FOI ASSIM…

Eu tinha tanto medo que sequer me mexia

O peito gritava em silêncio

As lágrimas escorriam ininterruptas

Tinha cuidado para elas não fazerem barulho

E chamar a atenção daquele que me prendeu ali

Recolhi-me em mim mesma e rezei

Pedi a Deus para me tirar dali bem rápido

Pois a ansiedade me consumia, apavorava

Se possível que me levasse para minha vida de antes

Ou logo para perto Dele, se merecesse

Não tinha medo de morrer

Tinha medo de deixar sozinhos aqueles que amava

Que sofreriam com minha ausência

Minha cabeça sangrava, meu corpo doía apertado ali

Com hematomas e violência sofrida

Minha mente tentava manter-se alerta a qualquer barulho

Meu coração parecia a ponto de explodir,

Minha alma morria aos poucos por dentro

E o carro sacolejava…

Perdi a consciência e acordei com o porta-malas sendo aberto

Fui retirada dali vestida de nuvem, flutuando

Levada pelas mãos por aquele que me sequestrou, também vestido de nuvem

Anjo, tornado demônio, anjo de novo “Fui convocado para te buscar” – ele justificou sorrindo em resposta ao meu olhar questionador

Num espaço paradisíaco e inimaginável

Vi todos aqueles que amei me esperando “Só faltava você”! E vieram flutuando me abraçar…

Chorei, sorri, morri, vivi…

Foi assim…

Alda M S Santos