QUE NÃO DOA TANTO SER GENTE

Algo errado, muito errado, desumano

Que acaba por acionar angústias e tristezas represadas em nós

Nossas comportas também se rompem

Sensação de não pertencimento a esse lugar

Desvalorização da vida, dos sentimentos, das conquistas

Vidas hierarquizadas, sem critério algum

Saudades de outros tempos, de outras pessoas

De uma época em que sabíamos valer algo

Talvez nem valêssemos, mas não percebíamos assim

A ignorância dos fatos é, muitas vezes, uma bênção

Pessoas lançadas umas contra as outras

Por questões políticas, religiosas, sociais, financeiras

Não se sabe mais ao certo o que é importante

Uma barragem se rompe lá e estoura algo aqui dentro da gente

Saudades…

Saudades de um tempo bom

Em que não éramos apenas números

Uma imagem embaçada na memória, um retrato na estante

Ou do que éramos noutro tempo

Quando não matávamos tudo, até sentimentos

Esse tempo existiu mesmo?

Quero um mundo novo, mais humano

Quero um lugar novo, onde não doa tanto ser gente

Quero ir embora daqui

Quero reencontrar a esperança e a capacidade de sonhar

E afastar o pesadelo da realidade…

Alda M S Santos