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Chuva e lágrimas

CHUVA E LÁGRIMAS

Escorria ininterruptamente no para-brisas sem cessar

O limpador passava rapidamente, meio furioso e limpava

Escorria intermitente no rosto dela o tempo todo

Ela sequer pensava em limpar, deixava escorrer…

Chuva e lágrimas, o carro e ela

Embaçando o vidro, embaçando dentro dela

O mundo lá fora seguia seu curso

Uma linda canção parecia traduzir tudo

Que se passava no exterior e no interior

Do carro e dela…

Combinação cinzenta harmônica e perfeita

Chuva e lágrimas insistentes lavando, limpando, irrigando

Na esperança de desembaçar e trazer novo brilho

Nova vida…

Alda M S Santos

ResPIRAR!

ResPIRAR!
Um simples observar de nossa respiração
Nos mostra nossa reação a algo ou alguém
Por vezes, o ar se prende, se solta lentamente
Outras vezes, é apenas um respirar leve e suave
Passando por uma respiração forte e entrecortada
Ou uma falta de oxigênio total,
Além daquele susPIRAR profundo…
Esse resPIRAR constante nos mostra
A raiva, a ansiedade, a alegria, a tristeza
A tranquilidade, a saudade, o desejo
A empatia, a antipatia, a compaixão
O amor…que pessoas e situações nos despertam.
Cuidado para respirar, sem pirar!
Alda M S Santos

Transbordando

TRANSBORDANDO

Transbordar remete a algo além da conta

Acima das bordas, sobrando, derramando

Dentro da gente, tudo pode vir a transbordar:

Saúde, alegria, esperança, fé, bondade, amor,

Tristeza, lágrimas, mágoas, decepções, rancor, melancolia

De todo modo, é bom transbordar

Se coisas boas, alegra a todos a nossa volta…

Se coisas ruins, aquelas que a gente costuma prender,

Permite derramar até se esgotar…

Não dá é pra manter represado

Pois uma gota só pode ser suficiente

Para arrebentar comportas e causar estragos!

Alda M S Santos

Amor é um trem doido

AMOR É UM TREM DOIDO
O amor comanda um trem de muitos vagões
Nunca vem só! Todos encaixadinhos!
Em cada vagão, um sentimento ou emoção que o acompanha
Que faz com que o trem ande mais rapidamente,
Devagar ou até estacione!
Amor é um trem doido! São muitos os vagões!
Alguns o aceleram: empatia, sinceridade, confiança, lealdade, respeito, admiração…
Outros o atrasam: ciúmes, possessividade, intolerância, impaciência, desrespeito…
Mas se houver amor, sempre há jeito de mantê-lo em movimento
Mas se o amor não for o comandante,
Tudo descarrilha, tomba e se perde…
Alda M S Santos

Bagunça em mim

BAGUNÇA EM MIM

Há dias que estou tão bagunçada

Como aqueles jardins em que todas as flores disputam espaço

Perfumes, cores e formas se misturam…

Como um quarto de adolescente com livros, eletrônicos, roupas, calçados e pratos e talheres para todo lado

Nada se encontra ali…

Como uma criança numa loja de brinquedos deslumbrada com tudo, quer tudo

Não consegue se decidir…

Quando a bagunça é muita, não basta uma faxina

Precisa reorganização total e alguns descartes

Minha casa anda tão bagunçada,

Que tropeço em mim mesma, caio, machuco, choro,

Quase desisto! Quase!

Alda M S Santos

Qual a cor da sua consciência?

QUAL A COR DA SUA CONSCIÊNCIA?
Consciência branca, negra, amarela, multicor?
Qual a cor da sua consciência?
Enquanto essa pergunta for feita
É sinal que alguma delas está sendo preterida
Excluída, discriminada, maltratada
Qual a cor da sua consciência?
Minha consciência tem a cor do amor
Aquele que, se verdadeiro, nada exclui
Minha consciência tem a cor da saudade
Aquela de algo ainda não vivido
Aquela em que todos são diferentes e belos
Iguais no jeito de ser diferentes!
E amados principalmente por suas diferenças.
Minha consciência é multicor, como o amor!
Alda M S Santos
#carinhologos

Que imagem carrega consigo?

QUE IMAGEM CARREGA CONSIGO?

Qual imagem carrega consigo na tela do celular,

Na carteira, no bolso, na bolsa, na mochila, tatuada na pele,

Entre as páginas de um livro como uma rosa eternizada?

Aquela que ao encarar sorri para você, por você,

Que tira você do eixo, do prumo, do esquadro,

Que fez da sua vida uma bagunça, sinalizou com uma reviravolta

Te ensinou a fazer malabarismos, a viver na corda bamba

Te fez acreditar que tudo pode ser melhor,

Te colocou numa via, tantas vezes, de mão-dupla, perigosa

Outras, mão-única, sem retorno

Que você deixou em casa, no trabalho, na escola,

Ou simplesmente jogada por aí em qualquer lugar?

Aquela imagem que não precisa de celular,

De carteira, bolso, bolsa, mochila ou livro,

Pois essa imagem você carrega gravada na mente,

No coração, na alma…

Qual imagem carrega consigo e é sua fonte vital?

Alda M S Santos

CHUVA E ALGUÉM

CHUVA E ALGUÉM

Chuva! Seu tamborilar no meu telhado é calmante, nostálgico

Instiga pensamentos saudosos, longínquos,

Simplicidade e doçura de alguém…

Suas gotas em minha mangueira e jardim são refrescantes,

Remetem à natureza de alguém…

Olhando ao longe, a cidade acesa, outros telhados,

Quantas impressões, quantas sensações?

Sua umidade nas ruas, debaixo das marquises,

Telhados de alguém,

Pode vir a ser deprimente…

Sua força nos barracos em áreas de risco,

Lares de alguém,

Pode se tornar desesperadora!

A mesma situação pode gerar diferentes emoções.

Qualquer sentimento em nós despertado por algo ou alguém

Sempre irá depender da posição emocional, física ou social em que estivermos…

Somos sempre um alguém dependendo de outros alguéns,

Num mundo que parece tantas vezes não ter ninguém!

Alda M S Santos

Maldade ou infelicidade

MALDADE OU INFELICIDADE?

As décadas eram muitas, quase dez

E as mãos trabalhavam lentamente numa arte

“Não deu para arrumar isso aqui, mãe”

Um par de olhos úmidos o encarou, questionadora

“Está velho, esgarçado, puído, sabe o que é isso?”

Mais uma vez ela o observou, silenciosa,

Calmamente colando florzinhas na árvore de Natal.

“Está velho, coisa velha a gente joga fora, não compensa arrumar!”

Os olhos dela me encararam com muita tristeza e vergonha

Abaixou a cabeça, resignada e triste, continuando a colar…

Ele, me notando por perto, logo arrematou:

“Claro que é para coisas, não pessoas!”- e foi-se embora

“Depois a gente conversa!”

Mas o estrago já estava feito.

Frase maldosa ou infeliz?

Palavras não foram necessárias para traduzir

O que o olhar dela já havia dito: vergonha e decepção

Estava acostumada àquele tratamento.

O quanto vale nossas vidas?

Haverá mesmo alguém a cuidar de nossos idosos

De nós, quando chegarmos lá,

Com amor e bondade?

Alda M S Santos

O chiado do amor

O CHIADO DO AMOR
Um maravilhoso pôr do sol se iniciava e ele começou:
-“Um dia o sol se apaixonou pelas águas do mar,
Elas eram tão lindas, refrescantes, de um azul tão intenso
Que ele não foi capaz de resistir”…
-…”As águas do mar sentiram os braços longos e quentes do sol
Durante todo o dia a acariciá-la e acabou por corresponder àquele amor”- ela continuou.
-“Porém, era um amor impossível, tão diferentes! Tão distantes!
Era inconcebível que ficassem juntos!”- ambos disseram.
-“Mas não conheciam a força e poder do amor, daqueles que queriam realmente ficar juntos.
Para poder ter o prazer de se encontrar com as águas do mar, o sol todas as tardes
Descia devagarzinho e deixava-se morrer para o mundo, por uma noite inteira,
Para ter o prazer de mergulhar e viver abraçado àquelas águas tão queridas”!
-“Por isso o pôr do sol é o símbolo dos casais apaixonados.
Dizem que casais que se amam de verdade são capazes de
Ouvir o chiado de prazer do sol ao tocar o mar quando se põe.”
– Pena que hoje morrer de amor e matar por amor tenham
uma conotação tão ruim!
-Isso porque o que chamam de amor pode ser tudo, menos amor!
E aquele casal que repetia esse ritual há quase 60 anos,
Levantou-se daquele banco à beira-mar e saiu de mãos dadas.
O sol começava a se encostar nas águas do mar e eles, sorrindo,
Ouviram: ttttssssssss, o chiado do amor!
Alda M S Santos

Quando foi a última vez que chorou?

QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE CHOROU?

Qual a última vez que as lágrimas foram suas companheiras?

Muita gente sequer lembra, pois quase não chora.

Não porque não tenham motivos ou sejam insensíveis,

É porque costumam lidar de modo diferente com as dores e frustrações.

Alguns choram escondido, ou porque não querem preocupar o outro ou não confiam o bastante neles.

Outros já choram por quase tudo, emocionam-se e choram muito!

Não precisam estar infelizes, é um meio de expressar a emoção.

Choram por emoções boas: uma vitória, um amor correspondido, uma gentileza, um pôr do sol, uma tempestade,

Uma amizade reencontrada, um desejo satisfeito, um carinho gratuito, uma lembrança boa…

Ou pelas emoções tristes mesmo: decepções, saudades, desamor, dores diversas,

Perda de algo ou alguém, problemas de saúde…

Há ainda as que choram pelas dores e males dos outros, das pessoas queridas e amadas

Ou até mesmo pelos males da humanidade.

Lágrima também é vida!

Acho que tenho vivido muito ultimamente!

Alda M S Santos

Inspire, expire!

INSPIRE, EXPIRE!
Inspire o ar que te cerca, rico em oxigênio
Expire o ar de dentro de si, carregado de gás carbônico
Inspire a luz e a energia boa à sua volta
Expire a escuridão e o medo lá de dentro
Inspire confiança, sabedoria, fé
Expire a raiva, a decepção e a desesperança
Inspire amor e amizade em forma de sorrisos e abraços
Expire a tristeza e a desilusão junto às lágrimas
Inspire, expire! Expire, inspire!
Às vezes tudo parece se inverter
Inspiramos dor, desamor, desconfianças e medos
Somos frágeis, somos humanos, erramos, sofremos…
Temos o direito de não sermos sempre fortes!
Mas como humanos não desistimos, insistimos
E acabamos, cedo ou tarde, aprendendo a respirar corretamente.
Em qualquer lugar que estiver…
Inspire, expire!
Alda M S Santos

E o niver passou…

E O NIVER PASSOU…

Questionada porque não fiz nada,

– Não quis nada!- respondi

-Justo você que sempre organiza comemorações para todos?

-Não tive vontade!

Não é que seja mal agradecida!

Algumas pessoas queridas longe,

Muitas de perto e de longe, que se importaram, enviaram palavras belas e votos de felicidade,

Foi o bastante para uma segundona!

A Deus agradeci a vida e tudo que Ele me proporcionou até hoje,

E que me permita viver o que julgar necessário para ajudar os que se aproximarem de mim.

Que a minha estrela, meu sol interno, mesmo quando houver nuvens

Possam brilhar para mim e para aqueles que amo,

De perto ou de longe!

Que as más águas passem, que levem o que for ruim

E que novas águas tragam sempre coisas boas!

Preciso só disso!

Alda M S Santos

Por aí, noutra dimensão…

POR AÍ, NOUTRA DIMENSÃO…
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ele a tocou de leve, fez um carinho no rosto, uma brisa suave na pele.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos

APPs para facilitar as relações

APPs PARA FACILITAR AS RELAÇÕES

Tantos aplicativos para facilitar a vida digital

E se houvesse aplicativos para o ser humano,

Automaticamente ativados em ambas,

Quando duas pessoas se aproximassem, sem poder burlar?

Tipo em letras luminosas na testa, no olhar, na roupa…

“Totalmente confiável” ou ” Sou uma fraude”

“Se deixar posso te fazer feliz” ou “Só aceito se vier inteiro”

“Totalmente frágil, cuidado” ou “Não se aproxime, perigo”

“Necessitando reparos urgentes” ou “Casada/o e feliz”

“Não perca tempo comigo” ou “Estou precisando de amigos”

“Mantenha distância para nossa segurança” ou “Covarde, tenho medo de viver”

“Sou doação 100%, não aceito menos, consegue encarar?”ou “Não me apego a nada ou ninguém”

“Meu Deus é maior e me protege de toda maldade”…

Entre tantos outros….

Muitas pessoas incompatíveis não se aproximariam

E tantas outras em sintonia não perderiam tanto tempo!

Quantos problemas seriam evitados?

Alda M S Santos

O que nos redime?

O QUE NOS REDIME?

Se o amor não justifica tudo

A ausência dele, tampouco

Se existe nesse mundo ou no outro

Algo capaz de nos redimir

São os atos realizados por amor,

Com amor, para o amor

Em nome do amor…

Não amar, por si só, já é pecado!

Alda M S Santos

Portas, porteiras, cercas…

PORTAS, PORTEIRAS, CERCAS…
Há pessoas que são convidativas como uma porteira entreaberta
Desafiadoras como uma porta com buraco da fechadura
Outras são repulsivas como um muro alto
Ou assustadoras como uma cerca eletrificada
E ainda há aquelas que não possuem cercas, portas
Porteiras ou muros…
Ou por serem totalmente fechadas, lacradas, vedadas a entradas externas
Ou por serem totalmente abertas, dando passagem a qualquer um.
Cedo ou tarde na vida nos deparamos com todas elas
Ou podemos nos tornar um pouco cada uma delas,
E nos eternizarmos uns nos outros…
Alda M S Santos

Naquela rua

NAQUELA RUA

Parado na esquina estava aquele mesmo carro

Que tantas vezes por ali passou, leve, carregando alegria

Agora pesava muito, semblante carregado

Não descia, apenas olhava, esperava, triste,

Que alguém saísse por aquela porta com o mesmo sorriso

A dizer que nada mudou, que o amor era o mesmo

Que nada existia, nem de dentro de si mesmos ou dos outros,

Que pudesse impedir de ficarem juntos.

Aquela casa conhecida, sempre convidativa e amável

Parecia estranha, a dizer que nada mais havia ali de importante.

Isso não era certo! Então porque doía tanto?

Agora todo mundo passava e olhava, menos quem interessava

Enquanto isso não acontecia, entre nascer e pôr de sol,

Esperava, olhava e chorava…

Quem sabe um dia deixaria de doer ou de se importar?

Alda M S Santos

A fila anda!

A FILA ANDA!

Frase preferida das pessoas recém saídas de relacionamentos

E o que se constata é que quase sempre anda para trás.

Na necessidade de “estar” sempre com alguém

Acabam por se envolver com pessoas-problemas da mesma maneira:

Ciumentas, possessivas, com baixa autoestima, desonestas,

Complexo de vítimas, imaturas, comprometidas…

Não se dão um mínimo tempo de reclusão para autoanálise

Não se permitem sofrer ou estar consigo mesmas, repetem os mesmos erros.

Enquanto não avaliarem e mudarem algo em si mesmas,

O “problema” que todos têm e que dificulta as relações, 

Acabarão atraindo ou sendo atraídas pelas mesmas pessoas- problemas.

Pegar qualquer um que está na fila é andar para trás

Entrar nessa fila é fazer pouco de si!

Não se dar um tempo é violentar a si mesmo

É fazer pouco do amor que viveu

É desvalorizar o que ainda poderia chegar de bom.

Se ficasse fora dessa tão falada fila

E da premente necessidade de mostrar que não está só,

Talvez um amor de verdade pudesse ser vivido com plenitude.

Alda M S Santos 

Responsável pelo que cativas

RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS
“Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas!”
Meio pesado, porém, contém alguma verdade
Mal damos conta de nossas ações e sentimentos
Não podemos ser responsabilizados pelas ações dos outros
Tampouco pelo que sentem ou deixam de sentir
Mas, se bem avaliarmos, notaremos certa responsabilidade
Na esperança que ora alimentamos nos outros
Nas promessas que fizemos e deixamos de cumprir
No que fomos ou deixamos de ser para alguém
Ainda que sem saber…
Não somos totalmente “inocentes” no que despertamos no outro
Exupéry, então, tem razão com seu Pequeno Príncipe:
Somos, de certa forma, responsáveis pelo que cativamos!
Alda M S Santos

Amor multiplicado

AMOR MULTIPLICADO

A importância que temos ou tivemos na vida de alguém

Sempre fica impressa em seu modo de ser e agir

Os conselhos, mesmo calados, que soube ouvir,

Os cuidados que passou a ter diante da vida

A coragem em enfrentar certas situações ou fugir de outras

O momento de saber se recolher e esperar

O respeito ao que o outro é  e  considera certo ou errado

O cuidado em não magoar por bobagens

Vemos o amor que o outro soube receber

Quando notamos um pouco de nós impresso neles

Nós nos multiplicamos naqueles que amamos

E que souberam nos amar…

Alda M S Santos

Amor que fica

AMOR QUE FICA

Costumam me alertar: não se apegue demais

Você se envolve muito e depois sofre!

Num momento as pessoas estão bem, noutro podem não estar mais…

Um abraço carinhoso, um toque delicado

Um sorriso sincero e sofrido

O prazer num bom bate papo…

Atenção, companhia, amor desinteressado

E não sabemos quando podem ser os últimos…

Rapidamente são levados de nós pela doença, por males diversos

Pelas circunstâncias das quais não temos controle.

Eles têm me ensinado muito!

Independente de como a gente ou o outro esteja

Não dá pra ter medo de demonstrar amor e carinho

Receio de se entregar e se envolver.

Não sabemos quando aquele abraço, aquele olhar, 

Aquele toque, palavra, sorriso ou lágrima

 Podem ser um adeus!

E isso vale para convívios em qualquer idade ou estado de saúde

A única certeza que temos é a do hoje!

Amemos uns aos outros! Não amar também é sofrer

Só devemos nos afastar de quem amamos,

Quando nossa presença puder causar mais mal do que bem.

A saudade é a dor do amor que fica gravado na alma!

Alda M S Santos 

#carinhologos

A dor

A DOR

A dor é o óleo que deixa

As engrenagens do coração lubrificadas

E o tornam sensível e propício para viver

As posteriores alegrias intensamente,

Sem trepidações ou danos à sua mecânica.

Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!

Alda M S Santos

Um anjo

UM ANJO 

A estação parecia abandonada, não passava nenhum trem

Vários passageiros iam para um lado ou para o outro

Nenhuma bagagem, uns se despediam

Ela estava triste num canto, aguardava

Alguém se aproximou dela

Não parecia um passageiro qualquer

Pareceu reconhecê-lo, mas não se lembrava de onde

Ninguém ali conversava, apenas se olhavam

Abraçavam, choravam, se entendiam

Ele disse “você já pode ir”, apontou para um lado 

 “Não estou pronta, não me despedi”- falou ela em silêncio 

“Já está 50% do lado de lá, vá”

Deu a mão a ela e foram andando, ela se equilibrando no trilho do trem

Quando olhou para trás viu que ele tinha asas, era um anjo

Seu olhar dizia “não posso ir com você” 

Chorando, ela seguiu para um destino com letreiro nas nuvens:

SAUDADE!

Alda M S Santos

Colo(rindo) a alma!

COLO(RINDO) A ALMA

Nunca estamos cansados demais, tristes demais

Para alegrar um alguém, um coração carente

Uma alma já vivida e sofrida

Que, ainda assim, se alegra e agradece

E, ao preencher de cores os desenhos,

Enche de cores sua própria alma

Nos mostrando como lidar com a dor, as angústias, a saudade,

As decepções, a tristeza, o abandono, o desamor, o amor

A fé e a esperança com maestria e bondade

Com um sorriso terno no rosto, um abraço quente

E a alegria de uma boa conversa

Sem qualquer intenção de nos dar lições

Acaba dando mais que recebendo: muito amor

Alda M S Santos

#carinhologos

Por que o mundo não para?

POR QUE O MUNDO NÃO PARA?

Porque o mundo insiste em girar

O Sol continua a nascer, a chuva a cair

O vento a balançar as folhas, os pássaros a cantar

Se eu estou aqui sem calor, sem voz, sem canto

Sequer sinto o vento ou a chuva a me molhar?

Parece uma afronta!

Porque o mundo insiste em girar

As pessoas a sair e a sorrir, a trabalhar

A se amarem, brigarem ou se odiarem

Guerrearem e se matarem…

Se eu estou aqui querendo que ele pare para eu descer

Ou que gire bem rápido e me lance para fora de órbita?

Por quê?

Será que está gritando algo para eu ouvir?

Terá que fazer um esforçozinho um pouco maior!

Alda M S Santos

Nas teias da vida

NAS TEIAS DA VIDA
Uma aranha tece quietinha sua teia

Em muitas e muitas tramas delicadas

Sua casa, sua proteção

Já para os insetos que nelas caem

É suplício, é morte certa

Ali a aranha transita em casa, segura

Conhecedora de cada laço, nó, arte

Para ela a teia é vida

E o inseto se perde, se enrola, se prende

Para ele a teia é morte

E se houvesse uma reviravolta qualquer

E a aranha também se prendesse nas próprias tramas

Como alguém com um transtorno psicológico qualquer

Que não se encontra, não se sente em casa na própria teia

Sente-se como um inseto preso e à beira da morte

Quem poderá ajudar?

Outra aranha que conhece a teia

Ou um inseto que já a enfrentou?

Ora somos aranhas, ora insetos

Sempre nas teias da vida…

Alda M S Santos

Na Chuva

NA CHUVA

Posso vê-la andando ali, devagar

Deixando a chuva cair, molhar tudo

Olha para cima, deixa a chuva molhar seu rosto, se entrega

Senta-se num banco na calçada

Tudo está fechado, é tarde

Coloca uma bolsa a seu lado, abraça a si mesma

Um ou outro transeunte em seu guarda-chuva passa e a olha displicente

Carros esporádicos espirram água para todos os lados

Um cachorro parece se compadecer e para a seu lado

Faz um carinho em sua cabeça, abraça-o

Ambos ficam ali por um bom tempo

Logo ele se vai atrás de uma cadelinha

Ela olha para cima, abre os braços

E se deixa lavar por inteiro.

Enfim, levanta e segue seu caminho lentamente

Ela faz parte daquela madrugada chuvosa, fria e triste

Olha para cima, me vê, percebe-se fora

E volta para dentro de mim

Juntas vamos para casa…

Alda M S Santos

Foto Google imagens

Troco

TROCO

Troco meu sorriso por suas lágrimas

Meu bem-estar pela sua dor

Minha energia pelo seu desânimo

Minha alegria pela sua tristeza

Minha saúde pelos seus males

Minha paz por seu desassossego

Não é que eu seja boazinha ou tola

Talvez seja até egoísmo

É porque sei lidar melhor com as lágrimas, a dor, o desânimo

A tristeza, os males, o desassossego

Quando estão em mim

Do que quando estão naqueles que amo!

Troco, inclusive, meu amor por seu “desamor”

Quem sabe nessa troca a gente não se equilibre melhor?

Alda M S Santos

Será que ainda pensa em mim?

SERÁ QUE AINDA PENSA EM MIM?
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Faz tempo que parece que fui embora…
Será que ainda procura pelo meu bom dia para iniciar o seu
Pelas conversas sérias ou brincadeiras bobas
Pelos papos sem nexo ou silêncios complexos
Pelas brigas tolas, pelos abraços na pontinha dos pés…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Consegue enxergar meus olhos, meu sorriso
Minha alegria contagiante ou energia exagerada
Meu jeito desafinado de cantar, sensual de dançar
Profundo de escrever, agitado de andar
Sincero de dizer “amo você para sempre”…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Do meu jeito único de me vestir ou maquiar
Do meu perfume, dos meus cabelos revoltos,
Dos vestidos rodados, das roupas de ginástica
Do jeitinho acelerado de tudo fazer
Da maneira de rir de suas rabugices…
Será que ainda consegue se lembrar de mim?
Ainda bem que não me deixou ir…
Mesmo que não queira você mora em mim
E eu morarei dentro de você para sempre…
Alda M S Santos

Free day

FREE DAY

E se pudéssemos reviver um dia das nossas vidas

Exatamente como foi. Apenas um. Saberíamos escolher?

E se pudéssemos, ao contrário, apagar totalmente

Um dia de nossas vidas. Seria difícil?

E se pudéssemos rever ou reencontrar alguém

Que partiu de nossas vidas, por morte ou descuido

Bater um longo papo, deixar as lágrimas rolarem

Ou simplesmente abraçar longamente?

Entre quantas pessoas teríamos que escolher?

E se pudéssemos ter um dia livre, um free day

Em que fosse possível fazer tudo que desse vontade

Sem que ninguém fosse magoado, culpado ou punido

O que faríamos? Um dia seria o suficiente?

E se pudéssemos?

Nosso mundo seria um paraíso ou uma barbárie?

Nossas vidas são feitas de momentos que se vão…

Alda M S Santos

Vida Nublada

VIDA NUBLADA

Quem gosta de chuva e dias cinzentos

Tende à depressão- ouvi certa vez.

O tempo lá fora costuma influenciar dentro da gente.

Sol “exige” energia, animação, alegria, festa

Chuva “exige” introspecção, nostalgia, quietude…

Não necessariamente!

O sol ou a chuva apenas conectam o que já há em nós

Potencializam, trazem à tona, tornam visíveis.

Se houver animação, não há chuva que aquiete

Se houver introspecção, não há sol que dê energia

A verdade é que o sol ou a chuva estão dentro da gente

Uns são mais sol, outros são mais chuva

E quem disse que não precisamos de ambos?

Amo dias de sol, mas nada se compara a um

Nostálgico e lindo dia de chuva!

Alda M S Santos

Ai que vontade louca!

AI QUE VONTADE LOUCA!

Ai que vontade louca de não sei bem o quê!

Quem sabe entrar num barco qualquer,

Lançar uma mochila dentro

Sentar e remar, remar, remar…

Bem devagar, deixando para trás o burburinho

Até ter somente água por todos os lados,

Parar, recolher remos, tirar a roupa, deitar e apreciar:

O céu de azul intenso, o sol queimando a pele

As nuvens apostando corrida entre si

Insetos barulhentos que não chegam a incomodar

Acompanhar o voo das gaivotas,

Ver os peixes nadando ao redor,

Avaliando os intrusos em seu espaço

Ouvir todos os barulhos do silêncio,

Conectar o silêncio barulhento dentro de mim

Encantar-me com toda a beleza do “nada”

Sentir o toque profundo, delicado, gostoso,

 Das quentes e úmidas mãos da natureza

E me extasiar…

Alda M S Santos

Foto Andreza Cristina Silva

Há músicas!

HÁ MÚSICAS!

Há músicas para dançar sozinho ou agarradinho

Músicas para relaxar, para adormecer

Há músicas para protestar, para louvar

Músicas para chorar, para sofrer

Há músicas para cantar alto no banheiro, outras para sussurrar no ouvido

Músicas para sentir saudade, para matar saudade

Há músicas para amar, para se sentir amado

Música para ouvir alto no carro, ou baixinho nos fones de ouvido

Há música que nos faz lembrar de alguém, nos tornar lembrados a alguém

Há músicas que só se ouve dentro de nós, lá no fundo…

Músicas fazem nossa trilha sonora.

Amo poesias em forma de músicas!

Alda M S Santos

Vida e Morte

VIDA E MORTE

Nascer e morrer, morrer e nascer

Extremos de uma mesma história,

Ou parceiros nessa caminhada?

Partes comuns de uma mesma vida,

Ou pontos antagônicos?

Por que temos tanta dificuldade em lidar com a morte?

Ela está perto de nós todo o tempo

Quase tanto quanto a vida!

A vemos na natureza: plantas e bichos, água, ar, fogo, terra

E vezes demais entre os humanos também: renovação

A diferença é que morte entre plantas e bichos quase sempre vemos como “natural”.

Aceitar a ideia da morte não significa, necessariamente, desvalorizar a vida!

Acostumar com a morte pode nos fazer ter uma vida plena

Da qual sabemos que terá fim a qualquer momento,

Independente de nossas vontades ou desejos.

O que não é natural é desejá-la mais que a vida.

A morte não deveria nos meter mais medo

Mas a vida nos meter mais coragem!

Alda M S Santos

Adormecido

ADORMECIDO

Quando algo começa a adormecer dentro da gente

Surge alguma coisa para nos despertar da “letargia”

Um homem qualquer de capuz na rua

Uma mulher assassinada ao oferecer carona na rodovia

Uma notícia qualquer de violência e atrocidades

Um pesadelo sobre assaltos, estupros e morte.

Coisas que fazem reviver sensações de terror.

Mais tempo ainda torna-se necessário para adormecer

E fazer a sensação ruim ser jogada fora

Ou empurrada para o fundo e nunca mais sair…

Alda M S Santos

Quando o amor diz: afaste-se!

QUANDO O AMOR DIZ: AFASTE-SE!

Sempre imaginamos o amor como algo que une

Aquele sentimento poderoso capaz de atrair vidas

Uma emoção acima de qualquer mal

Ou seja, quem ama nunca fica longe!

Sempre entende e aceita o modo de ser do outro.

Certo?

Falácia!

O amor puro sim, esse é soberano, mas raridade.

Poucos chegam nesse nível de amor incondicional.

O amor que quase sempre lidamos carrega agregados.

Muitas vezes é amizade, carinho, respeito, admiração,

Mas, noutras, os agregados não são bem vindos:

Ciúme, inveja, possessividade, opressão

Cobranças, desconfianças, ameaças e medos

Se tivermos paciência, sabedoria e amor suficientes, vamos vencendo um a um

Caso contrário, o amor pondera e diz: afaste-se!

Mesmo que seja por uns tempos

Por um, por ambos…

Proteção, cuidado, maturidade!

Se o amor for forte o bastante

Ele certamente voltará: sinto saudades, preciso de você,

Você é importante para mim…

Estar longe nem sempre é sinal de desamor,

Pode ser justamente o contrário!

Pra isso estamos aqui nessa nau

Para amar e crescer ajudando e aprendendo uns com os outros.

Alda M S Santos

Impotência

IMPOTÊNCIA

Não existe sensação pior que a da impotência

A incapacidade de realizar algo que se quer

Por quem se ama, por si mesmo.

Saber do sofrimento, da necessidade premente

Do grito contido, calado, sofrido

No silêncio audível, no sorriso disfarçado

Na distância forçada, na solidão,

Nas lágrimas escondidas…

Saber que tudo que somos de nada vale

Que os caminhos trilhados nem sempre ajudam

Que não conseguimos tirar a dor com a mão, como gostaríamos

E que, certas coisas, somente o tempo pode curar

Ou anestesiar, ou fazer adormecer…

Alda M S Santos

Sonho que sonhei

SONHO QUE SONHEI

Um sonho dos mais antigos: ser bailarina!

Desde pequerrucha sonhava com tudo que envolvia a dança

Particularmente o balé.

As músicas, o figurino, a leveza das bailarinas

Sempre foram um mundo mágico e encantado para mim.

Sonho não realizado, mas a fantasia permanece…

Vez ou outra ainda faço de conta que sou bailarina

Acho que teria tentado “realizar” esse sonho numa filha,

Se tivesse tido uma, ao invés de filhos.

Mas o gosto pela dança é constante, pulsante.

Desde então, muitos outros sonhos vieram,

Aqueles que dependem de nós, dos outros, das circunstâncias

Uns realizados, alguns em partes, outros não.

Mas a fantasia não pode morrer

Ela que dá sentido ao viver.

Uma vida repleta de sonhos pelos quais lutar

É sempre uma vida rica!

Alda M S Santos

Por quê?

POR QUÊ?

Por que conseguimos ajudar a tanta gente

E não conseguimos ser tão úteis aos mais próximos de nós?

Por que conseguimos estender uma mão que é acolhida por tantos

E aqueles que mais amamos a ignoram ou não veem nela o conforto?

Por que o abraço do “desconhecido” aquece mais?

Por que as palavras mais sábias vêm de fora?

Santo de casa não faz milagre?

Será que veem em nós a obrigação de amar e acolher?

Por quê?

Será que somos vistos com nossas falhas e incapacidades

Aquele lado por demais humano, normal, corriqueiro

E não pelas nossas qualidades e capacidade de acolhimento?

Por que será que é tão mais simples ajudar os outros, aconselhar

Que conseguir ajudar, inclusive, a nós mesmos?

Por quê?

Alda M S Santos

Nas voltas que o mundo dá

NAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Dizem que quando começamos a reviver certas coisas

A reencontrar pessoas que ficaram para trás

A relembrar tanta coisa do passado

A resgatar sentimentos e emoções

A ser menos cerimonioso, mais piedoso, menos juízes,

Nossas vidas já deram uma volta completa

E estamos recomeçando, dando a segunda volta, obtendo uma revanche.

Bom seria se pudéssemos ir passando a limpo

Um novo caderno, reescrevendo, desenhando,

Melhorando o que não ficou bonito, borrado pelas lágrimas ou erros,

Dando cor ao que foi maravilhoso, desbotando o que fez mal,

Resgatando o que se perdeu e fez tanta falta!

Nas voltas da vida eu teria muito a resgatar,

A querer reviver, colorir,

Quase nada a apagar…

Bom sinal?

Alda M S Santos

Um tempo para nós

UM TEMPO PARA NÓS

Todos precisamos de nossa individualidade,

Um tempo para nós,

Para mergulharmos no silêncio de nós mesmos

Avaliarmos atitudes, sentimentos, posicionamentos,

Fazermos nossas reflexões, questionamentos, redirecionamentos.

Tempo este quase sempre confundido com solidão!

Desses momentos de liberdade conosco

É que surgem as mais preciosas decisões.

Tantas vezes somos companhia para todo mundo

Exceto para nós mesmos!

Quase sempre a mão que nos salva

O coração que nos ampara

A alma que nos acolhe, mesmo sofrida

Vem de dentro de nós mesmos,

De uma nova reorganização.

Nunca devemos recusar ajuda

A começar pela nossa própria!

Alda M S Santos

Devolve meu interruptor

DEVOLVE MEU INTERRUPTOR

Há caminhos que trilhamos sozinhos

Entre luzes e sombras

Precisa ser assim!

Apenas nossa luz interior o ilumina

Mas é necessário ficarmos atentos.

Para não caminharmos na escuridão,

Precisamos tirar o interruptor das mãos dos outros.

Nossa luz precisa depender mais de nós mesmos!

Alda M S Santos

Arco-íris ao longe

ARCO-ÍRIS AO LONGE

Sempre visível depois das chuvas, das tempestades

Cores lindas, vibrantes, energizantes

De um lado a outro do céu

Onde quer que a gente esteja

É possível vê-lo,

Se não nos concentrarmos nos obstáculos.

É preciso olhar além, mais à frente, no horizonte

Por perto, pode ainda haver os estragos da tempestade

As cercas farpadas que machucam, sangram

E vendam nossos olhos para as lindas cores adiante…

Se quisermos o “pote de ouro” que há além do arco-íris

Precisamos desfocar a cerca

E caminhar…

Alda M S Santos

No travesseiro

NO TRAVESSEIRO

Estacionamos nossa mente ao colocar a cabeça no travesseiro.

Será mesmo?

A quantas anda nossa mente nesse momento tão nosso?

Revive o dia que passou? Alegra-se, lamenta?

Planeja o dia seguinte com esperança e fé?

Dá umas voltas no passado? Sente saudades, quer retornar?

Quem entra, quem sai, quem fica nela?

Temos controle? Conseguimos mudar o canal,

Selecionar momentos, pessoas, sentimentos que queremos?

Ou ela é bandoleira e fica onde quer, livre,

Até se desligar por superaquecimento ou exaustão?

Alda M S Santos

Meu Sol me abandonou

MEU SOL ME ABANDONOU

Meu Sol hoje não me acordou

Não me chamou carinhosamente para a vida

Não me mostrou a beleza que há lá fora

Não me garantiu que essa dor passará

Que essa parte do caminho é válida

Não admirou meu sorriso ou secou minhas lágrimas

Não me convidou a passear no jardim

Não sinto seu calor a me aquecer lentamente

Não vejo seus raios dourados

Não percebo sua energia brotando dentro de mim

E ainda ontem se punha tão lindo em meu horizonte

E irradiava de manhã num maravilhoso alvorecer interno

Não quero me levantar enquanto não senti-lo!

Quero o escuro debaixo de meus cobertores

A segurança de minha cama

O apoio de meus travesseiros

Se não vejo cores, não sinto o calor

Não percebo a beleza, fico aqui

Até que ele possa me acordar de novo todas as manhãs

Abrir as janelas de minha alma

Ou que consiga me mostrar

Que a nebulosidade e a chuva

E a vida em cinza

Também podem ser vida…

Alda M S Santos

Brincadeiras à parte

BRINCADEIRAS À PARTE

Dia das bruxas, halloween,

Doçuras ou travessuras…

Tudo uma brincadeira!

Mas que dá vontade de ser capaz de fazer poções mágicas

Não de caldeirão, mas de coração

Que nos torne mais aptos numa “colherada”

Num abracadabra, numa oração

Ser capazes de trocar o amargo pelo doce

A dor pela alegria

Saudade por reencontro

Egoísmo por solidariedade

Medo por coragem

Lágrimas por sorrisos

Tristeza por amor…

Em nós, nos outros!

Quem não queria?

E não precisa de bruxices

Basta humanidade a fundo

Em doses diárias e ininterruptas!

Alda M S Santos

Amor à vida

AMOR À VIDA

Folhas velhas, seca, repouso

Aparente morte…

Gotas d’água, lágrimas, brotos

Renascimento…

Folhas novas, botão, rosa.

Fases da natureza,

Fases de nós…

Esperança, respeito, fé.

Isso é amor à vida!

Alda M S Santos

Dia dos mortos

DIA DOS MORTOS

Temos dia pra tudo nesse mundo

Hoje é dedicado aos que já se foram

Como se precisassem de dia especial

O máximo que se pode fazer por eles é oração

Qualquer atitude, pensamento ou sentimento bom

Precisa ser feito por aqui mesmo.

E mortos, todos somos um pouco.

Quantas coisas em nós foram mortas

Assassinadas por nós mesmos ou pelos outros ao longo da vida

Ou, simplesmente, deixamos morrer por inanição?

A vantagem dos que estão vivos

É que sempre é possível deixar renascer o que morreu, ou quase

Replantar, cuidar, deixar brotar novamente,

Enquanto houver vida, esperança e desejo…

Alda M S Santos

Im ou explosão

IM OU EXPLOSÃO?

Implosão, explosão, ambas destruidoras

Derrubam, desmancham, apagam, zeram

Em se tratando de pessoas

Qual a que causa menos mal?

Explodir, quase sempre com os outros

E tudo que nos incomoda, machucar

Queimar tudo!

Implodir, para dentro de nós mesmos,

Estourar para o nosso interior,

Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se

Como aqueles espirros contidos…

Qual o menos danoso?

Im ou explodir?

Alda M S Santos

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