SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE
Um garotinho chorava e andava atrás da mãe apressada no supermercado.
Pequeno, uns dois anos, no máximo. Passos ainda inseguros.
Uma menininha, pouco mais velha, aguardando o pai que estava na fila do açougue, onde eu me encontrava, cutucou o pai, apontou para a criança. O pai não notou. Fiquei observando. Adoro ver as atitudes infantis.
Olhou para o pai e saiu devagarzinho, sempre olhando para trás para conferir se o pai não iria impedir seu afastamento.
Chegou perto do garoto que chorava, fez-lhe um carinho limpando as lágrimas e o abraçou.
Não ouvi o que dizia. A menininha falou algo e estendeu o bichinho de pelúcia que carregava.
O garotinho o segurou, deu aquela suspirada funda e parou de chorar. A menininha voltou saltitante para perto do pai.
Pouco depois, vem a mãe com o garotinho no colo e fala para o pai: “acho que é da sua filha”!
A menininha mais do que depressa: “é porque ele estava triste”!
Todos ao redor se emudeceram! Sorrisos amarelos, até meio envergonhados.
Será que pensaram no quanto também precisavam de um ursinho de pelúcia?
Quem sabe refletiram em quantas vezes poderiam ter feito o mesmo por alguém?
Cá entre nós, quantos ursinhos de pelúcia mantemos guardadinhos dentro de nós?
Vale lembrar que carinhos foram feitos para circular.
Guardados perdem o efeito!
Amo “ursinhos de pelúcia”!
Dar ou receber.
Alda M S Santos