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No palco

NO PALCO

Todos gostamos de apreciar os grandes espetáculos que acontecem continuamente nos palcos por aí

Satisfação, surpresa, admiração, desgosto, sustos, sorrisos, lágrimas…

Várias são as emoções vivenciadas. 

Mas os espetáculos da vida não acontecem só nos palcos.

Bastidores, camarins e plateias também têm suas histórias

Muito ricas e admiráveis! 

Esperar estar no palco para viver 

Ou acreditar que só se é feliz sob aplausos é ilusão

Podemos também ser protagonistas estando na plateia

Valorizar e aplaudir nosso próprio show

Fora de foco, das luzes da ribalta, grandes emoções acontecem

Quem está atento as aproveita em sua totalidade.

Alda M S Santos

Viajar

VIAJAR

Quer seja sobre duas ou quadro rodas

Sobre as águas, hélices ou turbinas

Ou nas asas da imaginação…

Não importa o meio de transporte, 

Importa que queiram estar com a gente

Que apreciem estar conosco,

Que valorizem e lutem para estarmos juntos. 

Família, amigos, amores…

O que todos queremos, 

O que todos precisamos…

É ir longe, bem longe…

Sem perder o próprio chão

Alda M S Santos

Orquestra 

ORQUESTRA

Somos um instrumento tocando todo o tempo

Inúmeros são os sons e as melodias que irradiamos

Não é qualquer um que entende e aprecia nossos acordes, 

Tampouco somos capazes de compreender sempre a música que emana da alma dos outros… 

Compreendendo ou não, podemos apreciar

Como apreciamos a música dos pássaros 

Se houver sintonia dá-se uma maravilhosa orquestra,

A vida consiste em acompanhá-las,

E dançar, se possível!

Alda M S Santos

Bolsa de Mulher

BOLSA DE MULHER

Dizem que bolsa de mulher é só bagunça, nada se encontra ali

Território desconhecido, perigoso, melhor nem mexer!

Verifiquei a minha, há pouca coisa! 

Um pente, pouco usado, um batom rosa, um rímel e um perfume,

Um desodorante, um hidratante e um protetor solar. 

Uma lixa, cortador, acetona e uma base de unhas. 

Escova, fio e creme dental.

Um pequeno kit-costura: agulha, linhas e alfinetes.

Kit-escritório: canetas, lápis, tesoura, durex e apontador.

Primeiros socorros: termômetro, analgésico, band aid, antiácido, antialérgico e absorvente.

Chaves, celulares, carregadores, fones, pinça.

Balas, amendoins, chicletes…

Documentos, vários, cartões de crédito e dinheiro.

Um terço, uma Nossa Senhora, uma mini lanterna, lenços.

Um espelho, um brinco, uma foto querida.

Alguns cartões de amigos…

Acho que acabou…

Bolsa e coração de mulher são iguais

Bagunçados, mas tudo se encontra ali

Pode-se encontrar também um olhar, um sorriso, uma palavra, um colo, um abraço, um carinho..

Para salvar um/a amiga/o, um amor,

Desde dor de cabeça até alma triste.

Alda M S Santos

Quanto custa?

QUANTO CUSTA? 

Vivemos num grande, maravilhoso e, por vezes, enganador comércio.

Quase sempre o preço a pagar é em dinheiro, nas várias modalidades que ele se apresenta.

E vivemos comprando: alimento, vestuário, teto, estudo, medicamentos, lazer…

Outros, a aquisição se dá pela troca, o bom e velho escambo.

Um olhar por um sorriso, um abraço por um beijo,

Uma palavra amena por outra bem sábia

Lágrimas por ombro, ombro por colo…

Há outras trocas que se equiparam: amigo por amigo, cuidado por cuidado, ternura por ternura, amor por amor…

No comércio, atenção é fundamental a três coisas:

Estamos comprando o que precisamos? 

Pagamos um preço justo?

Não nos endividamos além da conta? 

Muitas vezes, compramos sem necessidade, por capricho!

Outras tantas, pagamos além, ou aquém, do real valor. Alguém ficará insatisfeito!

Há itens nesse maravilhoso comércio que não temos cacife para comprar! Simples!

Se o preço a pagar, por mais desejado e importante que seja o produto, for nossa consciência, nossa paz de espírito ou daqueles que amamos, não é um preço justo! Não podemos arcar com essa despesa.

Melhor fazer como uma criança que olha na vitrine um brinquedo que não pode ter: brinca com outra coisa, tenta esquecer.

Aquele brinquedo sempre será desejado, será sempre especial.

Ficará na caixa dos sonhos e desejos lindos.

Talvez uma fada um dia o tire de lá e a gente perceba que já pode pagar por ele.

No comércio é preciso paciência e perseverança, como na vida…

Quanto custa ser feliz?

Alda M S Santos 

Vazios 

VAZIOS

Vazio é incompletude, falta, desocupação

Espaço livre, desabitado, desprovido de conteúdo.

Tão cheio, nada falta, tudo tem…

É possível haver vazios onde há total preenchimento?

A falta de um espaço a preencher pode ser também um vazio?

Abarrotado, completo!

Mas será que ainda cabe mais alguma coisa?

Podemos condensar conteúdos, realocar ocupações.

São vazios ou apenas necessidades?

Vazios só nós preenchemos

Necessidades podem nos ajudar a atender.

Mas, o mais importante, é verificar o coração

Vazio ou completo é relativo

Num coração cheio sempre cabe mais um.

Coração vazio não cabe nada, não é boa morada,

Impróprio para a vida!

Alda M S Santos

Liberdade

LIBERDADE

Busco a liberdade que almejo

Esse bem raro e precioso

Na simplicidade que me cerca

Deitar numa rede ou numa relva

Olhar para o céu e deixar-me levar

Soltar a mente, permiti-la voar junto àquele gavião

Viajar nos versos ternos de um poema

Ou na história triste de uma prosa.

Janelas do carro abertas, música invadindo tudo, vento nos cabelos

Pisar fundo e sentir que poderia voar pra bem longe, sem destino

Correr, dançar, soltar tudo que puder e quiser no papel

Embrenhar-me numa mata, respirar fundo, cheiro de mato

Cor de mato, sons do mato, encanto do mato…

Banhar-me lentamente num rio caudaloso, numa cachoeira, ou num chuveiro quentinho

Meus pensamentos e eu…

Encostar a cabeça nos joelhos, fechar os olhos e sonhar…

Nosso maior ato de liberdade permitido.

Que ninguém jamais poderá nos tirar…

Alda M S Santos

Respire!

RESPIRE! 

“Respire! Você não sabe respirar!”

Ah, sim, obrigada! Devo ter esquecido! 

“Inspire fundo, distenda o abdômen, expire e contraia, suavemente!”

Tão simples, ato involuntário, mas deficiente e esquecido. 

Logo pensei: isso aqui não vai prestar!

Sou agitada, gosto de movimento. Suavemente? Pois, sim!

“Devagar, tudo lentamente, você está ansiosa!”

E eu persisto, sei que preciso! 

Ok, suavemente, lentamente, devagar, calma: novas palavras para o meu dicionário.

Percebo, aos poucos, que a respiração profunda e suave

Permite, além da oxigenação do sangue,

Um melhor domínio da mente, muito importante, 

O maior controle das emoções, essencial 

Sentir cada parte do próprio corpo viva

Contrair e alongar todos os músculos tensos

E, aos poucos, ir relaxando é muito prazeroso.

Após 4 aulas de yoga, começo a entender que nem tudo está perdido: Há jeito para mim! Até aprendi a respirar! 

Suavemente, chego lá!

Alda M S Santos

Só dançar!

SÓ DANÇAR!
Quero, gosto, preciso de algo leve, suave, delicado
Como as asas de uma borboleta
Simples, bonito, perfeito
Como um passo de dança!
Que se mexe, gira, levanta-se nas pontas dos pés
Abaixa-se e volta a se aprumar…
Que acorda, que se toca, que toca o outro,
Como o beijo de um beija-flor
Olhos fixos ao longe, enxergam dentro de si
Aumenta o ritmo, acordes fortes, passos firmes
Bota pra fora o que está em excesso
Salta, corre, escorrega, cai
E tudo é um lindo passo de dança.
Flutua em torno de si, em torno de todos,
Comunhão do corpo com a música,
Entrega de sentimentos à melodia
Sua alma determina o ritmo
Suavemente faz um volteio, alonga-se
Relaxa, sorri, extravasa em suor, sente a leve brisa
Traz pra dentro de si o que estava fora
Mas que deveria estar dentro.
E segue acreditando em Eugénia Tabosa:
“Voar sempre cansa, por isso ela corre, em passo de dança’
Alda M S Santos

Barulhos de dentro

BARULHOS DE DENTRO

Eta mundo barulhento!

Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos

De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos

Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.

Nossa percepção acústica acaba por se confundir.

Frequências sem padrão,

E o efeito é um sinal complexo.

Difícil de ser caracterizado com exatidão.

Tantas vezes são bem vindos!

Principalmente quando os escolhermos

Com o intuito de confundir outros ruídos de fora

Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.

Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,

Tampouco conseguimos silenciá-los!

Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos

Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.

Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro

E, em transe, no meio do caminho, ficamos.

Aguardando quem sairá vitorioso:

O barulho de fora ou o barulho de dentro…

Alda M S Santos

Denominador comum

DENOMINADOR COMUM
Qual é o verdadeiro denominador comum da humanidade?
O que realmente nos qualifica como seres da mesma espécie?
O que nos “evoluiu” de primatas para homo sapiens?
Homens e mulheres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Primatas também.
A capacidade de raciocínio e de sentir emoções?
Muito simplista e vago!
Entre o nascer e o morrer é que está a incógnita.
Independente de gênero, idade, raça, credo, cultura ou nível social,
O que nos assemelha são os sonhos, as necessidades, a vontade,
As expectativas que criamos, os objetivos que projetamos.
Desde uma criança da Somália a um idoso do Japão,
Passando por um jovem craque das quadras
Ou por uma moça do crack dos becos
Uma gerente de multinacional ou uma gestora do lar
Todos, todos temos sonhos!
Pode ser desde a facilidade para encontrar o pão ou um teto,
Um emprego decente, uma família unida, amigos verdadeiros,
Um amor que nos complete, nos aqueça a alma e o coração,
A efetivação de uma nova invenção tecnológica,
Ou a descoberta da cura de uma doença fatal.
São diferentes, mas são sonhos. Todos eles!
Expectativas que procuramos concretizar.
Sonhos não morrem, sonhos hibernam em nós como ursos
Ao primeiro barulho acordam famintos e bravos
Prontos para buscar o que precisam para viver.
O dia em que os sonhos acabarem, acabará em nós o brilho,
Acabará em nós a vida e o amor.
Esse é nosso denominador comum!
Alda M S Santos

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Quando abro meu guarda-roupas todas as manhãs, escolho o que usar:

Um vestido estampado, uma sandália confortável, roupas íntimas, maquiagem, perfumes, cabelos esvoaçantes, acessórios diversos… 

Outras vezes, posso escolher cores mais escuras, sem acessórios, rosto lavado, cabelos presos…

Tudo vai depender do meu estado de espírito.

Posso, simplesmente, olhar para aquele vestido alegre e dizer: hoje, não! 

Quisera fazer isso também com os sentimentos!

Abrir a porta de minhas emoções todas as manhãs e dizer:

Fiquem aí fechadas nesse porta-sentimentos: tristeza, melancolia, saudade, sensualidade, raiva, frustração.

Hoje, não!

E abrir a caixinha da alegria, solidariedade, compreensão, paciência, amor.

Podem chegar!

Todos eles fazem parte de nós. Estão guardados lá dentro. Não temos como excluí-los, mandá-los embora. 

Alguns saem sem autorização e tentam confundir tudo. Não respeitam sua vez.

Como não são muito obedientes, o jeito é aprendermos, do modo que conseguirmos, a lidar com eles.

A experiência é nossa aliada nesse processo.

Muitas vezes os sentimentos que não queremos ficarão apenas nos tangenciando, sem grandes interferências. 

E os que mais usarmos se tornarão quase que nosso uniforme emocional! 

Assim como não saímos de casa nus, também não ficamos nus emocionalmente.

Certo é que sempre estaremos carregados deles, e são eles que passaremos para os outros, querendo ou não.

Hoje, sim! Hoje, não! Nós fazemos a opção.

Alda M S Santos

Nossa fé

NOSSA FÉ

A nossa religião ou a fé que professamos não se discutem.

Tampouco a ausência dela. Não é disso que quero tratar.

Haja vista que as maiores guerras e massacres no mundo

Foram ou estão relacionadas às disputas e crenças religiosas.

Denominam “guerra santa” ou dizem defender a palavra de Deus

Como se Deus tivesse deixado o 11o mandamento: destruirmos uns aos outros em Seu nome.

Mas há algo que não se pode negar

Quem professa uma fé, uma religião

Independente de qual seja 

Enfrenta melhor as adversidades, os problemas, os revezes da vida.

Acreditam em algo superior a eles, 

Creem que alguém olha por todos

Que os ama e os orienta acima de tudo.

Outro ponto crucial: têm bondade na alma, solidariedade. 

Se não se considerarem superiores aos outros

Ou se colocarem como juízes dos pecadores

Costumam ser pessoas especiais e essenciais em nossas vidas. 

Mas os melhores de todos não são aqueles que vivem dentro das igrejas

São aqueles que são igreja, trazem-na dentro de si

E a levam a todos que precisarem. 

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem

A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…

Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!

No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações

Mas, para melhor? Analisemos!

Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair

Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,

“Fogosas” e “quebra-barracos”

Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:

“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,

“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…

Todas dessa estirpe!

Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.

Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?

A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?

“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?

São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?

Prefiro um amor velhinho e ultrapassado

“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”

Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!

“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim

Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.

Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar

Onde passa o próximo com destino ao passado?

Vou a “120, 150, 200km por hora”…

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”

“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…

Alda M S Santos

Abrir mão

ABRIR MÃO
Desde pequenos, somos ensinados a lutar pelo que queremos
Mas pouco nos ensinam a abrir mão, a desistir, a deixar pra lá.
Nossa natureza é, quase sempre, lutadora, guerreira.
Porém, isso não elimina a necessidade de aprendermos a abrir mão.
Em retrospecto, podemos calcular quantas vezes, ao longo da vida,
Tivemos que lutar bravamente após várias quedas ou quase nocautes,
E outras, em que fomos obrigados pelas circunstâncias a abrir mão do que queríamos.
Sabemos que recuar, dar um passo atrás, pode ser um modo de reabastecer as energias.
Dar uma trégua, reavaliar estratégias ou planos de combate faz parte de toda luta.
Guerreiros natos afirmam que é preciso perder uma batalha para ganhar a guerra.
Ou que em toda luta alguns soldados acabam por ser sacrificados.
Porém, atrás de uma barricada segura, precisamos saber quais combates vale a luta.
Muitas estratégias boas vão para o brejo por causa de táticas mal aplicadas ou de soldados mal preparados.
Saber a hora de desistir é tão importante quanto a hora de prosseguir.
Abrir mão de uma conquista de território, de espaço ou de qualquer bem precioso,
Exige muita perspicácia, intuição, treino, sabedoria e abnegação.
Voltar para o quartel, para a base de controle, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Duas questões se fazem necessárias: Pelo que temos lutado? Do que temos abrido mão?
A primeira delas deve ter um número maior de itens.
A segunda não deve causar tanta dor, sob pena de voltar pra linha de combate.
Alda M S Santos

Quanto vale?

QUANTO VALE?
Quanto vale um olhar, não apenas um passar de olhos
Mas um olhar demorado e carinhoso
Que atravessa nossa íris e vê o que trazemos por dentro?
Quanto vale uma palavra sincera, amiga, doce, ou mesmo firme?
Quanto vale o silêncio compreensivo na hora certa?
Quanto vale o dar-se as mãos, quentes, seguras,
Que transmitem segurança?
Quanto vale uma mensagem, um telefonema,
Apenas um oi, tudo bem, como vai você?
Quanto vale um pensamento, uma lembrança boa,
Uma saudade, uma oração?
Quanto vale um sorriso largo, com os olhos, com o coração?
Quanto vale um abraço, daqueles que nos tocam o corpo todo
E, sem palavras, nos tocam a alma?
Vale simplesmente a nossa paz.
Essa não encontramos em nós,
Encontramos naqueles que nos são preciosos.
Que possamos todos encontrá-la!
Paz a todos!
Alda M S Santos

Ecos

ECOS

Ecos são a resposta sonora que chega até nós depois de emitirmos qualquer som.

Há ecos bem vindos como os emitidos pelos radares e sonares,

E outros indesejáveis, como aqueles que recebemos nos aparelhos telefônicos.

Nossos relacionamentos são como os radares ou sonares,

Eles desejam emitir eco, precisam receber eco.

Se possível, reverberados, em muitas reflexões “sonoras”.

Nas nossas relações de amizade, de amor, familiares ou de trabalho,

Precisamos que nossas ações produzam ecos

Que sejam ouvidas e atendidas na mesma medida

Que produzam efeito positivo no outro. Esse é o eco.

Gostamos quando nossas palavras, beijos, abraços e carinhos

Obtêm ecos de palavras, beijos, abraços e carinhos…

Eco é correspondência, eco é reciprocidade.

Se se joga flores, o eco não pode ser de pedras.

Uma relação sem ecos é uma relação incompleta, vazia

Uma relação onde sempre alguém estará insatisfeito

Onde alguém acabará por “gritar” mais em busca deles,

Ou, por fim, se calar…

Alda M S Santos
 

Água

ÁGUA!

Sempre fui apaixonada por água

Não nado bem, tampouco bebo o bastante

Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim

Não importa como se apresente:

Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…

Posso ficar horas admirando!

Água tem o poder de me acalmar

Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira

Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,

Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.

Tudo é encanto! 

Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora

Encher-me de positividade

Restabelecer a confiança, o amor

A fé no ser humano, na vida, em mim mesma

Enquanto houver água correndo,

Haverá encanto, haverá vida. 

Água que nasce, que brota

Que corre, que cai, que vai, me leva…

Em busca de outros caminhos

De outras águas,

Em busca de mim…

Alda M S Santos

Espelhos

ESPELHOS

De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.

Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”. 

Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.

Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.

O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.   

Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber. 

Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.

Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem. 

Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha. 

Eles são importantes, mas não são agradáveis.

Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.

Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.

Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”

O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.

E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.

Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”

Alda M S Santos

Cristal quebrado

CRISTAL QUEBRADO

Caiu, espatifou-se no chão, separou-se em mil cacos

E o encanto se desfez!

O que estava suspenso, prossegue

A terra volta a girar, pássaros a voar, flores a crescer…

Assim acontece nos contos de fada,

Onde a vida está suspensa pela magia retida num frasco de vidro.

No mundo real magias e encantos também existem:

Na nossa mente que acredita que tudo é possível

Que insiste, determinada, em algo que parece inalcançável

Nas nossas pernas que caminham sempre em frente,

Apesar das dores adquiridas no cansaço

Advindo de tantos descaminhos

Nos corações que toleram a rejeição, a ingratidão,

Que se doam mesmo sem reciprocidade.

Na alma que sempre busca sintonia em outras almas

Em meio a um mundo barulhento e turvo.

Porém, algo em nós retém o encanto, a magia

E eles não podem se perder…

É preciso descobrir e proteger o cristal que os mantém

Uma palavra mal proferida, um vento mais forte,

Um descuido qualquer pode jogá-lo ao chão

O cristal se quebra, a magia se perde, o encanto se vai…

Mente, pernas, coração e alma nunca mais serão os mesmos.

Independente da cola que se use para restaurar o cristal quebrado.

Cristal quebrado e coração partido nunca mais serão os mesmos.

Alda M S Santos

Olhar sem vergonha

OLHAR SEM VERGONHA

Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar

Já não notamos aquela nuvem que se modela,

A sombra engraçada à nossa frente

As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada

Um casal idoso de mãos dadas

Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem

A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais

Se um observador atento diz “que lindo o dia”

Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?

Sequer olhamos nosso próprio rosto!

Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.

Ou para recriminar e fazer críticas negativas  

O feio está cada dia mais feio,

E o bonito tornou-se corriqueiro.

Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,

Afastar a superficialidade, o ver sem ver.

Olhar sem vergonhas, sem princípios,

Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.

Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,

Olhos fixos, profundos e deslumbrados…

Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.

Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…

E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.

Alda M S Santos

Apenas nosso

APENAS NOSSO

Nascemos sós, morremos sós

É o que sempre ouvimos dos pessimistas!

Outros ainda completam: vivemos sós!

Para esses, digo “nem sempre”.

Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.

Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém

Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.

Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.

Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.

Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.

Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.

Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.

Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,

Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…

Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas

Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…

É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,

Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,

Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,

E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.

Alda M S Santos

Entrega

ENTREGA 

A maioria de nós é muito dona de si mesma.

Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia. 

Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.

Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos. 

Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.

Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.

Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.

Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.

Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar. 

Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.

Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…

Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.

A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.

Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…

Que tenha vida!

Alda M S Santos

 

Esculturas na areia

ESCULTURAS NA AREIA

Somos feitos de muitos materiais

Moles ou duros, firmes, ou nem tanto.

Podemos ter a dureza de uma rocha,

A maleabilidade e força da água,

Outras vezes, a resiliência da areia

Que aceita a deformação causada pela brisa

Pelas águas, pelas tormentas,

Mas sempre volta ao seu estado natural

Está ali, vivendo e deixando-se viver…

Certamente sente, se encolhe, se recolhe

Magoa-se, revolta-se, rebela-se,

Muitos entulhos, coisas desnecessárias, pesadas

Podem recair sobre si,

Porém, entende que tudo vem para acrescentar

Ainda que venha carregado de decepções

Sabe que a maior decepção que pode sofrer

É aquela causada por si mesma.

A perda da fé e do amor-próprio.

A perda de sua essência.

Aprendeu que tudo serve para moldá-la

Para criar lindas esculturas!

E segue acreditando que, com sol ou com chuva,

É ela que faz seu próprio brilho!

Alda M S Santos

Escuridão

ESCURIDÃO
As estrelas brilham mais
Numa noite mais escura
Há benefícios na escuridão!
A luz é benéfica, mas, se forte demais, cega nossos olhos.
Distrai nossa mente,
Impossibilita que a gente enxergue algo próximo e, muitas vezes, óbvio.
Na escuridão, somos obrigados a acionar outros sentidos.
Que possibilitem ver o que precisamos
E que não estão ao alcance dos olhos,
Mas dos sentimentos, da nossa alma.
Na escuridão, um pequeno foco de luz que encontramos no fundo de nós,
Tal qual vagalume no breu da noite,
É valioso e ilumina tudo
Lá fora, ou cá dentro…
Alda M S Santos

Fim

FIM

Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.

Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.

Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.

Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade, 

Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,

Um amor possessivo, impossível ou irreal,

Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…

Quanto maior o espaço ocupado em nós, 

Quando chega o fim, 

Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.

Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.

Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,

Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.

Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,

É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.

Urge saber que há “lixos” aproveitáveis, 

Particularmente o que envolve sentimentos.

Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.

Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar

Manter um bom foco e voltar a viver.

Alda M S Santos

Está pesado? 

ESTÁ PESADO?

Engraçado observar o quanto as pessoas pesam

Não é preciso balança alguma, apenas um olhar atento.

Um senhor que parece puxar um caminhão invisível amarrado aos pés,

Uma mulher que aparenta ter alguém sentado sobre seus ombros,

Rapazes que carregam tristeza e ansiedade no rosto,

Meninas que trazem no caminhar o peso da beleza, ou “ausência” dela.

Crianças irritadiças em meio a inúmeras “obrigações”…

Como estamos todos pesados!

Pesam o desejo de crescer, de ser sucesso, de ter muitas coisas,

No menor período de tempo possível.

Pesam em nós as malas de ontem, problemas do passado,

Arriam nossos ombros acontecimentos do porvir,

Carregamos em nós o peso de sentimentos diversos,

Trazemos na bagagem o desejo secreto de agradar aos outros,

Sem, contudo, desagradar a nós mesmos,

E isso pesa mais ainda…

Pesos, pesos e pesos…

Precisamos esvaziar as malas, levar apenas o que for leve.

Passado deve ficar lá atrás, futuro lá na frente,

Presente bem aqui, levinho como uma borboleta…

Se está pesando ou desagradando, é hora de esvaziar as malas.

Deixar apenas o que dá prazer e alegria, ultraleves!

Sentimentos e pessoas boas não pesam…

Tocam em nós como o doce beijo de um beija-flor,

Sentimos apenas a leve brisa, frescor e perfume,

E a paz que deixa em seu lugar quando se vai…

Alda M S Santos

Marsupiais

MARSUPIAIS

Outro dia, minha cadela matou uma gambá. Ela é uma vira-latas metida a caçadora. E muito linda!

Quando fui recolher o corpo da pobre gambá, vi que vários gambazinhos pelados entravam e saíam daquele corpo enrijecido.

Buscavam ali o que precisavam para continuar se desenvolvendo e vivendo: o conforto do marsúpio.

Nós somos, de certa forma, mamíferos marsupiais. 

A diferença é que nosso marsúpio nem sempre é aquela bolsa grudada ao corpo de nossa mãe. 

Porém, não saímos prontos da placenta para a vida. 

Vira e mexe buscamos o conforto de nossa mãe, pais e familiares. 

Não o desenvolvimento físico, mas emocional. 

E, ao longo da vida, adquirimos outros marsúpios: nos amigos, nos amores, nos filhos…

As crianças procuram sem receio. Por isso são mais felizes.

Nós, adultos, maduros, fortes, independentes, sabemos nos virar sozinhos. 

Ou tentamos nos convencer disso.

Mesmo que tudo que a gente queira é um “marsúpio” quentinho para nos escondermos lá dentro, sem tempo determinado, encolhidinhos, deixando nada pra fora. 

E só sair quando estivermos com carga total na bateria, em pleno desenvolvimento.

Sou marsúpio para muitos! 

Eu sei bem quais são meus marsúpios.

Tento buscá-los sempre.

Alda M S Santos

Resisto

RESISTO

Está me olhando, espiando, sempre,

Insistentemente!

Às vezes de longe, outras, bem de pertinho.

Quer me tocar, me levar

Digo “não, não quero”,

Resisto…

Tenta outros artifícios, quer conquistar, convencer, seduzir…

Faz sua auto-promoção.

Cansada, quase cedo, quase me entrego, 

Porém, resisto…

Mas temo, não sou tão forte assim, 

Retribuo o sorriso: “não, obrigada”!

Mais uma vez, resisto.

Acompanha-me em meu dia-a-dia, 

Olho pro lado e lá está!

Quando passeio, me divirto, me alimento,

Quando vou pra caminhada, pra academia ou pra Yoga,

Quando deito ou me levanto, 

Resisto…

Quis ir até pro banho!

Mas hoje dei um basta! 

“Chega, não vou com você”! 

Afinal, estou muito jovem e animada ainda 

Para acompanhar aquela que se apresenta como “melhor idade”. 

Melhor idade o caramba! 

Cheia de limitações, isso sim!

Irritada, mando-a catar coquinhos, 

“Se sua coluna deixar”! 

“Volte mais tarde, bem mais tarde, daqui uns 20 anos, talvez”!

“Nada pessoal, chegará sua hora”!

Temos que resistir, ser firmes.

Ou, possessivos, grudam-se em nós e não querem mais largar.

Enquanto puder,

Resistirei…

Para quando tiver que acompanhá-la, ir sem reclamar,

Sem deixar dívidas ou coisas mal resolvidas…

Melhor idade somos nós que fazemos! 

Quando nos aceitamos, damos nosso melhor,

Com qualquer idade!

Alda M S Santos

A paz que buscamos

A PAZ QUE BUSCAMOS
Dizem que tudo que precisamos está, primeiro, dentro de nós,
Bem lá no fundo…
Que é lá que vamos encontrar as respostas às nossas questões,
A solução para nossos problemas,
O sorriso que esquecemos,
A saúde que perdemos,
O amor que não valorizamos,
Os amigos que se foram,
A bondade que é nossa essência.
Podemos passar por muitos caminhos e pessoas,
Mas enquanto não buscarmos no silêncio de nossa alma,
Enquanto não acalmarmos nosso coração,
Enquanto não encontrarmos Deus em nós,
Não encontraremos a paz.
Não seremos paz!
Alda M S Santos

 

Mergulhos

MERGULHOS

Tantos os caminhos,

Mas, às vezes, não os enxergamos..

Olhos tristes, opacos, submersos em nós mesmos.

Porém, vamos tentando,

Indo, fugindo, mergulhando…

Nas profundezas da imaginação

Nem sempre tranquila, nem sempre clara

Mas sempre possível! 

Quem sabe dela pode vir a nascer

Uma trilha linda e prazerosa?

Alda M S Santos

Terras férteis

TERRAS FÉRTEIS

Sempre acreditamos que devemos plantar em terra boa, 

Sempre nos ensinaram que só colheremos frutos se a terra for fértil,

Porém, pode haver secura e rigidez à princípio, 

É preciso disposição e coragem para investir.

Mas, depois de plantar, vamos cuidando…

Com água, húmus, adubo,

Sol, amor e carinho,

Porque mesmo em meio a toda aridez,

Pode haver vida! 

Brotar vida,

E vida bela…

Para quem mantém o coração e os olhos abertos…

Alda M S Santos 

Sonhos e mais sonhos

SONHOS E MAIS SONHOS

Tenho sonhado muito, muito mesmo!

Não sonhos acordada, também os tenho.

Mas sonhos dormindo, aqueles que não escolhemos ou controlamos.

Aqueles que são escolhas de nosso inconsciente confuso ou agitado.

Alguns são bem claros, continuação de algo vivido durante o dia.

Outros são bem misteriosos, sinistros.

Tudo parece distorcido e irreal, mesmo que seja algo bom ou desejado.

E ficamos a especular sobre o que há de real neles.

A Neurociência não explica porque eles acontecem, mas afirma que são positivos e únicos.

Alega que nossos sonhos buscam memórias novas e velhas em uma ordem que não é sequer parecida com a que elas foram adquiridas, por isso parecem estranhos. 

Tentamos entender se são prenúncio do porvir.

Se precedem futuro bom ou alguma tragédia. 

Penso que nos sonhos processamos algo que somos impedidos ou censurados de alguma forma no mundo real.

Nosso cérebro, mesmo em repouso mantém a atividade. E nem creio que o que lembramos ao acordar seja tudo.

E não podemos fazer uma interpretação genérica. Cada sonho tem significado com relação à vivência de cada pessoa.

São uma maneira inteligente do nosso cérebro de nos salvar da insanidade.

De qualquer modo, gosto muito de sonhar, acordada ou dormindo, e sempre tento analisá-los. 

Alda M S Santos

Linha tênue

LINHA TÊNUE

Sentimentos e situações antagônicas fazem parte de nosso dia-a-dia.

A bondade e a tolice, a tristeza e a depressão

A firmeza e a intransigência, o medo e a covardia…

São, quase sempre, dois lados da mesma moeda. Muito confundidos! 

A sensualidade e a vulgaridade, o ciúme e a possessividade, 

A liberdade e a libertinagem, a coragem e a estupidez…

Tentamos manter o equilíbrio e a sabedoria enquanto fazemos nossas escolhas, muitas vezes, inconscientemente. 

A inteligência e a altivez, a obediência e a subserviência

A humildade e a submissão, o amor e o ódio…

Esses que oscilam com mais rapidez!

A moeda é lançada o tempo todo.

Precisamos estar atentos às alternativas.

Há uma linha muito tênue a separar lados antagônicos,

Apesar de sermos, a vida toda, crianças grandes que gostam de colo e aprovação, 

Procuremos seguir nosso coração e ficar do lado certo! 

Alda M S Santos

Backup de nós

BACKUP DE NÓS

Assistindo ao filme “Diário de uma Paixão”

Reflito sobre a fragilidade de nossa existência.

Independente do tempo que vivemos por aqui,

Todos acumulamos muitos dados, muitas memórias.

Possuímos um disco rígido muito potente: o cérebro.

Assim como os computadores com seus HDs.

Como eles, também somos uma “máquina”.

Com o tempo, também podemos apresentar defeitos, avarias.

O HD pode não abrir, não permitir acesso, travar, deletar alguns dados, ou apagar de vez.

Todo especialista da informática aconselha: manter vários backups atualizados.

O mesmo vale para o nosso HD central.

E o fazemos sem perceber de um modo muito especial.

Em cada pessoa que convivemos vamos deixando arquivos

“Salvamos” nelas um pouco de nós: pais, filhos, cônjuge,

Amigos, amores, colegas, vizinhos, até em nossos desafetos

Em todos eles fazemos um pequeno backup de nós

Se um dia nosso HD vier a falhar podemos ser neles “restaurados”

Se ele se apagar de vez, nossa história estará registrada

Em todos aqueles que amamos, que nos amaram.

Devemos cuidar para fazer backups primorosos.

Voltando ao filme: vale a pena assistir.

Uma linda história de amor e backups!

Alda M S Santos

Como as estrelas

COMO AS ESTRELAS

Nossa vida é cercada de pessoas que irradiam luz, 

Que brilham, que aquecem

Como as estrelas…

Somos envolvidos por elas, por seu encanto

Absorvemos com avidez parte de seu brilho, beleza e calor

E, assim, também encantamos,

Como as estrelas…

Mas, tudo que é vivo, tem um tempo de vida útil

Depois se vai, morre…

Assim se dá com as pessoas encantadoras

Elas se vão, morrem, e levam seu brilho consigo

Como as estrelas…

Quanto mais uma estrela emitir luminosidade,

Ou seja, quanto mais liberar energia,

Menos tempo ela durará.

Porém, ainda que se apaguem no cosmo,

Nós só perceberemos anos mais tarde, 

Pois estão a anos-luz de distância nas galáxias

Assim se dá com as pessoas-estrela

Mesmo depois de irem embora, de se apagarem

Sentiremos sua energia dentro de nós, sua presença, seu brilho

E seremos por elas iluminados por muito tempo

Sorte de quem tem ou teve esse privilégio de convívio

Com as estrelas…

Alda M S Santos

A cada um

A CADA UM…

A cada pássaro, sua leveza, seu canto

A cada flor, sua cor, seu perfume

A cada estrela, seu brilho, sua beleza 

A cada sentimento, sua força e intensidade

A cada ser, sua sabedoria e encanto

A todos, a capacidade de ser e fazer feliz..

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Solidão não é estar só, mas sentir-se só, mesmo cercado de pessoas.

É como sofrer de insuficiência respiratória, mesmo sabendo que há oxigênio por todos os lados.

É como estar em alto mar, cercados de água, e morrer de sede. 

Não é que falte pessoas, oxigênio ou água.

A questão é que por inadequação das pessoas, do ar ou da água que se apresentam, não conseguimos absorvê-los.

O ar pode estar rarefeito, a água imprópria para consumo, as pessoas sem sintonia, sem comunhão de ideias, sem afinidades entre si. 

O problema pode estar em nós: por deficiência orgânica ou emocional, não conseguirmos processar o ar, a água, as pessoas à nossa volta.

Certo é que não vivemos sem ar, sem água, sem as pessoas. 

Portanto, em prol da vida, jamais podemos desistir de buscá-las.

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”João 4:14

Uma ajuda do Alto também é sempre bem vinda e necessária. 

Alda M S Santos

Processo de Cura

PROCESSO DE CURA

Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta

Um mal ativo, em fase crítica, aguda.

Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.

Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los

Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…

Nessa fase vai doer muito, sangrar.

Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.

Serão necessários técnica e perícia ao tocar.

Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.

Porém, se não se passar por esse processo de cura,

O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.

Com os males emocionais dá-se o mesmo.

Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.

Com medicamentos ora suaves, ora fortes, 

Com amor, com carinho, com perseverança.

Com amigos, com família, com fé.

Leve o tempo que levar,

As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.

Pode ser que se torne um mal crônico

Daqueles que tenhamos que aprender a conviver

Como uma hipertensão ou uma saudade

Que exige tratamento de controle a vida toda.

Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força

E medidas à altura.

Assim são os males crônicos.

Assim é a vida…

Alda M S Santos

Força Motriz

FORÇA MOTRIZ

Que sejamos movidos pelo desejo, sempre…

Desejo de viver, de trabalhar

Desejo de ajudar, de ser a mão que se estende

Desejo de abraçar, de ser colo que acolhe

Desejo de aprender, de crescer

Desejo de ensinar, se doar

Desejo de entender, de atender

Desejo de seguir, de recomeçar

Desejo de de ser luz, de ser paz

Desejo de fazer o bem, de ser o bem

Desejo de amar,

Sempre…

Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES

Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos

Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol

Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas

Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras

Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo

O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro

As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos

Passamos a vida buscando essas combinações

Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes

Mas nem tudo é tão prático e fácil assim

Alguns encaixes exigirão uma perícia maior

A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,

Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo

Mente, alma, coração num só corpo

Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça

Um corpo no outro… uma alma na outra.

Como crianças com seus Legos, vamos tentando

Encaixando, montando, desmontando, aprendendo

E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos

Enquanto vivemos…

Alda M S Santos

O que fazemos nessa nau? 

O QUE FAZEMOS NESSA NAU? 

Há dias, períodos e fases que queremos jogar tudo para cima.

Chutar o balde, rodar a baiana, subir nas tamancas. 

Ou, diferentemente disso, enfiar debaixo das cobertas, atrás de uns óculos escuros num canto qualquer, sermos invisíveis.

De verdade: quantas vezes nos perguntamos a que viemos, o que estamos fazendo nessa nau? 

Milagrosamente, algo sempre nos tira de lá. Desse buraco escuro do nosso existir.

É preciso sempre acreditar que é apenas fase. Que vai passar. Por mais difícil que pareça.

Muita gente desistindo na primeira pedra ou buraco do caminho.

Não sabem que muitos caminhos, aparentemente errados, difíceis ou sombrios foram dar em veredas maravilhosas!

Tenhamos fé! Em nós mesmos, Naquele que nos enviou, nos acompanhantes que nos deu. 

Alda M S Santos

Ping-pong

PING-PONG

Nossa vida se assemelha a um jogo de ping-pong ou frescobol. 

Mas um jogo por brincadeira, não por competição. 

Divertido é manter a bola no ar. Lancá-la de um modo que o outro receba e rebata de volta para nós, assim sucessivamente.

É frustrante quando não atinge seu objetivo, não volta.

Prazeroso é acertar o alvo, ser o alvo.

Vencem ambos se a bola é rebatida e se mantém no ar.

Perdem ambos se ela for mal lançada e cair ao chão.

Se não a lançarmos bem, o outro terá dificuldade para receber e relançar. A recíproca também é verdadeira. 

Se cair ao chão sucessivamente cansamos da brincadeira e partimos para outra.

Somos assim. Muitas vezes lançamos palavras, boas ou ruins, carinhos, sentimentos. 

Algumas vezes voltam, outra não.

Iremos preferir a brincadeira correspondida. 

Brincar sozinho não tem graça! 

Pensemos nisso! 

Alda M S Santos

No banco de trás 

NO BANCO DE TRÁS

Nossa vida passa por momentos de alternância, muitas vezes sem percebermos. 

Nossa maneira de lidar com esse revezamento natural determina nossa paz diária.

Numa fase, temos o controle de nossas vidas, estamos ao volante, guiamos para onde queremos, do jeito que queremos.

Nossos filhos viajam atrás, confortáveis em suas cadeirinhas, ou já sentados no banco de trás. 

Aceitam o destino por nós escolhido. Confiam, se entregam, observam, aprendem. 

Sonham com o dia em que ocuparão o banco do carona ou, melhor ainda, do motorista. 

E chega a hora em que eles passam para a frente, nós passamos para o banco de trás. 

Aí muita sabedoria é necessária. De motoristas e passageiros. 

Passageiros precisam confiar no novo motorista, nos ensinamentos que eles receberam e relaxar. Não interferir tanto. 

O “controle” de certa forma está com eles. 

Motoristas necessitam saber que os passageiros, outrora motoristas, ainda que estejam menos ágeis ou espertos, não desaprenderam o que sabiam. Ainda podem ensinar algo.

São necessários aqui muita tolerância, respeito, gratidão.

Essa relação acontece dentro dos veículos e fora deles. 

Pais e filhos precisam reconhecer que à medida que crescem e envelhecem a situação pode se inverter ou, no mínimo, mudar. 

Aceitar que em qualquer idade todos podem aprender, podem ensinar. 

Num dado ponto notamos que não há supremacia de um sobre o outro, apenas admiração e amor. 

E um pouco de bom humor também não faz mal a ninguém. 

Sabemos que chegará o instante em que nem estaremos mais nesse carro. 

Outras crianças estarão no banco de trás e o ciclo recomeçará. 

Boa viagem! 

Alda M S Santos 

Chapéu de tolo

CHAPÉU DE TOLO

Decepções…

Não temos como fugir delas.

Ouvimos que a decepção é nossa,

Que o outro não é responsável por nos decepcionar,

Nós é que esperamos demais deles…

Isso não diminui em nada aquela insatisfação e tristeza que sentimos.

Ninguém vive sem criar expectativas,

Sem acreditar no outro.

Quanto mais próximas as pessoas,

Quanto mais gostamos delas, mais expectativas criamos.

Portanto, maior risco de tombo, de decepção.

Colocamos o chapéu de tolos, desfilamos por aí cabisbaixos até a próxima.

Uma decepção também não precisa eliminar a pessoa de circulação.

Todos podemos errar, ter fraquezas, decepcionar alguém.

A outra alternativa é não acreditar, não aprofundar.

Viver boiando na superfície, não mergulhar. 

Sem amor, sem expectativas, sem decepções,

Sem vida! 

Muito obrigada! Continuarei a usar o chapéu de tola por aí, como palhacinha.

Quem nunca usou que atire a primeira piada! 

Alda M S Santos

Coração paradoxal

CORAÇÃO PARADOXAL 

Coração é sempre paradoxal

Sempre tão grande, tão repleto

Mas capaz de sentir-se tão apertadinho

E com espaço para recrutar ainda mais moradores

Quase sempre forte, a enfrentar batalhas pungentes

Mas sensível, frágil, emotivo

Tão cercado de gente, de emoções, 

Mas por um pode sentir-se 

abandonado num planeta vazio 

Tão iluminado, alegre, brilhante, seguro

Mas pode ser esmagado pela escuridão de alguns medos

Pode parecer irreal, irracional, duvidoso, invisível

Mas é real como a eletricidade ou a brisa suave

Que podem apenas ser sentidas.

Nessa vida de emoções enviesadas

Paradoxalmente, o coração sobrevive.

Alda M S Santos

Please, dont’go!

PLEASE, DONT’GO

Bastaria uma análise preliminar

Para percebermos quantas pessoas perdemos ao longo da vida. 

Muitas se foram de nosso convívio…

Independente do motivo, fizeram falta.

Pessoas importantíssimas:

Um amigo da infância, 

Do amanhecer ao anoitecer.

Amigos/irmãos da adolescência,

Que aturavam nossas paixonites e segredos.

Colegas de faculdade, namorados grudados.

Amigos de todas as horas.

Pais, irmãos, cônjuge, filhos, familiares…

Quantos foram?

Imaginávamos o afastamento?

Que um dia não contaríamos mais com eles? 

Se tivéssemos pedido, teriam ficado? 

Quisera poder revisitá-los.

E aqueles ao nosso redor hoje?

Por quanto tempo ficarão? 

Ou também se perderão no tempo, nas lembranças? 

Qual a finalidade de cada um deles? 

Será que já vêm com tempo pré-estabelecido? 

Ou se pedíssemos,

Please, dont’go!

Eles ficariam?

Alda M S Santos

Quanto tempo?

QUANTO TEMPO? 

Em menos de duas horas ela arruma suas coisas …

Doa materiais, joga fora o descartável

Separa para si o inseparável

Quanto tempo leva para se desfazer de uma vida?

Muitas lembranças…

Uma vida inteira ali

Muitos amigos, colegas

Abraços, carinhos, sorrisos, desavenças

Tudo parece impregnado em suas células

 Seu lugar já foi ocupado

Brinca ao sentar no colo de sua substituta

“Você fará muita falta!”- dizem. 

“Tem você em cada cantinho daqui”.

“Lembrarei de você para sempre”. 

Será? Promessas já foram dívidas

Hoje, quase sempre, são palavras ao vento

Foram 27 anos ali. 

Quanto tempo leva para sermos apagados de vez? 

Quanto tempo leva para a rotatividade nos levar para longe?

Quanto tempo leva para esquecer?

A vida segue…

Mas ela sabe e responde por si: 

Nem todo o tempo do mundo! 

Dentro dela nada jamais se apaga.

Alda M S Santos

Redemoinho

REDEMOINHO

Tudo se passa em câmera lenta

Chega, olha em volta

Espaço grande, luz forte 

Muitas pessoas conhecidas ali 

Recebe as boas vindas

Parece perdida, descalça, meio assustada 

Procura alguém…

Olha nos olhos de cada um que passa

Todos fixam nela o olhar meio encabulados

Continua a circular

Procura alguém, não sabe quem

Mergulha num redemoinho de imagens

Chora, senta, soluça

Alguém cobre seus ombros com uma colcha

“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”

Reconhece a voz, o olhar, o cuidado

Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta 

Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião. 

Sem medo, lança-se espaço abaixo…

Para as nuvens…

E tudo é paz! 

Alda M S Santos

Na estação

NA ESTAÇÃO

O trem partiu…

Ela ficou ali, sentada sobre as malas carregadas, como num filme antigo.

Seu bilhete ia só até ali.

Olha o trem se afastando lentamente

Tem medo, não queria ficar, queria seguir 

Domina o impulso de correr atrás.

Esse não volta.

Será o fim da viagem? 

A linha continua, não para ela.

Tantos já desceram, não os vê…

Outros tantos, queridos, seguem naquele trem…

Ficar parada ali não é opção

Estação é passagem, não destino

Olha para as demais linhas,

Há bifurcações, outros destinos,

Encaminha-se lentamente para o guichê.

Escolhe um destino desconhecido e aguarda.

Novos passageiros, nova viagem

Recomeços…

Alda M S Santos

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