ESPELHOS

De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.

Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”. 

Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.

Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.

O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.   

Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber. 

Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.

Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem. 

Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha. 

Eles são importantes, mas não são agradáveis.

Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.

Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.

Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”

O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.

E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.

Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”

Alda M S Santos