixo daquele dilúvio ele esperava

Olhos distantes, completamente encharcado por fora

Sozinho numa mesa de bar na calçada

Por dentro tudo parecia opaco, seco, sem vida

Um guarda-chuva ao lado esquecido

Que importava? Ele também estava esquecido por todos

Girava nas mãos o copo de pinga

Mexia-se apenas para pedir para enchê-lo novamente

Queria molhar-se tanto por dentro quanto por fora

E esperava…

Não se sabe pelo quê ou por quem

Se interpelado, sorria triste, com olhos vermelhos

“O mundo ainda acaba em água”…

Dias, semanas, meses e anos foram sedimentando a tristeza ali

Estava preso naquele calabouço “seguro”

Cuja fechadura só abria por dentro

Mas a chave tinha que vir de fora, da fé que não tinha mais em ninguém

Da fé em si mesmo afogada em mágoas

E mantinha sua vida parada no sinal vermelho daquela esquina…

E ele esperava…

Alda M S Santos

Você é estranho?

VOCÊ É ESTRANHO?

-“Você é estranho”? -uma menininha pergunta a um adulto que mexeu com ela.

Inocência pura! Certamente foi muito alertada a não dar atenção a desconhecidos.

Alerta de amor e cuidado nesse mundo recheado de maldades.

Para a infância seria suficiente?

E para os jovens e adultos?

Quem são verdadeiramente os estranhos?

Tantos conhecidos mostrando-se mais estranhos que alguém de quem não sabemos nada…

Um rosto sorridente, familiar, de convívio diário não garante proteção, segurança contra decepções ou crueldades.

Abusos físicos, sexuais, assédios morais, emocionais, atentados contra a vida de crianças e mulheres no próprio lar por rostos estranhos “conhecidos”, amados.

A verdade é que por mais que saibamos de alguém, sempre podemos ser surpreendidos,

Positiva ou negativamente!

A criancinha não está errada em perguntar: você é estranho?

Deveríamos fazer essa pergunta a nós mesmos diante de cada ser humano conhecido que convivemos.

O quanto há de estranho dentro de nós, dentro daqueles que “conhecemos”?

Você é estranho até que ponto?

Alda M S Santos

Linguagem do amor

LINGUAGEM DO AMOR

O amor tem uma linguagem única, especial, original

Independente do tipo de amor…

Pode ser o vocabulário, o toque, uma canção, uma brincadeira, um olhar, um abraço diferente

E que será resgatado e reconhecido quando as palavras ou um dos outros faltarem

Sempre chamo as idosas do asilo de “amor da minha vida”

Faço carinho nos cabelos, beijo a testa, canto, “gasto”, como diz uma delas

Tenho, como os outros, um jeito só meu de demonstrar o amor

Uma das idosas de 92 anos que adorava cantar conosco

Alegre, brincalhona, receptiva aos carinhos

Sofreu AVC e perdeu a comunicação verbal, parecendo pouco interagir

Estava chorosa, mas sorriu com carinhos e canções conhecidos, respondeu com o corpo, reconheceu-nos

Percebemos cada dia mais que há muitas maneiras de expressar o amor

Eles sentem isso, nós sentimos isso!

Nós aprendemos e usamos a rica linguagem do amor!

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

De tudo um pouco fazemos nosso tudo

DE TUDO UM POUCO FAZEMOS NOSSO TUDO

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Recheamos de amor, sorrisos

Compreensão, abraços, beijos, solidariedade

Troca de calor, de empatia, de lágrimas, doação de amor

Prazer na presença, nas companhias

De pouco em pouco, de muitos poucos,

Amizade embebida de amor, carinho, saudade

Embrulhamos na embalagem do amor e nos fazemos felizes…

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Tornam, assim, parte de nosso tudo…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Desumano, demasiado desumano

DESUMANO, DEMASIADO DESUMANO

Uma vida jogada fora, desperdiçada de modo cruel

Desumano, demasiado desumano

Um ser humano, alcoólatra, cuidador de carros nas ruas

Calado, triste, educado, não incomodava ninguém

Onde dormia, bebia, comia, dependia da ajuda dos outros

Há poucos dias recusara ajuda do AA, acreditando não precisar

Uma briga, jogam álcool em seu corpo, ateiam fogo

Não resiste, parte cruelmente assassinado.

Grande ironia da vida, morrer pelo álcool

Curtido na maldade humana!

Uma raça onde a liberdade de um fere a do outro

Nesse mundo humano tão desumano

Ou seria, como diria Nietzche, “humano, demasiado humano”

Pois um animal não seria capaz de tal atrocidade!

Certamente ele está em paz agora!

Noutra dimensão…

RIP

Alda M S Santos

Sempre amor

SEMPRE AMOR

Um grupo com um objetivo: levar alegria

A razão que trouxe cada um é variável

Todos parecem felizes, profissões variadas, vidas diferentes

Unidos no desejo de ajudar os outros, os idosos, particularmente

Olho para cada rosto desses palhacinhos, cada sorriso

Sei um pouco a história de alguns

Histórias de lutas secretas, sofrimentos, nem sempre vitoriosas

Muitos carregam angústias, frustrações e dores

Não doam o que lhes sobra, mas aquilo que mais precisam

Aquilo que valorizam, que sabem precioso

No prazer de levar amor, encontram uma razão a mais para lutar…

Para viver…

Alda M S Santos

#carinhologos

#carinhologossolidarios

Ratos e navios

RATOS E NAVIOS

“Quando o navio afunda os ratos

São os primeiros a abandonar o barco”!

Esperteza, covardia, medo, visão de longe alcance?

A verdade é que ratos gostam de vida boa e fácil

Surgiu o perigo, ao primeiro sinal, fogem,

Lançam-se às águas do mar em busca de nova vida

Não se importando com o que deixaram para trás

Outros ratos companheiros, gatos, o navio que os alimentou…

Instinto de sobrevivência ou covardia, tanto faz!

Nos barcos dessa vida precisamos estar atentos

Há muitos ratos disfarçados de salvadores, de bombeiros

Que ao primeiro sinal que o navio irá soçobrar

Como ratos, não estendem a mão, fogem…

Alda M S Santos

Há esperança na humanidade

HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Um mendigo disfarçado de cuidador de veículos

Sujo, descalço, dormindo nos passeios a qualquer hora

Vive do que recebe da caridade dos que transitam por ali

Abandonado, largado, entregue ao mundo?

Mas é um ser humano!

Alcoolizado sempre, não sei se outros entorpecentes também

Sempre me compadeço de sua situação

Vejo-o todos os dias na rua da academia

Já perguntei uma vez se precisava de ajuda quando estava largado na calçada

Hoje vi uma mulher dando banho nele no meio da rua

Jogava água contida em algumas garrafas pet, ensaboava, esfregava

Ele aceitava a ajuda a contragosto, alcoolizado.

Um misto de sentimentos me invadiu

Feliz por alguém ter ajudado, uma mulher se arriscando

Triste por um ser humano precisar desse tipo de ajuda de desconhecidos

Envergonhada por eu mesma não ter tido essa coragem, essa iniciativa!

Orgulhosa dessa mulher que conheço e deu um exemplo de bondade…

O amor precisa ser convertido em ações!

Há esperança na humanidade!

Alda M S Santos

Amores da minha vida

AMORES DA MINHA VIDA

“Que linda, amor da minha vida”!

Assim, arranquei um sorriso da idosa mais rabugentinha do lar dos idosos!

“Amor da minha vida!” – ela repetia e sorria…

Sempre mal- humorada e a espantar quem chegasse perto

Consegui, aos pouquinhos, me aproximar dela

Conversar, trocar umas palavras, fazer uns carinhos…

“Para de me alisar”!

“Não! Eu gosto de fazer carinhos em você”!- e a abraçava e beijava.

“Você fica me gastando”!

Está sempre dizendo que está morta, que foi para o outro lado…

Num lar desses percebemos os vários modos de lidar com a dor e solidão.

Uns são agressivos, outros muito doces e carinhosos

Há ainda aqueles que cobram presença, presentes,

Ou os revoltados com tudo e todos…

Não nos cabe julgar porque estão ali

Sempre conseguimos um modo de chegar até eles!

Nosso propósito é levar amor, carinho, atenção, roupas, alimentos, remédios

O que precisarem e conseguirmos

E um sorriso que recebemos é “pagamento” bastante!

Alda M S Santos

#carinhologos

Maldade ou infelicidade

MALDADE OU INFELICIDADE?

As décadas eram muitas, quase dez

E as mãos trabalhavam lentamente numa arte

“Não deu para arrumar isso aqui, mãe”

Um par de olhos úmidos o encarou, questionadora

“Está velho, esgarçado, puído, sabe o que é isso?”

Mais uma vez ela o observou, silenciosa,

Calmamente colando florzinhas na árvore de Natal.

“Está velho, coisa velha a gente joga fora, não compensa arrumar!”

Os olhos dela me encararam com muita tristeza e vergonha

Abaixou a cabeça, resignada e triste, continuando a colar…

Ele, me notando por perto, logo arrematou:

“Claro que é para coisas, não pessoas!”- e foi-se embora

“Depois a gente conversa!”

Mas o estrago já estava feito.

Frase maldosa ou infeliz?

Palavras não foram necessárias para traduzir

O que o olhar dela já havia dito: vergonha e decepção

Estava acostumada àquele tratamento.

O quanto vale nossas vidas?

Haverá mesmo alguém a cuidar de nossos idosos

De nós, quando chegarmos lá,

Com amor e bondade?

Alda M S Santos

Colo(rindo) a alma!

COLO(RINDO) A ALMA

Nunca estamos cansados demais, tristes demais

Para alegrar um alguém, um coração carente

Uma alma já vivida e sofrida

Que, ainda assim, se alegra e agradece

E, ao preencher de cores os desenhos,

Enche de cores sua própria alma

Nos mostrando como lidar com a dor, as angústias, a saudade,

As decepções, a tristeza, o abandono, o desamor, o amor

A fé e a esperança com maestria e bondade

Com um sorriso terno no rosto, um abraço quente

E a alegria de uma boa conversa

Sem qualquer intenção de nos dar lições

Acaba dando mais que recebendo: muito amor

Alda M S Santos

#carinhologos

Por que o mundo não para?

POR QUE O MUNDO NÃO PARA?

Porque o mundo insiste em girar

O Sol continua a nascer, a chuva a cair

O vento a balançar as folhas, os pássaros a cantar

Se eu estou aqui sem calor, sem voz, sem canto

Sequer sinto o vento ou a chuva a me molhar?

Parece uma afronta!

Porque o mundo insiste em girar

As pessoas a sair e a sorrir, a trabalhar

A se amarem, brigarem ou se odiarem

Guerrearem e se matarem…

Se eu estou aqui querendo que ele pare para eu descer

Ou que gire bem rápido e me lance para fora de órbita?

Por quê?

Será que está gritando algo para eu ouvir?

Terá que fazer um esforçozinho um pouco maior!

Alda M S Santos

Será que ainda pensa em mim?

SERÁ QUE AINDA PENSA EM MIM?
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Faz tempo que parece que fui embora…
Será que ainda procura pelo meu bom dia para iniciar o seu
Pelas conversas sérias ou brincadeiras bobas
Pelos papos sem nexo ou silêncios complexos
Pelas brigas tolas, pelos abraços na pontinha dos pés…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Consegue enxergar meus olhos, meu sorriso
Minha alegria contagiante ou energia exagerada
Meu jeito desafinado de cantar, sensual de dançar
Profundo de escrever, agitado de andar
Sincero de dizer “amo você para sempre”…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Do meu jeito único de me vestir ou maquiar
Do meu perfume, dos meus cabelos revoltos,
Dos vestidos rodados, das roupas de ginástica
Do jeitinho acelerado de tudo fazer
Da maneira de rir de suas rabugices…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Ainda bem que não me deixou ir…
Mesmo que não queira você mora em mim
E eu morarei dentro de você para sempre…
Alda M S Santos

Tragédia em Janaúba

TRAGÉDIA EM JANAÚBA

Além da dor daqueles que perderam um familiar,

Criancinhas inocentes num lugar que deveria ser seguro

Tendo vidas ceifadas ou machucadas por alguém que deveria protegê-las,

Que talvez também fosse um doente sem ajuda,

Como tantos por aí escondidos atrás de sorrisos,

Dói ainda saber que nos hospitais que deveriam socorrê-las

Faltam itens básicos como Dipirona, luvas, seringas, agulhas e afins…

Num país com uma das maiores cargas tributárias do mundo!

Não há palavras para expressar tamanha revolta!

Que Deus olhe por todos nós!

Alda M S Santos

Bomba-relógio

BOMBA-RELÓGIO
Vida contada, morte anunciada
O que é viver sob uma espada
Na expectativa do fim, e nada temer?
Tantos vivem assim, esperando apenas 
Que o relógio chegue a 00:00:00
Se dói, a dor irá embora.
Não temer o fim é sinal que a vida valeu
Ou que de nada vale?
Alívio total!
Alda M S Santos

Abandono

ABANDONO

Qualquer abandono é compreensível

Até mesmo aceitável com o tempo,

Pais, filhos, amigos, familiares,

Aqueles nos quais mais confiou na vida.

Apenas um abandono não é aceitável nunca,

Sob pena de morte em vida:

O abandono de si mesmo!

Alda M S Santos

Fazer de conta

FAZER DE CONTA 

A criança vive e experimenta o mundo

Num constante faz de conta

Faz de conta que é princesa, 

Mamãe, professora, veterinária

Príncipe, super-herói, aviador,

Cientista ou astronauta…

Os idosos voltam ao faz de conta

Fazem de conta que toda dor e saudade não existem

Que decepções e abandono não doem

Que as boas lembranças bastam

E aproveitam qualquer forma de amor e carinho que se apresentam

A natureza é sábia ao apagar da mente deles muita coisa que fere

Será que fazer de conta que está tudo bem

Nesse “pequeno” intervalo entre infância e velhice

Apagar o que faz mal, desfocar o que dói 

Não seria um modo sábio de viver?

Alda M S Santos

Dia dos Vovós

DIA DOS VOVÓS!

Nesse dia dedicado a homenagear os avós, planos de Saúde alertam: a saúde estará em xeque.

Em 2027 haverá um jovem até 18 anos para cada idoso acima de 59 anos na assistência à saúde.

Sem desconsiderar a economia pública ou privada de saúde, preocupo-me mais com a assistência psico/emocional desses idosos.

Nossos jovens estão preparados para lidar com um Brasil que envelhece?

Nossos idosos recebem a paciência, o carinho, a atenção, o amor, necessários a uma velhice saudável?

Mais que ser alimentados, medicados ou colocados para se aquecer ao sol, nossos vovós precisam do calor de nosso amor.

Políticas econômicas de saúde devem ser avaliadas.

Porém, a cultura de um país jovem deve também ser reavaliada! 

Olhemos pelo lado positivo: se haverá um jovem para cada idoso, cada um de nossos velhinhos terá ao menos número suficiente para serem atendidos nessas necessidades.

Cuidemos para que a qualidade se equipare à qualidade! 

Privilegiada, tenho vários vovós para amar. 

Feliz Dia dos Avós! 

Alda M S Santos

Nossas verdades

NOSSAS VERDADES

Vivo feliz só, sei me virar bem.

Não sou desse grupo, não faço parte, estou aqui por opção, não necessidade ou dependência.

Preciso estudar, sem estudo ninguém é nada.

Estou aqui aguardando só Ele me chamar.

Dizem idosas num asilo.

São mesmo verdades aquelas que acreditamos?

Ou apenas autodefesas? 

Quantas delas criamos para nos proteger? 

Quantas verdades não resistem ao primeiro aperto?

Quantas verdades nos “protegem” do amor? 

Quantas “verdades” mostram-se frágeis num simples bate-papo ou momento de carinho? 

Verdades não nos salvam, o amor nos salva! 

Alda M S Santos 

Limitações?

LIMITAÇÕES?

Mãos que sempre trabalharam

Que sempre amaram

Até há bem pouco tempo,

Hoje pouco conseguem.

Mas não é qualquer AVC que as imobiliza.

Orgulhosas apresentam o trabalho com um lindo sorriso: 

“Consigo com a esquerda mesmo, 

Com ajuda da moça bonita”! 

Viva Dom Sebastian!

Alda M S Santos

#carinhologos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE
Sabem aquela sensação de estar sempre só
Em meio a tantas pessoas?
Sentimento de não ser compreendido ou aceito,
De não encontrar seu reflexo em ninguém?
Tal culpa ou responsabilidade
Não pode ser imputada a ninguém.
Ninguém, exceto a nós mesmos.
Quando não nos encontramos em nós,
Não “permitiremos” que ninguém nos encontre.
Não chega a ser dolo, apenas culpa.
Não há intenção de nos esconder de nós mesmos,
Tampouco dos outros.
Apenas falta perícia para nos fazermos achar,
Habilidade de nos refletirmos em nós mesmos,
Para encontramos nosso reflexo no outro.
Brincadeira de esconde-esconde de adulto
Nem sempre é divertida!
Alda M S Santos

Como saber?

COMO SABER?
Vidas que caminharam juntas, em paralelas, se entrelaçaram.
Como saber significados que deixaram uma para a outra?
Como saber a importância que tiveram entre si?
Basta olhar o que ficou em cada uma delas, o que foi deixado no outro.
Vidas que se tocam, se amam, não se entrelaçam, e se vão, sem deixar sua marca.
Fica um jeito de ser do outro, um sorriso, um carinho, um conselho, uma palavra, uma lembrança…
Algo de pessoas que se amaram ficará sempre impregnado uma na outra, como um perfume suave…
Mas o melhor jeito de saber a importância que tiveram,
É a capacidade de se fazerem presentes, sempre, de alguma forma, principalmente nas adversidades,
Guardadinhas no coração…
Alda M S Santos

Valor

VALOR

Nossa vida passa a ter

Muito mais valor

Quando o sorriso dos outros

Depende dela.
Alda M S Santos

Piloto automático

PILOTO AUTOMÁTICO
Aqueles dias em que a vontade é de apenas sentar e esperar
Deixar-nos conduzir pelos momentos, pelo vento, sem qualquer interferência,
Seja manual ou emocional…
Programar o piloto automático:
Local de saída e, talvez, de destino e deixar tudo por conta dele,
Como num vídeo game que joga sozinho quando não há jogadores.
Como num avião, equipado com instrumentos que permitem a condução do aparelho,
Sem a intervenção da tripulação,
Regulando desvios de rota e de altitude, assegurando voo e pouso tranquilos.
Não precisar se preocupar com nada,
Nem mesmo obstáculos diversos ou condição climática.
Simplesmente, confiar,
E seguir…
Alda M S Santos
imagem google fotos

Mendigando sentimentos

MENDIGANDO SENTIMENTOS
Preocupamo-nos muito com aqueles que vemos jogados nas ruas
Esparramados num chão quente, sujos, à mercê da bondade ou maldade humanas
Enfrentando as intempéries, comendo o que ganham, corpos implorando por um banho.
Porém, ignoramos ou somos ignorados quando tudo em nós indica outra necessidade,
A de sentimentos, a mendicância emocional.
A começar dentro de nossos próprios lares:
Um filho que se rebela na escola, outro que se enfurna no quarto e nos eletrônicos,
A filha que se esconde em cabelos roxos ou roupas rasgadas, o cônjuge cada dia mais calado.
Cada qual num cômodo da casa, com sua TV, seu tablet, seus celulares, seus “amigos”.
Amigos virtuais aos montes, amigos reais metem medo, geram ojeriza.
Quanto mais se tem, menos se vê, nos próximos, nos distantes, em nós mesmos.
Necessidades que o dinheiro não compra.
São silêncios que gritam, que mendigam amor, atenção, carinho.
Nunca se teve tantos meios de comunicação à disposição e nunca nos entendemos tão pouco!
A Medicina, a Ciência, a tecnologia avançam, mas, para acompanhá-las, perdemos o que temos de mais humano, nossas emoções. Augusto Cury é especialista no assunto.
Jamais houve tanto acesso aos conhecimentos e jamais fomos tão ignorantes!
Nunca tanto se falou de amor, mas nunca se amou tão minimamente,
Tão confusamente, tão perdidamente, tão insatisfatoriamente.
Se um dia desligássemos tudo, pane global e irreversível de comunicação eletrônica, era digital nível zero, a que ponto voltaríamos?
Cartas perfumadas, bilhetes de amor, bate papo no portão dos vizinhos, na praça da igreja?
Será que alguém ainda sabe escrever uma carta manuscrita?
Conseguem conversar olhando nos olhos, sorrindo, acariciando a alma?
Brincar de esconde-esconde, queimada, pular corda ou jogar bola de gude, interagir?
Pagaria qualquer preço para voltar ao ponto no qual perdemos a capacidade de identificar e atender a necessidade de amor de todos que nos cercam.
Pagaria qualquer preço para reduzir o número de mendigos emocionais, para não me tornar uma.
Alda M S Santos

Apenas um pouquinho de afeto

APENAS UM POUQUINHO DE AFETO
Repetidas vezes pergunta meu nome completo. Eu respondo. E recita o seu.
Sento-me ao seu lado, seguro suas mãos, faço carinho.
E completa: “Nascida a 22 de março de 1922. Tenho 90 e muitos anos.”
“Você sabe quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.”
“Tem que decorar, senão a professora briga e a mãe bate.”
“Cadê o banheiro? Não posso fazer xixi na calçola. Você me leva?”
“Que dia é hoje? Ah! Amanhã é domingo, dia de Jesus! Gosto de Jesus, nascido em Belém da Judéia, crescido e criado em Nazaré, por isso era chamado de Jesus Nazareno.”
“Aprendi na escola dominical. Ah, domingo é quando meus filhos vêm me ver.”
“Faz muito tempo que não aparecem. Que dia é hoje? A gente não pode obrigar, né?”
“Você é baiana? Chapéu de Maria Bonita. Parece baiana. Eu sou baiana, mas me trouxeram para cá. Mãos macias, eu gosto das suas mãos.”
“Meu marido voltou para lá. Será que levou meus filhos embora também?”
“Você tem mãe? Eu tinha! E tem filhos? Traz seus filhos aqui.”
“Vamos cantar música de louvor? Eu gosto, senão fico brava.”
E ela fala sem parar com poucas interferências minhas, exceto o carinho.
Cantamos Maria de Nazaré. Voz forte. Diz que cantou no coral da igreja. Sabe a música de cabo a rabo.
Levanto-me, sento ao lado de um senhor e começo a conversar com ele.
“Senta aqui! Você estava aqui! Fica perto de mim.”
Ao que ele responde: “Baiana, ela agora é minha, tem que dividir!”
Ela se cala e fica emburrada. Jogo beijos. Faz beicinho.
Deixo uma mão com ele, levanto, vou lá e a aperto.
São crianças brigando por um pouquinho de afeto.
Apenas um pouquinho de amor…
Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS
“Fomos Garotas de Copacabana. Viu como eu era bonita? Igual você!”
Ela ajeitava seus lençóis o tempo todo. O espaço que era só seu.
Foto acima da cama, com nome, data de nascimento: 20/09/1930.
Um pequeno armário com o crucifixo pendurado, poucos pertences e fotos, muitas fotos.
Todas espalhadas na cama. Mostrava e contava sua história.
“Minha irmã morreu no Rio. Não tenho mais pra onde ir.”
Toda uma vida, memórias registradas ali em preto e branco, em cores.
Uma Bíblia, um livro do Pe Marcelo, todos inchados de fotos, cartões de aniversário, cartas, envelopes…
“Para marcar onde li e pra Jesus proteger. Jesus protege, sabia? Está com minha irmã! ”
Sim, e conosco também!- respondi.
“O meu coração é só de Jesus. A minha alegria é a Santa Cruz.”
Cantava e me pedia para acompanhar. A companheira ranzinza do quarto reclamou.
“Vamos parar! Ela dá chinelada na gente”.
Fui lentamente até ela. Expulsou-me. Insisti. Devagar. Deixei, voltei.
No final, coloquei a faixa de Miss Guerreira, abracei a ranzinza, beijei suas bochechas, sorriu, ganhei um “obrigada, vai com Deus”!
Deixei-as com suas histórias em papel, poucos objetos e memórias, muitas se apagando.
E fui embora com as minhas.
Farão parte de minha história a partir de hoje.
Alda M S Santos

Dias ruins?

DIAS RUINS?
Há dias que definimos como dias de sol: céu azul, nuvens branquinhas, temperatura agradável.
Normalmente, convidam à alegria, aos sorrisos, amigos, passeios, interação.
Há também os dias nublados, com chuvinha insistente, meio frios.
Convidam ao recolhimento, reflexão, introspecção, cama e edredom.
Mas não é regra!
Com sol ou chuva, independente do tempo lá fora, ele pode estar nublado dentro da gente.
Aquela sensação ruim, nó na garganta, vontade de chorar por tudo e por nada.
Qualquer coisa corriqueira parece chata, desanimadora.
Uma palavra menos dócil ou uma atitude mais compreensiva, de carinho, bastam para abrir as comportas.
Há quem identifique como TPM, uns como conflitos existenciais, outros de apenas um dia ruim.
Seja qual deles for, melhor mesmo é chorar. Lágrima presa afoga, sufoca, envenena, mata.
Uma amiga costumava dizer que, quando tinha vontade, chorava mesmo, e alto, como criança. Só assim se sentia melhor.
Somos feitos de sorrisos e lágrimas. Devemos respeitar nossas necessidades. Ambos têm razão de ser
Busquemos as que possam proporcionar mais sorrisos, mesmo com sombras no olhar.
Alda M S Santos

Doações, pra quê?

DOAÇÕES, PRA QUÊ?
Têm me causado muita angústia certas situações.
Basta dar uma navegada na internet, conversar com amigos, andar por aí…
Mal fiz uma divulgação de pedido de doações para idosos dos asilos, vejo uma notícia de que o Hospital Maternidade Sofia Feldman, público, que atende a milhares de gestantes carentes, está dependendo de doações para não fechar as portas.
E esta é apenas mais uma. Há inúmeros pedidos de doações para as mais variadas coisas: centros de narcóticos e alcoólicos anônimos, creches, asilos, hospitais, famílias sem teto, desamparadas, deficientes, aidéticos, doenças graves, suplementos alimentares, entre outras.
Mais uma “navegada” e a gente vê golpes, desvios de dinheiro, transações ilícitas, “laranjas” e o escambau!
Das duas uma: ou eu ando muito sensível ou esse mundo passou da hora de ser passado a limpo. Penso que as duas coisas.
Dá uma sensação de impotência perceber que por mais que se faça, esse buraco é sem fundo, o fosso não para de crescer.
Todos sabemos que com a quantidade de impostos que pagamos, se eles fossem bem administrados, não desviados, não haveria tanta necessidade de doações.
Por mais que a gente possa ajudar, financeiramente, trabalho voluntário, carinho, afeto, tempo, sempre parece ter mais e mais pessoas precisando.
O risco que se corre é que os corações se endureçam e ninguém se importe mais, não queira mais ajudar ou participar, ou sequer tenha condições de fazê-lo.
A história nos mostra que sempre houve necessidade de compaixão, de solidariedade, de caridade.
O que aumentou de forma gritante foi a corrupção, a safadeza, a hipocrisia e maldade de nossos governantes.
Nosso país possui recursos naturais, financeiros e humanos para ser uma nação de primeiro mundo.
Nosso maior problema são os desumanos que o administram e os humanos que os aceitam, por falta de consciência ou comodismo.
Precisamos atacar essas duas frentes, ou estaremos sempre “chovendo no molhado” e aumentando esse fosso.
Alda M S Santos

Dores na simplicidade e no luxo

 DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO

Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.

Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.

Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.

Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.

Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.

No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.

No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.

Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.

O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?

São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!

Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.

Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.

Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.

Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.

O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.

Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.

Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:

“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”

Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.

Alda M S Santos

Mantenha distância para sua segurança 

MANTENHA DISTÂNCIA PARA SUA SEGURANÇA

Sabe aqueles dias em que estamos dando choque em nós mesmos?

Pois é! Aqueles nos quais deveríamos carregar pendurada no pescoço e nas costas uma placa com a frase de para-choque de caminhão:

“Mantenha distância para sua segurança”.

Estamos impacientes, tristes, inseguros, insatisfeitos, decepcionados, com raiva até!

Ideal que nem saíssemos do quarto para evitar maiores danos ao “patrimônio” próprio e alheio! Risco de curto-circuito! Pane total.

Mas a vida chama! Trabalho, estudo, família, amigos, afazeres diversos.

Felizmente!

Lá fora, mesmo emburrados, escondidos atrás de uns óculos escuros, tentamos acordar.

Devagarzinho, vamos começando a enxergar as coisas belas e boas, que são muitas, e retribuir.

Fazendo o levantamento dos males que nos atingem, deixando todos eles, um a um, pelo caminho.

Com calma, com alma, respeitando nossos próprios limites, dores e lágrimas.

Aceitando os sorrisos, os carinhos, o amor que se apresenta.

Como “diz” outro caminhão:

“Nas curvas da vida, entre devagar…”

Se não quisermos atropelar ou ser atropelados.

Que aproveitemos a paisagem e as companhias.

Boa viagem!

Alda M S Santos

Lobotomia 

LOBOTOMIA

“Por que a gente fica velha e lembra só de coisas que machucam o peito da gente?” -Perguntou-me uma idosa, lágrimas a escorrer no rosto enrugado, olhos cheios de histórias! 

Pessoas jovens também, querida! Precisamos levar a mente a pensar nas coisas boas que todos temos, respondi. 

“Mas até coisas boas ferem o coração, porque não existem mais”. 

Sei que não é fácil, mas a mente é flexível, precisamos levá-la para bons lugares. Curtir a saudade boa. Interagir com as companheiras, participar mais, digo.

“Quero não, perdi o gosto, estou aqui esperando pra morrer e sozinha. Queria fazer aquela operação que apaga o cérebro da gente, como chama mesmo”.?

Lobotomia?

“Essa mesmo! Aí a gente não sofre, apaga o que dói!”

Eu a abracei e brinquei: gosta de abraço? Não gosta de cantar? Vamos cantar? Se fizer lobotomia irá esquecer os abraços, as músicas! 

Ela riu e disse: “vou tentar lembrar do que é bom! Quando você volta? 

Quantos de nós não temos vontade de “apagar” em nós o que nos machuca?

O risco é apagar o que há de bom também!  

Melhor mesmo é conviver com nossas dores, nossos amores, nossas amizades, nossos atropelos.

E tentar produzir mais sorrisos que lágrimas, equilibrando a balança. 

Alda M S Santos

Somos responsáveis

SOMOS RESPONSÁVEIS!
Tinha um homem no meio do caminho
Não um caminho especial,
Ou bonito, arborizado, gramado ou fresquinho
Piso de cimento quente, sob o sol, atrás de veículos,
À vista de todos
Sem ser realmente visto por ninguém!
Não era um ser humano, um alguém
Era um homem qualquer
Jogado num caminho qualquer,
Abandonado por outros seres humanos(?) quaisquer,
Somos responsáveis!
Alda M S Santos

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