VÁLVULAS DE ESCAPE

Há dias em que tudo parece estar fora do lugar. Nada parece se encaixar! Por que fui levantar hoje, nos perguntamos?

Acordamos atrasados, ou tomamos banho ou café, saímos na correria.

Nossa receptividade para o dia já fica comprometida: perdemos o ônibus, pegamos trânsito excessivo, não percebemos o sorriso sincero do amigo, não oferecemos ao outro nosso “bom dia” de sempre. E, atentos ao negativo, até esquecemos das orações costumeiras, comprometemos tudo que poderia acontecer de bom ao longo do dia.

Acabamos explodindo com alguém por algo aparentemente simples. A verdade é que aquele fato foi apenas a gota d’água. Estávamos cheios até a tampa. Nossa mente é seletiva e sábia. E tenta colocar pra fora o que não faz bem.

Quando vamos acumulando angústias, tristezas, preocupações, engolindo lágrimas e palavras, escondendo sentimentos, deixando tudo pra depois, sem um filtro, enchemos nossa mente de lixo emocional.

Para não entrar em pane, para não explodirmos, precisamos de válvulas de escape. Aquelas que vão liberando a tensão aos poucos. Como a válvula de uma panela de pressão. Sem ela a panela explode e causa muitos danos.

As válvulas são variadas. Cada um de nós tem a sua, ou tem várias, dependendo do tipo de tensão a ser liberada: física, emocional, sexual…

Pode ser uma leitura prazerosa, um bate-papo com amigos, uma atividade física, um bom filme, uma caminhada num parque, ouvir música no “talo”, futebol, namorar, cozinhar, brincar com amimais, cuidar de plantas, observar o por do sol, chorar até ficar de olhos inchados…

Não importa qual seja nossa válvula. Só não podemos abrir mão dela.

Uma panela que explode causa danos ao ambiente. Uma pessoa que explode pode destruir outras pessoas!

Alda M S Santos