ALHEIOS

Anoitece, chuva fina

À beira-mar eles caminham, sozinhos…

Juntos, mas sozinhos

Alheios a tudo à sua volta

Sequer percebem a chuva que gruda suas roupas ao corpo.

Param, olham-se, choram…

A expressão de dor os denuncia

Reencontro, despedida? 

Dão-se as mãos, o olhar atravessa o outro.

Abraçam-se, grudam-se, giram por muito tempo

As lágrimas cedem lugar aos sorrisos

Beijam-se…

Não só os lábios, atingem as almas.

Percebem a chuva, olham para o alto

Abrem os braços, gargalham.

Deitam-se na areia, lado a lado

Recebem toda a chuva que cai forte em homenagem a eles.

Ela lava qualquer mal entendido

E o tempo perdido

Abraçam-se e deixam-se ficar ali, mãos dadas.

Viram-se um para o outro, 

Reencontro…

Alda M S Santos