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Felizmente?

FELIZMENTE?

Nos constantes vai-e-vens da vida

Parece que mal superamos uma partida súbita

Ou nos adaptamos a uma chegada inesperada

E as malas já estão prontas novamente…

Choramos ou sorrimos, ou ambos simultaneamente

Nos despedimos…

Minha avó sempre deixa uma mala pronta

“Para o caso de precisar partir”

Uma maneira de não ser pega desprevenida

São tantas as partidas e as chegadas

De pessoas, de desejos, de sentimentos, de expectativas ou esperanças

Que já deveríamos estar acostumados…

Nem tudo que vai, volta

Mas sempre algo está indo, algo está chegando

É nessa rotatividade que a vida se desfaz e se refaz

Felizmente?

Alda M S Santos

Não sai de moda

NÃO SAI DE MODA

Os jovens se divertem com os coroas que ainda “tiram retrato”

Que ficam gamadas por aquele pão

Que pegam um carango legal

Ou que levam aquele brotinho para a discoteca

Que balançam o esqueleto com a patota

Que não se encrespam com uma pinoia qualquer

Os jovens de hoje não fazem ginástica nem paqueram

Mas entendem de selfies, fotos, academias

Minas, novinhas, carrões e baladas

Pegam crush por alguém e ficam

Gostam mesmo é de causar

Mas bugado, lesado ou viajando

Qualquer boy, broto legal, parça ou véy, precisa tá ligado

Amor, respeito, honestidade e gentileza

Independente do vocábulo que se use

Arcaico ou moderno, ultrapassado, quadrado ou atual

Nunca saem de moda

É uma brasa, mora?

Pode crer, cê vai pirar, vai divar…

Tá ligado? Sacou?

Morô, bicho?

Alda M S Santos

Há esperança

HÁ ESPERANÇA

Há esperança, ah, esperança…

Aquela que vai, voa, se perde, volta

Flutua e pousa insegura em sua mão

Ah, esperança…

De asas leves, voo verdejante

Machucada, temerosa, insistente

Repousa em sua alma, batendo asas no ritmo de seu coração

Há esperança!

Voa na brisa suave, deixa-se levar nos vendavais

Ou apenas se recolhe num canto…

Espera, paciente, que alguém nela espere

Como toda esperança será a última a morrer

Ah, esperança…

Há esperança?

Alda M S Santos

Meu país tem jeito!

MEU PAÍS TEM JEITO!

Meu país tem muitas pessoas carentes, sofridas, na miséria, mesmo

De todas as idades e gênero

Muita desigualdade, é verdade!

Mas meu país tem também pessoas maravilhosas, caridosas

Meu país tem pessoas que trabalham muito,

Por si e pelos outros

Que acreditam que quem faz um mundo melhor

Inclusive o próprio país

São aqueles que o habitam e nele acreditam

Um pouquinho de cada um pode nos salvar

Meu país, como os demais, não tem só problemas

O Brasil tem muitas pessoas que nele investem

Que se preocupam com algo além de seus próprios umbigos

Olhar nessa perspectiva nos faz lutar e acreditar

Que nosso país tem jeito, sim!

Alda M S Santos

#carinhologos

Reservado

RESERVADO

Num mundo que se assemelha a um gigante estacionamento

Onde há vagas demarcadas, ou não

Mas não temos lugar reservado, personalizado

E nem sempre há vagas ou espaço para todos

Gostamos mesmo é de estacionar nossos corações no mesmo lugar

Naquele espacinho onde nos cabe direitinho

Onde o sol aquece, mas não queima

Onde o silêncio aconchega e acalenta

Onde há sombra de uma boa cobertura sem esfriar

Onde estamos protegidos de tempestades e granizos

Onde não há qualquer dificuldade de manobras, sem medos

Onde nos encaixamos de olhos fechados sem erros

Com a certeza e prazer de ter chegado em casa…

Encontrar ocupada essa “vaga” não reservada, mas sempre utilizada

Com cones de proteção ou placas de estacionamento proibido

Ou sequer desconfiar que ela não esteja mais disponível para nós

É, no mínimo, angustiante…

Desejo de colocar uma placa de uso cativo com letras garrafais nas vagas que “ocupo”

RESERVADO!

Sujeito a reboque!

Alda M S Santos

Deixe-se levar

DEIXE-SE LEVAR

Deixe-se balançar ao sabor do vento que sopra forte

Ora para um lado, ora para o outro

Deixe-se encharcar pelas águas que inundam

Ora as doces do céu, ora as salgadas do oceano

Deixe-se emocionar pelos sentimentos dentro de si

Não resistir, não fincar pé, não engolir choro gera resiliência

A capacidade de envergar, mas não quebrar, nos fortalece

Quanto maior a capacidade de se flexibilizar

De mover-se ao sabor do que é maior, mais forte do que nós

Mais engrossamos nosso tronco, nossas raízes, nossa essência

Preservamos o que é importante…

As grandes árvores balançam ao sabor das ventanias

E suas raizes são cada vez mais profundas

Seu equilíbrio entre flexibilidade e rigidez é que garante sua sobrevivência…

Alda M S Santos

Copas&cabanas

COPAS&CABANAS

Um dos hotéis mais luxuosos e dispendiosos da cidade

Cobiçado por muitos, conquistado por poucos

Ali circulam riqueza e nobreza nacionais e internacionais

Reis, rainhas, grandes damas e personalidades, a nata social

Uma diária equivale a valor superior ao salário de um mês de grande parte da população

Contraste social: grandes e pequenos

Luxo e desperdício, falta , fartura e carência

Reis, damas e valetes de copas dentro, fora e no entorno

Reis e valetes em seus palácios e cabanas na Praia de Copacabana

Reis, valetes e a grande plebe de palácios, copas e cabanas

Numa enervante desigualdade social…

Alda M S Santos

Dia dos professores

DIA DOS PROFESSORES

Ser professor é um desafio dos mais gratificantes

É plantar sementes em terreno macio e fértil

É também preparar terrenos mais resistentes

E contar que serão cuidados e irão florir

É perceber que a cada semente plantada e cuidada

Ela brota também dentro da gente

Cada dia mais linda…

Amo ser professora!

Alda M S Santos

Fascinação

FASCINAÇÃO

Sou fascinada pelas alturas: árvores, montanhas, serras, picos

Com sol, chuva, calor ou frio, seja qual for o tempo

Sou atraída para a escalada…

Adoro subir, alçar voo, estar no cume

Mas a verdade verdadeira é que tenho muito medo de altura

Porém, o encanto e desejo de superação são maiores

E chegar lá em cima, ter a maravilhosa visão do alto

A quase sempre refrescante brisa ou ventania bagunceira

O olhar “de fora” para o mundo lá embaixo

Nos conecta mais rápido e facilmente com nosso mundo interior

O afastamento físico dos outros nos faz mais próximos de nós mesmos

Nos faz ver mais facilmente o que nos incomoda, alegra ou machuca

O que vale a pena conservar, valorizar e o que precisa mudar

Tudo passa a ser visto sob nova perspectiva

Entendemos o quanto tudo pode ser minimizado ou maximizado dentro de nós

Diante da grandiosidade do que vislumbramos nesse distanciamento e vemos de lá…

Alda M S Santos

Pura sedução

PURA SEDUÇÃO

Ele vai, ele vem

Infinitamente, lindamente

Ora mais calmo, ora mais revolto

Leva o que encontra na areia da praia

O que em suas águas salgadas se dilui

Ou que serve de alimento a quem faz de suas águas seu habitat

Por lá se mistura, fica, se esvai …

O que faz mal ou é inútil ele devolve

Não quer para si…

Mar que recebe, atrai, absorve nosso olhar

Seduz-nos com seu encanto molhado, com seu canto ritmado

Olhar que grita silêncios que mais ninguém ouve

Silêncios que mais ninguém entende

Nossos pensamentos, nossos sentimentos ele escuta

Faz com eles uma bela sinfonia marítima

Por vezes transforma-os numa intensa e constante maresia

Noutras numa grande ressaca viciante

Mas ninguém passa incólume pelo mar…

Difícil é resistir ao desejo de ali ficar…

Pura sedução!

Alda M S Santos

Sempre mais divertido

SEMPRE MAIS DIVERTIDO

Há coisas que nunca mudam

Crianças são sempre crianças

De ontem, de hoje, de amanhã

Em todo e qualquer lugar…

Na praia querem fazer castelo de areia

Querem construir piscininhas de água do mar

Querem fazer barreiras de contenção

Sem necessidade de qualquer sofisticação

Outra criança que chega logo é um amiguinho

Usam brinquedos plásticos tanto quanto embalagens descartáveis

Ou somente as mãozinhas e a imaginação

E logo, logo um castelo está formado

Uma piscina para se divertir,

Uma barreira de contenção para se proteger

Para cedo ou tarde ser derrubada

Pelas águas nervosas do mar…

Crianças sabem sem precisar ensinar, sem grandes explicações

Que ter amigos para brincar é sempre mais divertido

Mostram-nos que de nada vale ter com o que brincar

Se não tiver com quem brincar…

Porque quando as águas da vida derrubam nossas barreiras de contenção

Destroem nossos castelos de areia

E nos deixam afogar em nossas “piscininhas” salgadas

São os amigos que nos ajudam a reconstruí-los, a sobreviver…

Alda M S Santos

A primeira vez

A PRIMEIRA VEZ

Minha primeira vez foi aos 21 anos num único fim de semana

Apaixonei-me perdida e irremediavelmente

Será que meu olhar foi assim tão belo

De prazer, êxtase, encanto, espanto, admiração?

Dois anos mais tarde eu o apresentei ao meu marido na lua de mel

Extasiante!

Seis anos depois foi a vez dos nossos filhos conhecê-lo

Mistura de expectativa, satisfação, aventura e um leve medo

Diante de tão extensa maravilha…

E muitas outras vezes vieram, muitas alegrias nele vividas…

Agora eu o apresento ao meu pai e me pergunto:

Como pôde ter se negado esse prazer até os 75 anos de vida?

Água, areia, sal, força, tudo impressionando…

Mas nunca é tarde para aqui chegar

Para conhecer o mar, esse oceano de lindas possibilidades …

Oh mar! Saudades de você!

Como na primeira vez, cá estou eu novamente

A paixão cresceu, amadureceu e se transformou num amor eterno…

Alda M S Santos

Amor infinito

AMOR INFINITO

Do alto tudo parece mais claro, mais nítido

Que será que Ele vê daqui todo o tempo?

Riqueza e miséria, fartura e carência, falta e desperdício

Violência e delicadezas, amor e ódio

Um povo sofrido e lutador

Uma nação maltratada por alguns

A fé e coragem para prosseguir de muitos

Uma parte desanimada quase jogando a toalha

Aqueles que resistem e insistem no bem

Os que estão iludidos por alguém

Uma batalha sem fim para alcançar as alturas

Que Ele vê?

Daqui tento em minha pequenez

Enxergar com “Seu” olhar

E vejo Seus braços abertos em cruz

Na maravilha simbólica do Cristo Redentor

Vejo amor grandioso e esperança

Ele nos vê e nos ampara de toda parte

Reflito comigo na Sua bondade de pai

O que eu vi não é nem um milésimo do que Ele sente por nós…

Há esperança!

Que possamos sentir sua Luz, seu Amor, sua Proteção…

Alda M S Santos

Adulto-criança

ADULTO-CRIANÇA

Ser criança é gostar de ouvir a mesma história inúmeras vezes

É repeti-la com as mesmas palavras, no mesmo tom

É se encantar com cada sonho bom

Fadas, princesas, príncipes, bruxas e reinados

É o bem sempre vencer, o amor prevalecer…

Ser adulto é querer também reviver histórias, recontá-las

Mas descobrir que é necessário também apagar algumas delas

Ou deixá-las guardadinhas em nossas estantes interiores

Saber que príncipes e princesas são as pessoas reais

Não num reinado, mas na vida recheada de realidades

Ser um adulto/criança é fazer de nossa realidade um sonho bom

E de nossos sonhos uma esperança…

E quando a pressão for demais buscar uma história bonita em nossos arquivos e reviver

Como as crianças: “de novo”!

Fazer do nosso um reino sempre encantado!

Desejos de uma vida de realidades sonhadas e repetidas a todas as almas crianças do mundo…

Alda M S Santos

A luz que me rodeia

A LUZ QUE ME RODEIA

Tento capturar a luz que me rodeia

Trazer esse brilho que irradia para mais perto

Iluminar recônditos secretos dentro de mim

Torná-los mais claros para minha aceitação e compreensão

E, mais iluminada, poder compreender melhor os demais seres

Quero usar esse facho de luz para ofuscar o que machuca

Esse calor para aquecer o que está frio, em espera

Para cauterizar o que ainda sangra

A luz que somos só é válida se o calor que traz consigo

For capaz de iluminar e aquecer a nós

E a todos no nosso entorno…

Luz e calor que recebemos, que propagamos, que partilhamos

É luz e calor que não se acaba…

Alda M S Santos

Aqua(Rio)

AQUA(RIO)

Quando pensamos que toda essa beleza que é uma região de praia

Grande extensão de areia para caminhadas à beira-mar…

Originaram-se de algo que se desfez

Da ação de ventos e chuvas sobre as rochas

Que foram se desprendendo em inúmeros pedacinhos

E, com o tempo, aos poucos, desgastes sucessivos

Acrescentando fragmentos de conchas e carapaças de animais

Juntaram-se até formar aquela areia fofinha…

Aquela imensidão que é o oceano que a gente vê

E toda a vida que existe ali embaixo que a gente não vê

Que desconhecemos e nem sempre respeitamos…

É a natureza nos ensinando que tudo se transforma

Que o que pode nos parecer ser o fim, perda irreparável

É apenas uma transformação

O início de algo maravilhoso e ímpar

Que não existiria sem as “perdas” sofridas

Que tantas vezes só lamentamos…

Alda M S Santos

#aquario

Alda M S Santos

Medo? Que nada!

MEDO? QUE NADA!

Um pouco ansioso como em toda primeira vez

Afinal, isso é um “trem que voa” invenção de um mineiro

Boa expectativa, um voo curto de uma hora

Medos e receios do meu pai são vencidos

No alto, da janela passa a observar a pequenez do que fica pra trás

Admirado com as várias camadas de nuvens

Com o nublado lá de baixo

E o sol claro e céu limpo cá de cima

Quanto maior a altitude mais claro tudo se torna

Umas pequenas áreas de instabilidade

Sorriso de menino, “parece até que estamos no chão”

Nem o incômodo nos ouvidos ele sente

E papai abre aquele sorrisão satisfeito

Pousamos no aeroporto cujo nome homenageia o criador dessa grande invenção:

Santos Dumont

Voar é maravilhoso!

Alda M S Santos

Alma sedenta

ALMA SEDENTA

Basta um mínimo de água

Pode ser num copo, numa torneira

Em ondas revoltas do mar, contornando pedras numa cachoeira

Num pequeno riacho, caindo do céu ou escorrendo dos olhos

Para matar a sede, a saudade de um lugar

Para se refrescar, fazer uma tempestade ou se afogar …

A quantidade necessária a cada um

Ou o uso que dela se faz é individual

Pode ser apenas enxugando os olhos molhados

Refrescando os pés descalços, relaxados

Abrindo os braços para se encharcar

Mergulhando fundo até não mais voltar

Ou até obter abastecimento satisfatório da alma sedenta…

Alda M S Santos

Sempre comigo

SEMPRE COMIGO

Vontade de te falar sobre todas as coisas que se passam comigo

Dividir contigo meus medos, minhas angústias

Saudade de te contar minhas vitórias, as boas caminhadas

Partilhar aqueles tropeções, machucados, feridas abertas

Sinto falta de ouvir seus conselhos calados

Ou que vêm pelas palavras ou ações dos outros

Quero contar como tenho vivido, o que tem acontecido comigo e com os meus

Sinto falta da sua presença!

Fecho os olhos, de joelhos, faço uma oração

Recordo-me que assim te trago para dentro de mim

E, novamente, te noto perto, sinto sua presença

E te conto tudo…

Lembro-me que a necessidade de contar é minha

Você já sabe tudo de mim, melhor do que eu, mas me ouve

Conhece tudo, tudo, minhas capacidades e limitações

Erros e acertos, e me ampara…

Apenas agradeço e faço um único pedido:

Meu Deus, esteja sempre comigo!

Alda M S Santos

Rosa por dentro e por fora

ROSA POR DENTRO E POR FORA

Estamos de rosa, por fora e por dentro

Delicadeza e firmeza que bem interagem

Estamos de rosa, por fora e por dentro

Ternura, carinho e força numa só imagem

Estamos de rosa, por fora e por dentro

Alertando para o cuidado da saúde feminina, sem rodeios

Estamos de rosa, por fora e por dentro

Abordando a necessidade de tocar os seios, sem receios

Estamos de rosa por fora e por dentro

Para sensibilizar a todos da necessidade de cuidar das mulheres queridas de suas vidas

Estamos de rosa, por fora e por dentro

Acreditando que o amor atento e cuidadoso vence todas as partidas

Estamos de rosa por fora e por dentro

Rosa bebê, rosa pink , rosa choque, nesse outubro rosa

Para nunca esquecermos: câncer de mama mata, mas tem cura!

Previna-se!

Quando você fez sua última mamografia?

Esse é nosso alerta, essa é nossa prosa

Em rosa…e em todas as cores do arco-íris…

Alda M S Santos

#outubrorosa

Um galho a mais

UM GALHO A MAIS

Para uns sou a base, o cais, o alicerce, a raiz

Sou segurança…

Para outros sou a flor, delicadeza, leveza, perfume

Sou encanto…

Às vezes sou o tronco forte, o galho que sustenta a gangorra

Sou diversão…

Noutras sou as folhas que caem ao sabor do vento e da maturação

Sou renovação…

Algumas vezes sou o fruto suculento, polpudo e saboroso

Sou combustível, alimento…

Posso ser também apenas um galho a mais a balançar na ventania

Sou esperança…

Tudo depende de quem me vê, de como se vê

De suas carências, do que precisa para viver…

Parte do que os outros são ou nos parecem ser

É apenas reflexo daquilo que somos e precisamos…

Sinto-me apenas um galho a mais, ora forte, ora frágil

Mas importante para a vida da minha pequena árvore

Nessa grande floresta da existência…

Alda M S Santos

Redoma de vidro

REDOMA DE VIDRO

Não podemos colocá-los numa redoma de vidro, isolando-os do exterior

Não podemos embalá-los à vácuo, engaiolá-los

Não podemos fechá-los numa bolha, protegendo-os

Tampouco podemos voar por eles

Ou tapar todos os buracos e retirar as pedras do caminho

Mas podemos plantar flores perfumadas em canteiros centrais

Cultivar árvores frondosas para dar sombra à caminhada

Para que façam seus ninhos, repousem

Podemos falar sobre trilhas que não levam a lugar nenhum

Podemos alertar sobre os becos sem saída

Sobre voos em áreas turbulentas

Podemos prevenir sobre os “encantos” e estratégias dos inimigos do bem

Aqueles que devagarzinho invadem nossas contas,

Presencialmente ou virtualmente,

Bancárias, físicas, mentais, emocionais, psicológicas

E nos deixam no vermelho com dívidas a pagar

Sem asas para voar…

Não podemos viver pelos outros, nem por quem amamos

Mas àqueles que nos foram confiados

Devemos proteção e cuidado, somos responsáveis!

Alda M S Santos

Brasil nas costas e no coração

BRASIL NAS COSTAS E NO CORAÇÃO

Mulheres, idosos, deficientes, pobres ou ricos

Sem exceção, todos a caminho de uma seção eleitoral

Carregando o Brasil nas costas, no coração

Mais que um dever, um direito

Conquistado ao longo de décadas de lutas, ditadura e privilégios

Prevalece no Brasil o voto direto como direito público, subjetivo e secreto

Atualmente todos, todos mesmo, não só podem como devem votar

E, numa universal, recorde e histórica decepção,

Cidadãos do Brasil hoje vão às urnas para renovar o Congresso Nacional

Escolher membros do legislativo e executivo

Tentar mudar a cara da política vergonhosa de uma nação

O brasileiro não está votando em alguém, está “desvotando”

O índice de rejeição aos candidatos está maior que qualquer aprovação

O eleitor vai às urnas para impedir que alguém continue

Ou que um candidato indesejado entre

Está votando não a favor de alguém, mas contra o outro

Bom lembrar que pior que ter políticos que não nos representem

É não poder votar, ter esse direito subtraído, negado

Por pior que esteja, ter o direito de escolher quem melhor nos aprouver

É prerrogativa básica de toda democracia que se preze

E, nessa hora, em nosso terceiro mundo

Todos os votos têm o mesmo peso, nada os diferencia, ainda…

Cada direito traz consigo uma responsabilidade

Portanto, cada qual aja de acordo com sua consciência

Levando o Brasil nas costas e no coração

E que Deus nos ajude…

Alda M S Santos

Dia do idoso

DIA DO IDOSO

“Que você gostaria de ganhar de presente no Natal?”

“O que eu poderia pedir é uma coisa que já tenho: o amor que você(s) me dá(dão)…”

“Tudo bem! Esse você já tem e é de graça! Agora escolha algo que o dinheiro compre!”

E assim passamos uma tarde de carinho e amor com eles…

Não precisam mesmo de muito!

Os sonhos ali são muito menos materiais que emocionais

Precisam muito de atenção, uma conversa, um cuidado

Um toque de amor, um sorriso de gentileza, uma palavra doce

Precisam de gente que se importe com eles

Que cante, reze ou dance em seu ritmo

Até mesmo que silencie segurando sua mão…

Querem pessoas que sorriam junto, que ouçam suas lamúrias

Entendam e aceitem sua resistência ao banho

Sua memória falha, seu desejo de falar do passado

Que respeitem suas repetições e os excessos que os tornam mais belos

Eles são assim nos asilos, nos hospitais, nas praças ou em qualquer lugar

São idosos que, mais que qualquer um,

Precisam encontrar o amor de Deus, ainda que numa bronca ou cobrança

Refletido num irmão que lhes estende a mão

O abraço, um laço, o alimento, um vestido ou um sapato!

Viva os idosos que a vida nos permite conviver

Em todos os dias do ano!

Alda M S Santos

#carinhologos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

Fases e faces

FASES E FACES
Fases, faces, brilho e sombra
Prerrogativas da Lua, das pessoas
Minguante, minguando, definhando em C invertido
Um ser recolhido perdendo luz, abraçando sombras, até ser Nova
Sombra total, escuridão, brilho oculto na outra face
Aquela escondida de todos, preservada, um ser em tempo de esperas
Sol, Lua, céu, pessoas…
Fases: construção do novo, maré, podas, plantação
Crescente, crescendo expectativas, alimentando esperancas, recebendo luz até ser Cheia, redondamente linda
Cheia de si, de brilho e orgulho, transparência
Sol, Lua, céu, pessoas…
Fases… dos seres vivos, dos amantes
Toda sombra esconde um brilho
Todo brilho esconde uma sombra
Fases, faces, brilho e sombra
Prerrogativa da Lua, das pessoas
Minguando, se escondendo, crescendo, aparecendo
Enquanto houver céu e sol
Dentro e fora de nós…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar, mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

Choques

CHOQUES

Vivemos nos equilibrando entre virtudes e defeitos

Que trazemos dentro de nós, que são inerentes a todo ser humano

Tentando fazer valer o que nos faz bem sem machucar ninguém

Lutando para deixar prevalecer o que nos faz crescer sem decrescer ninguém

Qualidades e defeitos de dentro em confronto com as de fora

Acionadas pelos convívios que travamos todo o tempo

Uns atiçando mais nossos defeitos

Outros despertando mais nossas virtudes

Tentando não queimar ou sofrer com os curto-circuitos

E sobreviver aos choques entre nosso céu interno que quer brilhar

E o inferno externo que quer se impor e ganhar

E vice-versa…

Buscando um fio terra que estabilize esse circuito de vida e morte…

Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

Por que rosa?

POR QUE ROSA?

Ele é rosa, o outubro é rosa

Todos os meses deveriam ser rosa

Rosa é coisa de mulherzinha, também de mulherão

Rosa é coisa de mulher, associado ao feminino, é força e fragilidade

Rosa cor, rosa flor, rosa amor, rosa de superação da dor

Somos rosa não apenas pela delicadeza

Somos rosa pela força que se agiganta quando preciso

Que brota do fundo, cresce e se alastra como roseiral

Somos jardim de rosas em luta pela saúde feminina

Rosa que conscientiza a fazer o autoexame dos seios

Rosa que nos leva a lutar pelo direito à saúde pública, a exames de imagem

Rosa que nos lembra da prevenção do câncer de mama

Rosa que nos faz guerreiras ao extirpar um tumor

Rosa que nos fortalece a encarar de peito aberto essa batalha pela vida

Rosa que nos leva a sensibilizar companheiros da importância do apoio familiar

Rosa que nos faz sentir sempre belas, queridas e desejadas

Rosas amadas, ainda que nos falte temporariamente uma parte bem feminina

Que tem o poder de alimentar outras pequenas vidas

Mas que nos lembra que somos femininas por muitas outras razões

Principalmente o amor, a bondade e a coragem

Nada chega ou se vai sem deixar algo importante

E o câncer de mama tem esse poder

Despertar a força adormecida em cada rosa desse lindo roseiral

O outubro é rosa, somos todas rosa

Somos rosas pela vida!

Cuidar desse jardim é responsabilidade de todos!

Alda M S Santos

#outubrorosa

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Alma livre

ALMA LIVRE

Ela é uma poetisa que hoje mora num lar de idosos

Extremamente educada, delicada e gentil

Idade já avançada, mente alerta, olhar “invasor“, observador

Como só os poetas de alma podem ser

Ela me olhava conversar com um idoso de longe sentada em sua cadeira

Apoiada no andador, o corpo não mais acompanha a agilidade da mente e dos sentimentos

Olhava por cima dos óculos todos os demais em roda

Interagindo com a música como podiam

Cantando, dançando, ouvindo, fazendo parte…

Cheguei até ela, fiz um carinho do qual fui correspondida

Perguntei pelos poemas, se ainda escrevia aquelas preciosidades que já declamou para nós outras vezes

“Ah, não! Não tenho mais cabeça e memória para isso, faltam palavras”

“Mas para escrever poemas não precisa memória, precisa sensibilidade e sentimentos que a senhora tem de sobra ”- retruquei

Ela deu um lindo sorriso, fez-me um carinho no rosto

“Que linda e gentil você é! Estava vendo como era atenciosa com aquele senhor.”

“Ele é uma ‘peça’, gosta de conversar. Falava das filhas”- completei

“Mas não são todos que têm paciência com ele! E seu blog, ainda escreve?”

Essa foi a pergunta de quem disse não ter a mente boa…

Falei sobre o blog pra ela há tempos…

Uma alma delicada de poeta naquele corpo frágil, num lar para idosos

Será que se sente presa ali, no próprio corpo, naquele lar, ou a alma é livre?

Não tive coragem de perguntar, mas acho que ela percebeu o que eu sentia/temia

Sorriu e me beijou o rosto, agradeceu a presença

Não tem como não pensarmos no nosso próprio futuro…

Cada Carinhólogo certamente se faz essa pergunta!

Alda M S Santos

#carinhologos

PRIMAVERANDO

PRIMAVERANDO

Doce expectativa, espera tranquila

Raízes que se desenvolvem e grudam no tronco da mangueira

Buscam ali os nutrientes que precisam para crescer

Sem causar danos, perfeita harmonia

Numa manhã, alguns botões surgem

Se abrem para a luz, para o calor do sol

Tal qual meu sorriso a saudá-las

Brancas, lilases, rosas, amarelas e mescladas

Passo a vigiar, parecem demorar mais

Noutra manhã, mais cores, perfume, ternura

Beleza pura e delicadeza que encantam

Que necessitam para ser tão belas assim?

Precisam antes terem sido plantadas no coração

No desejo de quem as ofereceu ou recebeu

No carinho de quem cuidou e por elas esperou

Precisam do tempo, do repouso, da paciência, da reclusão

Fases que a maioria não nota, sequer considera

Querem apenas a beleza da flor, que antes foi raiz, galhos, folhas

Quem curte apenas a orquídea em flor perde todo um processo de vida

Que germina, brota, cresce, luta pela sobrevivência

A flor é mesmo bela, digna de admiração e encanto

Mas quem acompanha todas as etapas do desabrochar, do primaverar

Sabe mesmo ser jardim!

Vale para jardins de flores ou de pessoas…

Alda M S Santos

Umbigo enterrado

UMBIGO ENTERRADO

Diz-se de um lugar que a gente gosta muito

Que nosso umbigo foi ali enterrado

Que não conseguimos nos afastar

Meu umbigo foi repartido e enterrado em vários lugares que amo

E esse é um deles: a escola que completa 30 anos de existência

Dos quais fiz parte de 26 deles…

Aqui fiz do meu trabalho, do meu ganha-pão, a minha alegria

Aqui me diverti, eduquei, fiz amizades maravilhosas

Deixei marcas, fui marcada por crianças e adultos especiais

Meu umbigo está aqui!

Parabéns EMVAM, na pessoa de professores, funcionários, alunos e pais…

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Fazendo troça

FAZENDO TROÇA

“Em pé sem cair, sentada sem dormir”

Assim ela me responde fazendo troça

Quando pergunto se está tudo bem

Não sabe onde foi parar a juventude

Deve estar presa em cada marca vincada no rosto

Nos cabelos brancos, na boca pintada,

Na vaidade feminina que nunca acaba

Num sorriso sapeca ao dizer que abraço de outra mulher dá choque

Ou ao concordar que o antídoto teria que ser um abraço masculino

Numa vida entre tantos outros idosos naquele lar

Afazeres limitados pela condição física, mental ou financeira

Afinidades com alguns, desavenças com outros

Ainda conseguem sorrir, aceitar carinho

Serem gratos à vida…

Alda M S Santos

#carinhologos

É macabro falar de morte?

É MACABRO FALAR DE MORTE?

Muitas são as explicações na tentativa de justificá-la

Uma das poucas certezas da vida: a morte

E ainda assim a desconhecemos e tememos

Atinge a todos, sem exceção

Não escolhe idade, raça, gênero, cultura ou condição socioeconômica

Ainda assim tentamos explicar:

“Estava velho e doente, sofrendo, foi melhor assim”

“Tão jovem, uma vida pela frente, não dá para aceitar”

“Lutou contra o destino, mas não teve jeito, era a hora”

“Esse também desafiou a morte todo o tempo”

“Era um anjinho, nada viveu ainda”

“Uma alma boa, nunca fez mal a ninguém”

Ou a mais ouvida de todas:

“Deus chamou de volta para casa!”

Quem Deus chama de volta?

Qual o critério para voltar para casa?

Deu defeito, venceu o período de garantia?

Precisa de “assistência técnica” especializada?

Deu ou causou perda total e precisa voltar para o fabricante?

E se foi mau uso, tem direito a reparos e retorno às vias?

E aqueles que apresentam reiteradamente o mesmo defeito, destruindo ou arriscando a si e aos outros?

Nessa perspectiva Deus seria o mecânico, o técnico especialista em reparar falhas e danos.

Mas será que Ele não saberia fazer isso com o motor funcionando, com o coração batendo?

Será que quem volta para casa não precisa de injeção de carinho, tratamento intensivo de amor?

E aqueles que não apresentam defeito de fábrica,

Por que voltam para a “oficina”?

Será que Ele não leva alguns tão bons para ajudá-lo lá em cima?

Será que simplesmente não venceram seu “estágio” por aqui?

Será que quem é chamado de volta já não veio com data de retorno?

Qual o critério para escolher o quanto viver e quando morrer?

Olhando por um lado positivo

Quem morre já cumpriu seu papel nessa dimensão,

E volta para a eternidade, para o paraíso tão aclamado!

Não é castigo ou punição a morte, apenas mudança de jornada.

Seriam, então, privilegiados aqueles que vão mais cedo…

Difícil é fazer aqueles que foram deixados para trás

Entender, aceitar e aprender a lidar com a ausência e a saudade…

E, não, falar de morte não é macabro!

Alda M S Santos

Destinos

DESTINOS

Destinos: pré-estabelecidos ou construídos?

Um caminho que vem definido a priori

Do qual passamos a vida a buscar ou desviar

Ou um ponto de chegada que nem sempre podemos identificar?

Destino: o objetivo final dessa jornada, imutável

Ou o caminho que por nós é construído, aleatoriamente

Nas lutas e labutas diárias de nossas vidas entrelaçadas às dos outros

Buscando o que acreditamos ser o melhor para todos

Destinos: uma justificativa para o mal e a inércia

Ou um motivo a mais para abrir trilhas melhores na mata densa do viver?

Destino: nos paralisa ou nos move?

É possível evitá-lo ou qualquer caminho leva a ele, sem escapatória

Sendo tudo aquilo que vivemos por escolha?

Parafraseando Jean de la Fontaine

“Muitas vezes, encontramos o nosso destino por caminhos pelos quais enveredamos para o evitar”…

Qual tem sido nosso destino?

Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

Escritas

ESCRITAS

Escrevo no papel, a lápis para não borrar

Quando não há certeza do que calar ou dizer

Se precisar apagar e reescrever…

Escrevo no papel, a tinta para não apagar

Quando é certo e definitivo o que se quer expressar

Na vã tentativa e desejo de eternizar o sentimento descrito em palavras

Escrevo nas páginas inúmeras da alma

Com lágrimas, sorrisos, gritos e silêncios

Uso vermelho sangue, amarelo vida, cinza luto, verde esperança

Páginas borradas, reescritas, infinitas, multicores

E percebo que o que foi escrito ali é o pote de ouro além do arco-íris

Não há modo de apagar, é sempre belo e desejado

São versos ternos, eternos, com ou sem rima…

Escrevo no coração daqueles que compreendem

A poesia traduzida em versos de carinho e amor

E a querem infinita e eterna em si

Escrevo nas páginas infinitas da minha alma

Uma história de amor pela vida

A poesia que busco eternizar em mim…

Alda M S Santos

Presente

PRESENTE

“Abre bem as portas do seu coração

E deixe a luz do céu entrar…”

A harmonia é conquistada no dia a dia

Na fé e na esperança que se demonstra

No carinho compartilhado, nas bênçãos recebidas

Na capacidade de doação e entrega

No respeito mútuo e na aceitação do que somos, do que temos

Deus nos presenteia todo o tempo

Muitas vezes com o mesmo presente, que tantas vezes desconhecemos

Vamos abrir nosso embrulho diariamente

Nossa família, nossa vida, nosso amor…

Alda M S Santos

Livre arbítrio

LIVRE ARBÍTRIO

Ver alguém querido cometendo os mesmos erros seguidamente

Erros que sabemos onde vão dar, e o que vão levar

Por experiência própria, por vivências de outros

Por conhecimento dos obstáculos da vida, por maturidade

Dói!

Interferir é uma opção: falar, orientar, guiar

Até tentar desviá-lo dali, levá-lo pelas mãos a outro lugar

Impedi-lo de destruir a saúde física, mental, social, amorosa

Profissional, familiar, sua e dos outros

Até mesmo usando de autoridade e imposições

Mas onde fica o livre arbítrio?

Até que ponto podemos interferir na vida dos outros

Sem ferir o livre arbítrio, direito de todos?

Até que ponto podemos nos eximir de um posicionamento

Sem caracterizar abandono, covardia, fraqueza, comodidade?

Até que ponto o outro pode responder por si ou deveria ser “interditado”?

Até que ponto somos responsáveis devido ao conhecimento que temos?

Até onde o respeito pode ir sem se transformar em omissão?

Onde fica a linha tênue que separa o carrasco do Pilatos?

Podemos lavar as mãos?

De todo modo, dói!

Alda M S Santos

Deliciosos paradoxos

DELICIOSOS PARADOXOS

O corpo tão “morto”, tão cansado, tão pesado

Que tem dificuldades para relaxar e descansar

Em contrapartida, a alma tão viva, tão leve, tão agradecida

Que quer curtir, relembrar mais um pouquinho os bons momentos

Assim funciona o ato de doar-se em prol de alguém

Fraternidade e generosidade renovam esperanças de um mundo melhor

Mais humano, menos violento, mais amoroso

Quem dá ou recebe já não se sabe, não se identifica

E não importa, todos ganham!

Alda M S Santos

Flexível

FLEXÍVEL

Mais do que dobrar e estender

Mais do que torcer e se retorcer

Esticar e encolher, tensionar e relaxar

Fortalecer e flexibilizar

Nervos, coluna, músculos e articulações

É preciso fortalecer nosso emocional, nossos sentimentos

Flexibilizar opiniões mantendo o respeito conosco e com o outro

É mais importante para a saúde física e emocional

Que ter músculos e articulações fortes

Ter uma alma e mente flexíveis não é ser fraco

É ter sabedoria o bastante, é ter uma alma tão especial

A ponto de respeitar uma alma diferente da sua

Isso é ser flexível! Isso é ser gente!

Alda M S Santos

Instrumentos

INSTRUMENTOS

Somos instrumentos todo o tempo

Isso não é prerrogativa nossa

Não temos escolha

Porém, o tipo de instrumento que seremos

Isso só nós podemos optar

Ser aquele que não se importa

Ser aquele que só reclama, distribui discórdia e julgamentos

Ou, ao contrário, deixar o amor brotar e crescer

Semear leveza, plantar bondade

Auxiliar a reconciliar aqueles que estão meio divididos ou em desarmonia

Ser aquele que leva um sorriso de luz

Uma palavra de sensibilidade e compaixão

Um abraço quente que acalma

Uma mão que se estende e se doa, com humildade

Um olhar que acolhe e transmite paz…

Ser aquele que vale a pena conviver

Ser aquele que de verdade enxerga o outro

Pois só assim somos capazes de enxergar a nós mesmos…

Isso é amor fraternal!

Por ele vale a pena viver ou morrer…

Alda M S Santos

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