APAGANDO…

A estrada é longa, forte neblina, quase nada se vê

Caminha, caminha, tenta, mas não alcança

A imagem, antes tão nítida, começa a se apagar. 

Anda mais rápido, chama, estende a mão, a voz não sai

Lágrimas escorrem ininterruptas…

Não mais distingue a imagem, apenas sente

Sente que algo se vai, que a deixa para trás

Que é preciso andar, sempre, em frente 

Quanto mais tenta se aproximar, mais se sente apagada 

Alguns ventos afastam a neblina, uma imagem embaçada aparece, sorri

Sabe que foi importante, sente o peito se apertar

Não mais reconhece o dono daquele sorriso

Mas seu olhar amoroso aquece seu peito 

Pisa numa poça d’água, para, olha para si mesma

Quase não se reconhece…

Muitos e muitos anos se passaram

Que imagem é aquela que ela persegue?

Que foi tão importante, tão recheada de saudades? 

Cansa, para, ele acena…

Novo sorriso, retribui, se entendem

Sem se reconhecerem. 

Coisa de almas. 

Volta da viagem, acorda

O peito apertado e dolorido.

Quem irá embora?

Alda M S Santos