LOBOTOMIA

“Por que a gente fica velha e lembra só de coisas que machucam o peito da gente?” -Perguntou-me uma idosa, lágrimas a escorrer no rosto enrugado, olhos cheios de histórias! 

Pessoas jovens também, querida! Precisamos levar a mente a pensar nas coisas boas que todos temos, respondi. 

“Mas até coisas boas ferem o coração, porque não existem mais”. 

Sei que não é fácil, mas a mente é flexível, precisamos levá-la para bons lugares. Curtir a saudade boa. Interagir com as companheiras, participar mais, digo.

“Quero não, perdi o gosto, estou aqui esperando pra morrer e sozinha. Queria fazer aquela operação que apaga o cérebro da gente, como chama mesmo”.?

Lobotomia?

“Essa mesmo! Aí a gente não sofre, apaga o que dói!”

Eu a abracei e brinquei: gosta de abraço? Não gosta de cantar? Vamos cantar? Se fizer lobotomia irá esquecer os abraços, as músicas! 

Ela riu e disse: “vou tentar lembrar do que é bom! Quando você volta? 

Quantos de nós não temos vontade de “apagar” em nós o que nos machuca?

O risco é apagar o que há de bom também!  

Melhor mesmo é conviver com nossas dores, nossos amores, nossas amizades, nossos atropelos.

E tentar produzir mais sorrisos que lágrimas, equilibrando a balança. 

Alda M S Santos