CORAGEM

Sabe aquela história de que “desistir foi meu maior ato de coragem”? 

Pode parecer balela, desculpa esfarrapada, coisa de covardes, mas não é.

Muitas desistências são, sim, falta de vontade, de coragem ou persistência. 

Porém, quase toda desistência de algo implica que outra opção foi feita. Por n motivos.

Pode ser que o abrir mão de algo, aparentemente precioso, tenha ocorrido para benefício próprio, para proteger algo ou alguém amado, para o bem familiar ou coletivo…

Quer seja uma escolha profissional, pessoal, familiar, amorosa, não importa. 

Ao escolhermos trilhar o caminho A, sabemos que abrimos mão dos caminhos B e C. Ainda que eles permaneçam em nossas memórias por tempo indeterminado. 

Algumas bifurcações são muito estreitas e de decisão sofrida. 

Tantas vezes são escolhas difíceis, quase sempre dolorosas. 

Como temos apenas vaga ideia do porvir, decidimos com base no hoje, e só o tempo dirá se foi o caminho mais acertado.

Alguns caminhos não têm volta, mas de muitos deles é possível retornar e recomeçar, se se perceber que não foi a escolha mais acertada. 

Afinal, nossa vida não vem com GPS. E mesmo que viesse, poderíamos ser direcionados para caminhos errados.

Quando ouvirmos alguém dizer “desistir foi meu maior ato de coragem”, “abri mão por amor”, “optei em prol de alguém”, é melhor acreditar e se solidarizar. 

Ninguém está a salvo desse ato de coragem!

Alda M S Santos