PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos