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Praga urbana?

PRAGA URBANA?

Seria um pombo-correio?

Chegou pertinho de mim no jardim, joguei água

Querendo impedir que os cães o pegassem

Não voou, ficou me olhando, parecia pedir clemência com os olhos

Fechei a torneira, me abaixei e o peguei

Aquele olhar parecia falar, eu queria ouvir

E “ouvia” os argumentos dos outros para descartá-lo

“Isso é praga urbana, só transmite doenças”

“Que nojo! Mata! Bicho piolhento”

“Solta para os cachorros comerem”

“Isso prolifera igual praga, desequilíbrio ambiental”

“Só serve para distrair os velhinhos que os alimentam nas praças”

Lembrei de casos terríveis de extermínio de mamíferos e aves “nocivos”

E eu via apenas um pombo que me olhava

Que tinha asas para voar e me deixou pegá-lo

De onde veio? Por que estava só? Estaria nas últimas?

Praga urbana?

Para mim era apenas um pássaro

Não era um pombo-correio, mas me trouxe um recado

“Os humanos é que estão se tornando praga urbana

Em sua luta desenfreada para sobreviver roubam a vez de qualquer ser”

Eu o coloquei na beirada do balaústre

Ele continuou a me olhar: “confio em você”

Ficou ali muito tempo e depois voou para o muro

Trouxe seu recado:

“Não há na criação nenhum ser melhor que o outro”

Era mesmo um pombo-correio

Um ser da criação, símbolo da paz!

Praga urbana? Responsabilidade de quem?

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Onde está teu tesouro?

ONDE ESTÁ O TEU TESOURO?

Busque todo o tempo suas relíquias

Procure em seu dia a dia o que lhe dá ânimo e disposição

Invista sempre naquilo que te dá força e coragem pra seguir

Preferencialmente, algo que envolva o outro, que espalhe amor

Encontre nesse agir o teu tesouro diário

Pois ali está o teu maior estímulo, o seu coração

Uma razão pela qual vale a pena viver

“Onde está o teu tesouro, ali também está teu coração”

Alda M S Santos

#carinhologos

Tem gente que se diverte

TEM GENTE QUE SE DIVERTE

Tem gente que se diverte praticando esportes

Há os que se divertem fazendo-se fortes

Tem gente que se diverte em reviver lembranças

Renovando em sua alma a esperança

Tem gente que se diverte em constante animação

Há os que se divertem em tranquila meditação

Tem gente que se diverte trilhando afoito um novo caminho

Buscando paz nesse eterno redemoinho

Tem gente que se diverte fazendo-se palhaço

Mascarando assim o cansaço

Há os que se divertem despertando um sorriso

Encontrando noutro alguém seu próprio paraíso

Tem gente que se diverte sendo amargo, mordaz

Percebendo que essa é alegria fugaz

Há os que se divertem simplesmente por existir

Descobriram que a felicidade consiste simplesmente em estar aqui…

.

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Sou a favor do Brasil 🇧🇷!

SOU A FAVOR DO BRASIL!

Não sou contra a seleção brasileira

Sou contra a seleção de alguns brasileiros

Em qualquer esfera: política, econômica, social, religiosa, esportiva…

Inclusive no futebol!

Sou contra brasileiros bitolados

Que não sabem diferenciar e separar as coisas

Que mergulham a cabeça nos campos gramados do futebol

Nos púlpitos religiosos, na câmara política, nos palcos da hipocrisia

E se fecham para o resto, bom ou ruim

Esquecem que todos nós escrevemos o Brasil!

Tal qual avestruzes, enfiam as cabeças nas areias do egoísmo

Ou se justificam com “isso é Brasil”, como se não fizessem parte

Torcer contra a seleção brasileira de futebol

Não ajuda a eliminar as outras seleções mal feitas!

Futebol é futebol, política é política, religião é religião

A cada um o seu aplauso

Ou não!

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Não combinam

NÃO COMBINAM

Há pessoas que parecem não combinar com gestos de doçura

Nelas o abraço é contido, lateral, envergonhado

Uma demonstração de afeto, se ocorrer, soa com amargura

Um beijo, mesmo na testa, fraterno, parece sempre algo impróprio

O convívio com pessoas fechadas tende a ser difícil, melindroso

Para aquelas que esbanjam carinho e afeto, sem quaisquer amarras

Mas para elas também deve ser complicado, até tenebroso

Manter sentimentos presos num claustro, atrás de invisíveis barras

Nos lábios delas um “eu te amo”, “senti sua falta”, são coisas raras

Não quer dizer que não sintam afeto, ou que vivam de mau humor

Simplesmente não aprenderam que carinho é bom às claras

E que a vida passa melhor quando podemos sentir e demonstrar o amor…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Nascer de novo

NASCER DE NOVO

Quantas vidas temos? Sete, como os gatos?

Quantas mortes são necessárias para nascermos de novo?

Por quantos partos passamos para recomeçar?

“Nasci de novo”!- dizemos ao passar por um risco iminente de morte.

Ignoram as vezes que morremos e nem perceberam.

As vezes em que nos mataram, nos matamos, de tudo quanto é tipo de morte.

Não é só arma ou doença que matam!

Desconhecem as vezes que fizemos nosso próprio parto, calados, sofridos.

Sozinhos nas madrugadas, expulsamos placentas, damos a luz a algo novo.

Parto natural, após cada morte/vivência nova, dolorida, mas produtiva.

Parto cesariana, após um período longo e difícil de gestação.

Usando fórceps, quando quase desistimos, faltava força e coragem para renascer e continuar…

Tantos matam, se matam, gestam e renascem tão facilmente quanto respiram.

Mas renascer exige força e coragem!

Há os partos duplos ou triplos, quando o renascer traz outras vidas consigo.

Quantas vezes morremos, quantas renascemos? Quantas mortes evitamos?

Quem é capaz de dizer além de nós mesmos?

Certo é que um renascer é quase sempre muito difícil!

Até que chega um morrer do qual não conseguimos ou não queremos nascer de novo…

Alda M S Santos

Não vai embora

NÃO VAI EMBORA

Não vai embora quem fincou em nós suas raízes de bondade

Não vai embora quem nos fez sorrir, nos permitiu servir

Não vai embora quem nos demonstrou amor na simplicidade

Não vai embora quem nos ensinou que gratidão é da vida o pão

Não vai embora o amor que é partilha, que irradia, que aquece

Não vai embora quem, sem perceber, ajudou a curar nossas feridas

E, acreditando ser ajudado, nos fez ser cada dia melhores

Não vai embora quem amou sem qualquer garantia, gratuitamente

Pois assim que deve ser todo amor: gratuito e incondicional

Até pode ir, mas sua luz é tão forte, que será presença constante em nós

Até pode ir, mas não vai só, leva parte de nós consigo, pra sempre

E deixa-nos com muitos vácuos, mas repletos de amor e saudade…

Alda M S Santos

#carinhologos

Colcha de retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Sou tal e qual colcha de retalhos

Variados pedaços unidos para formar um todo

Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito

Muitas cores vibrantes, outras apagadas

Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes

E que juntos se unem para formar uma colcha

Vários pedaços tão diferentes entre si

Formando uma única peça que tenta se harmonizar

Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha

E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas

Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar

Alguns verão os tecidos grossos e apagados

Outros verão os finos, delicados e coloridos

Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes

Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados

Também cuidam para não estragar toda a peça

E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas

Assim também é comigo, conosco

Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças

Também do que falta ou sobra em quem nos vê

Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa

Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma

Para vermos melhor as outras “colchas”

Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro

Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo

Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…

Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas

Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho

Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas

E, ainda assim, belas em sua imperfeição

E a vida segue tecendo e costurando suas tramas

Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias

Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…

Alda M S Santos

O bom soldado

O BOM SOLDADO

“O bom soldado não deixa seus feridos para trás”

Independente se está ou não em risco

Se se preocupar apenas com a própria integridade física

Ainda que com vários danos emocionais comuns nas “guerras”

Se seguir em frente sem socorrer aquele ferido que lutou a mesma batalha

Deixando-o à própria sorte, visando salvar apenas a própria pele

Atitude essa que denota falta de caráter, de hombridade

Ausência de humanidade, compaixão e amor

Quem abandona um ferido em “guerra”

Não é apto para as batalhas da vida

Não terá forças emocionais para seguir em frente

Sentirá sempre na alma o peso daquele ferido que poderia ter carregado nos ombros

Nunca será um “vitorioso” de verdade

Estamos todos numa “guerra fria”

Soldados vários lutando por espaço, por pão, por água, por diversão

Por emprego, por amizade, por amor…

Nessa disputa, um que se perde, um que é deixado para trás

Afeta toda a humanidade contida em cada um de nós…

Somos todos soldados de um grande exército escolhidos para estar aqui

Desviando dos obstáculos, caminhando nessas trincheiras, curando feridas

O que diremos quando formos questionados onde está aquele irmão que deixamos para trás

Machucado por nós, pelo “inimigo”, ou por si mesmos

E sequer percebemos que estava ferido tão perto de nós?

Sairemos todos vitoriosos quando percebermos que, ao abandonar seus feridos

Um exército não chega mais rápido e mais honradamente em casa…

Alda M S Santos

Boa ou doída lembrança?

BOA OU DOÍDA LEMBRANÇA?

Que despertamos na memória das pessoas:

Boa, ruim, doída ou gostosa lembrança?

Uma tia baiana que nos “cedeu” sua cama de casal numa visita

E que vi apenas uma vez, faz aniversário hoje…

Lembrar dela é lembrar dessa delicadeza

Com toda sua simplicidade, deixou marca boa, de cuidado, há mais de 25 anos

Temos em nós diferentes marcas, boas ou ruins

Impressas na alma tal ferro em brasa, tal digital

Que nos fazem gratos, saudosos, tristes ou resignados

Qual será a marca que temos deixado na alma dos outros

Daqueles que passaram por nós e ficaram para trás por variados motivos?

Será que são agradecidos ou inconformados?

Será que se lembrarão das delicadas ações

Das “camas” que cedemos, da amizade, do amor, do sorriso, do carinho

Do pouco que tínhamos ou podíamos, e cedemos, como tia Maria Helena fez

Ou da sovinice, maus tratos, críticas, reprovações, lágrimas?

Deixamos como lembrança algo amargo que querem apagar,

Ou doce, digno de ser lembrado e saboreado?

Qual a marca que deixamos naqueles que conosco conviveram?

Alda M S Santos

Troféu empoeirado

TROFÉU EMPOEIRADO

Uma vitrine recheada de medalhas honrosas

Culturais, esportivas, acadêmicas, profissionais

Vitórias, conquistas pessoais, coletivas

Mil histórias para contar, resistência, luta, sobrevivência

Para sonhar, reviver, se orgulhar

E um troféu empoeirado na estante, lindo

Aquele que traz alegria e dor

Sempre há algum…que não julgamos merecer

Que nos submete a prazeres e angústias

Os troféus mais valiosos estão sendo lustrados todos os dias

Dentro de nossos corações

Com a cera calmante e revitalizante do cuidado e amor

Não quero ter um troféu empoleirado e esquecido na estante de minhas emoções

Tampouco ser um troféu empoeirado atrás da vitrine embaçada da alma de alguém

O que se pendura na vitrine ou se expõe na estante, passou, ficou para trás

E ainda estamos aqui

Fazendo valer cada medalha ou troféu

Desejando que cada conquista perdure, que seja eterna…

Alda M S Santos

Vai com tudo e em tudo, Brasil!

VAI COM TUDO E EM TUDO, BRASIL!

Vai Brasil, faz essa nova geração se orgulhar de você!

Mostra sua garra além das chuteiras e gramados

Faça vibrar em nossos corações sua força de gigante

Deixe todos saberem que somos povo guerreiro e lutador

Que nossa força de nação vai além do futebol e do carnaval

Que sabe cuidar dos seus, sem precisar rebaixar ninguém

Mostre para seus velhos torcedores descrentes que eles não esperaram em vão

Mostre para seus atuais torcedores, receosos de aparecer, que você ainda está vivo

Mostre para sua nova geração de Helenas, Bias e Mateus

Que eles são nossa maior força e razão de lutar

Que eles são nossa esperança de um Brasil vencedor

Um Brasil que brilhará no céu de todos nós

Nesse e em todos os instantes…

Vai Brasil! Faça-nos entender que Brasil somos todos nós!

Vai Brasil! Vai com tudo e em tudo!

Seja vencedor de todos os gramados e tablados…

Alda M S Santos

Quanto vale um sorriso?

QUANTO VALE UM SORRISO?

Um chapéu, uma maquiagem caipira, bandeirinhas, uma quadrilha

Canjica, caldos, paçoca, pipoca alimentando o corpo

Acertando o bocão, derrubando pinos de boliche

No anzol, pescando mais que alguns peixinhos

Satisfação de transpor limites do corpo

Pipocando o prazer de ser valorizado, de fazer parte

Como crianças, comemorando cada vitória, cada prenda

Resgatando (des)afinadamente a poesia das canções antigas

Pingo a pingo a serotonina invade cada corpo que mexe e remexe

Desafiando as limitações físicas e mentais

Não há cadeiras de roda, bengalas ou andadores que façam frente a essa força

O prazer de viver irriga a alma, reflete no olhar

Sorrisos valiosos regados a música, dança, amor e alegria

Quanto vale um sorriso desses?

Alda M S Santos

#carinhologos

Eternidades que fazem de nós sua morada

ETERNIDADES QUE FAZEM DE NÓS SUA MORADA

Uma suave canção de ninar, braços suaves a nos embalar

Um brinquedo inseparável, cheiro de segurança quase palpável

Uma turma de amigos malucos, uma força a mais ao arrombar as portas pesadas do mundo adulto

Um primeiro amor impossível, uma paixão a nos ensinar as primeiras dores do coração

Um olhar, uma sintonia, almas que se encontram, se beijam, se afinam em deliciosa harmonia, parceria para a vida

Um choro, um pequeno ser, uma vida a nós entregue para cuidar e dia a dia nos refazer

Uma amizade, uma mão que se oferece, um olhar de apoio, aceitação que nos envaidece

São marcas, lembranças, memórias, saudades

Infância, adolescência, relacionamentos, maternidade, amizades

Pequenas grandes delícias que se eternizam em nosso ser

E nos fazem estar vivos quando tudo parecer morrer…

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene

Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai

Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças

Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna

Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços

Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios

Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono

Adultos espremidos entre a infância e a velhice

Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada

Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones

Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada

Todos “gritando” por socorro

Quem é capaz de ouvir?

Cada qual gritando sua dor de um modo

No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar

Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas

Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas

Na irritação desmedida, nos vícios diversos

Quem é capaz de ouvir?

A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico

No sentir e no demonstrar

Mas há sempre uma “droga” a nos salvar

Até que não haja mais salvação

Quem é capaz de ouvir?

“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também

E, talvez, conseguirmos nos salvar…

É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro

Mergulhar fundo na própria dor

Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…

É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”

O mundo pede socorro

Quem é capaz de ouvir?

Alda M S Santos

Espírito verde/amarelo enterrado a 7 palmos

ESPÍRITO VERDE/AMARELO ENTERRADO A 7 PALMOS

O espírito da copa do brasileiro está enterrado no 7 x 1

Não só naquele que todos queríamos esquecer

Está enterrado a 7 palmos de decepções e angústias

7 gols que tomamos todos os dias

Nossa camisa canarinho está rota, rasgada, esfarrapada pelos usos e abusos dos 7:

Educação, saúde, violência, transporte, desemprego, miséria

E para jogar a pá de cal, corrupção/ladroagem

Mas ainda há aquele gol a favor, afinal foram 7 x 1

Aquele único gol que representa resistência, sinal de vida

A fé do brasileiro, aquele que é forte, mesmo nas adversidades

Alegre e solidário, carinhoso e lutador mesmo na lona

Compreensível que esteja enfraquecido e descrente

Desanimado e desesperançoso, quase entregue às hienas

Aceitável que não queira mais investir nessa válvula de escape que é o futebol

Mas enterrar o patriotismo, inclusive declarando-se anti-brasileiro,

Não ajuda em nada o nosso “time”

Não a seleção de futebol, mas o time de brasileiros guerreiros do dia a dia

Que, independente dos gols que tomam, ou que cometem contra si mesmos,

Continuam nessa disputa até o fim

Países de primeiro mundo que tanto aplaudimos ou aqueles paupérrimos são extremamente patriotas desde o berço, de ouro ou de palha.

Matar o patriotismo é matar nossa chance de melhorar

Não se joga o que tem de bom fora, porque o restante está com sérias avarias

Não destruímos a audição quando a visão escurece

A hora é de ativar o que temos de bom e forte

E se agora é o futebol que nos fortalecerá, que seja

Sabendo, é claro, que ele não pode vendar nossos olhos

Ao contrário, deve servir para dar ânimo para lutar por outras questões:

Aquelas 7, lembram?

Precisamos vencê-los(as)!

Por cada um de nós!

Alda M S Santos

Zero a zero

ZERO A ZERO

-Zero a zero! -Pra quem?

A piada não é tão sem sentido!

Ficou zero a zero, ninguém ganhou, ninguém perdeu

Placar chocho, sem graça, desestimulante

Ou tranquilo, pacífico, satisfatório?

Como encaramos o placar neutro?

Tudo irá depender do investimento em tempo, preparação, dedicação

Da qualidade de nossos “jogadores”

Do nome que temos a zelar no ranking “esportivo”

Da equipe de apoio que levamos conosco

De todos aqueles que dependem de nós

E da expectativa criada sobre o jogo

Se muito se havia a perder

Zero a zero é placar vitorioso

Significa ausência de perdas

Se muito se havia a ganhar

Zero a zero é placar de derrota

Entre todas as chances, ganho zero…

Nos jogos da vida quais têm sido as expectativas que criamos,

Qual nosso estímulo para continuar em campo?

Honramos ou maldizemos? Louvamos ou reclamamos?

Nos placares da vida nada é tão absoluto

Um placar neutro pode ser um prêmio digno de medalha entre tanto a perder

Uma derrota honrosa pode valer mais o troféu que uma vitória roubada, ilícita

Qual tem sido nosso placar no jogo da vida?

Alda M S Santos

Previsão do tempo

PREVISÃO DO TEMPO

Tempo propenso a grandes instabilidades físicas e emocionais

O ar úmido e quente vindo dos trópicos alheios pode nos atingir em cheio

Avariando corpo, mente, alma e coração

Maré alta em nossos oceanos acabam por provocar grandes tormentas, frustrantes e dolorosas ressacas

Umidade interna intensa e sujeita a transbordamento ocular

Nebulosidade ao longo do dia turvam a visão ocasionando temporais isolados e destrutivos

Ventos polares fortes trazem a conhecida, terrível e viral massa de ar frio

Causadoras de males pulmonares, circulatórios e cardíacos

Agasalhe suas emoções! Movimente-se!

No oeste há chuvas torrenciais, cuidado com inundações e os lixos trazidos

Lembre-se do guarda-chuvas!

Granizos de variados tamanhos podem machucar, causar grandes danos e deixar marcas

Aproveite para colocar na enxurrada o que não mais lhe serve

No leste, chuva fina intermitente, daquelas que aguam o passado, baixam a resistência no presente, comprometem o futuro

No Sul possibilidade de alta luminosidade, sol forte e calor

Abra as janelas da alma, deixe a brisa suave e o sol entrar, aqueça-se

Coloque os guardados para tomar um ar

Tome um ar você também, inspire fundo, expire…

O tempo é só o tempo: mutável e instável

O clima é o que fazemos dele…

Escolha um clima bom para você viver!

Alda M S Santos

Time completo?

TIME COMPLETO?

Prontos para entrar em campo

Os times seguem em frente, esperançosos ou nem tanto

Almejam a vitória, mas sabem que só um será campeão, só um levará a taça…

Desfalcados ou completos, nós também estamos nesse gramado chamado vida

Defesa vazada muitas vezes, deixando passar bem mais que uma bola

Ataque fraco nos impedindo de avançar rumo ao gol

Ou agressivo demais, acabando por conseguir faltas graves e expulsões

Meio campo sem boa visão do jogo todo, perdendo oportunidades

Treinador ignorado, ora por ser muito exigente, ora por não cobrar o bastante

Técnico inexperiente ou senhor de si, mas que não harmoniza as posições em campo

Goleiro que deixa passar bolas já conhecidas e nos colocando em apuros

E, mesmo que o time esteja totalmente em sintonia, tudo pode acontecer

No gramado ou na vida, incidentes são comuns, “zebras” acontecem

E, contundidos ou inteiros, precisamos seguir…

Mas todos podem sair vitoriosos

Independente do resultado final em campo

Vale o que cada um trouxe para si de valioso

O que deixou de aprendizado, a consciência de ter feito o melhor

A certeza de que nesse gramado chamado vida

O que realmente vale é participar ativamente do jogo

Deixando e levando boas lembranças, mesmo sem medalhas …

Bom jogo a todos nós!

Alda M S Santos

Digam o que quiserem, um carinho sempre faz bem…

DIGAM O QUE QUISEREM, UM CARINHO SEMPRE FAZ BEM…

Digam o que quiserem, um carinho sempre faz bem

Na cadeira de rodas ela agora passa suas horas

Não fala, não anda, dependente dos outros para tudo

Cheguei, me abaixei, fiz “festa” por encontrá-la fora da cama

Beijei seu rosto de pele negra, enrugada, 92 anos, macia

Beijei também suas mãos, uma envolta em faixa para não arrancar as sondas

Falei que senti saudades, que a amava, que Jesus a protegia

Sorriu feliz, olhos úmidos, querendo falar comigo – “ela só quer, só pensa em namorar”,

Fiz muito carinho em seu rosto, relembrando canções que cantávamos

“Ela está feliz, sorrindo, gosta de você, não aceita carinho assim de todos”- diz uma cuidadora

Falei que éramos amigas e que ela já havia me contado do antigo namorado que ficava horas batendo papo com sua mãe

Dizia que ele era um homem branco como eu e muito bonito- sorria, sapeca, enquanto eu relatava os bons tempos dela

Pode parecer muito pouco, mas esse carinho e cuidado faz bem para quem recebe

Mas fico tão emocionada que acredito que faz melhor ainda mais para mim…

Esse alimento da alma é tão necessário quanto o pão do dia a dia que alimenta o corpo

Um carinho sempre faz bem e não tem contraindicações

Digam o que disserem…

Alda M S Santos

Amistosos?

AMISTOSOS?

Treino é treino, jogo é jogo

A máxima dos esportes, em alguns aspectos, também se aplica à vida

A premissa de que a torcida é um jogador a mais pode ser válida

Mas nem sempre é um jogador bom e produtivo

Diante de uma torcida eufórica, a favor ou contra, quem se ”apresenta”, se mostra

Está sob avaliação externa nem sempre positiva ou justa

Abstrair-se é a instrução, olhar ao longe, ficar zen

Ou para dentro de si mesmo, ignorando as cobranças externas

Que, quase sempre, têm reflexos no que vai dentro da gente

No entanto, não dá para ignorar a relação ambígua que temos com a torcida e os expectadores

São eles que nos estimulam a ser cada dia mais e melhor

Que nos impulsionam ou detonam com a confiança ou a descrença

Apenas precisamos saber quem realmente somos e do que somos capazes

Não há barganhas, nossa torcida interna é a que precisa prevalecer

Porque na vida, ao contrário dos esportes, não há treino

Na vida não há jogos amistosos

Jogamos a valer todo o tempo

E o peso da taça somos nós que carregamos…

Alda M S Santos

Romântico ou piegas?

ROMÂNTICO OU PIEGAS?

Flores com cartão apaixonado

Cartas perfumadas de amor e poemas singelos

Passeios numa praia paradisíaca ou na praça para comer pastel e caldo de cana

Romântico ou piegas?

Telefonema no meio da madrugada, SMS com corações

Jantar à luz de velas, assistir abraçadinhos ao pôr do sol

Romântico ou piegas?

Andar de mãos dadas, deixá-la dormir primeiro para ficar admirando

Ligar no meio da tarde pra dizer eu te amo

Romântico ou piegas?

Apelidos dengosos, música especial, dança sensual

Um “pilequinho” caseiro vez ou outra

Romântico ou piegas?

Comprar um agradozinho em qualquer dia

Abraços, beijinhos e carinhos no meio da rua

Romântico ou piegas?

Saber olhar nos olhos, ouvir com o coração, atender com a alma

E saber gritar o amor em qualquer dia, mesmo no silêncio das atitudes

Romântico ou piegas?

Sei lá! Acho tudo romântico!

Ainda que corra o risco da pieguice

Prefiro isso ao desamor,

Que tem sido a marca registrada desse mundão!

Alda M S Santos

Ser namorados

SER NAMORADOS

Ser namorados é encontrar felicidade no sorriso do outro

É chorar e sofrer perante a dor do outro

É encontrar calor num corpo que não é seu

É deixar o coração bater noutro peito e não morrer

É buscar alegria e satisfação fora de si mesmo

Ser namorados é descobrir que o mundo gira melhor

Quando se faz translação emocionalmente, e não só rotação todo o tempo

É curtir cada estação advinda daí

E sentir prazer na tontura que provoca

Ser namorados é entregar para o outro sua tetra-chave

E confiar que ele saberá usá-la para te salvar

Te “levar”, sem te roubar

Te ter, sem te prender

Te permitir ser o que é, e ainda assim te amar

Ser namorados é sentir-se, paradoxalmente, forte quando se é fraco

É encher-se na mesma medida em que se esvazia, se doa e confia

É abrir mão do que te faz bem, mas que talvez possa fazer mal ao outro

Ser namorados é fazer amor, é ser amor, é doar amor

É fazer da vida um grande, eterno e emocionante primeiro encontro…

Alda M S Santos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade

Credulidade, confiança

Quando se perde na vida

Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade

Pureza, sorriso solto, iluminado

Quando se perde na vida

Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade

Transparência, curiosidade

Quando se torna ambiguidade

O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade

Sinceridade, esperança

Quando se perde na vida

Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade

Carinho, naturalidade

Quando isso se transforma em

Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade

Paz, gratuita amorosidade

Quando se perde na vida

Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,

Quando se perde a simplicidade

Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Somos músicas

SOMOS MÚSICAS

Somos músicas na vida uns dos outros

Músicas de todo tipo, ritmos e duração

Suaves, bem românticas, de dançar agarradinho

Bem quentes, agitadas, de suar e liberar a energia

Umas para cantar e ouvir bem alto, junto dos outros

Outras para curtir sozinhos e silenciosos

Ou aquelas de letra marcante, verdadeira declaração de amor

Vestem como uma luva nosso estado de espírito

Podemos ser daquelas da parada de sucesso

Chegam rápido, fazem o maior auê

E se vão tão velozes quanto chegaram

Ou daquelas que se tornam clássicas pela beleza e poesia

Como canto incessante de pássaros

Nunca se perdem no tempo, relíquias, preciosas, saudosas

Podem ter décadas e décadas, e de “vez em sempre” voltam

Chegam devagarzinho, grudam na nossa mente

E mesmo depois que passam nos pegamos cantarolando

Ainda que apenas em nosso interior…

E há aquela que é nossa verdadeira música, nossa trilha sonora especial

Aquela gravada no vinil da nossa alma

Que toca na nossa vitrola, com agulha personalizada, sensível

Músicas e pessoas são marcantes

São melodia, são poesia na vida da gente.

Alda M S Santos

Erro de Deus?

ERRO DE DEUS?

“Se há algo que Deus errou ao criar o mundo foi tê-lo entregue à “administração” masculina.”

A vendedora ambulante me dizia quando fui comprar toucas de lã e meias de cano longo.

Afirmou que quase não vendiam por serem usadas com botas e homens não queriam saber de trabalhar.

Falei que precisaria das meias longas, pois seriam brindes para a Festa Junina dos idosos dos asilos que meu grupo ajudava.

“Aposto que são apenas mulheres que ajudam!”

Expliquei que havia alguns homens no grupo, mas que a maioria era mesmo mulheres.

“Tenho minhas dúvidas quanto a Deus ter criado Eva a partir da costela de Adão.”

Sorri solidária.

“Como pode parte da costela ser algo bem melhor?”- não se conformava!

Apesar de brincar, parecia muito chateada e certamente carregava nas costas algum homem preguiçoso e folgado.

“O mundo será melhor quando as mulheres puderem tomar a frente de tudo”!

Consegui algumas meias e um bom desconto nas toucas.

“Para ajudar”- ela disse!

Fui embora pensando naquilo, quase esbarrei no carrinho de picolé de um senhor bem velhinho, bem pequeno, sorridente.

“Um picolé, moça distraída?”

Sorri e agradeci. Olhei para seus pés. Elogiei as botas que usava…

Pus-me a pensar nos homens e mulheres ao longo de minha vida.

O mundo seria melhor se fosse mais feminino.

Era mesmo uma questão de gênero!

Não de gênero físico, mas de gênero da alma.

Almas femininas são mais sensíveis e fortes, paradoxalmente, e administrariam bem melhor esse mundo!

Alda M S Santos

Não temos esse poder!

NÃO TEMOS ESSE PODER!

Não temos poder de tirar o sofrimento de ninguém

Mas podemos desviar o foco da dor, qualquer uma

Por poucos segundos que seja

Independe se com uma “palhaçada”, uma canção ou uma flor

Um abraço fraterno, uma palavra de estímulo ou ouvido atento

Um olhar de aprovação, um toque afetuoso ou um silêncio cúmplice

O que queremos é desviar o foco daquilo que fere, corta, machuca, sangra

Queremos despertar sorrisos e afastar a tristeza

Quer seja no outro, quer seja em nós mesmos

Pelo máximo de tempo que conseguirmos

Esse poder todos nós temos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Por detrás de cada sorriso

POR DETRÁS DE CADA SORRISO

Que há por detrás de seu sorriso?

Todo sorriso carrega algo especial, encantador

Objetiva levar alegria, trazer júbilo consigo

Mas nem sempre é assim

Que há por detrás de seu sorriso?

Esse sorriso largo, colorido e iluminado

É um modo de se proteger, de se curar

De dizer que é forte, que vai superar?

Que há por detrás do seu sorriso?

Você é capaz de assumir, de identificar

No seu, nos dos outros?

Ou prefere não se preocupar?

Que há por detrás de seu sorriso?

Felicidade, paz, fé, alegria, inocência

Animação, sapequice, sensualidade

Ou traumas, medos, culpas, saudades

Dor, decepção, tristeza, fuga?

Escondido atrás de um sorriso que pretende levar amor

Há quase sempre um forte desejo de trazê-lo de volta na mesma proporção

De apagar ou amenizar algum mal que poderia ser fatal

Que há por detrás de seu sorriso?

Independente do que seja, não abra mão dele

Amarelo, triste, feliz, brilhante, opaco, que não chega aos olhos, não importa

Ele é a porta de entrada para tudo que há de bom…

Alda M S Santos

#carinhologos

Sentia frio…

SENTIA FRIO…

Todos os dias levantava cedinho

Sentia frio sempre, muito frio…

O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer

Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam

Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias

Sentia frio sempre, todo o tempo…

Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções

Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas

Será que tinha saudade de sua meninice?

No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa

Ficou um tempo a observá-los

Havia calor ali…

Mas ele sentia frio, muito frio…

Daquele que atinge os ossos, todo o interior

Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia

Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas

Queria se aquecer novamente!

Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe

Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança

Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada

Queria que o frio fosse embora

Queria aquecer a alma…

Alda M S Santos

Nada tão humano

NADA TÃO HUMANO

Nada tão humano quanto a necessidade de aprovação

Quanto o desejo de agradar, de ter atos e pensamentos admirados

Ser aceito pelo que demonstra de si mesmo

Até naquilo que tenta esconder

Nada tão humano quanto a necessidade de ter atos corroborados

De parecer bem e correto aos olhos dos outros

Ser aprovado é ser aceito, ser aceito é ser amado

Nada mais humano que a necessidade de ser aprovado e amado

Por si e por seus semelhantes, ter companhia e apoio

Porque essa necessidade é sinal de incompletude, de imperfeição própria

E o que é mais humano que a imperfeição?

Alda M S Santos

Quero voltar para casa

QUERO VOLTAR PARA CASA

Triste ver quem foi sempre “atividade” e amor

Presença, sorriso e luz definhar dia a dia

Aparelhos de todo tipo mantendo a “vida”

Respiram, se alimentam, excretam por aparelhos

Estão vivos!

Gemem, roncam, dormem, choram, desconhecem a todos

Memórias antigas, arrependimentos, saudades

Não existe mais o hoje, o amanhã, apenas a carga do ontem

Leve ou pesada, é a que carregam…

Leve ou pesada são a “carga” de alguém

Será que sonham?

Se pudessem escolheriam ir embora?

Deveríamos poder dizer “cansei de brincar, vou para casa”

Essa brincadeira já está machucando, perdeu a graça

Quero pegar o caminho de volta, ou pra frente, tanto faz

Desde que me leve de volta para casa, para o aconchego do Pai

Uma escolha que não nos é permitida

Nem para conosco mesmos, sem sermos “interditados”

Nem para com aqueles que amamos

Sem sanções legais, religiosas, espirituais, emocionais, psicológicas

Deveríamos poder sair de campo, do jogo

Enquanto ainda pudermos escolher, sem manchas no “currículo”, sem humilhações

Escolher a hora do apito final, humanamente, mesmo no zero a zero

Quero poder escolher a hora de voltar para casa!

Alda M S Santos

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21 meses de blog VIDA, INTENSA VIDA!

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São números, mas significativos para mim…

Uma blogueira “escritora” feliz e agradecida!

Meu carinho especial a cada um de vocês!

Obrigada! 😘🙏

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Nos caminhos da vida, se olharmos para baixo, para nossos pés

Perderemos as belezas do horizonte colorido adiante

Os lindos contrastes de sombra e luz que nos estimulam

Nos caminhos da vida, se olharmos só para frente

Os aclives acentuados, a poeira, a distância do destino

Podem ser desanimadores e nos fazer desistir

Nos caminhos da vida, se olharmos para dentro de nós

Dependendo dos labirintos escuros que encontrarmos

Poderemos nos perder, escorregar nas desculpas esfarrapadas e medos e estacionar

Nos caminhos da vida, se olharmos para trás

Veremos todo o caminho já vencido, as dificuldades superadas, lutas e conquistas

Retomamos parte do ânimo, da coragem, obtemos um refrigério

Nos caminhos da vida, se olharmos para um dos lados

Veremos uma das razões para seguirmos

De termos chegado até ali: os companheiros de jornada pelos quais fazemos tudo

Nos caminhos da vida, se olharmos para o outro lado

Veremos a força que nunca nos abandona: Deus

Mais um passo à frente, mais firme e seguro, sorriso no rosto cansado

Humanamente, seguimos…

Alda M S Santos

Viver é contagioso

VIVER É CONTAGIOSO

Mau humor e dor contagiam tanto quanto vírus

Frieza e indiferença são transmissíveis no ar

Alegria “pega”, tristeza “pega”

Basta estar perto e aberto e respirar

Se não podemos escolher com o que ser contaminado

Temos alguma escolha naquilo que queremos contaminar

Escolhemos contagiar o mundo de coisas boas, de amor

Basta de tristeza e dor

Abraços e carinho são profiláticos

“O amor é contagioso”!

Alda M S Santos

#carinhologos

#abracosgratis

Hoje, não!

HOJE, NÃO!

Hoje quero ver o lado bom das pessoas

Aquele que muitos preferem não ver

Não quero enxergar as falhas, os egoísmos, as covardias

Não, hoje não!

Hoje quero me alegrar com o sol que brilha

E possibilita nossa própria fotossíntese

Não quero reclamar do calor ou do frio, da chuva ou da seca

Não, hoje não!

Hoje quero me fixar nas saudades boas, nas risadas gostosas, no amor vivido

Não quero lembrar das decepções, dos medos, das ingratidões

Não, hoje não!

Hoje quero ser grata ao passado que me formou,

Ser ativa no presente que me mantém, esperançosa no futuro que me aguarda

Não quero ser daquelas que se enfurnam na tristeza e se afogam nas próprias mágoas

Enquanto buscam culpados para o lago sujo que se forma a sua volta

Não, hoje não!

Hoje quero ser o bem, fazer o bem, levar alegria pelo caminho

Hoje quero fazer essa travessia mergulhada em sorrisos

Não quero esperar muito do mundo, apenas me doar e ser grata ao que vier

Não, hoje não quero reclamar de nada!

Hoje quero ser paz e fazer apenas um pedido

Todos os dias podem ser como hoje?

Alda M S Santos

Que fazemos com nossos lixos?

QUE FAZEMOS COM NOSSOS LIXOS?

Cuidar do meio ambiente é também cuidar de nossos lixos: tóxicos ou não

Que temos feito com nossos lixos?

Jogamos nas águas rasas humanas, contaminando o ambiente alheio?

Enterramos em nós mesmos, bem fundo, contaminando nossos lençóis freáticos?

Reciclamos, transformando dor em pérolas, o nocivo em algo útil para nós e para todos?

Bom lembrar que todo lixo que jogamos “fora” circula e volta para nós

Produzir menos lixo, menos sentimento tóxico é importante

Mas saber transformar o lixo produzido em arte é fundamental

Reciclar os cacos de vidro cortantes que recebemos dos outros

Transformando-os em amor é habilidade especial

É um modo de preservar nosso meio ambiente

É uma maneira de conservar nossa alma viva!

Que você tem feito com seus lixos?

Alda M S Santos

A bola é minha!

A BOLA É MINHA!

Emburrado, saía pisando duro com a bola debaixo do braço

E voltava sozinho para casa

– A bola é minha!- dizia sentindo-se superior

Não podendo ser contrariado ou aborrecido

Sem saber perder o que quer que fosse

O garoto “riquinho”, dono da bola, não sabia ceder

Encerrava a brincadeira em que todos se divertiam juntos

Sem saber negociar, não percebia

Que ao apelar para o recurso do “dono do brinquedo”

Com o intuito de punir os companheiros, de mostrar quem mandava

Ele também se punia…

“Brincar sozinho não tem graça! “- concluía

Os outros, muitas vezes, substituíam a brincadeira e continuavam a se divertir…

Quanto mais cedo descobrirmos que mais vale saber brincar,

Aceitar os outros como são, com suas falhas e excessos

Que ser o dono da bola ou da verdade

Mais vamos aproveitar os bons momentos

Quanto antes percebermos que é mais divertido oferecer o que temos

Quando aceitamos o que os outros podem nos dar também

Mais amigos verdadeiros faremos

Mais felizes seremos…

Com a bola e com a vida, mesmo sendo os donos, não se brinca sozinhos…

Alda M S Santos

Flores no caminho

FLORES NO CAMINHO

São flores, doces, lindas, coloridas

Enfeitam, perfumam, ocupam todos os espaços possíveis

Alegram os caminhos nem sempre fáceis ou justos

São vida!

Pelo olhar adentram a alma, invadem recônditos escuros

Deixam uma suave fragrância de vida onde passam

Abrem um sorriso iluminado onde tocam, em quem presenteiam

Fazem minar nos olhos gotas brilhantes como orvalho

Mas também precisam ser podadas, cortadas

Ou podem sufocar tudo a sua volta, matar por asfixia

A sabedoria consiste em identificar o momento certo da poda

E o quanto é possível cortar sem matar

E seguir o caminho …

Na esperança de novo broto, mais forte e mais bonito

Nos ciclos vitais da natureza que brotam dentro de nós

A primavera vem mais bonita para quem soube apreciar o inverno

Não somente tolerá-lo!

Alda M S Santos

Caiu, quebrou…e agora?

CAIU, QUEBROU…E AGORA?

Bela, frágil, delicada

Caiu, quebrou, vários pedaços cortantes

Entornou, molhou, feriu, machucou, sangrou

E agora?

Junta tudo, enrola num jornal, põe para o lixeiro

Cristal quebrado não tem conserto!

Caiu, quebrou…e agora?

Guarda todos os cacos num cantinho como lembrança, revisita, faz um concerto dentro de si

Afinal, teve seus dias de glória, conta uma história especial e bonita

Caiu, quebrou…e agora?

Segue faltando pedaço, adapta-se ao que restou, meio vazio, meio cheio, entornando por aí

Caiu, quebrou…e agora?

Cola cada pedacinho como der, com cuidado para não mais se ferir

E continua a servir o doce vinho, o amargo Campari

Ou a borbulhante champanhe

Celebrando a vida…

Cada “cicatriz” a torna única, original, ímpar

Sinal de queda, mas também de vitória, aprendizado e sobrevivência…

Caiu, quebrou…e agora?

Cole! Seja o cristal ou a vida!

Alda M S Santos

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

-Caí no poço!

-Quem te tira?

-Meu bem!

-Seu bem é esse? É esse?

-Que você quer dele? Maçã, pera, uva ou salada mista?

E as crianças brincavam na rua, felizes, escolhendo seus “pares”

Ganhando beijos, abraços, apertos de mão

Sem saber que a brincadeira era “preconceituosa e sexista”

Que formava pessoas dependentes, inseguras e frágeis

Hoje, para ser politicamente correto, seria mais ou menos assim:

– “Caí no poço!”

– Tem certeza? Ninguém cai assim! Quem te jogou? Não aceite! Denuncie!

– “Quem te tira?”

– Seu “bem” que nada! Não dependa de ninguém, aprenda a se virar, empodere-se!

– “Seu bem é esse?”

– Nada isso! Você é seu próprio bem! Abra os olhos! Veja bem onde está se metendo! Não se iluda!

– “Que você quer dele?”

– O quê? Ninguém dá nada para ninguém! Devemos conquistar o que queremos e não esperar nada do outro, além de respeito!

Assim, o mundo vai ficando cada dia mais sem graça

Cessam as brincadeiras de rua, com amigos reais, que nos divertiam

Nos faziam crescer, nos ensinavam a lidar com diversidades e adversidades

E nos preparavam para enfrentar um mundo, cada dia mais chato e cruel

E não recebemos nada melhor em troca…

Com pretensões de não ser excludente, de se tornar mais justo e igualitário

O “novo mundo” exclui, e muito, nossa capacidade de lidar com ele

E com aqueles que o habitam, independente de gênero, cor, raça, cultura ou sexo…

-Caí no poço! Quero ajuda! Quem me tira?

E quero salada mista!

Alda M S Santos

Detox emocional

DETOX EMOCIONAL

Desintoxique, limpe, oxigene-se, reorganize

Chore, deixe escoar, lavar o pó acumulado e a ferrugem

Não alimente ou conserve emoções dolorosas ou negativas

Delete, apague, jogue na lixeira, tire teias de aranha

É como arrumar a casa- dizem

Fazem parecer tão simples! Que nada! Mas é preciso!

Abrir as janelas da emoção, deixar entrar a luz, novos ares

Permitir que o sol aqueça os cantos esquecidos, o limo acumulado

Ou aqueles espaços úmidos pelas lágrimas constantes

Também é necessário lustrar e iluminar os sorrisos e alegrias do passado com cuidado

Para que não escureçam e virem nuvens negras dentro de nós

E é preciso descartar o que já não produz nada!

Em meio a tanto lixo tóxico e outros reaproveitáveis

O risco é jogar fora algo valioso, cuja falta nos “apagaria” de vez

Aquilo que foi guardadinho com carinho num canto especial

Que mostra que tudo por lá valeu a pena

Saudades e lembranças, dolorosas ou não,

São como brinquedos espalhados, paredes riscadas, manchas nos móveis, fotos nos porta-retratos

Sinal que ali houve vida em abundância

Casa bagunçada, com fumaça na chaminé, indica moradores vivos

Todo cuidado é pouco ao se fazer uma faxina, um detox emocional

Para não jogar fora o bebê junto com a água do banho…

Alda M S Santos

Simplesmente, viaja…

SIMPLESMENTE, VIAJA…

Da janela, na janela, para o mundo

Simplesmente, viaja…

Ora em grandes navios no vasto oceano ou em barquinhos de pescadores

Ora em aviões bimotores, supersônicos ou teco-tecos

Simplesmente, viaja…

Ora em foguetes para o espaço sideral ou fugindo no calor do deserto

Ora caminha em florestas densas e fechadas ou deitada na relva sob o luar

Simplesmente, viaja…

Nas páginas de um livro, romance, poemas

Sozinha ou acompanhada, lutando ou desanimada, feliz ou nem tanto

Nas asas da imaginação, da memória

Nos capítulos felizes ou infelizes do passado

Ou nos capítulos sonhados para o futuro

Simplesmente, viaja…

Num mundo criado pelos outros, para os outros, ela se inclui

Sente-se parte, faz parte, mergulha

Vive, revive, imagina-se…

E cria, assim, sua própria viagem…

Simplesmente, vive…

Alda M S Santos

Álbum de figurinhas

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Como álbum de figurinhas vamos “montando” nossas vidas

No início tudo é novidade, satisfação, animação

Comprando muitas, investindo bastante com energia e disposição

Uma a uma vamos colando, grudando e preenchendo espaços vazios

Conquistando umas raridades, preciosas

Interagindo, trocando aquelas repetidas por outras que ainda não temos

Até doando ou descartando várias que nem troca conseguimos mais

Como a vida, quando o “álbum” está quase completo

Mais difícil fica fechá-lo ou montá-lo, mais descartes vamos acumulando

E mais valiosas se tornam aquelas que preencherão nossos espaços vazios

Mudamos valores, passamos a trocar duas ou três por uma…

Quase sempre nos concentramos muito naquelas que faltam

E nos esquecemos do valor de todas as outras conquistadas

Daquelas outras figurinhas que “encheram” nosso álbum de cor

Passamos a lamentar as que perdemos por não tê-las colado direito

Ou por não ter “pago” o tanto que pediram, que valiam de verdade

Pois só descobrimos que eram raridade quando já estavam noutro álbum

Quando o julgamos “pronto” nos orgulhamos de exibi-lo a todos

Mas o que mantém a vida em curso é o desejo de preencher o que falta

Mesmo que não consigamos esse intento de completude

O prazer e alegria de montar um álbum consiste em buscar a figurinha faltosa

Mas essa busca não pode ser com mais empenho

Que o de conservar e valorizar o já conquistado

Quando o álbum for “fechado”, mais vale estar feliz que completo!

Alda M S Santos

Miragem

MIRAGEM

Como sonâmbulo, você andava num espaço bonito, porém frio e nebuloso

Passava por muita gente e não enxergava ninguém

Alguns lhe estendiam as mãos, sorriam, cumprimentavam

Outros nem te percebiam ou pareciam bravos contigo

Você não via, parecia ter outro objetivo

Olhos sem brilho, “adormecido”, opacos

Mas seguia…sem parar para nada

Eu observava de longe, encolhida num canto, chorosa

Você chegou até mim, os olhos brilharam, acordaram

Estendeu-me as mãos, levantou-me do chão

Pediu desculpas, chorou, me abraçou demoradamente

“Eu sempre te amei… sempre”-afirmou muitas vezes

E sumiu numa nuvem de fumaça

Como miragem…desapareceu…

Sentei-me novamente no canto

Você voltou para a vida

Eu continuei ali de onde não poderia sair…

Um sonho perturbador!

Alda M S Santos

Você não pode abraçar o mundo!

VOCÊ NÃO PODE ABRAÇAR O MUNDO!

Você não pode abraçar o mundo todo

Mas pode abraçar quem está a seu lado

Você não pode alimentar a todos que têm fome

Mas pode contribuir mais, evitando desperdícios

Você não pode aquecer a todos no inverno

Mas pode, além de cobertor, doar calor humano

Você pode não resolver os problemas de todo indivíduo

Mas pode evitar ser um problema a mais para tantos

Pode amenizar as dores de muitos com aquilo que talvez possa lhe parecer pouco

Mas pode ser o “tudo” de alguém

Pode ser os olhos de quem não vê a beleza, o brilho

Os ouvidos de quem não é ouvido, compreendido

O toque delicado em quem se sente excluído

O cuidado de amor que devolve a alguém a autoestima perdida

A palavra de estímulo para quem está desanimado

A mão acolhedora que ampara aquele que cai

O olhar e sorriso de amizade e carinho para quem se sente só

A cor, o brilho, o perfume, a boa lembrança no mundo tão cinzento de alguém

E, sim, o abraço fraterno a quem pouco tem…

Ainda que não possamos abraçar o mundo

Podemos “abraçar” o que dermos conta…

O bem contagia e se propaga

E pode atingir o mundo em efeito cascata

Enchendo também nosso mundo de cor, brilho, perfume e boas lembranças

Além de nos tornar cada dia mais fortes, mais humanos…

Um mínimo parecidos com Ele

Quem doa amor, abraço e carinho, no ato de “preencher” o outro, preenche-se

Podemos, sim, assim, abraçar o mundo!

Alda M S Santos

Sem plano de voo

SEM PLANO DE VOO

Na escuridão da noite que chega lentamente

Ela se despede temporariamente do sol

Tenta encontrar novas luzes brilhantes

Reacender outras já meio apagadas

Um vagalume que aparece meio receoso, certo de seu caminho

Mesmo sem plano de voo

Vênus que se apresenta radiante ao longe no céu

A Lua, orgulhosa e bela, que inspira os amantes

Mas também, solidária, acolhe os solitários

Quase pode ouvir o som de cada estrela que brilha no firmamento

Concentra-se nos sons diferentes do anoitecer

Esfria, abraça a si mesma se aquecendo

Fecha os olhos e, como os cegos, vê com o olfato, com a audição

Enxerga as doces lembranças guardadas na escuridão dentro de si, revive

Como vagalume, está acostumada a acender-se e enxergar a vida no escuro

Inspira fundo, expira, respira, suspira

Tenta não pirar…

Segue…não há necessidade de plano de voo

O destino é um só, o caminho a gente cria

Sabe que a luz é mais valiosa onde antes foi escuridão…

Alda M S Santos

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