A IMINÊNCIA DA PERDA

É na iminência da perda

Que enxergamos o que possuímos

É na possibilidade do fim

Seja ele do que ou de quem for

Que encontramos a humildade

É na incapacidade de lidar com a falta

Que a fartura ou presença se impõem, se valorizam

É na imaginação da destruição ou inexistência do habitual

Que percebemos que não somos indestrutíveis, que não somos infinitos

Aquela mania de notar apenas a parte vazia

Desaparece mediante o esvaziamento da parte cheia

A consciência de nossa finitude, paradoxalmente

É que nos torna capazes de nos eternizar…

Alda M S Santos