ERA UM LAR

“Uma casa não se assenta sobre a terra, mas se assenta sobre a mulher”- provérbio mexicano.

Até há bem pouco tempo foi um lar alegre, colorido, apaixonado

Pareciam uma família italiana

Grande, diversa, barulhenta, vibrante, animada

Amorosa, com brigas, atritos, silêncios e reconciliações

Firmadas numa base forte: a mulher, a mãe, a matriarca

Agora ela se foi, não teve escolha, foi levada

E o lar virou apenas uma casa

Cheia de paredes que não abafam os gritos constantes

Tijolos e concreto que evidenciam a dureza dos corações

Cores que não combinam e estão tão desbotadas quanto o desamor em escala cinzenta

Teto que não mais abriga as almas solitárias

Tristeza molhada que causou a queda das vigas de sustentação

Já foi todo tipo de comércio, descaracterizou-se

E de seus habitantes só se ouve berros raivosos

Os silêncios são conflitantes, tortuosos

Reconciliações? Ficaram perdidas entre as paredes derrubadas do lar

E misturadas aos destroços dos corações…

Uma casa linda, mas que não abriga corações!

Uma casa, bonita ou feia, grande ou pequena, para ser um lar precisa de um Morador Especial

E ouso completar o provérbio mexicano:

Um lar se assenta num tripé: uma mulher feliz, com Deus no coração, e uma família amorosa!

E fica a questão: que será de nossos lares quando formos embora?

Ou mesmo quando parecemos apenas sombra dentro dele?

Qual a base, a liga que une seus membros, a harmonia de sustentação?

A reconstrução de uma casa qualquer empreiteiro pode fazer

A reconstrução de um lar exige especialização

Em amor, respeito e doação !

Alda M S Santos