DIANTE DO ESPELHO

Diante do espelho eis a questão:

Quem é essa que me retribui o olhar?

Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?

Dos cílios negros, do piscar intermitente?

Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?

O que vê? O que quer? Do que precisa?

Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.

Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.

Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos

Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.

Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,

Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos

Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,

Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.

Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.

Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!

Hora de voltar!

Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…

Lubrificaram o caminho difícil.

 Encaram-se. Sorriem.

Não foi difícil encontrar o caminho de volta.

Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.

Apesar de tudo, são vitoriosas.

Lembram de um verso que leram:

  “Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)

Ou trazer de volta. 

Alda M S Santos