FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos